A 1ª Vara Federal de Porto Alegre determinou que a empresa Meta restabeleça, em até dois dias, as contas no Instagram de entidades estudantis do Rio Grande do Sul que foram bloqueadas.
Segundo as entidades, no dia 6 de outubro a Meta derrubou, de forma simultânea e sem aviso prévio ou justificativa, as contas do Centro Acadêmico André da Rocha (@caarufrgs), do Serviço de Assessoria Jurídica Universitária (@sajudaufrgs) e do Diretório Acadêmico de Economia, Contábeis e Atuariais (@ufrgsdaeca), todos ligados à Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e também a conta do Diretório Central dos Estudantes da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (@dceufcspa).
O bloqueio aconteceu depois que as contas publicaram conteúdos chamando os estudantes para assembleias universitárias e manifestações públicas a favor da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Na tentativa de reverter o bloqueio, o Ministério Público Federal (MPF), em conjunto com o Serviço de Assessoria Jurídica Universitária (Saju) da Faculdade de Direito da UFRGS, entrou com uma ação civil pública contra a empresa de tecnologia.
O MPF alega que a suspensão das contas configura censura e pode causar prejuízos à organização estudantil e ao acesso à assistência jurídica gratuita.
Apesar da decisão da Justiça, as contas seguiam suspensas até a tarde deste sábado (17).
IA seletiva
Na quarta-feira (14), a campanha do candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) depois que usuários da inteligência artificial do aplicativo WhatsApp, de propriedade da Meta, constataram que a IA não permitia a criação de conteúdos sobre Lula, mas liberava a criação de imagens relacionadas ao candidato Flávio Bolsonaro (PL).
A ação também menciona restrições na entrega de postagens aos usuários de plataformas da Meta (Facebook, Instagram e WhatsApp).
Na sexta-feira (16), o TSE decidiu, por unanimidade, manter a decisão individual do ministro Marco Aurélio Belizze que proibiu a Meta de restringir a entrega de postagens que envolvem os candidatos à Presidência da República. O objetivo é garantir isonomia entre os candidatos.
Procurada, a Meta disse que não irá se manifestar.
A aposentada Elizabete Oliveira Gregório, 72, é eleitora de Lula (PT) desde a primeira vez em que o ex-metalúrgico se candidatou à Presidência, em 1989. Nascida numa pequena cidade do Paraná, ela diz que teve contato com os ideais do atual presidente quando se mudou para Guarulhos, em São Paulo.
“Meu esposo sempre falava muito que ele era trabalhador, uma pessoa pobre igual todo mundo”, ela conta, admitindo que, apesar de não entender muito de política à época, repetiu o voto do marido, nesta e nas eleições seguintes, acreditando na confiança que ele depositava no sindicalista.
Elizabete mora em Ribeirão das Neves, na região metropolitana de Belo Horizonte, desde a década de 1990. Com 330 mil habitantes, a periférica cidade é um dos dez maiores colégios eleitorais de Minas Gerais e tem se destacado, nos últimos anos, como um município-chave para observar as idas e vindas da polarização hoje corrente no país.
Antigo reduto petista que deu ampla vantagem a Lula e a Dilma Rousseff (PT) nas eleições de 2002 a 2014, Ribeirão das Neves tem apresentado um movimento de gangorra em relação aos últimos posicionamentos políticos da maioria de seus habitantes e seguido, à risca, o cenário das eleições nacionais.
Jair Bolsonaro (PL) venceu por lá em 2018, eleito em segundo turno com 59,59% dos votos válidos, e Lula retomou a dianteira do PT em 2022, por uma estreita margem de 50,63%. No primeiro turno deste ano, a cidade escolheu Flávio Bolsonaro (PL), que marcou 46,53% dos votos válidos, ante 43,93% de Lula.
Elizabete, que é evangélica, diz nunca ter mudado de opinião. Ela guarda a lembrança da primeira vez que foi ao banco, para fazer um empréstimo e adquirir um cartão de crédito, conquista que dedica à gestão do petista. “Eu creio que, se ele ganhasse agora, seria bom como foi das outras vezes”, diz.
