A Almargem – Associação de Defesa do Património Cultural e Ambiental do Algarve, em comunicado enviado às redações, que se transcreve a seguir, diz que submeteu um parecer negativo ao projeto da Barragem da Foupana. A Almargem considera um atentado ambiental, e um potencial desastre financeiro, o investimento de 90 milhões de euros que ameaça transformar-se num “elefante branco” sem água.
A ribeira da Foupana é um dos últimos cursos de água livres do Algarve. Enquanto que a maioria dos rios do Sul foi profundamente alterada por barragens e espécies exóticas, na Foupana, cerca de dois terços dos peixes existentes são espécies autóctones que ali encontram o seu último refúgio. Erguer uma parede de betão significa destruir este ecossistema único.
O “fim da linha” para a vida na ribeira
A alteração do curso da ribeira e a criação de uma albufeira terão um impacto devastador sobre a fauna aquática:
Risco de extinção local do Saramugo: Este pequeno peixe, um dos mais ameaçados da Península Ibérica, é incapaz de sobreviver em águas paradas. A albufeira significará o seu desaparecimento definitivo naquele troço.
Bloqueio de peixes migradores: A parede da barragem impedirá a subida e descida de espécies emblemáticas como o Sável, a Savelha, a Enguia-europeia e a Lampreia-marinha. Sem o sinal dos peixes jovens a descer o rio, os adultos do mar deixarão de entrar na bacia do Guadiana.
Isolamento e Invasão: Espécies nativas como a Boga-do-Guadiana e o Barbo-de-cabeça-pequena ficam encurraladas, tornando-se presa fácil para peixes exóticos invasores predadores (como o Achigã) que proliferam em albufeiras.
Colapso dos mexilhões de água doce: Os mexilhões-de-rio (náiades em perigo de extinção) precisam das guelras dos peixes nativos para se reproduzirem. Sem estes peixes, as náiades desaparecerão também do vale.
Da serra à praia, os impactes são múltiplos
Ameaça ao Lince-Ibérico: A albufeira vai inundar e cortar o corredor natural desta espécie, empurrando-os para as estradas e aumentando o risco de atropelamento.
Perda de floresta e património: Ficarão submersos mais de 500 hectares de vegetação protegida, 70 hectares de azinhais, plantas raras e dezenas de moinhos tradicionais de rodízio e sítios arqueológicos romanos e medievais.
Agravamento da erosão nas praias: Ao reter cerca de 10 milhões de m³ de areias e sedimentos, a barragem vai privar as praias e dunas do Sotavento do material necessário para combater o recuo da linha de costa.
Aposta em alternativas sustentáveis
A Almargem sublinha que a verdadeira resiliência hídrica não passa por reter mais rios expostos à evaporação, mas sim por gerir a água de forma integrada:
Resolver as fugas nas tubagens: Em vários concelhos do Algarve, grandes volumes de água potável perdem-se em roturas na rede. Reparar as tubagens gera mais água útil do que toda a barragem da Foupana.
Guardar água no subsolo: Infiltrar a água das chuvas nos aquíferos subterrâneos (como Querença-Silves), protegendo-a do sol, da evaporação e da contaminação a um custo muito inferior.
Reutilizar a água das ETAR: Usar água reciclada para a rega, poupando a água potável das barragens existentes para o consumo das populações.
Participe na Consulta Pública até 16 de outubro
A Almargem exige à Agência Portuguesa do Ambiente a emissão de uma Declaração de Impacte Ambiental Desfavorável e apela a todos os cidadãos para que submetam a sua oposição ao projeto no portal Participa.pt (Processo de AIA n.º 3837) até ao dia 16 de outubro.
As más notícias fazem mais barulho, mas o mundo também avança com o que acontece de positivo. É verdade que todos os dias somos confrontados com guerras, crises e incertezas que nos fazem duvidar do caminho que a humanidade está a seguir. É natural. O medo prende a atenção, e as manchetes sabem disso. Mas, muitas vezes longe dos holofotes, há conquistas silenciosas que mudam milhões de vidas.
