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Produtores rurais podem receber até R$ 36 mil por serviços ambientais

O governo de São Paulo lançou a segunda edição do PSA Araucária (Programa de Pagamento por Serviços Ambientais da Araucária), com orçamento superior a R$ 835 mil para remunerar produtores rurais que adotem medidas de conservação e recuperação da espécie, ameaçada de extinção.

Coordenada pela Fundação Florestal, vinculada à Semil (Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística), a iniciativa prevê pagamentos de até R$ 36 mil por participante ao longo do contrato. Desse total, até R$ 30 mil são destinados a ações obrigatórias de conservação e restauração, enquanto outros R$ 6 mil podem ser recebidos por atividades complementares.

O programa é voltado a agricultores familiares e pequenos produtores rurais. Nesta edição, a área de atuação foi ampliada para municípios paulistas com áreas de ocorrência da araucária e unidades de conservação.

Podem participar produtores com imóveis localizados em Campos do Jordão, Santo Antônio do Pinhal, São Bento do Sapucaí, São Luiz do Paraitinga, Bom Sucesso de Itararé e Itararé, desde que atendam aos critérios territoriais e de elegibilidade previstos no edital.

“Ao expandirmos o programa para novos municípios e Unidades de Conservação, demonstramos que é plenamente possível aliar a conservação rigorosa de uma espécie ameaçada de extinção ao fortalecimento econômico dos agricultores familiares e produtores rurais”, afirma Victoria Karvelis, diretora da Fundação Florestal.

Os recursos serão destinados a ações como conservação de árvores já existentes, plantio de mudas, restauração de APPs (Áreas de Preservação Permanente) e implantação de pomares de araucária.

Os participantes também deverão registrar oficialmente os plantios, informar a coleta de pinhão e participar de capacitações anuais promovidas pela Fundação Florestal.

Na modalidade complementar, os produtores poderão receber até R$ 6 mil adicionais pela adoção de práticas como implantação de sistemas de saneamento rural, boas práticas agropecuárias, plantio de outras espécies nativas da Mata Atlântica, mutirões ambientais e atividades de educação ambiental.

A seleção levará em conta critérios de priorização, entre eles a inscrição no Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF), o tamanho da propriedade, a participação de mulheres e jovens de 18 a 29 anos na liderança das atividades e o histórico de comunicação da coleta de pinhão.

Os interessados podem se inscrever até 30 de novembro de 2026. A documentação exigida inclui documento de identidade, CAR (Cadastro Ambiental Rural), comprovante de posse ou propriedade e formulário de manifestação de interesse.

O envio pode ser feito pelo e-mail proaraucaria@fflorestal.sp.gov.br ou presencialmente, mediante agendamento, na sede da Coordenação do Programa de Conservação da Araucária, no bairro Alto de Pinheiros, na capital paulista.

A divulgação do resultado preliminar está prevista para 14 de dezembro de 2026. A assinatura dos contratos deverá ocorrer até 28 de fevereiro de 2027, e os planos de ação individuais deverão ser elaborados até março do mesmo ano.

O edital completo e os formulários estão disponíveis no Diário Oficial do Estado de São Paulo.

Projeto-piloto alcançou 50 famílias

A segunda edição dá continuidade à experiência iniciada em Cunha, na zona de amortecimento do Parque Estadual da Serra do Mar. Na fase-piloto, o programa envolveu 50 famílias e duas organizações da sociedade civil.

Entre os resultados previstos estavam a conservação e o plantio de mais de 5 mil araucárias, o plantio de 2 mil mudas de outras espécies nativas, a instalação de 20 sistemas de saneamento e a adoção de boas práticas agrícolas.

Cunha tem papel relevante na cadeia produtiva do pinhão em São Paulo. Segundo os dados divulgados pela Fundação Florestal, o município concentra mais de 95% da coleta estadual e quase metade do volume comercializado na Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp). Entre 2023 e 2025, a produção local superou 1,1 mil toneladas.

Espécie enfrenta risco de extinção

A araucária, também conhecida como pinheiro-brasileiro, teve suas populações reduzidas historicamente pela exploração madeireira e pela expansão agropecuária. A Floresta Ombrófila Mista, formação vegetal da Mata Atlântica associada à espécie, conserva apenas uma pequena parcela de sua área original, segundo estimativas citadas no material do programa.

A espécie é classificada como criticamente ameaçada pela IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza) e como espécie em perigo nas listas oficiais brasileira e paulista.

O pagamento por serviços ambientais busca criar um incentivo econômico para que produtores rurais mantenham árvores, recuperem áreas degradadas e adotem práticas sustentáveis, conciliando a atividade agropecuária com a conservação da biodiversidade.

 

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Soja fecha em alta em Chicago após avanço das exportações americanas

O contrato futuro da soja para entrega em novembro fechou a sessão com valorização de 0,62% na Bolsa de Chicago, negociado a US$ 12,53 por bushel. O avanço foi impulsionado pelo forte crescimento das vendas externas dos Estados Unidos, com destaque para a demanda chinesa.

O USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) informou vendas de 2,84 milhões de toneladas de soja na semana, ante 574,9 mil toneladas no levantamento anterior. A China respondeu por aproximadamente 77% do volume, sinalizando uma retomada das compras do principal importador mundial da oleaginosa.

O órgão também confirmou uma nova venda de 202 mil toneladas de soja americana para a China, referente a uma negociação realizada fora do período abrangido pelo relatório semanal.

A consultoria Royal Rural destacou que a valorização ocorre após três sessões consecutivas de queda dos preços em Chicago. Apesar do suporte da demanda externa, o avanço da colheita nos Estados Unidos continua limitando a recuperação. Até o momento do levantamento, 64% da área cultivada havia sido colhida, aumentando a disponibilidade de grãos no mercado.

Ainda de acordo com a Royal Rural, as compras chinesas ajudam a compensar a pressão da oferta americana. A continuidade do ritmo de vendas nas próximas semanas, porém, será determinante para avaliar a sustentação dos preços e a possibilidade de uma recuperação mais consistente na bolsa.

Milho

Mesmo com o aumento das vendas externas americanas, os preços do milho encerraram a sessão em queda na Bolsa de Chicago. O contrato futuro para entrega em dezembro recuou 0,59%, cotado a US$ 4,60 por bushel.

De acordo com a Granar, a perspectiva de ampla oferta nos Estados Unidos continuou limitando os preços. O USDA estima a produção do país em 407,28 milhões de toneladas, o que representaria a segunda maior safra da história americana.

Os números de exportação, por outro lado, superaram as expectativas do mercado. Entre 9 e 15 de outubro, as vendas de milho americano da safra 2026/27 totalizaram 1,527 milhão de toneladas, ante 1,122 milhão de toneladas na semana anterior. O resultado também ficou acima do intervalo projetado pelos comerciantes, de 800 mil a 1,5 milhão de toneladas.

Segundo o USDA, as vendas líquidas cresceram 36% em relação à semana anterior e 87% na comparação com a média das últimas quatro semanas. O México liderou as compras no período, com 477,7 mil toneladas.

Apesar da melhora no desempenho semanal, o acumulado da temporada permanece inferior ao do ano passado. Até 15 de outubro, os Estados Unidos haviam comercializado 22,19 milhões de toneladas de milho, volume 33,88% menor que as 33,56 milhões de toneladas registradas no mesmo intervalo de 2025.

Trigo

A perspectiva de uma safra robusta na Argentina aumentou a pressão sobre o mercado internacional de trigo. Em Chicago, o contrato futuro para entrega em dezembro encerrou a sessão com desvalorização de 0,56%, cotado a US$ 6,24 por bushel.

Segundo a Granar, os fundos de investimento ampliaram as vendas diante dos esforços diplomáticos para encerrar o conflito entre Rússia e Ucrânia. Apesar das negociações, o comércio agrícola na região permanece restrito, e os confrontos recentes reforçam as incertezas sobre a normalização dos fluxos de grãos no Mar Negro.

A oferta do Hemisfério Sul também está no radar dos investidores, com a proximidade da colheita e as perspectivas favoráveis para a produção argentina. Em sua primeira estimativa oficial para a temporada 2026/27, a BCR (Bolsa de Comércio de Rosário) projetou uma safra de 23,8 milhões de toneladas, acima dos 21 milhões de toneladas previstos preliminarmente em setembro.

Se confirmada, a produção será a segunda maior da série histórica, atrás apenas do recorde de 28,5 milhões de toneladas registrado na safra 2025/26. A estimativa considera uma área plantada de 6,95 milhões de hectares e produtividade média de 35,3 quintais por hectare, abaixo dos 7,1 milhões de hectares e dos 42 quintais por hectare registrados na temporada anterior.

A projeção da Bolsa de Comercio de Rosario também supera a estimativa do USDA, que calcula a produção argentina de trigo em 21,5 milhões de toneladas em 2026/27.

