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Cruzar os braços durante uma conversa pode fazer você parecer antipático, mas ajuda no foco e na resiliência; entenda o que diz a psicologia

Cruzar os braços é um dos gestos humanos mais comuns no dia a dia e, mesmo assim, é um dos mais misteriosos. Ao contrário de coçar o nariz, apoiar o queixo ou passar a mão pelo cabelo, os braços cruzados não têm uma justificativa óbvia: talvez por isso sejam interpretados de tantas formas diferentes pela psicologia e pelo estudo da linguagem corporal.

Por que você sente o impulso de cruzar os braços enquanto conversa com alguém, e qual mensagem isso passa para seu interlocutor? Veja as diferentes perspectivas de especialistas sobre este movimento.

Regulação emocional

Acalmar os nervos e confortar a si mesmo é um dos principais motivos para cruzar os braços, segundo o autor Joe Navarro, precursor do uso da análise de linguagem corporal pelo FBI (Federal Bureau of Investigation do governo dos Estados Unidos). Neste caso, o gesto é como um abraço discreto e pode vir acompanhado de automassagem.

Em situações de maior intensidade emocional, braços cruzados podem ajudar a controlar o medo e podem indicar ansiedade quando acompanhados de gestos como cobrir o pescoço com as mãos.

“Pessoas que se sentem inseguras podem cruzar os braços para não se sentirem tão expostas”, escreve Navarro em seu blog pessoal. Ele também afirma que o movimento pode ajudar no autocontrole, restringindo uma reação mais explosiva. “As crianças fazem isso o tempo todo. Quando pedimos que façam algo que não querem fazer, elas cruzam os braços, às vezes empunham as mãos e as pressionam firmemente contra o corpo. De várias formas, isso comunica claramente como elas se sentem, sem dizer uma palavra.”

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Demonstração de poder

O especialista chama os braços cruzados de “power pose”: uma pose escolhida para indicar poder. “Especialmente homens usam este gesto para parecerem maiores”, afirma. “O Super-Homem é frequentemente apresentado desta maneira. Em escolas, é o que professores infelizmente chamam de ‘pose de valentão'”.

Outra possibilidade é adotar a pose para “criar uma barreira física e psicológica” entre você e alguém com quem você não deseja interagir, “criando distância”.

Outras explicações

Embora frequentemente lido como um gesto rude ou agressivo, cruzar os braços pode ser um movimento completamente inofensivo e involuntário. Navarro conta que pode se tratar simplesmente de um espelhamento da postura do interlocutor:

“Como analisar dois homens que estão de braços cruzados, cada um apoiado com as costas na parede e suas pernas também cruzadas? É sinal de conflito entre os dois? A resposta é não”, exemplifica. “O fato de estarem se espelhando, com as pernas cruzadas, diz que está tudo bem. Só cruzamos as pernas quando nos sentimos confortáveis o bastante com a outra pessoa.”

Uma explicação alternativa é, simplesmente, o frio. Cruzar os braços pode ajudar a aquecer a região do torso e controlar tremores causados pela temperatura.

O que dizem os psicólogos

A postura de braços cruzados em frente ao tronco foi estudada por neurologistas e psicólogos, para além da linguagem corporal. Os resultados sugerem que o gesto pode ser benéfico para quem o faz, seja em conversas ou outras atividades.

Em 2007, um experimento prático na Universidade de Rochester, Estados Unidos, fez diferentes participantes resolverem desafios de lógica com braços cruzados e descruzados, posicionados sobre as coxas. Os voluntários induzidos a cruzar os braços passaram mais tempo tentando solucionar os anagramas apresentados, e tiveram taxa de sucesso maior; não foram identificadas mudanças de humor, nível de conforto ou respeito às instruções da equipe de pesquisa.

Em 2016, foi a vez de um estudo de neuroimagem no Japão verificar os efeitos da pose no corpo. Uma análise de mil participantes revelou que cruzar os braços altera a atividade cerebral na região responsável pelo foco interno e pela percepção do corpo no espaço, além de aumentar a conexão entre diferentes locais do órgão.

