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O que a ‘fábrica de bots’ apreendida de Fernando Cerimedo pode revelar sobre o Brasil?

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Peço desculpas pelo atraso no envio desta coluna, mas passei os últimos dias envolta com os ataques misóginos sofridos por mim e pela Agência Pública por parte de Paulo Figueiredo e Eduardo Bolsonaro. É a velha tática de atacar o mensageiro em vez de responder à reportagem. Publicamos esta nota aqui e nos comprometemos a não parar de investigar os elos da extrema direita no exterior. Apoie este trabalho aqui. 

Começo, agora, com a pergunta que não me sai da cabeça. Na semana passada, o deputado federal petista Rui Falcão pediu para o STF requerer acesso aos equipamentos eletrônicos encontrados em apartamentos ligados ao argentino Fernando Cerimedo, aliado de Eduardo Bolsonaro, preso na Bolívia em 18 de agosto, quando saía do país depois de uma tentativa de feminicídio contra sua ex-namorada, a advogada boliviana Nadia Beller.

Falcão argumenta que Cerimedo, que chegou a ser investigado pela tentativa de Golpes de Estado de 8 de janeiro, não foi indiciado por falta de provas. E que as provas que se espera podem estar nos equipamentos apreendidos pela polícia boliviana.

A promotoria de Justiça boliviana afirmou no final de agosto ter realizado buscas em cinco propriedades ligadas a Cerimedo, onde teriam aprendido 43 mil dólares, documentos e uma “minifazenda de bots”. A defesa de Cerimedo afirma que eram apenas telefones via satélite e modems, em vez de bots.

Como se sabe, Cerimedo foi fundamental para a disseminação da mentira sobre fraude nas urnas nas eleições de 2022. Sua live, realizada semanas depois dele ter organizado uma viagem de Eduardo Bolsonaro à Argentina, teve como base um dossiê criado por Mauro Cid, o ajudante de ordens de Bolsonaro. A história falsificada dizia que as urnas eletrônicas fabricadas antes de 2020 usariam um código fonte diferente das produzidas depois desta data. Bolsonaro teria ido pior nas áreas que usaram urnas mais antigas.

“Nosso pessoal que fez… hahahahah… Isso foi a base do argelino [argentino]”, teria se gabado Mauro Cid. Cid também ajudou a circular o link da live de Cerimedo, mesmo depois que ela tinha sido suspensa pelo TSE. “Fizeram um site completo, com todo o material da investigação sobre a maior fraude do século! Nosso time é bom demais, incrível”, festejou outro militar, tenente coronel Marques de Almeida, integrante do Comando de Operações Terrestres do Exército (Coter). Ambos foram condenados pela tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023.

Foi essa live, assim como a participação como coordenador digital da campanha de Milei na Argentina, que ajudaram a impulsionar a fama internacional de Cerimedo na extrema direita do continente. Chamado de “O homem MAGA na América Latina” pelo site The Economist, ele admitiu à Pública e sites parceiros que comandava muitos “trolls” – contas falsas nas redes sociais que interagem com um script definido para falsificar conversas – para enganar os algoritmos e, dessa forma, dar um melhor posicionamento à mensagem de seus clientes. Negou, entretanto, que produzia Fake News.

Mas nem era necessário. Suas lives e as reproduções do seu site La Derecha Diário – que agora tenta se dissociar dele – eram carregadas de mentiras.

Da cama de hospital, onde está se recuperando dos tiros, a ex-namorada afirmou que o motivo da tentativa de assassinato era justamente porque ela havia decidido abrir o bico sobre as campanhas de manipulação do ex-namorado. Ela também o acusou de ter oferecido proteção a voos clandestinos ligados ao narcotráfico.

Sobre o Brasil, ela disse à Folha de S. Paulo que Cerimedo contou ter usado “bots” a favor de Jair Bolsonaro em 2022 e que ele “lutaria por Flávio” nessas eleições.

A principal pergunta que fica é: qual é o papel de Fernando Cerimedo na atuação digital dos Bolsonaro – tanto na tentativa de golpes de 2022 quanto na atual campanha de Flávio?

