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Estudantes de Faro organizam protesto contra exames nacionais e exigem mais investimento na educação

Os alunos da Escola Secundária Tomás Cabreira, em Faro, vão realizar um protesto na próxima terça-feira, 27 de outubro, às 13:30, em frente ao portão do estabelecimento de ensino, para exigir mais investimento na escola pública, melhores condições de aprendizagem e o fim dos exames nacionais. A iniciativa, organizada no âmbito da semana de luta convocada pelo Movimento Voz aos Estudantes, contará com intervenções e testemunhos dos próprios estudantes.

A ação assume o formato de uma tribuna de estudantes e integra um conjunto de manifestações previstas entre 26 e 30 de outubro, em diferentes pontos do país.

De acordo com o Movimento Voz aos Estudantes, a mobilização surge num contexto de preocupação com as condições das escolas, o acesso ao ensino superior e as restrições que a organização considera existirem ao exercício dos direitos de participação e manifestação dos alunos.

Movimento contesta exames nacionais e denuncia falta de investimento na escola pública

Entre as principais reivindicações dos estudantes da Escola Secundária Tomás Cabreira está o reforço do investimento na educação, que o movimento considera insuficiente para responder às necessidades dos estabelecimentos de ensino.

A organização sustenta que ainda existem 600 escolas em Portugal a necessitar de obras, apontando este número como exemplo da degradação das condições de ensino.

O Movimento Voz aos Estudantes critica igualmente o modelo de acesso ao ensino superior, considerando que os exames nacionais contribuem para limitar as oportunidades dos alunos.

No comunicado, a organização denuncia o que classifica como um processo de “elitização do Ensino Superior a partir dos injustos Exames Nacionais”, defendendo a eliminação destas provas.

Outra das preocupações manifestadas prende-se com aquilo que o movimento descreve como a “limitação da democracia e direito à manifestação” em diversos estabelecimentos de ensino.

A organização critica ainda a “redução do investimento na educação na proposta do Orçamento de Estado de 2027”, considerando que as opções orçamentais não respondem às necessidades dos estudantes e das escolas.

Perante estas questões, os alunos vão reunir-se à entrada da Escola Secundária Tomás Cabreira para apresentar publicamente as suas reivindicações e partilhar experiências relacionadas com o quotidiano escolar.

Segundo o Movimento Voz aos Estudantes, estão previstos dezenas de protestos durante a semana de luta, entre 26 e 30 de outubro, procurando dar visibilidade às reivindicações dos alunos do ensino secundário.

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UAlg inaugura laboratório digital de 473 mil euros para transformar a comunicação científica

A Universidade do Algarve (UAlg) inaugurou, no dia 9 de outubro, um novo laboratório digital destinado a transformar informação científica complexa em conteúdos visuais acessíveis, interativos e imersivos. Denominada INTERFACE – Laboratório de Tradução Digital, a infraestrutura está instalada no Campus da Penha, em Faro, e representa um investimento de 473.800 euros, financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), através do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

O novo espaço integra o Centro de Investigação em Artes e Comunicação (CIAC) e pretende criar condições para o desenvolvimento de projetos de investigação e inovação que aproximem o conhecimento científico do público.

Equipado com tecnologia avançada de produção imersiva e interatividade, o INTERFACE permite a investigadores e estudantes explorar novas formas de apresentar resultados científicos, recorrendo a narrativas visuais que facilitem a compreensão de matérias complexas.

Tecnologia imersiva transforma dados científicos em conteúdos acessíveis

O INTERFACE foi concebido para funcionar como uma infraestrutura especializada na comunicação científica, utilizando recursos digitais para transformar informação técnica em experiências visuais e interativas.

Entre as áreas que poderão beneficiar desta abordagem encontram-se as ciências da saúde, cujos dados e resultados de investigação podem apresentar dificuldades de interpretação para públicos não especializados.

Segundo Bruno Mendes da Silva, coordenador do CIAC, “o INTERFACE atuará como um laboratório especializado, capaz de transformar dados científicos complexos, por exemplo, da área das ciências da saúde, em narrativas visuais acessíveis e envolventes”.

A infraestrutura pretende, assim, proporcionar novas ferramentas para a divulgação de conhecimento, permitindo que a investigação científica seja apresentada através de formatos que combinem imagem, tecnologia e interatividade.

O laboratório abre igualmente oportunidades de colaboração com as indústrias criativas, através do desenvolvimento de projetos que estabeleçam ligações entre a ciência, a comunicação e a arte digital.

O investimento de 473.800 euros foi assegurado pelo programa EQUIPAR+2 da Fundação para a Ciência e a Tecnologia, no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência.

Inteligência artificial e acessibilidade integram projeto

O INTERFACE inclui também o AI Studio, uma extensão do projeto localizada no polo do CIAC no Instituto Politécnico de Santarém, dedicada à inteligência artificial e à literacia digital.

Este espaço dispõe de equipamentos concebidos para facilitar a utilização das tecnologias digitais por pessoas com diferentes necessidades, incluindo dispositivos Braille e sistemas de comandos por voz.

