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Obra de Monet leiloada por valor recorde em França

23 October 2026 at 19:59

Seis licitantes disputaram a pintura de Claude Monet durante 45 minutos. O leilão da coleção Schlumberger rendeu 74,4 milhões de euros e todos os lotes foram vendidos.

A Sothey’s anunciou que o quadro Iris, de Claude Monet, foi vendido por 50 milhões de euros, o valor mais alto alguma vez alcançado por uma obra de arte em leilão em França. A estimativa de venda era de 22 a 30 milhões de euros.

Após a intensa licitação, a pintura foi comprada por um colecionador privado na Ásia, que participou por telefone através de Jen Hua, vice-presidente da Sotheby’s para a Ásia.

O leilão da coleção Schlumberger, realizado em Paris esta quinta-feira totalizou 74,4 milhões de euros. Ao todo, 27 lotes foram a leilão e todos foram vendidos, exceto três. Em 74% dos casos ultrapassaram as respetivas estimativas máximas, de acordo com a Sotheby’s.

Outra obra de Monet, denominada Saule Pleureur, também conhecida como L’ Arbre de Feu, alcançou 9,7 milhões de euros. Entre os restantes resultados, La Seine à Vernon, Arbres, do mesmo artista, foi vendido por 4,3 milhões de euros.

As obras que ficaram sem proprietário são da autoria de Paul Cézanne estão classificadas como tesouros nacionais. Foram retiradas do leilão na expectativa de regressarem a Aix-en-Provence e serem adquiridas pela cidade para o Musée Granet. A venda incluiu ainda obras de Camille Claudel, Pierre Bonnard e Gustave Moreau.

Segundo a Sotheby’s, a coleção de arte agora leiloada foi reunida ao longo de mais de quatro décadas por Jeanne Schlumberger, mulher de Marcel Schlumberger, ligado à dinastia industrial com o mesmo nome. A coleção esteve na residência da família, em Paris, e foi construída em colaboração com a galerista Katia Granoff, numa época em que as últimas obras de Monet ainda eram pouco valorizadas em França.

Shortlist: Henrique Sá Pessoa e o moscatel que cruza o mar

23 October 2026 at 00:28

A Shortlist desta semana começa na sala privada do novo restaurante de Henrique Sá Pessoa, assinala o regresso do cozido à portuguesa ao JNcQUOI Avenida. Passa ainda por um brunch com champanhe, um moscatel que viajou a bordo do Navio Escola Sagres, um blend criado para os 80 anos do Tágide, uma marca portuguesa e termina na antiga residência parisiense de Karl Lagerfeld.

1. Henrique Sá Pessoa abre a sua sala privada

Henrique Sá Pessoa

Henrique Sá Pessoa propõe uma experiência gastronómica privada para grupos de oito a 12 pessoas, num espaço dedicado à cozinha do chef, distinguida com duas estrelas Michelin, no Páteo Bagatela. A sala privilegia a privacidade e a proximidade à mesa, em torno de três menus, com preços de 125, 150 e 180 euros por pessoa – de propostas mais simples ao menu mais abrangente que inclui dois pratos principais. Segundo o restaurante, também é possível desenvolver menus personalizados para ocasiões especiais.

2. O cozido à portuguesa regressa aos domingos do JNcQUOI Avenida

O JNcQUOI Avenida volta a incluir o cozido à portuguesa na sua oferta de domingo, com assinatura do chef António Bóia. A proposta estará disponível a partir de 31 de outubro e até ao último domingo de março e parte de uma seleção de enchidos e carnes preparados nas cozinhas da casa. O almoço começa com um caldo de cozido servido como consomé, seguindo-se o prato com arroz de cozido. A receita procura percorrer diferentes tradições regionais, juntando produtos do campo e da horta (45 euros).

3. Bubbly brunch regressa ao Hyatt Regency Lisboa

O Bubbly Brunch regressa este domingo ao Viseversa Restaurant & Bar, em Belém, numa parceria entre o Hyatt Regency Lisboa e a maison Veuve Clicquot. A experiência dominical combina buffet, champanhe e vista sobre o Tejo. Entre as novidades do buffet estão o bao de camarão e o salmão Wellington, preparado numa estação ao vivo. Mantêm-se, entre outras propostas, as ostras, o ceviche, os ovos feitos a pedido e uma seleção de queijos e charcutaria (59 euros). O brunch acontece aos domingos, entre as 12h30 e as 15h30

4. Portuguesa Fairly Normal lança casaco encerado

A portuguesa Fairly Normal, uma marca independente de surf, lança para este inverno o waxed jacket, um casaco de corte bomber e silhueta ampla, confecionada em Portugal, num tecido de algodão 100% orgânico com acabamento encerado em tom verde azeitona (400 euros). O modelo tem forro acolchoado e gola de lã proveniente de excedentes de produção. Inclui fecho YKK e botões de corozo, um material de origem vegetal. A Fairly Normal cruza referências de menswear tradicional com estilo urbano. A marca recomenda que o casaco não seja lavado.