73% das exportações do Brasil para UE estão concentradas em 5 destinos

 

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Preço do cacau recua para mínima de duas semanas na bolsa de Nova York

As cotações futuras do cacau recuaram para a mínima de duas semanas na sessão desta quinta-feira (22) na Bolsa de Nova York. O vencimento para dezembro finalizou o dia com queda de 4,47%, cotado em US$ 5.582 por tonelada.

De acordo com as informações do Barchart, os preços do cacau estão em forte queda hoje devido ao aumento dos estoques de cacau nas bolsas internacionais e às vendas técnicas.

Os estoques de cacau têm aumentado constantemente desde o início do ano, atingindo um pico de 3.635.354 sacas na última sessão, o maior nível em 2,5 anos.

Ainda segundo o Barchart, os preços do cacau estão sendo sustentados pela redução das remessas na Costa do Marfim. Dados do governo marfinense mostraram que os produtores entregaram 78.212 toneladas de cacau aos portos nesta temporada de comercialização, uma queda de 41% em relação às 133.209 toneladas entregues no mesmo período do ano passado.

 

Açúcar

O contrato futuro do açúcar para entrega em março encerrou o pregão com queda de 1,56% na Bolsa de Nova York, cotado a 20,13 centavos de dólar por libra-peso. A commodity atingiu a menor cotação em duas semanas, pressionada pela liquidação de posições compradas por investidores após alcançar a máxima do contrato na quarta-feira passada.

Segundo a Barchart, o posicionamento dos fundos de investimento também contribuiu para o movimento de baixa. A concentração de posições compradas aumenta a pressão sobre as cotações em momentos de realização de lucros.

Na segunda-feira, o governo do indiano determinou que as distribuidoras estatais de combustíveis interrompam, a partir de 1º de novembro, as compras de etanol produzido a partir da cana-de-açúcar. A medida pode direcionar mais matéria-prima para a fabricação de açúcar, ampliando a oferta do produto no mercado.

No Brasil, a previsão de tempo quente e seco nesta semana no Centro-Sul, principal região produtora de açúcar, também contribui para o viés negativo. As condições climáticas podem acelerar a colheita da cana-de-açúcar e favorecer a retomada da moagem nas usinas, aumentando a disponibilidade de açúcar.

Café

Os estoques de café arábica registraram um ganho nesta semana e isso influenciou para o pregão encerrar em queda na Bolsa de Nova York. O vencimento para entrega em dezembro teve queda de 1,55% e encerrou o dia negociado em U$S 3,11 por libra-peso.

A análise do Barchart apontou que os estoques tiveram um ganho de 4.847 sacas na sessão anterior, o que totaliza em torno de 239.748 mil sacas.

“O aumento nos estoques na última sessão foi consistente com os relatos do início da semana de que quase 280 mil sacas de café arábica aguardavam classificação na bolsa internacional, o maior volume em mais de um mês”, informou.

Suco de Laranja

Na Bolsa de Nova York, o preço futuro do suco de laranja para janeiro finalizou o dia com desvalorização de 1,96% e precificado em US$ 1,42 por libra-peso.

Algodão

O contrato futuro do algodão para entrega em dezembro encerrou a sessão com queda, cotado a 80,79 centavos de dólar por libra-peso.

Na Bolsa Intercontinental, os preços da fibra recuaram nesta quarta-feira, interrompendo a sequência de três sessões de ganhos. O mercado acompanhou o comportamento do dólar americano e o interesse dos investidores, enquanto o avanço da colheita nos Estados Unidos contribuiu para manter a cautela entre os operadores.

As atenções também se voltaram para o próximo relatório de vendas para exportação do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos)  e para a reunião do Fed (Federal Reserve), prevista para a próxima semana. As incertezas em torno desses eventos limitaram a disposição dos agentes para assumir posições no mercado.

https://stories.cnnbrasil.com.br/?post_type=web-story&p=626307

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Emissões da agropecuária ficam estáveis em 2025, aponta Imaflora

As emissões brutas de gases de efeito estufa da agropecuária brasileira ficaram praticamente estáveis em 2025, pelo segundo ano consecutivo.

O setor emitiu 626,3 milhões de toneladas de CO₂ equivalente (MtCO₂e) em comparação com as 626,7 milhões de toneladas em 2024, uma queda de apenas 0,07%.

Os dados são do Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora).

O resultado foi influenciado por movimentos opostos entre as atividades do setor. Enquanto as emissões da pecuária recuaram 1,68%, para 494,1 MtCO₂e, as da agricultura avançaram 6,45%, chegando a 132,1 MtCO₂e.

Segundo o Imaflora, o aumento das emissões agrícolas está associado à expansão da produção e da área cultivada.

Já na pecuária, o recorde de abate de bovinos contribuiu para reduzir as emissões por meio da diminuição dos níveis de fermentação entérica, processo digestivo dos ruminantes que libera metano na atmosfera.

O gado de corte permaneceu como a principal fonte de emissões da agropecuária brasileira, com 410,7 MtCO₂e, o equivalente a 65,6% do total do setor.

A bovinocultura leiteira respondeu por outros 48,6 MtCO₂e. As emissões dessas duas atividades caíram 1,7% e 2,9%, respectivamente.

De acordo com Gabriel, Quintaca,coordenador de Ciência do Clima no Imaflora, parte da redução das emissões de gases de efeito estufa da atividade pecuária foi compensada pelo aumento das emissões da agricultura, decorrente da alta na produção agrícola.

Recorde de abate reduz emissões da pecuária

A fermentação entérica, que contabiliza principalmente o metano liberado pelos bovinos durante a digestão, foi o principal fator por trás da redução das emissões da pecuária. Em 2025, as emissões desse processo somaram 396,8 MtCO₂e, queda de 1,8% em relação aos 404,1 milhões registrados em 2024.

No período, o Brasil abateu 42,94 milhões de bovinos, alta de 8,2% em relação ao ano anterior. A produção de carcaças atingiu 11,1 milhões de toneladas, avanço de 7,2%.

Ao mesmo tempo, o rebanho nacional caiu para 234,2 milhões de animais, recuo de aproximadamente 1,7%. O rebanho leiteiro também diminuiu, com queda de 2,7% no número de vacas ordenhadas, para 14,7 milhões.

Apesar da redução do rebanho leiteiro, a produção de leite cresceu cerca de 2,7% e alcançou o recorde de 36,7 bilhões de litros, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Emissões em alta na agricultura

Na agricultura, o principal avanço ocorreu no subsetor de solos manejados, que reúne emissões relacionadas ao manejo dos solos agrícolas, ao uso de fertilizantes nitrogenados e calcário, aos dejetos animais e à decomposição de resíduos agrícolas.

As emissões associadas a esse conjunto de atividades chegaram a 188,6 MtCO₂e em 2025, alta de 3% sobre os 183,2 milhões de toneladas registrados no ano anterior. Foi o maior volume da série histórica para o subsetor.

O aumento ocorreu em um ano de forte expansão da produção agrícola brasileira.

A safra de grãos alcançou 345,4 milhões de toneladas, um crescimento de 18,2% em relação a 2024. A área cultivada aumentou 4,1 milhões de hectares, chegando a 101,3 milhões de hectares.

As emissões associadas ao uso de fertilizantes sintéticos nitrogenados somaram 33 milhões de toneladas de CO₂ equivalente, enquanto as relacionadas ao uso de calcário atingiram 29,2 MtCO₂e. Juntas, essas duas fontes responderam por 9,9% das emissões brutas da agropecuária.

Também houve aumento nas emissões do manejo de dejetos animais, que somaram 29,4 MtCO₂e, alta de 0,7%, e do cultivo de arroz irrigado, com 11,2 MtCO₂e, avanço de 13%.

Na direção contrária, as emissões decorrentes da queima de resíduos agrícolas da cana-de-açúcar caíram 30,3%, para cerca de 0,3 MtCO₂e, a maior redução percentual entre os subsetores analisados.

Para o Imaflora, os resultados mostram que o aumento da produção agropecuária pode ser acompanhado por medidas de mitigação das emissões, desde que haja avanço na adoção de tecnologias e boas práticas de manejo. Segundo Quintana, é uma oportunidade de conciliar aumento de produção com mitigação das emissões.

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EUA anunciam novo incentivo público para produção local de fertilizantes

O USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) selecionou oito projetos de fabricação de fertilizantes que representam mais de US$ 1,34 bilhão em investimentos previstos no país. As iniciativas incluem aproximadamente US$ 573 milhões em recursos federais propostos e têm como objetivo ampliar a produção doméstica, reduzir a dependência de fornecedores estrangeiros e aumentar a concorrência no setor.

O anúncio foi feito nesta quinta-feira (22) pelo vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, e pela secretária de Agricultura, Brooke Rollins. Os projetos foram selecionados no âmbito do Programa de Investimento e Expansão da Oferta Doméstica de Fertilizantes no Longo Prazo.

O programa conta com orçamento inicial de US$ 500 milhões. Além desses recursos, o governo pretende direcionar verbas recuperadas de projetos “malsucedidos” para “novas iniciativas com maior viabilidade financeira e investimentos privados”.

