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Malásia proíbe servidores públicos de usar Waze por vínculos com Israel

A Malásia proibiu servidores públicos de usar o aplicativo de navegação Waze, da Alphabet, alegando preocupações de segurança relacionadas à sua origem em Israel.

O país, de maioria muçulmana, é um forte defensor da causa palestina e não mantém relações diplomáticas com Israel.

O primeiro-ministro da Malásia, Anwar Ibrahim, ordenou a proibição “para proteger as informações do governo e os dados pessoais dos usuários contra a ameaça de uso indevido pelo regime israelense”, informou seu gabinete em comunicado nesta quarta-feira.

A empresa controladora do Waze, o Google, e a embaixada de Israel em Singapura não responderam imediatamente a um pedido de comentário da Reuters.

Um dia antes, Anwar afirmou em uma publicação no Facebook que o governo estava investigando possíveis riscos de segurança decorrentes do uso do Waze, que, segundo ele, “estava sujeito às leis israelenses”.

Ele recomendou o uso do TuJu, aplicativo nacional de mapas desenvolvido pela Autoridade Rodoviária da Malásia, como alternativa.

O secretário-chefe do governo malaio, Shamsul Azri Abu Bakar, afirmou que todos os servidores públicos estão proibidos de usar o Waze, segundo uma carta datada de terça-feira e enviada aos chefes de órgãos governamentais.

O documento, analisado pela Reuters, informou que a determinação, de implementação imediata, foi tomada após uma decisão em reunião presidida por Anwar.

Um funcionário do gabinete do primeiro-ministro confirmou a autenticidade da carta.

Fundado em Israel, o Waze utiliza sinais de satélite e dados enviados por motoristas para fornecer informações de trânsito em tempo real. O aplicativo foi adquirido pelo Google, controlado pela Alphabet, em 2013.

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Análise: Israel pode mudar governo, mas não estratégia contra Irã

A eleição em Israel na próxima semana pode mudar o primeiro-ministro, mas não a estratégia do país: o Irã continuará sendo seu principal adversário, a força militar seguirá como instrumento preferencial e a criação de um Estado palestino permanecerá distante, afirmam autoridades regionais e analistas.

Isso ocorre porque as premissas estratégicas que sustentam a política israelense foram consolidadas após os ataques de 7 de outubro de 2023 contra comunidades no sul de Israel, realizados pelo grupo militante palestino Hamas, e pelas guerras em Gaza, no Líbano e no Irã.

A política de segurança de Israel pode se tornar ainda mais rígida, segundo os analistas. Uma vitória do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, com o apoio de aliados de extrema direita, poderia incentivá-lo a intensificar a guerra contra o Irã, ampliar o controle israelense sobre a Cisjordânia ocupada e deixar a diplomacia ainda mais em segundo plano.

A doutrina de segurança israelense agora se apoia em três pilares: enfraquecer o Irã, manter zonas de amortecimento além das fronteiras do país e usar a força para dissuadir inimigos.

A verdadeira divergência entre os candidatos está no grau, e não na direção, afirmam os analistas: quão agressivamente Israel conduzirá suas guerras, até onde ampliará os assentamentos judaicos na Cisjordânia e se algum líder optará pela diplomacia.

De Teerã a Riad, a eleição de terça-feira não é vista como um possível ponto de virada, mas como um teste para saber se o Oriente Médio está entrando em um período de confronto prolongado, no qual as guerras diminuem e se intensificam sem que os conflitos subjacentes sejam resolvidos.

“Se Netanyahu for eleito, fará o que achar que quer fazer”, afirmou Aviv Bushinsky, ex-assessor do primeiro-ministro. “A expansão dos assentamentos continuará. As guerras contra o Irã, o Hamas e o Hezbollah continuarão.”

“O que vemos agora é o que veremos depois da eleição, talvez de forma ainda mais agressiva”, disse. “Enquanto o Irã estiver nessa situação, é perda de tempo falar sobre a Palestina.”

No domingo, Netanyahu afirmou que Israel precisa priorizar a “prevenção e a ofensiva em vez da contenção e da defesa”, incluindo ataques preventivos para impedir ameaças emergentes, além de estabelecer o país como potência regional e maximizar sua independência na produção de armamentos.

Por que a política dificilmente mudará

A eleição coloca o Likud, partido de direita de Netanyahu, e seus aliados ultranacionalistas contra uma oposição liderada pelo ex-chefe militar Gadi Eisenkot, do partido Yashar.

O analista palestino Ghassan al-Khatib não vê perspectiva de uma mudança fundamental na política em relação aos palestinos. Segundo ele, os partidos israelenses disputam espaço com posições cada vez mais rígidas, enquanto a opinião pública se desloca ainda mais para a direita.

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“O conteúdo da política permanece o mesmo: não a um Estado palestino e sim à expansão dos assentamentos. Nesse ponto, todos concordam”, afirmou.

Um governo liderado pelos adversários de Netanyahu poderia tentar recuperar a posição internacional de Israel, restringindo parte da violência dos colonos ou promovendo a expansão dos assentamentos com menos alarde. Mas essas mudanças representariam uma alteração de estilo, e não de conteúdo, segundo al-Khatib.

