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Soja fecha em alta em Chicago após avanço das exportações americanas

22 October 2026 at 20:21

O contrato futuro da soja para entrega em novembro fechou a sessão com valorização de 0,62% na Bolsa de Chicago, negociado a US$ 12,53 por bushel. O avanço foi impulsionado pelo forte crescimento das vendas externas dos Estados Unidos, com destaque para a demanda chinesa.

O USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) informou vendas de 2,84 milhões de toneladas de soja na semana, ante 574,9 mil toneladas no levantamento anterior. A China respondeu por aproximadamente 77% do volume, sinalizando uma retomada das compras do principal importador mundial da oleaginosa.

O órgão também confirmou uma nova venda de 202 mil toneladas de soja americana para a China, referente a uma negociação realizada fora do período abrangido pelo relatório semanal.

A consultoria Royal Rural destacou que a valorização ocorre após três sessões consecutivas de queda dos preços em Chicago. Apesar do suporte da demanda externa, o avanço da colheita nos Estados Unidos continua limitando a recuperação. Até o momento do levantamento, 64% da área cultivada havia sido colhida, aumentando a disponibilidade de grãos no mercado.

Ainda de acordo com a Royal Rural, as compras chinesas ajudam a compensar a pressão da oferta americana. A continuidade do ritmo de vendas nas próximas semanas, porém, será determinante para avaliar a sustentação dos preços e a possibilidade de uma recuperação mais consistente na bolsa.

Milho

Mesmo com o aumento das vendas externas americanas, os preços do milho encerraram a sessão em queda na Bolsa de Chicago. O contrato futuro para entrega em dezembro recuou 0,59%, cotado a US$ 4,60 por bushel.

De acordo com a Granar, a perspectiva de ampla oferta nos Estados Unidos continuou limitando os preços. O USDA estima a produção do país em 407,28 milhões de toneladas, o que representaria a segunda maior safra da história americana.

Os números de exportação, por outro lado, superaram as expectativas do mercado. Entre 9 e 15 de outubro, as vendas de milho americano da safra 2026/27 totalizaram 1,527 milhão de toneladas, ante 1,122 milhão de toneladas na semana anterior. O resultado também ficou acima do intervalo projetado pelos comerciantes, de 800 mil a 1,5 milhão de toneladas.

Segundo o USDA, as vendas líquidas cresceram 36% em relação à semana anterior e 87% na comparação com a média das últimas quatro semanas. O México liderou as compras no período, com 477,7 mil toneladas.

Apesar da melhora no desempenho semanal, o acumulado da temporada permanece inferior ao do ano passado. Até 15 de outubro, os Estados Unidos haviam comercializado 22,19 milhões de toneladas de milho, volume 33,88% menor que as 33,56 milhões de toneladas registradas no mesmo intervalo de 2025.

Trigo

A perspectiva de uma safra robusta na Argentina aumentou a pressão sobre o mercado internacional de trigo. Em Chicago, o contrato futuro para entrega em dezembro encerrou a sessão com desvalorização de 0,56%, cotado a US$ 6,24 por bushel.

Segundo a Granar, os fundos de investimento ampliaram as vendas diante dos esforços diplomáticos para encerrar o conflito entre Rússia e Ucrânia. Apesar das negociações, o comércio agrícola na região permanece restrito, e os confrontos recentes reforçam as incertezas sobre a normalização dos fluxos de grãos no Mar Negro.

A oferta do Hemisfério Sul também está no radar dos investidores, com a proximidade da colheita e as perspectivas favoráveis para a produção argentina. Em sua primeira estimativa oficial para a temporada 2026/27, a BCR (Bolsa de Comércio de Rosário) projetou uma safra de 23,8 milhões de toneladas, acima dos 21 milhões de toneladas previstos preliminarmente em setembro.

Se confirmada, a produção será a segunda maior da série histórica, atrás apenas do recorde de 28,5 milhões de toneladas registrado na safra 2025/26. A estimativa considera uma área plantada de 6,95 milhões de hectares e produtividade média de 35,3 quintais por hectare, abaixo dos 7,1 milhões de hectares e dos 42 quintais por hectare registrados na temporada anterior.

A projeção da Bolsa de Comercio de Rosario também supera a estimativa do USDA, que calcula a produção argentina de trigo em 21,5 milhões de toneladas em 2026/27.

73% das exportações do Brasil para UE estão concentradas em 5 destinos

 

B16 pode elevar demanda de biodiesel a 11 bilhões de litros em 2027

22 October 2026 at 15:09

A demanda por biodiesel no Brasil pode alcançar 11 bilhões de litros em 2027, caso o governo avance com o aumento da mistura obrigatória ao diesel fóssil de B15 para B16 a partir de março.

Nesse cenário, o consumo do biocombustível teria crescimento de até 7% em relação a 2026, segundo estimativas da StoneX.

A perspectiva, no entanto, depende de decisões regulatórias. Os testes para avaliar a viabilidade de elevar a mistura até B20 devem ser concluídos em fevereiro de 2027. Apesar da capacidade da indústria de atender a um aumento do mandato, ainda não há sinalização clara do governo sobre a adoção do B16.

Caso a mistura obrigatória permaneça em 15%, as vendas de biodiesel devem crescer 1,2% em 2027, chegando a 10,43 bilhões de litros.

De acordo com a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), a capacidade de produção de biodiesel deve passar de 51,8 bilhões de litros por dia no fim de 2026 para 55,92 bilhões de litros diários em 2027, alta de 7,9%.

Mesmo com o crescimento esperado das vendas, a capacidade ociosa média do setor pode chegar a 40%.