Há doenças que estão prestes a desaparecer da face da Terra. Há mais crianças a nascer e conseguirem sobreviver para crescer, vivemos mais anos e há menos pessoas a viver na pobreza extrema. O próprio planeta dá sinais de recuperação. Nada disto aconteceu por acaso. É o resultado do trabalho persistente de cientistas, médicos, voluntários, governos e comunidades que nunca desistiram.
Olhar para estes avanços não significa ignorar o que ainda está por fazer. Significa recusar a ideia de que nada muda e saber que há razões para sermos gratos. E a ciência garante que este olhar também nos faz bem: quem cultiva a gratidão tende a dormir melhor, a sentir menos ansiedade e até a viver mais tempo. Não se trata de ver o mundo cor-de-rosa, mas de treinar o olhar para reconhecer o que está bem, mesmo quando tanto parece estar mal.
Para quem um dia deixou Portugal em busca de uma vida melhor, a gratidão não é um conceito estranho. Antes pelo contrário, sentimos gratidão pelos sacrifícios dos que vieram antes de nós, pelas oportunidades que este país nos abriu e por uma comunidade que continua a saber dar as mãos, sempre que é necessário.
Com o aproximar do Dia de Ação de Graças, resolvemos deixar-vos alguns números que provam que, sim… apesar de tudo, ainda há tanto a agradecer.
A esperança em números
Uma doença quase a desaparecer
Em 2025 registaram-se apenas 10 casos humanos da doença do verme-da-Guiné em todo o mundo. Em 1986 eram cerca de 3,5 milhões por ano. Poderá ser a segunda doença humana erradicada, depois da varíola.
Fonte: The Carter Center
Vidas salvas por uma vacina
59 milhões é o número estimado de vidas salvas pela vacina do sarampo entre 2000 e 2024. No mesmo período, as mortes pela doença caíram 88%.
Fonte: Organização Mundial da Saúde
Mais crianças a crescer
A mortalidade de crianças com menos de cinco anos caiu 60% desde 1990. Nessa altura, uma em cada 11 crianças não chegava aos cinco anos. Hoje é uma em cada 27.
Fonte: UNICEF / ONU (UN IGME)
Mais vida para viver (+27 anos)
Em 1950, a esperança de vida média no mundo era de 46 anos. Hoje ronda os 73.
Fonte: Nações Unidas, World Population Prospects
1,5 mil milhões fora da pobreza extrema
Em 1990 havia cerca de 2,3 mil milhões de pessoas a viver em pobreza extrema. Em 2024 eram 817 milhões, apesar de a população mundial ter crescido.
Fonte: Banco Mundial / Our World in Data
Um planeta com mais 85,6% de energia limpa
Esta foi a parte da nova capacidade elétrica instalada no mundo em 2025 que veio de fontes renováveis. Os 692 gigawatts acrescentados nesse ano são um recorde.
Fonte: Agência Internacional para as Energias Renováveis (IRENA)
O céu a sarar-se
A camada de ozono está a recuperar. Deverá voltar aos níveis de 1980 por volta de 2040 na maior parte do mundo e em 2066 sobre a Antártida.
Fonte: Organização Meteorológica Mundial
E porque faz bem agradecer? Gratidão que prolonga a vida
Um estudo de Harvard acompanhou quase 50 mil mulheres com uma média de 79 anos. As que se sentiam mais gratas tinham menos 9% de risco de morrer nos quatro anos seguintes do que as menos gratas. A ligação mais forte foi com as doenças cardiovasculares.
Fonte: Universidade de Harvard, JAMA Psychiatry (2024)
Mais energia para o corpo
Num estudo clássico, um grupo de pessoas escreveu todas as semanas aquilo por que estava grato. Ao fim de nove semanas, faziam quase mais hora e meia de exercício por semana do que o grupo que anotava os seus aborrecimentos. Também se sentiam mais otimistas e mais satisfeitas com a vida.
