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Corretoras de seguros atingem 22% de retorno de capital em 2025


As 20 maiores corretoras de seguros em Portugal registaram, em 2025, um volume de negócios agregado de 317,9 milhões de euros e resultados líquidos de 41,27 milhões, correspondentes a uma rentabilidade dos capitais próprios (ROE – Return on Equity) de 23%, abaixo dos 27% de 2024. Veja a rentabilidade, uma por uma, em baixo.

Carlos Gaspar é diretor geral da Gaspar & Costa, agente de seguros que nasceu há 53 anos e se tornou corretora em 2023. Com sede em Pombal e presença forte em Leiria e Marinha Grande, é a 18ª maior corretora em Portugal com 3,5 milhões de receitas, 48 empregados, 16.300 clientes e parceira de 32 seguradoras diferentes.

A descida do ROE deveu-se ao aumento de 34% dos capitais próprios das 20 maiores corretoras, para 180 milhões de euros, enquanto os resultados líquidos cresceram “apenas” 12%, para 41,2 milhões de euros. Este aumento dos capitais próprios foi impulsionado, em grande parte, pela holding MDS, que realizou prestações acessórias no valor de 25 milhões de euros na MDS Corretora.

Entretanto a ASF, entidade supervisora do setor, divulgou o seu Relatório sobre a Atividade da Mediação de Seguros 2025. Neste estudo analisou o universo das 68 corretoras que operaram em Portugal em 2025. Para todas, os resultados líquidos totalizaram 48,29 milhões de euros e o ROE atingiu 22%, pelos valores indicados pode concluir-se que as TOP 20 significaram 85% do total dos lucros dos corretores.

Fonte: ASF

A informação da ASF confirma que rendibilidade dos capitais próprios (ROE) manteve-se positiva desde 2021 mas recuou em 2024 e 2025, depois de atingir o valor mais elevado em 2023. O supervisor alerta que a redução da ROE não traduz necessariamente uma deterioração dos resultados, mas confirma sobretudo o aumento da base de capital sobre a qual é calculada a rendibilidade.

A muito rentável Gaspar & Costa

A Gaspar & Costa manteve a liderança no ranking das corretoras mais rentáveis para os seus proprietários. Obteve um ROE de 95%, seguiu-se a, agora em trânsito para o Grupo Rego, Corbroker, com 86% e a Sabseg, com 83%. Estes valores mostram uma elevada capacidade de gerar resultados face aos capitais próprios contabilizados, embora rácios tão elevados possam também refletir uma base de capital relativamente reduzida. A Costa Duarte (53%) e a F. Rego (51%) completam o grupo das cinco corretoras com maior retorno do capital próprio.

A SegUp (42%), a Seguramos (41%) e a Diagonal (40%) também registaram ROE de 40% ou mais. Entre as grandes corretoras internacionais, Marsh e AON apresentaram ambas um retorno de 28%, enquanto a WTW ficou nos 18%. A Concentra atingiu 27%, enquanto a Villas Boas ACP ficou nos 24% e a Verspieren nos 23%. A Sosel conseguiu 22% e a Verlingue 21%. No extremo inferior, a NacionalGest apresentou um ROE praticamente nulo, enquanto a MDS registou um valor negativo de 5%, refletindo um resultado líquido negativo de 1,84 milhões de euros.

A MDS, líder de mercado por receitas em 2025, apresentou no ano um resultado líquido negativo de 1,84 milhões de euros e uma ROE de -3,7%, sendo a única das 20 maiores corretoras com rendibilidade negativa. A causa está identificada pelo grupo e deve-se à concentração de custos na MDS – Corretora, a empresa do grupo registada como tal junto da ASF. O negócio em Portugal está disperso por diversas participadas na mediação de seguros e, assim, o grupo anuncia receitas em Portugal de 95,9 milhões de euros e um resultado líquido agregado de 10,8 milhões.

A principal conclusão é que a dimensão do negócio não determina, por si só, a rentabilidade do capital. A Gaspar & Costa e a Corbroker apresentam os ROE mais elevados, apesar de terem volumes de negócios muito inferiores aos da MDS, da Sabseg, da AON ou da Marsh. A leitura do indicador exige, contudo, cautela: um ROE elevado pode resultar de lucros expressivos, de capitais próprios reduzidos ou de ambos. Por isso, deve ser analisado em conjunto com os resultados líquidos, a evolução dos capitais próprios e a rentabilidade das vendas (ROS), para distinguir uma operação efetivamente mais rentável de um rácio elevado devido à estrutura de capital.

