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Doces de campanha, veto do marido e carta de Santos Dumont: 5 histórias surpreendentes dos céus do Brasil

Nesta sexta-feira (23), data que marca 120 anos do histórico primeiro voo público do 14-Bis em Paris, também são comemorados o Dia do Aviador e o Dia da FAB (Força Aérea Brasileira).

A homenagem contempla não apenas pilotos, como também profissionais da aviação comercial, equipes de resgate e transporte aéreo e os engenheiros e mecânicos envolvidos em manter e desenvolver as tecnologias que mantêm a indústria.

Conheça a seguir a história de alguns dos principais nomes da aviação brasileira, e um personagem do setor que dominou o noticiário em 2026:

Alberto Santos Dumont (1873 – 1932)

Nasceu em um sítio de Minas Gerais, na cidade que depois adotou o nome de seu habitante mais célebre. Fascinado pelos avanços tecnológicos e mecânicos que viu em viagem à França, mudou-se para Paris na idade adulta e, lá, dedicou-se a criar o primeiro avião com autopropulsão da história.

Em 1906, Santos Dumont fez a primeira exibição pública de um voo no 14-Bis, uma aeronave com motor e hélice mais pesada que o ar. O trajeto se estendeu por 60 metros, a 3 metros de altura do chão, revolucionando com a autopropulsão numa época em que a aviação se restringia aos dirigíveis e ao balonismo.

Em 1907, ele desenvolveu o Demoiselle, avião ultraleve que se tornaria essencial para a popularização e o aumento do acesso à aviação.

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Marechal-do-Ar Eduardo Gomes (1896 – 1981)

Este patrono da FAB foi responsável por propor e estruturar a criação do Serviço Postal Aéreo Militar, que ajudou a integrar as regiões mais distantes do Brasil e fortalecer a unidade nacional. Esta criação serviu de base para o Correio Aéreo Nacional e, eventualmente, impulsionaria a criação da FAB e do Ministério da Aeronáutica – pasta que ele próprio assumiria duas vezes.

Uma curiosidade é que, indiretamente, Gomes ajudou a criar um dos doces mais populares e característicos da cultura brasileira. A história mais citada para a origem do brigadeiro é que, durante sua primeira candidatura à presidência do país, um grupo de apoiadoras fazia campanha entregando pequenos doces de leite condensado e chocolate, entoando o mote: “Vote no Brigadeiro, que é bonito e solteiro”.

Thereza Di Marzo (1903 – 1986)

Apaixonada desde a infância por aviação, Thereza fez rifa para pagar suas aulas de pilotagem e acabou sendo a primeira mulher do Brasil a receber o diploma e o brevê de piloto-aviador internacional. Ela também foi a primeira a voar sozinha em uma aeronave no país.

Quando um grupo de aviadores portugueses visitou o Brasil na primeira travessia aérea do Atlântico Sul, em 1922, Thereza ficou encarregada de apresentar-lhes rotas e pontos turísticos nacionais.

Em 1926, casou-se com Fritz Roesler, um piloto alemão que teria sido seu instrutor de voo. Relatos históricos reproduzidos pela FAB contam que, depois do matrimônio, ele teve permissão legal para proibir a esposa de continuar pilotando.

Anésia Pinheiro Machado (1904-1999)

Por pouco, Anésia não recebeu o título de primeira mulher com brevê de aviadora no Brasil. Ela foi condecorada no mesmo dia que Thereza, mas seu nome estava mais abaixo na lista de pilotos.

Seu primeiro voo solo foi realizado na aeronave Cauldron G3. No mesmo ano, Anésia tornou-se a primeira mulher a comandar um voo interestadual no Brasil, com trajeto de São Paulo ao Rio de Janeiro durando quatro dias, em meio a manutenções e paradas de reabastecimento. Ela teria recebido uma carta do próprio Santos Dumont, parabenizando-a pelo feito.

Pinheiro Machado entrou para a história mais uma vez em 1923 ao ser a primeira mulher a conduzir um passageiro num avião.

Lito Sousa (1967 – 2026)

Em 2026, a história de Lito Sousa repercutiu por todo o Brasil. O influenciador era formado em manutenção de aeronaves e trabalhou na Base Aérea de Santos e em duas empresas de aviação comercial.

Ele criou o canal no YouTube ‘Aviões e Músicas’, onde divulgava notícias e explicava temas relacionados à indústria de forma acessível, conquistando novos fãs para o setor.

Em 2021, Lito conquistou seu próprio brevê de piloto, registrando cada etapa do processo em vídeo. No mesmo ano, recebeu homenagem do CENIPA (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos).

No ano seguinte, o influenciador lançou um curso online para ajudar pessoas com aerofobia, ou medo de voar. Sousa morreu em 1º de outubro deste ano por complicações da doença de Creutzfeldt-Jakob.

*Publicado por Juliana Santos em colaboração para CNN Brasil

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