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O meu Thanksgiving

8 October 2026 at 17:35

O Thanksgiving, que celebramos no Canadá na próxima segunda-feira, é muito mais do que um feriado marcado pelo delicioso peru assado e pelas maravilhosas reuniões familiares. Por aqui, esta festa carrega um grande simbolismo, focado principalmente na gratidão por tudo o que aconteceu de bom e especial no ano que agora termina.

Contudo, para nós, comunidade luso-canadiana, a realização desta festa, ano após ano, deve fazer-nos lembrar as nossas raízes e levar-nos a refletir: o que devemos dar em troca à sociedade civil por tudo o que esta nos dá, não só ao nível dos privilégios, como também da prosperidade a que este ano tivemos acesso? Se o ano correu bem, isso obriga-nos a olhar para trás com orgulho, mas também para a frente com enorme responsabilidade.

A nossa história neste país foi construída a pulso, com o suor de gerações de emigrantes portugueses que encontraram no Canadá uma terra de oportunidades, segurança e liberdade. Fomos bem acolhidos, e os canadianos permitiram que tivéssemos sucesso e, ao mesmo tempo, mantivéssemos a nossa identidade bem viva. Por isso, sentarmo-nos à mesa nos próximos dias não pode ser apenas para comer e conversar, mas deve ser visto como um ato de gratidão. Para que esta seja verdadeira, deve ser convertida em cidadania ativa e responsabilidade social coletiva. Dar em troca à sociedade civil canadiana manifesta-se em gestos de compromisso ético diários. O primeiro e mais imediato é o combate à pobreza, às dificuldades sociais e à fome, realidades que afetam muitos dos nossos vizinhos e que não estão longe, apenas em África. Apoiar os bancos alimentares locais ou as instituições de caridade da nossa própria comunidade, que tanto fazem pelos mais desfavorecidos e pelos nossos idosos, é o reconhecimento prático da dignidade do outro.

Quando a comunidade luso-canadiana se mobiliza para partilhar recursos e tempo, não está apenas a fazer caridade; está a fortalecer a rede de segurança social que protege a todos. Assim como no passado fomos ajudados a dar os primeiros passos num novo país, cabe-nos agora assumir um papel ativo no acolhimento de quem chega. Dar em troca significa orientar os mais jovens, apoiar os novos imigrantes a entrar no mercado de trabalho e combater o isolamento social. Significa também participar de forma construtiva no processo democrático local, exercer o direito de voto e assumir cargos de liderança cívica, garantindo que a voz e os valores luso-canadianos podem influenciar o futuro do país.

O Thanksgiving não é apenas um ponto de chegada, mas sim um ponto de partida anual para renovarmos o nosso “contrato social” com o Canadá. Celebrar esta data com consciência cívica é compreender que o privilégio de viver numa sociedade pacífica e próspera traz consigo a obrigação moral de contribuir para a sua melhoria contínua.

Que a nossa maior expressão de gratidão seja o compromisso firme de continuar a dar o melhor de nós, honrando o passado e erguendo um Canadá cada vez mais justo e solidário.

Vitor Silva/MS

My Thanksgiving

8 October 2026 at 17:27

Thanksgiving, which we celebrate in Canada next Monday, is much more than a holiday marked by delicious roast turkey and wonderful family gatherings. Here, this celebration carries great symbolism, focused primarily on gratitude for everything good and special that happened in the year now coming to a close.

However, for us, the Luso-Canadian community, celebrating this holiday year after year should remind us of our roots and prompt us to reflect: what should we give back to civil society in exchange for everything it gives us, not only in terms of privileges, but also the prosperity we had access to this year? If the year went well, that obliges us to look back with pride, but also forward with immense responsibility.

Our story in this country was built through hard work, with the sweat of generations of Portuguese immigrants who found in Canada a land of opportunity, safety, and freedom. We were warmly welcomed, and Canadians allowed us to succeed while keeping our identity vibrant and alive. Therefore, sitting at the table in the coming days cannot be merely about eating and talking; it must be seen as an act of gratitude. For this gratitude to be genuine, it must be converted into active citizenship and collective social responsibility. Giving back to Canadian civil society manifests in daily acts of ethical commitment. The first and most immediate is the fight against poverty, social hardship, and hunger, realities that affect many of our neighbors and are not far away, just in Africa. Supporting local food banks or charitable organizations within our own community, which do so much for the underprivileged and our seniors, is the practical recognition of the dignity of others.

When the Luso-Canadian community mobilizes to share resources and time, it is not merely practicing charity; it is strengthening the social safety net that protects everyone. Just as we were helped in the past to take our first steps in a new country, it is now up to us to play an active role in welcoming newcomers. Giving back means mentoring youth, supporting new immigrants in entering the job market, and combating social isolation. It also means participating constructively in the local democratic process, exercising the right to vote, and taking on civic leadership roles, ensuring that Luso-Canadian voices and values shape the country’s future.

Thanksgiving is not just a destination, but an annual starting point to renew our “social contract” with Canada. Celebrating this date with civic consciousness means understanding that the privilege of living in a peaceful and prosperous society carries the moral obligation to contribute to its continuous improvement.

May our greatest expression of gratitude be a firm commitment to keep giving the best of ourselves, honoring the past and building an ever more just and supportive Canada.

Vitor Silva/MS

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