❌

Normal view

Navio Lobo Marinho retoma na sexta-feira ligação regular entre Madeira e Porto Santo

By: Lusa
22 October 2026 at 13:59

O navio Lobo Marinho, que assegura a linha marítima entre a Madeira e Porto Santo e esteve em doca seca nas Canárias para reparar a avaria num dos motores, retoma na sexta-feira as ligações regulares.

Segundo a informação divulgada nesta quinta-feira pela concessionária da linha, a Porto Santo Line, a retoma é feita “após a conclusão dos trabalhos de manutenção e de todas as verificações técnicas necessárias, na sequência da situação identificada recentemente”.

“O navio encontra-se pronto para retomar a operação, após esta pausa, assegurando, como sempre, um serviço com elevados padrões de segurança, fiabilidade e conforto que caracterizam a sua operação”, é referido.

Em 10 de setembro, na viagem de regresso do Lobo Marinho do Porto Santo para o Funchal, um dos motores do navio avariou, já na zona do Garajau, na Madeira.

Até 15 de setembro, até ir para doca seca nos estaleiros de ASTICAN, em Las Palmas de Gran Canaria, o navio efetuou viagens que tiveram a duração de três horas e 15 minutos, mais uma do que o habitual.

O Lobo Marinho foi construído em 2003, sendo um navio de tipo ro-ro (passageiros e carga).

Tem 112 metros e capacidade para 1.153 passageiros e 145 viaturas.

Iberdrola rejeita associação entre doação à Câmara de Lisboa e contratos com autarquia

By: Lusa
22 October 2026 at 13:46

A Iberdrola rejeita “categoricamente” qualquer associação entre uma doação para um projeto de iluminação na Câmara Municipal de Lisboa e contratos de fornecimento de eletricidade adjudicados pelo município à empresa, destacando que as entidades envolvidas são independentes.

Segundo uma notícia da revista Sábado, a câmara de Lisboa recebeu, no final de 2023, uma doação superior a 150 mil euros da Fundação Iberdrola Espanha e adjudicou à Iberdrola, desde 2022, contratos de fornecimento de energia elétrica de quase 50 milhões, o que levou o BE a pedir esclarecimentos ao presidente Carlos Moedas.

Numa nota enviada nesta quinta-feira, a Iberdrola rejeitou a associação entre a doação e os contratos, destacando que as entidades envolvidas são diferentes: no caso da doação trata-se da Fundação Iberdrola Espanha, uma entidade privada sem fins lucrativos, com personalidade jurídica própria, autonomia de gestão e órgãos de governo próprios, e a adjudicação dos contratos foi à Iberdrola Clientes Portugal.

A doação serviu para um projeto de iluminação dos Paços do Concelho, no âmbito do Programa de Iluminações da Fundação, com o objetivo de valorizar o património histórico e cultural através de soluções de iluminação eficientes e sustentáveis, salientou.

Na nota, a Iberdrola “rejeita categoricamente qualquer associação” entre as duas situações e manifesta “a sua profunda indignação perante a possibilidade de ser colocado em causa o rigor, a transparência e a integridade da sua atuação”.

Segundo a Sábado, a Iberdrola obteve seis adjudicações da Câmara Municipal de Lisboa com um valor global que ascende a cerca de 49,9 milhões de euros, desde 2022, ou seja, desde que Carlos Moedas (PSD) passou a presidir à autarquia.

Antes, no mandato de Fernando Medina (PS), tinha havido apenas uma adjudicação à empresa espanhola, de cerca de 2,7 milhões de euros, em 2020, segundo a Sábado.

A investigação jornalística aponta ainda que entre as adjudicações identificadas está um contrato de cerca de 34 milhões de euros, celebrado em dezembro de 2023, aproximadamente um mês após a assinatura do acordo de colaboração entre o município e a Fundação Iberdrola Espanha para a execução do projeto de iluminação arquitetónica dos Paços do Concelho.

A doação da Fundação espanhola ascendeu a 156.400 euros (69.000 euros para equipamentos de iluminação e 87.400 euros para trabalhos de instalação, controlo e testes).

Na notícia é avançado que os contratos assinados desde 2022 tinham como âmbito o fornecimento de energia às escolas da cidade, exceto um deles, no valor de cerca de 1,2 milhões, que resultou de um ajuste direto para “fornecimento de energia elétrica a instalações do município” para apenas três meses, justificado pela CML com “motivos de urgência imperiosa resultante de acontecimentos imprevisíveis”.

Segundo a Sábado, a “oposição desconhecia o assunto”, uma vez que a “doação nunca foi a reunião de câmara”.

Na quarta-feira, o Bloco de Esquerda em Lisboa pediu esclarecimentos ao presidente da Câmara sobre a doação e os contratos.

O Bloco quer saber se existiram pareceres jurídicos prévios relativamente à aceitação da doação, quantos contratos foram celebrados entre o município e empresas do grupo Iberdrola desde outubro de 2021, que empresas apresentaram propostas nos concursos vencidos pela Iberdrola desde 2022 e quais foram os critérios de adjudicação utilizados em cada procedimento.

O BE Lisboa questionou ainda Carlos Moedas por que razão o acordo de doação da Fundação Iberdrola, celebrado entre as duas entidades em novembro de 2023, apenas foi submetido a ratificação da Câmara Municipal na quarta-feira, através de uma proposta incluída na ordem de trabalhos da reunião camarária, o que a Sábado diz ter acontecido após perguntas enviadas à CML, para as quais não obteve resposta.

Relativamente ao ajuste direto de cerca de 1,2 milhões, o BE questionou sobre “quais foram concretamente os acontecimentos imprevisíveis que fundamentaram a aplicação da exceção prevista” no Código dos Contratos Públicos.

De acordo com o Regimento da CML, os requerimentos escritos dirigidos ao presidente da Câmara sobre assuntos de interesse público devem ser respondidos no prazo máximo de 30 dias.

SATA convida seis interessados a apresentarem propostas não-vinculativas pelo handling

22 October 2026 at 13:33

A SATA recebeu seis propostas não-vinculativas no âmbito do processo de privatização da SATA Handling, informa a companhia aérea açoriana, que tinha acolhido em setembro 11 manifestações de interesse na operação de venda de 100% do capital dos serviços de assistência em escala nas ilhas.