Michael Young, do Carnegie Middle East Center, afirmou que o aparato de segurança israelense e boa parte da classe política compartilham uma visão estratégica centrada no enfrentamento ao Irã, na manutenção de uma “defesa avançada” e na preservação da dissuasão militar, o que reduz o espaço para grandes mudanças políticas.

Joost Hiltermann, do International Crisis Group, que realizou pesquisas na Cisjordânia, afirmou que o aumento da violência dos colonos, a crescente frustração palestina e a ausência de uma “perspectiva política” criaram condições explosivas, nas quais até mesmo um pequeno incidente poderia desencadear uma revolta mais ampla.

“Polvo venenoso”

Algumas autoridades regionais questionam se o confronto de Israel com o Irã se tornou o princípio organizador da segurança no Oriente Médio, independentemente de quem vencer a eleição.

Os elogios do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a Netanyahu, a quem chamou de “um grande primeiro-ministro guerreiro”, reforçaram a expectativa de que o líder israelense tentará concluir a campanha contra Teerã caso permaneça no poder.

Netanyahu deixou claro que suas ambições vão além de conter o Irã: ele pretende derrubar os governantes religiosos do país.

“Concluir a tarefa significa derrubar o regime terrorista no Irã, a cabeça do polvo venenoso”, afirmou em um discurso nesta semana.

Analistas militares e políticos, porém, questionam se algo menos que uma invasão terrestre conjunta dos Estados Unidos e de Israel seria capaz de levar Teerã a abandonar o que considera seus interesses fundamentais de segurança em uma luta que vê como existencial.

Após sobreviver a meses de guerra, o Irã pode apostar que conseguirá resistir por mais tempo que seus adversários, mantendo a pressão por meio de aliados regionais.

“Isso é um atoleiro”, afirmou Young. “Os iranianos conseguem resistir mais tempo que Trump.”

O Hezbollah, no Líbano, e o Hamas, em Gaza, foram enfraquecidos, mas a rede mais ampla de grupos alinhados ao Irã sobreviveu. Segundo os analistas, o conflito também pode reforçar a determinação de Teerã de buscar uma capacidade de dissuasão nuclear.

Apesar da preocupação que Netanyahu provoca no mundo árabe, alguns líderes do Golfo ainda o consideram o político israelense com maior probabilidade de manter o Irã sob pressão.

Isso cria um dilema para esses países. Eles se opõem ao que consideram políticas expansionistas de Netanyahu, mas querem limitar a influência iraniana.

“As políticas de Netanyahu em Gaza, na Cisjordânia, na Síria e no Líbano são prejudiciais”, afirmou Abdulaziz Sager, presidente do Gulf Research Center. “Quanto ao Irã, é necessário um acordo antes que o conflito se intensifique ainda mais. Se o papel do Irã não for contido, a região poderá estar caminhando para 50 anos de hegemonia iraniana.”

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Sanae Takaichi: apoio à primeira-ministra do Japão cai abaixo de 50%

A taxa de aprovação do governo da primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, caiu para menos de 50%, atingindo o nível mais baixo desde que ela assumiu o cargo, em outubro do ano passado, informou a agência de notícias Kyodo neste domingo.

Em uma pesquisa realizada entre 17 e 18 de outubro, a aprovação do governo de Takaichi foi de 49,1%, segundo a agência.

A queda pode ter sido influenciada pela demora de Takaichi em reagir à renúncia de Kazuo Yana, ministro da Agricultura do país, informou a Kyodo.

Yana deixou o cargo na quarta-feira (14), após ser criticado por declarações sobre o corte de verbas para estradas de municípios que não o apoiaram.

Cerca de 57,7% dos entrevistados disseram que a decisão de Takaichi de substituí-lo veio “tarde demais”, segundo a Kyodo, enquanto 81,5% consideraram natural que Yana renunciasse.

Takaichi nomeou Yana durante uma reforma ministerial no mês passado, mas o repreendeu publicamente no Parlamento pelas declarações sobre o financiamento de estradas, divulgadas inicialmente pela imprensa local no começo deste mês.

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Trump elogia guinada conservadora na América do Sul, mas não cita Brasil

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elogiou que os países da América do Sul estejam se voltando à direita após um período “pendendo fortemente à esquerda”.

“A América do Sul está se tornando um lugar completamente diferente e prosperando”, disse o republicano em um encontro com jornalistas no Salão Oval da Casa Branca nesta terça-feira (20).

Ele foi perguntado se apoiaria a candidata de direita à presidência da França Marine Le Pen, mas tangenciou para o continente ao mencionar a vitória de aliados na América Latina.

“Se vocês observarem o que está acontecendo na América do Sul, não vão acreditar. Em um curto período, os países estão se tornando extremamente conservadores, de uma maneira muito positiva, em muitos aspectos.”

Segundo Trump, todos os candidatos apoiados por ele foram eleitos. Ele citou o novo presidente da Colômbia, Abelardo de La Espriella. “Vocês sabem que o chamam de El Tigre por um motivo, certo? Porque ele é durão. Sempre foi um grande apoiador meu. Eu não o conhecia, mas gostei dele.”

