Intuitivo levanta 1,35 milhões e quer ajudar (também) docentes do Brasil na avaliação
Depois de ter sido uma das startups investidas pelo fundo Angels Way, a Intuitivo acaba de fechar uma ronda seed de 1,35 milhões de euros. Já com mais de 200 contratos com autarquias e escolas, a edutech, que em 2024 ganhou o melhor pitch da Web Summit, aponta agora o Brasil. Quer ajudar os docentes no processo de avaliação e já pensa em outros mercados europeus e na América Latina.
“O Brasil é o primeiro mercado internacional da Intuitivo. A língua é a mesma, o que nos permite levar a plataforma com poucas adaptações, e o problema é igual ou maior: os professores brasileiros também gastam muito tempo a criar, corrigir e dar feedback a avaliações. Além disso, já tínhamos professores brasileiros a chegar à plataforma de forma orgânica, sem qualquer investimento nosso, o que mostra que há procura real”, justifica João Guimarães, CEO da Intuitivo, ao ECO.
“A entrada vai ser gradual. Já temos uma pessoa da equipa no Brasil e estamos a trabalhar com parceiros locais de conteúdos e de distribuição para chegar mais depressa a professores e escolas”, acrescenta quando questionado sobre os planos para este mercado.
“Tal como em Portugal, o crescimento vai assentar na versão gratuita para professores e na recomendação entre colegas, complementado com a venda a escolas. Portugal continua a ser a nossa base e prioridade. O Brasil é o primeiro passo de uma expansão que poderá depois chegar a outros mercados da América Latina e da Europa”, aponta.
O Brasil é o primeiro mercado internacional da Intuitivo. A língua é a mesma, o que nos permite levar a plataforma com poucas adaptações, e o problema é igual ou maior: os professores brasileiros também gastam muito tempo a criar, corrigir e dar feedback a avaliações. Além disso, já tínhamos professores brasileiros a chegar à plataforma de forma orgânica, sem qualquer investimento nosso, o que mostra que há procura real.
Desenvolvida para apoiar os professores no processo de avaliação — segundo dados da OCDE, citados pela startup, apenas 43% do tempo dos professores é ocupado com o ensino, com o restante a ser despendido na preparação de avaliação, correção e tarefas administrativas. O processo de avaliação (criar avaliações, aplicá-las, corrigir e dar feedback aos alunos) é dos que mais tempo consome e, nesse item em particular, Portugal é líder entre os 44 países analisados —, esta plataforma digital já fechou mais de 200 contratos com autarquias, agrupamentos e colégios, abrangendo um total de mais de 500 escolas, e conta agora 75 mil registos de professores.
Apoiada em Inteligência Artificial, a Intuitivo gera rascunhos de testes a partir de um pedido (tema, ano e nível de dificuldade) e transforma testes antigos em PDF em versões digitais e interativas, prontas a corrigir automaticamente. Tem um banco de “milhares de exercícios” partilhados por outros docentes, pesquisáveis por ano, disciplina e tema, que podem ser copiados e editados, permitindo ainda criar grupos de professores para cocriar, partilhar e rever testes em equipa, descreve a startup.
Hoje somos 18 pessoas, uma das quais já no Brasil. Antes da ronda éramos cerca de 11. O objetivo é passar das 20 pessoas nos próximos meses, reforçando produto e engenharia e as equipas que trabalham diretamente com professores e escolas.
Os alunos acedem às provas através de um link e o professor acompanha a realização do teste em tempo real, havendo mecanismos para prevenir fraudes. Plataforma tem capacidade para mais de 80 mil alunos em simultâneo. “A correção dos exercícios de resposta fechada é instantânea, a das respostas abertas contará com apoio de IA já no ano letivo 2026/27”, refere ainda. No final, os resultados e comentários personalizados chegam aos alunos por e-mail, PDF ou Excel.
“Só no ano letivo 2025/26, os alunos portugueses realizaram cerca de um milhão de avaliações na plataforma. E isso representou uma poupança estimada de 165 mil horas de trabalho docente”, pode ler-se em comunicado.

Agora querem levar esta plataforma para o Brasil, onde estimam um mercado potencial de 2,2 milhões de professores, cerca de 12 vezes o universo português.
A ronda — liderada pela Caixa Capital e pelo Impact Innovation Fund, gerido pela 3xP Global, no âmbito do Programa de Venture Capital do Fundo de Capitalização e Resiliência (FdCR), gerido pelo Banco Português de Fomento, como participação da Techstars, da COREangels Lisboa e da COREangels Porto — eleva para cerca de 1,5 milhões de euros o capital até aqui levantado pela empresa que quer ainda reforçar a sua equipa.
“Hoje somos 18 pessoas, uma das quais já no Brasil. Antes da ronda éramos cerca de 11. O objetivo é passar das 20 pessoas nos próximos meses, reforçando produto e engenharia e as equipas que trabalham diretamente com professores e escolas”, adianta João Guimarães ao ECO. “No Brasil, a ideia é iniciar com uma equipa local de duas pessoas e crescer a equipa à medida que o mercado vai sendo validado.”