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O decolonialismo atrapalha o estudo da História

By: A A
15 October 2026 at 15:00

Decolonialismo impede estudo sério da História: mestiçagem não é só estupro, Inquisição freou senhores todo-poderosos e índios tinham escravos.

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No mês passado, o Brasil viu a historiadora Mary Del Priore pedir uma escolta policial para lançar História das Mestiçagens no Brasil, uma coletânea de ensaios organizada por ela junto com Gian Melo. Pelo simples fato de ser sério, o livro contradiz a o dogma do movimento negro brasileiro de que a mestiçagem deve ser lastimada, pois decorre exclusivamente do estupro perpetrado por senhores de escravos. Esse amável segmento da nossa sociedade não tem escrúpulos em fazer ameaças de violência física, e os hooligans de uma Federal recentemente espancaram um estudante de história por usar uma camisa da banda “Death in June” sem que ninguém fosse punido. Depois de se esclarecer que era uma camisa de banda e não uma homenagem nazista, os estudantes justificam a agressão alegando que o estudante era racista e xingou o colega de macaco.

Tudo isso é muito cansativo, pois já faz 13 anos que o sociólogo Demétrio Magnoli foi fisicamente impedido de falar num evento literário pelo crime de ser contra as cotas raciais – como o leitor pode ler aqui, neste veículo financiado pela abominável Fundação Ford que elogia a ação dos vândalos e chama Magnoli de racista. A essa altura, a gente suspira e pergunta: Quousque tandem? Até quando?

Na História tal como na Ciência

No artigo anterior, apontei que a partir do século XIX o establishment científico aboliu a ideia do Criador versado em matemática do cristianismo e instituiu, tacitamente, o materialismo, que é compatível tanto com o deísmo de alguns iluministas quanto com o ateísmo dos darwinistas. O problema é que admissões tácitas não são combatidas, pois para refutar é preciso enunciar. Quando há uma instituição por detrás de tal enunciado, a crítica tem um alvo claro.

No caso das ciências naturais, a instituição que ocupou a posição de vidraça era a Igreja Católica. Depois do caso Galileu, porém, a Igreja conseguiu recompor suas relações com a ciência e entregou cientistas do quilate do Pe. Lemaître. E mais: participar do processo de uma canonização atestando milagres não destrói a reputação de cientista nenhum, mesmo que suas conclusões contrariem os pressupostos do materialismo. Quando canonizações acontecem, porém, nenhum destaque é dado ao lado científico – e o divórcio entre religião e ciência permanece no público. Do lato materialista, não temos nenhuma autoridade científica de peso enunciando e provando o materialismo – temos apenas propagandistas aparentemente avulsos como Sagan e Dawkins que apenas pressupõem o materialismo e são apresentados como arquétipos de cientistas. E a mesma mídia fica promovendo cristais, horóscopo e outras bobagens New Age.

Ocorreu-me que algo similar se dá com a disciplina de História, trocando a Igreja pelo Estado. É fácil atacar uma historiografia oficial; no entanto, os críticos raramente oferecem uma contra-história coesa, que possa ser atacada. A Fundação Ford financia gente de toda qualidade: desde Florestan Fernandes (1920 – 1995), que tinha formação demais para dizer que mestiçagem é consequência de estupro, até ONGs de militantes acerebrados que fazem o papel de hooligans e difamadores. Há uma institucionalidade, mas é oculta e não oferece uma visão do todo – só tece críticas à visão positiva que o Estado ou estudiosos importantes como Gilberto Freyre ofereçam. As consequências disso para a educação nacional são esse adestramento à Paulo Freire, no qual a criança tem que aprender a ser “crítica” porque o “conteudismo” é ruim.

O acriticismo decolonial

O resultado é essa prepotência arrogante que tanto caracteriza os wokes: eles objetivamente não sabem de nada – pois não há um currículo “conteudista” –, mas se sentem a palmatória do mundo porque são “críticos”. A postura arrogante é um fim em si mesmo, e o próprio conceito de estudo é difícil de captar por uma mente criada nestes moldes. Quanto à objetividade, ela é abertamente criticada.

Porém, é evidente que também é possível aderir acriticamente ao decolonialismo pregado pela Fundação Ford e similares, segundo o qual o Brasil jamais deveria ter sido descoberto pelos portugueses e o povo brasileiro jamais deveria ter se formado. Segundo essa cartilha, a descoberta do México pela Espanha é o pior dos crimes… mas o verdadeiro genocídio indígena, perpetrado pelos anglófonos no território tomado do México, é tratado como uma nota de rodapé pela História. Pouco importam os sacrifícios humanos aos quais os astecas submetiam os demais ameríndios; o certo é que as Américas jamais deveriam ter sido descobertas pelas coroas ibéricas. Não é nem descoberta, é “invasão”. O Brasil é o país mais racista do mundo porque teve escravidão; já os EUA, que tiveram escravidão sem alforria e chegaram à II Guerra Mundial discriminando negros, são um modelo em que o Brasil tem que se inspirar para ser melhor.