Como bem notou Janaína Figueiredo, Cerimedo era bem mais do que apenas um marketeiro da direita. Ele participou ativamente de tentativas de desestabilizar governos de esquerda, além de costurar alianças com o círculo de Trump.

Foi ele quem aproximou Trump do então candidato Asfura, através de um amigo, ex-assessor de Trump na campanha de 2017, Dick Morris.

Em março de 2025, Fernando Cerimedo foi nomeado representante e licenciado exclusivo na América Latina das empresas Campaign Nucleus e da Eyes Over, duas plataformas de inteligência artificial. As empresas surgiram após a aquisição da Cambridge Analytica por um consórcio de investidores norte-americanos. Elas foram usadas pela campanha de Donald Trump, em 2024, facilitando um gerenciamento de eleitores mais preciso. O desenvolvimento foi liderado por Brad Parscale, ex-diretor digital da campanha de Trump, e que foi sócio de Cerimedo na consultoria digital Numen – embora agora também esta empresa tente dissociar seu nome dele.

Depois da condenação de Jair Bolsonaro e outros cúmplices por tentativa de golpe de Estado, Eduardo Bolsonaro continuou próximo de Cerimedo – os registros públicos o impedem de negar.

Há apenas um mês, Cerimedo esteve numa live com Eduardo repetindo exatamente a mesma cascata sobre hashtags inventada pela turma de Marco Cid, conforme eu apontei nesta coluna. Nela, Eduardo disse: “Vou te agradecer aqui, tá, por essa transmissão ao vivo, pessoa de coragem, é uma pessoa que continua atuando, é empresário, analista político argentino”. Cerimedo respondeu saudando ao povo brasileiro: “Muito obrigado a você. O saúdo ao povo do Brasil. Muita, muita sorte na próxima eleição e  sempre vamos ter que lutar pela liberdade do Brasil”.

Alguns meses antes, em fevereiro, os dois estavam juntos na festa hispânica em Mar a Lago, o resort de Trump. Cerimedo foi premiado pela organização Latino Wall Street como Melhor Consultor Político Hispano do Ano. Eduardo entregou o prêmio nas mãos do argentino. “É uma honra estar aqui e abrir um espaço para um argentino. E olhem que aqui está falando um brasileiro. Mas não de que ele passou ou foi preso. E isso não é legal. Fernando Cerimedo teve a coragem de, da Argentina, ajudar o Brasil. Como? Denunciando as possíveis fraudes eleitorais que ocorreram em 2022, na eleição que colocou o socialista Lula da Silva como presidente do Brasil”, disse. E completou: “Estamos aqui hoje para dizer aos Alexandre de Moraes: não temos medo de você. Vamos ganhar as eleições de outubro”.

(Na foto, Eduardo aparece com a esposa de Cerimedo, a argentina Natalia Basil. Uma das teses da procuradoria boliviana era que a “namorada” boliviana estaria grávida. E isso teria motivado a tentativa de assassinato)

Como eu já havia apontado anteriormente, a narrativa de fraude nas urnas continua firme como narrativa subterrânea na campanha de Flávio Bolsonaro. Aliás, a afirmação que o candidato fez no Jornal Nacional na semana passada, de que ela irá ganhar no primeiro turno, repete exatamente a mesma estratégia adotada por Jair. Constrói a narrativa de que, se não ganhou, é porque houve fraude.

E Cerimedo, ao lado de Eduardo, poderia ser crucial nesta estratégia. O que se poderá descobrir sobre as fábricas de bots encontradas na Bolívia? Veremos ainda.

Em tempo: termino esta coluna com uma enxurrada de novas denúncias sobre uma possível relação de corrupção de Alexandre de Moraes com o banqueiro Daniel Vorcaro – o mesmo que deu pelo menos 10 milhões de dólares para o candidato Flávio Bolsonaro para o filme Dark Horse (hoje, novas revelações dão conta de que podem ser mais). Não tenho tempo de ler e analisar tudo, mas, se forem verdadeiros, são fatos gravíssimos que têm que trazer consequências legais.