Eleitores mudam de posição e criticam governos
Lula também foi o candidato escolhido em 2022 por Marcelo Augusto, 23. Ele é comerciante numa loja de roupas e atualmente faz curso de barbeiro. “Foi meu pior arrependimento. O cara não fez nada”, ele diz.
No primeiro turno das eleições deste ano, votou em Flávio, escolha que pretende manter para o segundo. “Não é que ele seja meu candidato favorito, mas eu acho melhor dar uma chance pra ele, que está chegando agora, do que deixar o PT, que não fez nada nesses 20 anos de governo”, explica, citando ainda a repercussão dos escândalos do mensalão e do Banco Master.
Marcelo acredita que a polarização política na cidade se dá porque muitas pessoas não sabem por que votam, e cita o próprio exemplo -ele diz que votou no Lula no último pleito por influência da mãe, que vê no petista um bom presidente.
“Eu acredito que muitas pessoas não estudam e não procuram saber em quem estão votando, e vão muito na onda dos outros”, ele diz, definindo-se hoje como uma pessoa de extrema direita.
Ele justifica a posição afirmando ser contra algumas bandeiras que entende serem defendidas pela esquerda, como a questão do aborto e pautas relacionadas à defesa da diversidade de gênero e orientação sexual.
Marcelo também é crítico à PEC do fim da escala 6×1, promulgada nesta sexta-feira (16) após aprovação por ampla maioria na Câmara e no Senado. “Um descanso a mais sim, mas eu sou a favor do poder de compra. Não adianta a pessoa ter um dia de folga e não ter condições de comprar nada”, afirma.
Na sua opinião, um eventual governo Flávio tem chance de ser melhor do que a gestão de seu pai, Jair. “Tomara, porque, se também não for, daqui a quatro anos, eu voto em outra pessoa. Eu sou desse jeito.”
Ele assume a vontade de entrar para a política no futuro e diz que suas principais bandeiras seriam o combate à corrupção e à criminalidade.
A escolha por Flávio é a mesma da freelancer Cynthia Miriam, 45, que afirma nunca ter votado no PT. “O governo Bolsonaro parece que deixou o Brasil com dinheiro no cofre, né? Quem sabe não acontece o mesmo?”, diz.
Abstenção e votos nulos refletem insatisfação
Já Lael Chaves, 32, se considera uma pessoa de centro e disse que não votou em ninguém no primeiro turno, decisão que ele afirma manter para o segundo. “Como uma forma de protesto”, explica.
Ele trabalha com sua bicicleta como entregador de uma plataforma de delivery, e conversou brevemente com a reportagem em uma pausa entre pedidos.
“Entra político, sai político e o país está sempre pior”, ele afirma. “A inflação está sempre aumentando e o poder de compra do brasileiro diminuindo, seja nas gestões de esquerda ou de direita.”
Ele considera que as propostas de ambos os presidenciáveis funcionam como fachada para que os candidatos defendam interesses pessoais. “Eu sou contra a classe política atual, não tem ninguém que me represente”, diz, citando Lula, Flávio Bolsonaro e Renan Santos (Missão), que ficou em quarto lugar no primeiro turno.
A justificativa se assemelha às razões da estudante de direito Tainá dos Santos, 22, para votar nulo em todos os cargos eletivos, do Executivo e do Legislativo, desde que esteve apta a participar do processo, aos 16 anos.
“Tem essa opinião das minhas colegas, sempre falando comigo da importância da política e do voto feminino, mas, apesar de me importar com questões feministas, eu nunca quis escolher alguém e nunca me dei esse trabalho”, ela conta. “É uma opinião normal, a minha.”
Ela questiona como o seu voto, 1 entre os 158,7 milhões de eleitores brasileiros, poderia influenciar a porcentagem alcançada pelos candidatos em primeiro turno. “Será que o meu voto mudaria alguma coisa? Eu cheguei à conclusão de que não e pretendo continuar assim, votando nulo.”
Ela conta que a sua família é bastante ligada às questões políticas. “Aqueles votantes doentes, sabe?”, ela diz, contudo, afirmando não saber se eles pendem mais para o PT ou o PL.
“Nunca quis participar dessas conversas, que sempre acabam em discussão. Não gosto de violência e dessas trocas que são muito invasivas”, diz a estudante.