Fonte: Emmons & McCullough, Journal of Personality and Social Psychology (2003)
Menos ansiedade e menos tristeza
Uma revisão de 64 ensaios clínicos concluiu que práticas simples de gratidão, como um diário ou uma carta de agradecimento, melhoram a saúde mental. Os participantes tinham menos 7,8% de sintomas de ansiedade e menos 6,9% de sintomas de depressão do que quem não fazia estas práticas.
Fonte: Diniz et al., revista Einstein (2023)
MS
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A confirmação foi dada por Helena Lapa, presidente da Câmara de Sabrosa, que explicou que os dois municípios decidiram avançar de forma articulada. “Não fazia sentido um sair com uma taxa ou com uma iniciativa e o outro não. Portanto, articulámos sempre tudo isto desde o início”, explica a autarca.
Segundo Helena Lapa, o município já aprovou a abertura do procedimento para a elaboração do regulamento que irá enquadrar a futura taxa turística. “Neste momento, já temos aprovada a abertura do procedimento para o regulamento que vai integrar a taxa turística”.
Considera, ainda, que a criação da taxa se justifica pela importância que o turismo assume no território, defendendo que as receitas devem beneficiar diretamente os locais onde a atividade turística tem maior expressão.
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Para Helena Lapa, presidente da Câmara de Sabrosa, a feira assume também uma dimensão social, num território marcado pelo envelhecimento e despovoamento. “Todos os eventos que se possam fazer são importantes para trazer gente, para os que cá estão sintam o orgulho em recebê-los, saírem à rua, celebrarem e promoverem aquilo que têm”, explicou à VTM.
A autarca destaca ainda a longevidade da iniciativa, que já vai na 17.ª edição. “É um evento que já criou raízes, já se consolidou e que hoje já é celebrado por muita gente”, sublinha, considerando que a preservação das tradições constitui uma prioridade municipal.
A organização envolve o município e as juntas de freguesia, numa parceria que, segundo Helena Lapa, permite dar maior dimensão a iniciativas que individualmente teriam mais dificuldades. “Isto representa muito mais do que um evento. Representa também esta parceria e esta harmonização que existe entre as forças vivas do concelho”.
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Foi uma noite de festa, mas também de memórias. O First Portuguese Canadian Cultural Centre celebrou os seus 70 anos no sábado, 26 de setembro de 2026, numa grande gala realizada no salão da LiUNA Local 183, na Wilson Avenue, em Toronto.
A sala encheu-se de dirigentes associativos, empresários, professores, antigos alunos, famílias, amigos e representantes políticos que se juntaram para assinalar sete décadas de história de uma instituição que marcou várias gerações da comunidade portuguesa.
Créditos: Francisco Pegado
Entre abraços e reencontros, muitos dos presentes aproveitaram a ocasião para recordar pessoas, momentos e histórias vividas no First Portuguese. Para muitos, a celebração foi tanto uma homenagem à instituição como às pessoas que, ao longo dos anos, ajudaram a construí-la.
A animação da noite esteve a cargo da Karma Band, enquanto pequenas bancas e vendedores deram também movimento à gala. Mas a cultura portuguesa teve um dos seus momentos mais especiais com a atuação do Rancho Folclórico da Nazaré de Toronto, considerado o rancho português mais antigo do Canadá e criado no seio do First Portuguese.
Créditos: Francisco Pegado
A presença do rancho trouxe à celebração música, dança e tradição, mas também uma ligação simbólica às origens da instituição e às gerações que ajudaram a manter vivas as tradições portuguesas no Canadá.
Entre os momentos mais marcantes da noite estiveram os testemunhos de pessoas que continuam profundamente ligadas ao First.
Irene Mendes falou do prazer de continuar a frequentar a instituição “estou muito contente por estar aqui. Venho ao First com frequência e gosto muito de estar aqui. A minha mãe também gosta muito. Gosto sobretudo do ambiente, das pessoas e da convivência.”