Assim, a análise da rentabilidade das vendas (ROS – Return on Sales) das 20 maiores corretoras de seguros em Portugal mostra que a Gaspar & Costa lidera em 2025, com uma margem de 29,9%, seguida da Costa Duarte, com 25,1%, e da Villas Boas ACP, com 24,1%. O indicador mede a proporção do volume de negócios que se transforma em resultado líquido: por cada 100 euros de vendas, a Gaspar & Costa gerou cerca de 29,90 euros de lucro. A Corbroker alcançou 21,4%, a WTW 19,7%, a F. Rego 19,6%, a AON 19,4%, a João Mata 18,3%, enquanto a Sabseg e a Verlingue registaram ambas 18,1%. Estes valores evidenciam diferenças importantes na capacidade de converter receitas em resultados.

Solidez e liquidez, além de rentabilidade

A ASF acompanha de perto a situação económica e financeira das corretoras identificando eventuais vulnerabilidades suscetíveis de afetar a continuidade e a sustentabilidade da respetiva atividade. Por esse motivo, analisa as demonstrações financeiras anuais de cada corretora, incluindo as respetivas notas às demonstrações financeiras, para compreender de forma mais detalhada a evolução da situação patrimonial, financeira e económica de cada entidade.

A preocupação da ASF é essencialmente a robustez financeira destas entidades, designadamente quanto à respetiva estrutura de capitais, capacidade de cumprimento das responsabilidades assumidas e liquidez disponível para fazer face aos compromissos de curto prazo.

Assim, e para além da rentabilidade geral e dos capitais próprios, o supervisor está particularmente atento a:

  • Rácio de autonomia financeira: calculado através da relação entre o Capital Próprio e o Ativo, cujo mínimo exigido é de 15%;
  • Rácio de solvabilidade: calculado através da relação entre o Capital Próprio e o Passivo, cujo mínimo exigido é de 20%;
  • Rácio de liquidez geral: calculado através da relação entre o Ativo corrente e o Passivo corrente, cujo limiar regulamentar é de 100%.

Também estes indicadores estão bastante positivos para o conjunto das corretoras:

Fonte: ASF

Para o regulador, o rácio de autonomia financeira dos corretores de seguros e mediadores de resseguros manteve-se acima do mínimo regulamentar, de 15%, desde 2021 embora tenha recuado nos dois últimos anos. Apesar desta redução, os capitais próprios continuavam a representar cerca de 41% do ativo no final do período, refletindo “uma estrutura de financiamento sólida e uma dependência relativamente limitada de capitais alheios”, refere a ASF.

Também o rácio de solvabilidade manteve-se significativamente acima do mínimo regulamentar, de 20%, nos últimos cinco anos, embora tenha recuado nos dois últimos anos. Apesar desta redução, o Supervisor comenta que “a margem de solvabilidade continuava confortável no final do período, com o rácio a situar-se 49 pontos percentuais acima do mínimo exigido, evidenciando a manutenção de uma capacidade de cobertura dos requisitos regulamentares substancialmente superior ao limite legal”.

Por último, o rácio de liquidez geral dos corretores de seguros e mediadores de resseguros manteve-se igualmente acima do mínimo regulamentar, de 100%, em todos os anos analisados, oscilando entre 138,6% e 147,5%. A evolução aponta para a manutenção de “uma capacidade confortável de cobertura dos compromissos de curto prazo através dos ativos correntes, apesar da quebra registada em 2024”, conclui a ASF.

Veja aqui quais as corretoras mais rentáveis para os seus proprietários:

 

 

 

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Banco Santander quer criar uma nova corretora de seguros em Espanha


O Banco Santander, em Espanha, contratou a consultora KPMG para selecionar um parceiro e criar uma nova corretora de seguros dedicada a empresas. No âmbito do projeto, a instituição financeira pretende reter uma posição de 49%, alienando a maioria do capital (51%) ao novo aliado, avança o jornal Expansión (acesso pago). O processo de seleção está em andamento. mas o banco espera fechar a escolha do parceiro antes do final do ano.

Para este processo competitivo, o Santander convidou um grupo restrito de corretoras, onde se incluem a WTW (Willis Towers Watson), Aon, Sabseg e Alkora. Ficaram fora do convite gigantes do setor como a Marsh. A nova empresa conjunta irá canalizar o negócio que o Santander partilha atualmente com a WTW, com quem tem uma parceria comercial focada em clientes empresariais com faturação superior a 50 milhões de euros e que movimenta cerca de 100 milhões em prémios intermediados.

Se a WTW não vencer o concurso arrisca-se a perder a parceria se o banco optar por outro concorrente. A participação da Aon e da Sabseg poderá ainda levantar questões de conflitos de interesses, devido às ligações de responsáveis das duas corretoras ao grupo bancário.

