Apontada pelas autoridades como líder do CV (Comando Vermelho) em Mato Grosso, Angélica Saraiva de Sá, conhecida como “Angeliquinha”, acumula condenações que somam mais de 260 anos de prisão, além de uma fuga da cadeia e uma nova captura na Bolívia.
Nesta terça-feira (20), a mulher foi transferida do Estabelecimento Penal Feminino Carlos Alberto Jonas Giordano, em Corumbá (MS), onde ficou custodiada após a prisão no país vizinho, para Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, em Cuiabá.
Fuga de Angeliquinha e nova prisão na Bolívia
No dia 17 de agosto de 2025, Angeliquinha protagonizou uma fuga da Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May. Após escapar do sistema prisional, ela partiu para Bolívia e ficou escondida na cidade de Santa Cruz de la Sierra.
A nova lozalização da mulher ocorreu em 22 de setembro, em uma operação integrada entre a Polícia Civil de Mato Grosso e a Polícia Boliviana.
Dois dias depois, em 24 de setembro, Angeliquinha foi entregue à Polícia Federal brasileira e encaminhada temporariamente para a unidade prisional feminina de Corumbá (MS), onde aguardou os trâmites judiciais de recambiamento. Agora em outubro, a líder do CV foi transferida de volta para Cuiabá.
Quem é Angeliquinha
De acordo com a Polícia Civil de Mato Grosso, Angeliquinha era responsável por exercer um papel estratégico na gestão financeira, no tráfico de drogas e na lavagem de dinheiro da facção.
As condenações da mulher são decorrentes de diferentes crimes, entre eles homicídios, tráfico de drogas e organização criminosa.
As investigações apontam que Angeliquinha exercia influência sobre atividades criminosas desenvolvidas na região de Alta Floresta. As ações seriam relacionadas ao tráfico de drogas, extorsões e exploração de atividades ilícitas em áreas de garimpo.
Agora custodiada na Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, por determinação do juiz Anderson Clayton Dias Batista, da 5ª Vara Criminal de Sinop, a detenta cumprirá pena no RDD (Regime Disciplinar Diferenciado).
Segundo as autoridades, a aplicação do RDD tem como objetivo barrar a atuação da faccionada no comando do grupo criminoso e evitar novas tentativas de fuga.
Sob o regime disciplinar mais severo, a presa fica custodiada em cela individual, com visitas restritas e direito a apenas duas horas diárias de banho de sol. Os detalhes do processo tramitam sob sigilo judicial.
Liderança mesmo foragida
Mesmo no período em que permaneceu foragida no exterior, investigações apontam que Angeliquinha seguiu na função de líder do Comando Vermelho, principalmente na região de Alta Floresta, no norte de Mato Grosso, e em áreas de garimpo irregular.
Em março de 2026, a Polícia Civil deflagrou a Operação Showdown, cumprindo 31 ordens judiciais para desarticular o núcleo familiar da faccionada, que envolvia seu pai, filha e genro.
A apuração das autoridades identificou a movimentação de mais de R$ 20 milhões em aproximadamente um ano e sete meses por meio de empresas e estabelecimentos comerciais usados para ocultar a origem ilícita do dinheiro.