Créditos: Francisco Pegado
Aos 98 anos, Laurinda da Conceição também marcou presença e resumiu o sentimento de muitos: “Os portugueses gostam muito de estar aqui. Eu também gosto, sobretudo pela convivência, pelas pessoas e pelo ambiente. É um lugar onde nos sentimos bem e onde gostamos de estar juntos.”
Durante a gala, Laurentino Esteves, conselheiro do conselho das comunidades portuguesas, destacou o caráter pioneiro do First Portuguese: “Estamos a celebrar uma associação pioneira, com 70 anos de história e de serviço à comunidade.”
José Eustáquio, presidente da ACAPO, recordou a sua ligação pessoal à instituição desde a infância e destacou a influência que o First teve na comunidade. “O First Portuguese fez parte da minha vida desde muito cedo. Cresci neste bairro e acompanhei de perto a história da instituição.”
O empresário e filantropo Manuel DaCosta recordou igualmente os primeiros imigrantes e o papel da instituição na construção da comunidade”celebrar os 70 anos do First Portuguese é celebrar também uma parte importante da história da comunidade portuguesa. Esta associação acompanhou o crescimento da nossa comunidade e ajudou muitos dos primeiros imigrantes a estabelecerem-se no Canadá.”
Créditos: Francisco Pegado
Manuel DaCosta destacou ainda a sua admiração pelos pioneiros e recordou o seu envolvimento na preservação do edifício da instituição “tenho uma admiração muito grande pelos pioneiros e pelo trabalho que fizeram. Quando tive a oportunidade de ajudar a preservar o edifício do First, senti que estava também a salvar um pedaço da história portuguesa em Toronto. É algo de que me orgulho.”
A professora Celina de Melo, que dedicou cerca de 40 anos ao First, emocionou-se ao recordar os antigos alunos. “O First foi uma parte muito importante da minha vida. Ganhei uma família muito grande.”
Julie Dzerowicz, deputada federal por Davenport, destacou o papel do First Portuguese no apoio às diferentes gerações da comunidade, enquanto Vítor Silva, coordenador do Partido Socialista para o Círculo Fora da Europa, salientou a importância social das associações portuguesas no estrangeiro e o seu contributo para a ligação entre Portugal e as comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo.
O atual presidente, César Fernandes, encerrou a mensagem de futuro com um apelo à continuidade: “Espero que a instituição continue por muitos mais anos e que haja pessoas preparadas para dar continuidade ao trabalho.”
No final, a gala dos 70 anos deixou mais do que fotografias e discursos. Deixou reencontros, abraços e a sensação de que, para quem passou pelo First Portuguese, aquela noite era também uma celebração da sua própria história.
Maria da Graça Carvalho destacou a dimensão nacional da intervenção e a necessidade de responder ao risco de cheias com uma solução estrutural há muito aguardada.
Não há nível de governação mais próximo de nós do que o municipal. É a câmara que decide se a rua onde vivemos tem iluminação, se o autocarro passa a horas, se o parque onde os nossos filhos brincam é seguro, se a habitação continua acessível. E, no entanto, é também neste nível de poder que a nossa comunidade precisa de se fazer ouvir mais, não só como eleitores que não abdicam do seu direito de escolha, mas também como candidatos.
Votar é essencial, mas não basta. É necessário deixar de ser invisível nas decisões. É quando nos candidatamos, quando ocupamos uma cadeira na câmara, que passamos a estar na sala onde as prioridades se discutem e o orçamento se distribui. Os luso-canadianos que encontrámos nestas eleições, de Toronto a Cambridge, de London a Oshawa, de Mississauga a Brampton ou Kitchener, são a prova de que isso é possível. Alguns estreiam-se nestas andanças este ano, outros recandidatam-se depois de anos de trabalho em prol dos seus vizinhos, mas continuam a ser poucos, face à dimensão real da nossa comunidade no Ontário. Envolvermo-nos mais, apoiar quem se candidata, incentivar quem hesita… é assim que passamos a ser vistos e ouvidos, e não apenas contados, pelo sistema político.