Ou seja: de braços cruzados, as áreas associadas ao foco, à reflexão, à autopercepção, à tomada de decisões e ao foco externo conversam mais entre si. Mas há um efeito colateral: ao posicionar os braços e mãos do outro lado da “linha média” do corpo, as referências anatômicas e espaciais se confundem, o que pode afetar a compreensão de estímulos táteis.

Cruzar os braços durante uma conversa pode, então, ajudar no foco e na resolução de problemas, o que é útil em discussões e debates. No entanto, como existem leituras negativas do gesto sob a perspectiva da linguagem corporal, o interlocutor pode intuir insegurança, indisposição ou estresse que, por vezes, não são reais.

“Isso é mais comum entre estranhos”, diz Joe Navarro. “Se você estiver com amigos ou conhecidos, isso pode não ser visto como um distanciamento. Na verdade, muitos interpretam como uma demonstração de interesse e engajamento em um tópico. Isso pode explicar por que vemos esse gesto tão frequentemente entre colegas de trabalho.”

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O que é o ‘gustnado’, fenômeno meteorológico que aterrorizou rodoviária em Santiago no Chile

Uma forte tempestade que atingiu Santiago na última terça-feira (13) terminou com um redemoinho de vento que assustou chilenos e causou destruição em um dos principais centros de transporte da capital.

O fenômeno levantou parte do telhado do Terminal Rodoviário da Alameda, ligado à Estación Central, além de derrubar placas e entortar postes nos arredores.

Em vídeo que viralizou depois da tempestade, escombros parecem voar em círculos acima da rodoviária. Não houve relatos de pessoas feridas, apesar das perdas materiais. O incidente foi chamado de tornado, por conta dos redemoinhos de vento e do céu carregado de nuvens.

No entanto, um relatório da Direção Meteorológica do Chile (DMC) usou uma definição mais precisa: o que se formou em Santiago foi um “gustnado”. A palavra combina dois termos em inglês: “gust” (rajada de vento) e “tornado”.

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AHORA – RM ⚠ Reportan deprendimiento de estructuras y objetos livianos por los aires desde Terminal Sur, comuna de Estación Central. © Video compartido por la comunidad de RedGeoChile. https://t.co/9JtBMJiO0V

— Red Geocientífica de Chile (@RedGeoChile) October 13, 2026

A principal diferença é que, enquanto um tornado é formado por uma rotação na base das nuvens e se desloca junto a elas, um gustnado é formado mais abaixo e sua ação fica restrita às camadas de ar próximas ao solo.

Os redemoinhos de vento ocorrem pelo choque entre o ar frio que desce do céu durante chuvas fortes e o ar em temperatura ambiente que circula junto ao chão e aos prédios. O ar descendente se dissipa ao tocar as superfícies, e a interação entre as frentes cria pequenos vórtices com velocidades que podem igualar as dos tornados. Em grandes tempestades, a força desta interação é capaz de levantar poeira, galhos ou detritos.

Destroços e objetos quebrados na região da Estación Central em Santiago do Chile
Danos ao Terminal Alameda da Estação Central de ônibus em Santiago do Chile • ATON Chile

Os gustnados também exigem atenção e cuidado, especialmente em locais abertos com grande volume de objetos que podem ser deslocados pelo vento. Em 2011, um atingiu a tradicional Indiana State Fair em Indianápolis, Estados Unidos, deixando sete mortos e 58 feridos.

O fenômeno já foi registrado no Brasil: mais recentemente, em 2023, ocorreu na cidade de Guarapava, Paraná. Eles são mais comuns durante a primavera e o verão.

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Indústria da solidão: idosos chineses contratam ‘filhos de aluguel’ para conversar e ajudar em casa

A chamada “epidemia da solidão”, reconhecida pela Organização Mundial da Saúde, deu origem a uma série de novos contratos de prestação de serviço baseados no convívio social e no alívio do isolamento. Em países do leste asiático, já é possível pagar pela companhia de jovens que desempenham papéis antes restritos aos familiares, amigos e até namorados.