Adesão por um bom historiador

É possível aderir a esse credo tácito de maneira irrefletida sem ser uma pessoa burra ou incompetente – muito pelo contrário. Tomemos como exemplo a obra A heresia dos índios (1995), do historiador Ronaldo Vainfas. No caso em tela, a hercúlea tarefa do historiador é, munido de conhecimentos antropológicos conquistados no século XX, consultar aos arquivos da Inquisição Portuguesa para reconstruir um pouco da realidade brasileira quinhentista a partir de uma história maluca que consta num processo.

A história maluca é a do português Fernão Cabral, senhor de escravos de Jaguaripe, Bahia, que em 1585 se tornou Tupã ou Deus para os índios rebeldes que queriam escravizar os portugueses e viver cultuando Tupã-Açu (Deus Grande) sob a sua própria Igreja. Esta tinha o seu próprio Papa, um certo índio Antônio que fora batizado e fugira para o mato. Em sua igreja, os índios cultuavam uma pedra antropomórfica à qual chamavam de Tupã-Açu (Deus Grande) e faziam festas em que todos fumavam tabaco, bebiam álcool e bailavam. Os índios fugiam das outras propriedades e das reduções jesuíticas para as terras de Fernão Cabral, onde podiam ter várias mulheres e comer carne nas sextas-feiras, conforme os costumes antigos. Diante da insatisfação dos outros proprietários, o governo acaba destruindo a Igreja dos índios e tudo volta ao normal.

Tudo poderia ter sido esquecido, se a primeira Visitação do Santo Ofício não tivesse ocorrido em 1591. Aí, uma montanha de gente correu para denunciar Fernão Cabral; e o visitador do Santo Ofício, preparado para lidar com cristãos novos judaizantes, falsos padres, bígamos e sodomitas, viu-se metido com a indecifrável cosmovisão tupi compartilhada por mestiços e até por brancos. Nisso, acabou achando que os maiores crimes dos homens tatuados era comer carne às sextas-feiras, sem saber que as tais tatuagens eram feitas em rituais antropofágicos.

Moralização sem lastro

Sem dúvida, é um trabalho de fôlego e que não está ao alcance do militante woke. No entanto, chama a atenção a moralização não-argumentada por parte do autor. A epígrafe já dá o tom: “Povos e povos indígenas desapareceram da face da terra como consequência do que hoje se chama, num eufemismo envergonhado, o encontro de sociedades do antigo e do novo mundo.” Uma epígrafe curiosa para uma obra que não versa sobre extermínio de índios, mas sim sobre sua aculturação forçada. É muito fácil encontrarmos no Brasil obras – quase sempre lacrimosas – sobre a aculturação de índios, mas não tanto sobre real genocídio. As palavras perdem o sentido.

A despeito de toda a qualidade da pesquisa, a tônica do livro é a de que o Brasil não deveria ter sido descoberto, que o “colonialismo” é mau e que a religião pré-cabralina dos índios, dotada de “conteúdo anticristão e antiescravista [sic!]”, era boa. Os tupis viviam procurando a Terra Sem Mal – por isso eram nômades – e os portugueses transformaram o Brasil na “Terra dos Males Sem Fim”. No fim do livro, chega a dizer: “É com algum constrangimento que devo reconhecer esta máxima vitória do sistema colonial, capaz de invadir a própria mitologia tupi, colonizando-lhe o imaginário: a Terra Sem Mal dos tupinambás se converteria numa utopia escravocrata.” (p. 277) Pelo que Vainfas escreve de maneira mais livre, fica parecendo que os tupis não tinham escravos. A Terra Sem Mal original não tinha escravos porque se parecia com a Cocanha, onde a comida vem sem esforço e o trabalho é desnecessário. Se a nova Terra Sem Mal tem escravos brancos, isso é apenas sinal de um humaníssimo desejo de vingança.

Após passar páginas e páginas criticando a demonização dos índios pelos inquisidores (mesmo frisando que os portugueses não fossem afeitos a tal coisa), Vainfas escreve: “Não resta dúvida de que [o visitador] Heitor Furtado derrotou, no teatro da Inquisição, o arrogante senhor de Jaguaripe, apesar de jamais ter entendido, realmente, o que fora a santidade [dos índios]. Bastava-lhe, porém, rotulá-la como idolatria e, por conseguinte, como heresia; bastava-lhe obrigar Fernão Cabral a curvar-se perante ele, visitador, com súplicas de misericórdia. No teatro barroco da Inquisição, mais valia a representação da heresia, creio eu, do que a vitória da fé” (p. 238, ênfase minha). Ou seja, os inquisidores agiam por puro sadismo, em vez de ter alguma intenção nobre.

Na verdade, porém, a rotulação de heresia é uma obsessão de Vainfas, já que não aparece em momento nenhum na pluma de Heitor Furtado para aplicar aos índios. Os pagãos eram idólatras sem serem hereges, pois só pode ser herege o batizado que alega crer em Cristo. Se uma pessoa abandona o cristianismo após o batismo, ela é apóstata, não herege. Essa obsessão custou nada menos que o título do livro, que anuncia uma coisa cuja existência não se prova. Por tudo quanto Vainfas descreve, depreende-se que os índios criaram uma nova religião sincrética que misturou a devoção mariana dos jesuítas com os ritos pré-cabralinos em torno de uma maraca antropomórfica. Não há menção a Cristo; só a Deus Grande (a pedra), Deus (o próprio Fernão Cabral), Mãe de Deus (uma índia) e Santinho (um índio).