“A SATA Holding informa que recebeu seis propostas não-vinculativas no âmbito do processo de privatização da SATA Handling. As propostas recebidas serão agora objeto de análise e avaliação, nos termos definidos no Caderno de Encargos do processo”, afirma o grupo açoriano em comunicado.

Entre os interessados, como o ECO avançou, está a belga Aviapartner, que opera em mais de 75 aeroportos distribuídos pela Europa e África, e que concorre em consórcio com a Gestavia. Na lista está também a gigante Swissport, líder em receitas no setor, com presença em 312 aeroportos em 49 países, e a britânica Menzies Aviation, que reclama a maior presença geográfica global e é a atual detentora das licenças de assistência em escala nos aeroportos de Lisboa, Porto e Faro. Entre os 11 interessados existiam ainda fundos de investimento.

A SATA não divulgou os nomes das entidades selecionadas, o que só fará após o termo do prazo para a entrega das propostas vinculativas, pelo que as empresas que entregaram manifestações de interesse podem não ter avançado com propostas não-vinculativas.

Os candidatos selecionados pelo grupo açoriano passam para a fase de due diligence e apresentam uma proposta vinculativa, que tem de conter um plano estratégico a sete anos. O caderno de encargos permite que haja uma fase adicional de negociação com um ou mais proponentes antes da escolha definitiva.

Além do preço a oferecer pelas ações da SATA Handling, os critérios de escolha incluem a qualidade e exequibilidade do plano estratégico, a visão de longo prazo para a empresa, a manutenção e reforço da posição concorrencial ou a capacidade e sustentabilidade financeira.

O caderno de encargos impõe ao comprador que garanta a continuidade dos serviços de assistência em escala nas categorias para as quais a SATA Handling está licenciada nos nove aeroportos e aeródromos da Região Autónoma dos Açores. Além disso, durante 30 meses não podem existir despedimentos coletivos ou extinção de postos de trabalho. A sede e direção da SATA Holding têm também de permanecer nos Açores por 30 meses.

Para contestar a privatização, o Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos (SITAVA) e o Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Aviação Civil (SINTAC) avançaram com uma greve parcial entre 21 de outubro e 3 de novembro.

A SATA Holding tem também a decorrer a privatização da Azores Airlines, tendo convidado cinco entidades a apresentar propostas vinculativas.

La promoción de Paradores para esta temporada: habitaciones disponibles a partir de 80 euros

22 October 2026 at 13:23

La cadena hotelera pública Paradores de Turismo de España ha lanzado este jueves su campaña de otoño, con una promoción de habitaciones desde 80 euros en una selección de 45 establecimientos desde este 22 de octubre hasta el 23 de diciembre de 2026.

Las habitaciones desde 80 euros están disponibles en los Paradores de Albacete, Ayamonte, Ferrol, Lorca, Manzanares, Oropesa, Salamanca, Soria, Tortosa, Trujillo, Verín, Vilalba y Zafra.

La oferta incluye también estancias desde 84 euros en los Paradores de Argomaniz, Ávila, Benavente, Calahorra, Cambados, Cazorla, Corias, Fuente Dé, Gijón, Guadalupe, La Seu d’Urgell, Puebla de Sanabria, Ribadeo, Sos del Rey Católico, Santo Domingo Bernardo de Fresneda, Teruel, Tordesillas, Tui, Vic-Sau y Villafranca del Bierzo.

La propuesta se completa con habitaciones desde 97 euros en Arcos de la Frontera, Baiona, Pontevedra, Sigüenza, Málaga Golf, Plasencia, Lerma, Carmona, Olite-Erriberri, Santo Estevo, Lleida y Costa da Morte.

Las reservas se pueden realizar hasta el 29 de octubre a través de la web de Paradores, en el Centro de Atención al Cliente de Paradores o en agencias de viajes.

Paradores ha precisado que se trata de una tarifa con condiciones especiales, que no admite cambios ni cancelaciones y no es reembolsable. La promoción tiene también en cuenta a las familias y permite que el desayuno infantil pueda reservarse con un 50% de descuento sobre el precio de adulto, y la cama supletoria es gratuita para niños de hasta 12 años.

Governo admite discutir descida do IVA da restauração e aponta IRC de 17% em 2029

22 October 2026 at 13:22

O Governo admite discutir a redução do IVA da restauração durante a atual legislatura, com horizonte previsto até 2029. Esta possibilidade foi avançada pelo secretário de Estado do Turismo, Pedro Machado. “A ideia de podermos discutir o IVA intermédio não é uma ideia que afaste a capacidade de agir. Pelo contrário, acho que é uma discussão que podemos e devemos ter”, afirmou durante o congresso da Associação da Hotelaria Restauração e Similares de Portugal (AHRESP), que decorre na cidade de Lagoa, no Algarve esta quinta e sexta-feira.

O governante considera que existe margem para avaliar medidas fiscais de apoio a um setor que tem sido marcado pela pressão dos custos, pelas dificuldades de recrutamento e pela reduzida capacidade financeira de muitas micro e pequenas empresas.

“São microempresas, pequenas empresas, muitas vezes com uma estrutura muito reduzida. Isso significa que têm uma capacidade limitada para acomodar oscilações do consumo e aumentos dos custos”, referiu.

Ainda assim, Pedro Machado sublinhou que o financiamento, por si só, não resolve os problemas estruturais do setor. “Precisamos de criar condições não apenas para o acesso ao crédito e ao financiamento, mas também para a capacitação”, disse, apontando a digitalização, a formação em gestão e o reforço das competências empresariais como áreas prioritárias.

Pedro Machado realçou que a decisão depende da articulação com as restantes áreas governativas, em particular as Finanças, mas considerou que “os estudos sobre o peso económico da restauração podem contribuir para fundamentar a discussão”.

O secretário de Estado do Turismo destacou também a trajetória prevista de redução do IRC, cuja taxa, acredita, deverá atingir os 17% em 2029. “O objetivo é libertar recursos para o investimento e permitir às empresas reforçar a capacidade de crescimento”, salientou.

