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Terremoto de magnitude 7 atinge o Tibete, na China

22 October 2026 at 16:05

Um forte terremoto de magnitude 7 atingiu o Tibete, na China, por volta das 22h30 no horário local desta quinta-feira (22), segundo o USGS (Serviço Geológico dos Estados Unidos).

O epicentro foi localizado a 183 quilômetros a leste-nordeste da cidade de Nagqu, na Região Autônoma do Tibete, no oeste da China, de acordo com dados do USGS.

A extensão dos danos ainda não está clara.

O terremoto foi “sentido na região”, diz o CENC (Centro de Redes Sísmicas da China). O epicentro foi a cerca de 400 km da capital tibetana, Lhasa.

De acordo com o USGS, há possibilidade de deslizamento de terra e enchentes. “Aproximadamente 132.000 pessoas sentiram tremores de intensidade moderada.”

O terremoto, o mais forte a atingir a China desde janeiro de 2024, foi claramente sentido na região, informou o CENC. O epicentro foi a cerca de 400 km da capital tibetana, Lhasa.

Em 2010, um tremor de magnitude 7,1 atingiu Yushu , a cerca de 280 km de distância, na província vizinha de Qinghai, matando pelo menos 2.698 pessoas e deixando quase 300 desaparecidas.

Epicentro do terremoto de magnitude 7 no Tibete
Epicentro do terremoto de magnitude 7 no Tibete – 22 de Outubro de 2026 • Reprodução/USGS

Nepal e China

O tremor acontece dois meses depois das enchentes repentinas que mataram dezenas de pessoas e deixaram outras 1.400 desaparecidas no Himalaia, entre o Tibete e o Nepal.

O epicentro do terremoto desta quinta-feira não é próximo de onde aconteceu a tragédia no Himalaia em agosto.

*Em atualização

Ex-candidata à Presidência do Equador Luisa González é presa

22 October 2026 at 16:01

A ex-candidata à Presidência do Equador Luisa González foi presa, informou nesta quinta-feira (22) a líder do partido de esquerda Revolução Cidadã, Gabriela Rivadeneira.

González, aliada do ex-presidente Rafael Correa, está sendo investigada por supostas irregularidades no financiamento político e nos gastos de campanha.

Ela já havia afirmado que seu partido apresentou os gastos da campanha presidencial de 2023 ao órgão eleitoral e que a promotoria não possui provas para fundamentar suas acusações.

González perdeu a eleição antecipada para o presidente Daniel Noboa.

“Prenderam Luisa González. Basta!”, compartilhou Correa no X.

Quem é Daniel Noboa

Em 2025, o presidente Daniel Noboa Azin, movimento Ação Democrática Nacional (ADN), foi reeleito após vencer no segundo turno um mandato que durará até o ano de 2029.

Noboa derrotou a candidata da oposição Luisa González, do partido Revolução Cidadã, que declarou em outra coletiva de imprensa que não reconheceria os resultados.

Noboa foi eleito presidente em 15 de outubro de 2023, após enfrentar González nas eleições antecipadas realizadas no Equador, depois que o então presidente Guillermo Lasso decretou a chamada “morte cruzada”, que renovou os Poderes Legislativo e Executivo.

Sem constar entre os favoritos e de maneira surpreendente, Noboa foi escolhido pelo voto popular no segundo turno para completar o mandato restante de Lasso, por um ano e meio, e aos 35 anos, tornou-se o presidente mais jovem a vencer a Presidência na história republicana do país.

A disputa eleitoral foi marcada pelo assassinato do candidato Fernando Villavicencio, um incidente sangrento que remodelou o cenário eleitoral.

Tensões com Trump “não são pessoais”, diz Zelensky à CNN

22 October 2026 at 15:44

Após uma ruptura amarga com Donald Trump ter deixado muitos na Ucrânia temendo que o presidente dos EUA tivesse se alinhado novamente à Rússia, o presidente Volodymyr Zelensky abordou a disputa de frente: não há nada de pessoal entre mim e Trump, disse ele à CNN, mas se aproximar de Vladimir Putin só iria “torná-lo mais forte”.

Os laços entre os EUA e a Ucrânia se deterioraram gravemente nas últimas semanas.

Zelensky disse que Trump estava “do lado errado da história” após ele anunciar um acordo para comprar combustível russo, desfazendo os esforços internacionais para isolar a Rússia. Trump então suspendeu algumas sanções contra a Rússia, gerando críticas até mesmo de seu próprio partido. As forças da Ucrânia viram seu acesso ao serviço Starlink, administrado por Elon Musk, ser restringido.

Falando à CNN a partir de Kyiv na quinta-feira, Zelensky adotou um tom conciliatório, dizendo que as tensões “não eram sobre personalidades” — mas advertiu que Putin não tinha intenção de parar a guerra.

“Minha atitude em relação a Putin é muito clara. Acho que se levantarmos as sanções, vamos torná-lo mais forte. Não é algo pessoal entre mim e o presidente Trump, e é claro que sou contra qualquer levantamento de sanções.”

Zelensky falou à CNN em meio a uma renovada pressão diplomática dos enviados de Trump para encontrar uma resolução para o conflito de quatro anos e meio.

Na quarta-feira, o enviado especial dos EUA Steve Witkoff passou três horas conversando com o presidente russo Vladimir Putin em São Petersburgo, descrevendo-o de forma controversa como um “humanitário” por sua decisão de libertar o prisioneiro americano Stephen Hubbard, de 74 anos. Witkoff havia se reunido com Zelensky na Noruega um dia antes.

Trump insistiu na quarta-feira que apertar as sanções contra a Rússia teria significado que Hubbard permaneceria preso. “Você poderia se esquecer dele, nunca o veria de novo, ele voltaria para a prisão por 25 anos”, disse ele em resposta a uma pergunta da jornalista da CNN Kaitlin Collins.

Ele acrescentou que sanções mais rígidas colocariam em risco as chances de um acordo sobre a Ucrânia: “Quando você está perto de um acordo e tem negociações delicadas, você não impõe sanções.”

Putin “joga” com vidas

Zelensky disse que sua reunião na capital norueguesa Oslo foi produtiva, mas que não estava convencido do compromisso de Putin com a paz. Após a visita de Witkoff, Putin concordou com conversações em novembro, sem fornecer muitos detalhes concretos.

“Putin está jogando, sabe, ele é um jogador”, disse Zelensky.

“É uma pena porque ele joga com a vida de outras pessoas, e claro que ele não quer (parar a guerra). Então o que queremos de nossos parceiros (é) não dar a ele a possibilidade de ficar mais forte e nos destruir.”

Trump disse na quarta-feira que seu governo está “mais próximo do que nunca” de resolver a guerra na Ucrânia — apenas para a Rússia lançar centenas de drones e mísseis balísticos contra seu vizinho durante a noite.

Até agora, Putin também manteve suas exigências maximalistas em relação à Ucrânia — incluindo território. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse a repórteres na quarta-feira que “a disputa agora está realmente concentrada no que acontece com o restante do Donbas”, a região leste da Ucrânia que está majoritariamente sob controle russo. Ele disse que “surgiram algumas ideias criativas sobre como resolver essa diferença.”

Congelar as linhas de frente?

Em entrevista à CNN, Zelensky aludiu à possibilidade de congelar as atuais linhas de frente para “cessar-fogo, parar com as mortes, sentar e conversar.” No entanto, ele deixou claro que a ideia de a Ucrânia ceder seu território à Rússia é inaceitável.

“Nossa terra é muito importante porque é sobre pessoas. Não é sobre quilômetros”, disse ele. “Muitas pessoas morreram defendendo esta terra, defendendo nossa independência, nosso país.”

“Ninguém vai reconhecer esses territórios, que estão temporariamente ocupados, como territórios russos, e acho que a Rússia entende isso. É uma pena se alguém não entende, mas isso é problema deles”, acrescentou o presidente ucraniano.

Houve alguns sinais de distensão após Kiev acusar os EUA de limitar o compartilhamento de inteligência sobre mísseis russos em aproximação, de retardar os serviços vitais do Starlink e de atrasar o fornecimento de armas.

