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Vizinhos + Auchan: sem saberem, escolas estavam incluídas nesta iniciativa

Só três escolas foram contactadas através dos seus directores. As explicações do Auchan sobre o processo. Concerto é no dia 28. A novidade surgiu há umas semanas e terá motivado muitos alunos e professores: os Vizinhos vão actuar, de forma gratuita, numa escola portuguesa. Rapidamente se espalharam as partilhas nas redes sociais, em grupos. Tudo para a “escola do meu filho” ser a mais votada. Como o próprio site da iniciativa menciona, “durante um mês, escolas de todo o país mobilizaram alunos, professores, famílias, amigos e comunidades para tentar levar os Vizinhos até à sua escola”. A votação decorreu até

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Emerson Gomes: «Preparar melhor as equipas significa também proteger melhor quem protege a comunidade»

A preparação das equipas de socorro, a coordenação entre entidades e a utilização de novas tecnologias estão no centro da terceira edição do FALEX’26, que decorre nos dias 7 e 8 de novembro, em Sagres. Em entrevista ao Litoralgarve, o coordenador municipal de Proteção Civil de Vila do Bispo, Emerson Gomes, explica os objetivos da iniciativa, antecipa um exercício com múltiplas vítimas e alerta para os riscos das arribas. São esperados cerca de 200 participantes no seminário e aproximadamente 150 operacionais nas atividades práticas.

Preparação e logística no centro do FALEX’26

Litoralgarve — Que objetivos pretende alcançar com esta terceira edição do FALEX e que novidades destaca em relação às anteriores?

Emerson Gomes — A terceira edição do FALEX’26 tem como principal objetivo reforçar a capacidade de preparação, coordenação e resposta do Município de Vila do Bispo perante situações de emergência, através do teste dos procedimentos previstos no Plano Municipal de Emergência de Proteção Civil e da articulação entre os diferentes agentes e entidades envolvidos.

Nesta edição, o plano será testado de forma setorial, com particular incidência nos aspetos logísticos, permitindo avaliar a capacidade de mobilização, gestão e distribuição dos recursos necessários à resposta, identificar eventuais constrangimentos e definir oportunidades de melhoria.

Uma das principais novidades será o reforço da utilização de drones nas operações.

Mais do que testar procedimentos, o FALEX’26 pretende identificar melhorias concretas, reforçar a capacidade logística e operacional e explorar novas ferramentas tecnológicas, contribuindo para uma resposta mais coordenada, célere e eficaz perante situações reais de emergência.

Uma costa de grande beleza que exige atenção permanente

Litoralgarve — Quais são os principais desafios que as arribas e a faixa costeira de Vila do Bispo colocam às equipas de socorro e salvamento?

Emerson Gomes — Um dos principais desafios está relacionado com as características da nossa faixa costeira, marcada por arribas elevadas, zonas de difícil acesso e fenómenos de erosão costeira, que contribuem para uma permanente alteração das condições de segurança.

A erosão costeira é uma preocupação particularmente relevante, uma vez que o desgaste natural das arribas pode provocar instabilidade dos terrenos, desmoronamentos e derrocadas, por vezes difíceis de antecipar. Isto significa que zonas aparentemente seguras podem apresentar riscos significativos, exigindo uma avaliação permanente das condições no terreno e especial cautela por parte de quem frequenta estes locais.

A este fator acresce a elevada afluência de pessoas à nossa costa, sobretudo turistas, caminhantes e pescadores lúdicos, que procuram as praias, os trilhos junto às arribas e os locais de pesca. Esta utilização intensa, associada ao desconhecimento dos riscos, à aproximação excessiva dos bordos das arribas e, em alguns casos, ao acesso a zonas isoladas ou de difícil saída, aumenta a complexidade das operações de socorro.

Quando ocorre uma emergência nestes locais, as equipas enfrentam dificuldades acrescidas na localização das vítimas, no acesso por terra, na mobilização de meios de resgate e na evacuação em segurança. Em determinadas situações, pode ser necessário conjugar diferentes capacidades operacionais, envolvendo bombeiros, meios de emergência médica, autoridades policiais e meios marítimos.

É precisamente aqui que a preparação e o treino conjunto assumem uma importância fundamental. Exercícios como o FALEX’26 permitem testar procedimentos, melhorar a articulação entre as entidades e avaliar soluções tecnológicas que possam apoiar as operações, nomeadamente a utilização de drones para reconhecimento, localização de vítimas e transmissão de imagens em tempo real.

A nossa costa é um dos maiores ativos naturais e turísticos do concelho, mas também exige uma atenção permanente em matéria de segurança. A prevenção, a sensibilização de quem nos visita e a preparação das equipas de socorro são essenciais para reduzir riscos e garantir uma resposta eficaz quando cada minuto pode fazer a diferença.

