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CVA promove Vinhos do Algarve em Copenhaga

15 October 2026 at 18:31

A internacionalização dos Vinhos do Algarve passa também pelo contacto direto com novos mercados e pela criação de oportunidades de negócio além-fronteiras, pelo que foi com esse propósito que a Comissão Vitivinícola do Algarve (CVA) esteve em Copenhaga, entre os dias 6 e 8 de outubro, numa iniciativa dedicada à divulgação da produção vitivinícola regional junto de profissionais e consumidores dinamarqueses.

A participação teve início a 6 de outubro, na Portugalwines Copenhagen 2026, uma iniciativa organizada pela AICEP – Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal, no Richmond Hotel.

O evento reuniu 12 produtores portugueses de diferentes regiões e foi dirigido a profissionais do mercado, entre importadores, distribuidores, especialistas de vinho e representantes da restauração e do retalho.

No âmbito do evento, a CVA teve a possibilidade de realizar uma prova de vinhos dirigida a profissionais do setor, nomeadamente importadores e representantes da restauração, na qual apresentou uma seleção de Vinhos do Algarve e destacou a diversidade da produção regional e as características distintivas dos vinhos deste território.

O programa incluiu ainda uma masterclass dedicada aos Vinhos do Algarve, conduzida por Gilmar Brito, dirigida a importadores e profissionais da restauração dinamarquesa. A sessão proporcionou um contacto mais aprofundado com os vinhos da região, através da apresentação de diferentes estilos e castas, e permitiu dar a conhecer as particularidades da produção vitivinícola algarvia a potenciais parceiros do mercado dinamarquês.

Nos dias 7 e 8 de outubro, a promoção dos Vinhos do Algarve prosseguiu em dois espaços de restauração de Copenhaga. No dia 7, o restaurante Búzio recebeu uma ação dedicada aos vinhos algarvios, seguindo-se, no dia 8, a mesma iniciativa, mas no restaurante Fanico. Desenvolvidas em parceria com a AICEP, estas ações proporcionaram momentos de prova que aproximaram os vinhos algarvios do público dinamarquês.

A CVA adianta ainda que as ações decorreram no âmbito de uma iniciativa de internacionalização cofinanciada pelo Programa Regional Algarve 2030. A presença na Dinamarca procurou ampliar a notoriedade dos Vinhos do Algarve no mercado dinamarquês, desenvolver contactos com potenciais parceiros comerciais e criar condições para novas oportunidades de exportação.

“Burla de amor” no Alto Minho: Falsa arquiteta com pena suspensa

15 October 2026 at 17:29

A falsa arquiteta conhecida por “burlas de amor” lesando dois homens idosos, no Alto Minho, em 200 mil euros, foi esta quinta-feira condenada em três anos e dez meses, mas suspensa, tendo sido já imediatamente libertada.

No Palácio da Justiça de Viana do Castelo, o Tribunal Coletivo teve principalmente em conta a confissão integral dos factos que era acusada e o arrependimento que se traduziu também na indemnização parcial aos dois homens lesados, um de Ponte de Lima e um de Ponte da Barca.

A pena suspensa será acompanhada, durante todo o período de três anos e dez meses, por um plano a executar pela Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais, porque o Tribunal foi da opinião que há juízo de prognose positivo e a pena não podia ultrapassar a medida da culpa.

A arguida, de 58 anos, solteira, natural de Amarante, que residia em Matosinhos, estava presa preventivamente desde há oito meses, no Estabelecimento Prisional Central Feminino de Santa Cruz do Bispo, igualmente em Matosinhos, até esta quinta-feira, voltando já assim à liberdade.

Detida pela Polícia Judiciária de Braga, já com problemas relacionados com burlas, há 25 anos, num processo do Tribunal de Santo Tirso, foi julgada em Viana do Castelo, sob a acusação de dois crimes de burla qualificada, com um cúmulo jurídico de três anos e dez de pena suspensa.

O estratagema terá sido o mesmo: fez-se passar inicialmente por arquiteta e simulando grandes capacidades financeiras, conquistando a confiança dos dois homens, ambos com mais de 70 anos, convencendo-os a grandes investimentos imobiliários, mas ficando com o dinheiro.

Conheceu-os através de redes sociais dedicadas a encontros amorosos, fazendo-se apaixonada, evidenciando até falsos sinais exteriores de riqueza, a ponto de afirmar a ambos “ter ainda mais dinheiro do que tu”, pagando jantares aos dois idosos, convencendo-os que “os amava mesmo”.