Mas vamos ao que me parece mais prejudicial: toda essa moralização não tem anúncio, nem justificativa. Por tudo quanto o próprio Vainfas escreveu, o leitor pode concluir que a vida tupi anterior à chegada dos portugueses era infernal. Os tupis tinham grande honra em tomar vários nomes e fazer várias tatuagens de jenipapo. Cada nome e cada tatuagem valia para um guerreiro morto e devorado por eles num ritual. Seu horizonte de vida era seguir os conselhos de um pajé (um feiticeiro, um sacerdote avulso) que se comunicava com espíritos e dizia para onde eles deviam seguir. Tudo isso – os deslocamentos e as guerras – para chegar à Terra Sem Mal, que, antes de os portugueses chegarem, eles acreditavam estar no litoral. Como o litoral não estava inabitado, é claro que isso envolveu fazer guerra, ganhando nomes, tatuagens e escravos. Você queria viver assim, numa eterna peça “Esperando Godot” adaptada por Tarantino?

É digno viver desse jeito? Vainfas não gosta da escravidão. Eu tampouco. Acrescento que não gosto de guerras vãs, nem de canibalismo ou morte na flor da idade. A sociedade tupi tinha alguma perspectiva de acabar com todos esses males? A Terra Sem Mal, onde as flechas caçam sozinhas, estava ao seu alcance?

De minha parte, acho engraçado que a frase “é a cultura deles” só serve para os ditos ocidentais (isto é, europeus e seus descendentes não-miscigenados na América e na África). Ninguém diz que matar judeus é da cultura dos alemães e que o auto de fé é uma tradição da cultura espanhola. Dos europeus, exige-se elevação moral. Aos índios, o relativismo moral e a angustiosa vida sangrenta que sua cultura acarretava.

Avaliação com os dados disponíveis

Um dado relevante, que já abordei noutra ocasião aqui na SCF, é que o modelo espanhol de ocupação ultramarina é muito mais institucional e estatizante do que o Português – e o português, a seu turno, muito mais institucional e estatizante do que o holandês. Enquanto a Inquisição Espanhola tinha tribunais na América, a Inquisição Portuguesa, mesmo sob os Filipes, não tinha nenhum. Por isso as pessoas precisavam esperar a Inquisição vir para poder denunciar senhores de terra que viviam no Brasil oprimindo os outros, sem nenhuma restrição.

Chamou-me a atenção, na pesquisa de Vainfas, que a recepção aos índios apóstatas era um dos dois malfeitos de Fernão Cabral que chocaram a população baiana: a outra era o assassinato cruel de uma índia grávida. Por desgostar do mexerico da índia Isabel com a sua esposa, ele ordenou que fosse lançada viva à fornalha, e que quem tentasse impedir tivesse semelhante sorte. As súplicas da índia à Virgem Maria não surtiram efeito. O fato, passado em Jaguaripe, foi bem conhecido pela Cidade da Bahia (de que dista cerca de 100 km em linha reta). Ainda que os maus tratos aos serviçais não fosse do escopo da Inquisição, já houve até denunciante dando piruetas hermenêuticas para tentar fazer do tratamento pouco cristão um assunto inquisitorial, como revelou o historiador Luiz Mott em “Tortura de escravos e heresias na Casa da Torre”.

Querendo ou não, Vainfas mostra muito bem que o típico senhor de terras luso-brasileiro se considerava um Deus em suas terras, e só a Inquisição poderia colocar-lhe freios. Fernão Cabral passou quase um ano preso e foi condenado a dois anos de degredo, bem como a pagar uma pesada multa equivalente ao preço de 20 escravos africanos. Certamente merecia mais, e talvez só tenha escapado de arder na fogueira por ser cristão velho. Mas já é alguma coisa. A moral da história, para mim, é que a Inquisição Portuguesa foi um importante contrapeso aos senhores todo-poderosos da iniciativa privada – figuras encontradiças no Brasil, mas não na América Espanhola. A caracterização da Inquisição como essencialmente malvada dificulta a percepção do real equilíbrio de poder no Brasil, e pinta os déspotas desta terra de iniciativa privada como vítimas de um sadismo maniqueísta, como se o inquisidor não pudesse ter nenhuma preocupação política e social. Visão pobre que em nada ajuda a compreensão histórica.

A avaliação da história deveria se dar em termos de valores positivos, tais como a dignidade das pessoas que vivem numa dada conjuntura, ou a distribuição do poder na sociedade estudada. É isso permite a construção de uma agenda positiva para o país e a compreensão da realidade.

