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Cirurgia inédita reconstrói clitóris após câncer de vulva; entenda

Quarenta anos depois da primeira cirurgia de reconstrução peniana após o câncer, médicos desenvolveram o primeiro procedimento de reconstrução do clitóris. De forma inédita, o objetivo da técnica é devolver às pacientes o prazer sexual, perdido após a vulvectomia, cirurgia para remover um tumor na vulva, conhecido como “câncer de vulva”.

Ao todo, 23 mulheres já passaram pelo procedimento de reconstrução no centro médico Radboudumc, na Holanda. Cerca de 90% das participantes conseguiram voltar a ter orgasmos após a cirurgia. As sensações costumam acontecer entre três e seis meses após a operação, segundo explica o cirurgião plástico Tim Nijhuis, desenvolvedor da técnica.

Inicialmente, o clitóris pode ficar excessivamente sensível ou, inversamente, menos sensível. No entanto, a recuperação geralmente é ótima após um ano. Na maioria das mulheres, a sensação retorna a um nível comparável ao de antes da cirurgia.

Tim Nijhuis, cirurgião plástico do Radboudumc

 

O câncer de vulva é um tipo raro de câncer ginecológico que afeta a região externa do sistema reprodutor feminino, incluindo os pequenos e grandes lábios, o clitóris e a região do períneo. Esse tipo de câncer é mais comum em mulheres na pós-menopausa e pode estar associado à infecção pelo HPV (papilomavírus humano), além de outras condições, como doenças dermatológicas crônicas e imunossupressão.

A vulvectomia é a principal maneira de remover a lesão e pode incluir a remoção parcial ou total da vulva, influenciando no prazer sexual feminino, segundo explica a oncologista ginecológica Mieke ten Eikelder, do Radboudumc.

“Quando o tumor está localizado dentro ou ao redor do clitóris, às vezes precisamos remover parte dele. Até agora, a ferida era simplesmente fechada depois, e o clitóris desaparecia sob uma camada de pele, com pouca atenção à qualidade de vida ou à possibilidade de o orgasmo ainda ser possível.”

Mieke ten Eikelder, oncologista ginecológica do Radboudumc

Como acontece o procedimento?

A técnica é realizada após a retirada da lesão, ainda durante a cirurgia, e leva cerca de quinze minutos a mais do que a o procedimento tradicional.

Como a maior parte do clitóris fica localizada abaixo da pele, o cirurgião solta o ligamento que prende essa parte e a puxa para a superfície, com cuidado para manter intactos os nervos e vasos sanguíneos (feixe vasculonervoso dorsal) que geram o prazer.

O tecido é fixado na posição e coberto com um pedaço de mucosa bucal (retirado do interior da bochecha) ou vaginal, por ser um tecido macio e parecido com o revestimento natural da vulva.

A pele ao redor é dobrada sobre a ponta do clitóris e forma um “capuz”, evitando que o atrito direto cause dor no dia a dia.

Uma vez removido o tumor, os feixes nervosos são liberados e reposicionados para criar uma nova ponta clitoriana. Em seguida, cobrimos com um pequeno enxerto de mucosa bucal. Esse tipo de tecido se assemelha muito ao tecido encontrado ao redor da vulva. Essa abordagem ajuda a preservar a sensação clitoriana.

Tim Nijhuis, cirurgião plástico do Radboudumc

Expansão da técnica

O procedimento surge como uma opção para as pacientes com câncer de vulva e que sofreram mutilação genital. Aproximadamente 450 mulheres na Holanda são diagnosticadas com a doença a cada ano.

A técnica de reconstrução clitoriana está sendo introduzida em todo o país como parte de um programa de pesquisa científica. Além do Radboudumc, outros oito hospitais holandeses tratam câncer de vulva. Todos participam de um projeto de acompanhamento no qual oncologistas ginecológicos e cirurgiões plásticos serão treinados pelos desenvolvedores da técnica.

Segundo o Radboudumc, os próximos passos incluem realizar novos estudos para comprovar a efetividade do proceddimento e, assim, expandi-lo para outros centros da Holanda e de outros países.

Como a infecção por HPV pode virar câncer de colo de útero? Entenda

 

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Consultas por lesões pré-cancerígenas caem após vacina contra HPV

Logo Agência Brasil

As consultas por lesões pré-cancerígenas no colo do útero em adolescentes caíram quase 78% após o início da vacinação contra o HPV no Sistema Único de Saúde (SUS). De acordo com pesquisa publicada na revista científica Human Vaccines & Immunotherapeutics, esta é mais uma evidência da eficiência e importância do imunizante.

