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Banco Santander quer criar uma nova corretora de seguros em Espanha

21 October 2026 at 19:23

O Banco Santander, em Espanha, contratou a consultora KPMG para selecionar um parceiro e criar uma nova corretora de seguros dedicada a empresas. No âmbito do projeto, a instituição financeira pretende reter uma posição de 49%, alienando a maioria do capital (51%) ao novo aliado, avança o jornal Expansión (acesso pago). O processo de seleção está em andamento. mas o banco espera fechar a escolha do parceiro antes do final do ano.

Para este processo competitivo, o Santander convidou um grupo restrito de corretoras, onde se incluem a WTW (Willis Towers Watson), Aon, Sabseg e Alkora. Ficaram fora do convite gigantes do setor como a Marsh. A nova empresa conjunta irá canalizar o negócio que o Santander partilha atualmente com a WTW, com quem tem uma parceria comercial focada em clientes empresariais com faturação superior a 50 milhões de euros e que movimenta cerca de 100 milhões em prémios intermediados.

Se a WTW não vencer o concurso arrisca-se a perder a parceria se o banco optar por outro concorrente. A participação da Aon e da Sabseg poderá ainda levantar questões de conflitos de interesses, devido às ligações de responsáveis das duas corretoras ao grupo bancário.

A aposta no segmento empresarial insere-se numa estratégia mais ampla para dinamizar o braço segurador da instituição em Espanha, onde o banco conta com mais de 450.000 clientes empresariais. Atualmente, o Santander regista 2,5 milhões de clientes com seguro no país, para um universo de 9,3 milhões de clientes ativos, o que representa um potencial de crescimento para quase triplicar a sua base atual de segurados.

O Santander mantém também uma parceria com a Mapfre, através da sociedade conjunta Santander Mapfre, cuja atividade se concentra sobretudo nos seguros automóvel, embora inclua também coberturas para pequenas e médias empresas (PME).

No final de 2025, a Santander Seguros geria 16.427 milhões de euros em seguros de vida ligados à poupança e 13.808 milhões de euros em ativos de fundos de pensões.

Victoria seguros e APSI juntam-se para promover segurança infantil

21 October 2026 at 19:08

A Victoria Seguros e a Associação para a Promoção da Segurança Infantil (APSI) vão desenvolver conteúdos educativos e campanhas de sensibilização para ajudar as famílias a identificar riscos do quotidiano e prevenir acidentes com crianças. A parceria prevê também o reforço da plataforma digital Turma da Vicky, criada pela seguradora e que passa a contar com a colaboração da associação na área da segurança infantil.

Victoria Seguros e APSI assinaram um protocolo para a promoção da segurança infantil através da produção de conteúdos para a plataforma digital Turma da Vicky.

Os materiais serão dirigidos a pais, cuidadores e à comunidade educativa e ficarão disponíveis no site e no canal de YouTube da Victoria Seguros. A oferta inclui jogos, desafios e outros conteúdos adaptados a diferentes idades, com o objetivo de ensinar as crianças a reconhecer situações de risco e a adotar comportamentos mais seguros.

A associação contribuirá para a componente pedagógica dos conteúdos, através da sua experiência na prevenção de acidentes e na promoção da segurança infantil.

Para Francisco Campilho, CEO da Victoria Seguros, “a assinatura deste protocolo com a APSI dá corpo a um trabalho que começámos com a Turma da Vicky e que queremos fazer crescer”, explica. Já Sandra Nascimento, secretária-geral da direção da APSI, destaca a importância da colaboração com empresas para divulgar mensagens de segurança e desenvolver conteúdos eficazes para as famílias.

A Victoria Seguros está em Portugal desde 1930, estando presente em todos os ramos de seguros, nomeadamente nas áreas de Vida, saúde, transportes e imobiliário e construção. Faz parte do Grupo SMABTP, fundado em 1859, segurador do setor da construção civil e obras públicas em França.

Seguradoras geriram mais de meio milhão de sinistros automóvel em 2025

21 October 2026 at 18:58

As seguradoras analisaram mais de 539 mil processos de regularização de sinistros automóvel em 2025, segundo dados da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF). Já um estudo da NOVA IMS, baseado em dados da ANSR relativos ao período entre 2021 e 2023, concluiu que a maioria dos acidentes rodoviários em Portugal ocorre com bom tempo, durante o dia e em estradas em linha reta.