Segundo o USDA, os oito projetos abrangem a produção de fertilizantes nitrogenados, fosfatados, potássicos e sulfurados. Juntos, devem viabilizar aproximadamente 1,08 milhão de toneladas de produção e capacidade doméstica anual de fertilizantes.

A estimativa do departamento é que a ampliação da oferta reduza os preços dos fertilizantes nitrogenados em 4,4% e os da potassa em 5,3%, quando os projetos estiverem em operação. A produção doméstica de nitrogenados poderá crescer 3,7%, enquanto a de potassa poderá aumentar quase 40%.

Projetos selecionados

Entre os maiores investimentos está o da TalusAg, que prevê a instalação de 20 unidades modulares de fabricação de amônia em sete estados americanos. O projeto tem custo estimado em US$ 270,2 milhões, dos quais aproximadamente US$ 99,8 milhões em recursos federais propostos. A produção anual esperada é de 130 mil toneladas de amônia anidra.

A Intrepid Potash prevê construir uma unidade de sulfato de potássio nas proximidades de Carlsbad, no Novo México. O investimento total estimado é de US$ 265 milhões, com US$ 139 milhões em recursos federais propostos. A instalação deverá produzir 220 mil toneladas por ano.

Já a PCI Nitrogen pretende modernizar duas unidades de fabricação de fertilizantes no Texas e no Oregon, em um projeto de US$ 200 milhões. A iniciativa poderá receber aproximadamente US$ 100 milhões do USDA e deve sustentar uma produção anual de 148,3 mil toneladas de fertilizantes, incluindo ureia e sulfato de amônio.

Outro projeto prevê a construção de duas unidades da Agriculture Project Holdco, no Kansas e em Indiana, para transformar esterco de propriedades leiteiras em fertilizante líquido à base de nitrato de amônio. O investimento estimado é de US$ 360 milhões, com aproximadamente US$ 116,9 milhões em recursos federais propostos.

A lista também inclui a expansão da Peace Valley, na Flórida, com investimento de US$ 50,6 milhões; a modernização da AdvanSix, na Virgínia, em um projeto de US$ 98,1 milhões; a ampliação da SUL4R-PLUS Illinois, em um investimento de US$ 69,7 milhões; e a expansão da True Organic Products, com instalações na Califórnia, no Oregon e no Arizona, em um projeto de US$ 30,6 milhões.

O governo americano afirma que a ampliação da produção doméstica também busca reduzir a concentração do mercado de fertilizantes. De acordo com o comunicado do USDA, quatro empresas controlam aproximadamente 77% da capacidade de produção de fertilizantes nitrogenados da América do Norte. No segmento de fosfatados, duas companhias concentram mais de 90% da capacidade, enquanto outras duas respondem por cerca de 90% da produção regional de potassa.

A administração Trump afirma que os novos investimentos devem ampliar a capacidade de fabricação e a concorrência entre fornecedores, além de reduzir a exposição dos agricultores americanos às importações.

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Mosca-da-bicheira é detectada em animal silvestre nos EUA

O USDA (Departamento de Agricultura dos Estados ​Unidos) informou nesta quarta-feira ​que confirmou a primeira detecção da mosca-da-bicheira do Novo Mundo, parasita que se alimenta de tecido vivo, em um animal silvestre nos EUA: um alce no condado de Pecos, no Texas.

O alce foi ⁠encontrado em ​uma fazenda de caça e foi ​relatado após ter sido abatido por um caçador, ⁠informou o USDA em ⁠um comunicado.

A Comissão de Saúde ​Animal ‌do Texas modificará uma zona infestada previamente ⁠estabelecida, e o USDA e o Departamento de Parques e Vida Selvagem do Texas estão realizando vigilância ‌adicional ⁠da vida ‌selvagem na área, informou o órgão.

Erradicada dos EUA há décadas, a praga avançou para ⁠o norte a partir ⁠da América Central, passando pelo México, o que levou ‌Washington a impor uma proibição de mais de um ano às importações de gado mexicano.

Os EUA suspenderam as importações de gado do ‌México no ano passado para impedir a entrada da mosca-da-bicheira, mas retomaram o comércio ⁠em agosto em um porto do Arizona como parte de um plano de reabertura gradual.

A ​suspensão contribuiu para reduzir a oferta de gado ​nos EUA e elevar os preços da carne bovina a níveis recordes para os consumidores norte-americanos.

EUA precisam de carne bovina mais “magra” e Brasil pode se beneficiar

 

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Após doença de Newcastle, governo declara emergência zoossanitária

Após a detecção de doença de Newcastle em uma granja de perus, em Santa Catarina, o governo federal decretou estado de emergência zoossanitária por 60 dias em cidades nos municípios de Nova Itaberaba, Águas Frias, Coronel Freitas e Nova ErechimA emergência foi declarada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), e resultou na restrição da importação da carne de frango brasileira para pelo menos cinco parceiros comerciais:MéxicoChinaChileMalásiaArábia Saudita"O Mapa também notificou oficialmente a ocorrência à Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) e comunicou o foco aos parceiros comerciais bilaterais, compartilhando as informações técnicas iniciais sobre o evento e as medidas sanitárias adotadas".Doença de NewcastleA doença de Newcastle é uma enfermidade viral que afeta aves domésticas e silvestres, causada por vírus virulento do paramixovírus aviário do sorotipo 1 (APMV-1). A granja tem cerca de 6 mil aves e não foram destinadas à produção de carne para consumo. O estabelecimento foi interditado pelo Serviço Veterinário Oficial, com a suspensão da movimentação de aves, mantendo-as na propriedade, até atualização da investigação.Os sintomas são:Espirros e respiração ofegante;Asas caídasPernas distendidasTorção de cabeça e pescoçoFalta de apetiteDiarreia esverdeada.Doença atinge humanos?Apesar de ser uma doença altamente contagiosa e ter tido medidas de contenção para controlar a ocorrência, segundo a OMSA, a doença é classificada como uma zoonose de menor importância, o que significa que o vírus pode infectar pessoas, mas as manifestações clínicas geralmente são leves e passageiras. A conjuntivite está entre os principais sintomas associados à infecção humana.A exposição ocorre sobretudo pelo contato direto com aves infectadas ou materiais contaminados, situação que merece atenção especial entre profissionais envolvidos na criação, no manejo e na manipulação desses animais.O consumo de produtos avícolas permanece seguro, sem contraindicações, informou o MAPA, em nota oficial. Portanto, o consumo de carnes e ovos devidamente cozidos continua sendo considerado seguro.

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Renegociação de dívidas rurais avança e soma R$ 16 bi em operações do BB

O BB (Banco do Brasil) já soma R$ 16 bilhões em operações em diferentes etapas de contratação para renegociar dívidas de produtores rurais por meio da MP (Medida Provisória) 1.376/2026. O montante foi informado pela instituição nesta quinta-feira (22) e representa um avanço em relação ao balanço divulgado no início da semana, quando o banco contabilizava R$ 3,3 bilhões em operações efetivamente renegociadas e outros R$ 12,3 bilhões em processos ainda em andamento.

Do total de R$ 16 bilhões informado pelo BB, R$ 3,9 bilhões correspondem a contratos já despachados, enquanto R$ 6,1 bilhões estão na etapa final de contratação. Outros R$ 6 bilhões estão em fase de recebimento e análise da documentação comprobatória nas agências do banco em todo o país.

A instituição projeta superar R$ 20 bilhões em operações até 12 de novembro, data-limite para a contratação das linhas previstas na medida provisória. Para atingir esse volume, a expectativa é utilizar integralmente os R$ 12,4 bilhões em recursos equalizados destinados ao banco, além de complementar as operações com recursos próprios.

A expectativa para a renegociação representa um montante de R$ 10 bilhões a menos do que a expectativa inicial. O banco estima que a procura de produtores inadimplentes pelo crédito foi menor do que o imaginado.

Entidades representativas do agronegócio também têm expressado preocupação com relação às condições e ritmo de negociações entre produtores e instituições financeiras.

Na terça-feira (20), o vice-presidente de Agronegócios e Agricultura Familiar do BB, Gilson Bittencourt, afirmou à CNN Brasil que a procura pelas linhas havia sido maior entre produtores adimplentes com operações prorrogadas ou renegociadas. Segundo o executivo, a adesão de produtores inadimplentes ficou abaixo do esperado inicialmente.

Com o avanço dos processos, o banco reforça a orientação para que produtores com dívidas em atraso procurem as agências para avaliar as alternativas disponíveis. Entre as fontes adicionais estão depósitos à vista, poupança rural e LCAs (Letras de Crédito do Agronegócio).

“Vamos oferecer uma solução, seja pela MP, seja pelas demais alternativas de renegociação do BB. Queremos que esses produtores reorganizem sua situação, recuperem sua capacidade de acessar crédito e continuem produzindo”, afirmou Bittencourt, em nota.