Zelensky disse no início desta semana que o compartilhamento de inteligência foi restabelecido, mas afirmou à CNN que o Starshield, o serviço militar da SpaceX, ainda não foi totalmente restaurado.

Mas a escassez crítica de mísseis interceptores da Ucrânia significa que, mesmo que suas forças militares recebam agora um alerta sobre um míssil balístico russo se aproximando, não há nada para abatê-lo.

Zelensky também disse à CNN na quinta-feira que, embora os aliados europeus da Ucrânia tenham fornecido alguns mísseis de defesa aérea ao país, “não é suficiente para nos defendermos”.

A Ucrânia, disse Zelensky, precisa agora principalmente de duas coisas de seus aliados: “Não levantar as sanções contra Putin… (e) nos dar mísseis melhores”.

Análise: Tensões entre Trump e Zelensky ameaçam apoio dos EUA à Ucrânia

 

Ucraniano é preso na Alemanha sob suspeita de espionagem para a Rússia

22 October 2026 at 14:02

Um cidadão ucraniano foi preso no estado alemão de Brandemburgo sob suspeita de espionagem para a Rússia, segundo comunicado divulgado nesta quinta-feira (22) pela Procuradoria-Geral Federal da Alemanha.

Identificado pelas autoridades como Vadym Y., o suspeito mantinha contato com um serviço secreto russo por meio de um intermediário desde, pelo menos, julho de 2025, afirmaram os procuradores.

Segundo o comunicado, ele coletava informações militares, incluindo dados sobre a produção de veículos blindados, munições e explosivos, além de informações sobre pessoal e instalações militares em locais destinados a proteger o flanco oriental da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte).

Embora parte das informações estivesse disponível publicamente, outros detalhes teriam sido solicitados a pessoas que trabalham no setor de defesa europeu, segundo os procuradores.

De acordo com o comunicado, o acusado comparecerá nesta sexta-feira (23) a um juiz de instrução do Tribunal Federal de Justiça, que lhe comunicará o mandado de prisão e decidirá sobre a decretação da prisão preventiva.

O chanceler alemão Friedrich Merz disse que a prisão não o surpreendeu e alertou que haverá mais casos semelhantes no futuro.

“A Alemanha é alvo de intensa atividade de espionagem; nesse sentido, o fato de este caso ter sido descoberto hoje é um sucesso”, disse ele em uma coletiva de imprensa em Montenegro.

“No entanto, não nos iludamos: as atividades dos serviços de inteligência russos na Alemanha permanecem em um nível consistentemente alto.”

O que é Oreshnik, míssil hipersônico utilizado em grande ataque contra Kiev?

 

Senado do Peru dá a Fujimori poderes para legislar sobre crime organizado

22 October 2026 at 13:33

O Senado do Peru aprovou nesta quarta-feira (11) um projeto de lei que delega mais poderes à presidente Keiko Fujimori por 90 dias, incluindo a possibilidade de legislar sobre o crime organizado sem o aval do Congresso.

A proposta, que abrange medidas de segurança cidadã e de enfrentamento ao fenômeno El Niño, já havia sido aprovada pela Câmara dos Deputados. No Senado, o texto recebeu novas atribuições durante a votação em plenário e foi aprovado por 35 votos a favor, 18 contra e seis abstenções.

As mudanças ampliam os instrumentos disponíveis para o governo no combate ao crime organizado, com alterações nas regras penais e penitenciárias, além da previsão de maior participação das Forças Armadas em ações de segurança.

Uso das Forças Armadas

Entre as propostas incluídas pelo Senado no dia da votação, está a permissão para as Forças Armadas intervirem em casos que superem a capacidade da Polícia Nacional ou “houver risco de isso ocorrer.”

O projeto também permite a criação do cadastro de organizações criminosas que empreguem métodos semelhantes aos do terrorismo.

Esses grupos poderão ser alvo de técnicas especiais de investigação, medidas sobre seus bens e ativos e regras específicas de execução penal, mesmo se não forem classificados formalmente como organizações terroristas.

O texto contempla ainda mudanças nas regras de conversão de penas e de concessão de benefícios penitenciários, além de medidas para reforçar a segurança nas prisões.

Entre elas, está a possibilidade de utilizar instalações militares para abrigar determinados presos de baixa periculosidade ou crimes menores.

Também estão previstas medidas para identificar, rastrear e bloquear celulares e linhas utilizados ilegalmente.

O governo Fujimori poderá reforçar o controle migratório, incluindo procedimentos de identificação, verificação de documentos e fiscalização, segundo o texto.

Quem é Keiko Fujimori, presidente do Peru?

Equador e Peru se comprometem a enfrentar juntos criminalidade e ameaça climática do El Niño

Os presidentes do Equador e do Peru se comprometeram nesta terça-feira (20) a trabalhar juntos para combater a “criminalidade transfronteiriça” que atua na região de fronteira e para prevenir os efeitos do fenômeno climático El Niño em ambos os países.

Daniel Noboa e Keiko Fujimori assinaram, após uma reunião em Lima, uma série de acordos de caráter econômico e comercial como parte de um processo de integração, após ambos os países terem travado uma breve guerra em meados da década de 1990.

“Hoje, a realidade exige de nós decisões firmes e uma cooperação muito mais forte em matéria de segurança para combater com a contundência necessária a criminalidade transnacional”, disse Noboa, após destacar, entre os acordos, um que permite retomar ações militares coordenadas na fronteira comum.

O Equador e o Peru aderiram este ano a uma coalizão patrocinada pelos Estados Unidos com o objetivo de combater os cartéis de drogas e o crime transnacional na região.

Além disso, ambos os países enfrentam os estragos causados pelo El Niño, um fenômeno natural que ocorre quando as águas superficiais do Pacífico se aquecem mais do que o normal na costa da América do Sul, provocando chuvas intensas em algumas zonas e secas em outras, com impacto em quase todo o planeta.

Keiko Fujimori e Daniel Noboa se reúnem em Lima 20 de outubro de 2026 REUTERS/Sebastián Castaneda
Keiko Fujimori e Daniel Noboa se reúnem em Lima 20 de outubro de 2026 REUTERS/Sebastián Castaneda • REUTERS

“São desafios enormes e, se somarmos a isso o fenômeno El Niño, acredito que agora, mais do que nunca, somos obrigados a trabalhar juntos e em equipe”, afirmou Keiko Fujimori após o encontro realizado no Palácio do Governo, em Lima.

Entre outros acordos, destaca-se o fortalecimento da luta contra a mineração ilegal, segundo a Presidência peruana, principalmente de ouro, que tem crescido na fronteira comum em um momento em que o metal atingiu preços recordes.

*Com informações de Reuters

Macron proíbe realização de protestos não sindicais na França

22 October 2026 at 12:25

Os protestos não organizados por sindicatos “serão proibidos” no sábado (24) e nos próximos dias, anunciou o presidente da França, Emmanuel Macron, nesta quinta-feira (22), enquanto as autoridades tentam restabelecer a calma após manifestações no fim de semana evoluírem para os piores distúrbios no país em décadas.

“Qualquer pedido para realizar manifestações ou reuniões — especialmente aqueles feitos por indivíduos ou grupos sem legitimidade para isso — será proibido”, afirmou Macron após presidir uma reunião do conselho de segurança com a participação de ministros e serviços de inteligência. “Este não é o momento; nossa prioridade é o retorno à calma.”

Caso os sindicatos apresentem pedidos para realizar protestos, as autoridades irão analisá-los, mas oferecerão trajetos alternativos “para proteger os centros de nossas cidades — especificamente nossos estabelecimentos comerciais e edifícios públicos”, acrescentou Macron.

O principal sindicato estudantil da França, a UNEF, convocou novas manifestações para sábado, enquanto a CGT, uma das maiores centrais sindicais do país, afirmou que participará dos protestos.

As autoridades francesas prometeram uma presença policial “maciça” nas ruas e impuseram toques de recolher localizados em algumas cidades ao longo desta semana, após enfrentarem críticas por não terem previsto a dimensão da violência no fim de semana passado.

