Liderar não é mandar, é saber ouvir

Meus caros leitores, eu não voltarei a perder amigos por ter observado algo que não é a realidade, mas não posso deixar sem dar a minha opinião, mas ao mesmo tempo aconselhar e congratular, este fim de semana tive oportunidade de estar com um jovem presidente de Câmara Municipal e, pouco depois, num evento da nossa comunidade. Dois momentos diferentes que me fizeram pensar sobre liderança, idade e aquilo que podemos aprender uns com os outros.
O jovem presidente de Câmara que conheci transmitiu-me vontade de fazer diferente, de procurar mudanças e de fazer crescer a cidade que lidera, BRAGA, mas sem esquecer que uma cidade é feita de pessoas diferentes, com diferentes idades e maneiras de pensar. Respeitar essa diversidade também é uma forma de liderar. Gostei e vi mais um grande jovem presidente que sabe onde está, reconhece e respeita o que foi feito no passado, aceita ideias e quer ser diferente no futuro, muitos parabéns.
Depois pensei no nosso movimento associativo. Existem pessoas que dedicaram grande parte da sua vida às associações e que têm conhecimentos e experiências que não estão escritos em nenhum livro. Mas experiência, por si só, não chega. Também é preciso saber ouvir e reconhecer quando não conhecemos determinado assunto.
Dou um exemplo sem querer apontar o dedo a ninguém. Assistimos recentemente a uma tentativa de realizar um Santoinho, uma tradição minhota que merece todo o nosso respeito. O Santoinho não é apenas música, dança e festa. Tem história, cor, alegria e uma identidade própria que deve ser conhecida e respeitada.
Quando apresentamos uma tradição sem conhecer verdadeiramente aquilo que ela representa, corremos o risco de transformar algo bonito numa imagem muito diferente da sua verdadeira essência.
E aqui está, para mim, a diferença entre mandar e liderar. Quem manda pode dizer, “Eu quero, eu posso e eu mando.” Quem lidera deve perguntar, “Quem conhece isto? Quem pode ajudar? O que podemos fazer melhor?”
E acreditem meus caros leitores, depois de uma longa passagem, vivencias com diferentes tipos de pessoas com diferentes ideias em diversas organizações, eu não acredito que o problema esteja na idade.
Um jovem pode trazer novas ideias, energia e uma visão diferente do futuro. Uma pessoa com muitos anos de experiência pode transmitir conhecimentos, memória e aquilo que aprendeu com os erros e os sucessos do passado.
Então, porque não juntarmos as duas coisas?
Na política, como no associativismo, precisamos de juventude para renovar e de experiência para orientar. Os mais novos devem ter espaço para fazer diferente, mas também devem ter a humildade de perceber que nem tudo começa com eles.
Da mesma forma, os mais velhos devem saber transmitir o testemunho sem querer controlar tudo. Passar o testemunho não significa entregar o lugar e desaparecer. Significa ensinar, aconselhar e estar disponível para ajudar.
É aqui que entra uma palavra fundamental, equipa. Uma boa liderança não se faz rodeando-se apenas de pessoas que dizem sempre que sim. Faz-se com pessoas que conhecem, que questionam e que querem o mesmo objetivo.
O poder não deveria servir para alimentar egos, conquistar títulos ou promover pessoas. Deveria servir para fazer coisas acontecerem. E no associativismo isso é ainda mais importante. Se queremos manter as nossas tradições vivas, temos de as respeitar, mas também saber transmiti-las às novas gerações.
Não podemos pedir aos jovens que defendam uma cultura que nunca lhes explicámos.
Dois episódios, duas lideranças e duas formas diferentes de olhar para aquilo que significa estar à frente de uma organização.
Não digo que os jovens sejam melhores, nem que os mais velhos sejam melhores. Acredito que podemos ser muito melhores quando juntamos a força de quem chega com a experiência de quem já caminhou.
Porque liderar não é saber tudo. Liderar é saber ouvir quem sabe, é saber aprender, é saber transmitir e perceber que o cargo é temporário, mas aquilo que fazemos pode ficar para as gerações seguintes. E fazer em conjunto e, não pensar, isto é, nosso, é aqui que se faz, isso prejudica uma liderança e transmite algo negativo para a juventude, união é importante no associativismo.
Talvez o verdadeiro segredo de uma boa liderança não esteja em saber quem manda, deixem os títulos de lado.
Talvez esteja em saber quem deve ouvir. Projetem / organizem o futuro, procurem quem sabe para vos ajudar, seja na política ou no associativismo, o respeito entre todos é saber ouvir, mas também saber transmitir, é muito importante.
Bom fim de semana!
Augusto Bandeira/MS