Mudança da hora continua em Portugal apesar de a UE ter aprovado o seu fim: saiba porquê
Os portugueses vão ter mais uma hora de sono este fim de semana, mas há uma questão que continua sem resposta: porque é que ainda mudamos os relógios duas vezes por ano? A União Europeia chegou a avançar com uma proposta para acabar com esta prática, mas sete anos depois a decisão continua por concretizar.
A mudança acontece na madrugada de sábado para domingo, 25 de outubro de 2026, quando Portugal regressa à hora de inverno. No continente e na Madeira, os relógios devem ser atrasados das 2h00 para a 1h00, enquanto nos Açores passam da 1h00 para a meia-noite.
De acordo com a Euronews, a manutenção desta prática deve-se sobretudo à falta de entendimento entre os Estados-membros da União Europeia.
União Europeia aprovou o fim da mudança da hora em 2019
Em março de 2019, o Parlamento Europeu aprovou, com 410 votos a favor e 192 contra, uma proposta destinada a acabar com a mudança semestral da hora.
O objetivo era permitir que cada Estado-membro escolhesse manter permanentemente a hora de verão ou a hora de inverno, deixando de ser necessário adiantar e atrasar os relógios todos os anos.
Inicialmente, estava previsto que a medida entrasse em vigor em 2021. Contudo, a proposta precisava também da aprovação do Conselho da União Europeia, onde estão representados os governos dos Estados-membros.
Esse entendimento nunca foi alcançado. Segundo a Euronews, a pandemia de Covid-19 e, posteriormente, a guerra na Ucrânia contribuíram para que o assunto perdesse prioridade na agenda europeia.
Porque é que os países ainda não chegaram a acordo?
A principal dificuldade está na escolha do horário que deverá vigorar permanentemente. Enquanto alguns países poderão preferir manter a hora de verão, outros consideram mais adequada a hora de inverno.
Esta diferença de posições levanta preocupações relacionadas com os transportes, as comunicações, o comércio e o funcionamento do mercado interno europeu.
Caso países vizinhos adotassem horários permanentes diferentes sem coordenação, poderiam surgir dificuldades na organização de atividades económicas e nas deslocações internacionais.
Por esse motivo, o Conselho da União Europeia continua sem aprovar a proposta, o que significa que a mudança da hora permanece em vigor e não existe uma data definida para o seu fim.
Maioria dos europeus queria acabar com esta prática
A oposição à mudança da hora não é recente. Em 2018, uma consulta pública promovida pela Comissão Europeia revelou que 84% dos participantes eram favoráveis ao fim da alteração semestral dos relógios.
Na Alemanha, por exemplo, os inquéritos realizados pelo instituto Forsa têm mostrado, ao longo dos últimos anos, que mais de sete em cada dez cidadãos consideram desnecessária esta prática.
Contudo, segundo a Euronews, sondagens mais recentes indicam que a oposição à mudança da hora tem vindo a diminuir entre os alemães mais jovens.
Porque começou a mudar-se a hora na Europa?
A alteração sazonal dos relógios ganhou importância na Europa durante a década de 1970, sobretudo na sequência da crise petrolífera.
Em 1976, França introduziu a hora de verão como forma de tentar reduzir o consumo energético, aproveitando melhor a luz natural durante os meses mais quentes.
Outros países europeus seguiram o mesmo caminho e, posteriormente, a União Europeia harmonizou as datas das mudanças para evitar diferenças que prejudicassem o funcionamento do mercado interno.
Atualmente, porém, os benefícios energéticos desta prática são considerados limitados e continuam a ser discutidos.
Quando volta a mudar a hora em Portugal?
A próxima mudança acontece já este domingo, 25 de outubro, quando os relógios recuam uma hora e os dias passam a escurecer mais cedo.
A alteração seguinte está prevista para 28 de março de 2027, último domingo desse mês, quando Portugal regressará à hora de verão.
Até que os Estados-membros cheguem a um entendimento e a legislação europeia seja alterada, os portugueses terão de continuar a acertar os relógios duas vezes por ano.
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