Clique AQUI para um infográfico sobre as eleições provinciais no Ontario.
Nesta edição, começamos por olhar para o que as sondagens dizem sobre duas das corridas mais disputadas da província. Em Toronto, Olivia Chow mantém uma vantagem confortável sobre Brad Bradford (50% contra 39%, segundo a Liaison Strategies), encaminhando-se para um segundo mandato sem grande sobressalto. Já em Mississauga o cenário é bem mais incerto: a sondagem mais recente, da Pallas Data, coloca a atual mayor, Carolyn Parrish empatada com a sua antecessora, Bonnie Crombie, (35% cada), com Alvin Tedjo e Dipika Damerla ainda na corrida e um terço dos eleitores por decidir. É um resultado que, no momento, aponta para a incerteza sobre quem vai sair vencedora, sendo certo que, nas palavras da própria sondagem, estamos a assistir a “uma verdadeira corrida a dois”. Mississauga é, por isso, um importante lembrete de como cada voto e cada candidatura, pode fazer diferença. Não abdique do seu direito e dever de ser um cidadão de plenos direitos – esse é o seu grande poder e está aí mesmo à porta da sua casa.
Há centenas de milhares de luso-canadianos no Ontário, mas quando se procura quem, dentro dessa comunidade, decide dar o passo de se candidatar à governação local, a lista é manifestamente curta. Ainda assim, quando olhamos para as listas dos concorrentes nestas eleições municipais de 2026, encontramos vários nomes de candidatos, de Toronto a Cambridge, de Mississauga a Kitchener, de London a Brampton, de Oshawa etc., que carregam apelidos que reconhecemos como nossos e que já estão no terreno a pedir o voto dos seus vizinhos. Alguns são já rostos conhecidos destas andanças; outros aceitaram este desafio pela primeira vez.
Nestas páginas reunimos os nomes de alguns deles. Dizemos onde se candidatam e o que propõem a quem os poderá eleger. É uma amostra pequena, sabemo-lo, há muitos outros que, com coragem, estão na luta da política municipal, mas tivemos que fazer uma escolha por razões óbvias. No entanto, este conjunto de pessoas que aqui vos trazemos evidencia que a nossa presença na política local, ainda que tímida, existe e tem vindo a crescer. De certo modo, conhecer estes candidatos é também reconhecer o espaço que nós, lusodescendentes, ainda temos para ocupar na sociedade canadiana.
Tony Chaves. (MDC Media Group).
Tony Chaves — Cambridge, Candidato a Mayor
Milénio Stadium: Como luso-canadiano a concorrer ao cargo principal em Cambridge, o que é que a sua experiência na comunidade traz à forma como lideraria a cidade?
Tony Chaves: A minha origem luso-canadiana deu me uma forte apreciação pela comunidade, pela família, pelo trabalho árduo e por nos ajudarmos uns aos outros. Mas, após 11 anos como Presidente do Clube Português, aprendi que a comunidade é muito maior do que apenas uma cultura. Ao longo desses 11 anos, tive o privilégio de conhecer milhares de pessoas de diferentes culturas, origens e percursos de vida. Ouvi as suas preocupações, celebrei as suas tradições e vi em primeira mão como Cambridge é muito mais forte quando nos unimos. É esse o tipo de liderança que eu traria para o gabinete do Mayor. Não lideraria para uma cultura ou para um grupo de pessoas. Lideraria para toda a cidade de Cambridge. Quero que cada residente se sinta ouvido, respeitado e incluído. A minha experiência ensinou me que, quando abrimos as portas, ouvimos as pessoas e unimos as comunidades, construímos uma cidade mais forte para todos.
MS: Como planeia envolver a comunidade portuguesa de Cambridge especificamente, se for eleito?