French Scientology Volunteers Take Drug Prevention from City Streets to Rural Communities

15 October 2026 at 12:38
Shop visits and public information stands bring a Scientology-supported education campaign to families in Paris, Marseille and south-western France. KINGNEWSWIRE / PRESS RELEASE / PARIS, France — 15 October 2026 — Volunteers from Non à la drogue, Oui à la vie have distributed more than 16,000 drug-prevention booklets across France, working through neighbourhood shops, market […]

Decolonialism hinders the study of history

By: A A
15 October 2026 at 11:00

Moral relativism applies only to Amerindians – never to Europeans. History needs positive values, not dogma.

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Last month, historian Mary Del Priore required a police escort to launch História das Mestiçagens no Brasil (A History of Racial Mixing in Brazil), a collection of essays she co-edited with Gian Melo. Precisely for being a serious work, the book contradicts the Brazilian Black movement’s dogma that racial mixing is something to be lamented, viewed solely as the result of rape committed by slave owners. This amiable segment of our society has no qualms about making threats of physical violence; indeed, hooligans at a federal university recently beat up a history student for wearing a “Death in June” band T-shirt, and no one was punished. Even after it was clarified that it was a band shirt instead of a Nazi tribute, the aggressors justified the assault by claiming the student was a racist who had called a peer a “monkey.”

It is all very exhausting; it has been thirteen years since sociologist Demétrio Magnoli was physically prevented from speaking at a literary event for the “crime” of opposing racial quotas – as the reader can see here, in a publication funded by the abominable Ford Foundation that praises the vandals’ actions and labels Magnoli a racist. At this point, one sighs and asks: Quousque tandem? How much longer?

In history, as in science

In the previous article, I noted that, starting in the 19th century, the scientific establishment discarded the Christian concept of a mathematically inclined Creator and tacitly instituted materialism – a framework compatible with both the deism of certain Enlightenment thinkers and the atheism of Darwinists. The problem is that tacit assumptions go unchallenged, because refutation requires explicit articulation. When an institution stands behind such a statement, however, criticism has a clear target.

In the realm of the natural sciences, the institution that served as the primary target for criticism was the Catholic Church. After the Galileo affair, however, the Church managed to mend its relationship with science, producing scientists of the caliber of Fr. Lemaître. Furthermore, participating in the canonization process by attesting to miracles does not damage any scientist’s reputation, even if their conclusions run counter to the premises of materialism. Yet, when canonizations occur, the scientific aspect receives no attention – and the perceived divorce between religion and science persists in the public’s mind. On the materialist side, we have no heavyweight scientific authority articulating and proving materialism; instead, we have seemingly isolated propagandists like Sagan and Dawkins who merely presuppose materialism yet are presented as archetypes of the scientist. Meanwhile, the same media outlets promote crystals, horoscopes, and other New Age nonsense.

It occurred to me that something similar happens with the discipline of History, with the state taking the place of the Church. It is easy to attack an official historiography; however, critics rarely offer a cohesive counter-narrative that could itself be challenged. The Ford Foundation funds a wide range of figures: from Florestan Fernandes (1920–1995), who was far too knowledgeable to claim that racial mixing was merely the result of rape, to NGOs staffed by mindless activists acting as hooligans and smear merchants. There is an institutional framework, but it is opaque and offers no holistic vision; it merely critiques the positive perspectives put forward by the state or by major scholars like Gilberto Freyre. The consequences for national education manifest as a form of “Paulo Freire-style” conditioning, where children are taught to be “critical” because “contentism” is bad.

Decolonial uncriticality

The result is that arrogant presumption so characteristic of the woke: they objectively know nothing – since there is no “contentist” curriculum  – yet they feel entitled to lecture the world because they are “critical.” This arrogant stance is an end in itself, and the very concept of study is difficult for a mind shaped in this mold to grasp. As for objectivity, it is openly criticized.

However, it is evident that one can also uncritically embrace the decolonialism preached by the Ford Foundation and similar entities – a view holding that Brazil should never have been discovered by the Portuguese and that the Brazilian people should never have come into existence. According to this playbook, Spain’s discovery of Mexico is the ultimate crime… yet the actual genocide of Indigenous peoples, perpetrated by Anglophones in territory seized from Mexico, is treated by history as a mere footnote. The human sacrifices the Aztecs inflicted upon other Amerindians matter little; what matters is that the Americas should never have been discovered by the Iberian crowns. It is not even a discovery, they claim, but an “invasion.” Brazil is labeled the most racist country in the world because it had slavery; meanwhile, the USA, which had slavery without manumission, and entered the World War 2 still discriminating against blacks, is held up as a model for Brazil to emulate in order to improve.

Adoption by a competent historian

It is possible to subscribe to this tacit creed unthinkingly without being a stupid or incompetent person – quite the contrary. Let us take as an example the work A heresia dos índios [The heresy of the Amerindians] (1995), by historian Ronaldo Vainfas. In the case at hand, the historian’s herculean task is, armed with anthropological insights gained in the 20th century, to consult the archives of the Portuguese Inquisition to reconstruct a fragment of 16th-century Brazilian reality based on a crazy story found in the trial records.