Além do colombiano, políticos alinhados ideologicamente ao governo Trump venceram as eleições em locais como Chile e Peru.

O presidente americano não citou outros países, como o Brasil. O governo americano tem tido cautela em comentários públicos sobre as eleições brasileiras, e seus membros têm evitado declarar apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL), segundo a imprensa internacional.

Trump afirmou na quinta-feira (1º), antes do primeiro turno, que a eleição no Brasil é “muito importante” e que acompanha seu andamento de perto. “O Brasil é um país muito importante, um grande país, as pessoas no Brasil são fantásticas, é uma eleição muito importante.”

Afirmação parecida foi feita pelo secretário de Estado Marco Rubio após os resultados do primeiro turno.

O Departamento de Estado, chefiado por ele, chegou a dizer que apoia “o direito do povo brasileiro a um processo eleitoral livre e justo” em resposta a acusações de interferência no pleito.

A declaração foi feita em resposta a uma carta de congressistas, de 24 de setembro, direcionada a Rubio, na qual os políticos questionavam, por exemplo, se o país reconhecerá o resultado da votação presidencial brasileira.

“Continuaremos interagindo com o povo brasileiro, o setor privado e o governo eleito para promover a segurança, o comércio recíproco, os investimentos e a prosperidade em ambos os países”, pontuou o Departamento de Estado no documento assinado por Katherine Bowles, secretária-assistente do Departamento de Assuntos Legislativos.

*Com informações de Mariana Janjácomo e Tiago Tortella, da CNN Brasil

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EUA dizem que acesso da Ucrânia à Starlink depende de Elon Musk

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou nesta quarta-feira (21) que as decisões relativas ao acesso da Ucrânia ao Starlink cabem à SpaceX e a Elon Musk, e não à Casa Branca — comentários que sugeriram que Musk poderia ter restringido o acesso de Kiev ao serviço.

O Wall Street Journal noticiou na terça-feira (20) que Musk havia ordenado a redução da velocidade de uma versão de nível militar do Starlink, da qual a Ucrânia depende para se defender contra ataques com mísseis da Rússia.

Segundo o jornal, uma fonte disse que Musk, o presidente Donald Trump e autoridades da Casa Branca discutiram o assunto previamente, e duas fontes afirmaram que Musk e o presidente discutiram o assunto nos dias seguintes à redução da velocidade.

“Não tenho conhecimento de que soubéssemos dessa decisão com antecedência. Mas isso é irrelevante”, disse Rubio a repórteres durante uma viagem à Índia.

“O ponto principal é que isso é regido por um contrato comercial privado quanto à forma como seus equipamentos podem ser utilizados e a quais velocidades eles permitem que sejam utilizados.”

Musk e a SpaceX não responderam aos pedidos de comentário da Reuters.

De acordo com a Reuters, duas autoridades norte-americanas e uma autoridade ocidental a par do assunto disseram que a decisão, em última instância, partiu da Casa Branca. Essa versão também foi afirmada pelo presidente ucraniano Volodymyr Zelenskiy, mas negada pelo governo.

Os comentários de Rubio provavelmente intensificarão as preocupações em Washington quanto à capacidade singular de Musk de influenciar a política externa dos EUA. Eles também representam uma aparente mudança de posição por parte do governo.

Trump afirmou publicamente que acreditava que nem ele nem Musk estavam por trás da desaceleração. Ao partir para uma viagem ao Uzbequistão e à Índia no sábado, Rubio havia dito que ninguém ordenou a desaceleração, uma afirmação que gerou críticas de parlamentares de ambos os partidos.

“Não tenho certeza se Zelenskiy sabe do que está falando, mas não foi deliberado”, disse Rubio na ocasião.

“Não temos nada a ver com isso. Eu não — os Estados Unidos, ninguém ordenou que a velocidade do Starlink fosse reduzida. Aconteceu de certa forma, mas, pelo que entendi, já foi restaurada”, declarou Rubio.

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Coreia do Norte ordena retaliação se tropas do Sul ameaçarem soldados

A Coreia do Norte ordenou que suas tropas na fronteira tomem medidas caso as forças sul-coreanas ameacem sua segurança, informou a imprensa estatal nesta quarta-feira (21), aumentando o risco de um confronto ao longo da fronteira fortemente militarizada.

O país também ativará alto-falantes de propaganda contra a Coreia do Sul ao longo de toda a fronteira até o fim de outubro, afirmou Kim Yo Jong, irmã do líder norte-coreano Kim Jong Un, em comunicado divulgado pela agência estatal KCNA.

A notícia foi divulgada um dia depois de Seul prometer punir “de forma resoluta” qualquer nova provocação de Pyongyang caso a Coreia do Norte coloque em prática as ameaças de reforçar sua presença militar na fronteira.

O marechal do Exército norte-coreano Pak Jong Chon inspecionou fortificações na fronteira com a Coreia do Sul na terça-feira (20), acompanhado por Kim Yo Jong.

Ela afirmou que novas unidades de poder de fogo haviam “assumido suas posições de tiro” na fronteira, segundo a agência.