O que prevê a medida

A MP 1.376/2026 criou linhas especiais de crédito para permitir a liquidação ou amortização de dívidas rurais de produtores e cooperativas que sofreram perdas de renda em decorrência de eventos climáticos ou de condições adversas de mercado.

A iniciativa busca reorganizar o passivo financeiro dos produtores e facilitar a retomada do acesso ao crédito rural. As operações, no entanto, dependem do cumprimento dos critérios de enquadramento e da apresentação de documentos que comprovem as perdas e sua relação com as dívidas renegociadas.

O prazo para contratação termina em 12 de novembro. Com a proximidade da data-limite, o Banco do Brasil busca acelerar a análise dos pedidos e concluir as operações que estão nas etapas finais do processo.

Inadimplência no agro deve manter alta de processos de reestruturação

 

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Citricultura brasileira abre 11,4 mil empregos no início da safra

A citricultura brasileira iniciou a safra 2026/27 com força na geração de empregos. Entre julho e agosto de 2026, primeiro bimestre da temporada, o setor registrou 11.460 contratações, alta de 9,9% em relação às 10.427 admissões contabilizadas no mesmo período da safra anterior.

Os dados foram compilados pela Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (CitrusBR) a partir do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Ao todo, o setor realizou 1.033 contratações a mais que no primeiro bimestre da temporada 2025/26.

“Os números deste início de safra reforçam a importância da citricultura para a geração de empregos e renda no interior do país. O crescimento das contratações movimenta a economia dos municípios produtores e mostra a contribuição da cadeia para o desenvolvimento dessas regiões”, afirma em nota, Ibiapaba Netto, diretor-executivo da CitrusBR.

São Paulo manteve a liderança nas contratações da citricultura brasileira, com 8.953 admissões entre julho e agosto de 2026. O volume corresponde a 78,1% do total nacional registrado pelo setor no primeiro bimestre da safra. Na comparação com as 8.084 contratações contabilizadas no mesmo período da temporada anterior, o estado apresentou alta de 10,7%.

Outros estados

Em Minas Gerais, as admissões passaram de 1.355 no primeiro bimestre da safra 2025/26 para 1.585 no mesmo intervalo da temporada 2026/27, crescimento de 17%. Com esse resultado, o estado respondeu por 13,8% das contratações da citricultura no país e ficou na segunda posição entre os estados com maior volume de admissões no período.

No Paraná, o setor contabilizou 205 admissões entre julho e agosto de 2026, queda de 49,6% em relação às 407 contratações registradas no primeiro bimestre da safra anterior. O estado reuniu 1,8% das admissões da citricultura no país no período.

Mato Grosso do Sul registrou 283 contratações no primeiro bimestre da safra 2026/2027, ante 115 no mesmo período da temporada anterior, avanço de 146,1%. A participação sul-mato-grossense no total de admissões da citricultura brasileira alcançou 2,5%.

“Começar a safra com alta nas admissões é um resultado positivo para o setor. O avanço em São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul mostra como a citricultura cria oportunidades de trabalho em diferentes regiões produtoras e amplia sua contribuição para as economias locais”, destaca Netto.

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B16 pode elevar demanda de biodiesel a 11 bilhões de litros em 2027

A demanda por biodiesel no Brasil pode alcançar 11 bilhões de litros em 2027, caso o governo avance com o aumento da mistura obrigatória ao diesel fóssil de B15 para B16 a partir de março.

Nesse cenário, o consumo do biocombustível teria crescimento de até 7% em relação a 2026, segundo estimativas da StoneX.

A perspectiva, no entanto, depende de decisões regulatórias. Os testes para avaliar a viabilidade de elevar a mistura até B20 devem ser concluídos em fevereiro de 2027. Apesar da capacidade da indústria de atender a um aumento do mandato, ainda não há sinalização clara do governo sobre a adoção do B16.

Caso a mistura obrigatória permaneça em 15%, as vendas de biodiesel devem crescer 1,2% em 2027, chegando a 10,43 bilhões de litros.

De acordo com a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), a capacidade de produção de biodiesel deve passar de 51,8 bilhões de litros por dia no fim de 2026 para 55,92 bilhões de litros diários em 2027, alta de 7,9%.

Mesmo com o crescimento esperado das vendas, a capacidade ociosa média do setor pode chegar a 40%.

Óleo de soja ganha espaço

A evolução da mistura obrigatória também terá impacto direto sobre a demanda por matérias-primas, especialmente o óleo de soja, principal insumo da produção nacional de biodiesel.

Se o B15 for mantido, a demanda por óleo de soja deve somar 8,27 milhões de toneladas em 2027. Com a adoção do B16 a partir de março, o volume pode se aproximar de 8,75 milhões de toneladas, e a participação do produto entre as matérias-primas utilizadas na fabricação do biocombustível chegaria a 85,3%.

Dados da ANP citados no levantamento indicam que o óleo de soja respondeu por cerca de 85% da produção de biodiesel, com crescimento de 8,2% em relação a 2025. A competitividade do insumo e a capacidade da indústria de esmagamento de atender ao aumento da demanda favorecem a manutenção dessa participação elevada.

Outras matérias-primas também devem registrar crescimento de volume, mas, segundo a análise, não apresentam a mesma competitividade do óleo de soja.

Vendas de biodiesel crescem em 2026

Para 2026, a StoneX revisou ligeiramente para baixo a estimativa de demanda por biodiesel, de crescimento de 5,7% para 5,6%, mantendo a projeção em 10,3 bilhões de litros.

Entre janeiro e agosto, as vendas totalizaram 6,77 bilhões de litros, alta de 7,2% na comparação anual. O resultado foi impulsionado pelo crescimento da demanda por diesel B e, principalmente, pela mudança da mistura obrigatória de B14 para B15 ao longo do período de comparação.

Em agosto, porém, as vendas ficaram 0,2% abaixo do registrado no mesmo mês de 2025, quando o mandato de B15 já estava em vigor. A expectativa é que essa queda seja pontual, com a retomada do crescimento da demanda por diesel B nos meses seguintes. O pico de vendas de biodiesel é estimado em 955 milhões de litros em outubro.

Os preços também apresentam recuperação. Desde julho, o biodiesel no mercado interno acumulou alta estimada de 7,3%, enquanto o óleo de soja subiu 10% no mesmo intervalo, considerando a referência do interior de Mato Grosso. O encarecimento da matéria-prima e a sazonalidade das vendas podem contribuir para a valorização do biocombustível.

 

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Brasil fecha US$ 452 milhões em negócios na SIAL Paris 2026, diz ABPA

A participação brasileira na feira internacional de alimentos SIAL Paris 2026 resultou em US$ 452 milhões em negócios fechados durante os cinco dias do evento, segundo a ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal). O valor representa alta de 256,7% em relação à edição anterior.

A entidade estima que os contatos e as negociações iniciados durante a feira possam gerar US$ 1,017 bilhão em exportações nos próximos 12 meses, crescimento de 15,6% em comparação com a projeção feita na edição anterior.

Encerrada na quarta-feira (21), a feira reuniu compradores de 40 mercados, países e regiões. As negociações envolveram destinos na Europa, Ásia, Oriente Médio, África, América Latina, Sudeste Asiático e Oceania.

De acordo com a ABPA, os contatos abrangeram mercados consolidados e novos destinos em expansão, com demandas que vão desde grandes volumes para abastecimento até produtos customizados e de maior valor agregado.

A ação brasileira foi promovida pela ABPA em parceria com a ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos). O presidente da associação, Ricardo Santin, afirmou que os resultados refletem a procura internacional por fornecedores de proteínas de aves e suínos.

“A diversidade dos mercados envolvidos e o volume de negócios alcançado mostram que a demanda internacional por proteínas de aves e suínos segue forte”, disse Santin, em nota. Segundo ele, compradores de diferentes regiões buscam fornecedores capazes de garantir qualidade, escala e regularidade.

A iniciativa reuniu 25 empresas e cooperativas em quatro espaços exclusivos, com área total superior a 670 metros quadrados. Entre as participantes estavam MBRF, C.Vale, Copacol, Frimesa, Lar Agroindustrial, Vibra Agroindustrial e Bello Alimentos. Seara Alimentos, Pamplona Alimentos e Aurora Alimentos também participaram da feira com espaços próprios.

A participação também promoveu as marcas setoriais Brazilian Chicken, Brazilian Egg, Brazilian Pork, Brazilian Breeders e Brazilian Duck, voltadas à divulgação dos produtos brasileiros no mercado internacional.

Segundo a gerente de marketing e promoção comercial da ABPA, Isis Sardella, a feira permitiu fortalecer relações comerciais existentes e iniciar negociações com novos compradores. A entidade também destacou a promoção de atributos da produção nacional, como qualidade, sustentabilidade, status sanitário e capacidade de adaptação às exigências de diferentes mercados.

