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Mercado imobiliário registra a menor taxa de inadimplência de aluguel, mas mantém alerta

20 October 2026 at 17:07

A inadimplência no mercado de locação imobiliária do Brasil atingiu, em setembro, o menor patamar de sua série histórica, iniciada em abril de 2023. O Índice de Inadimplência Locatícia (IIL), apurado pela plataforma de tecnologia e soluções financeiras Superlógica, apontou que a taxa média nacional recuou para 2,93%. O resultado representa uma diminuição de 0,18 ponto percentual frente aos 3,11% contabilizados em agosto e uma queda expressiva de 0,87 ponto percentual na comparação com setembro do ano passado, quando o indicador marcava 3,80%.

Apesar do viés positivo do dado consolidado, especialistas pedem cautela na leitura do cenário econômico. Segundo Manoel Gonçalves, diretor de negócios para imobiliárias do grupo Superlógica, a queda reflete um momento favorável para o setor, mas o ambiente ainda requer atenção contínua diante da manutenção de taxas de juros elevadas e do aperto no orçamento das famílias, elementos que diretamente influenciam o cumprimento das obrigações financeiras.

A melhora do índice agregado contrasta com divergências acentuadas entre os diferentes perfis de imóveis e faixas de valores. O levantamento demonstra que os aluguéis de menor valor continuam concentrando o maior risco de calote. No segmento de locação comercial com contratos de até R$ 1 mil, mesmo com a redução de 0,24 ponto percentual em setembro, a taxa fechou em 7,41%, permanecendo como o patamar mais alto de todo o mercado. Do mesmo modo, a faixa de até R$ 1 mil entre os imóveis residenciais lidera o inadimplemento na modalidade habitacional, registrando 5,99% em setembro, após ter atingido 6,13% em agosto.

Gonçalves ressalta que essa concentração nos aluguéis mais baixos evidencia que o alívio na inadimplência global não ocorre de forma homogênea. Na ponta oposta, os menores índices de não pagamento foram identificados nos imóveis residenciais com aluguel de R$ 2 mil a R$ 3 mil, cuja taxa ficou em 1,72%, e no segmento comercial do mesmo intervalo de preço, que assinalou 3,28%.

Nas categorias de alto padrão, cujos contratos superam R$ 13 mil mensais, houve arrefecimento nos atrasos. No segmento residencial dessa classe, o índice baixou de 5,96% para 5,75%, enquanto no segmento comercial a taxa cedeu de 4,50% para 4,32%, valor que ainda assim se mantém consideravelmente acima da média nacional.

Comportamento por tipologia e variação regional

Na divisão por finalidade, o uso comercial permanece como o principal gargalo do setor, registrando taxa de 4,11% em setembro, frente a 4,22% no mês anterior. Entre as residências, o comportamento foi mais estável: a inadimplência nas casas caiu de 3,30% para 3,23%, e a dos apartamentos registrou uma ligeira retração, passando de 2,13% para 2,12%.

Sob a perspectiva geográfica, as regiões Norte e Nordeste continuam liderando os maiores índices de atrasos superiores a 60 dias. O Nordeste manteve a taxa mais elevada do país ao subir discretamente para 5,08% em setembro, seguido pelo Norte, que avançou para 4,45%. A Região Sul também registrou alta na inadimplência, alcançando 2,79%. Em contrapartida, o Sudeste apresentou recuo, caindo para 2,76%, enquanto o Centro-Oeste registrou a menor taxa regional do país pelo segundo mês seguido, fechando em 2,62%.

O estudo da Superlógica é elaborado com base em dados anonimizados de mais de 1 milhão de locatários em todo o território brasileiro, enquadrando no conceito de inadimplência os boletos vencidos com atraso superior a 60 dias.

 

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Sob a perspectiva geográfica, as regiões Norte e Nordeste continuam liderando os maiores índices de atrasos superiores a 60 dias
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