Orçamento reforça financiamento das entidades regionais

No plano orçamental, Pedro Machado destacou o reforço dos recursos destinados às entidades regionais do turismo, cujo financiamento conjunto deverá aproximar-se dos 30 milhões de euros, face aos 16,4 milhões de euros que têm servido de referência habitual.

O reforço das entidades regionais pretende aumentar a capacidade de promoção dos destinos e aprofundar a articulação entre as regiões e a marca Portugal. “A estratégia passa por consolidar os mercados tradicionais, como o Reino Unido, França, Alemanha e Espanha, mas também por reforçar a presença nos Estados Unidos e na Ásia e desenvolver mercados como o México e a Austrália”, referiu.

Estratégia ‘Turismo 2035’ aponta para 53 mil milhões em receitas

Pedro Machado adiantou também que o ‘Turismo 2035’ está aprovada e aguarda apresentação pública. O documento deverá estabelecer as prioridades para a próxima década, com enfoque na criação de valor, no desenvolvimento regional e na distribuição dos benefícios económicos do turismo.

O secretário de Estado apontou para um cenário de cerca de 50 milhões de turistas internacionais e receitas superiores a 53 mil milhões de euros em 2035. “A estratégia tem uma grande ambição: continuarmos a crescer, mas crescendo em valor acrescentado”, salientou, acrescentando que esta meta implica o reforço da capacidade do turismo gerar riqueza para as empresas e comunidades, “sem descurar a sustentabilidade dos destinos e a qualidade de vida das populações”.

Licenciamento turístico deverá entrar em discussão pública

Outra das prioridades do Executivo passa simplificação administrativa dos empreendimentos turísticos. Pedro Machado adiantou que “o processo deverá entrar em discussão pública ainda em 2026, depois da articulação governamental”.

Entre os aspetos que necessitam de revisão estão os critérios de classificação hoteleira que considera “desatualizados”, como a exigência de equipamentos que já não correspondem às necessidades atuais dos hóspedes.

O governante afirmou ainda que “a revisão da legislação aplicável ao setor turístico está a ser desenvolvida com contributos das entidades regionais, procurando aproximar as políticas públicas da realidade das empresas”.

Redes elétricas tornam-se o principal travão à expansão da IA, alerta McKinsey

22 October 2026 at 13:18

Mais de 2.500 gigawatts de projetos energéticos, armazenamento e grandes consumidores estão à espera de ligação às redes elétricas em todo o mundo, num momento em que a procura de energia para alimentar a Inteligência Artificial está a acelerar, conclui o relatório “Technology Trends Outlook 2026”, da McKinsey & Company, divulgado esta quinta-feira.

A consultora considera que a disponibilidade de energia, o acesso à rede e o tempo necessário para garantir o fornecimento elétrico estão a emergir como constrangimentos estruturais ao crescimento da IA. Em muitos mercados, os centros de dados podem ser construídos mais depressa do que as linhas de transmissão, subestações e transformadores necessários para os alimentar.

Nos Estados Unidos, a procura de eletricidade associada à infraestrutura de IA deverá aumentar de cerca de 30 GW em 2025 para mais de 90 GW em 2030, um volume comparável ao consumo elétrico atual da Califórnia. No mesmo período, os centros de dados poderão representar 14% da procura total de eletricidade do país, contra 3% em 2022, segundo o estudo.

A pressão sobre os sistemas energéticos está também a reorientar o investimento. As tecnologias de energia e sustentabilidade foram a área que mais capital atraiu em 2025, com mais de 194 mil milhões de dólares, o valor mais elevado entre as 14 tendências tecnológicas analisadas pela McKinsey.

O relatório identifica uma nova fase de desenvolvimento tecnológico, marcada pela convergência entre o digital e o físico. À medida que a IA é integrada em equipamentos, processos e sistemas do mundo real, torna-se mais dependente de chips, redes elétricas, conectividade, infraestruturas e talento qualificado.

“A Inteligência Artificial deixou de estar centrada apenas nos algoritmos. À medida que a tecnologia se expande para aplicações no mundo físico, fatores como energia, infraestrutura, semicondutores e talento tornam-se determinantes para capturar valor”, afirmou Benjamim Vieira, sócio sénior da McKinsey & Company, citado no comunicado.

Apesar do forte investimento, a adoção empresarial da IA continua a ficar atrás da inovação. Mais de 75% das ofertas de emprego associadas às tendências diretamente ligadas à IA e aos semicondutores especializados concentram-se em funções de investigação e desenvolvimento, sugerindo que grande parte da atividade permanece em fase de experimentação.

Cinco áreas — desenvolvimento de software agêntico, infraestruturas e arquiteturas de IA, IA aplicada à descoberta científica e engenharia, robótica e tecnologias espaciais — deverão mais do que duplicar o investimento em 2026 face ao ano anterior, prevê a McKinsey.

Para Portugal, a consultora considera que o país parte de uma posição favorável, apoiada na crescente incorporação de renováveis, na capacidade de atrair investimento tecnológico e na integração nos principais corredores digitais europeus. O desafio, acrescenta, será acompanhar essas vantagens com talento, modernização das infraestruturas e capacidade de executar projetos à escala necessária.

EUA anunciam acordo para aquisição de pelo menos 850 caças F-35

22 October 2026 at 13:15
EUA

O Pentágono anunciou hoje um acordo-quadro de 10 anos com a fabricante norte-americana Lockheed Martin para o fornecimento de pelo menos 850 caças F-35, sujeito à aprovação do Congresso.

O acordo destina-se a “modernizar e reforçar” a frota de aviões de combate F-35 Lightning II, segundo um comunicado do Departamento da Defesa norte-americano.

O entendimento prevê também o fornecimento de peças sobressalentes, equipamentos de modernização e serviços de manutenção, abrangendo igualmente encomendas internacionais.

A Lockheed Martin pretende manter uma produção anual de 156 aeronaves, enquanto o acordo estabelece que a empresa financiará com recursos próprios investimentos de pelo menos sete mil milhões de dólares (cerca de seis mil milhões de euros) destinados a apoiar o programa.

O entendimento ainda não constitui uma encomenda definitiva, uma vez que os termos contratuais, os preços e os calendários de entrega terão de ser negociados após a autorização do Congresso norte-americano.