5. A nova edição do Moscatel Torna Viagem da José Maria da Fonseca

Barrica de Moscatel Torna Viagem

A 9ª edição do Moscatel de Setúbal Torna Viagem embarcou a 30 de abril no Navio-Escola Sagres e regressou a Lisboa a 23 de agosto, depois de uma viagem pelo Atlântico Norte. A bordo seguiram uma barrica de 600 litros e meia barrica de 225 litros de Moscatel de Setúbal de 2023. Durante a travessia, os 825 litros ficaram expostos às variações de temperatura e humidade e às condições do ambiente marítimo. Espera-se que o processo natural de envelhecimento nestas condições confira ao vinho características próprias, que distinguem estas edições das que envelhecem em terra.

A tradição do Torna Viagem remonta ao século XIX, quando cascos de Moscatel transportados em rotas comerciais regressavam a Portugal depois de atravessarem diferentes climas. A empresa retomou a prática em 2000, em parceria com a Marinha Portuguesa e o Navio-Escola Sagres. Parte do vinho desta edição dará origem a uma edição comemorativa limitada, prevista para 2034.

“Cada edição do ‘Torna Viagem’ é rara, única e traz consigo uma nova história para contar. Não é por acaso que estes vinhos acabam por ser bastante solicitados por colecionadores e apreciadores deste tipo de vinho”, diz António Maria Soares Franco, co-CEO da José Maria da Fonseca.

6. Patrick Crulis ‘ocupa’ a antiga residência parisiense de Karl Lagerfeld

Patrick Crulis na antiga residência de Karl Lagerfeld

A Highstay e a Galerie JAG abriram Saint-Germain I, antigo escritório parisiense de Karl Lagerfeld, para uma exposição temporária dedicada ao artista francês Patrick Crulis. Situada em Saint-Germain-des-Prés, a residência integra a coleção Curated by HIGHSTAY e está disponível para estadias curtas ou prolongadas. Representado pela Galerie JAG, Crulis trabalha o grés esmaltado em peças moldadas à mão, com formas orgânicas e superfícies irregulares. As obras foram instaladas num espaço marcado por estantes de aço, tons de marfim e linhas precisas, criando um contraste entre as texturas da argila e a arquitetura interior. A exposição transformou temporariamente a residência num espaço de encontro entre arte contemporânea e hospitalidade.

As escolhas da Shortlist são editorialmente selecionadas pelo ECO Avenida.

Apesar de Demna, Gucci segue em rota descendente (e cai 6% nas receitas)

22 October 2026 at 20:46

A Kering registou receitas de 3.345 milhões de euros no terceiro trimestre, menos 1% em termos comparáveis, segundo a apresentação de resultados divulgada esta quinta-feira. A mais importante queda aconteceu na Gucci, cujas vendas caíram 6%, para 1.291 milhões de euros, prolongando uma sequência de mais de três anos de quebra, de acordo com a Reuters.

A marca italiana continua a ser o porta-aviões do grupo Kering, representando cerca de metade do lucro do grupo, e “a recuperação da Gucci continua a ser a nossa prioridade central”, refere Luca de Meo, presidente executivo da empresa, em comunicado.

“As receitas do terceiro trimestre refletem a distribuição temporal que antecipávamos, num contexto macroeconómico mais fraco”, admitiu ainda. “Estamos a reforçar gradualmente a sua atratividade e a acelerar o desenvolvimento de produto”. 2026 é o primeiro ano completo de trabalho do novo diretor criativo da marca, Demna Gvasalia, em torno de quem estão criadas enormes expectativas após o trabalho na Balenciaga.

Segundo a Kering, “a marca prosseguiu a transformação da oferta, aperfeiçoando a arquitetura de produtos e preços, melhorando a qualidade e reduzindo o tempo de chegada dos produtos ao mercado”.

“Para concretizar todo o potencial do grupo, é necessário recuperar a dinâmica da Gucci, acelerar a excelência do produto, executar o nosso plano de ação na China, tirar pleno partido da plataforma do grupo e consolidar uma cultura de execução em toda a organização”, admite o CEO.