Foram 84,4% os acidentes que ocorreram com bom tempo, cerca de 72% durante o dia, 77% fora de cruzamentos e entroncamentos e 70,9% em estradas em linha reta.

Os resultados não significam, contudo, que o bom tempo, a luz do dia ou as estradas retas sejam, por si só, mais perigosos, mas sim que a sinistralidade não se concentra apenas nas situações a que habitualmente associamos a um maior perigo. Dois terços dos acidentes ocorreram em estradas planas e as vias classificadas como estando em mau estado representam menos de 3% dos acidentes analisados.

Os dados do estudo desenvolvido pela NOVA IMS indicam ainda que as colisões representam mais de metade dos casos analisados, seguindo-se os despistes, com cerca de 34,4%. Em condições de bom tempo, foram registadas 46.143 colisões, 27.264 despistes e 11.592 atropelamentos. Já em períodos de chuva, registaram-se 6.072 colisões, 7.248 despistes e 1.788 atropelamentos.

Na atividade seguradora, os sinistros com danos exclusivamente materiais representaram cerca de 98% do total dos processos de regularização analisados em 2025, segundo a ASF.

Apesar do volume de processos, as empresas de seguros cumpriram mais de 99% dos prazos legais aplicáveis à regularização destes sinistros. Nos processos com danos exclusivamente materiais, foram cumpridos 99,87% dos prazos, enquanto nos sinistros com danos exclusivamente corporais a taxa foi de 99,77% e, nos casos com danos materiais e corporais em simultâneo, de 99,41%.

Nos sinistros com danos materiais, o primeiro contacto das empresas de seguros com os lesados ocorreu, em média, em menos de um dia. Também os prazos relativos à conclusão das peritagens, à comunicação da responsabilidade e ao pagamento das indemnizações ficaram, em média, bastante abaixo dos limites legais aplicáveis.

No plano das reclamações, os dados da ASF mostram uma evolução positiva. Em 2025, foram apresentadas 4.547 reclamações às empresas de seguros relacionadas com sinistros automóvel, menos 401 do que no ano anterior. O valor corresponde aproximadamente a uma reclamação por cada 2.000 veículos segurados.

Habit, Generali Tranquilidade e Wells unem-se para lançar seguro para óculos graduados

21 October 2026 at 17:50

A Wells, a Generali Tranquilidade e a insurtech Habit lançaram um novo seguro para óculos graduados em Portugal. A solução, que já se encontra disponível em mais de 250 lojas da Wells, permite subscrever a proteção no momento da compra.

João Madureira Pinto, Chief Growth Officer da Habit, e Sofia Herédia, diretora de bancassurance, parcerias e direto da Generali Tranquilidade, unem-se à Wells para lançar um novo seguro para óculos graduados.

Este seguro garante dois anos de proteção integral, abrangendo tanto as armações como as lentes graduadas contra riscos, quebras, danos acidentais e furto. Com validade no país e no estrangeiro, a cobertura varia em função do valor do equipamento, podendo atingir os 899 euros, com preços a começar nos 9,90 euros.

Destaca-se ainda a salvaguarda para a alteração de dioptrias durante os primeiros seis meses. Caso o utilizador necessite de mudar de lentes devido a uma variação superior a 0,5 dioptrias, o seguro assume a substituição integral das mesmas, reduzindo o impacto financeiro de reajustes oftalmológicos precoces.

A insurtech Habit fica responsável pela a jornada digital no ponto de venda, assim como pela gestão dos sinistros e pelo acompanhamento pós-venda através da sua plataforma. A Generali Tranquilidade, por sua vez, assegura a componente seguradora do produto.

“Acreditamos no crescimento do segmento de seguros associados à venda de produtos, através de novos canais. Esta parceria mostra como conseguimos inovar e oferecer novos seguros, simples e acessíveis, no momento certo”, explica Sofia Herédia, diretora de bancassurance, parcerias e direto da Generali Tranquilidade.

“Estamos muito orgulhosos por liderar a vertente tecnológica e operacional desta parceria, que combina conveniência, inovação e valor real para o cliente”, afirma João Madureira Pinto, Chief Growth Officer da Habit.