As tensões entre as duas Coreias aumentaram desde que Pyongyang começou a fortificar a fronteira, em abril de 2024.

Os dois países são separados pela Zona Desmilitarizada, estabelecida após o fim da Guerra da Coreia, em um armistício assinado em 1953.

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Macron alfineta Trump por explorar crise da França em campanha nos EUA

O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou nesta quarta-feira (21) que o país já enfrenta dificuldades e não precisa que líderes estrangeiros usem seus problemas em campanhas eleitorais.

O político, que está no Catar, também anunciou que se reunirá com os serviços de inteligência na quinta-feira (22), antes de novos protestos previstos para o sábado (24).

O presidente disse que não houve “interferência estrangeira visível nos acontecimentos”, em referência à recente onda de distúrbios na França, mas afirmou que “houve manipulação de informações por agentes estrangeiros após os acontecimentos.”

A fala trouxe indiretas ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que tem criticado os protestos em meio à campanha para as Eleições de Meio de Mandato.

O republicano fez críticas às manifestações, afirmando que a imigração de pessoas vindas de mundos completamente diferentes “destruiu o país”.

Em uma publicação na rede social Truth Social, Trump insistiu que as fronteiras fossem fechadas antes que fosse tarde demais.

“A França está em chamas! A imigração de pessoas vindas de um mundo completamente diferente — pessoas com ódio no coração — destruiu o que um dia foi um grande país. Fechem as fronteiras e retomem o controle, antes que seja tarde demais!”, escreveu ele.

Para a analista de Internacional da CNN Fernanda Magnotta, Trump ainda trouxe o caso como pano de fundo retórico durante um comício realizado no Kansas, afirmando que os Estados Unidos “queimarão como a França” caso os democratas levem a maioria no Congresso, como estimam pesquisas.

A declaração foi feita a duas semanas do pleito, em um momento em que as pesquisas apontam para uma aprovação de apenas cerca de 30% do governo republicano.

Para a Magnotta, a fala de Trump representa uma mistura inadequada de elementos de naturezas distintas.

Os protestos europeus — que se estendem além da França, alcançando Itália, Áustria e outros países — têm como base comum a insatisfação com os serviços prestados pelo Estado, a qualidade da educação e, sobretudo, a percepção de aumento do custo de vida.

“A estética do que vem acontecendo em Paris, principalmente, tem chocado o mundo todo, com violência, repressão e uma série de atitudes”, afirmou Magnotta.

Expectativa para o fim de semana

As autoridades francesas prometeram uma presença policial “massiva” para os protestos planejados para sábado (24) e impuseram toques de recolher localizados pelo segundo dia consecutivo, enquanto o país lida com as consequências dos piores distúrbios vistos em anos.

As medidas ocorrem após protestos relacionados à educação e ao custo de vida terem se transformado, no fim de semana, em uma onda de violência letal por todo o país — cenário que desencadeou uma troca de acusações no campo político interno e ameaça se espalhar para países vizinhos na Europa.

O primeiro-ministro Sébastien Lecornu afirmou que os “toques de recolher pontuais” ajudaram a manter a calma durante a noite de segunda (19) para terça-feira (20). Ele admitiu que os serviços de inteligência falharam ao identificar a gravidade da situação e reconheceu que as estratégias de segurança adotadas anteriormente eram estáticas demais.

A polícia de Paris anunciou um toque de recolher noturno, a partir das 23h de terça-feira, nas áreas mais afetadas — nos arredores da Place de la République e de Les Halles. Outras cidades, incluindo Bordeaux e Lille, também vão adotar a medida.

O ministro do Interior, Laurent Nuñez, declarou aos parlamentares na Assembleia Nacional que lamenta profundamente a violência ocorrida no fim de semana e assumiu parte da responsabilidade, ao mesmo tempo em que apontou o papel de opositores políticos e dos envolvidos nos atos de destruição.

A UNEF, principal sindicato estudantil da França, convocou novos protestos para sábado e afirmou que o movimento não cessará até que suas reivindicações sejam atendidas. A CGT, uma das maiores centrais sindicais do país, informou que participará das manifestações, defendendo que elas sejam pacíficas.

Os toques de recolher foram implementados após a prisão de mais de 2 mil pessoas no último fim de semana. O saldo inclui pelo menos duas mortes e relatos de ferimentos graves — incluindo duas pessoas que perderam as mãos.

*Com informações da CNN

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EUA liberam teste de arma de calor inédita na fronteira com México

O Pentágono autorizou o DHS (Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos) a testar uma arma de calor de uso militar e desenvolver táticas para uma possível utilização em operações na fronteira sul dos Estados Unidos, segundo um memorando assinado pelo secretário de Defesa, Pete Hegseth, no mês passado e obtido pela CNN.

A arma de calor, oficialmente conhecida como Sistema de Negação Ativa (Active Denial System), é uma arma não letal que dispara um feixe invisível de ondas eletromagnéticas capaz de atingir uma distância de pouco mais de 800 metros, segundo as Forças Armadas americanas.