TC: Após 11 anos como Presidente do Clube Português, já tenho ligações fortes dentro da comunidade portuguesa de Cambridge. Se for eleito, continuaria a ouvir, a marcar presença em eventos comunitários, a reunir me com residentes e organizações, e a garantir que as suas preocupações são ouvidas na Câmara Municipal. Mas quero ser claro: não sou apenas um mayor para a comunidade portuguesa. Sou um mayor para toda a cidade de Cambridge. A minha experiência ensinou me a importância de aproximar diferentes culturas e origens e de garantir que todos têm uma voz.
MS: Cambridge está a lidar com um crescimento rápido e com uma crise de acessibilidade à habitação. Qual é a medida concreta que tomaria no seu primeiro ano para a enfrentar?
TC: A minha primeira ação concreta seria introduzir um programa de alívio do imposto sobre a propriedade para compradores da primeira casa, proporcionando aos compradores elegíveis pela primeira vez uma redução de 50% nos impostos municipais sobre a propriedade durante os seus primeiros dois anos. Precisamos de tornar a aquisição de habitação própria mais acessível para os residentes de Cambridge que estão a tentar criar raízes na nossa cidade. Ao mesmo tempo, trabalharia com o Conselho e com a equipa técnica para identificar formas práticas de aumentar a habitação acessível e ao alcance de todos, garantindo que o crescimento é devidamente planeado e apoiado pelas infraestruturas de que a nossa cidade precisa.
MS: O que o distingue dos outros candidatos nesta corrida, e porque é que os eleitores deveriam confiar em si, em vez de num recandidato ou num nome mais estabelecido, para liderar Cambridge?
TC: O que me distingue é simples: não sou um político de carreira. Sou uma pessoa comum que passou 60 anos a viver em Cambridge, a construir um negócio, a criar uma família e a servir a minha comunidade. Durante 11 anos, tive o privilégio de ser Presidente do Clube Português, onde trabalhei com pessoas de todas as culturas e origens. Ouvi milhares de pessoas, escutei as suas preocupações e aprendi que a liderança não é ter todas as respostas, é ouvir e fazer algo em relação ao que se ouve. Não estou a concorrer porque preciso de um título político. Estou a concorrer porque acredito que Cambridge precisa de um líder que coloque os residentes em primeiro lugar, que seja transparente, que exija responsabilidade e que faça cada dólar render. Eu não respondo a políticos. Respondo às pessoas de Cambridge. Elas é que são os chefes. É isso que me distingue, e se merecer a sua confiança, trabalharei todos os dias para provar que fizeram a escolha certa.
Miguel Araujo. (MDC Media Group)
Miguel Araujo — Oshawa, Ward 3
Milénio Stadium: O que o levou a candidatar-se ao Ward 3 em Oshawa/Durham?
Miguel Araujo: Decidi candidatar me a vereador do Ward 3 em Oshawa/Durham porque estou sempre a acompanhar as notícias sobre o desenvolvimento e o que está a acontecer em Oshawa e ao redor, e sinto que representaria bem os residentes do Ward e lutaria pelos seus melhores interesses.
MS: Qual considera ser o problema mais urgente no Ward 3 neste momento, e o que proporia fazer no primeiro ano de mandato para o resolver?
MA: Acredito que o problema urgente no Ward 3 é que ainda há muitos parques subaproveitados e, para resolver este problema, proporia no próximo orçamento para 2027 a requalificação desses parques através da adição de zonas de jogos de água (“splash pads”), campos de futebol, campos de beisebol e substituição do equipamento infantil por equipamento mais moderno, etc.
MS: Há sete pessoas a concorrer ao mesmo lugar, como pretende convencer os eleitores que a sua candidatura é a melhor para os representar e o que o distingue dos outros candidatos?
MA: Estou a concorrer num ward contra outros 7 candidatos, mas sinto que o que me distingue dos outros é o facto de viver no ward há mais de 30 anos e ter visto e estar ciente dos problemas que não foram resolvidos no passado. Com esse conhecimento, saberia o que precisa de ser tratado como prioridade e estaria próximo dos residentes do Ward 3, ficando apenas à distância de uma chamada telefónica ou de um e-mail.