Entenda os protestos estudantis que se espalharam por toda a França

Análise: Onde Trump vê um acordo, Putin vê uma vitória para a Rússia

22 October 2026 at 11:40

Se Donald Trump fosse presidente da Rússia, ele certamente aceitaria um acordo rápido e simples para pôr fim à brutal guerra na Ucrânia, talvez, como já sugeriu, em apenas 24 horas.

Do ponto de vista de Trump, a decisão seria óbvia.

Uma solução para o conflito prolongado, que já está em seu quinto ano, não apenas interromperia a morte dos milhares de “jovens e lindos garotos” que, segundo Trump, são mortos todos os meses na linha de frente, mas também seria — e isso é fundamental — extremamente lucrativa.

As sanções contra Moscou poderiam ser suspensas, enquanto acordos comerciais lucrativos inevitavelmente surgiriam. Em outras palavras, a paz e a prosperidade prevaleceriam.

Mas, é claro, Trump não é o presidente da Rússia. Esse cargo pertence a Vladimir Putin, e o líder do Kremlin parece ter pouquíssimo interesse em abrir mão de seus objetivos declarados na guerra da Ucrânia, seja para preservar vidas russas e ucranianas, seja para acrescentar bilhões de dólares aos cofres do Estado russo.

Esse é um equívoco fundamental que tem orientado os esforços infrutíferos do governo Trump para negociar o fim dos combates. Ele voltou a ficar evidente durante a mais recente reunião crucial em São Petersburgo entre Steve Witkoff, parceiro de negócios de Trump que se tornou seu principal negociador, e o próprio Putin.

Durante o encontro, Putin disse a Witkoff que estava “curioso” sobre o resultado das reuniões realizadas na Noruega no dia anterior, quando autoridades dos Estados Unidos, da Europa e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) se reuniram com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, para elaborar possíveis novas propostas de paz, incluindo incentivos econômicos para Moscou.

Mais tarde, um assessor de alto escalão do Kremlin confirmou que o enviado de Trump havia informado o líder russo sobre as discussões. Em seguida, acrescentou, como era de se esperar, que “na verdade, elas continham pouco de valor concreto para resolver a crise ucraniana”.

O resultado era inteiramente previsível por parte de um Kremlin que se recusa obstinadamente a abandonar suas posições rígidas, incluindo a exigência de controlar toda a região de Donbas, no leste da Ucrânia, e de ter influência sobre os futuros acordos de segurança de Kiev.

Ainda assim, a Casa Branca pode ter esperado genuinamente que o Kremlin demonstrasse maior disposição para fazer concessões, sobretudo depois que Trump suspendeu, na semana passada, as sanções às exportações russas de diesel. A medida, motivada politicamente pela tentativa de reduzir os preços dos combustíveis nos Estados Unidos antes das eleições de meio de mandato, também representou um enorme benefício econômico para Moscou.

Posteriormente, Trump anunciou um cessar-fogo energético que não teve sucesso e que obrigaria a Ucrânia a interromper os ataques de drones que danificavam refinarias de petróleo russas.

Em meio à troca de acusações, durante a qual o compartilhamento de informações de inteligência pelos Estados Unidos foi afetado, Trump também defendeu uma mudança na liderança ucraniana — tudo o que o Kremlin gostaria de ouvir.

Para Moscou, porém, os acordos, os incentivos e até o desprezo compartilhado por Kiev não são vistos como sinais de que chegou a hora de cooperar e recuar. Pelo contrário: são interpretados como evidências de que a estratégia russa em relação aos Estados Unidos está dando resultados.

E essa estratégia, ao contrário da de Washington, é pragmática e bem definida. O líder do Kremlin entende o que motiva Trump e consegue distraí-lo com facilidade, prometendo grandes acordos econômicos ao seu temperamental interlocutor na Casa Branca.

Mais propostas desse tipo foram apresentadas pelo Kremlin durante a reunião com Witkoff em São Petersburgo. Putin elogiou o controverso acordo sobre o diesel e sugeriu que a Rússia também poderia ampliar as exportações de fertilizantes essenciais para os Estados Unidos, entre outras possibilidades.

“Também estamos discutindo diferentes projetos, como centros de dados, projetos no setor de energia e cooperação energética”, afirmou Kiril Dmitriev, chefe do fundo soberano russo e interlocutor importante do Kremlin junto a autoridades do governo Trump, após o encerramento das conversas, que duraram três horas.

E não são apenas as vantagens econômicas que o Kremlin utiliza para agradar, conquistar simpatia ou manter um interlocutor receptivo na Casa Branca.

Antes da reunião em São Petersburgo, Putin libertou Stephen Hubbard, um cidadão americano de 74 anos que estava detido pela Rússia desde que foi capturado na Ucrânia, em 2022, no início da invasão russa em larga escala. Um Witkoff bajulador descreveu a libertação como um ato “humanitário”.

Hubbard, natural do estado de Michigan, teria sofrido graves problemas de saúde durante os quatro longos anos em que permaneceu preso em uma colônia penal russa remota. Sua libertação, porém, foi celebrada pela Casa Branca como uma demonstração da capacidade de Trump de fechar acordos e da deferência de Putin em relação ao presidente americano.

“Os Estados Unidos, por respeito ao presidente Trump, não precisaram oferecer nada em troca — uma situação sem precedentes para a Rússia”, dizia um comunicado publicado na própria plataforma Truth Social de Trump.

Mas é improvável que o ex-agente da KGB, conhecido por sua postura dura no Kremlin, veja a situação dessa maneira.

Ao libertar um ex-professor de 74 anos, provavelmente mantido como moeda de troca justamente para uma ocasião como essa, Trump concedeu a Putin um aval inestimável para as ações do Kremlin — e representou uma dolorosa traição à Ucrânia.

Análise: Tensões entre Trump e Zelensky ameaçam apoio dos EUA à Ucrânia

 

Eurofighter Typhoon: Reino Unido enviará jatos para Arábia Saudita

22 October 2026 at 11:17

O Reino Unido enviará caças da RAF (Força Aérea Real) para missões defensivas, visando ajudar a proteger a Arábia Saudita contra a intensificação dos ataques dos Houthis, informou a Bloomberg nesta terça-feira (20), citando autoridades britânicas a par do assunto.

Caças Typhoon da RAF ajudarão a defender cidades e infraestruturas sauditas contra ataques aéreos realizados pelo grupo apoiado pelo Irã.

O Reino Unido também fornecerá uma aeronave de transporte Atlas A400M e assessores militares, segundo a reportagem.

O Ministério da Defesa do Reino Unido não respondeu de imediato a um pedido de comentário.

Por que bilhões em defesa não protegem a Arábia Saudita de ataques Houthi

A Arábia Saudita gasta dezenas de bilhões de dólares em defesa todos os anos, mas enfrenta dificuldades para proteger como aeroportos, refinarias e oleodutos contra mísseis e drones disparados por militantes Houthis do Iêmen.

Apesar de adquirir sistemas de armas de última geração dos Estados Unidos e da Europa e de contar com defesas aéreas em múltiplas camadas, o reino sofreu ataques letais ao principal aeroporto que atende a capital, Riade, nas últimas semanas.

A Arábia Saudita gastou US$ 83 bilhões (cerca de R$ 423 bilhões) em defesa no ano passado, segundo o SIPRI (Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo), posicionando-se firmemente entre os dez países que mais investem em defesa no mundo.

O país adquiriu caças americanos, sistemas de defesa aérea Patriot e THAAD, além de uma variedade de armamentos avançados da França e do Reino Unido.

No entanto, os sauditas têm muito a defender: um país com cerca de um quinto do tamanho dos EUA e ameaças em três frentes.

Do leste, o Irã disparou cerca de mil mísseis e drones contra alvos sauditas durante a fase mais intensa do conflito neste ano.

Do norte, milícias apoiadas pelo Irã no Iraque enviaram drones para atacar o oleoduto Leste-Oeste, uma infraestrutura crítica do país.

E, do sul, os rebeldes Houthis — apoiados pelo Teerã — disparam mísseis contra o reino a partir de abrigos e lançadores móveis nas montanhas do Iêmen.

Defender a Arábia Saudita significa proteger uma vasta rede de alvos, e não apenas Riade ou uma única refinaria.