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Depois do cacau, açaí terá novas regras de polpa nos produtos

Após as mudanças com a quantidade de cacau nos chocolates, agora foi a vez do açaí vendido no Brasil ter novas regras em sua composição e rotulagem. Um projeto de lei, da Câmara dos Deputados, estabelece percentuais mínimos de polpa da fruta para diferentes alimentos e bebidas.O Projeto de Lei 2713/2026, de autoria do deputado José Priante (MDB-PA), pretende evitar que produtos com pequenas quantidades de açaí utilizem o nome da fruta como principal identificação comercial.Para que os produtos anunciem o açaí como ingrediente principal, é preciso ter ao menos 30% de polpa na composição total do produto. O texto também estabelece que a polpa utilizada deverá apresentar, no mínimo, 14% de sólidos totais.A exigência busca dar mais transparência ao consumidor, que nem sempre consegue identificar a quantidade real da fruta em cremes, sobremesas e bebidas industrializadas.Quanto de polpa cada produto deverá ter?O projeto estabelece percentuais específicos conforme a categoria do alimento. Confira os limites previstos:Creme de açaí: mínimo de 40% de polpa;Açaí tradicional: mínimo de 30%;Frozen de açaí: mínimo de 25%;Sorvete de açaí: mínimo de 20%;Bebida de açaí: mínimo de 10%.Os percentuais consideram as diferenças entre as categorias. Uma bebida, por exemplo, pode conter outros ingredientes e apresentar menor concentração de polpa do que um creme. A proposta também estabelece uma regra geral de 30% para o uso de “açaí” como denominação principal. A aplicação dessa exigência às categorias com limites inferiores dependerá da interpretação e da redação definitiva da legislação.Embalagens terão que mostrar a quantidade de açaíOutra mudança prevista envolve a identificação dos produtos. Caso o Congresso aprove a proposta, os fabricantes deverão informar o percentual de polpa de açaí na parte frontal das embalagens.O texto determina o uso da indicação “Contém % de polpa de açaí“, com o preenchimento do percentual correspondente à composição do alimento.A proposta também proíbe imagens e expressões publicitárias capazes de induzir o consumidor a uma interpretação equivocada sobre a quantidade de fruta presente no produto.Na prática, a medida pretende facilitar a comparação entre marcas e categorias, permitindo que o consumidor identifique a concentração de açaí sem depender apenas do nome comercial.

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Esmagamento de soja cresce em 2027, mas exportações devem cair

O esmagamento de soja deve alcançar 66 milhões de toneladas em 2027 no Brasil, segundo as primeiras projeções divulgadas pela Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais). O volume reflete a expectativa de crescimento da demanda por derivados do grão, como farelo e óleo de soja.

Para 2026, a entidade revisou seus dados com previsão de processamento em 63,6 milhões de toneladas, alta de 0,2% em relação à estimativa anterior. A produção de farelo deve chegar a 48,95 milhões de toneladas, enquanto a de óleo de soja está prevista em 12,8 milhões de toneladas.

O avanço do processamento está associado à demanda doméstica por farelo, utilizado principalmente na alimentação animal, e por óleo, empregado na produção de alimentos e biocombustíveis.

“O forte ritmo de esmagamento reflete a resposta ágil da nossa indústria à crescente demanda nacional por farelo, essencial para a produção de alimentos, e por óleo, fundamental para a fabricação de biocombustíveis e para as exportações”, afirma Daniel Furlan Amaral, diretor de Economia e Assuntos Regulatórios da Abiove.

Segundo o executivo, o desempenho do setor também prepara a indústria para atender à expectativa de aumento da mistura obrigatória de biodiesel para B16, prevista para março de 2027.

Exportações de soja devem recuar em 2027

No comércio exterior, a Abiove estima que as exportações brasileiras de soja em grão alcancem 113,9 milhões de toneladas em 2027, queda de 1% em relação à projeção anterior.

Os embarques de farelo devem somar 25,3 milhões de toneladas. Para o óleo de soja, a previsão é de 1,95 milhão de toneladas exportadas, aumento de 8,3% na comparação com a estimativa prévia.

Os números indicam perspectivas distintas para os produtos do complexo soja. Enquanto os embarques do grão foram revisados para baixo, as exportações de óleo ganharam força na nova projeção.

Para 2027, as primeiras estimativas apontam para a continuidade da expansão industrial. Além do esmagamento de 66 milhões de toneladas, a produção de farelo de soja deve atingir 50,8 milhões de toneladas, com exportações estimadas em 26,3 milhões de toneladas.

A fabricação de óleo de soja está projetada em 13,27 milhões de toneladas. As exportações devem somar 1,9 milhão de toneladas, enquanto as importações são estimadas em 100 mil toneladas.

Para a soja em grão, a previsão é de exportações de 113 milhões de toneladas e importações de 900 mil toneladas, destinadas a complementar o abastecimento da cadeia produtiva.

O conjunto das estimativas aponta para maior processamento interno da oleaginosa, com ampliação da oferta de derivados para o mercado doméstico e para as exportações.

Processamento cresce 8,4% no acumulado de 2026

Os dados mais recentes da Abiove mostram que a indústria processou 5,03 milhões de toneladas de soja em agosto de 2026. O volume representa uma queda de 1,8% em relação a julho, mas um crescimento de 9% na comparação com agosto do ano passado, considerando o ajuste pelo percentual amostral.

No acumulado de janeiro a agosto, o processamento alcançou 38,67 milhões de toneladas, alta de 8,4% em relação ao mesmo período de 2025.

O desempenho reforça o ritmo de atividade da indústria brasileira de soja e sustenta as perspectivas de crescimento do esmagamento nos próximos ciclos, em um cenário de demanda por derivados voltada à alimentação animal, ao consumo humano e à produção de biocombustíveis.

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Yara tem lucro líquido de US$ 199 milhões no 3º tri, queda de 38%

A fabricante norueguesa de fertilizantes Yara registrou lucro líquido de US$ 199 milhões no terceiro trimestre, queda de 37,8% em relação aos US$ 320 milhões apurados no mesmo período do ano passado. O resultado refletiu, entre outros fatores, o aumento dos custos do gás natural na Europa e a redução das entregas de fertilizantes.

A receita líquida, por outro lado, cresceu 9,3% na comparação anual, para US$ 4,48 bilhões. 

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), recuou 9,5%, de US$ 770 milhões para US$ 697 milhões.

Segundo a companhia, os custos mais elevados do gás europeu e o menor volume de entregas superaram o efeito positivo dos preços mais altos do nitrogênio. A produção de produtos acabados ficou 8% abaixo da registrada um ano antes, devido a paradas operacionais não programadas e manutenções planejadas.

No acumulado de janeiro a setembro, a Yara registrou lucro líquido de US$ 1,07 bilhão, alta de 3,9% em relação aos US$ 1,03 bilhão do mesmo intervalo de 2025. A receita avançou 12,5%, de US$ 11,7 bilhões para US$ 13,16 bilhões, enquanto o Ebitda aumentou 34,3%, para US$ 2,66 bilhões.

Entregas e produção

As entregas globais de fertilizantes da Yara caíram 3,3% no terceiro trimestre, de 6 milhões de toneladas para 5,8 milhões de toneladas. No acumulado dos nove primeiros meses, o volume recuou 6,1%, de 18 milhões para 16,9 milhões de toneladas.

A produção de fertilizantes também diminuiu. No terceiro trimestre, foram produzidas 4,89 milhões de toneladas, queda de 7,7%. Entre janeiro e setembro, a produção totalizou 15,08 milhões de toneladas.

No Brasil, as entregas somaram 1,84 milhão de toneladas no terceiro trimestre, recuo de 3,7% em relação ao mesmo período de 2025. No acumulado do ano, o volume  chegou a 4,22 milhões de toneladas, com uma redução de 1,4%.

A produção de fertilizantes NPK, que combinam nitrogênio, fósforo e potássio e são os mais utilizados na agricultura, caiu 9,4% no trimestre, de 1,75 milhão para 1,585 milhão de toneladas. Nos nove primeiros meses do ano, a produção recuou 4,1%, para 4,63 milhões de toneladas.

Em sentido contrário, a produção de SSP (superfosfato simples) aumentou. O volume passou de 24 mil toneladas no terceiro trimestre de 2025 para 35 mil toneladas no mesmo período deste ano, alta de 45,8%. No acumulado de janeiro a setembro, a produção cresceu de 94 mil para 157 mil toneladas, avanço de 67%.

A produção de amônia recuou 19,3% no terceiro trimestre, com 1,51 milhão de toneladas. No acumulado do ano, a queda foi de 13,3%, de 5,33 milhões para 4,62 milhões de toneladas.

As entregas de amônia tiveram redução mais moderada, de 465 mil para 458 mil toneladas no trimestre, queda de 1,5%. Entre janeiro e setembro, o volume passou de 1,39 milhão para 1,31 milhão de toneladas, recuo de 5,8%.

No resultado financeiro trimestral, a empresa também registrou perdas cambiais líquidas de US$ 64 milhões, enquanto teve um ganho de US$ 14 milhões um ano antes. Segundo a Yara, a valorização da coroa norueguesa em relação ao euro gerou perdas em posições de financiamento interno, parcialmente compensadas por ganhos relacionados à dívida denominada em dólares.

