El lago más grande de la Antártida lleva sellado bajo el hielo desde antes de que el ser humano pisara la Tierra


Não se iluda com a beleza da cidade de Lagos. Ela é também um osso duro de roer. Que o diga quem, em determinada fase da história, a tentou conquistar e falhou redondamente.

Um dos que comprovaram a têmpera dos lacobrigenses e a eficácia das suas estruturas de defesa, em especial, as muralhas, foi o temível corsário britânico Francis Drake.
Em1587, numa altura em que Portugal estava sob o domínio espanhol, vindo de Cádis, onde destruíra mais de duas dezenas de navios inimigos, tentou desembarcar e saquear Lagos.

No entanto, a resistência local foi muito mais feroz do que previra.
Forçado a desistir, o corsário seguiu para Sagres, descarregando a sua frustração ao arrasar quase tudo o que encontrou entre o Porto da Baleeira e o Cabo de São Vicente.
Séculos mais tarde, durante as Guerras Liberais do século XIX, a cidade voltou a ser posta à prova pelo famoso Remexido, um temido guerrilheiro apoiante de D. Miguel.
Decidido a fazer Lagos render-se pela fome e pela sede, o Remexido montou um cerco implacável de um mês.
Posicionou canhões no Monte Moleão e no Cerro das Mós para bombardear a população, queimou os moinhos e destruiu o aqueduto.
Apesar do sofrimento imposto, os seus intentos falharam e, com a iminente derrota miguelista no Alentejo, viu-se obrigado a levantar o cerco, deixando finalmente a cidade em paz.


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A Ponta da Piedade, no concelho de Lagos, é um verdadeiro tesouro natural no Algarve, famoso pelas suas falésias deslumbrantes esculpidas pelo tempo.

Uma das formas mais económicas e incríveis de explorar esta costa é através dos seus magníficos passadiços de madeira, que oferecem um dos melhores trilhos pedestres da região.
Ao longo do caminho, o oceano Atlântico serve de cenário para um espetáculo inesquecível de luzes e cores, revelando paisagens deslumbrantes, praias espetaculares e rochedos com formas surpreendentes.

O percurso total estende-se ao longo do topo das arribas e começa com um troço inicial de cerca de um quilómetro e meio a dois quilómetros que liga a Praia de Dona Ana ao Farol, passando por miradouros fantásticos entre a Praia do Pinhão e a icónica Praia do Camilo, com a cidade de Lagos a vislumbrar-se bem lá ao fundo.
Em seguida, o passeio entra no segundo troço, de cerca de dois quilómetros e meio, entre o Farol da Ponta da Piedade e a Praia do Canavial.

Por fim, para quem deseja completar toda a caminhada, existe uma ligação extra de cerca de um quilómetro a partir da Praia do Canavial que leva os visitantes até à Praia de Porto de Mós.
Pelo caminho, pode ir vendo o vai e vem incessante dos barcos de turismo, a levar e trazer os clientes às grutas da Ponta da Piedade.
Essa é, de resto, uma outra forma recomendada de conhecer esta zona. Se o quiser fazer de imediato, perto do farol há uma escadaria que o leva até um pequeno cais onde costumam encontrar-se barcos que o podem levar a dar uma volta.
Juntando tudo, acaba por se percorrer um número considerável de quilómetros (sobretudo se depois tiver de se voltar ao ponto de origem), mas vale bem a pena.
E, se o atraso for grande, até vai ter o bónus de deleitar-se com um magnífico pôr do sol.




A Rua da Barroca é uma das artérias mais emblemáticas de Lagos, um autêntico arquivo vivo de pedra e mar.
Famosa pelos seus arcos pitorescos, esta rua foi, durante séculos, a marginal da cidade, onde as águas da Ribeira de Bensafrim batiam diretamente no seu paredão até à década de 60.

Estrategicamente integrada no sistema defensivo das muralhas, a rua estendia-se entre o Baluarte de D. Manuel (mais tarde conhecido como “da Porta Nova”) e as estruturas do antigo Hospital Militar (atual Messe).
Mas a história da Barroca recua muito antes das muralhas medievais.
Escavações geoarqueológicas revelaram vestígios de um estabelecimento fenício do século VIII a.C., provando que este pedaço de terra junto ao mar é habitado há quase três milénios.