O Pentágono não divulgou o valor global previsto para o contrato, que poderá tornar-se o maior da história do programa F-35, iniciado há cerca de 25 anos.

O F-35 é um caça de quinta geração, equipado com tecnologia furtiva destinada a dificultar a sua deteção pelos radares inimigos, e constitui um dos principais programas de modernização das forças aéreas norte-americanas e de vários países aliados.

Existem três versões do aparelho, adaptadas às necessidades da Força Aérea, da Marinha e dos Fuzileiros norte-americanos, incluindo modelos capazes de operar a partir de porta-aviões ou realizar descolagens curtas e aterragens verticais.

Apesar da importância estratégica, o programa tem enfrentado sucessivos atrasos e aumentos de custos, sobretudo relacionados com a modernização dos sistemas eletrónicos, a manutenção e a disponibilidade operacional dos aviões.

Num relatório publicado em setembro de 2025, o organismo de fiscalização do Congresso norte-americano (Government Accountability Office, GAO) revelou que os custos da modernização tecnológica conhecida como ‘Block 4’ ultrapassavam as estimativas iniciais e que a sua conclusão estava atrasada pelo menos cinco anos.

O mesmo organismo informou que todos os 110 aviões entregues pela Lockheed Martin em 2024 chegaram com atraso, numa média de 238 dias, contra 61 dias no ano anterior.

O novo acordo procura proporcionar maior previsibilidade à produção e à cadeia de abastecimento, num contexto de aumento da procura de equipamentos militares devido aos conflitos internacionais.

Iberdrola rejeita associação entre doação à Câmara de Lisboa e contratos com autarquia

22 October 2026 at 13:09

A Iberdrola rejeitou hoje “categoricamente” qualquer associação entre uma doação para um projeto de iluminação na Câmara Municipal de Lisboa e contratos de fornecimento de eletricidade adjudicados pelo município à empresa, destacando que as entidades envolvidas são independentes.

Segundo uma notícia da revista Sábado, a câmara de Lisboa recebeu, no final de 2023, uma doação superior a 150 mil euros da Fundação Iberdrola Espanha e adjudicou à Iberdrola, desde 2022, contratos de fornecimento de energia elétrica de quase 50 milhões, o que levou o BE a pedir esclarecimentos ao presidente Carlos Moedas.

Numa nota, a Iberdrola rejeitou a associação entre a doação e os contratos, destacando que as entidades envolvidas são diferentes: no caso da doação trata-se da Fundação Iberdrola Espanha, uma entidade privada sem fins lucrativos, com personalidade jurídica própria, autonomia de gestão e órgãos de governo próprios, e a adjudicação dos contratos foi à Iberdrola Clientes Portugal.

A doação serviu para um projeto de iluminação dos Paços do Concelho, no âmbito do Programa de Iluminações da Fundação, com o objetivo de valorizar o património histórico e cultural através de soluções de iluminação eficientes e sustentáveis, salientou.

Na nota, a Iberdrola “rejeita categoricamente qualquer associação” entre as duas situações e manifesta “a sua profunda indignação perante a possibilidade de ser colocado em causa o rigor, a transparência e a integridade da sua atuação”.

Segundo a Sábado, a Iberdrola obteve seis adjudicações da Câmara Municipal de Lisboa com um valor global que ascende a cerca de 49,9 milhões de euros, desde 2022, ou seja, desde que Carlos Moedas (PSD) passou a presidir à autarquia.

Antes, no mandato de Fernando Medina (PS), tinha havido apenas uma adjudicação à empresa espanhola, de cerca de 2,7 milhões de euros, em 2020, segundo a Sábado.

A investigação jornalística aponta ainda que entre as adjudicações identificadas está um contrato de cerca de 34 milhões de euros, celebrado em dezembro de 2023, aproximadamente um mês após a assinatura do acordo de colaboração entre o município e a Fundação Iberdrola Espanha para a execução do projeto de iluminação arquitetónica dos Paços do Concelho.

A doação da Fundação espanhola ascendeu a 156.400 euros (69.000 euros para equipamentos de iluminação e 87.400 euros para trabalhos de instalação, controlo e testes).

Na notícia é avançado que os contratos assinados desde 2022 tinham como âmbito o fornecimento de energia às escolas da cidade, exceto um deles, no valor de cerca de 1,2 milhões, que resultou de um ajuste direto para “fornecimento de energia elétrica a instalações do município” para apenas três meses, justificado pela CML com “motivos de urgência imperiosa resultante de acontecimentos imprevisíveis”.

Segundo a Sábado, a “oposição desconhecia o assunto”, uma vez que a “doação nunca foi a reunião de câmara”.

Na quarta-feira, o BE em Lisboa pediu esclarecimentos ao presidente da Câmara sobre a doação e os contratos.

O Bloco quer saber se existiram pareceres jurídicos prévios relativamente à aceitação da doação, quantos contratos foram celebrados entre o município e empresas do grupo Iberdrola desde outubro de 2021, que empresas apresentaram propostas nos concursos vencidos pela Iberdrola desde 2022 e quais foram os critérios de adjudicação utilizados em cada procedimento.

O BE Lisboa questionou ainda Carlos Moedas por que razão o acordo de doação da Fundação Iberdrola, celebrado entre as duas entidades em novembro de 2023, apenas foi submetido a ratificação da Câmara Municipal na quarta-feira, através de uma proposta incluída na ordem de trabalhos da reunião camarária, o que a Sábado diz ter acontecido após perguntas enviadas à CML, para as quais não obteve resposta.

Relativamente ao ajuste direto de cerca de 1,2 milhões, o BE questionou sobre “quais foram concretamente os acontecimentos imprevisíveis que fundamentaram a aplicação da exceção prevista” no Código dos Contratos Públicos.

De acordo com o Regimento da CML, os requerimentos escritos dirigidos ao presidente da Câmara sobre assuntos de interesse público devem ser respondidos no prazo máximo de 30 dias.