O feixe de energia provoca uma sensação de queimadura ao entrar em contato com a pele humana. Autoridades do Pentágono já compararam o efeito à sensação de calor ao abrir um forno quente. Militares afirmam que o efeito de formigamento resultante dura entre 10 e 15 minutos, mas também gera “um impulso instintivo e irresistível de fugir do efeito”.

A utilização da arma na fronteira dos Estados Unidos seria uma medida sem precedentes, mesmo para o governo Trump, que colocou a segurança fronteiriça e o combate à imigração entre suas principais prioridades. O pedido do DHS não especificou onde ou como a arma seria testada, nem como poderia ser usada futuramente.

No entanto, ao longo dos anos, houve discussões internas sobre a possibilidade de empregá-la para dispersar multidões na fronteira entre os Estados Unidos e o México, segundo autoridades atuais e ex-integrantes da CBP (Alfândega e Proteção de Fronteiras).

O memorando autoriza o “empréstimo temporário” de um sistema ADS por sete meses, a partir de setembro, e determina que ele “não deverá ser operado por integrantes do Departamento de Guerra”. A disposição parece isentar o Pentágono de responsabilidade sobre a forma como o sistema de energia direcionada poderá ser empregado.

Ao fim do período de empréstimo de sete meses, o departamento poderá apresentar um novo pedido para continuar utilizando o sistema do Pentágono em operações na fronteira, com base na necessidade, disse uma autoridade de Defesa à CNN.

O Pentágono encaminhou a CNN ao DHS quando questionado sobre o assunto.

As Forças Armadas americanas utilizaram brevemente o sistema no Afeganistão há quase duas décadas, mas acabaram decidindo não empregá-lo em operações de combate ativo. Os militares também consideraram usar o equipamento para controlar multidões em instalações americanas no exterior onde havia detidos suspeitos de terrorismo, mas desistiram da ideia, segundo uma fonte familiarizada com essas deliberações internas anteriores.

Autoridades da Alfândega e Proteção de Fronteiras já discutiram a possibilidade de usar o sistema em áreas com alta concentração de travessias irregulares. Agentes da fronteira ocasionalmente avaliaram o equipamento como uma ferramenta para dispersar multidões, mas ele nunca foi utilizado com essa finalidade.

Preocupações com a eficácia e a legalidade

As autoridades enfrentaram obstáculos relacionados à legalidade, ao uso da força, à eficácia e a possíveis questões de soberania, sobretudo se o sistema fosse utilizado contra pessoas em território mexicano que ainda não tivessem cruzado para os Estados Unidos. A principal preocupação, porém, era a possibilidade de a arma causar danos às pessoas, direta ou indiretamente.

“Mesmo que estejam perseguindo pessoas de volta ao rio, você não quer que elas entrem na água e se afoguem”, disse um ex-funcionário da CBP à CNN. “Considerando o custo, o treinamento e as políticas que você vai criar, vale a pena?”

O setor de El Centro, que cobre cerca de 113 quilômetros da fronteira entre os Estados Unidos e o México, avaliou o sistema há vários anos, quando Rodney Scott, atual comissário da CBP, chefiava a unidade, segundo uma autoridade da agência.

Na época, as autoridades discutiam se o sistema poderia ajudar os agentes a lidar com o aumento das travessias irregulares no rio próximo, desestimulando as pessoas a tentar atravessar naquela área ou levando-as a sair da água.

Uma das questões avaliadas era se o sistema poderia resultar em mais operações de resgate caso as pessoas ficassem incapacitadas pelo equipamento, afirmou a autoridade. Não está claro, porém, por que a arma não foi utilizada.

Em 2018, antes das eleições de meio de mandato, autoridades da CBP também avaliaram a possibilidade de usar o sistema contra migrantes, mas a então secretária de Segurança Interna, Kirstjen Nielsen, rejeitou a proposta.

“A questão era tratar imigrantes e cidadãos como combatentes inimigos”, disse à CNN um ex-funcionário do DHS familiarizado com as discussões anteriores sobre o uso da arma contra migrantes. “Em termos gerais, tratamentos desumanos costumam ser rejeitados.”

Alguns agentes da Patrulha de Fronteira mais recentemente questionaram se a ferramenta é realmente necessária, diante do baixo número de travessias na fronteira e do aumento do efetivo, segundo outro ex-funcionário da CBP.

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Paris limpa praça da República após onda de protestos e toque de recolher

Autoridades de Paris limpavam pichações da estátua na Place de la République nesta quarta-feira (21), após um fim de semana de protestos e distúrbios que levaram as autoridades a impor um toque de recolher noturno nos arredores da praça e do bairro de Les Halles.

Os distúrbios ocorrem seis meses antes da próxima eleição presidencial da França, em um contexto de fragilidade econômica e aumento da dívida pública.

O primeiro-ministro Sébastien Lecornu havia descartado um toque de recolher geral em Paris, mas não a possibilidade de declarar estado de emergência.

Segundo ele, toques de recolher parciais e localizados eram mais apropriados naquele momento.

A polícia de Paris emitiu ordens proibindo protestos em determinadas áreas da capital a partir das 20h no horário local, além de impor um toque de recolher nos arredores da Place de la République e de Les Halles a partir das 23h. As duas medidas deveriam permanecer em vigor até as 6h desta quarta-feira (21).

