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10 anos JE: o que falta a Portugal na era da IA?

22 October 2026 at 09:30

O Jornal Económico assinalou o seu 10.º aniversário com uma conferência na Alfândega do Porto. O encontro reuniu personalidades de diferentes áreas, para pensar a década que transformou Portugal, e os desafios e oportunidades que o país e o mundo vão enfrentar nos próximos 10 anos.

A inteligência artificial (IA) foi uma das temáticas debatidas no evento. Mas como está Portugal posicionado nesta área? Será criador ou apenas consumidor desta tecnologia?

O que nos falta para transformar o conhecimento produzido nas universidades e centros de investigação em mais tecnologia criada no país e com capacidade para competir internacionalmente?

E daqui a 10 anos, pode a tecnologia ser o motor de um novo modelo económico para o país?

Conheça as respostas de João Paulo Firmeza, General Manager da Altice Labs e um dos convidados da conferência, a estas questões:

Cibersegurança, afinal, também é sobre abrir portas

22 October 2026 at 07:55

Há um número no mais recente relatório do Tribunal de Contas Europeu sobre a resposta da União Europeia aos ciberataques que merece mais atenção do que provavelmente terá: em 2025, apenas 14 incidentes transfronteiriços foram formalmente comunicados por sete Estados-Membros, apesar de a ENISA ter identificado 322 incidentes que, no ano anterior, afetaram dois ou mais Estados-Membros. A diferença não significa que todos estes casos devessem necessariamente ter desencadeado os mesmos mecanismos europeus de resposta, mas expõe a realidade do fosso que continua a existir entre aquilo que acontece no terreno e aquilo que circula pelos mecanismos formais de cooperação.

A cibersegurança não diz respeito apenas à capacidade de proteger informação, é também a capacidade de saber que informação deve circular, para quem e com que rapidez.

Quando uma organização é vítima de um ciberataque, existe uma preocupação perfeitamente legítima com o impacto reputacional do incidente, com os clientes e parceiros, e com a possibilidade de uma informação mal contextualizada transformar um problema de segurança numa crise de confiança.

Efetivamente, há informação que não pode, nem deve, ser partilhada de forma indiscriminada. Um incidente pode envolver dados pessoais, vulnerabilidades ainda não corrigidas, informação sobre a arquitetura de sistemas ou elementos de uma investigação criminal. A questão, portanto, nunca deveria ser defender uma espécie de transparência absoluta em matéria de cibersegurança. A questão é outra, neste caso, o que podemos partilhar sem comprometer a investigação e que, ao mesmo tempo, possa impedir que outra organização seja atacada pela mesma campanha?

Um domínio malicioso, um indicador de compromisso, uma vulnerabilidade explorada, uma técnica utilizada pelo atacante ou uma infraestrutura associada a uma campanha podem ter pouco valor se permanecerem fechados dentro da organização que sofreu o ataque. Quando essa informação chega rapidamente a outras equipas de segurança, a um CSIRT, a um CERT, a um operador do mesmo setor ou a uma entidade pública com capacidade de correlação, pode ganhar um valor completamente diferente – deixa de ser apenas um registo do que correu mal e passa a ser antes uma ferramenta de prevenção para quem ainda não foi atingido.

O adversário vê um ecossistema. Nós continuamos, demasiadas vezes, a ver organizações isoladas. É também por isso que a discussão sobre partilha de informação não pode ficar limitada à relação entre Estados. A mesma lógica se aplica à cooperação entre empresas e, sobretudo, entre o setor privado e o setor público.

Uma empresa tem acesso àquilo que está a acontecer nos seus sistemas, aos seus utilizadores, às suas redes e à sua operação. Um SOC pode ter uma visão extremamente concreta do comportamento de uma ameaça. Um CSIRT nacional pode conseguir correlacionar esse incidente com outros casos. Uma entidade pública pode ter informação proveniente de outras organizações, de parceiros internacionais ou de estruturas de segurança e inteligência. Nenhuma destas perspetivas é, por si só, suficiente para compreender todo o cenário. O valor está precisamente na capacidade de as cruzar.

O relatório do Tribunal de Contas Europeu é particularmente relevante neste ponto, ao identificar atrasos, sobreposição de responsabilidades e constrangimentos na partilha de informação entre os diferentes mecanismos europeus. O problema não parece ser a ausência de instituições; em determinados casos, é precisamente a complexidade do ecossistema institucional que pode dificultar uma resposta simples e rápida.

É talvez essa uma das contradições mais interessantes da cibersegurança atual: passámos anos a ensinar organizações a construir muros cada vez mais fortes e estamos agora a perceber que, para combater alguns tipos de ameaça, a resiliência também depende das portas que conseguimos abrir e da intelligence que conseguimos partilhar em modo de cooperação global.

10 anos JE: o posicionamento de Portugal no setor das energias renováveis

21 October 2026 at 13:33

O Jornal Económico assinalou o seu 10.º aniversário com uma conferência na Alfândega do Porto. O encontro reuniu personalidades de diferentes áreas para pensar a década que transformou Portugal, e os desafios e oportunidades que o país e o mundo vão enfrentar nos próximos 10 anos.

Na área das energias renováveis, como pode Portugal preparar-se para garantir energia competitiva, sustentável e segura num contexto de consumo crescente? E que investimentos e tecnologias são prioritárias para garantir a resiliência, estabilidade e segurança das redes elétricas num sistema cada vez mais eletrificado e dependente de fontes renováveis?

Hugo Costa, Country manager Portugal na EDPR, responde a estas questões e partilha a sua visão de Portugal no mapa energético europeu na próxima década, no vídeo abaixo:

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