Apoiadores de Lula defendem reeleição
Estudantes realizam ato a favor da reeleição de Lula | Foto: Reprodução
Outros estudantes realizaram um ato a favor da reeleição de Lula na noite de quinta-feira (15) e passaram a tarde no centro comercial da cidade convocando público para a manifestação.
A artista e assistente social Nádia Nascimento, 37, era uma das que estavam panfletando e balançando a bandeira do petista numa das principais vias do município, confiante na virada do atual presidente. “Estou hoje aqui, no meu dia de folga, porque acredito na democracia.”
Ela afirma que a direita desconstruiu Ribeirão das Neves, cidade que, na sua avaliação, funciona por meio de políticas públicas para a população. Segundo Nádia, isso ocorre desde a eleição do prefeito Junynho Martins, então pelo PSC, em 2016. Ele foi reeleito pelo DEM em 2020. Hoje, a cidade é governada por Túlio Raposo (PP).
“Nessas eleições, acho que Neves infelizmente deu uma mancada. A população que votou na direita foi um pouco ingrata”, ela diz.
Neste ano, 45.450 pessoas deixaram de votar no primeiro turno na cidade, o que representa uma taxa de abstenção de 20,79%. Os votos em branco somaram 3,05% do eleitorado, enquanto 3,58% anularam o voto.
Eleitor ainda não decidiu voto no segundo turno
Nei de Lima, 43, não revelou o voto no pleito deste ano, mas diz que votou em Bolsonaro em 2018 e em Lula nas eleições de 2022, escolha que reverbera a maioria conquistada pelos candidatos na cidade nos respectivos pleitos.
“Votei no Bolsonaro porque achei que ia ter uma mudança, o PT já estava no controle do país há alguns anos”, conta o motorista de aplicativo. “Como não teve uma mudança significativa, votei no Lula de novo na última eleição.”
Neste segundo turno, ele ainda não sabe em quem vai votar. Do último governo Lula, diz estar insatisfeito com o valor do salário mínimo e com as altas taxas de feminicídio, que no primeiro trimestre deste ano atingiram um novo patamar recorde. “Dá pra melhorar nesses quesitos”, ele opina.
Na sua opinião, Flávio poderia representar uma mudança frente ao que já está posto. “Mas se essa mudança vai ser pra melhor a gente só vai ver depois.” (Gabriel Araújo/FOLHAPRESS)
Para 16% dos eleitores do Brasil, o país não é uma democracia. Já 50% acreditam que ele vive sob um regime democrático com grandes defeitos, ante 23% que apontam pequenas questões sobre seu funcionamento e 7% que o veem como pleno.
Os dados foram aferidos na mais recente pesquisa do Datafolha, realizada em 13 e 14 de outubro. A margem de erro do levantamento é de dois pontos percentuais para mais ou menos.
O resultado é semelhante ao registrado pelo instituto em março de 2024, quando fez essa pergunta pela última vez em uma pesquisa, em meio aos espasmos golpistas do governo Jair Bolsonaro. Ali, 6% acreditavam viver em democracia plena, 28%, em uma pouco defeituosa, e 46%, numa com grandes problemas. Os mesmos 16% não viam o Brasil democrático.
Dez anos antes, em fevereiro de 2014, a mesma questão foi colocada a entrevistados. Ali, no começo da campanha eleitoral que reelegeria Dilma Rousseff (PT) e sob o impacto dos protestos de rua de 2013, o resultado foi mais diverso.
Não viam o Brasil como democracia 9%. Já 61% apontavam um regime com grandes problemas, 21%, com pequenos, e 3%, como pleno.
Democracia entra no debate eleitoral
O tema da percepção acerca da qualidade democrática brasileira foi trazido à campanha eleitoral deste ano por Flávio Bolsonaro (PL), senador cujo pai, o ex-presidente Jair, foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 27 anos e três meses de prisão por tentar um golpe de Estado após perder o pleito de 2022 para Lula (PT).
Dois dias após superar o mesmo Lula por 1,87 ponto percentual no primeiro turno, em 6 de outubro, Flávio disse que ia propor mudanças constitucionais para “redemocratizar o Brasil”.
“Vocês acham que o Brasil está numa democracia plena hoje? É uma pergunta. Reflitam: o Brasil está numa democracia plena? Não”, disse o senador.