Margens nas Américas

O Ebitda das operações nas Américas, excluídos itens especiais, somou US$ 155 milhões no terceiro trimestre, queda de 38% em relação ao mesmo período de 2025. A companhia atribuiu o resultado principalmente à redução das margens comerciais no Brasil e ao menor volume de entregas.

As entregas da região diminuíram 5% na comparação anual. Além da redução dos volumes brasileiros, o desempenho foi afetado pela manutenção programada da unidade de Belle Plaine, no Canadá.

No acumulado dos nove primeiros meses, o Ebitda das Américas, excluídos itens especiais, foi de US$ 593 milhões, recuo de 8% em relação ao mesmo intervalo do ano passado. As margens comerciais menores no Brasil e a manutenção no Canadá mais do que compensaram as margens mais elevadas observadas no primeiro semestre.

As entregas globais da companhia também foram afetadas pela menor demanda e por paradas programadas de manutenção nas regiões das Américas, África e Ásia. Na Europa, a Yara identificou uma recuperação das entregas de produtos premium em direção ao fim do trimestre.

Custos do gás e perspectivas

A Yara informou que reduziu a produção europeia em resposta aos preços elevados do gás natural. No terceiro trimestre, a companhia restringiu 150 mil toneladas de produção de amônia e 115 mil toneladas de produtos acabados, principalmente na fábrica de Ferrara, na Itália.

Em 16 de outubro, os cortes de produção estavam em 270 mil toneladas de amônia por trimestre, incluindo 180 mil toneladas de amônia não integrada à produção de outros fertilizantes, e 140 mil toneladas de produtos acabados por trimestre.

A empresa utiliza a flexibilidade de sua estrutura produtiva para ajustar os volumes de acordo com os custos e as margens de cada produto. Segundo a companhia, é possível reduzir anualmente cerca de 1 milhão de toneladas da capacidade europeia de produção de amônia sem afetar a fabricação de produtos acabados.

No mercado internacional, a Yara afirmou que a comercialização de fertilizantes nitrogenados começou a nova temporada em ritmo lento. As incertezas relacionadas ao conflito no Oriente Médio, às exportações chinesas e às importações indianas levaram compradores a adiar decisões no início do terceiro trimestre. A companhia, porém, observou uma retomada das compras na Europa no fim do período e encerrou o trimestre com uma carteira de pedidos acima do normal para essa época do ano.

A empresa também destacou que uma parcela significativa das compras sazonais ainda precisa ser realizada, em um cenário de oferta mais restrita proveniente do Oriente Médio. Segundo a Yara, os preços agrícolas mais elevados também melhoraram a capacidade de compra dos produtores rurais em comparação com a temporada anterior.

A companhia estima que os custos com gás natural, considerando volumes equivalentes aos do período de comparação e com base nos mercados futuros de 13 de outubro, sejam US$ 450 milhões maiores no quarto trimestre de 2026 e US$ 445 milhões maiores no primeiro trimestre de 2027, em relação aos mesmos períodos de um ano antes. As projeções podem mudar conforme a evolução dos preços do gás e as condições contratuais locais.

A Yara ainda afirma que mantém um programa de melhoria de resultados que prevê acrescentar US$ 200 milhões ao Ebitda até o fim de 2027 e outros US$ 150 milhões até o fim de 2030. As medidas incluem maior utilização dos ativos industriais, otimização logística e realocação de capital.

Em julho, a companhia anunciou a aquisição de uma fábrica de amônia na Costa do Golfo dos Estados Unidos. O negócio busca diversificar a exposição da empresa aos custos de energia e ampliar sua capacidade de produção competitiva. A Yara espera concluir a transação até o fim de 2026.

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Exportadores temem impactos da política externa na venda de produtos

Nos últimos dias, a CNN acompanhou em Paris a SIAL (Salão Internacional da Alimentação), uma das principais feiras mundiais de alimentos e bebidas, onde mais de 150 empresas brasileiras participaram além de dez cooperativas da agricultura familiar com stands próprios pela primeira vez. Nos corredores, entre degustações, reuniões com compradores e apresentações de novos produtos, conversamos com exportadores brasileiros que tentam ampliar a presença do país no mercado internacional.

Havia de tudo: carnes, bebidas, óleos essenciais e produtos de empresas que começam a dar os primeiros passos fora do Brasil.

Nas conversas com empresários, a reportagem perguntou o que o governo brasileiro precisa fazer para ajudar o país a vender mais no mercado internacional. As demandas envolveram a abertura de novos destinos, a negociação de barreiras comerciais, o apoio às empresas que querem exportar e a manutenção de relações diplomáticas com os principais parceiros.

As respostas também trouxeram preocupações sobre a condução da política externa no próximo mandato presidencial, especialmente diante da disputa eleitoral entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).

Nos planos de governo apresentados ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral), os dois candidatos prometem ampliar a presença brasileira no mercado internacional, mas partem de ênfases diferentes. Lula  defende a continuidade da diversificação de mercados, o fortalecimento da diplomacia comercial e a ampliação de acordos, com prioridade para o multilateralismo e a integração regional.

Flávio propõe uma política externa orientada pelo pragmatismo econômico, com maior abertura comercial, aproximação com parceiros estratégicos e apoio à internacionalização de pequenas e médias empresas. Os dois também preveem medidas diplomáticas para enfrentar barreiras comerciais impostas por outros países.

A escolha de quem conduzirá a política externa e de quais interlocutores ocuparão posições estratégicas está entre as preocupações dos exportadores ouvidos pela reportagem.

No atual governo, o embaixador Celso Amorim, assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, é uma das figuras centrais da política externa. Parte do empresariado critica a orientação diplomática do governo e manifesta preocupação com os efeitos de divergências políticas sobre as relações comerciais.

No atual governo, o embaixador Celso Amorim, assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, é uma das figuras centrais da política externa. Parte do empresariado critica a orientação diplomática do governo e manifesta preocupação com os efeitos de divergências políticas sobre as relações comerciais.

Um dos pontos de discussão é a aplicação da Lei de Reciprocidade Econômica, criada para permitir que o Brasil responda a medidas comerciais consideradas prejudiciais aos seus interesses. Em episódios envolvendo restrições impostas por parceiros como Estados Unidos, China e União Europeia, o debate passou pela forma como o país deve reagir e pelos possíveis efeitos das contramedidas sobre as empresas brasileiras.

Para os exportadores, a questão é conciliar a defesa dos interesses nacionais com a manutenção do acesso aos mercados. Uma resposta comercial pode servir como instrumento de negociação, mas também exige avaliar os impactos sobre produtores e empresas que dependem das vendas externas.

Entre os empresários que acompanham a eleição, também há preocupação com os nomes que poderão ocupar postos estratégicos em um eventual governo Flávio Bolsonaro. A possibilidade de Eduardo Bolsonaro assumir o Ministério das Relações Exteriores ou a Embaixada do Brasil nos Estados Unidos é vista com ressalvas por parte dos interlocutores ouvidos pela reportagem.

Entre os empresários que acompanham a eleição, também há preocupação com os nomes que poderão ocupar postos estratégicos em um eventual governo Flávio Bolsonaro. A possibilidade de Eduardo Bolsonaro assumir o Ministério das Relações Exteriores ou a Embaixada do Brasil nos Estados Unidos é vista com ressalvas por parte dos interlocutores ouvidos pela reportagem.

O mercado americano é um destino importante para diferentes cadeias do agronegócio brasileiro, assim como China e União Europeia. Por isso, a composição da equipe diplomática é acompanhada pelo setor, que depende de canais de negociação com governos estrangeiros para tratar de tarifas, exigências sanitárias e condições de acesso.

Além das relações políticas, os exportadores apontam medidas práticas para ampliar os negócios. Entre elas estão a negociação de protocolos sanitários para permitir a entrada de produtos brasileiros, o fortalecimento da rede de adidos agrícolas nas embaixadas, a organização de missões comerciais e o apoio às empresas interessadas em acessar novos mercados.

A abertura de um mercado, porém, não significa que as exportações começarão imediatamente. Depois da autorização, as empresas ainda precisam atender às exigências do país importador, encontrar compradores, negociar preços e estruturar a logística.

Desde 2023, o Brasil abriu mercados para cerca de 700 produtos agropecuários em 99 países, segundo dados divulgados pelo governo federal. Essas aberturas estão associadas a uma corrente de comércio estimada em US$ 4 bilhões. O indicador reúne oportunidades comerciais relacionadas aos novos acessos, mas não deve ser confundido com receita já obtida exclusivamente com essas autorizações.

A diversificação também busca reduzir a dependência de poucos destinos. A China, por exemplo, tem peso relevante nas exportações brasileiras de soja, carnes e outros produtos. Mudanças nas regras de importação, nas tarifas ou nas condições de compra podem afetar diretamente setores que concentram suas vendas em determinados mercados.