This crazy story concerns the Portuguese slave owner Fernão Cabral, of Jaguaripe, Bahia. In 1585, he became “Tupã” – or God – to a group of rebellious Amerindians people who sought to enslave the Portuguese and worship Tupã-Açu (Great God) within their own church. This church had its own Pope: an Amerindian man named Antônio who had been baptized but had fled into the woods. Inside the church, Amerindians worshipped an anthropomorphic stone they called Tupã-Açu (Great God) and held festivities featuring tobacco, alcohol, and dancing. Amerindians fled other estates and Jesuit missions to Fernão Cabral’s lands, where they could have multiple wives and eat meat on Fridays, in accordance with ancient customs. Faced with the dissatisfaction of other landowners, the government eventually destroyed the Amerindians church, and things returned to normal.

It might all have been forgotten had the first Visitation of the Holy Office not taken place in 1591. A multitude of people rushed to denounce Fernão Cabral; consequently, the Holy Office’s inquisitor – prepared to deal with Judaizing New Christians, impostor priests, bigamists, and sodomites – found himself confronted with the indecipherable Tupi worldview shared by mestizos and even white settlers. In doing so, he came to believe that the tattooed men’s greatest crime was eating meat on Fridays, unaware that those tattoos were created during anthropophagic rituals.

Unsubstantiated moralizing

Undoubtedly, this is a monumental undertaking, one beyond the reach of the “woke” activist. Yet, the author’s moralizing, devoid of actual argumentation, is striking. The epigraph sets the tone: “Peoples and indigenous groups vanished from the face of the earth as a consequence of what is today called, in a sheepish euphemism, the encounter between Old World and New World societies.” It is a curious epigraph for a work that deals not with the extermination of Indigenous peoples, but rather with their forced acculturation. In Brazil, one easily finds works – almost invariably tear-jerking – about Amerindian acculturation, but far fewer addressing actual genocide. Words lose their meaning.

Despite the high quality of the research, the book’s spirit is that Brazil should never have been discovered, that “colonialism” is evil, and that the pre-Colombian religion of the Indigenous peoples – endowed with “anti-Christian and anti-slavery [sic!] content” – was good. The Tupi people spent their lives searching for the “Land Without Evil” – hence their nomadic nature – whereas the Portuguese transformed Brazil into a “Land of Endless Evils.” Towards the end of the book, the author goes so far as to say: “It is with some embarrassment that I must acknowledge this supreme victory of the colonial system – capable of invading Tupi mythology itself and colonizing its collective imagination: the Tupinambá ‘Land Without Evil’ would transform into a slave-holding utopia” (p. 277). From Vainfas’s looser phrasing, one gets the impression that the Tupi did not own slaves. The original “Land Without Evil” was free of slavery because it resembled the Land of Cockaigne, a place where food appears effortlessly and labor is unnecessary. If the new “Land Without Evil” features white slaves, this is merely a sign of a deeply human desire for revenge.

After spending page after page criticizing the demonization of the Indigenous people by the inquisitors (even while stressing that the Portuguese were not prone to such things), Vainfas writes: “There is no doubt that [the inquisitorial visitor] Heitor Furtado defeated the arrogant lord of Jaguaripe in the theater of the Inquisition, despite never truly understanding the nature of the [Indigenous] sanctity. It sufficed for him, however, to label it idolatry and, consequently, heresy; it sufficed to force Fernão Cabral to bow before him – the visitor – pleading for mercy. In the Baroque theater of the Inquisition, the performance of heresy mattered more, I believe, than the victory of the faith” (p. 238, emphasis added). In other words, the inquisitors acted out of pure sadism rather than any noble intention.

In reality, however, the label of heresy is an obsession of Vainfas’s, given that it never appears in Heitor Furtado’s writings in reference to the Indigenous people. Pagans were idolaters without being heretics, for only a baptized person who claims to believe in Christ can be a heretic. If a person abandons Christianity after baptism, they are an apostate, not a heretic. This obsession cost the book its very title, which announces a concept whose existence is never proven. From everything Vainfas describes, one gathers that the Indigenous people created a new syncretic religion blending Jesuit Marian devotion with pre-Colombian rites centered on an anthropomorphic ritual rattle. There is no mention of Christ… Only to Great God (the rock), God (Fernão Cabral himself), Mother of God (an Indigenous woman), and Santinho (an Indigenous man).

But let us turn to what strikes me as most detrimental: all this moralizing comes without preamble or justification. Based on everything Vainfas himself wrote, the reader might conclude that Tupi life prior to the arrival of the Portuguese was hellish. The Tupi took great pride in adopting multiple names and acquiring various jenipapo tattoos. Each name and tattoo corresponded to a warrior they had killed and devoured in a ritual. Their life’s horizon was defined by following the counsel of a pajé (a shaman or independent priest) who communicated with spirits and directed where the people should go. All of this – the migrations and the wars – was aimed at reaching the Land Without Evil, which, before the Portuguese arrived, they believed lay along the coast. Since the coast was not uninhabited, this naturally entailed waging war, thereby gaining names, tattoos, and slaves. Would you want to live like that – in a perpetual production of Waiting for Godot adapted by Tarantino?