MS: Se for eleito, como pensa equilibrar o crescimento habitacional/desenvolvimento urbano em Oshawa com as preocupações dos residentes atuais sobre infraestruturas e serviços?
MA: Se for eleito, planeio equilibrar o crescimento habitacional/desenvolvimento urbano com as preocupações dos residentes atuais relativamente às infraestruturas e serviços através da realização de vários estudos sobre os serviços de bombeiros, serviços de paramédicos, serviços policiais, etc., para ver quais as áreas que precisam de novas instalações para serem adicionadas ou expandidas, etc., e se as estradas conseguem suportar mais trânsito nas zonas antes de as licenças para construção de novos desenvolvimentos serem aprovadas.
Marco Martins. (MDC Media Group).
Marco Martins — Toronto, Ward 9 (Davenport)
Candidata-se pela primeira vez
Segurança: pressiona por policiamento mais visível e de proximidade, e por tempos de resposta mensuráveis
Gastos: quer rever a despesa da Câmara para eliminar custos desnecessários e reduzir a “burocracia” para pequenos negócios
Equidade de investimento: alega que o Davenport recebe metade do investimento de capital per capita comparado com outros wards, e promete lutar pela “parte justa” do ward em serviços, parques e financiamento
Transporte: mais ciclovias seguras e ligadas, mais serviço nas linhas de autocarro sobrelotadas, soluções práticas para o congestionamento
Habitação: apoia crescimento habitacional, mas exige que infraestrutura e transporte acompanhem o desenvolvimento
Plano dos primeiros 100 dias: publicar padrões de resposta; abrir um “rastreador de ações públicas” e calendário de obras do Ward 9; reunir-se com todas as BIAs, grupos de residentes, a polícia e o planeamento de serviço da TTC; realizar três sessões de escuta (norte, centro, sul); lançar auditorias a parques, pontos problemáticos de trânsito e comunicação sobre obras; publicar um relatório de progresso aos 100 dias
Lurdes Jordão. (MDC Media Group).
Lurdes Jordão — Kitchener, Ward 3
Candidata pela primeira vez; reside no ward há mais de 27 anos.
Crescimento ponderado e bairros fortes — defende que o desenvolvimento tenha em conta o trânsito, infraestruturas, espaços verdes, acessibilidade dos preços e o carácter dos bairros já existentes
Ruas e comunidades mais seguras — soluções práticas para excesso de velocidade, congestionamento e segurança de peões, em colaboração com a câmara e a Polícia Regional de Waterloo
Gastos responsáveis e custo de vida acessível — traz experiência de gestão de projetos (mais de 30 anos) para priorizar investimentos que não sobrecarreguem os residentes no futuro
Representação com respeito, transparência e acessibilidade — compromisso de criar oportunidades reais de participação entre os residentes e a câmara
Percurso comunitário: mais de 20 anos no conselho da Settler’s Grove Community Association, atualmente no conselho do seu condomínio; apoia a Breakthrough T1D Canada e a Canadian Cancer Society
George Tavares (MDC Media Group).
George Tavares — Mississauga, Ward 7)
Candidatou-se a Mayor em 2022 e 2024.
Impostos
Escrutinar cada linha do orçamento antes de aprovar aumentos; votar contra aumentos sem benefício claro para os residentes
Exigir relatórios transparentes sobre a despesa dos impostos
Trânsito e estradas
Reparações e manutenção de estradas dentro de prazos
Medidas de acalmia de trânsito em zonas residenciais
Responsabilizar a Câmara pelo cumprimento de prazos de infraestrutura
Habitação e desenvolvimento
Exigir que os promotores cumpram compromissos de benefício comunitário
Garantir que nova densidade populacional vem acompanhada de infraestrutura correspondente
Apoiar habitação genuinamente acessível (não apenas de nome)
LRT Hazel McCallion e transporte
Exigir um calendário público claro para a conclusão da obra e início do serviço de passageiros
Gestão prática do trânsito durante a construção; proteger o acesso de peões e negócios em Cooksville
Melhorar ligações do LRT ao GO Transit e à MiWay
Segurança pública e fiscalização
Policiamento visível junto ao Cooksville Four Corners, estação GO, parques e paragens de transporte
Reforço das regras de segurança para trotinetes
Avaliar programas pelos resultados, não pelo valor gasto
Martin Medeiros. (MDC Media Group).