No terceiro trimestre, as vendas na rede de lojas próprias, incluindo o comércio eletrónico, diminuíram 4% em termos comparáveis, com uma evolução desigual entre regiões e casas. Por outro lado, as receitas de vendas por grosso e outras aumentaram 3%. A área de moda e artigos de pele, que inclui a Gucci, recuou 3% no trimestre, para 2.743 milhões de euros. Em sentido contrário, a joalharia cresceu 11%, para 239 milhões, e a ótica avançou 4%, para 373 milhões, em termos comparáveis.

No conjunto dos primeiros nove meses, as receitas da Kering atingiram 10.565 milhões de euros, com uma queda de 2% em termos reportados.

Os resultados do 3.º trimestre de 2026 e dos nove primeiros meses do ano

“A transformação da Kering é um processo que se prolonga por várias temporadas. Ainda assim, as melhorias que observamos no grupo, em particular na atratividade das marcas e nos principais indicadores operacionais, reforçam a nossa confiança na direção definida e a determinação das equipas em concretizá-la”, diz ainda.

A apresentação do grupo aponta para uma melhoria da margem operacional recorrente em 2026 face a 2025. Luca de Meo pretende duplicar a margem de 11,1% registada no ano passado até ao final da década e a empresa prevê um novo mapa de fornecedores e pelo menos 125 encerramentos de lojas até ao fim deste ano, tendo já encerrado 105 (e inaugurado 23).

A análise por áreas, mostra que no terceiro trimestre, as receitas da Kering Fashion & Leather Goods totalizaram 2.743 milhões de euros, menos 1% em termos reportados. Excluindo a Gucci, as vendas a retalho aumentaram 2%, impulsionadas pelo crescimento contínuo das outras marcas do portefólio do grupo, como fez questão de notar Luca de Meo.

“A complementaridade do nosso portefólio está refletida na dinâmica sólida da Saint Laurent, da Bottega Veneta e da Brioni, bem como da KeringEyewear e da KeringJewelry. Estamos também a intensificar a renovação da Balenciaga e da Alexander McQueen”, referiu.

A Saint Laurent foi impulsionada por uma dinâmica sustentada na América do Norte e na Europa Ocidental, diz a Kering, lembrando a saída de Anthony Vaccarello ao longo da última década, enquanto a Bottega Veneta, que abriu este ano a sua primeira loja em Portugal, voltou a superar o desempenho dos principais mercados. O grupo frisa que a maison avançou com a estratégia de diversificação, sobretudo na área de pronto-a-vestir. Romain Spietzer foi nomeado presidente execuitvo da marca.

Por seu lado, a Balenciaga mantém-se sob pressão, ao passo que a Alexander McQueen prossegue a estratégia de reposicionamento. Tanto neste caso como no da Bottega Veneta, deverão, em breve, ser anunciados novos diretores criativos.

No terceiro trimestre, a Kering Jewelry voltou a apresentar um desempenho sólido. “As receitas totalizaram 239 milhões de euros, mais 12% em termos reportados”. Várias marcas viram as suas lideranças mudar ao longo do ano. Charlotte Fournet foi nomeada presidente executiva da Pomellato e Krizia Cucurachi como presidente executiva da DoDo. O grupo também fez mudanças em Itália. Sabina Belli nomeada presidente da Kering Italia.

A diretora financeira da Kering, Armelle Poulou, não confirmou esta quinta-feira, durante a apresentação destes números, se a Kering mantém o objetivo de regressar ao crescimento em 2026, segundo a Reuters. A resposta foi remetida para o dia em que forem conhecidos os resultados anuais.

Art Basel Paris antecipa encerramento de feira devido a protestos em França

22 October 2026 at 19:26

A Art Basel Paris vai encerrar a edição de 2026 às 19h00 desta sexta-feira e permanecer fechada nos dias 24 e 25, ao contrário do que estava previsto.

Numa mensagem enviada aos expositores e participantes esta quinta-feira, a que o ECO Avenida teve acesso, a organização da Art Basel Paris explica que a decisão foi tomada “devido à possibilidade de manifestações em Paris durante este fim de semana e com o objetivo de proteger os nossos visitantes, expositores, parceiros, trabalhadores e obras de arte”.

“Reconhecemos o impacto significativo desta decisão nas galerias e estamos empenhados em apoiá-las durante o encerramento antecipado e a remoção segura das obras de arte do Grand Palais”, acrescenta a missiva, acrescentando: “Recomendamos vivamente que as galerias mantenham as suas apresentações intactas até ao encerramento da feira”. A Art Basel Paris pede também que “a desmontagem geral não comece antes de serem emitidas as instruções de acesso e remoção”.