Is such a way of life dignified? Vainfas dislikes slavery. So do I. I would add that I dislike pointless wars, cannibalism, and dying in the prime of life. Did Tupi society have any prospect of putting an end to these ills? Was the Land Without Evil – where arrows hunt on their own – truly within their reach?

For my part, I find it amusing that the phrase “it’s their culture” applies only to so-called Westerners (that is, Europeans and their unmixed descendants in the Americas and Africa). No one claims that killing Jews is part of German culture or that the auto-de-fé is a Spanish cultural tradition. Moral elevation is demanded of Europeans. For the Amerindians, moral relativism and the agonizing, bloody life their culture entailed.

Assessment based on available data

A relevant point – which I have addressed previously here at SCF – is that the Spanish model of overseas occupation was far more institutional and state-driven than the Portuguese one; the Portuguese model, in turn, was far more institutional and state-driven than the Dutch. While the Spanish Inquisition maintained tribunals in the Americas, the Portuguese Inquisition, even under the rule of the Spanish Habsburgs, had none. Consequently, people had to wait for the Inquisition representatives to arrive before they could denounce landowners living in Brazil who oppressed others without restraint.

Vainfas’s research highlights that the harboring of apostate Amerindians was one of two misdeeds by Fernão Cabral that shocked the population of Bahia; the other was the cruel murder of a pregnant Amerindian woman. Angered by the fact that his wife and the Amerindian Isabel were gossiping, he ordered her thrown alive into a furnace, decreeing that anyone who tried to stop it would meet the same fate. Her pleas to the Virgin Mary were to no avail. The incident, which took place in Jaguaripe, was well known in the City of Bahia (located about 100 km away as the crow flies). Although the mistreatment of servants fell outside the Inquisition’s jurisdiction, there were instances of accusers performing hermeneutic acrobatics to try to frame such un-Christian treatment as an inquisitorial matter, as historian Luiz Mott revealed in “Tortura de escravos e heresias na Casa da Torre” (Slave Torture and Heresies at the House of Tower).

Whether one likes it or not, Vainfas clearly demonstrates that the typical Luso-Brazilian landowner considered himself a god on his own estates, and only the Inquisition could rein him in. Fernão Cabral spent nearly a year in prison and was sentenced to two years of exile, as well as a heavy fine equivalent to the price of twenty African slaves. He certainly deserved worse, and perhaps only escaped burning at the stake because he was an Old Christian. Still, it was something. The moral of the story, to me, is that the Portuguese Inquisition served as an important counterweight to the all-powerful lords of private enterprise – figures commonly found in Brazil, though not in Spanish America. Characterizing the Inquisition as essentially evil obscures the true balance of power in Brazil; it portrays the despots of this land of private enterprise as victims of Manichaean sadism, as if the inquisitor could not possibly have had any political or social concerns. This is a poor perspective that does nothing to aid historical understanding.

Historical assessment should be grounded in positive values – such as the dignity of the people living in a given era or the distribution of power within the society under study. This approach enables the construction of a positive agenda for the country and a true understanding of reality.

Canada, le crepe del federalismo: dal ritorno sovranista in Québec al referendum dell’Alberta

By: A A
14 October 2026 at 22:05

La vittoria del Parti Québécois e il referendum del 19 ottobre in Alberta riportano al centro il problema della coesione canadese. La separazione resta minoritaria, soprattutto nell’Ovest, ma il riemergere simultaneo delle spinte centrifughe rappresenta una sfida politica per Mark Carney.

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A pochi mesi dal consolidamento parlamentare del governo liberale di Mark Carney, il Canada si trova ad affrontare una questione che sembrava essersi progressivamente allontanata dal centro della scena politica: quella della propria coesione interna. La vittoria del Parti Québécois (PQ) nelle elezioni provinciali del Québec del 5 ottobre e il referendum previsto per il 19 ottobre in Alberta, nel quale gli elettori saranno chiamati a pronunciarsi sull’eventuale avvio del procedimento verso un successivo referendum vincolante sulla separazione dal Canada, hanno riportato contemporaneamente alla ribalta due forme molto diverse di contestazione dell’assetto federale.

Sarebbe eccessivo sostenere che il Canada si trovi alla vigilia della disgregazione. In Alberta, soprattutto, tutti i dati disponibili indicano che l’opzione favorevole alla permanenza nella federazione dovrebbe prevalere con un margine molto ampio. Tuttavia, il fatto stesso che una delle province economicamente più importanti del Paese abbia ritenuto politicamente possibile sottoporre agli elettori una domanda di questo genere dimostra il malcontento di una parte della popolazione: una questione che fino a pochi anni fa apparteneva soprattutto alle frange più radicali del cosiddetto western alienation è entrata nella sfera della politica istituzionale.

Il caso del Québec, invece, ha radici molto più profonde. Le elezioni provinciali del 5 ottobre hanno riportato al governo, dopo oltre un decennio, il Parti Québécois guidato da Paul St-Pierre Plamondon. Il PQ ha conquistato 59 dei 127 seggi dell’Assemblée nationale, fermandosi cinque seggi sotto la maggioranza assoluta. Ottenendo circa il 28% dei voti, ha chiuso la consultazione elettorale davanti al Parti Libéral du Québec, attestatosi poco sopra il 24%, al Parti Conservateur du Québec, con circa il 21%, e a Québec Solidaire, che ha raccolto oltre il 12% conquistando nove seggi. La Coalition Avenir Québec (CAQ), al governo dal 2018, è invece crollata al 13,3% senza ottenere alcun seggio.