Clima e saúde: novos desafios à segurabilidade

21 October 2026 at 17:27

As alterações climáticas estão a alargar o perímetro da análise de risco no setor segurador. Para além dos danos sobre edifícios, infraestruturas e investimentos, importa compreender como a transformação das condições ambientais afeta a saúde humana, a mortalidade, a morbilidade e a longevidade — e como estes efeitos se transmitem para as responsabilidades das seguradoras e dos sistemas de pensões.

1. Risco climático e impacto na saúde

Esta evolução encontra expressão no relatório publicado pela Autoridade Europeia dos Seguros e Pensões Complementares de Reforma (EIOPA), em 30 de setembro de 20261, sobre os impactos das alterações climáticas nos seguros de Vida e Saúde e nas instituições de realização de planos de pensões profissionais. O documento identifica o calor extremo como o principal risco climático associado às responsabilidades destes setores, antecipando que a sua materialidade poderá aumentar nas próximas décadas. A dimensão do problema é expressiva: segundo o relatório, as ondas de calor representaram 97% das mortes associadas a eventos meteorológicos e climáticos extremos na UE-27 entre 1980 e 2024. O documento identifica ainda os incêndios, a exposição ao fumo e a possível expansão de doenças transmitidas por vetores como fatores relevantes para a saúde da população.

A resposta da indústria seguradora exige também uma reflexão sobre a inovação médica, a evolução dos custos de saúde e os seus efeitos nos compromissos futuros. Na Health & Demography Conference 2026, promovida pela The Geneva Association, a 17 de setembro2, destacou-se a importância de abordagens baseadas na evidência, da afetação eficiente de recursos e da transição de estratégias de rastreio generalizado (population-wide scanning) para tratamentos direcionados (targeted treatment).

Esta reflexão articula-se com o debate sobre a economia da saúde e da longevidade no Cascais International Health Forum 2026, subordinado ao tema “Viver Mais, Viver Melhor”, realizado a 24 de setembro3. Viver mais anos não constitui, por si só, um indicador suficiente de progresso: importa considerar o estado de saúde, a autonomia e a qualidade de vida ao longo do envelhecimento, bem como as implicações para a produtividade, a despesa em saúde e a sustentabilidade dos sistemas de proteção social e seguradora, num contexto de sociedades longevas.

Neste contexto, as alterações climáticas introduzem uma variável adicional na avaliação dos riscos de saúde, podendo alterar os padrões de mortalidade e morbilidade e, por essa via, os pressupostos dos produtos seguradores, as responsabilidades futuras e a avaliação da solvência.

2. Da exposição climática às responsabilidades seguradoras

O contributo mais relevante do relatório consiste em explicitar a transmissão do risco climático ao nível das responsabilidades das seguradores. A análise deixa de se concentrar exclusivamente na exposição aos ativos e passa a considerar os efeitos sobre a mortalidade, a morbilidade e a longevidade, variáveis fundamentais da atividade seguradora em Vida e Pensões.

  • Impactos diferenciados por linha de negócio. Nos seguros de saúde, proteção de rendimento e acidentes de trabalho, o agravamento da morbilidade pode aumentar a sinistralidade e as responsabilidades. Nos seguros de vida e nas anuidades, os efeitos dependem da evolução da mortalidade, da longevidade e das coberturas contratadas;
  • Exposição heterogénea e avaliação ainda limitada. A autoridade identifica, em Não Vida, os seguros de despesas médicas, proteção de rendimento e acidentes de trabalho e, em Vida, determinados seguros de saúde e outros seguros sem participação nos resultados. A relevância efetiva depende dos produtos, das carteiras e dos horizontes temporais;
  • A capacidade de avaliação continua a ser um desafio. A autoridade desenvolveu um modelo exploratório baseado no perigo, na vulnerabilidade e na exposição, reconhecendo limitações nos dados e na ligação entre fenómenos climáticos e sinistros. Os resultados incorporam juízo especializado e não constituem previsões definitivas de perdas futuras.

A dificuldade de quantificar um risco não significa que seja irrelevante, mas evidencia a necessidade de reforçar a capacidade de avaliação. O relatório assinala uma distância entre o reconhecimento dos riscos climáticos e a sua integração na gestão prudencial, justificando a melhoria dos dados, a articulação da informação climática, epidemiológica, demográfica e seguradora e o recurso a cenários e testes de esforço adequados aos horizontes temporais relevantes.

