Do seu ponto de vista – “que não é sagrado” – e depois de frequentar assembleias e reuniões, de participar ativamente na vida política e social de Albufeira e de “sentir o humor das pessoas nas redes sociais”, Paolo Funassi escreveu um livro sobre o primeiro ano de mandato de Rui Cristina, que destronou o PSD nas últimas autárquicas, com 40,51% dos votos.
Paolo Funassi reside em Albufeira há quase 10 anos, considera-se um ativista social e defensor dos albufeirenses e ao longo dos anos construiu uma comunidade online de centenas de milhares de pessoas, incluindo a página de Facebook “Albufeira Paradise”. É também autor de vários livros e foi o primeiro estrangeiro a exercer, há alguns anos, em períodos de substituição, o cargo de deputado municipal. Para o próprio, Albufeira está “sem rumo” e é, atualmente, uma cidade onde foram criadas “divisões” e onde estão “todos contra todos”.
No seu mais recente livro, “Albufeira 12 meses pedidos”, defende que o concelho “não está bem nem para os turistas, nem para os residentes” e que a governação foi feita para um “destino turístico diferente”.
Um exemplo disso, conta ao Jornal do Algarve, foi a “governação contra os empresários” através das restrições de horários, fazendo com que estabelecimentos fechassem uma hora antes do habitual. “Essa é a hora de fecho, a «hora de pico» onde mais se concentram pessoas na rua e em bares, o que prejudicou a faturação que muitas vezes permite que os estabelecimentos sobrevivam durante os meses de inverno”, explica, acrescentando que no próximo verão quer perceber “quantos turistas gostaram do que viram e decidem voltar”, já que este ano “muitos já tinham comprado a viagem antes da mudança de regras e restrições”.
Para Paolo Funassi, um ano depois a cidade “está pior” e “não se percebe que mensagem passa este executivo, nem o que pretende fazer”, estando uma “confusão generalizada” num município onde o presidente “proíbe, embarga e multa” em vez de “falar, ajudar, cooperar e unir”.
A obra frisa que Rui Cristina herdou problemas relacionados com a sazonalidade, habitação, mobilidade, segurança, limpeza urbana, diversificação económica, qualificação da oferta turística, reabilitação urbana e a necessidade de encontrar um equilíbrio entre moradores, turistas e empresários. No entanto, “quanto tempo pode o executivo continuar a ser avaliado pelos problemas que diz que encontrou e não por aquilo que mudou?” é uma das questões presentes.
O livro analisa também “duas cidades”: Albufeira de agosto e Albufeira de janeiro. Segundo o ativista, é “essencial” fazer com que a economia viva durante todo o ano. Apesar de “não existirem soluções simples”, deveria existir uma “estratégia”: “Congressos, eventos, turismo desportivo e sénior, cultura, acontecimentos internacionais, incentivos ao investimento, revitalização dos centros urbanos, novas atividades económicas e melhores ligações”, sugere.
Uma Câmara Municipal não começa do zero no dia da tomada de posse. Nesse sentido, “Albufeira 12 meses perdidos” reflete também sobre as obras herdadas e posteriormente concluídas; os projetos herdados, mas “modificados ou impulsionados” pelo novo executivo; e os projetos “concebidos, decididos e iniciados” pela nova gestão.
Outra das críticas passa pelo estilo de comunicação nas redes sociais. Uma Democracia beneficia quando “os eleitos explicam aquilo que fazem”. O problema, para Paolo, começa quando surge uma “confusão perigosa”: “comunicar uma decisão não é o mesmo que executar uma política. E mostrar um problema não é o mesmo que resolvê-lo”.
Rui Cristina “ainda não demonstrou, na minha avaliação, uma transformação proporcional às expectativas criadas pela mudança política. Não significa que não tenha feito nada, mas que Albufeira podia estar a fazer muito mais”.
“O bom de Albufeira é que hoje estamos pior do que ontem, mas melhor do que amanhã”, diz Paolo Funassi, com um tom irónico, ao Jornal do Algarve, frisando ainda que o livro é intitulado “12 Meses Perdidos” e não “Quatro Anos Perdidos”, pelo que “Rui Cristina ainda pode construir um grande mandato”.