Entretanto, faço votos que não levem nossa sociedade a retroceder da punição histórica aos perpetradores da tentativa de Golpe de Estado de 8 de janeiro de 2023, uma decisão histórica que solidificou nosso regime democrático, puniu pela primeira vez militares golpistas, e deu exemplo para o mundo. A condenação dos golpistas, embora tenha contado com a atuação fundamental de Moraes, não é obra apenas do seu trabalho, mas do empenho de todo o Supremo, da PF, do jornalismo e da sociedade brasileira, que a apoiou, ajudou e respalda até hoje.

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Actually, maybe: How German Angst could become Europe’s nightmare

Ein Foto zeigt eine Person in dunklem Anzug mit gesenktem Kopf vor einer hellen Wand und starken Schatten.
Friedrich Merz (CDU), Federal Chancellor, photographed before the government declaration in the German Bundestag in Berlin, 18.03.2026. | picture alliance / photothek.de | Florian Gaertner

Berlin; late August: when politics normally stirs into life after the holiday lull. But this year, the lull never came.

German chancellor Friedrich Merz is beset by approval levels plumbing the depths of the depleted Rhine and Danube. His governing conservative CDU party spent the summer at war with itself over pension reform (not helped by a botched cabinet reshuffle). Some of the chancellor’s staunchest supporters are even openly wondering whether he is still up to the job. To get out of the hole they are in, Merz and his ministers now want to project a sense of Aufbruchstimmung—a feeling of renewal and restart.

Whether they succeed will determine Europe’s future.

Germany’s economy has endured six years of paltry growth. Its traditionally strong industries are screaming for protection against China, US tariffs and energy price shocks (and against their own past decisions). Strong end-of-the-republic vibes suffuse dark political commentary, “mainstream” parties oscillate between panic and despair, and resignation has set in among voters. What until recently seemed little more than a media talking point on an “Andy Burnham moment”—meaning the possibility of Hendrik Wüst, North Rhine-Westphalia’s minister-president, succeeding Merz as chancellor this autumn—could yet become reality.

For decades, Germany was Europe’s byword for political stability and predictability. Today, it is hard to overstate how little is now unthinkable in German politics. All bets are off. Decision-makers elsewhere in Europe should get ready for the possibility of a new kind of Germany: no longer boring, no longer stable—and no longer rich.

Why the Angst is now real

Germany is days away from elections in three eastern states which could shake the government in Berlin to its foundations. First up is Saxony-Anhalt, where on September 6th the far-right populist Alternative für Deutschland (AfD) could rewrite German post-war history and turn the decades-long mantra of “never again” into “actually, maybe”. Polling suggests even an absolute majority for the party is within reach. The AfD, the CDU and the Left could be the only parties to clear the 5% threshold for the state parliament. Two weeks after that possible momentous result, the states of Berlin and Mecklenburg-Vorpommern will also elect new parliaments.

While the situation for the political centre looks a little less dire in the latter two places, complicated three-party coalitions are the likely outcome in both. This will have a compounding effect on the stability of the federal government. The CDU leadership under Merz remains adamant that the “firewall” must hold, ruling out any coalition or cooperation with the AfD. Yet this position is increasingly being questioned by local politicians and by conservative thinkers within and around the party. Many in the CDU are frustrated by what they see as the strategic price of the firewall. With their preferred coalition partner, the liberal Free Democrats, now struggling to clear the 5% threshold almost anywhere, ruling out the AfD leaves the CDU ever-more dependent on centre-left coalitions. In critics’ view, this deprives the party of options and leaves it hostage to the remaining potential coalition partners.

An AfD minister-president would be a brutal demonstration of the political establishment’s inability to provide a convincing vision for the country

An AfD minister-president in one of Germany’s states would be more than a striking political development. It would be a brutal demonstration of the political establishment’s inability to provide a convincing vision for the country’s economic, political and social future. In recent years, German leaders have made more reform announcements than actual reforms. The previous government tried to adapt to the Zeitenwende without imposing any hardship on Germans—and failed. Now, the Merz government seems equally unable to muster the political strength for major reform.