Hermès perde vendas na moda, relógios e perfumes

22 October 2026 at 13:08

A Hermès registou receitas de 12,26 mil milhões de euros nos primeiros nove meses de 2026, um aumento de 5,5% a taxas de câmbio constantes. No terceiro trimestre, as vendas cresceram 4,3% a taxas constantes, para 4,1 mil milhões de euros, divulgou esta quinta-feira a empresa francesa.

Os artigos de pele, em que se incluem as populares Birkin e Kellys, foram o segmento que mais cresceu: 10,2% desde o início do ano e 10,8% no terceiro trimestre. Mas moda, relógios e perfumes não acompanham o crescimento.

Ready-to-wear e acessórios tiveram uma quebra de 2,1% nos primeiros nove meses e 1,4% no 3º trimestre. O segmento de relógios caiu 4,4% nos primeiros nove meses e 5% em julho, agosto e setembro. Perfumes e beleza recuperou 7,9% no último trimestre, mas estes ganhos não cobrem as quebras de 1,5% do que levamos de ano.

Os segmentos em recuo tiveram resultados fracos na região de Ásia-Pacífico, que compreende a China e que continua a ser responsável por uma boa fatia dos resultados – 6,3 mil milhões – mas foi também aquela que menos cresceu entre janeiro e setembro: 1,6%.

O continente americano foi a região que mais cresceu nos primeiros nove meses de 2026. Ao todo, 13,1%. O Japão cresceu 10,5% e a Europa, sem França, teve aumentos de 9%.

Segundo os dados divulgados pela Hermès, a margem operacional recorrente manteve-se nos 41% no primeiro semestre (e o comunicado trimestral não apresenta resultados de rentabilidade para o terceiro trimestre).

Apesar de um contexto complexo, a Hermès continua a crescer de forma rentável e mantém o seu rumo. Convictos da força e da relevância do nosso modelo artesanal, vemos a nossa visão firmemente ancorada no longo prazo e encaramos o futuro com confiança

Axel Dumas

Presidente executivo da Hermès

“Apesar de um contexto complexo, a Hermès continua a crescer de forma rentável e mantém o seu rumo. Convictos da força e da relevância do nosso modelo artesanal, vemos a nossa visão firmemente ancorada no longo prazo e encaramos o futuro com confiança”, diz Axel Dumas, presidente executivo da empresa, em comunicado.

O chairman executive da Hermès deixou ainda informações relacionadas com as áreas com pior desempenho neste momento. “Preparamo-nos para um novo ano rico em criação, com a primeira coleção de pronto-a-vestir masculino assinada por Grace Wales Bonner e a apresentação da Couture de Nadège Vanhée, em janeiro próximo”. Éric du Halgouet ,Chief Finance Officer, acrescentou que a marca está a trabalhar no lançamento de novos itens de calçado. “Vamos desenvolver itens como botas, desenvolver novos modelos”.

A Hermès mantém no seu calendário a abertura de três novos ateliers: em Charleville-Mézières até 2027, em Colombelles até 2028 e em Les Andelys, até 2030.

Receitas da Hermès no 1.º semestre de 2026

Otros inesperados ganadores del ‘efecto Ozempic’ en Estados Unidos: los sastres y tiendas de segunda mano

22 October 2026 at 12:23

Lorraine Scott se ha gastado al menos 300 dólares en arreglar pantalones y vaqueros desde que perdió 27 kilos durante el último año gracias a medicamentos para adelgazar.

Seguir leyendo

© Richard Baker (In Pictures / Getty Images)

Transeuntes caminando por la calle.

Fundo de Resolução “em condições” de devolver 1,9 mil milhões ao Estado no início de 2027

By: ECO
22 October 2026 at 12:15

O Fundo de Resolução estará “em condições” de devolver já no início do próximo ano um montante 1,9 mil milhões de euros que pediu ao Estado para financiar as resoluções do BES e Banif e ainda o mecanismo de capital contingente do Novobanco, declarou o vice-governador Luís Máximos dos Santos, em entrevista ao Expresso.

“No início de 2027, [o Fundo de Resolução] estará em condições de reembolsar entre 1,7 mil milhões e 1,9 mil milhões de euros ao Estado e aos bancos que emprestaram dinheiro ao Fundo”, avança Máximo dos Santos, que está a poucos dias de deixar o cargo.

Sem adiantar mais pormenores, o mesmo responsável considerou apenas que se trata de “uma verba significativa” que o Fundo de Resolução se prepara para devolver. No final do ano passado, o Fundo de Resolução devia 7,5 mil milhões de euros ao Estado e aos bancos.

Nokia mais do que duplica lucro para 240 Milhões de euros

22 October 2026 at 12:08
O lucro bruto da Nokia entre janeiro e setembro ascendeu a 6.298 milhões de euros, um aumento de 7,7% em termos homólogos, embora o resultado operacional tenha diminuído 43% para 229 milhões.

© MIKKO STIG/EPA

A Nokia registou um volume de negócios de 14.402 milhões, mais 7,1% do que no mesmo período do ano anterior

Bankinter confía en que Francia reconducirá la tensión en la deuda y descarta un efecto contagio

22 October 2026 at 11:46

La consejera delegada de Bankinter, Gloria Ortiz, ha hecho un llamamiento a la calma acerca de la situación en Francia tras los disturbios, que corre el riesgo de entrar en una crisis de deuda con la prima de riesgo en máximos de quince años después de que el bono a diez años se haya disparado a su nivel más alto desde la entrada al euro tras sobrepasar el umbral del 5%. "Es un país enorme con unas finanzas públicas que requieren atención, pero es una economía fuerte. Estamos convencidos de que no habrá problemas más allá de que estamos en un momento volátil", ha expresado tras descartar que se pueda producir un efecto contagio al resto de países de la eurozona.

Durante la presentación de los resultados trimestrales, que arroja una ganancia de más de 900 millones, con un repunte del 11%, la directiva también se ha referido a la situación de España tras el adelanto electoral y la crisis de vivienda que sufre. A este respecto, ha pedido que, con independencia de quien forme Gobierno, los partidos políticos sean capaces de alcanzar un acuerdo estructural enfocado en medidas a largo plazo para resolver esta problemática. "La banca ha estado financiando de manera efectiva la adquisición de vivienda a las familias. Hemos (Bankinter) sido uno de los más activos en el programa del Instituto de Crédito Oficial (ICO) y lo seguiremos siendo con cualquier iniciativa que venga a solucionar el problema, pero lo fundamental es contar con un plan detallado", ha expresado.