A análise deve, contudo, ultrapassar as variáveis atuariais de mortalidade e morbilidade, considerando também a capacidade de adaptação das pessoas, das empresas e dos sistemas de saúde. Os efeitos económicos da longevidade dependem das condições de saúde, da manutenção da autonomia e da capacidade de prolongar a vida ativa. Para o setor segurador, importa, assim, distinguir a exposição ao risco dos fatores que condicionam a sua concretização e transmissão para as responsabilidades.

3. A nova fronteira da segurabilidade na saúde

O caso das ondas de calor, na Europa este verão, ilustra uma questão estrutural para o setor segurador: a fronteira da segurabilidade não depende exclusivamente da dimensão de um risco, mas também da capacidade de o identificar, avaliar, diversificar e integrar nas decisões de negócio.

  • Preparação proporcional à incerteza: a materialidade financeira atual é limitada, mas o potencial agravamento dos riscos justifica antecipar impactos nos produtos, nas carteiras e nos mecanismos de proteção, sem esperar por evidência completa;
  • Envelhecimento demográfico: as alterações climáticas poderão intensificar pressões sobre a mortalidade, a morbilidade e a longevidade, num contexto já marcado por desafios à sustentabilidade dos sistemas de pensões e de proteção;
  • Adaptação e vulnerabilidade: os impactos dependerão não só da evolução climática, mas também das condições socioeconómicas, do acesso a cuidados de saúde e das medidas de prevenção, exigindo a consideração de diferentes trajetórias de adaptação.

Para as seguradoras, esta abordagem permite reforçar a resiliência através da antecipação de tendências e do desenvolvimento de soluções adequadas. A insuficiente preparação poderá, contudo, pressionar os prémios, as condições contratuais e a acessibilidade dos seguros, agravando as protection gaps. A questão estratégica é saber se as instituições estarão preparadas para agir antes de a materialização dos riscos limitar as opções disponíveis.

A longevidade exige igualmente adaptar os modelos de financiamento e proteção a ciclos de vida mais longos, articulando prevenção, competências, organização do trabalho e proteção social. Esta perspetiva é essencial para a segurabilidade, pois as decisões presentes condicionam a vulnerabilidade futura e a capacidade de gerir riscos a longo prazo.

4. Da gestão do risco à governação da capacidade

O relatório constitui um sinal relevante para a agenda prudencial europeia, evidenciando a necessidade de antecipar os impactos climáticos na saúde e nas responsabilidades seguradoras, através de melhores dados, cenários prospetivos e integração dos riscos na avaliação da solvência e no stress testing.

  • A resposta deve ser proporcional, ajustada à natureza das exposições e à incerteza, sem transformar limitações metodológicas em exigências indiscriminadas ou justificações para a inação;
  • A segurabilidade é dinâmica: depende da evolução dos riscos, mas também da capacidade de avaliar, prevenir e decidir, exigindo articulação entre seguradoras, supervisores, autoridades de saúde e instituições científicas;
  • A prioridade é desenvolver capacidade de antecipação, reduzindo lacunas de informação e preparando respostas antes de a incerteza limitar as opções de proteção.

A longevidade acrescenta uma dimensão económica estrutural, que articula demografia, saúde, capacidade contributiva e financiamento da proteção ao longo do tempo. Quando os mecanismos coletivos são insuficientes, os custos podem transferir-se para as famílias, ampliando as desigualdades de proteção. Para o setor segurador, o desafio consiste, assim, em antecipar os riscos climáticos e avaliar a capacidade económica e institucional para lhes responder. A futura fronteira da segurabilidade dependerá, em parte, desta passagem da gestão reativa do risco para a governação da capacidade de antecipação e resposta.

Nota: As propostas e a interpretação estratégica do artigo constituem análise própria, não conclusões atribuídas às instituições ou citações dos oradores.

1 EIOPA, Report on the Impacts of Climate Change on Life and Health and Potential Emerging Risks for the Insurance and IORP Sectors, 30 Set.2026.
2 The Geneva Association, Health & Demography Conference 2026, Londres, 17 Set.2026.
3 Cascais International Health Forum 2026, “Viver Mais, Viver Melhor”, sessão “Construir Sociedades de Vida Longa: Sustentabilidade, Economia e Políticas Públicas”, Centro de Congressos do Estoril, 24 Set.2026.

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