Os distúrbios aumentaram a pressão sobre o frágil governo do presidente Emmanuel Macron, que tenta aprovar um projeto de orçamento para controlar as finanças da França, o que pode ampliar as preocupações dos investidores.

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Papa Leão faz audiência no Vaticano oito dias após cirurgia no pulmão

O papa Leão retornou à Praça de São Pedro nesta quarta-feira (21), acenando para peregrinos e abençoando bebês de seu papamóvel aberto enquanto realizava sua primeira audiência geral no Vaticano desde que passou por uma cirurgia para tratar câncer de pulmão, há oito dias.

O pontífice de 71 anos, que prometeu no domingo retomar gradualmente suas funções como líder dos 1,4 bilhão de católicos do mundo, ficou de pé na parte traseira do veículo enquanto ele percorria a praça, acenando, sorrindo e parando para conversar com os peregrinos.

Leão teve o lobo inferior do pulmão direito removido em uma cirurgia realizada em 13 de outubro e foi diagnosticado com adenocarcinoma pulmonar, a forma mais comum de câncer de pulmão.

O diagnóstico, no caso do papa mais jovem em décadas, eleito apenas em maio de 2025, provocou choque e levantou questionamentos sobre os rumos de seu pontificado.

A audiência desta quarta-feira, a primeira conduzida pelo papa desde 7 de outubro, seguiu o formato habitual. Multidões começaram a se reunir horas antes do início do evento, marcado para as 9h45 (horário local, 7h45 GMT), segurando guarda-chuvas sob um céu cinzento e com garoa.

“A primeira coisa que quero dizer a vocês é obrigado pelo apoio e pelas orações”, disse Leão à multidão em suas palavras de abertura para o evento, que durou 50 minutos, sem mencionar especificamente sua saúde.

“Graças a Deus por sua generosidade”, disse o papa, falando com voz clara enquanto aplausos e gritos de comemoração ecoavam pela praça. “Vamos renovar nossa confiança na bondade e na misericórdia de Deus.”

Agenda papal ainda indefinida

Depois de percorrer a praça nesta quarta-feira, Leão fez uma homilia em italiano. Na única mudança significativa em relação às ocasiões anteriores, ele fez breves saudações em sete idiomas, em vez de nove.

Os médicos de Leão afirmaram que a cirurgia foi concluída com sucesso, sem complicações. Eles ainda não divulgaram o tamanho do tumor nem se a doença se espalhou para os linfonodos próximos, fatores fundamentais para determinar o prognóstico.

O Vaticano não forneceu indicações sobre a agenda de Leão após esta quarta-feira.

O papa tem uma viagem programada para o Uruguai, a Argentina e o Peru, de 6 a 17 de novembro, em uma das viagens mais intensas organizadas para um líder católico em décadas. Ainda não está claro, porém, se a visita ocorrerá conforme o planejado.

O principal cirurgião de Leão afirmou que o papa poderá estar totalmente recuperado a tempo da viagem, mas o secretário de Estado do Vaticano indicou que ele talvez precise ajustar o ritmo de sua agenda para favorecer a recuperação.

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Democratas lideram disputa pelo Congresso dos EUA com 10 pontos

O Partido Democrata, impulsionado por uma onda de sentimentos contrários a Donald Trump, entra na reta final da campanha para as Eleições de Meio de Mandato com uma vantagem de 10 pontos percentuais sobre os republicanos na preferência dos eleitores em seus próprios distritos eleitorais pelo país, segundo uma nova pesquisa da CNN realizada pela SSRS.

Mais de três quartos dos eleitores veem a eleição como uma oportunidade para mudar as coisas em Washington, aponta a pesquisa. A aprovação de Trump está em uma mínima histórica de 32%, e os eleitores demonstram ampla insatisfação tanto com a economia quanto com a situação do país, quase dois anos após os republicanos assumirem o controle unificado do governo federal. Esses sentimentos prejudicam os republicanos em sua tentativa de manter o controle do Congresso, embora alguns eleitores também demonstrem ceticismo quanto à possibilidade de uma vitória democrata trazer melhorias significativas.

A vantagem dos democratas, de 49% a 39% entre os eleitores registrados em âmbito nacional, é a maior registrada em pesquisas da CNN desde o período imediatamente anterior à eleição de 2020. O resultado se apoia em amplas margens entre grupos tradicionalmente alinhados aos democratas, como os eleitores negros, entre os quais o partido tem vantagem de 70 pontos percentuais; os latinos, com 40 pontos; as mulheres, com 21 pontos; e os adultos mais jovens, com 31 pontos. Os democratas também têm uma vantagem expressiva entre os eleitores independentes, de 15 pontos, e entre aqueles que dizem estar extremamente motivados a votar, de 18 pontos.

Mesmo com essas vantagens amplas, a dimensão dos possíveis ganhos democratas pode ser limitada pelo redesenho dos distritos eleitorais no meio da década e pelo grande número de disputas competitivas em territórios favoráveis aos republicanos.