Instead, it has too often looked to the past for answers: back to the combustion engine, back to looser labour rights, back to family values. The only policy area where the government now seems readier to change course is on China, where it has said it will push through a more active European position on protecting markets and punishing China’s predatory economic behaviour. In a revealing commentary, however, Merz himself announced this was enabled, not by his decisive political leadership, but by the altered posture of the German car industry.

This vacuum in dealing with the implications of the changing global environment leaves huge room for the political fringes, especially from the far-right. The AfD’s offer is revisionist—drastically curb immigration and asylum, reverse key elements of the energy transition, challenge European integration, end the euro and pursue a distinctly nationalist approach to foreign policy. All this is deeply unsettling to the political establishment, but resonates with a growing constituency of voters united by restrictive stances on migration and cultural issues.  

The strength of the AfD is a symptom, not a cause. It did not rise to prominence overnight and has been part of Germany’s political landscape now for more than a decade. But the party is now within striking distance of actual political power at a time when the country’s political and economic foundations are starting to crumble. The war in Ukraine, volatility in America and conflict over the Strait of Hormuz are stretching the limits of German leaders’ attention as well as the country’s fiscal space. Germany’s long-term trade relationship with China is now a liability and an epic drought has shrivelled what little hope remained for Germany’s economic recovery. Berlin is not only forced to reckon with the failures and missed opportunities of the past decade on everything, everywhere, all at once; but the politicians seem unprepared either to put up a real fight for survival or even adjust to this new reality in a form of managed decline.

No time for Schadenfreude

Germany is hardly the first European country to experience a radical reshaping of its party system and the rise of the far-right; Italy and France have been through similar upheavals. And Germany itself, amid deep economic problems, was called “the sick man of Europe” back in 1999, only to recover and to become the continent’s exporting powerhouse. Why should the rest of Europe now worry so much about Germany’s malaise?

The answer is: because a German crisis is a European crisis. Germany is too economically and politically important to fail. Its economic weight, role at the heart of the EU and position as Europe’s most populous member state mean this would be more than just another episode of national political turbulence. A Germany that is oozing 15,000 industrial jobs each month, becoming even more dependent on technology imports and increasingly incapable of internal reform risks dragging Europe towards fragmentation and exploitation.

Unless political leaders come up with something new, a German pall will blot all major items on the EU’s agenda: the next multiannual financial framework; the future of the bloc’s industrial policy; European efforts to rearm and build resilience; a more autonomous capacity on emerging technologies and the economic muscle to create international leverage behind a new global trading agenda. That is not to mention the serious consequences of a German disengagement for Europe’s continued support for Ukraine.

“German leadership is not optional”, Sweden’s defence minister said at a public event this month, attended by one of the authors. German political elites seem to disagree. Theirs is the third largest economy in the world, sitting at the core of the world’s largest single market, boasting leading international companies and building up one of the largest defence budgets anywhere. Yet they appear to lack any sense of their own domestic, let alone global, agency. The three upcoming state elections may give them their last chance and some momentum to turn things around. But if Berlin becomes entirely enfeebled under the ensuing political fallout, the rest of Europe is likely to suffer in the same way.

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Hondurasgate, Polymarket e Frutinovelas: A desinformação nas eleições latino-americanas

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Começou a campanha eleitoral, e como você já deve estar a par, nós da Agência Pública mais uma vez juntamos forças com sites parceiros (Aos Fatos, Amado Mundo e Núcleo) para investigar campanhas de desinformação. 

Já publicamos um levantamento de quais perfis foram investigados por fake news e narrativas antidemocráticas e seguem publicando e influenciando o debate público e uma reportagem sobre como a IA tem sido usada para criar vídeos de TikTok no formato “povo fala”, nos quais falsos eleitores elogiam Lula ou Flávio Bolsonaro, ou, ainda, reforçam clichês sobre beneficiários de programas sociais do governo federal, afirmando que “não querem trabalhar”.