Un tale esito impone certamente una lettura prudente, in quanto il successo del PQ non equivale a un mandato maggioritario per l’indipendenza. Il partito, infatti, ha beneficiato della frammentazione del voto e ha ottenuto la percentuale più bassa mai registrata da una formazione vincitrice nella storia elettorale del Québec, mentre i sondaggi continuano inoltre a collocare il sostegno alla separazione dal Canada intorno al 30%, ben lontano da una maggioranza sociale. Lo stesso St-Pierre Plamondon ha indicato che non intende convocare un nuovo referendum finché Donald Trump resterà alla Casa Bianca, sostenendo che la pressione tariffaria e l’instabilità derivante dai rapporti con gli Stati Uniti rendono necessario evitare, per il momento, un’ulteriore crisi costituzionale.

Ciò non riduce tuttavia la portata della vittoria del PQ. Per la prima volta dopo molti anni, il governo della seconda provincia più popolosa del Canada sarà guidato da una formazione che considera esplicitamente l’indipendenza del Québec il proprio obiettivo storico. Inoltre, sommando i 59 deputati del PQ ai nove di Québec Solidaire, anch’esso favorevole alla sovranità del Québec sebbene attraverso un percorso politico e sociale profondamente diverso, nell’Assemblée nationale esiste una maggioranza numerica di deputati eletti sotto le insegne di partiti indipendentisti. Questo non significa che PQ e Québec Solidaire formeranno automaticamente un blocco comune, né che un referendum sia imminente, ma conferma che la questione nazionale québécoise è tutt’altro che scomparsa.

La sua natura, inoltre, resta profondamente diversa dal separatismo emergente in Alberta. Il nazionalismo del Québec dispone di una propria continuità storica, linguistica e culturale, di una tradizione intellettuale e politica consolidata e di istituzioni che hanno progressivamente acquisito un grado considerevole di autonomia rispetto a Ottawa. I referendum del 1980 e del 1995, quest’ultimo perduto dagli indipendentisti per uno scarto inferiore all’1%, hanno mostrato quanto la questione possa arrivare a mettere in discussione l’esistenza stessa della federazione canadese.

La situazione dell’Alberta nasce invece prevalentemente da fattori economici, fiscali ed energetici. La provincia, cuore dell’industria petrolifera canadese, ha sviluppato da tempo un forte risentimento nei confronti del governo federale, accusato da settori rilevanti dell’opinione pubblica occidentale di utilizzare la ricchezza prodotta dalle province delle praterie per finanziare politiche redistributive decise nell’Est, imponendo contemporaneamente vincoli ambientali e normativi penalizzanti per il settore degli idrocarburi.

Sebbene tutti i sondaggi siano concordi sul fatto che il referendum non dovrebbe avere esito positivo, la trasformazione di una rivendicazione precedentemente marginale in una questione sottoposta ufficialmente all’intero corpo elettorale provinciale rappresenta un passaggio qualitativo da non sottovalutare. Significa che una parte della classe politica dell’Alberta considera ormai il ricorso alla minaccia separatista uno strumento legittimo di pressione nei confronti del governo federale. La premier Danielle Smith ha annunciato che voterà per la permanenza nel Canada e non sostiene personalmente la separazione, ma è stato il suo governo ad aggiungere la domanda al referendum provinciale (che consiste di un totale di dieci quesiti). La stessa Smith ha presentato la consultazione come uno strumento attraverso il quale permettere agli albertani di esprimere il proprio malcontento nei confronti di Ottawa.

Una vittoria del 70% o persino superiore dell’opzione federalista non cancellerebbe il fatto che circa un quinto dell’elettorato di una provincia fondamentale per l’economia canadese sia disposto a considerare almeno l’avvio di un processo di separazione. Nel gennaio 2026 Ipsos aveva addirittura registrato un sostegno iniziale alla prospettiva separatista del 28% in Alberta, praticamente identico al 31% rilevato in Québec, salvo poi constatare che il consenso si dimezzava quando agli intervistati venivano prospettati i costi concreti dell’indipendenza. In altre parole, per una parte consistente degli elettori il separatismo albertano funziona soprattutto come voto di protesta e strumento negoziale nei confronti del centro federale.

Per Mark Carney, la contemporaneità dei due fenomeni costituisce una sfida particolarmente delicata. Il primo ministro ha costruito la propria strategia economica e internazionale attorno al concetto di “autonomia strategica” canadese. Di fronte all’uso crescente delle tariffe, delle catene di approvvigionamento e delle dipendenze economiche come strumenti di pressione, soprattutto da parte dell’amministrazione Trump, Carney ha sostenuto che il Canada debba ridurre la propria vulnerabilità nei confronti degli Stati Uniti, diversificando mercati, partner e infrastrutture.