Críticos apontam que tal questionamento é infundado, dado que, apesar de todos os percalços que atingem o funcionamento dos Três Poderes, o Estado de Direito estabelecido após o fim da ditadura militar em 1985 mantém seus esteios à frente de todos, a regularidade nas eleições presidenciais livres desde 1989.
Eleitores de Flávio desconfiam mais da democracia
Não sem surpresa, são os eleitores de Flávio são mais desconfiados da democracia. Entre eles, que segundo a mesma pesquisa formam 46% do total da amostra aferida pelo Datafolha, 23% dizem que o Brasil não é uma democracia. O veem como um regime pleno só 2%.
Entre os 44% que votam em Lula, nesta pesquisa em empate técnico com Flávio, 8% não acham viver numa democracia, ante 12% que creem na sua plenitude.
Os pesquisadores do Datafolha entrevistaram 2.520 eleitores, em um trabalho encomendado pela Folha. Ele está registrado na Justiça Eleitoral sob o código BR-0466/2026. (Igor Gielow/FOLHAPRESS)
O presidente Lula (PT) atacou a Globo nesta sexta-feira (16), durante um ato de campanha em Ipatinga, no Vale do Aço mineiro, ao falar de um almoço de Flávio Bolsonaro (PL) com a direção da emissora.
O petista insinuou que a empresa estaria contrariada com medidas de seu governo e afirmou que ela está sob suspeição.
“Ele Flávio Bolsonaro foi almoçar com a direção da Globo no dia da entrevista dele”, disse Lula, referindo-se à participação de Flávio em sabatina prevista nesta noite, depois do fim do Jornal Nacional.
Lula acusa Globo de parcialidade
“Certamente a Globo está com raiva de mim porque eu acabei com as bets e ela tinha a bet. Certamente a Globo está com raiva de mim porque aprovamos o fim da escala 6×1. Certamente ela está com raiva de mim porque ela sabe que vou dar o transporte gratuito no final de semana para o povo brasileiro poder passear com a sua família. Ela deve estar com raiva porque ela sabe que fomos nós que prendemos o Vorcaro”, afirmou.
“Então eu quero dizer para vocês que, a partir de hoje, a Globo está sob suspeição da minha candidatura. Não merece confiança. Não merece”, acrescentou.
A Globo confirmou que Flávio foi recebido pelo presidente do Grupo Globo, João Roberto Marinho, e pelo vice-presidente de Relações Institucionais, Paulo Tonet, na sede da empresa, no Rio de Janeiro.
Em nota, afirmou que o encontro teve caráter institucional e não contou com a participação de dirigentes do jornalismo. A emissora disse ainda que Lula também teria sido recebido caso tivesse solicitado uma visita. O petista participou da sabatina na quinta-feira (15).
O almoço já havia provocado reação na campanha petista. À Folha o ministro da Secretaria de Comunicação de Lula, Sidônio Palmeira, classificou o encontro como grave e questionou a imparcialidade da emissora, sobretudo por ter ocorrido no mesmo dia da entrevista de Flávio.
Lula pede votos e critica governo Bolsonaro
Durante a passeata, Lula também pediu aos apoiadores que buscassem votos entre os eleitores que não escolheram sua candidatura no primeiro turno. O presidente voltou a criticar o governo Jair Bolsonaro e mencionou as mortes provocadas pela pandemia de Covid-19.
“Vocês lembram das pessoas morrendo asfixiadas por falta de oxigênio? E por falta de vacina?”, afirmou. “É muito importante que a gente não permita que o Brasil retroceda.”
A mobilização reuniu aliados como o ministro Alexandre Silveira, a ex-prefeita de Contagem e senadora eleita Marília Campos, o ministro Rui Costa, eleito senador pela Bahia, e o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles.
O presidente interrompeu a passeata em diferentes momentos para pedir que os participantes evitassem empurrões. “Não adianta. Se a gente não tomar cuidado, as pessoas vão cair e vão se machucar”, disse.
Janja reage a gesto de apoiador
Em outro momento, a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, reagiu a um aparente gesto ofensivo de uma pessoa que acompanhava a passagem da comitiva de uma residência.