A feira de arte decorre no Grand Palais, no centro de Paris, e começou na terça-feira com a Avant Première, uma sessão para convidados VIP, momento em que aconteceram algumas grandes, entre elas, segundo o The Art Newspaper a obra Rise of the New Suprematists, de Julie Mehretu, de 2001.

Pelo menos 2.500 pessoas foram detidas em França no último fim de semana. O Presidente Emmanuel Macron afirmou esta quinta-feira que, no sábado, só serão permitidos protestos sindicais autorizados.

França vai reforçar em 20% o dispositivo das forças de segurança em várias cidades para a jornada de manifestações de sábado, face aos distúrbios e atos de vandalismo do passado sábado, anunciaram esta quinta-feira as autoridades oficiais.

Miu Miu em queda penaliza crescimento de Prada no terceiro trimestre

22 October 2026 at 15:21

Os resultados muito positivos da marca Miu Miu em 2025 fizeram crescer o interesse no seu desempenho este ano. O terceiro trimestre do ano, porém, não deixou boas notícias para o grupo Prada, que apresentou os seus resultados esta quinta-feira. As vendas a retalho recuaram 3% entre julho e setembro, bem longe dos 29% de crescimento de há um ano.

As receitas do grupo Prada atingiram 1,49 mil milhões de euros entre julho e setembro (incluindo a Versace, adquirida no final de 2025), o que representa um crescimento orgânico de 1% nas receitas no terceiro trimestre. À desaceleração da Miu Miu juntam-se as vendas mais fracas na Europa e no Médio Oriente. Andrea Guerra, CEO da companhia, atribui a situação ao “contexto particularmente difícil para o setor”.

Nos primeiros nove meses, o grupo avançou 1%, face a uma base de comparação de 41%. A Prada atribui o desempenho trimestral às bases de comparação exigentes e a uma composição geográfica menos favorável. Com exceção do Médio Oriente, as vendas ficaram globalmente estáveis.

No conjunto dos primeiros nove meses, as receitas líquidas somaram 4,54 mil milhões de euros, mais 12% a taxas de câmbio reportadas. Em termos orgânicos, excluindo a contribuição da Versace e considerando as taxas de câmbio constantes, o crescimento foi de 4%. As vendas a retalho aumentaram 2% em termos orgânicos, abaixo dos 9% registados no mesmo período de 2025, e ficaram estáveis no terceiro trimestre.

Receitas do grupo Prada

Desempenho regional desigual

A Europa registou uma queda orgânica de 3% nas vendas a retalho nos primeiros nove meses e manteve, no terceiro trimestre, uma tendência semelhante à do trimestre anterior. No Médio Oriente, a descida foi de 23% no período. Na Ásia-Pacífico, o crescimento orgânico de 5% até setembro coexistiu com vendas estáveis no terceiro trimestre, quando o menor tráfego na China continental foi compensado por outros mercados da região. As Américas cresceram 13% em termos orgânicos nos nove meses, mas o ritmo abrandou no trimestre.

O presidente e administrador executivo Patrizio Bertelli afirmou que o contexto permanece “complexo e volátil” e exige “foco, agilidade e rigor na execução”.

O grupo Prada destacou também a abertura de uma unidade de produção de artigos de pele em Piancastagnaio, na Toscânia, e disse que a integração da Versace decorre conforme previsto. As mudanças criativas previstas para a marca, agora sob direção de Pieter Mulier, estão previstas para 2027.

Hermès perde vendas na moda, relógios e perfumes

22 October 2026 at 13:08

A Hermès registou receitas de 12,26 mil milhões de euros nos primeiros nove meses de 2026, um aumento de 5,5% a taxas de câmbio constantes. No terceiro trimestre, as vendas cresceram 4,3% a taxas constantes, para 4,1 mil milhões de euros, divulgou esta quinta-feira a empresa francesa.

Os artigos de pele, em que se incluem as populares Birkin e Kellys, foram o segmento que mais cresceu: 10,2% desde o início do ano e 10,8% no terceiro trimestre. Mas moda, relógios e perfumes não acompanham o crescimento.

Ready-to-wear e acessórios tiveram uma quebra de 2,1% nos primeiros nove meses e 1,4% no 3º trimestre. O segmento de relógios caiu 4,4% nos primeiros nove meses e 5% em julho, agosto e setembro. Perfumes e beleza recuperou 7,9% no último trimestre, mas estes ganhos não cobrem as quebras de 1,5% do que levamos de ano.