Seus sistemas de defesa precisam detectar ameaças em aproximação, decidir quais interceptar e alertar a população civil — tudo isso em questão de instantes —, segundo o Vision2030.ai, um site independente que analisa a transformação econômica do reino.

Os sauditas estão interceptando muitos dos mísseis e drones disparados pelos Houthis. No entanto, alguns conseguem passar.

O Ministério da Defesa enfrenta decisões difíceis quanto à distribuição dos sistemas existentes, dada a grande quantidade de instalações vulneráveis ​​a ataques, segundo uma fonte saudita.

Entenda impactos do bloqueio dos Houthis à Arábia Saudita no Mar Vermelho

 

FCC: Presidente alerta emissoras sobre pesquisas falsas na eleição dos EUA

22 October 2026 at 11:11

O presidente republicano da FCC (Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos) está aconselhando emissoras locais a ficarem atentas a “pesquisas falsas”, sem especificar quais considera fraudulentas, enquanto várias sondagens respeitáveis indicam que os democratas podem conquistar avanços importantes nas Eleições de Meio de Mandato.

Brendan Carr, aliado próximo do presidente Donald Trump, fez o alerta às emissoras licenciadas pela FCC na quarta-feira (22), mesmo dia em que duas novas pesquisas nacionais de grande credibilidade mostraram que a aprovação de Trump havia atingido mais uma mínima histórica.

O alerta também foi feito um dia depois de uma empresa que se apresentava como instituto de pesquisas admitir ser uma “entidade fictícia” que havia fabricado dados e enganado veículos de comunicação.

Esse é um problema real — e revoltante —, mas não deveria comprometer a credibilidade das pesquisas de alta qualidade que ajudam a informar o eleitorado.

Afinal, a quais pesquisas Carr se referia? Sua publicação no X não esclareceu a questão, e ele não respondeu ao pedido de comentário da CNN na tarde de quarta-feira, deixando o assunto em aberto. Talvez esse fosse, em parte, o objetivo.

Um grupo de ex-integrantes da FCC classificou a mensagem de Carr como “parte de uma estratégia cada vez mais intensa da Casa Branca para inclinar o campo eleitoral a favor do presidente e contestar resultados eleitorais que não sejam de seu agrado”.

Os ex-integrantes também observaram que “a FCC não tem autoridade alguma para determinar decisões editoriais”.

De fato, o Congresso proibiu a FCC de tentar impedir a transmissão de qualquer ponto de vista. Mas a agência é responsável por conceder licenças a emissoras locais de rádio e televisão em todo o país e por fazer cumprir padrões básicos. Carr tem usado repetidamente esses poderes limitados para pressionar empresas de radiodifusão.

Grupos de defesa da imprensa argumentaram que a publicação mais recente de Carr contraria a Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos, que protege a liberdade de expressão e de imprensa.

“Literalmente, todas as vezes que ele ataca a imprensa, isso acontece por causa de reportagens desfavoráveis a seu chefe, Donald Trump, cujo rosto dourado ele já foi visto usando como broche de lapela”, disse Seth Stern, diretor de defesa da liberdade de imprensa da Freedom of the Press Foundation.

Neste momento, há muitas notícias desfavoráveis sobre as perspectivas eleitorais do Partido Republicano, diante da insatisfação generalizada dos eleitores com a economia e a situação do país.

Trump tem recorrido a acusações de que as pesquisas são “falsas” e, ocasionalmente, ameaçado transformar suas palavras em ações. “Tenho lutado contra os institutos de pesquisa”, disse Trump em um comício na terça-feira.

Mas, se Trump pretendia inibir a divulgação de informações sobre a opinião pública, não teve sucesso.

No mês passado, um juiz de Iowa rejeitou o processo movido pelo presidente contra a pesquisadora J. Ann Selzer, sua empresa de pesquisas, o jornal Des Moines Register e a Gannett. Um porta-voz da equipe jurídica de Trump prometeu recorrer da decisão.

Na quarta-feira, Carr afirmou que esta temporada eleitoral registrou “um aumento significativo de pesquisas totalmente falsas e pesquisas de supressão, concebidas exclusivamente para interferir no funcionamento regular do processo eleitoral e alterar os padrões habituais de participação e entusiasmo dos eleitores”.

Ele disse que “muitos jornalistas e radiodifusores vêm ampliando a divulgação ou transmitindo” essas pesquisas, mas não identificou nenhuma delas nem citou nomes.

Carr então mencionou o poder da FCC de punir emissoras que violem as normas da agência contra “distorção de notícias” e “fraudes na radiodifusão”, embora essas regras tenham aplicação restrita e raramente sejam utilizadas.

“As emissoras são aconselhadas a evitar distorções de notícias ou a veiculação de fraudes na radiodifusão por meio da transmissão de pesquisas que violem suas obrigações regulatórias”, escreveu.

Anna Gomez, única comissária democrata da FCC, contestou imediatamente a mensagem de Carr.

“Institutos de pesquisa que enganam intencionalmente o público devem ser responsabilizados, mas emissoras que divulgam dados de pesquisas publicamente disponíveis nunca deveriam ser punidas quando uma pesquisa está errada”, escreveu Gomez no X. “As regras da FCC sobre distorção de notícias ou fraudes não se aplicam a uma emissora que divulga esses dados de boa-fé.”

Stern apresentou argumento semelhante em um comunicado divulgado na quarta-feira. “As emissoras de notícias têm o direito, garantido pela Primeira Emenda, de divulgar dados de pesquisas, mesmo que eles se revelem imprecisos, assim como têm o direito de noticiar as inúmeras mentiras e distorções do próprio Carr e de Trump, mesmo quando se mostram incorretas”, afirmou.

Ao atacar as “pesquisas falsas”, Carr voltou a adotar a retórica do presidente que o nomeou para a FCC em 2017 e o promoveu ao cargo de presidente da agência no ano passado.

O momento chama a atenção: faltam menos de duas semanas para as Eleições de Meio de Mandato, e as pesquisas mostram os democratas em vantagem em várias disputas importantes.

Muitos leitores e telespectadores questionam a confiabilidade das pesquisas. A realidade é que algumas são mais confiáveis do que outras.

No início desta semana, o site de acompanhamento de pesquisas FiftyPlusOne publicou uma investigação sobre um grupo chamado Wedgewood Polls, que havia divulgado mais de uma dúzia de pesquisas durante a temporada eleitoral.

O FiftyPlusOne havia incluído os dados do grupo em suas médias de pesquisas, mas encontrou indícios de falsificação. Depois que o site solicitou esclarecimentos, a Wedgewood publicou um comunicado afirmando que a iniciativa era um experimento “para demonstrar as vulnerabilidades, a falta de supervisão e as baixas barreiras de entrada no setor moderno de pesquisas eleitorais”.

O cofundador do FiftyPlusOne, G. Elliott Morris, acusou o grupo de tentar encobrir a fraude com a justificativa de que teria sido “um experimento social”.

A Associação Americana de Pesquisa de Opinião Pública condenou a fabricação de dados na quarta-feira.

“Organizações profissionais de pesquisa são transparentes, éticas e trabalham arduamente para fornecer informações essenciais ao público e a outras partes interessadas. É importante que não confundamos atividades fraudulentas como essa com pesquisas eleitorais legítimas”, afirmou Mary Losch, presidente da associação.

Mesmo que tenha sido apenas um experimento, a iniciativa causou danos reais e acabou favorecendo figuras públicas que desejam semear desconfiança até mesmo nas fontes de pesquisa mais confiáveis.

“Notícias falsas, pesquisas falsas, tudo é falso”, disse Trump na terça-feira. Em seguida, acrescentou: “Tenho algumas pesquisas excelentes.”

Por que os Estados Unidos não usam urna eletrônica como o Brasil?

Políticos franceses culpam líder da esquerda por onda de violência

22 October 2026 at 11:00

Adversários políticos da centro-esquerda à direita se voltaram contra Jean-Luc Mélenchon e seu partido, LFI (França Insubmissa), acusando-os de alimentar a pior onda de distúrbios civis na França em anos.