Nel suo discorso al Lowy Institute di Sydney dello scorso marzo, il premier aveva affermato esplicitamente che l’integrazione economica non deve più trasformarsi in subordinazione e che le medie potenze devono costruire capacità sovrane nei settori strategici, dall’energia ai minerali critici, dall’intelligenza artificiale ai sistemi di pagamento. La stessa impostazione è stata successivamente ripresa nei rapporti con l’Unione Europea e nell’apertura di nuovi canali economici verso l’Asia.

Particolarmente significativa, in questo senso, è stata la normalizzazione dei rapporti con la Cina. Nello scorso mese di gennaio Carney è stato il primo capo di governo canadese a recarsi ufficialmente a Pechino dal 2017, incontrando Xi Jinping e Li Qiang e inaugurando un nuovo partenariato strategico sino-canadese incentrato su energia, commercio, agroalimentare, sicurezza e multilateralismo. Ottawa ha indicato apertamente la Cina come uno dei mercati necessari per ridurre l’eccessiva dipendenza economica dagli Stati Uniti.

Questa strategia incontra però un paradosso fondamentale. Per ridurre la dipendenza dagli Stati Uniti e rivolgersi maggiormente ai mercati asiatici, il Canada ha bisogno proprio delle risorse energetiche dell’Alberta. Il nuovo oleodotto Pacific Link, che dovrebbe trasportare un milione di barili al giorno verso la costa della Columbia Britannica, è uno dei pilastri materiali di questo progetto. Il 1° ottobre Carney ha annunciato l’accelerazione dell’iter autorizzativo, definendo il progetto di interesse nazionale e collegandolo esplicitamente all’obiettivo di raddoppiare le esportazioni canadesi verso mercati diversi dagli Stati Uniti. Oltre il 90% delle esportazioni petrolifere canadesi è stato storicamente diretto verso il mercato statunitense: aprire una nuova grande direttrice verso il Pacifico significa tentare di trasformare l’Alberta da provincia dipendente dall’accesso al mercato statunitense in piattaforma energetica della proiezione canadese verso l’Asia.

Non è dunque casuale che Carney abbia scelto di presentare il progetto proprio a Fort McMurray, nel cuore delle sabbie bituminose albertane, accanto a Danielle Smith e a poche settimane dal referendum. La politica energetica diventa così contemporaneamente politica estera e politica di coesione nazionale. Offrire all’Alberta infrastrutture, accesso diretto ai mercati mondiali e un ruolo centrale nella strategia di diversificazione canadese significa rispondere alle spinte centrifughe non attraverso una semplice riaffermazione dell’autorità federale, ma cercando di modificare le condizioni economiche che le alimentano.

Una logica analoga, sebbene applicata a un contesto completamente diverso, emerge nel rapporto con il Québec. Dopo la vittoria di St-Pierre Plamondon, Carney ha evitato un confronto frontale con il nuovo governo provinciale, insistendo invece sulla necessità di un “federalismo cooperativo” fondato su infrastrutture, abitazioni, crescita economica e difesa degli interessi canadesi di fronte alle pressioni statunitensi. Il premier sa che trasformare immediatamente la questione in uno scontro tra Ottawa e Québec City potrebbe offrire agli indipendentisti esattamente il terreno politico di cui hanno bisogno per allargare un consenso alla sovranità che oggi resta minoritario.

L’atteggiamento dell’amministrazione Trump produce quindi un duplice effetto sulla politica del vicino settentrionale. Da un lato, le pressioni economiche statunitensi hanno accelerato la ricerca canadese di una maggiore autonomia e hanno reso più urgente la costruzione di un mercato interno maggiormente integrato. Dall’altro, proprio la percezione di una minaccia esterna contribuisce per il momento a frenare i separatismi: St-Pierre Plamondon ritiene troppo rischioso organizzare un referendum sull’indipendenza mentre il Canada è impegnato in uno scontro commerciale con Washington; parallelamente, in Alberta la ricerca di nuovi mercati per il petrolio può ridurre alcune delle ragioni economiche del malcontento verso Ottawa.

Il Canada non appare dunque prossimo alla dissoluzione. Ma il ritorno simultaneo della questione nazionale del Québec e del separatismo albertano indica che il modello federale sta attraversando una fase di crescente tensione. In una fase nella quale Mark Carney cerca di costruire un Canada più autonomo dagli Stati Uniti, più presente sui mercati asiatici e dotato di maggiori capacità economiche e strategiche proprie, emerge con forza una contraddizione: per conquistare maggiore autonomia all’esterno, Ottawa deve prima garantire la propria coesione all’interno. Il petrolio dell’Alberta, il peso demografico ed economico del Québec, le infrastrutture interprovinciali e il consenso delle popolazioni che compongono la federazione non sono questioni separate dalla politica internazionale canadese, ma ne costituiscono la condizione materiale.

Per Carney, la costruzione dell’“autonomia strategica” canadese passa ormai anche dalla capacità di dimostrare che il Canada possiede ancora un progetto federale sufficientemente credibile da tenere insieme le sue componenti.

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