Os segmentos em recuo tiveram resultados fracos na região de Ásia-Pacífico, que compreende a China e que continua a ser responsável por uma boa fatia dos resultados – 6,3 mil milhões – mas foi também aquela que menos cresceu entre janeiro e setembro: 1,6%.

O continente americano foi a região que mais cresceu nos primeiros nove meses de 2026. Ao todo, 13,1%. O Japão cresceu 10,5% e a Europa, sem França, teve aumentos de 9%.

Segundo os dados divulgados pela Hermès, a margem operacional recorrente manteve-se nos 41% no primeiro semestre (e o comunicado trimestral não apresenta resultados de rentabilidade para o terceiro trimestre).

Apesar de um contexto complexo, a Hermès continua a crescer de forma rentável e mantém o seu rumo. Convictos da força e da relevância do nosso modelo artesanal, vemos a nossa visão firmemente ancorada no longo prazo e encaramos o futuro com confiança

Axel Dumas

Presidente executivo da Hermès

“Apesar de um contexto complexo, a Hermès continua a crescer de forma rentável e mantém o seu rumo. Convictos da força e da relevância do nosso modelo artesanal, vemos a nossa visão firmemente ancorada no longo prazo e encaramos o futuro com confiança”, diz Axel Dumas, presidente executivo da empresa, em comunicado.

O chairman executive da Hermès deixou ainda informações relacionadas com as áreas com pior desempenho neste momento. “Preparamo-nos para um novo ano rico em criação, com a primeira coleção de pronto-a-vestir masculino assinada por Grace Wales Bonner e a apresentação da Couture de Nadège Vanhée, em janeiro próximo”. Éric du Halgouet ,Chief Finance Officer, acrescentou que a marca está a trabalhar no lançamento de novos itens de calçado. “Vamos desenvolver itens como botas, desenvolver novos modelos”.

A Hermès mantém no seu calendário a abertura de três novos ateliers: em Charleville-Mézières até 2027, em Colombelles até 2028 e em Les Andelys, até 2030.

Receitas da Hermès no 1.º semestre de 2026

Perfumes e moda elevam receitas da espanhola Puig no 3.º trimestre

21 October 2026 at 20:09

O grupo espanhol de fragrâncias e moda Puig divulgou resultados recorde este trimestre: as receitas líquidas atingiram 1.390,8 milhões de euros, mais 7,2% face ao terceiro trimestre do ano passado. A divisão de perfumes e moda, em que estão incluídas marcas como Carolina Herrera e Jean-Paul Gaultier, foi a principal responsável pelos números, representando 72% dos ganhos.

A análise dos resultados dos primeiros nove meses mostra que as receitas somaram 3.744,5 milhões de euros, um aumento de 4,1% face ao mesmo período de 2025. É, no entanto, um ritmo mais lento do que os 7% de crescimento que se verificaram no mesmo trimestre de há um ano.

Como acontece com a EssilorLuxottica, a região da Ásia-Pacífico lidera o crescimento do grupo. As receitas na região aumentaram 17,9% nos primeiros nove meses, para 430 milhões de euros, e 12,9% no terceiro trimestre. Dentro da Puig, as vendas nesta zona do globo são 11% das receitas do grupo neste período. Nas restantes áreas, Europa, Médio Oriente e África o crescimento foi de 3% e no continente americano de 3,8%.

A maquilhagem é o segmento da Puig que mais cresceu no terceiro trimestre: 16,1%, em parte suportados pela marca Charlotte Tilbury, com ganhos de quota e algumas melhorias na distribuição. A make up representa 17% das receitas do grupo espanhol.

Fragrâncias e moda mantêm-se como principal negócio da Puig. Esta área de negócio, que inclui também as marcas Rabanne e Dries Van Noten, gerou 2.702 milhões de euros, representa 72% das receitas e teve um crescimento de 3,8% nos nove meses. No trimestre, avançou 3,9%, com destaque para as fragrâncias de nicho e a Carolina Herrera.

A área mais fraca é skincare, que cresceu 1,3% nos nove meses de 2026, para 414,1 milhões de euros. Porém, recuou 0,8% no terceiro trimestre. Os desempenhos são variados, de acordo com o comunicado da Puig. A marca Uriage cresceu a dois dígitos, mas os cuidados de pele premium continuaram fracos.

No último trimestre, a Puig acordou a aquisição de 50% da marca de dermocosmética ISDIN que ainda não detém. Segundo o comunicado, “nos termos do acordo, a Puig pagará 900 milhões de euros em numerário no fecho da operação”. “Um pagamento diferido, fixo e sem juros, de 300 milhões de euros será devido no primeiro trimestre de 2029”, acrescenta.

