EUA anunciam novo incentivo público para produção local de fertilizantes
O USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) selecionou oito projetos de fabricação de fertilizantes que representam mais de US$ 1,34 bilhão em investimentos previstos no país. As iniciativas incluem aproximadamente US$ 573 milhões em recursos federais propostos e têm como objetivo ampliar a produção doméstica, reduzir a dependência de fornecedores estrangeiros e aumentar a concorrência no setor.
O anúncio foi feito nesta quinta-feira (22) pelo vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, e pela secretária de Agricultura, Brooke Rollins. Os projetos foram selecionados no âmbito do Programa de Investimento e Expansão da Oferta Doméstica de Fertilizantes no Longo Prazo.
O programa conta com orçamento inicial de US$ 500 milhões. Além desses recursos, o governo pretende direcionar verbas recuperadas de projetos “malsucedidos” para “novas iniciativas com maior viabilidade financeira e investimentos privados”.
Segundo o USDA, os oito projetos abrangem a produção de fertilizantes nitrogenados, fosfatados, potássicos e sulfurados. Juntos, devem viabilizar aproximadamente 1,08 milhão de toneladas de produção e capacidade doméstica anual de fertilizantes.
A estimativa do departamento é que a ampliação da oferta reduza os preços dos fertilizantes nitrogenados em 4,4% e os da potassa em 5,3%, quando os projetos estiverem em operação. A produção doméstica de nitrogenados poderá crescer 3,7%, enquanto a de potassa poderá aumentar quase 40%.
Projetos selecionados
Entre os maiores investimentos está o da TalusAg, que prevê a instalação de 20 unidades modulares de fabricação de amônia em sete estados americanos. O projeto tem custo estimado em US$ 270,2 milhões, dos quais aproximadamente US$ 99,8 milhões em recursos federais propostos. A produção anual esperada é de 130 mil toneladas de amônia anidra.
A Intrepid Potash prevê construir uma unidade de sulfato de potássio nas proximidades de Carlsbad, no Novo México. O investimento total estimado é de US$ 265 milhões, com US$ 139 milhões em recursos federais propostos. A instalação deverá produzir 220 mil toneladas por ano.
Já a PCI Nitrogen pretende modernizar duas unidades de fabricação de fertilizantes no Texas e no Oregon, em um projeto de US$ 200 milhões. A iniciativa poderá receber aproximadamente US$ 100 milhões do USDA e deve sustentar uma produção anual de 148,3 mil toneladas de fertilizantes, incluindo ureia e sulfato de amônio.
Outro projeto prevê a construção de duas unidades da Agriculture Project Holdco, no Kansas e em Indiana, para transformar esterco de propriedades leiteiras em fertilizante líquido à base de nitrato de amônio. O investimento estimado é de US$ 360 milhões, com aproximadamente US$ 116,9 milhões em recursos federais propostos.
A lista também inclui a expansão da Peace Valley, na Flórida, com investimento de US$ 50,6 milhões; a modernização da AdvanSix, na Virgínia, em um projeto de US$ 98,1 milhões; a ampliação da SUL4R-PLUS Illinois, em um investimento de US$ 69,7 milhões; e a expansão da True Organic Products, com instalações na Califórnia, no Oregon e no Arizona, em um projeto de US$ 30,6 milhões.
O governo americano afirma que a ampliação da produção doméstica também busca reduzir a concentração do mercado de fertilizantes. De acordo com o comunicado do USDA, quatro empresas controlam aproximadamente 77% da capacidade de produção de fertilizantes nitrogenados da América do Norte. No segmento de fosfatados, duas companhias concentram mais de 90% da capacidade, enquanto outras duas respondem por cerca de 90% da produção regional de potassa.
A administração Trump afirma que os novos investimentos devem ampliar a capacidade de fabricação e a concorrência entre fornecedores, além de reduzir a exposição dos agricultores americanos às importações.