Óleo de soja ganha espaço

A evolução da mistura obrigatória também terá impacto direto sobre a demanda por matérias-primas, especialmente o óleo de soja, principal insumo da produção nacional de biodiesel.

Se o B15 for mantido, a demanda por óleo de soja deve somar 8,27 milhões de toneladas em 2027. Com a adoção do B16 a partir de março, o volume pode se aproximar de 8,75 milhões de toneladas, e a participação do produto entre as matérias-primas utilizadas na fabricação do biocombustível chegaria a 85,3%.

Dados da ANP citados no levantamento indicam que o óleo de soja respondeu por cerca de 85% da produção de biodiesel, com crescimento de 8,2% em relação a 2025. A competitividade do insumo e a capacidade da indústria de esmagamento de atender ao aumento da demanda favorecem a manutenção dessa participação elevada.

Outras matérias-primas também devem registrar crescimento de volume, mas, segundo a análise, não apresentam a mesma competitividade do óleo de soja.

Vendas de biodiesel crescem em 2026

Para 2026, a StoneX revisou ligeiramente para baixo a estimativa de demanda por biodiesel, de crescimento de 5,7% para 5,6%, mantendo a projeção em 10,3 bilhões de litros.

Entre janeiro e agosto, as vendas totalizaram 6,77 bilhões de litros, alta de 7,2% na comparação anual. O resultado foi impulsionado pelo crescimento da demanda por diesel B e, principalmente, pela mudança da mistura obrigatória de B14 para B15 ao longo do período de comparação.

Em agosto, porém, as vendas ficaram 0,2% abaixo do registrado no mesmo mês de 2025, quando o mandato de B15 já estava em vigor. A expectativa é que essa queda seja pontual, com a retomada do crescimento da demanda por diesel B nos meses seguintes. O pico de vendas de biodiesel é estimado em 955 milhões de litros em outubro.

Os preços também apresentam recuperação. Desde julho, o biodiesel no mercado interno acumulou alta estimada de 7,3%, enquanto o óleo de soja subiu 10% no mesmo intervalo, considerando a referência do interior de Mato Grosso. O encarecimento da matéria-prima e a sazonalidade das vendas podem contribuir para a valorização do biocombustível.

 

Esmagamento de soja cresce em 2027, mas exportações devem cair

22 October 2026 at 14:00

O esmagamento de soja deve alcançar 66 milhões de toneladas em 2027 no Brasil, segundo as primeiras projeções divulgadas pela Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais). O volume reflete a expectativa de crescimento da demanda por derivados do grão, como farelo e óleo de soja.

Para 2026, a entidade revisou seus dados com previsão de processamento em 63,6 milhões de toneladas, alta de 0,2% em relação à estimativa anterior. A produção de farelo deve chegar a 48,95 milhões de toneladas, enquanto a de óleo de soja está prevista em 12,8 milhões de toneladas.

O avanço do processamento está associado à demanda doméstica por farelo, utilizado principalmente na alimentação animal, e por óleo, empregado na produção de alimentos e biocombustíveis.

“O forte ritmo de esmagamento reflete a resposta ágil da nossa indústria à crescente demanda nacional por farelo, essencial para a produção de alimentos, e por óleo, fundamental para a fabricação de biocombustíveis e para as exportações”, afirma Daniel Furlan Amaral, diretor de Economia e Assuntos Regulatórios da Abiove.

Segundo o executivo, o desempenho do setor também prepara a indústria para atender à expectativa de aumento da mistura obrigatória de biodiesel para B16, prevista para março de 2027.

Exportações de soja devem recuar em 2027

No comércio exterior, a Abiove estima que as exportações brasileiras de soja em grão alcancem 113,9 milhões de toneladas em 2027, queda de 1% em relação à projeção anterior.

Os embarques de farelo devem somar 25,3 milhões de toneladas. Para o óleo de soja, a previsão é de 1,95 milhão de toneladas exportadas, aumento de 8,3% na comparação com a estimativa prévia.

Os números indicam perspectivas distintas para os produtos do complexo soja. Enquanto os embarques do grão foram revisados para baixo, as exportações de óleo ganharam força na nova projeção.

Para 2027, as primeiras estimativas apontam para a continuidade da expansão industrial. Além do esmagamento de 66 milhões de toneladas, a produção de farelo de soja deve atingir 50,8 milhões de toneladas, com exportações estimadas em 26,3 milhões de toneladas.

A fabricação de óleo de soja está projetada em 13,27 milhões de toneladas. As exportações devem somar 1,9 milhão de toneladas, enquanto as importações são estimadas em 100 mil toneladas.

Para a soja em grão, a previsão é de exportações de 113 milhões de toneladas e importações de 900 mil toneladas, destinadas a complementar o abastecimento da cadeia produtiva.

O conjunto das estimativas aponta para maior processamento interno da oleaginosa, com ampliação da oferta de derivados para o mercado doméstico e para as exportações.

Processamento cresce 8,4% no acumulado de 2026

Os dados mais recentes da Abiove mostram que a indústria processou 5,03 milhões de toneladas de soja em agosto de 2026. O volume representa uma queda de 1,8% em relação a julho, mas um crescimento de 9% na comparação com agosto do ano passado, considerando o ajuste pelo percentual amostral.

No acumulado de janeiro a agosto, o processamento alcançou 38,67 milhões de toneladas, alta de 8,4% em relação ao mesmo período de 2025.

O desempenho reforça o ritmo de atividade da indústria brasileira de soja e sustenta as perspectivas de crescimento do esmagamento nos próximos ciclos, em um cenário de demanda por derivados voltada à alimentação animal, ao consumo humano e à produção de biocombustíveis.

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