Mais reportagens virão, e enquanto isso, achei importante trazer alguns exemplos de como as eleições recentes na América Latina foram impactadas por campanhas desinformativas. 

Aqui, trago três conclusões: primeiro, não existe mais campanha eleitoral sem fake news; segundo, as narrativas e estratégias são repetidas de um país para outro, e, portanto, vale a pena entender o que aconteceu com nossos vizinhos; e terceiro, há uma rede de marketeiros que tem participado de diversas eleições no continente propagando desinformação, a quem investigamos como “mercenários digitais” em 2023. Fernando Cerimedo, um de seus principais expoentes, acaba de ser preso na Bolívia, onde assessorava o presidente direitista Rodrigo Paz, acusado de tentar matar a namorada.    

Houve muitas eleições, mas decidi focar em três delas: Honduras, Colômbia e Peru. Também escolhi a dedo algumas das narrativas e estratégias, por sentir que revelam mais do que as histórias em si, revelam a infraestrutura que hoje se usa para manipular a opinião pública em momentos de “crise informacional”, como as eleições. 

Em Honduras, a corrida eleitoral em novembro de 2025 abriu com o ex-presidente Juan Orlando Hernández sentenciado em Manhattan a 45 anos por ligação com narcotráfico. Em seu lugar, o aliado conservador Nasry “Tito” Asfura entrou na disputa e recebeu apoio público de Donald Trump. O argentino Fernando Cerimedo teria articulado os bastidores para que Trump postasse o endosso em suas redes. Deu certo; o mandatário americano chegou a ameaçar cortar ajuda financeira ao país caribenho se Asfura não vencesse e, dias antes do pleito, Trump indultou Hernández. 

A equipe de Asfura contou com consultores conhecidos em outros países: além de Fernando Cerimedo, Brad Parscale – que teria trabalhado no uso de dados para segmentar eleitores –, Dick Morris e o argentino Luis Rosales. O La Derecha Diário, jornal de Cerimedo sediado na Argentina, mantém um perfil hondurenho nas redes, criado três meses antes da eleição. 

Como resultado, na reta final cidadãos receberam mensagens em massa nos celulares, pressionando votos na direita. A ameaça de Trump de cortar ajuda também foi replicada por este método. Também circularam narrativas falsas de que o crime organizado estaria tentando influenciar votos na esquerda e boatos de que os partidos de esquerda acabariam com a propriedade privada.

Asfura venceu com 40,27% dos votos. Ao fim da contagem, autoridades eleitorais e o governo de esquerda de Xiomara Castro denunciaram irregularidades, mas os EUA restringiram vistos dos magistrados que pediam recontagem.

Outro ponto fundamental foi o chamado Hondurasgate. O jornal Red e o site Hondurasgate divulgaram há alguns meses supostas gravações de áudio vazadas que indicam uma trama envolvendo Estados Unidos e Israel, com apoio de Honduras, para desgastar, com notícias falsas, os governos de Claudia Sheinbaum, no México, e Gustavo Petro, na Colômbia.

Segundo a fonte que entregou os áudios aos portais, as gravações ocorreram entre janeiro e abril de 2026. Os áudios mostrariam Juan Orlando Hernández, poucos meses depois de receber o indulto, organizando a ofensiva. Em conversas com Asfura, agora presidente, e sua vice-presidente, Hernandez pediu US$ 150 mil para alugar um apartamento nos EUA e montar uma unidade de jornalismo digital: “Alguém aqui, da equipe do presidente americano, vai cuidar disso para mim. É um dos republicanos que estão nos ajudando. Eles vão montar um site de notícias para nós”, disse.

Asfura confirmou a entrega da verba, que viria da Secretaria de Infraestrutura e Serviços Públicos. Hernández respondeu então: “Conseguimos conversar com Javier Milei, e ele também está contribuindo com US$ 350 mil.”

Em outra mensagem, Hernández teria reconhecido que o primeiro-ministro de Israel foi fundamental para sua libertação e que ele apoiaria o plano.

