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OMS afirma que não foi informada que paciente com Ebola foi ao Congo

22 October 2026 at 16:34

A OMS (Organização Mundial da Saúde) não foi informada de que a paciente com Ebola na Nigéria havia viajado para o Congo, afirmou o representante da organização na Nigéria nesta quinta-feira (22), após a Uganda declarar que ela havia visitado aquele país.

As autoridades de saúde nigerianas informaram que o primeiro caso de Ebola no país em mais de uma década envolveu uma mulher ugandense que havia chegado recentemente de uma viagem à Uganda.

O Ministério da Saúde da Uganda declarou que a mulher havia viajado para o Congo, onde o surto foi registrado pela primeira vez em meados de maio e, desde então, tornou-se o de propagação mais rápida já documentado.

Pavel Ursu, representante da OMS, disse em uma coletiva de imprensa online: “As informações fornecidas à OMS não incluíam viagens para outro país (além da Uganda)”.

“Segundo os dados que recebemos, a paciente retornou a Abuja no dia 3 de outubro, após ter permanecido na Uganda desde 16 de setembro”, acrescentou.

Ursu afirmou que, na Nigéria, o foco está agora na contenção da infecção viral e que a paciente permanece hospitalizada, apresentando melhora em seus marcadores bioquímicos.

Jean Kaseya, diretor da principal agência de saúde pública da África, disse à agência de notícias Reuters na quarta-feira (21) que a paciente — uma mulher nascida na Uganda e casada com um diplomata suíço — chegou a Abuja após passar duas semanas de férias na Uganda.

Patrick Otim, gerente de resposta a emergências da OMS, informou nesta quinta-feira que a origem da infecção ainda é desconhecida, enquanto as autoridades de saúde trabalham para reconstruir o histórico de viagens da paciente.

Um dos pontos sob investigação, segundo Otim, é quais unidades de saúde a mulher visitou em Abuja após o início dos sintomas e antes de sua hospitalização, ocorrida em 9 de outubro.

Nigéria registra primeiro caso de Ebola em mais de uma década

A Nigéria registrou na terça-feira (21) seu primeiro caso de Ebola em mais de uma década, tornando-se o quarto país africano, e o mais populoso até o momento, a ser atingido por um surto que possui a propagação mais rápida já documentada, segundo autoridades de saúde.

A cepa do vírus Ebola responsável por este surto mata cerca de metade dos infectados e não possui tratamento ou vacina aprovados.

Desde a confirmação dos primeiros casos na República Democrática do Congo, em maio, a doença já vitimou 4.646 pessoas.

Autoridades de saúde temem que a desinformação e a falta de recursos financeiros possam impulsionar uma propagação ainda maior, tanto dentro da região quanto além de suas fronteiras.

“O Ebola agora afeta três regiões da África. A situação exige uma ação urgente e liderança política no mais alto nível”, afirmou Jean Kaseya, diretor-geral dos Centros Africanos de Controle e Prevenção de Doenças, na rede social X, nesta quarta-feira (21).

Ebola is now affecting three regions of Africa. The situation demands urgent action and political leadership at the highest level. I have invited African Ministers of Health to an extraordinary virtual meeting on 28 October to strengthen our collective response. Five months of intense efforts have shown the determination of our countries and health workers. We must now accelerate our actions, reinforce coordination and mobilise the full strength of our continent. Africa has the expertise, the institutions and the capacity to defeat this outbreak. We must act together, and we must act now. Our priority is to stop transmission and save lives. Read more: https://t.co/aO9dtJ9uBI —————- Ebola touche désormais trois régions d’Afrique. La situation exige une action urgente et un engagement politique au plus haut niveau. J’ai convié les ministres africains de la Santé à une réunion virtuelle extraordinaire le 28 octobre pour renforcer notre riposte collective. Cinq mois d’efforts intenses témoignent de la détermination de nos pays et de nos professionnels de santé. Nous devons aujourd’hui accélérer notre action, renforcer la coordination et mobiliser toutes les forces de notre continent. L’Afrique dispose de l’expertise, des institutions et des capacités nécessaires pour vaincre cette épidémie. Nous devons agir ensemble, et agir maintenant. Notre priorité est de stopper la transmission et de sauver des vies. Lire le communiqué : https://t.co/Yf1EhyOpMA

— Dr Jean Kaseya (@Dr_JeanKaseya) October 21, 2026

O caso na Nigéria envolve uma mulher ugandense que chegou a Abuja, a capital do país, vinda de Adis Abeba, no dia 5 de outubro, informou Odianosen Ehiakhamen, do Centro de Controle de Doenças da Nigéria, à emissora Arise TV, na terça-feira (20).

