BE questiona Comissão Europeia sobre vigilância privada a população em mina em Trás-os-Montes
A eurodeputada do BE questionou a Comissão Europeia sobre práticas de vigilância privada nas minas de Covas de Barroso, querendo saber que medidas pretende aquela entidade tomar para impedir o condicionamento de “direitos fundamentais” das populações, foi hoje anunciado.
Em comunicado, o BE refere que Catarina Martins questionou a Comissão sobre “que garantias oferece o direito da União para prevenir práticas de vigilância privada suscetíveis de intimidar comunidades e restringir o exercício dos seus direitos fundamentais”.
Catarina Martins, numa questão dirigida à Comissão Europeia, quer saber que diligências a Comissão “tenciona desenvolver perante estas denúncias, tendo em conta o estatuto de projeto estratégico europeu da Mina do Barroso”.
Para a eurodeputada, é preciso saber como a Comissão Europeia pretende assegurar “que os interesses económicos associados a projetos estratégicos não se sobrepõem aos direitos fundamentais das populações afetadas”.
No texto, Catarina Martins refere que a população de Covas do Barroso denunciou a vigilância permanente da aldeia por uma empresa de segurança privada contratada pela Savannah Resources, promotora do projeto de exploração de lítio.
“Esta situação suscita preocupações que ultrapassam a proteção da privacidade. Quando exercida sobre uma comunidade que contesta um projeto económico, a vigilância permanente pode constituir uma forma de pressão e intimidação, condicionando os comportamentos dos habitantes e criando um efeito dissuasor sobre o exercício das liberdades de expressão, reunião e manifestação”, salienta a eurodeputada.
Para Catarina Martins, “num Estado de direito, a segurança privada não pode transformar-se num instrumento de controlo social de uma comunidade, nem permitir que interesses económicos privados condicionem o exercício de direitos fundamentais no espaço público”.
A associação Unidos em Defesa de Covas do Barroso (UDCB) iniciou hoje um bloqueio que visa a interrupção dos trabalhos numa das áreas da servidão administrativa e admite que se trata de uma necessidade de “escalar a resistência” perante a falta de respostas e da “inflexibilidade do Governo em escutar” as reivindicações da população.
A GNR foi chamada ao local e, depois de contactada pela agência Lusa, disse que foram identificadas 27 pessoas que estão a participar no bloqueio, referindo ainda que a empresa decidiu suspender os trabalhos.
Em maio, o Ministério do Ambiente autorizou uma segunda servidão administrativa, que permite à Savannah entrar em terrenos comunitários e privados para trabalhos de geotecnia, a qual foi contestada em tribunal através de uma providência cautelar interposta pelo Conselho Diretivo dos Baldios da Freguesia de Covas do Barroso, que levou à suspensão das prospeções por cerca de 20 dias.
O presidente da UDCB, Nélson Gomes, disse hoje à Lusa que se juntaram para impedir que a Savannah Resources prossiga com os trabalhos e frisou que os “terrenos, quer baldios, quer particulares, são da população”.
O presidente da UDCB apontou à Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG) e à Agência Portuguesa do Ambiente (APA), “entidades que deviam fiscalizar o projeto e que não respondem às questões” que têm sido feitas, nomeadamente da desmatação que ocorreu fora do período autorizado e a retirada de água dos ribeiros.
E mostrou-se ainda preocupado com os “cerca de 10” projetos mineiros e pedidos de prospeção só na região do Barroso”.
O projeto mineiro em Boticas foi viabilizado pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA), com a emissão de uma Declaração de Impacte Ambiental (DIA) favorável condicionada em 2023.
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