O ano de 2026 fica marcado por uma tentativa de acordo de fusão entre o grupo de origem catalã e a norte-americana Estée Lauder. Em maio, Marc Puig, chairman da Puig, disse aos acionistas que a empresa não estava à venda e que a família fundadora se manteria como acionista de longo prazo. A apresentação da nova estratégia do grupo está marcada para 28 de outubro.

EssilorLuxottica cresce no terceiro trimestre, apesar de saída de herdeiro

21 October 2026 at 18:44

A EssilorLuxottica teve receitas de 7.486 milhões de euros no terceiro trimestre deste ano, crescendo 9% a taxas de câmbio correntes face ao período homólogo de 2025. O segmento mais dinâmico foi a venda direta ao consumidor, que subiu 10,6% a taxas constantes para 4.093 milhões de euros. Para já, a saída de Leonardo Maria delVecchio, filho do fundador, não afetou os resultados.

Considerando a totalidade dos nove meses do ano, as receitas da EssilorLuxottica chegaram aos 22.304 milhões, o que representa mais 8% em relação ao mesmo período em 2025, de acordo com informação divulgada pelo grupo esta terça-feira, após o fecho do mercado.

A análise trimestre a trimestre mostra, no entanto, que o crescimento está abrandar. Passou dos 10,8% no primeiro trimestre para 8,7% no segundo trimestre e 7,2% no terceiro trimestre.

A região da Ásia-Pacífico liderou o crescimento do terceiro trimestre, com uma subida de 15,7% a câmbios constantes. As receitas foram de 979 milhões de euros. Na Europa, Médio Oriente e África, as receitas subiram 7,5%, para 2 890 milhões de euros, segundo o documento da empresa aos investidores.

A área de wearables, que incluiu óculos com inteligência artificial e nuance audio, cresceram 20% no trimestre. O portefólio de gestão da miopia aumentou 24% no trimestre e nos primeiros nove meses do ano.

A EssilorLuxottica, detentora das marcas Ray-Ban, Oakley ou Oliver Peoples e licenças de marcas como Chanel e Armani, tinha 19.709 lojas até ao final de setembro, incluindo 15.695 lojas próprias, um aumento em relação ao ano passado. No final de 2025, o número era de 17.750 lojas, das quais 13.684 próprias.

Os números não deixam perceber as tensões vividas no seiodo grupo durante o terceiro trimestre. Leonardo Maria del Vecchio, filho do fundador do grupo deixou os cargos de gestão que ocupava no grupo de ótica em agosto. As tensões com o presidente do grupo, Francesco Milleri, terão estado na origem da sua saída. Na carta de demissão, divulgada pela imprensa italiana, Del Vecchio afirma que a empresa está a ser gerida de forma “distante” e “impessoal”.

O carro ‘voador’ de Elon Musk é para quem gosta de conduzir?

20 October 2026 at 10:00

Alguém escreveu na quinta-feira, após a apresentação do novo Roadster, que este carro serve para a Tesla mostrar do que é capaz. Provavelmente, tem razão. E, provavelmente, estava a falar dos avanços tecnológicos deste automóvel, nomeadamente propulsores semelhantes aos dos foguetões SpaceX.

Sem um veículo realmente inovador, não estaríamos aqui a falar deste carro. Sem a capacidade de dar espetáculo de Elon Musk também não. Porém, o Tesla Roadster não é só um automóvel nem é só show (sendo ambos). É alta-costura motorizada.

Conduzir o Rocket, que é o modelo mais exclusivo dentro dos modelos exclusivos do Roadster, não serve para chegarmos mais depressa a lado nenhum nem para ser transportados de forma mais cómoda. Chega a ser inútil tal é a falta de funcionalidade.

O que traz para a conversa também não é a possibilidade de conduzir um desportivo. Para isso há clássicos, e até novos modelos, como o Ferrari Luce, o primeiro elétrico da marca italiana, desenhado em São Francisco no estúdio de Marc Newson e Jony Ive.

A Ferrari está apostada em falar para uma nova geração de milionários, oriundos das tecnológicas, e a Tesla também.
A diferença é que, quando se fala em Silicon Valley, Elon Musk está a jogar em casa. Não é sobre utlidade, não é sobre condução, é sobre ter uma experiência de filme de ação.

Um carro que faz acrobacias, paira no ar e pousa envolto num nuvem de gás frio branco é para quem sonha protagonizar o Velocidade Furiosa dentro do carro do Regresso ao Futuro e viver para contar a história.

