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“Não há perigo de contágio para as pessoas”, tranquiliza ministro da Agricultura sobre vírus Shamonda

VTM

José Manuel Fernandes afirmou que o vírus Shamonda, transmitido por insetos do género Culicoides, “não leva a mortalidade dos animais” e garantiu que “não há nenhum perigo de contágio para as pessoas”.

O governante sublinhou que “não vamos é entrar num alarme, que neste momento não se justifica”, referindo que o impacto na saúde animal não é grave. O ministro destacou um caso isolado em França, onde uma pessoa com estado de saúde muito debilitado contraiu o vírus, mas enfatizou que não se pode afirmar que a morte tenha sido causada pelo vírus.

Atualmente, ainda não existe um plano específico para lidar com o vírus Shamonda. A solução proposta pelo ministro é a monitorização e a melhoria das condições sanitárias nas explorações pecuárias. Fernandes defendeu a necessidade de “avançar rapidamente numa investigação” à escala da União Europeia para desenvolver vacinas eficazes e acessíveis.

O veterinário do Agrupamento de Defesa Sanitário (ADS) de Palaçoulo, no concelho de Miranda do Douro, alertou na quinta-feira, em declarações à Lusa, para o preço elevado das análises a bovinos para a deteção do vírus Shamonda que afetou uma exploração em Vimioso.

Luís Fernandes explicou ter obtido a informação de que o preço das análises ronda mais de 30 euros, o que numa vacada, por exemplo com 50 animais, já requer algum investimento por parte dos produtores pecuários onde existam sintomas.

Questionado sobre a possibilidade de comparticipação nas análises devido às dificuldades financeiras dos produtores, o ministro não se comprometeu. “Não vamos fazer análises que não sejam necessárias; nós avaliaremos e se for necessário apoio, fazemos”, disse.

A Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) confirmou a deteção do vírus em vários países da União Europeia, incluindo Portugal e Espanha. O último relatório indicava casos nos concelhos de Odemira, Vimioso, Évora, Loures, Crato e Montijo.

Os bovinos são os mais afetados pela infeção, embora ovinos e caprinos também possam ser suscetíveis sem manifestações clínicas evidentes. Os bovinos com infeções agudas podem apresentar febre, diarreia e redução na produção leiteira entre 10% e 20%.

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Ministro da Agricultura anuncia linha de apoio de 35 ME para jovens agricultores

VTM

“Agora abrimos mais um novo concurso com o objetivo de termos 200 novos agricultores, no valor de 35 milhões de euros”, adiantou o ministro, hoje, no I Encontro de Jovens Agricultores, que está a decorrer em Macedo de Cavaleiros.

José Manuel Fernandes adiantou que esta linha terá “custos unitários e custos simplificados” e haverá “desburocratização”, nomeadamente no licenciamento dos recursos hídricos e na transmissão de explorações, sendo por isso, “muito mais rápida” a aquisição do apoio.

“Quem apresentar agora a candidatura, no que diz respeito aos licenciamentos dos recursos hídricos, não será no momento da submissão da candidatura que tem de ter esse licenciamento, nem faz sentido, […] mas será apresentado no momento que há o contrato depois da candidatura aprovada […] Uma outra simplificação tem a ver com a possibilidade de termos uma transmissão de uma exploração de uma forma mais simples e célere sem penalização da candidatura”, explicou.

O ministro referiu ainda um outro apoio, direcionado à renovação de gerações na agricultura, com 330 milhões de euros disponíveis para apoiar 2.000 jovens, adiantando que “mais de 1.500″ projetos já estão em curso.

“A nossa média de idades na agricultura é de cerca de 64 anos. Nós temos de trabalhar para a segurança alimentar, comida no prato, isso implica renovação geracional, que também traz conhecimento, modernidade, a possibilidade de usar drones, robótica, essa agricultura e agricultura de precisão com maior produtividade também é essencial”, afirmou.

Em 07 de outubro, a Lusa noticiou testemunhos de jovens agricultores que dizem não conseguir viver apenas do setor agrícola, sendo obrigados a recorrer a outra fonte de financiamento.

Confrontado com estas declarações, José Manuel Fernandes entende “que hoje os jovens têm todo o direito e devem poder ter empregos complementares”, sublinhando que os que estão em exclusividade na agricultura recebem um “bom apoio” de “55 mil euros” para a instalação do seu projeto.

“Não podendo ter jovens em exclusividade, estando eles também a trabalhar para agricultura já estão a ajudar o objetivo da segurança alimentar”, disse.

Durante a sua intervenção no I Encontro de Jovens Agricultores, o governante deixou ainda criticas a políticas ambientais que colocam “em desvantagem” os agricultores portugueses, realçando que há falta de perceção de que a “agricultura é um financiador do ambiente”, vincando que “cerca de 41% da Política Agrícola Comum é para objetivos ambientais”, que se traduzem em “mais de 400 milhões de euros por ano”.

Para o ministro da agricultura, esta deveria ser a “missão do fundo ambiental, não devia ser uma missão da agricultura”, obrigando a cumprir legislação “onde às vezes há exageros”.

“Como é que eu explico a um agricultor que ele não pode utilizar um determinado produto fitofarmacêutico na produção e eu vou a seguir a um supermercado, compro um alimento que foi importado de países fora da União Europeia e eu usa aquele produto fitofarmacêutico. (…) Qual é a lógica disto?”, questionou.

Segundo José Manuel Fernandes, estas políticas levam “a perda de competitividade”.

“Aquilo que é permitido fazer em Portugal e na Europa deve ser permitido também aos outros países que exportam para aqui, mas aquilo que é proibido fazer aqui no processo de produção também devia ser proibido fazer nos países que exportam para aqui. Trata-se de uma igualdade de circunstâncias”, defendeu.

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