Sismo e deslizamento de terras num cenário com múltiplas vítimas

Litoralgarve — O exercício operacional de 8 de novembro vai testar que cenários e como será avaliada a coordenação entre as entidades participantes?

Emerson Gomes — O exercício operacional terá como base um cenário de acidente com múltiplas vítimas, provocado por um deslizamento de terras na sequência de um sismo. Trata-se de um cenário que permitirá simular uma ocorrência complexa, com várias necessidades de socorro em simultâneo, exigindo uma resposta articulada entre os diferentes agentes de proteção civil e entidades envolvidas.

Este tipo de cenário é particularmente pertinente para Vila do Bispo, tendo em conta as características geológicas do território e a vulnerabilidade de determinadas zonas a fenómenos de instabilidade dos terrenos. O objetivo é trabalhar diferentes dimensões da resposta, desde o reconhecimento e avaliação inicial da situação até à organização das operações de socorro, à gestão dos meios disponíveis e à articulação entre as estruturas de decisão.

No que respeita à coordenação, o exercício não tem como finalidade avaliar individualmente as equipas ou os participantes, mas proporcionar um contexto de treino conjunto, abrangendo os vários níveis de decisão. Pretende-se exercitar os procedimentos, testar os mecanismos de comunicação, reforçar a partilha de informação e promover uma melhor compreensão dos papéis e responsabilidades de cada entidade.

Será também uma oportunidade para trabalhar a ligação entre a componente operacional no terreno e os níveis de coordenação e decisão, incluindo a gestão de recursos e os aspetos logísticos necessários à sustentação da resposta.

Acima de tudo, queremos que os participantes possam treinar num ambiente controlado, identificar dificuldades e retirar ensinamentos úteis para o futuro. O valor de um exercício desta natureza não está em avaliar pessoas, mas em aprender em conjunto, melhorar procedimentos e reforçar a capacidade de resposta coletiva perante uma situação real de emergência.

Drones ao serviço do socorro e da segurança dos operacionais

Litoralgarve — De que forma os drones e outras novas tecnologias estão a melhorar a prevenção e a capacidade de resposta da proteção civil no concelho?

Emerson Gomes — As novas tecnologias, em particular os drones, representam uma mais-valia muito significativa para a proteção civil, sobretudo num concelho como Vila do Bispo, com uma extensa faixa costeira, arribas de difícil acesso e zonas onde as operações de busca e salvamento podem representar riscos acrescidos para os próprios operacionais.

Os drones permitem reconhecer o terreno, localizar possíveis vítimas, avaliar riscos e transmitir imagens em tempo real para os responsáveis pelas operações. Esta capacidade permite obter informação relevante sem expor desnecessariamente as equipas a situações de perigo, contribuindo para decisões mais rápidas, informadas e seguras.

Para além das operações de resgate, estas tecnologias podem apoiar a avaliação de ocorrências, a identificação de alterações no terreno e o reconhecimento de áreas afetadas por fenómenos como deslizamentos de terras, contribuindo para melhorar a prevenção e o planeamento da resposta.

No âmbito do FALEX’26, queremos reforçar a utilização destas ferramentas e testar a sua integração nas operações, demonstrando de que forma a informação recolhida no terreno pode chegar, em tempo real, aos diferentes níveis de decisão e contribuir para uma melhor coordenação dos meios de socorro.

Contudo, a tecnologia, por si só, não resolve uma emergência. É necessário investir na formação dos operadores, na definição de procedimentos e na articulação entre as entidades envolvidas, para que estas ferramentas sejam utilizadas de forma eficaz e segura.

A nossa visão é simples: devemos colocar a tecnologia ao serviço da proteção civil e, acima de tudo, ao serviço das pessoas. Cada minuto pode ser determinante numa operação de salvamento. Se conseguirmos utilizar a inovação para localizar uma vítima mais rapidamente, antecipar um risco ou apoiar uma decisão que permita salvar uma vida, estaremos a cumprir o verdadeiro propósito desta evolução tecnológica.

Aprender com cada ocorrência para melhorar a resposta

Litoralgarve — Que lições retiradas de ocorrências anteriores contribuíram para melhorar os procedimentos e a preparação das equipas?

Emerson Gomes — A principal lição que retiramos de todas as ocorrências é que cada intervenção é uma oportunidade de aprendizagem e de melhoria. Independentemente da dimensão ou da complexidade da situação, todas nos permitem perceber o que funcionou bem, identificar dificuldades e encontrar formas de melhorar a nossa capacidade de resposta.

