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Hotéis, cafés e restaurantes apontam custos e dificuldades operacionais da Volta


A associação que representa os restaurantes, cafés e hotéis considera que o sistema Volta não está, na prática, a apresentar soluções adequadas à realidade operacional destes estabelecimentos. A prioridade, na ótica do setor, é densificar a rede de quiosques, mas pedem também uma recolha direta nos estabelecimentos “mais flexível” e uma resposta mais rápida a avarias nos equipamentos. Para já, apontam ter “custos adicionais, perda de tempo e constrangimentos operacionais” com o sistema.

“O principal problema é o desajuste entre o modelo de funcionamento do Sistema de Depósito e Reembolso (SDR) e a realidade operacional do canal HORECA [restaurantes, cafés, bares e várias tipologias de estabelecimentos de alojamento turístico]”, afirma a porta-voz da Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP), Ana Jacinto, em resposta ao ECO/Capital Verde.

A associação não coloca em causa a existência do sistema, mas vinca que é necessário garantir que a rede de recolha tem escala, proximidade e modelos operacionais compatíveis com a realidade de negócios que movimentam diariamente grandes quantidades de embalagens.

A porta-voz assinala que, “em teoria”, existem diferentes possibilidades de encaminhamento das embalagens, desde os pontos de recolha nos supermercados até aos quiosques, passando pela recolha direta nos estabelecimentos. “O problema é que nenhuma destas soluções responde ainda, de forma suficientemente abrangente e simples, às necessidades específicas do HORECA”, consideram estes estabelecimentos.

O problema é que nenhuma destas soluções responde ainda, de forma suficientemente abrangente e simples, às necessidades específicas do HORECA.

Ana Jacinto

Porta-voz da AHRESP

Os quiosques Volta são considerados “uma resposta mais adequada”, já que permitem entregar grandes quantidades de embalagens de uma só vez. O problema é que “a sua cobertura territorial continua longe de responder a toda a concentração de estabelecimentos HORECA”.

Neste sentido, a AHRESP define como “a primeira prioridade” acelerar e densificar a rede de quiosques Volta mas, além de aumentar o número, considera ainda “fundamental” colocá-los onde estão os estabelecimentos, em zonas de elevada concentração de restauração, bebidas e alojamento turístico, com bons acessos e horários compatíveis com a atividade das empresas.

“Neste processo, os municípios podem desempenhar um papel importante, nomeadamente facilitando a disponibilização de espaços adequados”, indica Ana Jacinto.

Em relação ao sistema de recolha direta, através do qual a SDR Portugal vai aos estabelecimentos buscar as embalagens, a associação aponta também algumas dificuldades. Em primeiro lugar, é obrigatório registar previamente os sacos onde se armazenam as embalagens recolhidas numa aplicação própria, uma tarefa administrativa adicional.

Em segundo lugar, o levantamento sem custos exige um mínimo de quatro sacos cheios. “Para muitos estabelecimentos, particularmente os de pequena dimensão, armazenar quatro sacos de 240 litros até à recolha é um problema real de espaço e de operação”, afirma Jacinto. De forma a responder a estas questões, os estabelecimentos defendem “uma recolha direta mais flexível”, quer ao nível das quantidades mínimas, quer da frequência, bem como uma simplificação “significativa” dos procedimentos de adesão e utilização.

O que resta, “muitas vezes”, é o uso das máquinas Voltas instaladas nos supermercados, que exige a deslocação de trabalhadores e a introdução de embalagens uma a uma, “consumindo tempo e recursos humanos”. “Quando existem avarias, indisponibilidade ou falta de capacidade dos equipamentos, o problema agrava-se”, denuncia a AHRESP.

Nestes casos, os empresários são obrigados a encontrar alternativas, mobilizando trabalhadores e meios de transporte para encaminhar as embalagens. “É igualmente necessário reforçar a fiabilidade dos equipamentos e melhorar os mecanismos de apoio técnico e resolução rápida de problemas”, afirma a associação.

Empresas queixam-se de custos e tempo exigidos

“As dificuldades identificadas traduzem-se em custos adicionais, perda de tempo e constrangimentos operacionais para as empresas”, resume a porta-voz da AHRESP. A mesma fonte explica que os estabelecimentos têm de assegurar a separação e o armazenamento temporário das embalagens, muitas vezes em espaços já limitados e necessários à atividade diária, conciliando esta operação com exigências de higiene, segurança alimentar e gestão de resíduos.

Em paralelo, Ana Jacinto fala de exigências administrativas “significativas”, associadas ao registo nos portais, à configuração de acessos, à utilização das aplicações e à resolução de problemas técnicos. Para muitas destas empresas, que dispõem de equipas administrativas dedicadas, estes procedimentos representam um encargo “particularmente relevante”.