Portugal Fashion vai ter 2,67 milhões até 2028 para apoiar internacionalização da moda nacional

20 October 2026 at 07:08

O Portugal Fashion tem ‘luz verde’ para o seu plano de ação para a internacionalização da moda portuguesa até fevereiro de 2028, confirmou a diretora Mónica Neto ao ECO Avenida. A candidatura da organização da ANJE foi aprovada no âmbito do Portugal 2030 e contempla um investimento de 2.667.818,16 euros.

Desse valor, 85% correspondem a apoio público, o que representa cerca de 2,27 milhões de euros. Os restantes 15%, aproximadamente 400 mil euros, são responsabilidade da ANJE (Associação Nacional de Jovens Empresários) e dos parceiros estratégicos da organização. O projeto é apoiado pelo Sistema de Apoio a Ações Coletivas (SIAC) para a internacionalização, no âmbito do Compete 2030, com fundos da União Europeia através do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional.

“Vamos ter novamente ações de internacionalização e o nosso Portugal Fashion Experience, também no início de julho do próximo ano”, refere Mónica Neto, lembrando que em setembro já foi possível marcar presença na semana de moda de Milão. Para os próximos meses, o plano prevê novas ações em Milão, Paris e Copenhaga.

“Queremos ser constantemente uma plataforma que identifica e acelera a entrada no mercado e há também uma ligação fundamental – e que tem que ser apoiada – entre designers e indústria. Aquilo que faz com que os mercados internacionais nos respeitem cada vez mais é também a eficácia, a sustentabilidade e a qualidade da nossa indústria”, frisa Mónica Neto.

Mónica Neto, diretora do Portugal FashionRicardo Castelo / ECO

A responsável lembra o caso de Gabriel Figueiredo, fundador da marca De Pino, um dos nove finalistas do prémio LVMH deste ano, e um dos designers que o Portugal Fashion está a acompanhar de perto. Fez recentemente uma apresentação internacional bem recebida pela imprensa e pela crítica, nota.

“Com o Gabriel, aquilo que está previsto é o apoio a um desfile uma vez ao ano. Pode haver algo mais pequenino na próxima estação, mas estamos a falar também de passos sustentáveis em relação àquilo que faz sentido para uma marca emergente”, adianta Mónica Neto.

Em 2026, o Portugal Fashion apoiou a realização do primeiro desfile de Ernest W. Baker, em Paris, já com a marca lançada e representada em concept stores de vários pontos do globo. “Eles são um caso de sucesso em alguns mercados, por exemplo na Coreia, e também este ano tivemos ali uma sinergia com uma loja na Coreia, o que realmente significa que ainda é possível reinventarmos aqui algumas estratégias e, acima de tudo, há aqui neste nosso ecossistema algo particularmente interessante para acelerar uma marca que tem como base a identidade e a criatividade, mas que depois também está muito assente nesta conexão com as fábricas“, refere Mónica Neto.

“As fábricas têm sido os verdadeiros parceiros de marcas como esta”, reflete Mónica Neto. “E o que o Portugal Fashion também tem tentado nos últimos tempos é que isso não fique tão escondido nos bastidores e venha um bocadinho mais para o storytelling e para a nossa responsabilidade de comunicação”, assume. Em julho, o Portugal Fashion Experience já procurava refletir essa ligação com visitas à indústria incluídas o programa oficial.

O financiamento aprovado coincide com o momento em que o Governo prepara um programa de apoio mais alargado à moda portuguesa, como anunciou a ministra da Cultura, Juventude e Desporto na ModaLisboa, citada pelo Público. O Executivo pretende apresentar nos próximos meses medidas destinadas, em particular, a apoiar novos criadores.

“O grande luxo numa marca é o tempo”. O caso da Ferreira da Sá, segundo o seu CEO

19 October 2026 at 19:38

A chegada de Américo Pinheiro à liderança da fábrica de tapetes Ferreira de Sá é uma história para contar. "Fui eu que fui ter com eles", diz ao ECO Avenida. Tinha feito uma carreira em marcas de luxo, trabalhando no grupo LVMH, e queria voltar para Portugal.

Os 80 anos da Ferreira de Sá e a sua experiência na produção de tapetes tinham tudo para o seduzir. Américo Pinheiro vê nessa história o ponto de partida para construir uma…

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Aos 80 anos, a Ferreira de Sá está a começar tudo de novo. Cá dentro e lá fora

19 October 2026 at 19:34

Há um ano, quando a Ferreira de Sá começou a trabalhar a sua nova coleção de tapetes, a palavra de que falavam era desarranjo. O que tinham em mente era desconstruir, despentear, decompor o conhecido e fazer tudo novo. Essas ideias acabaram por se cruzar com Fernando Pessoa e o seu Livro do Desassossego, e Desassossego é o nome da mais recente coleção da marca de Silvalde, Espinho, que foi apresentada esta quinta-feira, no Palácio do Grilo, em Lisboa. Entre heterónimos do poeta e Ofélia, entre botanical silk e o nó manual português, o tufting industrial e o tear.