Asimismo, la directiva también se ha pronunciado sobre la cuenta de ahorro e inversión europea (CAIFE, por sus siglas). A este respecto, Ortiz ha indicado que si bien la iniciativa todavía está en pañales, ve positivo contar con instrumentos financieros que ayuden a desviar el ahorro de los ciudadanos a proyectos que ayudarán a financiar la economía real, como infraestructuras o defensa. "Vamos por el buen camino", ha indicado".

Preguntada por la sentencia del Tribunal de Justicia de la Unión Europea (TJUE), que la semana pasada dictaminó que una negligencia grave cometida por el cliente no exime a un banco de devolverle inmediatamente el importe de una operación no autorizada, Ortiz ha destacado que el banco invierte "mucho en fraudes", pero en cualquier caso, no es de aplicación inmediata. "Cada vez identificamos más casos de fraude digital y el objetivo pasa por minimizarlos a cero, pero para ello tienen que colaborar más agentes pasando por las empresas de telecomunicaciones, y concienciar a los clientes de que deben tomar precauciones. Es un tema que nos preocupa y nos ocupa mucho tiempo", ha expresado.

En clave del negocio, Ortiz ha puesto el foco en las expectativas de subidas de los tipos de interés por parte del Banco Central Europeo (BCE) para contener la inflación, un escenario al que Bankinter cuenta con sesgo "positivo", por lo que anticipa un incremento del margen de intereses y clientes en los próximos doce meses. No obstante, descarta que los mayores costes de financiación redunden en un freno en la demanda de hipotecas con tendencia a revertir la tendencia a la baja. En este sentido, ha resaltado la mejora en la nueva producción en el último trimestre, que suma un 8% en comparativa interanual, hasta los 1.500 millones.

Uno de los últimos movimientos estratégicos acometidos por Bankinter en los últimos meses ha tenido como epicentro Holanda con la adquisición de Tulp Group, un bróker hipotecario. El banco madrileño ya trabaja en el desarrollo de la infraestructura con el objetivo de que empiece a funcionar a finales del próximo diciembre o enero de 2027.

Bankinter Portugal já utilizou cerca de 75% da garantia pública de crédito à habitação e admite pedir mais quando esgotarem

22 October 2026 at 11:47
Bankinter

O Bankinter Portugal já utilizou cerca de 75% da garantia pública ao crédito à habitação. A revelação foi feita pelo CFO (Administrador Financeiro) do Grupo Bankinter Jacobo Díaz, na conferência de imprensa de apresentação dos resultados do terceiro trimestre. “Já foi utilizada cerca de três quartos (quase 75%) da linha”, disse. O que, segundo as contas do Jornal Económico, equivale a ter concedido crédito com garantia pública no montante de 437,5 milhões de euros.

O banco diz que está “num bom caminho”, que ainda tem margem e que, se chegar ao limite, pedirá um reforço ao Estado.

Ao Bankinter foi atribuída uma quota de 60 milhões de euros na linha da garantia pública do Estado para o crédito à habitação jovem (destinada a mutuários até aos 35 anos).

Gloria Ortiz, CEO do Bankinter, revelou ainda que, ao nível da produção hipotecária Portugal cresce quase 20%, contra 40% na Irlanda. Em Espanha, a queda homóloga da nova produção atenuou-se de 40% (1.º trimestre) para 28% (2.º) e 9% (3.º) e o banco espera que continue a atenuar-se.

O banco não vê, por ora, travão à procura de crédito por causa da subida de taxas, nem menor produção hipotecária no próximo ano.

Questionado sobre a exposição à divida francesa o CFO explicou que o Bankinter em Portugal não tem carteira própria.

Segundo as contas apresentadas esta quinta-feira, o Bankinter Portugal continuou a acelerar a sua atividade comercial nos primeiros nove meses de 2026. A carteira de crédito atingiu os 12 mil milhões de euros em setembro, crescendo 9% face ao período homólogo de 2025 e acrescentando 1 mil milhões de euros face ao fecho do exercício anterior, numa trajetória de expansão que se tem mantido ao longo do ano.

O Administrador Financeiro do Bankinter, Jacob Días,  revelou que em Portugal a taxa de morosidade (Non-Performing Loans) em Portugal estava em 1,36% no final de setembro — um nível de risco contido, que se mantém claramente abaixo do praticado pelo setor bancário português e que evidência a solidez da carteira de crédito.

A captação e gestão de património de clientes manteve uma dinâmica ainda mais robusta. Os recursos totais de clientes atingiram os 21 mil milhões de euros, com um crescimento de 18% homólogo — depois dos 21% registados ao longo de 2025 —, enquanto os ativos sob gestão acumulam uma valorização de 114% desde o início da operação. O rácio de empréstimos sobre depósitos (LtD) situou-se nos 114%, refletindo um crescimento equilibrado entre o crédito concedido e o financiamento captado junto dos clientes.

A conta de resultados confirma a solidez da evolução comercial, realça o Bankinter. Entre janeiro e setembro de 2026, a margem de juros atingiu 240 milhões de euros, mais 13% do que no período homólogo de 2025, e as comissões líquidas cresceram no mesmo ritmo, somando 67 milhões de euros.

Acrescem outros resultados negativos de 5 milhões de euros, o que resulta numa margem bruta de 302 milhões de euros, um crescimento de 12%. A gestão contida dos custos operativos, que aumentaram 10% para 98 milhões de euros, permitiu melhorar o rácio de eficiência em 0,5 pontos percentuais, para 32%, e gerar uma margem de exploração de 205 milhões de euros, também 12% superior à do ano passado. As provisões cresceram apenas 6%, totalizando 27 milhões de euros, sustentando um resultado antes de impostos de 178 milhões de euros, 13% acima do registado entre janeiro e setembro de 2025.

Estes resultados confirmam o peso crescente de Portugal dentro do Grupo Bankinter e a capacidade do banco de crescer rentavelmente em todos os negócios, num contexto de rigor disciplinado nos custos e de qualidade creditícia de excelência.