Mélenchon, que lançou sua quarta candidatura à Presidência em maio e continua sendo a principal esperança da esquerda de chegar ao segundo turno da eleição do próximo ano, enfrenta críticas crescentes desde que os distúrbios atingiram várias cidades francesas. Seus opositores afirmam que anos de discurso confrontador contribuíram para aumentar as tensões que agora chegam às ruas.

O primeiro-ministro Sébastien Lecornu intensificou os ataques na terça-feira (20), dizendo a um parlamentar da LFI que a “agenda política de instilar violência e caos no país” do partido estava agora “totalmente exposta”.

O líder de 75 anos rejeitou as sugestões de que a LFI tenha responsabilidade pelos distúrbios. Em vez disso, acusou o governo de não enfrentar problemas sociais e econômicos profundamente enraizados nos subúrbios mais pobres da França.

Os ataques ressaltam tanto a posição central de Mélenchon na política francesa quanto o desconforto que ele provoca enquanto o país se aproxima de uma eleição presidencial que deve colocar forças antissistema cada vez mais fortes contra um centro político enfraquecido.

Os distúrbios reforçaram esse contraste, deslocando o foco para a esquerda e permitindo que Marine Le Pen, do partido de direita RN (Reagrupamento Nacional), adotasse um tom mais presidencial ao abordar a segurança pública, tema que tradicionalmente favorece seu espectro.

Ainda assim, com o cenário político francês fragmentado em três blocos rivais e os partidos tradicionais de centro-esquerda e centro-direita em dificuldades, analistas afirmam que Mélenchon continua sendo uma força política considerável.

Apoio dos jovens e a “Nova França”

A LFI construiu sua base de apoio mobilizando eleitores mais jovens, muitos dos quais se desiludiram com a política tradicional. Uma pesquisa do IFOP para a emissora LCI, publicada neste mês, colocou Mélenchon com 16,5% das intenções de voto, atrás dos 36% de Le Pen, mas à frente de todos os outros candidatos tradicionais.

Uma pesquisa do instituto Cluster17 constatou que quase metade dos jovens de 18 a 24 anos e mais de um terço dos eleitores de 25 a 34 anos apoiariam Mélenchon.

Isso fez dele uma voz importante para muitos estudantes envolvidos no movimento de protestos e nos distúrbios mais amplos que abalam a França nas últimas semanas.

No entanto, Frédéric Dabi, diretor do instituto de pesquisas IFOP, afirmou que os distúrbios podem reforçar uma das maiores fragilidades eleitorais de Mélenchon: sua dificuldade para conquistar eleitores mais velhos.

“A percepção de que Jean-Luc Mélenchon foi indulgente demais com os responsáveis pela violência é uma linha vermelha absoluta para uma grande parcela do eleitorado”, disse Dabi.

Ainda assim, o partido também construiu forte apoio em áreas urbanas mais pobres e entre muitos eleitores de origem imigrante, que se identificam com a visão de Mélenchon de uma “Nova França”: uma república multicultural que acolhe a diversidade étnica e religiosa e concede maior representação política a comunidades que frequentemente se sentem ignoradas.

Apoiadores afirmam que isso reflete realidades sociais, e não uma política baseada em identidade.

“É a síntese única entre um programa de ruptura revolucionária e o desejo de governar o país”, disse à Reuters o parlamentar da LFI Hadrien Clouet.

Segundo Clouet, isso significa combater a desigualdade e reverter décadas de transferência de riqueza para o setor financeiro e uma pequena elite oligárquica.

Críticos, porém, afirmam que a LFI frequentemente confunde os limites entre o protesto democrático e formas mais radicais de mobilização política.

Discurso de insurreição sob escrutínio

Mélenchon recorre com frequência à linguagem de insurreição popular. Durante a crise das aposentadorias de 2023, pediu aos apoiadores que “derrubassem a cidadela” do governo do presidente Emmanuel Macron e, em algumas ocasiões, falou favoravelmente da “insurreição cidadã” como uma força democrática.

Apoiadores afirmam que essa linguagem se refere à mobilização política em massa, não à violência. O partido defende oficialmente ações não violentas.

A LFI e seus aliados argumentam que algumas acusações têm motivação política. Nesta semana, o veículo investigativo Mediapart informou, citando um agente de inteligência não identificado, que autoridades haviam recebido instruções para retratar a LFI como responsável pelo movimento de protestos, apesar do que a fonte descreveu como falta de provas. O governo negou a acusação.

Ainda assim, adversários afirmam que as mensagens de Mélenchon são frequentemente ambíguas de propósito.

“Eles dizem ser contra os vândalos, mas, ao mesmo tempo, justificam o uso de máscaras em manifestações”, disse Sylvain Maillard, do partido Renascimento, de Macron. “Nunca acalmam a situação. Sempre dizem que a culpa é da polícia. Eles querem o caos.”

O ex-presidente socialista François Hollande, no entanto, alertou contra a possibilidade de transformar Mélenchon no único foco do debate.

“Não foi um partido político ou uma pessoa que jogou combustível no fogo”, disse Hollande à rádio France Inter. Embora tenha criticado a LFI por, às vezes, estabelecer uma equivalência entre a violência dos manifestantes e a violência policial, ele afirmou: “Fixar-se na LFI é deixar de enxergar o que está acontecendo no país.”

Entenda os protestos estudantis que se espalharam por toda a França

Google recusa pedido de Trump para chamar Atlântico de “Oceano Americano”

22 October 2026 at 10:46

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que Sundar Pichai, CEO do Google, recusou seu pedido para renomear o Oceano Atlântico como “Oceano Americano”.

“Eu só gosto de dois oceanos, o Oceano Atlântico e o Oceano Pacífico. Não vou colocar nem Trump nem América no nome de nenhum outro oceano além desses dois. Então, analisamos seriamente o Oceano Atlântico, e liguei para o Google Maps, que foi realmente ótimo com o lago e muito bom também com o golfo”, afirmou o presidente americano durante comício na Carolina do Sul nesta quarta-feira (21).

Segundo Trump, a empresa explicou que os oceanos “são diferentes” porque abrangem muitos países.

“Eu disse: ‘Sundar, estou pensando no Oceano Atlântico. Você consegue fazer isso?’ ‘Não, não, não, desta vez não vou fazer isso.’ Ele disse: ‘Os oceanos são diferentes, senhor. Eles abrangem muitos países. Muitos mesmo. Por favor, não nos peça para fazer isso.’”

O Google, controlado pela Alphabet, mudou o nome do Golfo do México para “Golfo da América” em seus mapas para usuários nos Estados Unidos depois que Trump ordenou a alteração, em janeiro de 2025.

Ataques a petroleiros avançam de Ormuz para águas próximas ao Iraque

22 October 2026 at 10:30

Os ataques a navios petroleiros se espalharam recentemente do Estreito de Ormuz para águas próximas ao Iraque, segundo a UKMTO (Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido), agência britânica de monitoramento do tráfego marítimo.

De acordo com um alerta emitido pela agência nesta quinta-feira (22), um navio-tanque foi atingido por um projétil não identificado a 30 milhas náuticas a sudeste de Al-Faw, no Iraque, na terça-feira (20).

A tripulação foi considerada segura, e não houve relatos de danos à embarcação.

As águas próximas a Al-Faw são uma rota de navegação fundamental para embarcações que acessam os portos do sul do Iraque e as instalações de exportação de petróleo em alto-mar. A região fica distante do Estreito de Ormuz.

Em um alerta separado, a UKMTO informou que outro petroleiro foi atingido por um projétil não identificado e pegou fogo na terça-feira, em águas próximas a Omã, na entrada oeste do Estreito de Ormuz.

O incêndio foi extinto, e todos os membros da tripulação estão em segurança, segundo a agência.

Os alertas não revelaram os nomes dos petroleiros atingidos nem quem realizou os ataques.

Irã já colocou minas no Estreito de Ormuz em outra guerra; entenda

Ataque a aeroporto na Arábia Saudita deixa dois mortos e oito feridos

22 October 2026 at 10:19

O número de mortos em um ataque ao Aeroporto Internacional King Fahd, em Dammam, na noite de quarta-feira (21), subiu para dois, segundo a Autoridade de Aviação Civil da Arábia Saudita.

