O Governo norte-americano propôs novas restrições ao investimento de empresas dos Estados Unidos em setores tecnológicos sensíveis na China, incluindo inteligência artificial, armamento hipersónico e biotecnologia.
O departamento do Tesouro norte-americano divulgou na quinta-feira um conjunto de propostas regulamentares para aplicar a Lei de Segurança Nacional sobre Investimentos no Exterior, aprovada pelo parlamento em 2025.
A legislação pretende reforçar o controlo dos investimentos norte-americanos na China e noutros países considerados adversários, incluindo a Rússia e o Irão, com o objetivo de proteger a segurança nacional dos Estados Unidos.
As novas regras abrangem investimentos em semicondutores avançados, inteligência artificial e tecnologias de utilização militar, bem como determinados compostos e materiais biotecnológicos e interfaces cérebro – computador.
As propostas serão sujeitas a consulta pública antes da aprovação definitiva e constituem mais uma tentativa de Washington de limitar o acesso da China a tecnologias com aplicações civis e militares. “As regras propostas reforçariam o atual programa de segurança dos investimentos no exterior, para impedir que os nossos adversários utilizem investimentos norte-americanos no desenvolvimento de tecnologias críticas que ameaçam a segurança nacional dos Estados Unidos”, afirmou o secretário do Tesouro, Scott Bessent. O responsável acrescentou que as medidas pretendem também promover um “ambiente de investimento aberto”, ao proporcionar maior clareza aos investidores norte-americanos e estrangeiros.
A iniciativa surge um mês depois de o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter recebido em Washington o homólogo chinês, Xi Jinping, numa cimeira em que ambos acordaram prolongar por dois meses, até janeiro, a trégua na guerra comercial entre as duas maiores economias mundiais.
Segundo Craig Singleton, investigador da Fundação para a Defesa das Democracias, um centro de estudos norte-americano, as restrições à biotecnologia constituem o elemento mais significativo das novas propostas. “A biotecnologia é importante tanto para Wall Street como para a população em geral”, afirmou, citado pelo jornal britânico Financial Times.
“Determina o futuro dos medicamentos e das terapias, mas algumas das mesmas tecnologias também podem reforçar as capacidades militares da China ou aprofundar a dependência dos Estados Unidos das cadeias de abastecimento chinesas”, acrescentou. Segundo Singleton, o Tesouro está a alertar os investidores para as consequências dos fluxos de capital destinados a determinados segmentos da indústria biotecnológica chinesa.
O projeto regulamentar considera que algumas biotecnologias avançadas ou sensíveis representam um “risco elevado” de proliferação de armas biológicas e de desenvolvimento de interfaces cérebro — computador.
As autoridades norte-americanas manifestaram também preocupações com tecnologias que possam ser utilizadas em operações militares, atividades de informações e vigilância em massa. Entre as atividades abrangidas pelas restrições propostas encontram-se determinados tratamentos que modificam células ou genes dos pacientes, bem como imunoterapias.
As medidas deverão desencadear uma disputa entre a administração Trump e a indústria biotecnológica norte-americana, que tem recorrido cada vez mais à China nas fases iniciais do desenvolvimento de novos medicamentos.
A Biotechnology Innovation Organization, principal associação representativa do setor nos Estados Unidos, manifestou reservas quanto ao alcance das propostas. “Precisamos de garantir que não adotamos uma abordagem excessivamente abrangente, que crie incerteza para os inovadores e investidores e que possa, involuntariamente, enfraquecer a competitividade da biotecnologia norte-americana”, afirmou a organização.
No entanto, as regras propostas excluem determinados acordos comerciais já utilizados pelas grandes farmacêuticas norte-americanas na China. Empresas como a Eli Lilly, Pfizer e Bristol Myers Squibb investiram milhares de milhões de euros em acordos de licenciamento de medicamentos desenvolvidos por empresas chinesas.
Segundo Will Humphrey, vice-presidente da consultora Capstone, estes contratos não serão abrangidos pelas novas restrições quando os pagamentos forem efetuados em dinheiro, sem aquisição de participações no capital das empresas chinesas.