// Se já estiver a falar, para o áudio e repõe o botão
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// 2. Guarda o texto na memória
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// 3. Remove a frase do botão para ela não ser lida
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// 4. Configura a voz
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// 5. Quando o áudio terminar sozinho, o botão volta ao normal
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// 6. Muda o texto do botão para indicar que se pode parar
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// 7. Começa a ler
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// Garante que o áudio para se o utilizador fechar ou mudar de página
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A vila da Luz, um dos polos turísticos mais importantes de Lagos, esconde um passado que mistura geologia, piratas e uma forte ligação ao mar.

A sua paisagem é marcada pela Rocha Negra, uma falésia escura que testemunha a atividade de um vulcão extinto há mais de dez mil anos, formado por lava de erupções ocorridas há 70 milhões de anos.
É neste cenário que a presença humana se faz sentir há vários milénios, muito antes dos registos oficiais da sua fundação, em 1673.
Ao longo dos séculos, a vila cresceu virada para o oceano. A pesca da sardinha e da baleia ganhou grande força nos séculos XV e XVI, durante a época dos Descobrimentos.
Para proteger os pescadores dos ataques de piratas, corsários e das armadas espanholas, foi construída no século XVII a Fortaleza de Nossa Senhora da Luz, um dos melhores exemplares da arquitetura militar da época no Algarve.

A religião também sempre foi central nesta antiga aldeia. Originalmente chamada de Nossa Senhora da Luz em honra da sua Santa Padroeira, a vila abriga a Igreja de Nossa Senhora da Luz, um Imóvel de Interesse Público.
O monumento mistura os estilos gótico, manuelino e barroco, guardando uma inscrição de 1521, um teto em abóbada estrelada e uma pia batismal única com sete quinas.
A modernidade chegou a partir de 1928 com os primeiros banhistas, dando início ao turismo que ditaria a mudança do nome para Praia da Luz.
Hoje, a freguesia cresce focada no futuro, procurando equilibrar o desenvolvimento urbano com a preservação da sua essência histórica e rural.


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O Farol da Ponta da Piedade, situado no concelho de Lagos, vai muito além de uma simples torre que guia os marinheiros no mar.
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Localizado numa das paisagens mais impressionantes do Algarve, este monumento guarda uma história rica que mistura religião, debates antigos e o avanço da tecnologia no mar.
Para que o farol pudesse ser construído foi necessário derrubar um espaço religioso muito antigo, a Ermida de Nossa Senhora da Piedade. A compra foi feita pelo Ministério da Marinha, em 1911, por cerca de 250 mil réis.
Esta demolição causou muita tristeza e revolta na população local, já que o templo tinha séculos de história e era muito visitado por pescadores e devotos.
Apesar dos protestos, a segurança da costa falou mais alto e o projeto seguiu em frente.
O farol começou a funcionar no dia 1 de julho de 1913, com uma torre de pedra de 9 metros de altura e casas para os faroleiros ao lado.
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Ao longo dos anos, a tecnologia do local mudou bastante para acompanhar os novos tempos. No início, a luz funcionava com um candeeiro a petróleo que alcançava cerca de 20 milhas de distância.

Mais tarde, em 1952, o farol recebeu eletricidade e, poucos anos depois, ganhou um sistema a gás para garantir que a luz não se apagasse em caso de falha.
Hoje em dia, tudo funciona de forma totalmente elétrica e automática, emitindo flashes de luz branca a cada 7 segundos que podem ser vistos a cerca de 37 quilómetros de distância.
Atualmente, o farol de paredes brancas cria um contraste perfeito com o amarelo das rochas gigantes e o azul-turquesa do oceano.
O local deixou de ser apenas um aviso para os barcos e tornou-se um dos pontos turísticos e miradouros mais fotografados de Portugal.
É o ponto de partida perfeito para os visitantes que querem fazer passeios de barco pelas famosas grutas da região ou caminhar pelos passadiços de madeira para assistir a um pôr do sol inesquecível.
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Situada numa zona nevrálgica de Lagos, encostada às antigas muralhas e com a frente voltada para a Praça do Infante, a Igreja de Santa Maria é um marco incontornável para quem percorre o centro histórico daquela cidade.