Exposição a dívida francesa

A CEO do Bankinter explicou na conferência de imprensa que a carteira de dívida pública do Grupo Bankinter é essencialmente de dívida pública espanhola, cujo prémio de risco se mantém contido, abaixo do francês e do italiano, sendo das que revela melhor comportamento. Não foram dados números sobre exposição direta a dívida francesa, nem sobre a forma como a dívida pública está contabilizada no banco, se em yield to maturity ou em mark to market.

A situação de França “não é a mesma” que a de outros países afetados na crise soberana, disse Gloria Ortiz que sublinhou que França tem uma enorme capacidade económica, apesar de as finanças públicas “requererem atenção”, sendo que o momento pré-eleitoral não ajuda a que as mensagens sejam tranquilizadoras.

O banco está convencido de que a situação em França se “equilibrará” quando acabar o período de transição, e de que não haverá problemas na dívida pública europeia, embora o momento seja volátil e os prémios de risco de alguns países possam subir.

Sobre outros temas, a CEO disse que banco tem sensibilidade positiva à subida de taxas, pelo que a margem de juros deve crescer num horizonte de um ano. A nível trimestral pode estabilizar ou contrair ligeiramente. Mas o guidance só será dado em janeiro.

A CEO do banco diz que o investimento em IA e tecnologia não visa reduzir pessoal e ambiciona, a prazo, um rácio de eficiência perto de 30%, “ainda que muito ambicioso”. Há formação em IA para todos os colaboradores.

Gloria Ortiz comentou ainda a atividade da Tulp Group (plataforma holandesa especializada em intermediação e financiamento hipotecário), adquirida a 100%, dizendo que “segue sua atividade normal de intermediação digital em hipotecas. O que estamos fazendo agora é trabalhar para ter uma estrutura para poder financiar diretamente nós através da Tulp”.

As primeiras hipotecas devem ser contabilizadas no final de dezembro ou em janeiro de 2027, inicialmente sob a marca Complet.

Fusões e aquisições caem 37% em Portugal no primeiro semestre

22 October 2026 at 11:36

O número de fusões e aquisições em Portugal caiu 37% no primeiro semestre deste ano, para 82 operações, enquanto o valor das transações recuou cerca de 87%, para 800 milhões de euros, segundo um estudo da Forvis Mazars.

De acordo com o relatório “Investing in Southern Europe: M&A and Private Equity Activity in 2026”, elaborado pela Forvis Mazars em parceria com a Mergermarket, o valor das operações realizadas em Portugal compara com os 6,3 mil milhões de euros registados no primeiro semestre de 2025.

A evolução do mercado português contrasta com a do Sul da Europa, onde o valor das fusões e aquisições aumentou 37%, para 147,7 mil milhões de euros, impulsionado por operações de grande dimensão e pelo interesse dos investidores internacionais.

Em Portugal, a maior operação anunciada no primeiro semestre envolveu o Grupo Sabseg, especializado em mediação de seguros e gestão de risco, num negócio de 600 milhões de euros que incluiu um novo investimento da Miura Partners e o reforço da participação da Schroders de 2% para 20%.

A segunda maior operação foi realizada no setor do turismo e lazer, com a aquisição do Caesar Park, um hotel de cinco estrelas e ‘resort’ de golfe em Sintra, pela Catterton Management e pela Cedar Capital Partners, por 140 milhões de euros.

Segundo o estudo, as três maiores operações realizadas no mercado português foram lideradas por compradores internacionais, provenientes do Reino Unido, Espanha e Países Baixos, evidenciando a importância do investimento estrangeiro.

Apesar da quebra da atividade, a senior manager de Transaction and Advisory Services da Forvis Mazars em Portugal, Filipa Matias, considera que continuam a existir oportunidades no mercado nacional.

“A atividade subjacente em operações de menor e média dimensão continua presente, embora seja menos visível nos dados de transações com valores divulgados”, afirma, citada no estudo.

Segundo a responsável, as perspetivas são sustentadas pelo interesse dos investidores estrangeiros, por operações apoiadas por fundos de capital de risco e pela consolidação de setores fragmentados, com destaque para a tecnologia, serviços empresariais, indústria e ativos imobiliários e hoteleiros.

O relatório salienta ainda que Portugal é o único mercado do Sul da Europa onde o número anual de operações de fusões e aquisições aumentou ou se manteve estável em todos os anos desde 2016, uma tendência cuja continuidade fica agora em aberto perante a quebra registada no primeiro semestre.

Ainda assim, foram identificadas 33 potenciais oportunidades de fusões e aquisições em Portugal, distribuídas por 12 setores, num total de 608 oportunidades sinalizadas no Sul da Europa.

No conjunto da região, que inclui Itália, Espanha, Suíça, Turquia, Portugal e Grécia, foram anunciadas 1.858 operações no primeiro semestre, menos 6% do que no período homólogo, apesar do aumento de 37% no valor agregado das transações, passando de 107,9 mil milhões de euros no primeiro semestre de 2025 para 147,7 mil milhões de euros.

Itália liderou o mercado regional, com 754 operações, no valor de 87,1 mil milhões de euros, seguida de Espanha, com 600 operações e 28,7 mil milhões de euros.

Os investidores de fora da região foram responsáveis por cerca de 41% do valor total das transações, equivalente a mais de 61,2 mil milhões de euros, destacando-se os compradores norte-americanos (139 operações num total de 23,7 mil milhões de euros) e britânicos (88 operações num total de 23,3 mil milhões de euros).

Para os próximos meses, a Forvis Mazars antecipa a manutenção de oportunidades de investimento, apoiadas pelas condições de financiamento, pelos processos de sucessão empresarial e pela consolidação de setores, embora as tensões geopolíticas, os preços da energia e as políticas comerciais continuem a representar fatores de incerteza.

Bankinter já usou 75% da garantia pública e apela a “consenso” na crise da habitação

22 October 2026 at 11:34

O Bankinter Portugal já utilizou praticamente 75% da sua quota-parte da linha garantia pública no crédito à habitação para os jovens e, perante a onda de protestos nas ruas em várias cidades na Europa, a líder máxima do banco espanhol apelou a um consenso político para que sejam implementadas “políticas de longo prazo eficazes” a combater essa crise.