Cerca de seis em cada dez eleitores afirmam que seu voto nas eleições deste ano será uma mensagem sobre Trump. Entre esses eleitores, a oposição ao presidente supera o apoio por uma margem de dois para um.

Os democratas lideram os republicanos por 46% a 37% entre os eleitores registrados que apontam a economia como sua principal preocupação. Eles também são vistos como o partido mais capaz de lidar com a economia e o custo de vida. Mas cerca de três em cada dez eleitores, no conjunto, afirmam acreditar que nenhum dos partidos lidaria bem com essas questões, e uma proporção semelhante diz que nenhum deles tem as prioridades corretas.

Depois das preocupações econômicas, a corrupção no governo, citada por 19%, e a situação da democracia nos Estados Unidos, mencionada por 18%, são os únicos outros temas apontados como principal preocupação por mais de 10% dos eleitores. Cerca de quatro em cada dez eleitores afirmam que nenhum dos partidos lidaria melhor com a corrupção. Entre aqueles que têm preferência, os democratas aparecem ligeiramente à frente.

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Eleitores não estão totalmente convencidos pelos democratas

Apesar de toda a insatisfação com Trump, uma parcela significativa dos eleitores afirma não acreditar que o país estaria em melhor situação caso os democratas também assumissem o controle do Congresso.

Na nova pesquisa, 41% dos eleitores dizem que o país estaria melhor se os democratas vencessem em novembro, 37% afirmam que estaria pior e 22% dizem que não faria diferença. A percepção de que uma mudança no controle do Congresso não alteraria a situação do país é particularmente comum entre eleitores independentes (36%), latinos (29%) e moderados politicamente (29%).

Os dois partidos continuam registrando índices líquidos negativos de aprovação. Entre os 18% dos eleitores que têm opiniões negativas sobre ambos os partidos, 48% preferem o candidato democrata em seu distrito, contra 28% que preferem o republicano. Outros 18% afirmam não apoiar nenhum dos candidatos.

A maioria desse grupo afirma que seu voto busca mudar as coisas em Washington (90%), mas grande parte não acredita que nenhum dos partidos seja capaz de promover essas mudanças de forma mais eficaz (65%).

Cerca de metade dos eleitores registrados ouvidos na pesquisa afirma que pretende votar no dia da eleição, enquanto os demais planejam votar antecipadamente ou pelo correio. Aproximadamente 13% dos eleitores, no conjunto, dizem que já votaram.

Entre aqueles que já votaram, a preferência é amplamente favorável aos democratas: 70% a 29%. Já entre os que ainda não votaram, grupo que será o foco dos últimos dias de campanha, a disputa está bem mais equilibrada: 46% preferem o candidato democrata em seu distrito, contra 41% que apoiam o republicano.

A pesquisa da CNN foi realizada pela SSRS entre 15 e 18 de outubro, com uma amostra nacional aleatória de 1.701 adultos nos Estados Unidos, selecionados a partir de um painel baseado em probabilidades, incluindo 1.206 eleitores registrados. As entrevistas foram realizadas pela internet ou por telefone, com um entrevistador ao vivo. Os resultados da amostra completa têm margem de erro amostral de 2,9 pontos percentuais, para mais ou para menos. Entre os eleitores registrados, a margem é de 3,3 pontos percentuais.

Eleições nos EUA: Qual é a diferença entre os red, blue e purple states?

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Enviado dos EUA se reúne com Putin na Rússia após encontro com Zelensky

O enviado especial dos Estados Unidos Steve Witkoff se reúne nesta quarta-feira (21) com o presidente russo, Vladimir Putin, em conversas destinadas a avançar propostas para encerrar a guerra na Ucrânia e abrir caminho para negociações mais amplas.

As conversas começaram pela manhã em São Petersburgo, após a reunião de cúpula realizada por Witkoff na terça-feira (20) com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, na Noruega. Em um vídeo do encontro, Witkoff afirmou que discutir os resultados daquela cúpula “produtiva” em Oslo estava entre os pontos da agenda.

“Acho que há algum grau de impulso, e espero que o encontro de hoje possa representar mais um passo à frente no processo de paz e nas discussões sobre como resolver o conflito ucraniano”, disse o enviado do governo Trump.

Witkoff também pediu a Putin que considerasse retomar as conversas trilaterais entre Rússia, Estados Unidos e Ucrânia, nas quais questões técnicas poderiam ser discutidas, segundo ele. Putin demonstrou interesse no tema da retomada da cooperação econômica com os Estados Unidos e na possibilidade de um encontro com a China para discutir a Ucrânia.

Um dos principais resultados do encontro até o momento foi o anúncio de Witkoff de que a Rússia libertará o cidadão americano Stephen Hubbard, de 74 anos, detido no país há mais de quatro anos.

Putin, Witkoff e tradutores se sentaram ao redor de uma grande mesa redonda enquanto discutiam uma ampla variedade de questões, incluindo a disposição da Rússia para ajudar a resolver a guerra no Irã, possíveis exportações russas de fertilizantes para os Estados Unidos e a libertação de Hubbard.