Dois dias após sua chegada, ela começou a se sentir mal e, em 11 de outubro, buscou atendimento em um hospital particular em Abuja apresentando sintomas semelhantes aos da malária.

Contudo, seu quadro clínico não apresentou melhora, relatou Ehiakhamen.

Ao tomarem conhecimento de que ela havia viajado recentemente para Uganda — um dos países afetados pelo surto atual —, as autoridades de saúde realizaram um teste para Ebola no dia 19 de outubro.

O resultado positivo foi confirmado na terça-feira. As autoridades identificaram 44 pessoas que tiveram contato com ela, a maioria profissionais de saúde.

Entre elas está o marido da paciente, um cidadão suíço que reside com ela em Abuja.

As autoridades também estão rastreando os passageiros que viajaram com ela, embora não acreditem que ela apresentasse sintomas durante o voo.

O ministro da Saúde, Muhammad Ali Pate, declarou à emissora pública NTA que a mulher encontra-se isolada e recebendo tratamento.

Ebola na República Democrática do Congo é o mais mortal da história

Nascidos de 26 semanas, gêmeos só podiam ser tocados por buracos no vidro — até o pai testar uma incubadora de ficção científica no próprio colo

21 October 2026 at 19:35

O nascimento de um bebê prematuro extremo impõe uma barreira dolorosa para as famílias nas UTI (Unidades de Terapia Intensiva) neonatais: a limitação do toque físico. Quando os gêmeos Silas e Simone nasceram com apenas 26 semanas de gestação, em 7 de agosto, no Children’s Memorial Hermann Hospital, no Texas, Estados Unidos, o destino imediato foi a incubadora tradicional.

Diante do vidro protetor, os pais só podiam tocar os recém-nascidos pelas pequenas aberturas laterais do equipamento.

A mãe das crianças, a médica obstetra Tiffany Ikwuagwu, relatou a angústia de acompanhar a rotina sem poder acolher os filhos no colo. A distância forçada pela fragilidade da saúde dos bebês, no entanto, foi encurtada dez dias após o parto graças a um equipamento experimental chamado Skincubator, descrito por Tiffany como um dispositivo que até parecia “de ficção científica“.

‘Parecia ficção científica’: a estreia de um pai nos EUA

O marido de Tiffany, Dorian Ojemen, tornou-se o primeiro pai nos Estados Unidos a utilizar a tecnologia em um ensaio clínico. A experiência de segurar os filhos diretamente sobre o peito, ouvir a respiração e encará-los de perto trouxe o alívio do vínculo paternal imediato.

Dorian ressaltou que, mesmo não tendo carregado os bebês na barriga, a inovação permitiu sua participação ativa na equipe de bem-estar dos gêmeos.

O estudo pioneiro no hospital norte-americano é conduzido pela médica Jaclyn Ruggiero. Para famílias em situação de prematuridade extrema, a oportunidade de realizar o contato pele a pele de forma segura representa uma transformação na assistência psicológica e física durante a internação hospitalar.

Como funciona o ‘casulo portátil’ seguro para a UTI

Diferente das incubadoras fixas convencionais, o Skincubator funciona como uma estrutura portátil e vestível que se acomoda no colo dos pais.

O bebê é transferido temporariamente para esse casulo móvel, que reproduz rigorosamente o controle de temperatura e mantém níveis altíssimos de umidade para evitar a hipotermia, além de permitir a manutenção de todos os equipamentos de suporte à vida acoplados ao recém-nascido.

Essa arquitetura médica resolve um dos principais entraves do ambiente intensivo. A OMS, (Organização Mundial da Saúde) recomenda mais de oito horas diárias da prática conhecida como método canguru, o contato direto pele a pele, mas a complexidade técnica dos tratamentos faz com que recém-nascidos graves recebam, em média, menos de 30 minutos diários de acolhimento nos braços dos pais.

Benefícios para o bebê e cenário da tecnologia

A ampliação do tempo de contato direto traz ganhos comprovados à saúde dos prematuros, como a regulação da frequência cardíaca, a diminuição do estresse e o fortalecimento do vínculo familiar. Antes de chegar aos ensaios clínicos norte-americanos, o dispositivo já passou por utilizações em hospitais na Alemanha e em Israel.

Embora a técnica humanizada do método canguru seja amplamente consolidada no sistema de saúde pública do Brasil, o equipamento Skincubator ainda se encontra em fase experimental nos Estados Unidos e não está disponível comercialmente no mercado brasileiro.

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