Luxo é criar uma emoção, diz Américo Pinheiro, CEO da Ferreira de Sá, o gestor convocado para construir a marca de tapetes atrás da fábrica de 80 anos. "Antes de tudo está…

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Elon Musk apresenta Tesla voador que pode chegar aos 370 km por hora

16 October 2026 at 10:51

A apresentação do novo modelo da Tesla pretendia arrancar “ah” e “uaus” da audiência e conseguiu. O novo Roadster entrou numa espécie de ‘poço da morte’, uma rampa semi-curva com inclinação acentuada, e quando parecia que tudo ia correr mal, pairou e aterrou em piso plano (e envolto em denso fumo branco). O novo elétrico de Elon Musk pode ser conduzido de cabeça para baixo, pairar brevemente, acelerar dos 0 aos 100 km/h num segundo e chegar aos 370 Km/hora, segundo a Reuters. O preço não foi indicado.

Uma consulta ao site da Tesla permite perceber que as reservas já estão abertas, mas a produção só arranca em 2028. A Reuters lembra que a primeira versão do Roadster foi vendida entre 2008 e 2012, mas a segunda versão, apresentada em 2017, nunca chegou a ser comercializada. Se o carro apresentado agora chegar às estradas, será na realidade a verdadeira segunda versão deste modelo da Tesla.

A versão de 2017 trazia algo que a Reuters considera um dos momentos-chave do desenvolvimento do Roadster: a instalação de cerca de dez pequenos propulsores de foguetão à volta do automóvel para melhorar a aceleração e a capacidade de curvar. Há um ano, Elon Musk já tinha deixado pistas sobre um um protótipo capaz de pairar, que recorreria a tecnologia da SpaceX, agora confirmado.

  • O novo Tesla Roadster, apresentado em outubro de 2026 nas instalações da SpaceX
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Não por acaso, o novo modelo foi apresentado num evento realizado nas instalações de testes de foguetões da SpaceX, em McGregor, no Texas. Segundo a Reuters, o Roadster possui um sistema de sucção baseado em ventiladores, desenvolvido pela SpaceX e instalado na parte inferior do veículo, capaz de gerar uma força de sucção de até dois G.

A Tesla diz que o carro foi inspirado na aeronave Lockheed SR-71 Blackbird e no caça de alta performance Lockheed Martin F-35. Dizer que voa é excessivo, mas conseguiu momento de voo, graças aos seus propulsores. “Utiliza um depósito de ar avançado, de pressão ultraelevada, que o automóvel consegue recarregar”, explica a Reuters.

Na apresentação, as acrobacias continuaram. O Roadster sobrevoou outros modelos da Tesla, graças aos propulsores de controlo de atitude e a propulsores principais instalados na traseira do automóvel. Elon Musk garantiu: “Basicamente, pode voar como um foguetão”. E acrescentou: “É 11 em 10 na escala da diversão”. Deverá alcançar 370 quilómetros por hora e “bater todos os recordes de pista que existem”, diz o empresário, acrescentando que este poderá ser, a longo prazo, o único carro da Tesla conduzido manualmente.

O Roadster terá três versões, e apenas uma permitirá acrobacias:

  • Performance – Poderá acelerar dos 0 aos quase 100 quilómetros por hora em menos de 1,6 segundos e utilizará um sistema de sucção sob a carroçaria. Tem dois lugares.
  • Thrust – Terá propulsores traseiros que reduzirão o tempo de aceleração para menos de 0,9 segundos.
  • Rocket – Poderá descolar e realizar manobras no ar, além de atingir quase 100 quilómetros por hora em menos de 0,59 segundos, segundo as especificações anunciadas pela Tesla. É o modelo que poderá ultrapassar os 370 quilómetros por hora, com uma autonomia superior a 480 quilómetros. Tem apenas um lugar.

As ações da Tesla estão a subir 5% no pré-mercado para 380,9 dólares esta sexta-feira para máximos de três meses, depois de Elon Musk ter apresentado o novo Roadster. Na quinta-feira, os títulos da empresa norte-americana tinham encerrado a perder 1,29%, para 362,44 dólares, segundo os dados de fecho da Nasdaq.

O novo veículo cumpre as regras para circulação rodoviária? Eis uma pergunta que também paira no ar.

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