Martin Medeiros — Brampton, Wards 3 & 4
Recandidato
Bairros seguros, limpos e bem cuidados
Mais presença policial nos Wards 3 e 4
Medidas de acalmia de trânsito comprovadas: lombas de velocidade (“speed cushions”) e cruzamentos com paragem obrigatória em todos os sentidos
Mais fiscais municipais (bylaw officers), fiscalização proativa e multas mais pesadas para infrações
Acessibilidade financeira e gastos responsáveis
Manter os impostos sobre a propriedade acessíveis
Eliminar despesas desnecessárias na Câmara de Brampton e na Região de Peel
Garantir que os residentes sabem que o seu dinheiro é gasto de forma sensata, responsável e eficiente
Investimento nos bairros
Maior investimento em parques, trilhos e equipamentos recreativos nos Wards 3 e 4
Crescimento económico e emprego
Atrair novos negócios e investimento para os Wards 3 e 4
Apoiar o comércio local e revitalizar zonas comerciais
Transparência e responsabilização
Tornar a Câmara de Brampton mais aberta, responsiva e responsável
Informação pública clara, maior fiscalização e oportunidades reais para os residentes serem ouvidos
David Ferreira (MDC Media Group).
David Ferreira — London, Ward 13
Recandidato
Evolução do centro da cidade (Downtown)
Moldar o próximo capítulo do centro como bairro, ponto de encontro cívico, centro cultural e motor económico que sirva toda a cidade de London e reforce a identidade partilhada da comunidade
Mais opções de habitação, proteções mais fortes
Criar e proteger habitação acessível através de desenvolvimento responsável, melhor aproveitamento de edifícios já existentes, e decisões práticas que respeitem tanto o orçamento das famílias como o dinheiro público
Ruas seguras, dignidade humana
Ruas mais seguras, espaços públicos mais fortes e melhor apoio a pessoas em crise — para que todos se sintam seguros, respeitados e tratados com dignidade
Voz dos bairros e força comunitária
Reforçar a voz dos cidadãos do Ward 13 nas decisões que moldam as ruas, parques, edifícios, serviços e o carácter dos seus bairros
Responsabilização real e governo respeitoso
Transparência a sério: relatórios públicos claros, responsabilização efetiva, parcerias de confiança e padrões mais elevados de como a Câmara serve o público, trabalha com as comunidades e honra a confiança que lhe foi dada
Paul Vicente. (MDC Media Group).
Paul Vicente — Brampton, Wards 1 & 5
Recandidato
Saúde em primeiro lugar
Foco atual: garantir a construção do segundo hospital sem atrasos, planear um terceiro, e avançar com o centro oncológico e mais cuidados continuados (long-term care)
Mobilidade urbana
Trabalhar pela construção do LRT
Entregar um terminal de transportes no centro da cidade (downtown transit hub)
Parceria com a Metrolinx para o BRT da Queen Street
Trazer serviço de comboio GO bidirecional a cada 15 minutos para o downtown
Regulamentos que protegem os bairros
Expandir o licenciamento
Introduzir fiscalização automática de estacionamento por matrícula
Aumentar as multas para infrações reincidentes de normas de propriedade, estacionamento e ruído
Bibliotecas para todos
Ajudar a avançar três novas filiais: no Howden Recreation Centre, no Embleton Community Centre e no Centre for Innovation do centro da cidade
Estradas mais inteligentes, menos congestionamento
Como Presidente da comissão de Obras Públicas e Engenharia, ajudei a lançar o novo Sistema Avançado de Gestão de Trânsito, que liga os semáforos da cidade para responderem ao trânsito real em tempo real
Próximo passo: expandir com semáforos e cruzamentos inteligentes