Flávio e Lula têm agendas internas em Brasília em meio a “duelo” de sigilos
Os candidatos à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) dedicarão, esta quinta-feira (21), para agendas internas com as respectivas campanhas, em Brasília.
A ideia é que ambos alinhem as últimas estratégias de atos, discursos e redes sociais nesta reta final de segundo turno, além de se prepararem para o debate presidencial da TV Globo, marcado para sexta (23), no Rio de Janeiro.
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Agenda de Flávio
Do lado do candidato do PL, Flávio contará com as orientações dos responsáveis pela sua comunicação e de aliados, como o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que também estará na capital federal.
O candidato à Presidência, portanto, não terá agendas públicas ao longo do dia. No entanto, às 19h, Flávio promoverá uma transmissão ao vivo no próprio canal no YouTube, como costuma fazer toda quinta à noite.
A perspectiva é que Flávio também não tenha agendas públicas na sexta, ficando já no Rio, dando continuidade à preparação para o último confronto pessoal com o presidente e concorrente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), à noite.
Em princípio, Flávio já encerrou os atos de rua no estado de São Paulo e no Nordeste, por onde passou na quarta (20) – Guarulhos e Fortaleza. Fora Brasília para reuniões com a equipe de campanha, as próximas cidades a serem visitadas deverão ser Rio de Janeiro e Belo Horizonte até sábado (24), véspera da votação final.
Agenda de Lula
Enquanto o presidente Lula ficará no Palácio da Alvorada, sua equipe de campanha irá, às 11h, ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral), renovar o desafio a Flávio Bolsonaro sobre a derrubada de sigilos (entenda mais abaixo).
Após Flávio impor vinte condições para aceitar o desafio de Lula, de ambos colocarem seus sigilos e de familiares à disposição do TSE, o petista concordou com os termos.
As condições estabelecidas por Flávio e aceitas pelo petista incluem a derrubada de sigilo de cartão corporativo, em especial da primeira-dama Janja Lula da Silva, da lista de visitantes do Palácio do Planalto e do ex-chefe de gabinete do presidente Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola.
Camilo Santana, porta-voz da campanha de Lula, afirmou que o momento da entrega do novo documento ao TSE, será o prazo limite para que Flávio aceite o desafio. O senador frisou que o PT (Partido dos Trabalhadores) quer levar à frente a iniciativa antes das eleições.
Lula estará sem compromissos públicos a três dias da eleição enquanto a campanha petista se preocupa com a voz do mandatário. A equipe do presidente decidiu desmarcar agendas e preservá-lo para o debate da TV Globo, na sexta (23).
Lula concederia entrevista à TV Record na quarta-feira (21) antes de viajar a Belo Horizonte (MG), mas o compromisso acabou desmarcado. Gravações previstas para esta quinta-feira também foram suspensas, segundo fontes no QG petista.
O presidente apareceu em seus compromissos da quarta, uma cerimônia para medidas econômicas no Palácio do Planalto e uma caminhada na capital mineira, com a voz mais rouca que o habitual.
Segundo apuração da CNN Brasil, Lula vem sendo acompanhado por uma fonoaudióloga durante a campanha, a fim de garantir que sua voz resista ao acelerado ritmo de compromissos presidenciais, caminhadas e comícios.
“Duelo” de sigilos
A três dias do segundo turno, o “desafio dos sigilos” ocupa o centro da campanha presidencial e mobiliza os comitês de Flávio e Lula.
Lula lançou o desafio no debate da Band, no domingo (18). Na terça (20), apresentou ao TSE e ao STF (Supremo Tribunal Federal) uma autorização para abrir os sigilos bancário, fiscal e telefônico dele e de seus familiares dos últimos oito anos, desde que o adversário fizesse o mesmo.
Em petição ao TSE na quarta, dirigida ao ministro André Mendonça, Flávio chamou a oferta de “gaveta vazia” e afirmou que o patrimônio do rival não está em seu nome, mas no de terceiros. O senador autorizou o levantamento de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico dos últimos 20 anos e dos de empresas das quais é sócio ou administrador. Disse também não se opor à abertura das mensagens que trocou com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Em contrapartida, apresentou uma lista de exigências. Pediu a abertura dos sigilos telefônico, telemático, bancário e fiscal do ex-chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, e documentos sobre as relações do governo com Vorcaro e com a lobista Roberta Luchsinger, investigada no caso INSS.
Cobrou ainda os gastos do cartão corporativo da Presidência desde 2023, a agenda de Janja anterior a fevereiro de 2025, quando a primeira-dama passou a divulgá-la, e informações sobre as visitas dos filhos do presidente ao Palácio da Alvorada, o uso de helicóptero e as despesas do palácio.
Leia abaixo as principais exigências de Flávio, segundo a petição enviada ao TSE:
- Marcola: sigilos telefônico, telemático, bancário e fiscal dos últimos oito anos do ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, que, segundo a petição, atendia o telefone de Lula e recebeu R$ 249 mil de Roberta Luchsinger.
- Janja: agenda da primeira-dama anterior a fevereiro de 2025, visitas dos filhos de Lula ao Alvorada, uso de helicóptero e gastos do palácio.
- Cartão corporativo: todos os gastos da Presidência desde janeiro de 2023.
- Vorcaro: registros da reunião de Lula com o banqueiro em 4 de dezembro de 2024, da qual a Presidência diz não ter produzido ata, e todas as entradas dele e de intermediários no Planalto e no Alvorada desde 2023.
- Roberta Luchsinger: entradas nos palácios, voos da FAB e reuniões em órgãos do governo, além dos sigilos dela e de sua empresa.
- Filhos de Lula: abertura das empresas de Fábio Luís, o Lulinha, e dos demais filhos, incluindo uma offshore na Espanha ligada a Lulinha.
- Frei Chico: dados bancários, fiscais e telefônicos do irmão de Lula e do Sindnapi, sindicato de aposentados de que ele é vice-presidente.
Flávio pediu também que o TSE intime Lula a aderir às condições e que, em caso de recusa, os autos registrem que ela partiu do candidato que lançou o desafio.
O senador Camilo Santana (PT-CE), da campanha do petista, disse que o presidente aceitará todas as condições, “contanto” que Flávio também cumpra a sua parte.
À noite, em nota, a coordenação da campanha petista informou que estará no TSE nesta quinta (22) para protocolar a resposta de Lula e “aguardar” que a equipe do senador compareça para cumprir a sua parte e colocar à disposição os sigilos solicitados, incluindo os de pessoas e empresas indicadas.
Flávio reagiu em nota. Disse receber “com entusiasmo” a declaração de que Lula abrirá a “caixa-preta do Planalto” e esperar que não seja “apenas mais uma promessa não cumprida”. O texto não diz se representantes do senador irão ao TSE nesta quinta para formalizar a abertura de seus sigilos.