Entre as vítimas está um cidadão indiano. A embaixada da Índia em Riade informou, em comunicado, que foi notificada da morte pelas autoridades sauditas e que estava “apurando mais detalhes e entrando em contato com as famílias afetadas”.

Oito pessoas também ficaram feridas no ataque, segundo a autoridade de aviação. Os ferimentos variam de “leves a graves”.

O aeroporto, localizado no leste do país, também sofreu danos, cuja extensão ainda está sendo avaliada.

O ataque ocorreu após o Departamento de Estado dos Estados Unidos emitir um alerta de segurança na quarta-feira, recomendando que cidadãos americanos ficassem atentos a possíveis ataques contra aeroportos e a interrupções nas viagens pelo país.

Uma série de ataques fatais dos houthis nas últimas semanas teve como alvos o Aeroporto Internacional King Khalid, em Riade, instalações militares sauditas, infraestrutura petrolífera e o tráfego marítimo.

Entenda impactos do bloqueio dos Houthis à Arábia Saudita no Mar Vermelho

 

Rússia aceita retomar negociações de paz com Ucrânia em novembro

22 October 2026 at 10:08
O presidente russo, Vladimir Putin, afirmou que o Kremlin está disposto a retomar as negociações de paz trilaterais entre Rússia, Estados Unidos e Ucrânia após meados de novembro, a pedido do enviado especial americano Steve Witkoff, que se reuniu com Putin por cerca de três horas na quarta-feira (21).

O encontro, realizado em São Petersburgo, ocorreu após a reunião “produtiva” de Witkoff na terça-feira (20) com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, na Noruega. Os Estados Unidos buscam avançar propostas para encerrar a guerra.

Putin afirmou que estaria disposto a retomar as negociações trilaterais após 10 de novembro, segundo um relato divulgado após a reunião por seu assessor, Yury Ushakov. O assessor disse que o Kremlin gostaria de discutir a criação de uma “estrutura de segurança” para a Rússia e a Ucrânia após o fim do conflito, sem dar mais detalhes sobre as exigências russas para esse mecanismo.

A próxima rodada de negociações trilaterais poderá ocorrer em Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes Unidos, afirmou Ushakov em resposta a uma pergunta do canal estatal russo Russia 24.

Zelensky disse na quarta-feira que gostaria que o encontro ocorresse “no máximo até o início de novembro”.

“A Rússia disse muitas vezes que estava pronta para uma reunião, mas depois as coisas mudaram e ela foi cancelada”, acrescentou Zelensky. “Vamos ver o que acontece desta vez.”

Um comunicado de uma autoridade americana confirmou que a reunião ocorreu e afirmou que o objetivo era avançar os esforços do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para encerrar a guerra da Rússia contra a Ucrânia.

Witkoff descreveu os encontros com Putin e Zelensky como “construtivos” em uma publicação na rede social X após a reunião de quarta-feira e afirmou que as discussões continuariam nas negociações trilaterais.

“Embora ainda haja trabalho importante a ser feito, o presidente Trump continua comprometido em ver esta guerra terminar e alcançar uma paz abrangente e duradoura”, escreveu.

Os enviados americanos Witkoff e Jared Kushner, genro de Trump, propuseram uma reunião trilateral que foi “aceita pelos ucranianos em Oslo ontem e pelos russos em São Petersburgo hoje”, segundo o comunicado.

Apesar das declarações positivas sobre possíveis negociações futuras, até o momento não há sinais de que a Rússia tenha recuado de suas posições maximalistas.

As exigências anteriores da Rússia equivalem a uma vitória quase total: Moscou pede que a Ucrânia ceda toda a região de Donbas, no leste do país, atualmente sob ocupação russa em sua maior parte. O governo russo também exigiu que a Ucrânia reduza drasticamente o tamanho de suas Forças Armadas e se comprometa a nunca ingressar na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

Durante as conversas mais recentes, Putin demonstrou interesse na retomada da cooperação econômica com os Estados Unidos e na possibilidade de um encontro com a China para discutir a Ucrânia. Isso ocorre após medidas recentes do governo Trump para suspender sanções contra a Rússia e fechar um acordo sobre exportações de diesel.

Em declarações à imprensa após a reunião, o enviado presidencial russo Kirill Dmitriev afirmou que não havia “dúvida” de que a cooperação econômica entre Estados Unidos e Rússia continuaria. Ele acrescentou que um acordo sobre diesel anunciado recentemente entre os dois países seria mantido, apesar das críticas europeias.

Um dos principais resultados do encontro foi o anúncio de Witkoff de que a Rússia libertou o cidadão americano Stephen Hubbard, de 74 anos, que estava detido no país havia mais de quatro anos.

Em declarações amplamente criticadas, Witkoff elogiou Putin como um “humanitário” por conceder o perdão a Hubbard. Um vídeo obtido pela CNN após a reunião mostrou o cidadão americano libertado conversando com Witkoff no aeroporto de São Petersburgo.

Em imagens do início da reunião de três horas, Witkoff afirmou: “Acho que há algum grau de impulso, e espero que o encontro de hoje possa representar mais um passo à frente no processo de paz”.

Putin, Witkoff e tradutores se sentaram ao redor de uma grande mesa redonda e discutiram uma ampla variedade de questões, incluindo a disposição da Rússia para ajudar a resolver a guerra no Irã, possíveis exportações russas de fertilizantes para os Estados Unidos e a libertação de Hubbard. A reunião prosseguiu a portas fechadas, e Kushner, que também participa das negociações de paz, acompanhou o encontro remotamente porque está gripado.

Os Estados Unidos e a Ucrânia fizeram “progressos significativos” nas conversas realizadas na Noruega na terça-feira, afirmou anteriormente uma autoridade americana à CNN. A Ucrânia “apresentou novas ideias e propostas, que foram discutidas em detalhes”, e os dois lados agora estão em “forte alinhamento” sobre os próximos passos, disse a autoridade.

“As discussões abrangeram elementos fundamentais de uma estrutura abrangente de paz, incluindo garantias de segurança de longo prazo para a Ucrânia, um plano econômico e de prosperidade para o pós-guerra e uma arquitetura de segurança europeia mais ampla, concebida para criar estabilidade duradoura”, afirmou a autoridade americana.

No entanto, o assessor do Kremlin Yury Ushakov minimizou essas discussões na quarta-feira. Segundo ele, embora Witkoff tenha apresentado a Putin “certas novas abordagens e mudanças nas posições adotadas pelos europeus e por Kiev”, na realidade, elas continham pouco de valor concreto para resolver a crise ucraniana.

A Ucrânia e seus aliados reiteraram as principais linhas vermelhas estabelecidas por Kiev para qualquer negociação de paz, incluindo a necessidade de garantias de segurança futuras — para assegurar que a Rússia não volte a invadir o país — e a rejeição a quaisquer exigências de cessão de territórios que a Ucrânia controla.

Zelensky reiterou uma posição defendida há tempos: a Ucrânia aceitaria um acordo de cessar-fogo que congelasse as posições ao longo da atual linha de frente — o que significaria manter apenas cerca de 75% do território ucraniano — e, em seguida, pediria garantias de segurança efetivas aos aliados.

Zelensky também afirmou que a Ucrânia quer negociações trilaterais envolvendo Trump, Putin e ele próprio, mas disse que o processo seria “melhor com os europeus”.

O Kremlin já havia rejeitado a ideia de negociações trilaterais, com exceção de um convite anterior para que Zelensky fosse a Moscou — uma possibilidade considerada inviável pelos demais lados.

Enquanto isso, na Rússia, o ministro das Relações Exteriores, Sergey Lavrov, adotou um tom menos otimista na terça-feira. Ele afirmou que Moscou avaliará o que Witkoff apresentar, mas não fará “concessões políticas”. Lavrov disse que Moscou “não espera um milagre” e que Washington continuará sendo, na melhor das hipóteses, um rival da Rússia, segundo a agência estatal russa TASS.