O papilomavírus humano, ou HPV, é o principal causador do câncer de colo do útero, que se desenvolve a partir de lesões não tratadas, as chamadas neoplasias intraepiteliais cervicais de alto grau. Ao prevenir a infecção pelo vírus, a vacinação contra o HPV também impede o surgimento das lesões que podem evoluir para câncer.

Notícias relacionadas:

Desde 2014, o SUS oferece a vacina contra o HPV para crianças e adolescentes do sexo feminino. A cobertura foi ampliada também para o sexo masculino em 2017. Atualmente, ela é aplicada na faixa etária dos 9 aos 14 anos. A pesquisa mostra que essa inclusão mudou radicalmente a incidências das lesões.

Em 2011, 474 adolescentes de 15 a 19 anos foram atendidas no SUS por causa da doença, número que subiu para 603 em 2015, logo após o início da vacinação. No entanto, a queda foi vertiginosa nos anos seguintes, passando para 299 consultas em 2019 e para 136 em 2023.

A taxa de consultas a cada 100 mil adolescentes, indicador que equilibra as mudanças no tamanho da população, também caiu drasticamente de 7,1 em 2015 para 1,8 em 2023. Os pesquisadores salientam que esta é a única faixa etária que registrou quedas tão expressivas, o que coincide com o público vacinado em massa pelo SUS.

Os pesquisadores também avaliaram as primeiras consultas por causa de outras infecções sexualmente transmissíveis, e identificaram um movimento contrário. Entre adolescentes de 15 a 19 anos, a taxa de procura de serviços médicos saltou de 1,7 em 2015 para 10,8 em 2023.

"Esse resultado reforça que a redução dos casos de lesões de alto grau entre as adolescentes provavelmente não é consequência de mudanças seculares na saúde sexual ou na utilização dos serviços de saúde", avaliam.

A pesquisa também traz estimativas de quantas lesões podem ter sido evitadas, considerando a curva de casos antes da vacinação. De 2011 a 2019, foram 2.620 primeiras consultas em adolescentes. Mas esse total poderia ter sido de 7.688, se o SUS não oferecesse a vacina, cerca de 5 mil casos a mais.

Os dados analisados pelos pesquisadores da farmacêutica MSD foram coletados do Sistema de Informações Ambulatoriais de Saúde e se referem a primeiras consultas registradas com códigos de diagnóstico específicos para essas lesões, acompanhadas de pelo menos um procedimento pertinente.

O câncer de colo do útero é o terceiro tipo mais frequente entre as mulheres no Brasil, com cerca de 19 mil novos casos diagnosticados por ano. Também é um dos tipos mais mortais, com cerca de 7 mil óbitos registrados anualmente.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a doença pode ser erradicada em alguns anos, desde que os países consigam oferecer a vacinação com altas coberturas, exames de rastreamento na faixa etária indicada, para identificar a presença do vírus ou de lesões, e o tratamento adequado das neoplasias, antes que elas evoluam para câncer.

O estudo "representa um indicador promissor do impacto precoce da vacinação contra o HPV", reforçam os pesquisadores, mas "a manutenção desses avanços exigirá a preservação de altas coberturas vacinais", além do resgate dos jovens que não se vacinaram na época correta.

Eles também sugerem que o governo considere ampliar gradualmente a faixa etária coberta. Por enquanto, o Ministério da Saúde tem feito campanhas de resgate para jovens de até 19 anos que ainda não se vacinaram, e também disponibiliza o imunizante para públicos mais vulneráveis como pessoas que já tiveram lesões pré-cancerígenas, vítimas de violência sexual e usuários de profilaxia pré-exposição para prevenir o HIV.

O HPV também é uma causa importante de outros tipos de câncer, como de pênis, ânus, vagina e orofaringe. O vírus é bastante prevalente na população, e estima-se que 80% das pessoas terão contato com ele em algum momento da vida, mas apenas alguns subtipos têm potencial cancerígeno.

A vacinação é a melhor estratégia para prevenir o contágio, mas exames preventivos, como o papanicolau, e a avaliação adequada de verrugas e outros sinais pode evitar que lesões pré-cancerígenas evoluam para câncer.

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