Ao longo do tempo, temos vindo a perceber que uma resposta eficaz não depende apenas da rapidez com que mobilizamos os meios, mas também da forma como coordenamos as diferentes entidades, partilhamos informação e tomamos decisões em conjunto. É neste domínio que temos procurado evoluir, reforçando a articulação entre os agentes de proteção civil e melhorando os mecanismos de comunicação e coordenação nos diferentes níveis de decisão.

Outra aprendizagem fundamental prende-se com a segurança dos próprios operacionais. Quem está no terreno enfrenta, muitas vezes, condições adversas e riscos difíceis de antecipar. Por isso, é essencial que as equipas disponham de informação tão completa quanto possível antes de intervir, que os riscos sejam avaliados continuamente e que as decisões operacionais tenham sempre em consideração a proteção de quem presta socorro.

É também neste contexto que a utilização de novas tecnologias, nomeadamente os drones, ganha importância, ao permitir recolher informação sobre áreas de risco e apoiar o reconhecimento do terreno antes de expor os operacionais a determinadas situações.

O FALEX’26 surge precisamente desta necessidade de continuar a aprender e a evoluir. Queremos treinar procedimentos, melhorar a coordenação e testar soluções num ambiente controlado, para que os ensinamentos retirados possam ser aplicados em futuras ocorrências.

O nosso objetivo é duplo: prestar um socorro cada vez mais eficaz à população e garantir que aqueles que estão na linha da frente o fazem com a maior segurança possível. Porque preparar melhor as equipas significa também proteger melhor quem protege a comunidade.

«A melhor fotografia nunca justifica colocar uma vida em risco»

Litoralgarve — Que comportamentos de risco mais o preocupam e que recomendações deixa a quem visita as praias, os trilhos e as arribas de Vila do Bispo?

Emerson Gomes — Uma das situações que mais nos preocupa é a aproximação excessiva aos bordos das arribas, muitas vezes por comportamentos que parecem inofensivos, como tirar uma fotografia, observar o mar ou apreciar o pôr do sol. São momentos que fazem parte da experiência de quem visita Vila do Bispo, mas que podem transformar-se numa situação de perigo quando não existe uma perceção real dos riscos.

As arribas estão sujeitas a um processo natural de erosão, que pode provocar desmoronamentos e derrocadas sem sinais evidentes de alerta. Mesmo em dias de bom tempo, o terreno junto ao bordo pode estar instável. Por isso, manter uma distância de segurança é fundamental, independentemente de o terreno parecer firme.

Outro comportamento de risco é o acesso a zonas não sinalizadas ou a percursos improvisados para chegar a praias isoladas, bem como a permanência junto à base das arribas, onde podem ocorrer quedas de blocos. Também os pescadores lúdicos devem ter especial cuidado, evitando locais expostos à instabilidade do terreno e às condições do mar.

A quem visita as praias, os trilhos e as arribas de Vila do Bispo, deixo algumas recomendações simples:

  • Mantenha sempre uma distância de segurança dos bordos das arribas, mesmo quando pretende apenas tirar uma fotografia ou observar a paisagem.
  • Respeite a sinalização, os avisos de perigo e as interdições de acesso.
  • Utilize os percursos definidos e evite atalhos ou zonas sem condições de segurança.
  • Não permaneça junto à base das arribas, sobretudo em áreas com sinais de instabilidade.
  • Respeite as condições do mar e tenha especial cuidado na pesca lúdica e na exploração de zonas costeiras isoladas.
  • Em caso de acidente, contacte o 112 e forneça a localização mais precisa possível, evitando colocar-se também em risco numa tentativa de socorro.

Vila do Bispo tem uma costa de enorme beleza natural, que queremos continuar a partilhar com quem nos visita. Mas é importante compreender que a paisagem que nos encanta é também um ambiente natural dinâmico, com riscos que nem sempre são visíveis.

A melhor fotografia, o melhor pôr do sol ou a melhor vista do mar nunca justificam colocar uma vida em risco. Desfrutar da nossa costa com responsabilidade é a melhor forma de proteger quem nos visita e de evitar situações que podem exigir operações de salvamento complexas e perigosas para todos os envolvidos.

Cerca de 200 participantes no seminário e 150 operacionais nas atividades práticas

Litoralgarve — Quantos participantes são esperados nesta terceira edição do FALEX?

Emerson Gomes — Nesta terceira edição do FALEX’26, esperamos reunir cerca de 200 participantes no seminário, que decorrerá no dia 7 de novembro, e aproximadamente 150 operacionais no workshop e no exercício operacional, previstos para a tarde de 7 de novembro e para o dia 8 de novembro, respetivamente.

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