Um sistema que depende da colaboração dos estabelecimentos tem de lhes proporcionar condições operacionais que permitam cumprir as suas obrigações sem comprometer o seu funcionamento.

Ana Jacinto

Porta-voz da AHRESP

Por fim, quando o encaminhamento das embalagens é difícil ou demora a concretizar-se, os estabelecimentos enfrentam dificuldades em fechar este circuito financeiro e operacional, considerando a recuperação do valor dos depósitos pagos na aquisição das bebidas.

“Um sistema que depende da colaboração dos estabelecimentos tem de lhes proporcionar condições operacionais que permitam cumprir as suas obrigações sem comprometer o seu funcionamento” e sem transferir para as empresas “encargos operacionais e económicos desproporcionados”, remata a associação.

A mesma entidade diz manter um diálogo aberto com a SDR Portugal e entidades governamentais competentes, tendo já reportado os constrangimentos e insistindo na apresentação de “respostas concretas e urgentes”. Enquanto estas não surgem, a recomendação é que os estabelecimentos continuem a cumprir as regras aplicáveis e escolham, entre as soluções disponíveis, aquela que melhor se adapta à sua operação.

No final da passada sexta-feira, a propósito do envio de um plano para a higiene urbana ao ministério do Ambiente, a SDR Portugal reconheceu em comunicado que “subsistem desafios” e entre eles destaca a necessidade de desenvolver soluções mais adequadas para o canal HORECA. Aponta também que deve ser melhorado o acesso da população à rede instalada, e deve ser alargado o serviço a zonas do país menos cobertas e a espaços de elevada circulação, como terminais de transportes aéreos e terrestres.

É através de uma maior articulação entre as entidades responsáveis que a SDR Portugal pretende acelerar a implementação dos quiosques Volta, uma medida considerada “estruturante” para responder à devolução de grandes quantidades de embalagens, afirma a associação sem fins lucrativos responsável pelo sistema.

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Gestora da Volta já entregou plano para higiene urbana ao Governo


A SDR Portugal, responsável pelo sistema de depósito e reembolso conhecido por Volta, entregou esta sexta-feira um “plano de cooperação” para prevenir e mitigar os desafios de limpeza urbana associados ao funcionamento do sistema.

A associação garante que o plano contém medidas “concretas”, mas opta por não as especificar. São ao todo 14, divididas por quatro eixos estratégicos, complementados por um eixo transversal de governação e monitorização.

“O principal objetivo é reforçar a proximidade e a cooperação com as entidades responsáveis pela gestão de resíduos e pela limpeza urbana”, nomeadamente municípios, juntas de freguesia e Sistemas de Gestão de Resíduos Urbanos (SGRU), indica num comunicado.

A ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, pediu à SDR Portugal que apresentasse um plano de higienização na sequência de incidentes verificados em cidades. Sobretudo em grandes centros urbanos, como Lisboa, alguns cidadãos, ao procurar embalagens nos contentores, acabam por deixar lixo espalhado pela via pública. O autarca da capital, Carlos Moedas, acusou o Volta de criar problemas e custos à cidade, pedindo que o sistema fosse cancelado.

Sobre esta questão da higiene urbana, a SDR Portugal afirma apenas no comunicado que propõe “uma atuação concertada com os seus parceiros para responder a alguns dos impactos sociais que têm sido observados”. Enquadra ainda que estes “fenómenos” ocorrem num contexto marcado por desafios “históricos” de limpeza urbana e por uma “crescente pressão” decorrente da atividade turística.

A entidade reconhece que “subsistem desafios”, e, entre eles, destaca a necessidade de desenvolver soluções mais adequadas para o canal HoReCa (hotelaria, restaurantes e cafés). Aponta também que deve ser melhorado o acesso da população à rede instalada, e deve ser alargado o serviço a zonas do país menos cobertas e a espaços de elevada circulação, como terminais de transportes aéreos e terrestres.

É através de uma maior articulação entre as entidades responsáveis que a SDR Portugal pretende acelerar a implementação dos quiosques Volta, uma medida considerada “estruturante” para responder à devolução de grandes quantidades de embalagens, uma necessidade sobretudo do canal HoReCa.

“A SDR Portugal reafirma a sua disponibilidade para colaborar com o Governo, os municípios, as juntas de freguesia e as entidades gestoras de resíduos na procura de soluções concretas, respeitando o quadro legal e as competências de cada entidade”, conclui a associação sem fins lucrativos, responsável pelo sistema.

A SDR dá também conta de que já foram devolvidas mais de 500 milhões de embalagens nos mais de 3.000 pontos volta automáticos, pontos Volta manuais e nos oito quiosques Volta existentes.

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