Uma autoridade europeia em Oslo disse à CNN: “Acho que os planos — ou a falta deles — não são um problema tão grande quanto fazer a Rússia levar qualquer plano a sério”.

Análise: Tensões entre Trump e Zelensky ameaçam apoio dos EUA à Ucrânia

Malásia proíbe servidores públicos de usar Waze por vínculos com Israel

21 October 2026 at 14:47

A Malásia proibiu servidores públicos de usar o aplicativo de navegação Waze, da Alphabet, alegando preocupações de segurança relacionadas à sua origem em Israel.

O país, de maioria muçulmana, é um forte defensor da causa palestina e não mantém relações diplomáticas com Israel.

O primeiro-ministro da Malásia, Anwar Ibrahim, ordenou a proibição “para proteger as informações do governo e os dados pessoais dos usuários contra a ameaça de uso indevido pelo regime israelense”, informou seu gabinete em comunicado nesta quarta-feira.

A empresa controladora do Waze, o Google, e a embaixada de Israel em Singapura não responderam imediatamente a um pedido de comentário da Reuters.

Um dia antes, Anwar afirmou em uma publicação no Facebook que o governo estava investigando possíveis riscos de segurança decorrentes do uso do Waze, que, segundo ele, “estava sujeito às leis israelenses”.

Ele recomendou o uso do TuJu, aplicativo nacional de mapas desenvolvido pela Autoridade Rodoviária da Malásia, como alternativa.

O secretário-chefe do governo malaio, Shamsul Azri Abu Bakar, afirmou que todos os servidores públicos estão proibidos de usar o Waze, segundo uma carta datada de terça-feira e enviada aos chefes de órgãos governamentais.

O documento, analisado pela Reuters, informou que a determinação, de implementação imediata, foi tomada após uma decisão em reunião presidida por Anwar.

Um funcionário do gabinete do primeiro-ministro confirmou a autenticidade da carta.

Fundado em Israel, o Waze utiliza sinais de satélite e dados enviados por motoristas para fornecer informações de trânsito em tempo real. O aplicativo foi adquirido pelo Google, controlado pela Alphabet, em 2013.

O que é o Knesset, o Parlamento de Israel?

 

Análise: Israel pode mudar governo, mas não estratégia contra Irã

21 October 2026 at 13:58

A eleição em Israel na próxima semana pode mudar o primeiro-ministro, mas não a estratégia do país: o Irã continuará sendo seu principal adversário, a força militar seguirá como instrumento preferencial e a criação de um Estado palestino permanecerá distante, afirmam autoridades regionais e analistas.

Isso ocorre porque as premissas estratégicas que sustentam a política israelense foram consolidadas após os ataques de 7 de outubro de 2023 contra comunidades no sul de Israel, realizados pelo grupo militante palestino Hamas, e pelas guerras em Gaza, no Líbano e no Irã.

A política de segurança de Israel pode se tornar ainda mais rígida, segundo os analistas. Uma vitória do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, com o apoio de aliados de extrema direita, poderia incentivá-lo a intensificar a guerra contra o Irã, ampliar o controle israelense sobre a Cisjordânia ocupada e deixar a diplomacia ainda mais em segundo plano.

A doutrina de segurança israelense agora se apoia em três pilares: enfraquecer o Irã, manter zonas de amortecimento além das fronteiras do país e usar a força para dissuadir inimigos.

A verdadeira divergência entre os candidatos está no grau, e não na direção, afirmam os analistas: quão agressivamente Israel conduzirá suas guerras, até onde ampliará os assentamentos judaicos na Cisjordânia e se algum líder optará pela diplomacia.

De Teerã a Riad, a eleição de terça-feira não é vista como um possível ponto de virada, mas como um teste para saber se o Oriente Médio está entrando em um período de confronto prolongado, no qual as guerras diminuem e se intensificam sem que os conflitos subjacentes sejam resolvidos.

“Se Netanyahu for eleito, fará o que achar que quer fazer”, afirmou Aviv Bushinsky, ex-assessor do primeiro-ministro. “A expansão dos assentamentos continuará. As guerras contra o Irã, o Hamas e o Hezbollah continuarão.”

“O que vemos agora é o que veremos depois da eleição, talvez de forma ainda mais agressiva”, disse. “Enquanto o Irã estiver nessa situação, é perda de tempo falar sobre a Palestina.”

No domingo, Netanyahu afirmou que Israel precisa priorizar a “prevenção e a ofensiva em vez da contenção e da defesa”, incluindo ataques preventivos para impedir ameaças emergentes, além de estabelecer o país como potência regional e maximizar sua independência na produção de armamentos.

Por que a política dificilmente mudará

A eleição coloca o Likud, partido de direita de Netanyahu, e seus aliados ultranacionalistas contra uma oposição liderada pelo ex-chefe militar Gadi Eisenkot, do partido Yashar.

O analista palestino Ghassan al-Khatib não vê perspectiva de uma mudança fundamental na política em relação aos palestinos. Segundo ele, os partidos israelenses disputam espaço com posições cada vez mais rígidas, enquanto a opinião pública se desloca ainda mais para a direita.

Knesset, Likud: Entenda os principais termos da eleição de Israel

“O conteúdo da política permanece o mesmo: não a um Estado palestino e sim à expansão dos assentamentos. Nesse ponto, todos concordam”, afirmou.

Um governo liderado pelos adversários de Netanyahu poderia tentar recuperar a posição internacional de Israel, restringindo parte da violência dos colonos ou promovendo a expansão dos assentamentos com menos alarde. Mas essas mudanças representariam uma alteração de estilo, e não de conteúdo, segundo al-Khatib.

Michael Young, do Carnegie Middle East Center, afirmou que o aparato de segurança israelense e boa parte da classe política compartilham uma visão estratégica centrada no enfrentamento ao Irã, na manutenção de uma “defesa avançada” e na preservação da dissuasão militar, o que reduz o espaço para grandes mudanças políticas.

Joost Hiltermann, do International Crisis Group, que realizou pesquisas na Cisjordânia, afirmou que o aumento da violência dos colonos, a crescente frustração palestina e a ausência de uma “perspectiva política” criaram condições explosivas, nas quais até mesmo um pequeno incidente poderia desencadear uma revolta mais ampla.

“Polvo venenoso”

Algumas autoridades regionais questionam se o confronto de Israel com o Irã se tornou o princípio organizador da segurança no Oriente Médio, independentemente de quem vencer a eleição.

Os elogios do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a Netanyahu, a quem chamou de “um grande primeiro-ministro guerreiro”, reforçaram a expectativa de que o líder israelense tentará concluir a campanha contra Teerã caso permaneça no poder.

Netanyahu deixou claro que suas ambições vão além de conter o Irã: ele pretende derrubar os governantes religiosos do país.

“Concluir a tarefa significa derrubar o regime terrorista no Irã, a cabeça do polvo venenoso”, afirmou em um discurso nesta semana.

Analistas militares e políticos, porém, questionam se algo menos que uma invasão terrestre conjunta dos Estados Unidos e de Israel seria capaz de levar Teerã a abandonar o que considera seus interesses fundamentais de segurança em uma luta que vê como existencial.

Após sobreviver a meses de guerra, o Irã pode apostar que conseguirá resistir por mais tempo que seus adversários, mantendo a pressão por meio de aliados regionais.

“Isso é um atoleiro”, afirmou Young. “Os iranianos conseguem resistir mais tempo que Trump.”

O Hezbollah, no Líbano, e o Hamas, em Gaza, foram enfraquecidos, mas a rede mais ampla de grupos alinhados ao Irã sobreviveu. Segundo os analistas, o conflito também pode reforçar a determinação de Teerã de buscar uma capacidade de dissuasão nuclear.

Apesar da preocupação que Netanyahu provoca no mundo árabe, alguns líderes do Golfo ainda o consideram o político israelense com maior probabilidade de manter o Irã sob pressão.

Isso cria um dilema para esses países. Eles se opõem ao que consideram políticas expansionistas de Netanyahu, mas querem limitar a influência iraniana.

