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De Viana do Castelo até à Turquia. David já pedalou 2.500 km e está em Itália

21 October 2026 at 20:45

David Mendes, presidente da associação Viana Ciclável, já pedalou 2.500 quilómetros na sua viagem entre a ‘capital’ do Alto Minho e Antália, na Turquia, onde vai participar na 31.ª Conferência das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas, a COP31.

O ciclista está a cerca de metade do percurso que iniciou em 05 de outubro e, até agora, atravessou quatro países: Portugal, Espanha, França e agora Itália.

De bicicleta, sem apoio motorizado e sem equipa de suporte, para trás já ficaram o Gerês, os Pirinéus e os Alpes, segundo destaca a associação, em comunicado enviado hoje às redações.

De Viana do Castelo até à Turquia. David já pedalou 2.500 km e está em Itália
David Mendes no Col de l’Échelle, nos Alpes franceses, no trajeto em direção a Itália. Foto: Viana Ciclável

 “Encontrei-me com ciclistas locais e foi muito positivo trocar experiências e pedalar com eles”, conta.

Após atravessar todo o sul de França constatou que “quase todas as cidades de França têm uma rede de ciclovias bem desenvolvida”.

“E isso observa-se no uso que as pessoas dão à bicicleta, é muito normal todo o tipo de pessoas usarem a bicicleta incluindo idosos, crianças, transporte de crianças, etc. Ou seja, a bicicleta é um meio de transporte natural para o dia a dia e é aí que nós queremos chegar em Portugal”, acrescenta.

A expedição homenageia ainda as vítimas de violência rodoviária contra ciclistas – entre elas Fátima Linhares, morta aos 38 anos em Barcelos, Finlay Tarley, de 19 anos, morto em Ponte de Lima, Rafael Rijo, de 33, e Pedro Sobral, de 51 anos – cujas memórias, nas palavras da Viana Ciclável, “não podem continuar a ser apenas um registo estatístico de sinistralidade rodoviária”.

David Mendes partiu em representação da Viana Ciclável, em parceria com a COP Bike Ride (uma estafeta ciclística que deverá mobilizar cerca de 10 mil participantes), a International Degrowth Network, a MUBi – Associação pela Mobilidade Urbana em Bicicleta e a Câmara Municipal de Viana do Castelo. A viagem representa 4.700 quilómetros, 37 mil metros de desnível acumulado, 11 países e duas travessias de ferry.

Esta iniciativa baseia-se nos princípios da COP Bike Ride e pretende demonstrar, de forma prática e simbólica, que a mobilidade eficiente e de baixo impacto ambiental é possível se repensarmos os sistemas de transporte.

O ciclista leva consigo uma carta de compromisso da Câmara de Viana do Castelo para alavancar o ciclismo na proteção do clima.

Em comunicado divulgado no dia da partida, a Câmara de Viana do Castelo referiu que “está profundamente comprometida em alavancar o ciclismo como uma ferramenta estratégica na proteção do clima e na melhoria contínua da qualidade de vida de todos os munícipes e cidadãos da nossa região”.

Carta de compromisso do Município de Viana do Castelo

  1. Rede Ciclável Estrutural (Meta 2030)
    – Concluir uma rede estrutural básica de ciclovias até 2030;
    – Priorizar a conectividade intermunicipal e multimodal para deslocações diárias;
    – Se a base já estiver estabelecida, torne-a ambiciosa!
  2. Acalmia e Redução do Tráfego Automóvel
    – Reduzir o tráfego de automóveis, limitando a velocidade e o volume.
  3. Planos Estratégicos Dedicados
    – Elaborar planos específicos até 2030, abrangendo todas as alavancas possíveis para o desenvolvimento da utilização de bicicletas;
    – Garantir financiamento adequado e dedicado;
    – Desenvolver revisões de implementação que incluam as associações e coletivos de utilizadores de bicicletas.
  4. Zonas Exclusivas Pedonais e Cicláveis
    – Aumentar significativamente as áreas exclusivas para bicicletas e caminhadas até 2030;
    – Focar a implementação perto de escolas, centros de transporte público, comércio local e áreas verdes.
  5. Estacionamento e Armazenamento Alargado
    – Generalizar a capacidade adequada de armazenamento de bicicletas até 2030;
    – Cobrir centros de transporte, áreas comerciais, escolas, escritórios e residências;
    – Incluir obrigatoriamente espaço para bicicletas de carga.
  6. Eventos de Massa e Infraestrutura Comunitária
    – Desenvolver um horário e um local para o ciclismo e a utilização de bicicletas;
    – Criar um evento anual de ciclismo e/ou utilização de bicicletas em massa, para todas as idades, promovendo a participação de um público amplo;
    – Implementar uma “casa da bicicleta” para consertar, treinar, reunir e hospedar.
  7. Capacitação, Treino e Literacia Financeira
    – Treinar e informar: capacitar, especialmente menores de 12 anos e mulheres, para uma utilização de bicicletas mais eficiente e empoderadora;
    – Promover os benefícios financeiros do meio de transporte.
  8. Estímulo ao Setor Económico do Ciclismo
    – Desenvolver o setor económico associado (serviços, manufatura, leasing, partilha…);
    – Implementar esta expansão por meio de incentivos e subsídios fiscais específicos.
  9. Logística Urbana e Entregas de “Última Milha”
    – Desenvolver a logística de bicicletas de carga para entregas na “última milha”;
    – Nota de fundamentação: Um estudo recente mostra que 42% das entregas em vans utilitárias poderiam ser feitas com bicicletas de carga.
  10. Indicadores e Monitorização Regular
    – Implementar e divulgar regularmente indicadores para medir e monitorizar o progresso;
    – Avaliar métricas de satisfação, acidentes, tamanho da rede dedicada e integração intermodal.

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