Para as empresas, ampliar o número de compradores não significa substituir os parceiros tradicionais, mas criar alternativas para escoar a produção e reduzir a exposição a restrições comerciais.

A próxima gestão terá de dar continuidade às negociações em andamento, buscar novos acordos e apoiar a transformação das autorizações sanitárias e comerciais em embarques efetivos. Também precisará lidar com eventuais conflitos comerciais sem interromper os canais de diálogo com os principais destinos das exportações brasileiras.

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Clima favorece lavouras de trigo na Argentina que projeta 2ª maior colheita

 A colheita de trigo da Argentina para a safra 2026/27 deverá totalizar 23,8 milhões de toneladas métricas. Acima dos 21 milhões estimados no mês passado, devido a rendimentos maiores do que o esperado, informou a Bolsa de Valores de Rosário nesta quarta-feira (21).

Caso essa meta seja alcançada, a safra representará a segunda maior colheita de trigo já registrada na Argentina, um importante exportador mundial de alimentos.

A província de Santa Fé espera rendimentos próximos a 4 toneladas por hectare, superando ligeiramente Buenos Aires, a tradicional região produtora de trigo da Argentina.

As temperaturas abaixo do normal para o início da primavera estão beneficiando o desenvolvimento das plantações, embora haja preocupação com o número limitado de dias ensolarados.

A colheita de trigo na Argentina começa em novembro. A bolsa manteve inalteradas suas previsões para soja e milho em 2026/27, em 47,8 milhões e 67,5 milhões de toneladas, respectivamente.

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Santa Catarina vistoria 1,6 mil granjas após foco de Newcastle

O governo de Santa Catarina iniciou um amplo processo de vistoria em mais de 1.600 propriedades rurais após a confirmação de um caso da doença de Newcastle em uma granja de perus no município de Nova Itaberaba, localizado no oeste catarinense. O caso foi confirmado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária na última segunda-feira.

A Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (CIDASC) informou que identificou o foco da doença durante uma visita de rotina realizada em propriedades rurais do estado. Em resposta, o governo federal decretou emergência zoosanitária por 60 dias, abrangendo não apenas Nova Itaberaba, mas também os municípios vizinhos de Águas Frias, Coronel Freitas e Nova Erechim.

Medidas de contenção e protocolos sanitários

As equipes da CIDASC (Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina) e do Ministério da Agricultura e Pecuária atuam tanto na propriedade afetada quanto em um raio de 10 quilômetros ao redor, alcançando propriedades rurais vizinhas.

A granja onde foi identificado o foco de newcastle está interditada, com acesso restrito a profissionais devidamente autorizados.

Entre as medidas previstas estão a eliminação das aves da propriedade, a limpeza e desinfecção completa do local e o descarte de todos os materiais que tiveram contato com os animais.

Além das ações na propriedade afetada, o governo de Santa Catarina pretende vistoriar as 1.600 propriedades rurais no estado.

Em algumas poderão ser coletadas amostras de sangue dos animais para verificar a ocorrência ou não de contaminação.

Segundo a CIDASC, a população pode continuar consumindo carne de aves e produtos inspecionados, sendo recomendável identificar estabelecimentos regularizados com selo de inspeção sanitária.

Países suspendem importações e impacto econômico preocupa

O caso já gerou repercussões no comércio exterior brasileiro.

China, que é o maior mercado comprador, Chile e Arábia Saudita suspenderam as compras provenientes de Santa Catarina. Medida considerada positiva por restringir o embargo apenas ao estado e não ao Brasil inteiro.

O México adotou uma postura mais severa, suspendendo todos os produtos avícolas brasileiros — a situação considerada mais grave entre as restrições impostas até o momento. A Malásia se juntou ao México e anunciou também a suspensão da importação de carnes, produtos cárneos e miúdos de aves de todo o Brasil.

Santa Catarina é responsável por entre 20% e 30% das exportações de produtos avícolas do Brasil. O país exportou 5,3 milhões de toneladas no ano passado, o que rendeu cerca de 10 bilhões de dólares.

Na última ocasião em que o Brasil enfrentou um embargo semelhante, as perdas foram estimadas em aproximadamente 139 milhões de dólares em vendas que não se concretizaram para o exterior, com produtos que acabaram sendo direcionados ao mercado interno. Naquela oportunidade, o problema foi solucionado em cerca de 26 dias. As autoridades trabalham para que as medidas fitossanitárias em curso permitam retomar as exportações o quanto antes.

O Ministério da Agricultura e Pecuária reforçou que mantém diálogo com outros parceiros comerciais para assegurar a transparência das informações e avançar em tratativas para a adequação das exportações.

Monitoramento sanitário

As medidas de vigilância e controle abrangem Nova Itaberaba e outros três municípios: Nova Erechim, Coronel Freitas e Águas Frias. Ao todo, 133 granjas estão incluídas na área de monitoramento, segundo o ministério.

As autoridades vão acompanhar a situação durante o período de incubação da doença, estimado em 21 dias. O protocolo prevê dois períodos de 21 dias, totalizando 42 dias de acompanhamento.

O Brasil poderá voltar a ser considerado livre da doença de Newcastle após 90 dias, conforme as regras sanitárias aplicáveis ao caso.

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Agricultura familiar e fome: o que Flávio Bolsonaro e Lula propõem

O acesso a alimentos a preços compatíveis com a renda da população e o fortalecimento da agricultura familiar estão entre os desafios da política agrícola brasileira. Além de produzir, o país precisa garantir que os alimentos cheguem ao consumidor, criar condições para que pequenos produtores permaneçam na atividade e ampliar a oferta de comida saudável.

Os programas de governo de Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apresentam abordagens diferentes para esses temas.

Flávio associa a redução dos preços dos alimentos à melhoria da logística e ao aumento da capacidade de armazenagem das safras.

Lula prevê ampliar as compras públicas da agricultura familiar, fortalecer linhas específicas de crédito e manter a aquisição de alimentos desses produtores para a alimentação escolar.

A diferença também aparece no tratamento da segurança alimentar. O programa de Lula inclui medidas voltadas à produção de alimentos, à agricultura familiar e ao acesso da população à alimentação. No documento de Flávio, não há propostas específicas para a agricultura familiar nem referências diretas à fome ou ao Bolsa Família. Veja maias detalhes abaixo:

FLÁVIO BOLSONARO

Logística e armazenagem para reduzir preços dos alimentos

O programa de Flávio Bolsonaro propõe reduzir o preço dos alimentos ao consumidor por meio de melhorias na logística e da ampliação da capacidade de armazenagem das safras.

A proposta parte do diagnóstico de que uma parcela dos custos é formada entre a produção no campo e a chegada dos produtos ao varejo. O documento menciona a criação de corredores logísticos inteligentes e a ampliação da armazenagem como instrumentos para melhorar o escoamento da produção e reduzir custos.

O plano também associa a segurança alimentar à produção agropecuária nacional e à redução da dependência externa de fertilizantes. A proposta é apoiar a produção nacional desses insumos, com aproveitamento de recursos minerais disponíveis no país.

O programa, porém, não apresenta medidas específicas para fortalecer a agricultura familiar. Não há previsão de ampliação do Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar), de assistência técnica direcionada aos pequenos produtores ou de programas de compras públicas de alimentos produzidos por esse segmento.

Programas sociais e combate à pobreza 

O documento apresentado ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) também não estabelece metas específicas para a ampliação do PAA (Programa de Aquisição de Alimentos) , alimentação escolar ou Bolsa Família.

Flávio, porém, propõe manter os programas sociais existentes, com aperfeiçoamento da gestão, correção de distorções e combate a fraudes. O plano afirma que as famílias que dependem desses benefícios para garantir a alimentação continuarão recebendo assistência, desde que cumpram os critérios estabelecidos.

Ao mesmo tempo, o candidato defende que os programas sociais sejam associados a iniciativas de qualificação profissional e acesso ao mercado de trabalho.

Regularização de pequenas propriedades rurais 

Uma das medidas diretamente relacionadas aos pequenos produtores no programa do PL é a ampliação da regularização fundiária e da titulação de propriedades rurais. A proposta busca garantir que pequenos proprietários tenham documentos que comprovem a posse legal de seus imóveis, permitindo maior segurança jurídica para investir na produção e acessar financiamentos.

O candidato defende o fortalecimento da proteção ao direito de propriedade no campo e a regularização fundiária como uma condição para ampliar a capacidade de investimento dos produtores e estimular o desenvolvimento das atividades agrícolas

“Vamos promover ampla regularização e titulação do pequeno proprietário rural, para que quem trabalha a terra tenha o documento que prova que ela é sua, possa acessar crédito e investir com segurança. E traremos segurança jurídica sólida, irreversível e sem margem para relativizações do direito de propriedade, porque ninguém planta e investe no que teme perder

Seguro rural e proteção da produção 

Flávio Bolsonaro propõe ampliar o seguro rural para oferecer maior previsibilidade aos produtores diante dos riscos da atividade agrícola.