Defesa satisfeita com o acórdão

À saída da leitura do acórdão condenatório, o seu advogado, João Ferreira Araújo, revelou que não irá “recorrer desta douta decisão”. “Desde logo porque quem me conhece sabe muito bem que nunca recorri só por recorrer, nem utilizo os expedientes para protelar processos judiciais”, referiu.

“Mas principalmente no caso de hoje, entendo que se tratou de um douto acórdão que dignifica o sistema judicial, já que penalizou devidamente a arguida, de uma forma proporcional, sendo que saiu daqui mesmo em liberdade”, acrescentou o advogado bracarense João Ferreira Araújo.

Ainda segundo o mesmo causídico penalista, “a arguida, que é, acima de tudo e antes de mais uma cidadã, percecionou que se tratou apenas e só de um ato isolado da sua vida, até por não ter sido provado que fizesse deste tipo de situações seu modo de vida, nós estamos satisfeitos”.

Septuagenário de Ponte de Lima ficou sem 150 mil euros

O primeiro idoso a ser enganado pela falsa arquiteta, de 73 anos, com baixa instrução escolar, anteriormente emigrado em França, onde foi empresário da construção civil, conheceu a mulher, em setembro de 2025, usando a plataforma “Badoo”.

A mulher disse chamar-se Helena, uma arquiteta de sucesso e residente no Porto. Foi naquela cidade que se encontrou com a vítima pela primeira vez em 15 de setembro de 2025, na Avenida dos Aliados, após se aperceber que o ex-emigrante deixou a empresa aos filhos, em França, tendo bons rendimentos.

Já “enamorados”, dirigiram-se nessa mesma noite ao Cais de Gaia, onde a “arquiteta Helena”, para impressionar o “namorado”, consumiu imediatamente um copo de Vinho do Porto por 21 euros, convencendo o septuagenário de Ponte de Lima que tinha muito dinheiro.

Passados poucos dias, a falsa arquiteta passou a frequentar a casa do antigo emigrante, em Ponte de Lima, acabando por passar a residir com o “namorado”, com quem manteve até relações sexuais, segundo a queixa apresentada depois pelo septuagenário.

O relacionamento chegou ao ponto de a “arquiteta Helena”, ao ter mudado com “armas e bagagens”, passado a limpar a casa do “companheiro”, entre outras lides domésticas, como lavar e engomar roupa, cozinhar e fazendo refeições com o “namorado”.

A falsa arquiteta “pretendeu e conseguiu fortalecer a relação entre ambos”, alegadamente “tendo convencido” o septuagenário que estariam a viver já “uma relação amorosa séria e com futuro”.

O antigo emigrante em França, a dada ocasião, fez questão de oferecer um anel, que comprou por 3.250 euros, numa ourivesaria da cidade do Porto, à “arquiteta Helena”, tendo passado ambos cinco dias em Quarteira, sempre a expensas da própria suspeita.

Nessa mesma ocasião, em meados de outubro de 2025, a mulher terá começado a confidenciar ao “amigo” que por causa da sua profissão de arquiteta, fazia a cada passo transações de imóveis, lucrando com investimentos imobiliários.

Até que, sempre segundo a versão do queixoso, em certo dia, propôs ao “companheiro” comparticipar na compra de um imóvel, em Lisboa, por 300 mil euros, pois ambos “lucrariam algum dinheiro de forma fácil”, ao que o antigo emigrante logo anuiu.

A ideia seria revenderem pouco tempo depois o alegado imóvel, investindo a meias, isto é, 150 mil euros cada um, pelo que a seguir iriam “obter lucros”, igualmente para repartirem a meias, mas investindo-se com numerário, quer dizer, “dinheiro vivo”.

Na agência de Ponte de Lima do BPI, o “investidor” levantou então da sua conta bancária 150 mil euros, através de 750 notas, todas de 200 euros, entregando-lhe o avultado “dinheiro vivo”, na sua própria casa, em Ponte de Lima, para fazer o “negócio”.

Enquanto o proprietário da casa lavava o automóvel, no exterior da residência, a “arquiteta Helena” foi para dentro “guardar o dinheiro”, enquanto se preparavam para no dia seguinte irem a Lisboa, onde a falsa arquiteta faria o “negócio” diretamente.

No dia 16 de outubro de 2025, ambos saíram de Ponte de Lima, rumo à capital portuguesa, mas a pedido da suspeita, pararam no centro da cidade do Porto, onde a mulher levantaria a sua parte do investimento, isto é, 150 mil euros, para tudo correr bem.