Os Estados Unidos e a Ucrânia fizeram “progressos significativos” nas conversas realizadas na Noruega na terça-feira, afirmou anteriormente uma autoridade americana à CNN. A Ucrânia “apresentou novas ideias e propostas, que foram discutidas em detalhes”, e os dois lados agora estão em “forte alinhamento” sobre os próximos passos, disse a autoridade.

“As discussões abrangeram elementos fundamentais de uma estrutura abrangente de paz, incluindo garantias de segurança de longo prazo para a Ucrânia, um plano econômico e de prosperidade para o pós-guerra e uma arquitetura de segurança europeia mais ampla, concebida para criar estabilidade duradoura”, afirmou a autoridade americana.

A Ucrânia e seus aliados reiteraram as principais linhas vermelhas estabelecidas por Kiev para qualquer negociação de paz, incluindo a necessidade de garantias de segurança futuras — para assegurar que a Rússia não volte a invadir o país — e a rejeição a quaisquer exigências de cessão de território.

A Rússia exigiu que a Ucrânia ceda toda a região de Donbas, no leste do país, que atualmente está majoritariamente sob controle russo. Moscou também pediu que a Ucrânia reduza drasticamente o tamanho de suas Forças Armadas e se comprometa a nunca ingressar na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

“Temos algumas ideias claras sobre como chegar à paz e estamos unidos aos nossos parceiros europeus nesse esforço. Queremos que os americanos levem essas ideias aos russos”, disse Zelensky na terça-feira. “Vamos ver o que Putin tem a dizer.”

Sobre as conversas com o lado ucraniano, a autoridade americana acrescentou: “As equipes estão trabalhando excepcionalmente bem juntas, com um compromisso compartilhado de encontrar soluções práticas para encerrar a guerra”, adotando um tom positivo apesar da deterioração das relações públicas entre Zelensky e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

“O objetivo é aproveitar o progresso alcançado com a Ucrânia e a Europa, discutir as propostas com a Rússia e abrir caminho para negociações trilaterais diretas e conversas multilaterais mais amplas”, afirmou a autoridade americana.

Enquanto isso, na Rússia, o ministro das Relações Exteriores, Sergey Lavrov, adotou um tom menos otimista na terça-feira. Ele afirmou que Moscou verá o que Witkoff apresentará, mas não fará “concessões políticas”. Lavrov disse que Moscou “não espera um milagre” e que Washington continuará sendo, na melhor das hipóteses, um rival da Rússia, segundo a agência estatal russa de notícias TASS.

Uma autoridade europeia em Oslo disse à CNN: “Acho que os planos — ou a falta deles — não são um problema tão grande quanto fazer a Rússia levar qualquer plano a sério”.

Jared Kushner, genro de Trump que também participa das negociações de paz, está gripado e participa remotamente da reunião na Rússia.

Rubio diz que reunião entre Witkoff e Zelensky foi “positiva”

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou nesta quarta-feira que a reunião do enviado especial americano Steve Witkoff com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, foi positiva e que Witkoff compartilhará os resultados com a Rússia.

Rubio também reiterou que Washington não restringiu o acesso de Kiev ao Starlink, sistema de satélites da SpaceX essencial para os esforços de guerra da Ucrânia. A declaração contradiz relatos de que o governo americano teria tido participação na redução do serviço para as forças militares ucranianas.

Zelensky viajou a Oslo para se reunir com Witkoff na terça-feira (20), enquanto a Ucrânia busca recompor as relações com os Estados Unidos em meio a tensões sobre o apoio militar americano, o compartilhamento de informações de inteligência e o acesso ucraniano à versão militar do Starlink.

Rubio disse a jornalistas em Mumbai, durante uma visita à Índia, que as conversas entre Witkoff e o líder ucraniano não trouxeram surpresas.

“Agora, munido dessas ideias, ele poderá ir a São Petersburgo e compartilhá-las com o lado russo. Vamos ver se conseguimos avançar”, afirmou.

Sobre o Starlink, Rubio declarou: “O que posso dizer com certeza é que nem o presidente dos Estados Unidos nem qualquer pessoa em nosso sistema solicitou que fossem feitas mudanças nesse sistema”.

“Não podemos dizer a uma empresa privada quais decisões tomar ou deixar de tomar”, acrescentou.

“Não tenho conhecimento de que soubéssemos dessa decisão com antecedência […] mas isso é irrelevante. O ponto principal é que o uso dos serviços é regido por um contrato comercial privado […] E, portanto, continuaremos a tratar do assunto”, disse.

Elon Musk, CEO da SpaceX, afirmou na semana passada que, como os sistemas pertencem ao governo dos Estados Unidos e são controlados por ele, quaisquer restrições de velocidade ou uso são decididas pelas Forças Armadas americanas ou pelo presidente dos EUA.

Sob o governo do presidente Donald Trump, os Estados Unidos praticamente interromperam o fornecimento direto de armas à Ucrânia, mas permitem que países europeus comprem armamentos americanos em nome de Kiev por meio de um programa conhecido como Lista de Requisitos Prioritários da Ucrânia.

Washington também forneceu informações de inteligência e tecnologia que a Europa não consegue igualar.

*Com informações de CNN e Reuters

Entenda como protestos levaram Zelensky a trocar comando militar da Ucrânia

 

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