“Trata-se de um problema estrutural que exige políticas a longo prazo e que, por isso, o ideal seria que houvesse um consenso entre todos os partidos”, declarou Gloria Ortiz em conferência de imprensa de apresentação dos resultados relativos aos primeiros nove meses do ano.

“É isso que eu pediria: que, no que diz respeito aos aspetos estratégicos e aos problemas estruturais que nos afetam, sejam capazes de chegar a um consenso e que possamos ter políticas de longo prazo que sejam, no final de contas, eficazes”, salientou.

Ortiz deseja estabilidade nas políticas porque “as que são aplicadas num dia e no dia seguinte já não o são, não têm qualquer impacto”.

Não só Espanha, mas também em Portugal e noutros países, sobretudo a população mais jovem tem saído às ruas em protesto contra a falta de soluções para a crise da habitação.

É por isso que pediria que, no que diz respeito aos aspetos estratégicos e aos problemas estruturais que nos afetam, sejam capazes de chegar a um consenso e que possamos ter políticas de longo prazo que sejam, no final de contas, eficazes.

Gloria Ortiz

CEO do Bankinter

A CEO do Bankinter considerou que os bancos podem e estão a fazer a sua parte que é a concessão de crédito, apesar de insistir na ideia de que deve haver “um plano a longo prazo com medidas que realmente combatam os problemas estruturais existentes”.

No que toca a Portugal, onde registou um aumento de 13% dos resultados antes de impostos para 178 milhões de euros até setembro, o banco já usou praticamente 45 milhões do plafond de 60 milhões de euros que lhe foi atribuído pelo Estado português no âmbito da linha de garantia pública para os jovens, revelou o administrador financeiro Jacobo Dias.

“Está no bom caminho. Se chegássemos ao limite, certamente pediríamos mais, mas ainda não chegámos ao limite e continuamos a progredir. A verdade é que continuamos muito empenhados nestas medidas de apoio e, se fosse necessário, solicitaríamos mais, mas, por enquanto, ainda temos alguma margem”, declarou o responsável.

Gloria Ortíz, CEO do Bankinter, com o administrador financeiro, Jacobo Díaz.DR

“Não haverá problemas com dívida pública europeia”

Gloria Ortiz comentou ainda a instabilidade nos mercados obrigacionistas que estão a deixar França sob intensa pressão com os juros a dez anos a superarem a fasquia dos 5% pela primeira vez desde 2002. A líder do Bankinter afastou uma crise como a que tivemos na Zona Euro em 2010.

“É verdade que as suas finanças públicas exigem atenção e que a situação atual, na véspera das eleições, não contribui para que as mensagens transmitidas sejam tranquilizadoras”, começou por dizer relativamente a este tema.

“Mas acho que a situação vai certamente voltar ao normal quando este período de transição terminar. E, por isso, estamos convencidos de que não haverá problemas com a dívida pública europeia, embora, logicamente, estejamos a atravessar um período de volatilidade e haja momentos em que os prémios de certos países possam aumentar”, considerou ainda.

O Bankinter registou lucros de 901 milhões de euros entre janeiro e setembro, mais 11% em termos homólogos.

Restauração gera 23,4 mil milhões por ano mas enfrenta margens de apenas 3%, alerta AHRESP

22 October 2026 at 11:30

A restauração portuguesa é um dos principais eixos da economia nacional, no emprego e na coesão territorial, mas continua a enfrentar uma pressão significativa sobre a sua rentabilidade. Com um volume de negócios de 23,4 mil milhões de euros e cerca de 523 mil postos de trabalho associados ao setor, a atividade apresenta uma margem líquida média de apenas 3%, que condiciona a capacidade de investimento e de resposta ao aumento dos custos.

“É ter um enorme potencial e tão pouca margem para existir e resistir”, referiu Carlos Moura, na abertura do congresso da AHRESP que decorre entre quinta e sexta-feira, na cidade de Lagoa, no Algarve.

Para o responsável, a restauração tem uma presença transversal no país, contribuindo para a dinamização das cidades, vilas e aldeias. Contudo, essa relevância não se traduz numa rentabilidade proporcional, sobretudo marcado pelo peso das microempresas, que representam 91% do setor e que limita a sua capacidade negocial e a obtenção de economias de escala na aquisição de bens alimentares, energia e serviços financeiros

“Em cada 100 euros de faturação, o empresário que investe recebe três euros”, afirmou o presidente da AHRESP, destacando a reduzida margem de manobra para enfrentar o aumento de custos ou realizar novos investimentos.

Fiscalidade e IVA entre as prioridades

A AHRESP apresentou no passado mês de setembro, 27 propostas que assentam em quatro eixos estratégicos: fiscalidade, pessoas, investimento e capitalização. Entre estas, Carlos Moura destaca três prioridades consideradas críticas para a sustentabilidade da atividade.

Uma das principais reivindicações prende-se com o enquadramento do IVA aplicado à restauração, que a associação considera desfavorável face ao de outros mercados europeus concorrentes no turismo.

“Não se compreende que tenhamos uma diferenciação negativa face aos mercados que são concorrentes no setor do turismo”, afirmou, defendendo condições fiscais mais competitivas para a restauração portuguesa.

Custos laborais dificultam a valorização salarial

A pressão sobre os custos com pessoal constitui outro dos grandes desafios identificados por Carlos Moura. Num setor que necessita de atrair e reter trabalhadores, com o presidente a realçar que o objetivo da associação não é travar o aumento dos salários, mas sim criar condições para que este seja sustentável

“Nós nunca nos opusemos ao salário mínimo. Nunca”, salientou, reforçando a posição favorável da AHRESP à melhoria das remunerações dos trabalhadores, dando como exemplo a possibilidade de uma empresa pretender aumentar em 200 euros o salário de um trabalhador, mas enfrentar encargos adicionais que tornam a decisão mais onerosa.

Neste contexto, Carlos Moura defendeu mecanismos de parceria com o Estado que “permitam reduzir os custos associados aos aumentos salariais, nomeadamente através de soluções de alívio contributivo”.

❌