O documento também prevê a adoção de instrumentos de securitização e reorganização das dívidas do setor, com o objetivo de melhorar as condições de planejamento financeiro das atividades no campo.

Produção nacional de fertilizantes 

Flávio Bolsonaro também propõe ampliar a produção brasileira de fertilizantes, com o objetivo de reduzir a dependência das importações.

Na avaliação apresentada pelo candidato, a dependência de fertilizantes estrangeiros aumenta a exposição dos produtores às variações de preços internacionais, o que pode pressionar o custo da produção agrícola e dos alimentos.

LULA

Compras públicas e fortalecimento da agricultura familiar

O programa de Lula prevê ampliar o PAA (Programa de Aquisição de Alimentos) e as compras públicas de produtos da agricultura familiar. A política conecta o apoio aos pequenos produtores à oferta de alimentos para a população, utilizando compras governamentais como instrumento de comercialização.

O documento também prevê manter percentuais mínimos de aquisição de alimentos da agricultura familiar e de alimentos in natura para a alimentação escolar. Entre as metas apresentadas no programa estão a participação de 45% da agricultura familiar e de 80% de alimentos in natura na alimentação escolar.

A proposta busca criar demanda para os produtos dos pequenos agricultores e ampliar a presença de alimentos frescos nas refeições oferecidas nas escolas públicas. O resultado depende da implementação das metas, da capacidade de compra dos municípios e dos estados e das condições de produção e entrega dos fornecedores.

Crédito e apoio à produção de alimentos

Na agricultura familiar, o programa também prevê expandir o Plano Safra específico para o segmento, com juros compatíveis com o perfil do produtor e o tipo de produto financiado. A produção de alimentos da cesta básica aparece entre as prioridades.

O texto prevê reforçar linhas para agroecologia, produção orgânica, sociobiodiversidade, inovação e aquisição de máquinas adaptadas às propriedades familiares. Também estabelece condições diferenciadas para jovens agricultores, mulheres, cooperativas e associações.

Outra frente é simplificar o acesso ao crédito por meio de soluções digitais. O programa ainda prevê fortalecer o Garantia-Safra e ampliar o acesso ao seguro rural da agricultura familiar.

Apesar da variedade de medidas, o documento não apresenta metas quantitativas para o número de novos agricultores familiares atendidos nem define valores específicos para cada linha de apoio no próximo mandato.

Assistência técnica, mecanização e proteção contra perdas 

O candidato também prevê ampliar a oferta de Assistência Técnica e Extensão Rural, com o objetivo de apoiar a produção agrícola.

O plano estabelece ainda o fortalecimento do programa Mais Alimentos, voltado ao acesso à mecanização adaptada às pequenas propriedades e ao aumento da produtividade.

Diante dos eventos climáticos extremos, a proposta prevê o fortalecimento do Programa Garantia-Safra e a ampliação do acesso ao seguro rural para os agricultores familiares.

Também está previsto o aperfeiçoamento das regras de segurança agropecuária aplicadas às agroindústrias familiares, para facilitar a comercialização de produtos entre os estados.

O plano também estabelece medidas de regularização fundiária e de titulação de territórios quilombolas e de comunidades tradicionais.

Infraestrutura e permanência no campo 

Outra prioridade apresentada é ampliar o Programa Cisternas em regiões com estresse hídrico, garantindo água para consumo humano e produção agrícola.

Lula também propõe aumentar os investimentos em saneamento rural, ampliar o acesso à energia elétrica no campo, com prioridade para fontes renováveis, e fortalecer o Pronera, Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária.

Combate à fome e garantia de renda 

O plano de governo associa o combate à fome às políticas de transferência de renda, ao aumento do poder de compra da população e ao fortalecimento da produção de alimentos.

Para o próximo governo, Lula propõe dar continuidade ao fortalecimento das instâncias de participação e governança em segurança alimentar, além de manter a atuação brasileira na Aliança Global contra a Fome e a Pobreza. 

O QUE É AGRICULTURA FAMILIAR

É considerada Agricultura Familiar o agricultor que dirige diretamente sua produção; utiliza predominantemente a mão de obra familiar; tem a maior parte da renda proveniente das atividades exercidas em seu próprio estabelecimento, um imóvel rural com até quatro módulos fiscais. Para não deixar dúvidas essas definições estão descrita em lei(nº 11.326/2006.).

O último Censo Agropecuário de 2017 mostrou que 67% das pessoas que atuam no campo, ou 10,1 milhões de pessoas, trabalham com esse modelo de produção.

São 3,9 milhões de propriedades, equivalentes a 77% das unidades agropecuárias do país. Elas ocupam quase 81 milhões de hectares, ou 23% das áreas produtivas e agricultáveis do país.

Dessas propriedades saem alimentos frescos, básicos mas essenciais. Como banana, leite, mandioca…

Segundo o programa “Pacto para Fome”, criado em 2023 por coalizão multissetorial e suprapartidária da sociedade civil, entre as contribuições da agricultura familiar está a garantia da segurança alimentar com produção diversificada de alimentos frescos, saudáveis e nutritivos para as comunidades locais.

A Organização das Nações Unidas estima que mais de 80% dos alimentos no mundo são produzidos em pequenas propriedades, consolidando a participação desse modelo de produção nas metas de segurança alimentar e combate a fome.

 Aviso ao leitor: Esta reportagem faz parte de uma série da CNN Brasil sobre as propostas dos candidatos à Presidência da República para o agronegócio. Os textos abordam diferentes temas relacionados ao setor; por isso, esta análise se concentra na agricultura familiar, no fomento para os pequenos produtores e na produção destinada a segurança alimentar e ao combate à fome.

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USDA aponta alta de 3% na produção de ovos nos Estados Unidos

Os incubatórios dos Estados Unidos colocaram 246 milhões de ovos de linhagens destinadas à produção de frangos de corte em incubadoras na semana encerrada em 17 de outubro de 2026, alta de 3% em relação ao mesmo período do ano passado, conforme os dados do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos).

No mesmo intervalo, os produtores norte-americanos alojaram 193 milhões de pintinhos para a produção de carne, volume 2% superior ao registrado um ano antes. Os números indicam avanço tanto na etapa de incubação quanto no início da criação das aves destinadas ao abate.

De acordo com o relatório semanal do NASS (Serviço Nacional de Estatísticas Agrícolas), vinculado ao USDA, a taxa média de eclosão dos pintinhos foi de 79,7%. O indicador é calculado pela divisão do número de pintinhos nascidos na semana pelo total de ovos colocados em incubadoras três semanas antes.

No acumulado de 2026, considerando o período da semana encerrada em 10 de janeiro até 17 de outubro, o alojamento chegou a 8,03 bilhões de pintinhos nos Estados Unidos, crescimento de 2% em comparação com o mesmo intervalo de 2025.

Os dados de incubação e alojamento são acompanhados pelo mercado porque ajudam a estimar a oferta futura de carne de frango e a orientar decisões de produtores, frigoríficos e demais agentes da cadeia avícola. Como os pintinhos alojados ainda precisam passar pelo ciclo de criação, os números funcionam como um indicador antecipado da disponibilidade de aves para abate nas semanas seguintes.

O avanço nas duas etapas aponta para uma expansão moderada da atividade avícola norte-americana em relação ao ano anterior. Os dados, no entanto, não permitem concluir isoladamente como será o comportamento dos preços ou da oferta efetiva de carne de frango, que também depende do desempenho produtivo, do peso das aves ao abate, da demanda interna e do comércio internacional.

ABPA projeta US$ 57 milhões em negócios com a Ásia

 

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Sudão autoriza importação de carnes, aves e material genético do Brasil

A autoridade sanitária do Sudão autorizou a entrada de novos produtos agropecuários brasileiros, ampliando as possibilidades de comércio entre os dois países. As aprovações abrangem carnes, produtos cárneos e miúdos de aves, bovinos e caprinos, além de aves de um dia, ovos férteis e material genético para reprodução animal.

A lista de produtos autorizados também inclui bovinos e búfalos destinados à reprodução, bem como embriões bovinos e bubalinos produzidos por técnicas in vitro e in vivo. A medida abre espaço para ampliar as exportações brasileiras tanto de proteína animal quanto de genética e insumos voltados à produção pecuária.

No segmento de aves, a autorização contempla animais de um dia e ovos férteis, produtos utilizados na formação e na expansão de plantéis. Já a liberação de carnes, produtos cárneos e miúdos abrange três grupos de animais — aves, bovinos e caprinos —, ampliando a variedade de itens brasileiros que poderão acessar o mercado sudanês.

Na área de reprodução animal, a inclusão de bovinos e búfalos vivos, além de embriões produzidos por diferentes técnicas, cria oportunidades para o fornecimento de animais e material genético brasileiro destinado ao melhoramento dos rebanhos e à expansão da atividade pecuária.

Exigências da UE geram impacto limitado nas exportações de carnes

 

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