
A futura escola de pilotos da Lufthansa que deverá ser instalada no aeródromo militar de Tancos terá de funcionar sem comprometer as operações militares. O aeródromo é um ativo “estratégico” para o Exército que tem em marcha um investimento de 50 milhões para a futura Unidade de Helicópteros de Apoio, Proteção e Evacuação do Exército (UHAPE), cujo primeiro helicópteros deverá chegar ainda este ano.
A criação de uma escola de pilotos foi uma das novidades do anúncio da privatização da TAP, um investimento de 500 milhões de euros no Aeródromo Militar de Tancos pela Lufthansa e o Estado português para a sua construção, bem como para requalificação da pista, que servirá também para uso civil, com capacidade de receber um Airbus A320. O Estado português vai investir 50 milhões, sobretudo na pista. O investimento deverá estar concluído em 2029 ou 2030 e criar 200 postos de trabalho.
Mas a atividade civil em Tancos será em “termos que não afetem a sua vocação militar primordial”, garante o Ministério da Defesa, quando questionado pelo ECO/eRadar sobre o tema.
“O Aeródromo Militar de Tancos é uma infraestrutura do Exército que necessita de investimentos para requalificação da pista, torre e diversos edifícios, para garantia de todo o potencial de âmbito militar, de apoio à população civil e uso civil, em termos que não afetem a sua vocação militar primordial”, garante fonte oficial do Ministério tutelado por Nuno Melo.
O Ministério da Defesa lembra que “outros Aeródromos Militares em Portugal, permitem já uso civil em maior ou menor dimensão, tendo em conta a avaliação de diferentes critérios, desde que não prejudiquem a função primordialmente militar, casos das Bases Militares da Força Aérea Portuguesa de Beja e das Lajes”.
Ativo “estratégico” para o Exército
Em Tancos, que em 1993 deixou de funcionar como base aérea permanente da Força Aérea, sendo transferida para o Exército, para servir as tropas aerotransportadas, está em curso o projeto de criação de uma aviação própria do Exército. Um projeto “estratégico” para o ramo das Forças Armadas.
Aeródromo Militar de Tancos é estratégico para o Exército, ligado à Brigada de Reação Rápida, com utilização para operações de treino e transporte de tropas páraquedistas e enquanto base da Aviação Ligeira do Exército, que este ano receberá as primeiras aeronaves de asa rotativa.
Não obstante, pela respetiva dimensão, localização e características, o Aeródromo Militar de Tancos, beneficiando de relevantes investimentos de reabilitação e modernização, aumentará a capacidade operacional do Exército e permitirá, no que não seja incompatível, a utilização para fins civis e também de apoio militar às populações civis.
“O Aeródromo Militar de Tancos é estratégico para o Exército, ligado à Brigada de Reação Rápida, com utilização para operações de treino e transporte de tropas páraquedistas e enquanto base da Aviação Ligeira do Exército, que este ano receberá as primeiras aeronaves de asa rotativa”, lembra o Ministério da Defesa.
“Não obstante, pela respetiva dimensão, localização e características, o Aeródromo Militar de Tancos, beneficiando de relevantes investimentos de reabilitação e modernização, aumentará a capacidade operacional do Exército e permitirá, no que não seja incompatível, a utilização para fins civis e também de apoio militar às populações civis”, destaca.
A criação da futura UAHPE tem um investimento, inscrito na Lei de Programação Militar, de cerca 50 milhões de euros, montante que engloba a compra de equipamentos, obras de requalificação do Aeródromo de Tancos, bem como todo o processo de formação dos futuros pilotos e mecânicos do Exército, referia em janeiro o Exército Português ao ECO/eRadar.
O primeiro Black Hawk chegará já em 2026, estando previsto a entrega de um por ano, até 2028. “A opção de compra é de três helis com opção sobre um quarto, ou seja, aquisição até quatro helis”, adiantava o Exército Português ao ECO/eRadar.
“É neste âmbito que se insere a Escola de Pilotos já anunciada pelo Governo, em termos a especificar, logo que concretizados os processos negociais em curso, com vista aos detalhes da concretização dos mencionados investimentos”, diz ainda a Defesa, não esclarecendo, para já, o modelo de gestão conjunta da infraestrutura ou a repartição dos investimentos.
Chega questiona escolha de Tancos
“A escolha de Tancos para instalar uma escola de pilotos, num investimento anunciado de 500 milhões de euros, é uma decisão que merece uma explicação séria aos habitantes do distrito de Beja”, afirma o deputado do Chega eleito por Beja, António Carneiro, em comunicado citado pela Lusa.
Beja “já dispõe de um aeroporto operacional, com uma pista de 3.450 metros, preparado para receber operações civis e militares”, e “tem condições meteorológicas favoráveis, extensas áreas disponíveis e condições de espaço aéreo que constituem vantagens importantes para a formação aeronáutica”. Além disso, a região conta com “décadas de experiência na formação e treino de pilotos militares, inclusivamente alemães, na Base Aérea n.º 11”.
Estão ainda estabelecidas em Beja várias empresas do setor aeronáutico, nomeadamente a MESA, “com investimentos na manutenção de aeronaves, incluindo um projeto anunciado de 60 milhões de euros”, acrescentou.
O parlamentar diz que vai exigir que o Governo “apresente os critérios desta escolha e uma comparação rigorosa entre Tancos e Beja”. António Carneiro quer ainda saber que avaliação técnica demonstrou que Tancos é uma solução melhor do que Beja e quanto custaria instalar esta escola em cada uma das infraestruturas.