Vários sites governamentais na Europa e noutras regiões do mundo ficaram temporariamente fora de serviço esta quarta-feira, depois de terem sido divulgados duas vulnerabilidades críticas na linguagem de programação PHP. A divulgação levou operadores de serviços digitais a adotar medidas urgentes para proteger os seus sistemas. As vulnerabilidades foram identificadas com a ajuda de ferramentas de inteligência artificial (IA), incluindo modelos desenvolvidos pela OpenAI e pela Google. A gravidade das falhas e a utilização generalizada do PHP levantaram preocupações quanto ao número de servidores potencialmente expostos a ataques informáticos. A Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA) alertou para os
Empresas que utilizam o Windows Server 2016 têm um prazo crucial para atualizar suas estruturas tecnológicas. Em 12 de janeiro de 2027, a Microsoft encerrará o suporte oficial ao sistema operacional. A partir desta data, a plataforma deixará de receber correções de segurança e assistência técnica, elevando os riscos de vazamento de informações, paralisações operacionais e prejuízos financeiros — um cenário que afeta desde grandes corporações até pequenas e médias empresas.
Embora o sistema continue operacional após a data-limite, a ausência de atualizações contínuas expõe os servidores a invasões automatizadas e a ataques de ransomware, nos quais criminosos criptografam dados e exigem resgate. A vulnerabilidade do ambiente também atrai a atenção para o cumprimento da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), já que manter infraestruturas desprotegidas pode evidenciar falhas na segurança de dados pessoais.
Segundo Wagner Medeiros Melo, cientista da computação e diretor de Tecnologia e Inovação da Surfix Cloud & Data Center, o impacto é direto na continuidade do negócio. “O servidor não deixa de funcionar no dia 12 de janeiro, mas passa a operar sem a proteção das atualizações regulares da Microsoft. Isso significa que novas vulnerabilidades poderão permanecer sem correção, ampliando as possibilidades de ataques. Muitas empresas concentram nesses servidores informações financeiras, dados de clientes, sistemas de gestão e documentos estratégicos. Uma falha pode comprometer toda a operação”, explica.
Além do risco de brechas no sistema principal, os criminosos costumam visar as cópias de segurança. Para conter essa ameaça, a adoção de estratégias como o backup imutável — que impede a alteração ou exclusão dos dados por um período determinado — surge como medida indispensável. “Hoje, não basta apenas fazer backup. É necessário garantir que as cópias estejam protegidas contra alterações e exclusões indevidas. O backup imutável permite preservar os dados durante um período determinado, mesmo diante de tentativas de comprometimento das credenciais administrativas. Essa proteção, associada ao monitoramento contínuo de vulnerabilidades, é fundamental para reduzir os impactos de um ataque”, destaca Wagner.
Para mitigar os riscos, os especialistas recomendam que o primeiro passo seja a realização de um inventário tecnológico para mapear sistemas legados e máquinas esquecidas em ampliações passadas. A partir daí, as empresas podem avaliar alternativas de modernização, que variam entre a atualização dos servidores locais, a adoção de ambientes híbridos e a migração para a nuvem.
Wagner ressalta que o momento exige visão estratégica. “Muitas empresas acabam investindo continuamente na manutenção de equipamentos antigos, que já apresentam limitações de desempenho e segurança. A migração para a nuvem pode ser uma alternativa para reduzir a dependência dessa estrutura, mas a decisão precisa considerar os sistemas utilizados, os custos e as necessidades de cada negócio. O importante é aproveitar esse momento para modernizar a operação com planejamento".
A orientação é iniciar o diagnóstico imediatamente, testar a compatibilidade de softwares e realizar a transição de maneira gradual para evitar interrupções nos serviços. “Uma migração bem planejada começa pelo diagnóstico. É preciso conhecer as dependências entre os sistemas, testar a compatibilidade das aplicações e estabelecer um plano de retorno caso alguma etapa apresente problemas. O ideal é realizar a transição de forma gradual, começando pelos serviços menos críticos, para reduzir os riscos de paralisação”, orienta o executivo.
Para quem não concluir a transição a tempo, a Microsoft oferece Atualizações de Segurança Estendidas (ESU) sob contratação específica, mas a alternativa é temporária. “O maior erro é esperar o sistema apresentar uma falha ou sofrer um ataque para tomar uma decisão. A empresa precisa avaliar quanto tempo consegue permanecer sem acesso aos próprios dados e quanto isso representa em prejuízo financeiro. Investir preventivamente em segurança e atualização tecnológica é também uma forma de proteger a continuidade do negócio”, diz Wagner Medeiros Melo.