A sua história é feita de resiliência: construída originalmente em 1498 como Igreja da Misericórdia, o templo sobreviveu ao devastador sismo de 1755 – que destruiu a antiga igreja paroquial, levando Santa Maria a assumir esse papel – e a um grave incêndio em 1888.
Arquitetonicamente, o edifício que hoje admiramos é um exemplar do estilo neoclássico, fruto das importantes obras de recuperação ao longo dos séculos.
A sua fachada destaca-se pela simetria perfeita, com duas torres sineiras laterais que emolduram o portal central, uma janela de sacada e um nicho para imagem.
No interior, a nave única revela um ambiente de sobriedade e elegância, enriquecido por retábulos da segunda metade do século XVIII e três capelas colaterais.
É um testemunho vivo da evolução de Lagos, onde a arquitetura de defesa das muralhas se cruza com a imponência da fé.


A Praia da Batata, em Lagos, é muito mais do que um simples areal. É um local onde a história da cidade e as lendas populares se cruzam com o azul do mar.
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Situada a escassos metros do centro histórico, entre o molhe poente da Ribeira de Bensafrim e a Praia dos Estudantes, encontra-se estrategicamente próxima do Cais da Solaria e da imponente Fortaleza da Ponta da Bandeira.
O seu nome curioso, segundo reza a tradição oral, poderá ter ficado a dever-se a um acontecimento insólito: um naufrágio terá feito com que a carga de batatas que a embarcação transportava desse à costa, cobrindo o areal. O povo, com o seu pragmatismo típico, batizou-a de imediato como Praia da Batata.

Devido à sua localização privilegiada junto ao centro urbano, é uma das praias mais frequentadas de Lagos.
Os seus recantos abrigados pelas arribas oferecem sombras naturais e uma excelente proteção contra os ventos dominantes, tornando-a um refúgio acolhedor.
Além disso, é o palco de uma das tradições mais castiças da região: o “Banho 29”, uma festa popular que atrai multidões na noite de 29 de agosto para um mergulho ritual à meia-noite.
Vigiada e com bons apoios de praia, a Praia da Batata continua a ser, séculos depois, o ponto onde Lagos melhor celebra a sua ligação umbilical ao oceano e às histórias que as ondas trazem a terra.
Esta quarta-feira, dia 22 de julho, arranca em Lagos mais uma edição da Feira Concurso Arte Doce.

Um dos doces que vão estar em especial destaque é o Dom Rodrigo, um dos mais famosos da doçaria conventual do Algarve, com uma história profundamente ligada à cidade lacobrigense.
A sua origem é curiosa. Diz a tradição popular que a sua criação é uma homenagem direta a D. Rodrigo de Menezes, que foi Governador e Capitão-General do Algarve entre 1765 e 1773.
O fidalgo era um grande benfeitor do Convento de Nossa Senhora do Carmo, situado em Lagos, e apreciava muito os mimos gastronómicos das freiras. Para o lisonjear, as freiras terão inventado uma receita especial, combinando fios de ovos, ovos moles e amêndoa e deram o seu nome ao doce.

Com a extinção das ordens religiosas em Portugal no século XIX, as receitas secretas dos conventos passaram para o domínio público.
No caso do Dom Rodrigo, a receita foi preservada por famílias nobres de Lagos que tinham ligações ao convento. Mais tarde, o doce começou a ser confecionado em pastelarias locais, tornando-se um símbolo cultural da região.
Originalmente, o doce era servido em taças de porcelana e comido à colher. Para facilitar o transporte e a venda individual, passou a ser envolvido em folhas de papel de prata (alumínio) coloridas, cortadas em forma de pirâmide e com pontas franjadas, uma apresentação icónica que se mantém até hoje.


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