Colômbia: IA e Pollymarket 

Vídeos falsos rodaram tanto no primeiro quanto no segundo turno das eleições colombianas, ocorridos em maio e junho. Ali, apareceu a mesma narrativa de tentar associar a esquerda com o crime violento. Em um deles, um homem que finge ser um dissidente das FARCs exigia que agricultores votassem em Ivan Cepeda, candidato da esquerda apoiado pelo ex-presidente Gustavo Petro. 

Cepeda foi para o segundo turno contra o candidato trumpista, o empresário e advogado Abelardo de la Espriella, que venceu as eleições com 49,6%. 

Por lá, um dos fenômenos mais interessantes, usado em especial por candidatos da direita, foram as “frutinovelas”, que por aqui são conhecidas como “novelas das frutas”. Feitas com IA, elas foram onipresentes nas redes durante a campanha eleitoral. 

Abelardo de la Espriella, conhecido como “O Tigre”, usou vastamente o formato, aparecendo como um enorme tigre que destrói um trem representando a política tradicional. Outra candidata na direita, a senadora uribista Paloma Valencia, era retratada como um abacaxi feliz contra as bananas da esquerda e os cocos de De la Espriella.

Depois da derrota eleitoral, Petro passou a disseminar dúvidas sobre o sistema eleitoral colombiano, afirmando a existência de um mecanismo de edição dos votos, falta de transparência e de auditoria e apontando padrões matemáticos anormais na contagem.

Mas, assim como fez Jair Bolsonaro nas eleições de 2022, Petro já acusava fraude muito antes das eleições acontecerem, desde meses antes das eleições. Por isso, a Justiça Eleitoral exigiu que Petro se retratasse, o que ele não fez. As denúncias foram verificadas e desmentidas por agências de checagem. Ao final, Petro reconheceu a vitória de De la Espriella.  

Outro fato digno de nota: o site de apostas preditivas Polymarket foi usado pela campanha de De la Espriella e citado como fonte confiável de pesquisa por veículos de imprensa colombiana. 

O próprio candidato promoveu o site como um termômetro mais confiável que pesquisas, afirmando que arriscar dinheiro próprio exige um prognóstico correto. Pior ainda, jornais tradicionais como La República passaram a reportar estes dados como se fossem verdadeiras pesquisas eleitorais. 

Mas obviamente as apostas no site são sujeitas a manipulação. Em setembro de 2025, o site La Silla Vacía revelou que apenas 82 contas participavam das apostas eleitorais sobre a Colômbia, e uma única conta concentrava 40% de todo o dinheiro investido a favor de De la Espriella, mais de 100 mil dólares. A pesquisa classificou várias dessas contas como “infladoras” de apoio, ou seja, eram simpatizantes usando a plataforma como vitrine política. O site Factchequeado revelou ainda que a Polymarket pagava publicidade a influenciadores para apresentar Espriella como o “Bukele ou Milei colombiano”. 

Peru: candidato de Trump alegou “fraude nas urnas”

No primeiro turno, em maio, o candidato favorito de Trump na eleição de 2026, Rafael López Aliaga ficou de fora do segundo turno por apenas 21 mil votos. Como resposta, ele alega fraude e pediu a anulação do resultado. 

Rafael iniciou uma campanha apontando fraude, que, segundo investigação do site Ojo Publico, mobilizou perfis já pré-estabelecidos para espalhar sua mensagem. Foram 53 contas com impacto sobre milhares de usuários, espalhando mensagens para construir a imagem de uma eleição manipulada, sem apresentar qualquer evidência. Um exemplo: uma narrativa afirmava que mais de 1 milhão de eleitores haviam sido impedidos de votar em Lima, sendo que o número real de afetados pela não instalação de mesas – um erro da Justiça Eleitoral do país – foi de 55 mil pessoas. No final, o candidato trumpista perdeu e Keiko Fujimori acabou recebendo as bênçãos de Trump. 

