Passagem de graça nos fins de semana: Quanto custa a proposta de Lula, segundo o setor de transporte
A proposta de oferecer passagem de graça nos fins de semana em todo o País - lançada pelo presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva a dez dias do segundo turno - custaria quase R$ 21 bilhões por ano. Pelo menos esse é o custo calculado pelo setor de transporte público urbano, leia-se a Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU).
No dia 15/10, Lula anunciou a intenção de enviar, ainda esta semana, uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) ao Congresso Nacional para zerar a tarifa do transporte público coletivo aos sábados e domingos. A medida prevê a utilização de recursos de emendas parlamentares para custear a gratuidade nas cidades que contam com sistema de transporte coletivo.
"Eu vou mandar uma PEC para o Congresso garantindo o Passe Livre no final de semana para todas as cidades que tiverem transporte coletivo neste País. Fim de semana tem passagem gratuita para você passear com sua família". Lula também acrescentou que "o povo vai ficar feliz, e os deputados estarão dando utilidade às suas emendas".
A proposta, entretanto, traz para o centro do debate político a questão da sustentabilidade fiscal e do financiamento do transporte público. Anteriormente, a coordenação da campanha havia evitado incluir a Tarifa Zero no plano de governo devido à determinação de Lula por propostas factíveis e à necessidade de uma reestruturação complexa no financiamento do setor. Na ocasião, estudos preliminares encomendados pelo Ministério da Fazenda para avaliar caminhos como o “SUS do Transporte Público” indicaram que o custo fiscal da gratuidade total poderia superar R$ 80 bilhões.
Focando especificamente na gratuidade aos sábados, domingos e feriados, a NTU calculou que a medida teria um custo anual estimado em R$ 20,8 bilhões. Esse valor engloba o custo operacional atual de ônibus urbanos, trens e metrôs nos dias de descanso — avaliado em R$ 17,3 bilhões por ano, sendo R$ 14,5 bilhões correspondentes apenas aos ônibus — somado a uma expectativa de aumento médio de 20% na demanda de passageiros, acompanhando a tendência de cidades que adotaram a isenção.
PASSE LIVRE É BOM, MAS O FINANCIAMENTO CONTÍNUO É O DESAFIO

A NTU reconheceu a iniciativa da gratuidade do transporte público nos fins de semana como um avanço para valorizar o serviço essencial, favorecer a inclusão social e o acesso ao lazer, à cultura e ao comércio, especialmente para famílias de menor renda. Contudo, a entidade ressalta que a medida tem alcance pontual e não resolve os problemas estruturais do financiamento do transporte coletivo.
“A Tarifa Zero aos fins de semana e feriados coloca o transporte público coletivo no centro do debate político e é um passo importante para valorizar o serviço e ampliar o acesso da população à cidade. Mas precisamos olhar também para quem depende do ônibus de segunda a sexta-feira. O grande desafio é construir um modelo de financiamento que permita reduzir o peso da passagem no orçamento das famílias e, ao mesmo tempo, garantir a qualidade e a sustentabilidade do serviço”, alertou o diretor-presidente da NTU, Francisco Christovam.
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A entidade destacou como aspecto altamente positivo a previsão de participação do governo federal no custeio do transporte, uma responsabilidade hoje concentrada nas prefeituras e estados. Para o setor, o envolvimento da União é fundamental para aliviar os orçamentos municipais e viabilizar uma política nacional de mobilidade. “A participação do governo federal no financiamento do transporte é uma reivindicação histórica do setor. Não podemos continuar atribuindo exclusivamente às prefeituras a responsabilidade de custear um serviço essencial para milhões de brasileiros. Precisamos de um modelo permanente, com responsabilidades compartilhadas entre União, estados, municípios e iniciativa privada”, pontuou Francisco Christovam.
Como alternativa abrangente, a NTU defende a implementação do programa “Transporte para Todos”, apresentado em agosto de 2026, visando reestruturar o modelo atual em que 80% dos custos são cobertos pela arrecadação tarifária paga pelos passageiros. O programa propõe pilares como a modernização do Vale-Transporte do Trabalhador, a criação do Vale-Transporte Social para beneficiários do Bolsa Família e o custeio das gratuidades por orçamentos de áreas correlatas (educação, saúde e assistência social).
“A gratuidade aos fins de semana pode ser um primeiro passo importante, mas o Brasil precisa de uma solução mais ampla. O que defendemos é um transporte público acessível, eficiente e financeiramente sustentável todos os dias. É justamente essa a proposta do Transporte para Todos”, afirmou.


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