“As políticas de Netanyahu em Gaza, na Cisjordânia, na Síria e no Líbano são prejudiciais”, afirmou Abdulaziz Sager, presidente do Gulf Research Center. “Quanto ao Irã, é necessário um acordo antes que o conflito se intensifique ainda mais. Se o papel do Irã não for contido, a região poderá estar caminhando para 50 anos de hegemonia iraniana.”

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Sanae Takaichi: apoio à primeira-ministra do Japão cai abaixo de 50%

21 October 2026 at 13:28

A taxa de aprovação do governo da primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, caiu para menos de 50%, atingindo o nível mais baixo desde que ela assumiu o cargo, em outubro do ano passado, informou a agência de notícias Kyodo neste domingo.

Em uma pesquisa realizada entre 17 e 18 de outubro, a aprovação do governo de Takaichi foi de 49,1%, segundo a agência.

A queda pode ter sido influenciada pela demora de Takaichi em reagir à renúncia de Kazuo Yana, ministro da Agricultura do país, informou a Kyodo.

Yana deixou o cargo na quarta-feira (14), após ser criticado por declarações sobre o corte de verbas para estradas de municípios que não o apoiaram.

Cerca de 57,7% dos entrevistados disseram que a decisão de Takaichi de substituí-lo veio “tarde demais”, segundo a Kyodo, enquanto 81,5% consideraram natural que Yana renunciasse.

Takaichi nomeou Yana durante uma reforma ministerial no mês passado, mas o repreendeu publicamente no Parlamento pelas declarações sobre o financiamento de estradas, divulgadas inicialmente pela imprensa local no começo deste mês.

Trump elogia guinada conservadora na América do Sul, mas não cita Brasil

21 October 2026 at 12:45

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elogiou que os países da América do Sul estejam se voltando à direita após um período “pendendo fortemente à esquerda”.

“A América do Sul está se tornando um lugar completamente diferente e prosperando”, disse o republicano em um encontro com jornalistas no Salão Oval da Casa Branca nesta terça-feira (20).

Ele foi perguntado se apoiaria a candidata de direita à presidência da França Marine Le Pen, mas tangenciou para o continente ao mencionar a vitória de aliados na América Latina.

“Se vocês observarem o que está acontecendo na América do Sul, não vão acreditar. Em um curto período, os países estão se tornando extremamente conservadores, de uma maneira muito positiva, em muitos aspectos.”

Segundo Trump, todos os candidatos apoiados por ele foram eleitos. Ele citou o novo presidente da Colômbia, Abelardo de La Espriella. “Vocês sabem que o chamam de El Tigre por um motivo, certo? Porque ele é durão. Sempre foi um grande apoiador meu. Eu não o conhecia, mas gostei dele.”

Além do colombiano, políticos alinhados ideologicamente ao governo Trump venceram as eleições em locais como Chile e Peru.

O presidente americano não citou outros países, como o Brasil. O governo americano tem tido cautela em comentários públicos sobre as eleições brasileiras, e seus membros têm evitado declarar apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL), segundo a imprensa internacional.

Trump afirmou na quinta-feira (1º), antes do primeiro turno, que a eleição no Brasil é “muito importante” e que acompanha seu andamento de perto. “O Brasil é um país muito importante, um grande país, as pessoas no Brasil são fantásticas, é uma eleição muito importante.”

Afirmação parecida foi feita pelo secretário de Estado Marco Rubio após os resultados do primeiro turno.

O Departamento de Estado, chefiado por ele, chegou a dizer que apoia “o direito do povo brasileiro a um processo eleitoral livre e justo” em resposta a acusações de interferência no pleito.

A declaração foi feita em resposta a uma carta de congressistas, de 24 de setembro, direcionada a Rubio, na qual os políticos questionavam, por exemplo, se o país reconhecerá o resultado da votação presidencial brasileira.

“Continuaremos interagindo com o povo brasileiro, o setor privado e o governo eleito para promover a segurança, o comércio recíproco, os investimentos e a prosperidade em ambos os países”, pontuou o Departamento de Estado no documento assinado por Katherine Bowles, secretária-assistente do Departamento de Assuntos Legislativos.

*Com informações de Mariana Janjácomo e Tiago Tortella, da CNN Brasil

“Escudo das Américas”: Entenda aliança contra o crime organizado

 

EUA dizem que acesso da Ucrânia à Starlink depende de Elon Musk

21 October 2026 at 12:08

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou nesta quarta-feira (21) que as decisões relativas ao acesso da Ucrânia ao Starlink cabem à SpaceX e a Elon Musk, e não à Casa Branca — comentários que sugeriram que Musk poderia ter restringido o acesso de Kiev ao serviço.

O Wall Street Journal noticiou na terça-feira (20) que Musk havia ordenado a redução da velocidade de uma versão de nível militar do Starlink, da qual a Ucrânia depende para se defender contra ataques com mísseis da Rússia.

Segundo o jornal, uma fonte disse que Musk, o presidente Donald Trump e autoridades da Casa Branca discutiram o assunto previamente, e duas fontes afirmaram que Musk e o presidente discutiram o assunto nos dias seguintes à redução da velocidade.

“Não tenho conhecimento de que soubéssemos dessa decisão com antecedência. Mas isso é irrelevante”, disse Rubio a repórteres durante uma viagem à Índia.

“O ponto principal é que isso é regido por um contrato comercial privado quanto à forma como seus equipamentos podem ser utilizados e a quais velocidades eles permitem que sejam utilizados.”

Musk e a SpaceX não responderam aos pedidos de comentário da Reuters.

De acordo com a Reuters, duas autoridades norte-americanas e uma autoridade ocidental a par do assunto disseram que a decisão, em última instância, partiu da Casa Branca. Essa versão também foi afirmada pelo presidente ucraniano Volodymyr Zelenskiy, mas negada pelo governo.

Os comentários de Rubio provavelmente intensificarão as preocupações em Washington quanto à capacidade singular de Musk de influenciar a política externa dos EUA. Eles também representam uma aparente mudança de posição por parte do governo.

Trump afirmou publicamente que acreditava que nem ele nem Musk estavam por trás da desaceleração. Ao partir para uma viagem ao Uzbequistão e à Índia no sábado, Rubio havia dito que ninguém ordenou a desaceleração, uma afirmação que gerou críticas de parlamentares de ambos os partidos.

“Não tenho certeza se Zelenskiy sabe do que está falando, mas não foi deliberado”, disse Rubio na ocasião.

“Não temos nada a ver com isso. Eu não — os Estados Unidos, ninguém ordenou que a velocidade do Starlink fosse reduzida. Aconteceu de certa forma, mas, pelo que entendi, já foi restaurada”, declarou Rubio.

Análise: Tensões entre Trump e Zelensky ameaçam apoio dos EUA à Ucrânia

 

Coreia do Norte ordena retaliação se tropas do Sul ameaçarem soldados

21 October 2026 at 11:49
A Coreia do Norte ordenou que suas tropas na fronteira tomem medidas caso as forças sul-coreanas ameacem sua segurança, informou a imprensa estatal nesta quarta-feira (21), aumentando o risco de um confronto ao longo da fronteira fortemente militarizada.

O país também ativará alto-falantes de propaganda contra a Coreia do Sul ao longo de toda a fronteira até o fim de outubro, afirmou Kim Yo Jong, irmã do líder norte-coreano Kim Jong Un, em comunicado divulgado pela agência estatal KCNA.

A notícia foi divulgada um dia depois de Seul prometer punir “de forma resoluta” qualquer nova provocação de Pyongyang caso a Coreia do Norte coloque em prática as ameaças de reforçar sua presença militar na fronteira.

O marechal do Exército norte-coreano Pak Jong Chon inspecionou fortificações na fronteira com a Coreia do Sul na terça-feira (20), acompanhado por Kim Yo Jong.

Ela afirmou que novas unidades de poder de fogo haviam “assumido suas posições de tiro” na fronteira, segundo a agência.

As tensões entre as duas Coreias aumentaram desde que Pyongyang começou a fortificar a fronteira, em abril de 2024.

Os dois países são separados pela Zona Desmilitarizada, estabelecida após o fim da Guerra da Coreia, em um armistício assinado em 1953.

Coreia do Norte revisa regras do partido e amplia poder de Kim Jong-un

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