A aposta no segmento empresarial insere-se numa estratégia mais ampla para dinamizar o braço segurador da instituição em Espanha, onde o banco conta com mais de 450.000 clientes empresariais. Atualmente, o Santander regista 2,5 milhões de clientes com seguro no país, para um universo de 9,3 milhões de clientes ativos, o que representa um potencial de crescimento para quase triplicar a sua base atual de segurados.

O Santander mantém também uma parceria com a Mapfre, através da sociedade conjunta Santander Mapfre, cuja atividade se concentra sobretudo nos seguros automóvel, embora inclua também coberturas para pequenas e médias empresas (PME).

No final de 2025, a Santander Seguros geria 16.427 milhões de euros em seguros de vida ligados à poupança e 13.808 milhões de euros em ativos de fundos de pensões.

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Hiscox reúne mediadores em Lisboa para debater riscos tecnológicos


A Hiscox realiza a 22 de outubro, em Lisboa, a segunda sessão portuguesa do Hiscox on Tour, um roadshow dirigido a mediadores de seguros. O encontro terá lugar no Clube Ferroviário, depois de a primeira edição, no Porto, ter reunido mais de 80 profissionais.

A sessão de Lisboa vai centrar-se nos riscos tecnológicos que afetam empresas e particulares, incluindo os desafios associados à inteligência artificial, conforme explicam em comunicado. A agenda prevê a discussão das oportunidades de utilização destas ferramentas, nomeadamente na simplificação de processos e no aumento da eficiência, mas também das novas vulnerabilidades que podem criar.

O programa inclui ainda a apresentação das soluções especializadas da seguradora e momentos de contacto entre os participantes. A iniciativa pretende promover a troca de experiências entre profissionais e aprofundar o conhecimento sobre os riscos que exigem uma abordagem técnica mais especializada.

Lançado em Portugal este ano, depois de quatro edições em Espanha, o Hiscox on Tour faz parte da estratégia da seguradora para reforçar a relação com os mediadores. A companhia afirma que estes profissionais têm um papel importante na identificação e interpretação de riscos complexos e na escolha das coberturas mais adequadas às necessidades dos clientes.

O evento acontece depois de a Hiscox reafirmar a ECOseguros a sua continuidade e aposta no mercado português, após ter sido alvo de protestos e de uma greve por parte dos trabalhadores em Lisboa, motivados pela transferência de funções administrativas para a prestadora de serviços Genpact.

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Howden nomeia Enrico Nanni como novo CEO da Europa


A corretora de seguros Howden nomeou Enrico Nanni como CEO da operação europeia, sendo que assumirá funções a partir de 1 de janeiro de 2027. Nanni é atualmente Chief Commercial Officer (CCO) e manterá ambas as funções em simultâneo, reportando diretamente a Luigi Sturani, CEO da região que abrange a Europa, o Médio Oriente e África (EMEA).

Enrico Nanni é o novo CEO da operação europeia da Howden. “O que alcançámos nos últimos cinco anos é um testemunho do talento, do espírito empreendedor e do empenho dos nossos colaboradores em toda a região”.

A nomeação surge numa fase de expansão da atividade da Howden na região EMEA. A nova estrutura pretende acompanhar o crescimento do negócio, mantendo a proximidade da liderança aos mercados locais, clientes e equipas, explicam em comunicado.

Na nova função, Nanni trabalhará com os diretores executivos dos vários países europeus para promover o crescimento orgânico e reforçar a articulação entre os mercados.

Luigi Sturani continuará a liderar a região EMEA e a supervisionar a atividade na Europa, concentrando-se também nas oportunidades de crescimento no Médio Oriente, em África, na Turquia e na Ásia Central.

Nos últimos cinco anos, a Howden expandiu a sua atividade na Europa de 11 para 30 países e aumentou o número de colaboradores de 1.000 para mais de 6.000. No mesmo período, de acordo com a corretora, o volume de prémios brutos emitidos atingiu 8,5 mil milhões de dólares.

Em comunicado, Sturani destacou o percurso de Nanni, com quem trabalha desde 1997, e o seu contributo para o desenvolvimento do negócio europeu, das equipas e das relações com clientes e parceiros.

Por sua vez, Nanni afirmou que pretende continuar a reforçar a oferta da corretora junto dos clientes e mercados locais, em articulação com os responsáveis e as equipas de cada país.

Já no princípio do ano, a Howden escolheu Rúben Martinez como novo Diretor-Geral em Espanha, tendo também assumido o cargo de Country Manager em Portugal. Em setembro, a Howden Re – braço especializado em resseguro da Howden – entrou pela primeira vez no país com a abertura de um novo escritório na capital portuguesa.

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