Assim, tanto a narrativa de fraude nas urnas está viva na América Latina, como a tentativa de associar qualquer grupo de esquerda com o crime organizado, dois motes que já estamos vendo acontecer também por aqui. 

Como se sabe, nada se cria, tudo se copia.  

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Una llamada a altas horas en el Café León advierte al doctor Negrín del alzamiento en Marruecos

Madrid. La tranquilidad nocturna que se respiraba en las tertulias del madrileño Café León, en la calle de Alcalá, se vio truncada de forma dramática en las últimas horas de la pasada noche. El doctor Juan Negrín, diputado socialista por Las Palmas y reputado catedrático de Fisiología, se disponía a dar cuenta de su habitual […]
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Juan Negrín teme que los últimos asesinatos deriven en un enfrentamiento armado

Madrid. Entre los destacados dirigentes socialistas que asistieron al velatorio del cadáver del teniente Castillo en la Dirección General de Seguridad estaba el diputado por Las Palmas Juan Negrín. En medio del estupor y el dolor por el asesinato del teniente republicano a manos de un grupo de falangistas, tuvo conocimiento del posterior asesinato del […]
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Political crisis in Germany

This week, Mark Leonard is joined by Jörg Lau, international correspondent at Die Zeit and Jana Puglierin, head of ECFR’s Berlin office, to explore the political turmoil in Germany ahead of an electoral autumn. Chancellor Friedrich Merz’s government is becoming increasingly unpopular: it faces collapsing approval ratings, growing tension within the governing coalition and mounting pressure from the far-right Alternative for Germany (AfD).

As regional elections approach, Jana argues that Germany’s traditional parties face difficult choices that could reshape the country’s political landscape, while Jörg discusses what the AfD’s rise means for Germany. A “firewall” has kept mainstream parties from cooperating with the far right in the post-war period—but Jörg reflects on the strain this is under, and whether the AfD’s first taste of regional power could transform German politics.

Together, Mark, Jörg and Jana assess the prospects for Merz’s leadership, the future of the CDU and whether Germany’s political centre can withstand such pressure. Are established parties capable of renewing themselves? What happens if the AfD makes gains at the regional level? And what would prolonged instability in Berlin mean for Europe?

This podcast episode was recorded on August 12th 2026.

Bookshelf
The Names, by Florence Knapp
The Nights Are Quiet in Tehran, by Shida Bazyar
The Invite, by Olivia Wilde

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The offline messaging apps challenging internet shutdowns

Governments that deploy internet shutdowns to thwart protesters have struggled to clamp down on offline messaging apps. India’s recent response to Jack Dorsey’s Bitchat suggests that battle is entering a...

© Avijit Ghosh/NurPhoto/Getty Images

Demonstrators take part in a protest rally organised by the Cockroach Janta Party and various Left student organisations against the NEET paper leak, demanding the resignation of Education Minister Dharmendra Pradhan in Kolkata, India. (Photo by Avijit Ghosh/NurPhoto via Getty Images)
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Combater o tabu do controlo dos preços para responder à crise habitacional

A escalada incessante dos preços e das rendas torna particularmente urgente olhar para a crise da habitação como um lugar de conflito de poderes e de interesses cujos custos estão a ser assimetricamente suportados pelos trabalhadores. Como poderia o controlo das rendas ser uma alavanca para dar resposta a esta crise? A série «Agora como nunca, ideias para sempre» continua a colocar no debate público ideias simples e capazes de melhorar o futuro. Depois da saúde, a habitação. Todos os dias (…)

- 2026/08
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Contra a pobreza, o trabalho que une e escuda

O que é hoje um pobre? Qual o padrão de vida digno que coletivamente se entende ter de ser assegurado a todos? No momento de definir instrumentos estatísticos e políticas sociais de combate à pobreza fazem-se escolhas que podem reduzir, ou aprofundar, a dependência económica estrutural e a insegurança ontológica da maioria da população. O que é um pobre? A pergunta ressurge num momento em que os afetos coletivos em torno desta «categoria social» se mostram cada vez mais polarizados: à (…)

- 2026/08 / Cartografia e Infografia
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