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Goiânia transforma aniversário de 93 anos em grande festival com Seu Jorge, Murilo Huff e Zeca Baleiro

Goiânia celebrará seus 93 anos com uma programação especial no Festival Viva Goiânia, que ocupará a Avenida Goiás neste sábado (24/10), das 9h à meia-noite. A festa terá entrada gratuita e reunirá shows nacionais, manifestações culturais, esporte, gastronomia e serviços para a população.

A estrutura ficará concentrada entre a Rua 55 e a Estação Ferroviária, com atrações distribuídas por diferentes espaços. Seu Jorge subirá ao palco principal às 20h30, seguido por Murilo Huff, às 22h30. Na Rua 61, Zeca Baleiro se apresentará às 16h30, Kamisa 10 às 19h e Sandra Sá às 22h.

O público encontrará atrações para diferentes faixas etárias, com apresentações de catira, teatro infantil, circo, chorinho, sarau literário e projeção mapeada na fachada da Estação Ferroviária. A exposição Janelas de Goiânia permanecerá aberta durante todo o evento. Na Rua 61, a agenda começará às 9h, com aula de forró e samba e apresentação de catira. O espaço também receberá o musical infantil inspirado em Cora Coralina, o Circo da Alegria e atividades de literatura. À tarde, João Garoto e o Grupo de Choro Brasileirinho levarão música instrumental ao público.

A Rua 55 receberá atividades esportivas a partir das 9h, com roda de capoeira, oficina de skate e demonstrações de artes marciais. A agenda terá torneios de tênis de mesa, campeonato de boxe, disputa de futmesa e batalha de rimas com DJ. Os brinquedos infláveis funcionarão das 9h às 21h. No período da tarde, o público poderá acompanhar apresentações de street dance e shows de música urbana, com rap, trap, hip-hop e eletrofunk.

O festival oferecerá atendimentos de saúde, aferição de pressão arterial e glicemia, orientações sobre saúde bucal e ações de conscientização sobre saúde mental. A estrutura também contará com vacinação antirrábica, feira de adoção de animais e atividades de educação ambiental. A distribuição de 800 mudas ocorrerá das 9h às 21h, mesmo período previsto para a atuação do Expresso Ambiental, da Saneago. Crianças também terão acesso a pintura facial, oficinas da Guarda Civil Metropolitana e uma lona interativa.

Quem desejar conhecer o patrimônio histórico da capital poderá participar de visitas guiadas pelo Centro Histórico, com saídas às 9h e às 10h, na esquina da Rua 55 com a Avenida Goiás. O passeio ciclístico terá início às 8h, no Lago das Rosas.

A praça de alimentação funcionará das 9h à meia-noite, com 13 estabelecimentos. Outros 14 food trucks oferecerão opções gastronômicas nas proximidades da Estação Mangaba do BRT.
O Festival Viva Goiânia teve início em 10 de outubro e percorreu bairros de diferentes regiões da cidade. Ao longo da programação, o evento reúne mais de 230 atrações gratuitas, com encerramento previsto para este sábado, no Centro da capital.

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Seu Jorge leva samba esporte fino ao Festival Fluir, em Pirenópolis

Com disco novo nas plataformas, Seu Jorge leva seu samba esporte fino para o Fluir Festival, em Pirenópolis. O show, realizado neste sábado (10/10), chegará no suingue. Entre o balanço e os arranjos orquestrais, o artista tecerá uma combinação sofisticada de canto e repertório.

“The Other Side” é, sem dúvida, o que de melhor Seu Jorge já fez. Ao todo, são 11 canções arranjadas por Miguel Atwood-Ferguson, inspiradas na obra dos artistas brasileiros Sergio Mendes e Tom Jobim. Ambos exportaram a música brasileira para o mercado anglófono.

Nesta obra, recém-editada em LP, Jorge Mário da Silva alivia-se: “Eu sei que venho lutando/ Com esta vida de desvalença.” O vinil começa a rodar na vitrola, entoando versos de Márcio Borges. “Crença” foi gravada no primeiro disco de Milton Nascimento, “Travessia”, de 1967.

Seu Jorge conserva na voz o seu grande triunfo. Ela soa grave, trovejante, situando-se entre aquele “brega-chique que remonta aos anos 1970, filtrado por gargantas tão díspares como a do sambista João Nogueira e a do ultrabrega Wando”, observou Pedro Alexandre Sanches.

No texto, o crítico falava sobre “Samba Esporte Fino”, de 2001, estabelecido no samba-rock. O cantor, dizia o especialista, desferia um golpe black, desaguando em “belas interpretações de fortes composições” — a exemplo de “Carolina”, “Te Queria” e, sobretudo, “Funk Baby”.

Autor soberbo, sendo também um intérprete, Seu Jorge avançou sobre uma composição de Jorge Ben, “Em Nagoya Eu Vi Ériko”, e uma esquecida de Carlos Dafé, “De Alegria Raiou o Dia”, na qual houve participação do próprio autor, ícone da black music brasuca nos 1970.

De lá para cá, como se vê, o cantor do samba esporte fino voltou-se à nossa tradição musical. O vozeirão ressoa “Vento de Maio”, de Márcio e Telo Borges. Maria Rita começa a cantar. As cordas, em profusão, unem-se aos sopros, direcionando a faixa para outras atmosferas.

Segundo Seu Jorge, “The Other Side” apresenta uma sonoridade imersiva, meio jazzy e com atmosferas que, para o músico, revelam-se cinematográficas. “A ideia de que essas músicas poderiam existir dentro de um filme ajudou a definir todo o caminho do álbum”, aponta.

“Girl You Move Me”, de Frenchie Thompson, vai por aí. Traz um violão sereno, instrumento que, aliás, ocupa espaço no disco. No molejo, “Luz na Escuridão” renova essa impressão — e, então, há que se destacar o samba-dor de Cezar Mendes sob letra de José Carlos Capinan.

“Você me dirá que não/ Depois me dirá: adeus/ Lembrar pra quê? A dor de uma ilusão…”, vocaliza o artista Seu Jorge, que reabilita o samba-canção “Flor de Laranjeira”, gravado por Emanuelle Araújo em “O Problema é a Velocidade”, de 2016 — outra de Mendes e Capinan.

Capa de ‘The Other Side”, recém-lançado pelo cantor Seu Jorge | Foto: Divulgação

O eu lírico, colhendo a “Flor de Laranjeira”, sente o perfume da saudade. Ele conforma-se e, de quebra, nos emociona: “A flor do tempo tem destino certo.” A pele se arrepia. O cronista, antes de cair na “Folia de Amor” (coisa boa), embrenha-se pela exuberância de “Caboclo”.

Como uma onda no mar, “Far from the Sea” — de Robertinho Brant e Emerson Penha — expressa calmaria. Os vocais ganham os tons íntimos do quarteto belga Zap Mama. Depois disso, Marisa Monte se junta a Seu Jorge: “Quando chego na varanda/ Vejo o céu, a mata e o mar/ Por aqui a vida anda devagar.” É como se o tempo freasse as sombras do futuro.

Chega, na paz das águas, “River Man”. A voz grave desse sambista do esporte fino se acha com o timbre encorpado do cantor norte-americano Beck. Belíssimo encontro. “The Other Side” termina ao som do samba-canção “Beleza Bárbara”, de Leo Tomasini e Joey Altruda. Que Seu Jorge agracie o público pirenopolino tocando essas canções. Só tem coisa fina.

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