Na China, um serviço de “filhos comunitários” inclui visitas, reparos simples em casa, entrega de marmitas e compartilhamento de refeições, além de conversar com clientes que frequentemente não têm outras pessoas a quem recorrer. A oferta é mais popular entre idosos que vivem sozinhos, sem filhos que morem perto e, com frequência, viúvos.

A clientela em potencial é farta. Com o aumento da expectativa de vida, a população idosa na China está crescendo, e a OMS estima que 28% do povo chinês tenha 60 anos ou mais até 2040. Com a restrição ao número de filhos que durou até 2015, muitos acabaram vivendo distantes de seu único descendente.

Visitas diárias e refeições compartilhadas

Wang Yingwei trocou seu trabalho como vendedor em uma loja de celulares para iniciar sua própria empresa na “indústria da solidão”. Ele contou à BBC que se inspirou em seu próprio sogro, paciente de Alzheimer e residente de uma casa de repouso. Insatisfeito com as condições de cuidado oferecidas ao idoso, Wang disse querer oferecer uma alternativa para aqueles que desejam continuar vivendo em casa.

É de sua autoria o termo “filho comunitário”: “Significa colocar-se no lugar das pessoas mais velhas e considerar suas necessidades com cuidado”, disse.

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Além dele, outros três funcionários fazem visitas de frequência variável a clientes fixos. Yang, 91, recebe Wang em sua casa duas vezes por dia para fazer refeições e prestar apoio em tarefas como conserto de eletrodomésticos. Para a chinesa que sofre com glaucoma, o serviço é mais do que uma conveniência.

“A solidão realmente é meu maior problema. Às vezes, quando eu quero conversar, falo com a televisão”, disse. Ela ainda contou que, depois da morte do marido, chegou a apresentar ao filho seu interesse em eutanásia médica: “Ele me disse que é proibido. Eu disse a ele que se um dia fosse legalizada, eu queria fazer. Não queria mais viver.”

O prestador diferencia o serviço desempenhado por ele do papel dos cuidadores de idosos. Além de cobrar metade do preço, “os mais velhos nos tratam como seus filhos. Nós os tratamos como nossos pais.”

Apesar de não ser classificada como atividade médica ou cuidado à saúde, a oferta de companhia pode reduzir riscos físicos e psicológicos associados à solidão. O isolamento social é ligado por pesquisadores à má função imunológica e a problemas cardiovasculares, como hipertensão, e aumenta o risco de acidente vascular cerebral em 30%. Contribui também para o declínio cognitivo e estão associados a um aumento de 50% na demência.

Pessoas isoladas também tendem a ter mais hábitos não saudáveis, como fumar e/ou beber em excesso, além de serem mais sedentárias. Ainda, as perdas auditiva ou de visão muito frequentes na velhice tendem a contribuir com o isolamento, criando barreiras à conexão social.

Experiências fora de casa

Em agosto, o Washington Post descreveu ofertas de jovens chineses que se dispõem a acompanhar idosos em passeios, visitas médicas e compras. Uma “sessão” de três horas pode custar entre US$ 29 e US$ 88 (cerca de R$ 145 a R$ 442), a depender da qualificação para os serviços. Os chamados “acompanhantes de saúde” ou “escortes médicos”, por exemplo, defendem os interesses dos pacientes durante consultas e exames e ajudam a mediar conversas com profissionais da saúde, garantindo o entendimento necessário para o sucesso do tratamento.

Mas esta categoria de prestador não é restrita à China. Nos Estados Unidos, a empresa Papa oferece encontros com os “Papa pals” para auxílio com “tarefas do dia a dia, transporte, trabalho doméstico simples e companhia amigável”, a partir de US$ 30 por hora. O contato é feito por aplicativo em um modelo similar a plataformas de trabalho freelance.

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