De súbito, a “namorada” do antigo emigrante “apercebeu-se” que se teria “esquecido” dos 150 mil euros do “companheiro”, em Ponte de Lima, pedindo-lhe que fosse buscar o dinheiro, enquanto iria a sua casa, no Porto, buscar os outros 150 mil euros.

Ao chegar a Ponte de Lima, o homem constatou que afinal os seus 150 mil euros não estavam em casa, tendo contactado de imediato a “namorada”, mas a “arquiteta Helena” já não atendeu a chamada do telemóvel e nunca mais daria sinais de vida.

Sexagenário de Ponte da Barca espoliado de 50 mil euros

O segundo caso envolveu um sexagenário, de Ponte da Barca, que através do site de encontros “Felizes”, conheceu a mesma mulher, fazendo-se passar novamente por arquiteta, só que com um outro nome falso, o de Ana Carolina Martins.

Depois dos contactos iniciais nessa mesma plataforma digital, a falsa arquiteta passou a dialogar por telemóvel com o homem, residente no concelho de Ponte da Barca, utilizando sempre a aplicação WhatsApp.

A mulher dizia residir em Lisboa, mas encontrar-se temporariamente no Porto, em casa de uma tia, “criando uma personagem fictícia para conquistar a confiança” do antigo emigrante e que está atualmente reformado.

Um mês após iniciado o “namoro”, já a falsa arquiteta estava a viver com o “companheiro”, mantendo-se três meses na casa daquele aposentado, “a viver em economia comum”, em Ponte da Barca.

“Durante esse mesmo período, a suspeita cultivou uma relação de proximidade e confiança com o queixoso, apresentando-se como pessoa economicamente abastada, afirmando possuir elevadas disponibilidades financeiras”, segundo ficou provado durante o julgamento.

A falsa arquiteta “manifestava a intenção de adquirir um imóvel de elevado valor”, sendo que “com o intuito de reforçar a aparência de solvabilidade, a arguida usava frequentemente joias em ouro, oferecia ao homem roupa de marca e perfumes, falava em língua inglesa ao telefone, alegando tratar-se de contactos com um filho, residente nos Estados Unidos da América, dizendo ter outro filho na Suíça, sendo viúva”, segundo ficou provado durante esta quinta-feira.

Ao fim de dois meses de coabitação, a mesma mulher terá confidenciado ao “companheiro”, a intenção de comprar uma moradia bem próxima do Santuário de Nossa Senhora do Socorro (“Santoinho”), em Viana do Castelo, por 800 mil euros.

Ambos tiveram uma reunião com o proprietário e dois representantes de uma agência imobiliária do Alto Minho, confirmando a falsa arquiteta o interesse em comprar tal moradia, mas também um terreno contíguo, que estava para venda por 50 mil euros.

No dia seguinte, a “namorada” do antigo emigrante em França, disse que iria concretizar o negócio, por 800 mil euros, só que para comprar o referido terreno, por 50 mil euros, teria de mobilizar fundos de outra conta bancária, pagando avultados juros.

“Imbuído na relação afetiva que mantinha com a suspeita, convicto da veracidade das afirmações proferidas pela mulher, então anuiu ao pedido”, transferindo dinheiro desde França e levantando os 50 mil euros na agência de Arcos de Valdevez do BCP.

Logo a seguir foram ambos para o Porto, onde supostamente o “casal” iria pernoitar em casa da tia da falsa arquiteta, a fim de no dia seguinte irem a Lisboa, conhecer a casa de “Ana Carolina Martins”, só que afinal novamente as coisas precipitaram-se.

Novamente houve “problemas de falta de lugar de estacionamento”, pelo que a mulher pediu ao homem que fosse procurando sítio para aparcar o automóvel, enquanto a própria levaria a mala, com o dinheiro, seguindo então por uma passagem pedonal.

Ao fim de dez minutos, o homem, com o carro devidamente estacionado, não via a “namorada”, pelo que tentou chegar à fala, por telemóvel, com a mulher, que nunca mais lhe atendeu o telefone, desaparecendo logo sem deixar rasto.

O homem permaneceu várias horas pelas imediações, na cidade do Porto, desesperado, convencendo-se cada vez mais que não havia “amor” algum, sim “um esquema ilícito, no qual foi enganado, nunca mais conseguindo falar, nem localizar a suspeita”.

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