“Colega, pega esse dedo e enfia no coração. Aqui é só amor. Coloca no coração”, afirmou. (Aléxia Sousa/FOLHAPRESS)
Toda semana, num escritório pequeno, falo de política com a minha terapeuta. Comecei a terapia no ano passado, depois do diagnóstico de ansiedade generalizada e depressão, e a eleição foi entrando nas sessões sem pedir licença. Aos 27 anos, descubro que estou de luto. Talvez porque, para mim, pensar em política é pensar no futuro. E, na minha família, o futuro sempre foi construído devagar, uma geração de cada vez.
Meus avós vieram do Nordeste para São Paulo em busca do que, nos anos 1960 e 1970, se chamava de vida melhor: um trabalho e comida no prato. Minha mãe quis mais. Não para ela, para mim. Criou-me sozinha na zona leste e só terminaria o ensino médio depois dos 50 anos. Mas, nos anos 2000, bateu de porta em porta até me conseguir vaga na melhor escola do bairro. Depois me inscreveu no vestibular da ETEC. Depois me convenceu a tentar uma bolsa para a faculdade. Foi abrindo as portas, uma a uma, como quem cumpre uma promessa.
Durante a semana, eu a via à noite, pouco antes de dormir. A gente se encontrava mesmo aos domingos.
Em 2019, entrei na faculdade, uma das poucas da família a chegar lá. Em 2022, me formei em jornalismo com uma bolsa integral do ProUni, criado no primeiro governo Lula. A mensalidade à época beirava os R$ 2 mil. Sem a bolsa, não sei se teria me formado, nem se estaria aqui, escrevendo este texto. Não sou exceção: segundo o Ministério da Educação, cerca de 1,6 milhão de estudantes já se formaram pelo programa. Em 2023, já repórter, contei aqui na AgênciaPública como ele abriu a universidade, sobretudo, para mulheres negras.
Quando olho para trás, vejo uma corrente. Meus avós quiseram que os filhos não passassem fome. Minha mãe quis que eu estudasse. Agora sou eu quem segura a ponta. Quero sair do aluguel, quem sabe pelo Minha Casa, Minha Vida. Quero que meus filhos, que ainda nem existem, não precisem trabalhar cedo para ajudar em casa. Que me vejam mais do que eu vi minha mãe. Mas há dias em que a desesperança chega antes do sol, e eu me pergunto se a corrente vai se partir justamente na minha vez.
É desse lugar que olho para esta eleição. Vejo gente que acorda antes do sol nascer, atravessa a cidade, espremida como sardinha em lata, e trabalha de segunda a sábado, muitos de segunda a segunda, para ganhar um único dia de descanso. Conheço bem o tamanho desse dia. Era o domingo da minha mãe. Vejo a seca numa ponta do país e as enchentes na outra, riquezas brasileiras leiloadas para empresas estrangeiras, governantes de fora se metendo na nossa soberania, enquanto parte de nós parece ansiosa para trocar o verde e amarelo por outra bandeira.
Por isso me assusta olhar para quem pode governar o Brasil nos próximos quatro anos. Flávio Bolsonaro chega a esta eleição sem resposta a nenhum desses medos. Em quatro mandatos como deputado estadual, não teve um único projeto de lei de sua autoria aprovado. A Pública mostrou como ele defende a mineração sem colocar no centro a proteção da Amazônia e revelou sua influência sobre os hospitais federais do Rio durante a pandemia, enquanto eram sucateados. Há ainda a relação com Daniel Vorcaro, do Banco Master. E, em 24 anos de vida pública, apenas três propostas de lei sobre a segurança das mulheres, que são metade da população. Procuro ali alguma promessa para a geração dos meus filhos, mas não encontro.
Quando penso nesta eleição, vejo minha avó chegando a São Paulo, minha mãe batendo de porta em porta, eu segurando um diploma que não estava nos planos de ninguém. E filhos que ainda nem nasceram. Não quero que apenas sobrevivam; quero que tenham tempo para viver. Que estudem, trabalhem com dignidade e tenham onde morar.
Meu receio não é só o resultado de uma votação. É ser, depois de três gerações, a primeira da família a olhar para a frente sem acreditar que os filhos terão mais do que eu tive.