A utilização destas ferramentas pretende contribuir para o desenvolvimento de soluções tecnológicas mais acessíveis, integrando a inclusão digital nas atividades de investigação e inovação.

O AI Studio complementa o trabalho desenvolvido no Campus da Penha, alargando as possibilidades de investigação relacionadas com inteligência artificial, acessibilidade e comunicação digital.

Nova infraestrutura reforça ligação entre ciência e arte digital

Com a abertura do INTERFACE, o Centro de Investigação em Artes e Comunicação da Universidade do Algarve reforça a capacidade de desenvolver projetos que envolvam diferentes áreas do conhecimento.

A infraestrutura procura promover a investigação transdisciplinar, articulando competências científicas, artísticas e tecnológicas para criar novas formas de comunicação e divulgação da ciência.

Através da produção de conteúdos visuais, interativos e imersivos, o laboratório pretende contribuir para que resultados de investigação possam ser compreendidos por públicos mais alargados.

O projeto constitui, deste modo, uma aposta da Universidade do Algarve na utilização de tecnologias digitais para aproximar a investigação científica da sociedade, com particular atenção à acessibilidade, à inovação e à colaboração entre a ciência e as indústrias criativas.

Mais informações sobre o CIAC podem ser consultadas no website.

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Portugal abre portas na China ao ensino e ciência

Fernando Alexandre quer Portugal no mapa das redes internacionais de investigação de excelência. Em 2025, renovou as parcerias com as universidades americanas, definindo áreas prioritárias para a cooperação. Agora, o ministro da Educação, Ciência e Inovação e Helena Canhão, a sua secretária de Estado para o sector, abrem portas na China.

“Num contexto em que os Estados Unidos e a China lideram várias áreas científicas e tecnológicas, Portugal deve reforçar a sua capacidade de participar nas redes internacionais de investigação de excelência, envolvendo instituições desses países, com vista a desenvolver competências próprias e a criar condições para que as suas instituições e empresas integrem cadeias de valor de maior intensidade tecnológica”, afirma Fernando Alexandre ao JE.

O ministro explica que a “capacidade de Portugal competir na economia do conhecimento depende, em grande medida, da qualidade da sua ciência, da capacidade de atrair e formar talento e da transformação do conhecimento em inovação e em valor económico”.

A República Popular da China, segunda economia do mundo, tem hoje instituições científicas e tecnológicas de referência, alcançando a excelência em várias áreas. “Para Portugal é uma prioridade estabelecer relações com as suas instituições e criar oportunidades de colaboração que resultem em benefícios científicos, académicos, com impacto social e económico”.

Fernando Alexandre lembra que “o alinhamento das prioridades nacionais com as prioridades da UE” é um dos princípios orientadores da avaliação da estratégia em curso para a ciência e a inovação. E que um dos objetivos estratégicos da política é “tornar as instituições portuguesas cada vez mais relevantes” na procura de soluções para os grandes desafios da Europa.
“A relevância das nossas universidades também se mede pela sua capacidade de estabelecerem relações e desenvolverem projetos conjuntos com as melhores instituições internacionais, europeias, norte-americanas ou chinesas. Ou seja, o enquadramento nas políticas da União Europeia não impede a cooperação internacional”.

D acordo com a Declaração Conjunta assinada por Fernando Alexandre e o homólogo Yin Hejun, a cooperação com a China será aprofundada em cinco áreas prioritárias. A saber: oceano e economia azul; energia, clima, baterias e hidrogénio; agricultura, bioeconomia e alimentação; saúde, envelhecimento saudável e tecnologias médicas; e conservação do património cultural através da ciência.

A cooperação poderá incluir projetos com mecanismos de financiamento conjuntos, mobilidade de investigadores, apoio à colaboração tecnológica entre instituições e empresas, e redes de laboratórios conjuntos ou consórcios de investigação. As formas serão definidas em reuniões técnicas a realizar em 2027.

Na área do Ensino Superior, sai desta visita a retoma já no próximo ano das negociações com vista a um novo acordo de reconhecimento mútuo de graus e diplomas entre Portugal e China, que substituirá o documento de 2005.
O ensino e a formação vocacional não foram esquecidas. Também no próximo ano arrancam consultas técnicas com vista “à elaboração de instrumentos de cooperação bilateral”. Nesta área, o foco aponta ao intercâmbio de boas práticas, desenvolvimento curricular, formação de professores e de formadores e parcerias institucionais.

O périplo incluiu Tianjin, Pequim e Xangai e durou uma semana. Fernando Alexandre e Helena Canhão foram acompanhados por reitores e investigadores de cerca de 15 instituições portuguesas, que procuraram eles próprios aprofundar a cooperação que mantêm no país ou abrir novas portas.

Ficou definido que Portugal participará, como “País de Honra”, na Conferência Anual e Exposição da China sobre Educação Internacional e na Exposição de Educação da China em 2027.

A visita oficial é tudo menos simbólica. “Representa uma aposta na cooperação científica, tecnológica e académica, com resultados que terão de ser avaliados no médio e no longo prazo”, diz Fernando Alexandre ao JE.

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