O candidato do PT à reeleição para a presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva, participou de duas passeatas em Minas Gerais nesta sexta-feira (16). A promulgação do fim da escala de trabalho 6x1, ocorrida no Senado na manhã de hoje, deu o tom da campanha durante todo o dia. Lula vinha defendendo há meses a aprovação da proposta.
Em Juiz de Fora, ele afirmou, em uma fala direcionada aos comerciantes, que ninguém terá prejuízo com a mudança na escala de trabalho.
“É muito importante que a gente não permita que haja retrocesso nesse país. Aos nossos queridos comerciários e empresários do comércio, ninguém vai ter prejuízo com o fim da escala 6x1, ninguém. Quem vai ganhar é o Brasil, o povo trabalhador e as mulheres, que terão dois dias para descansar e cuidar da família”.
Lula também pediu a seus apoiadores que estimulassem os indecisos a votar nele e convencessem aqueles que não votaram no primeiro turno a irem às urnas no segundo turno.
Também exaltou feitos de seu governo, como investimentos em escolas de tempo integral e a criação do Programa Pé-de-Meia, um incentivo financeiro-educacional pago pelo governo federal para promover a permanência e a conclusão escolar de pessoas matriculadas no ensino médio público.
Em seguida, já no início da noite, o candidato do PT participou de uma passeata em Ipatinga. Aos apoiadores, afirmou que passou os últimos quatro anos recuperando o país, após o governo de Jair Bolsonaro, pai de seu adversário na atual corrida presidencial. E que agora, em um quarto mandato, faria um governo “do crescimento econômico”.
“Esse quarto mandato será do crescimento econômico, de melhorar a vida das pessoas, de baixar a inflação no alimento. Porque a partir de janeiro, a cesta básica não terá mais imposto nem na carne nem no feijão”
Durante a passeata em Ipatinga, Lula criticou o fato de Flávio Bolsonaro ter almoçado com diretores da Globo nesta sexta-feira, data da entrevista de Flávio no Jornal Nacional. Para o presidente, a emissora está “sob suspeição” de sua campanha. Lula foi sabatinado ontem (14) na emissora e não houve almoço prévio com os diretores.
Em nota, a Globo confirmou que Flávio Bolsonaro fez uma visita institucional à sede da emissora no Rio de Janeiro, onde se reuniu com o presidente do Grupo Globo, João Roberto Marinho, e com o vice-presidente de Relações Institucionais, Paulo Tonet. O canal afirmou que o encontro contou com um almoço reservado, mas não teve a participação de nenhum líder ou representante da área de jornalismo da empresa, tratando-se de "rotina e cortesia com candidatos".
El presidente brasileño, Luiz Inácio Lula da Silva, mantiene firme el compromiso de alcanzar la deforestación cero en la Amazonía para el horizonte de 2030.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu, por unanimidade, nesta sexta-feira (16) manter a decisão individual do ministro Marco Aurélio Belizze que proibiu a Meta de restringir a entrega de postagens que envolvem os candidatos à Presidência da República.
Os votos foram proferidos pelos ministros Floriano de Azevedo Marques, André Mendonça, Estela Aranha, Ricardo Villas Bôas Cueva, Nunes Marques e Dias Toffoli, além da manifestação de Belizze.
Pela decisão do TSE, o Facebook, uma das plataformas operadas pela Meta, deve abster-se de aplicar medidas de redução de distribuição, exclusão de recomendação e restrição de buscas.
Em caso de descumprimento, será aplicada multa diária de R$ 500 mil.
A decisão foi proferida após a campanha do candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) informar ao TSE que comandos para geração de imagens de inteligência artificial não permitiam a criação de conteúdos sobre Lula. Contudo, a criação de imagens relacionadas ao candidato Flávio Bolsonaro (PL) está liberada.
Outro lado
Após o PT denunciar as falhas, a Meta declarou que a recomendação de candidatos foi proibida, conforme determinação do TSE. A plataforma também informou que tomou medidas adicionais para restringir as recomendações.
“Em cumprimento com as regras eleitorais do Brasil, nós proibimos temporariamente a recomendação de candidatos ou a geração de imagens deles. Tomamos medidas adicionais para que comandos usando apenas o primeiro nome dos candidatos e seu número nas urnas também não produzam imagens”, afirmou a empresa.