Empresa de Braga cria clube de leitura e oferece um livro a cada dois meses aos funcionários
O Grupo DST, de Braga, lançou um Clube de Leitura destinado a todos os seus trabalhadores. A iniciativa cultural conta, no seu arranque, já com mais de duas centenas de inscritos e prevê a oferta gratuita de um livro a cada dois meses, complementada por encontros de reflexão e discussão sobre as obras, foi hoje anunciado.
Em comunicado enviado a O MINHO, a DST explica que o projeto pretende estimular os hábitos de leitura e reforçar o acesso ao conhecimento, dando continuidade a uma política de formação que coloca o desenvolvimento intelectual e humano no centro da cultura organizacional do grupo.
Lançado em 01 de outubro, o Clube de Leitura, intitulado Clube do Espanto e do Encantamento, destina-se aos trabalhadores das diferentes empresas do Grupo DST, independentemente da sua função ou local de trabalho, abrangendo o campus, as obras e as fábricas, com possibilidade de participação online. Os livros são integralmente oferecidos pelo grupo e permanecem na posse dos trabalhadores, incentivando a criação de bibliotecas pessoais e a continuidade dos hábitos de leitura.
“Vivemos numa economia que está a ser fundada na imaginação. A ficção é uma forma de construirmos utopias no trabalho. A leitura é a ferramenta que mais facilita a aprendizagem da imaginação. Temos de conseguir imaginar um modo de economia que implique um modo de vida boa para todos, onde a pobreza não seja apenas reduzida, mas seja eliminada. O nosso clube de leitura é para as massas e não uma pequena parte dos nossos trabalhadores. A leitura saiu à rua.”, afirma José Teixeira, presidente do Conselho de Administração da DST, citado no comunicado.

A primeira sessão reuniu mais de uma centena de trabalhadores em torno da obra O Desencanto, de Beatriz Serrano, escolhida para inaugurar um projeto que pretende promover o contacto regular com a literatura e criar espaços de partilha, debate e reflexão coletiva.
A seleção das obras resulta de uma curadoria interna, assegurada por dois trabalhadores responsáveis pelo Clube de Leitura, Catarina Ferreira e João Pedro Costa, em conjunto com José Teixeira, presidente do Conselho de Administração, mas aberta às sugestões dos seus participantes.
“A minha paixão pelos livros nasceu quando descobri as primeiras letras do alfabeto e percebi que, da sua infinita combinação, podiam nascer mundos inteiros. Desde então, os livros têm sido companheiros de vida. Há quase vinte anos que faço parte do dstgroup e a ideia de criar um Clube de Leitura foi amadurecendo ao longo destes anos, alimentada pela vontade de transformar uma paixão individual numa experiência coletiva. Porque os livros não nos ensinam apenas a ler o mundo. Ensinam-nos também a habitá-lo e, quem sabe, a transformá-lo”, destaca Catarina Ferreira, responsável Onboarding, Integração e Mentorias, e uma das coordenadoras do Clube de Leitura, a par de João Pedro, contabilista.
Para João Pedro, “os livros são, ao mesmo tempo, uma janela para o mundo e um espelho de nós próprios. Estar à frente deste projeto vejo-o como uma enorme responsabilidade, mas também como uma oportunidade única de, pela leitura e partilha em grupo, abrirmos horizontes e crescermos em termos de capacidades emocionais e intelectuais”.
A iniciativa nasce da convicção de que a leitura constitui uma ferramenta essencial para a formação das pessoas, estimulando a curiosidade, a capacidade de questionamento, a comunicação e a autonomia intelectual. “Num contexto profissional e social marcado por transformações constantes, a DST procura criar condições para que os seus trabalhadores desenvolvam competências que lhes permitam interpretar diferentes realidades, confrontar ideias e participar de forma mais consciente e crítica na sociedade”, destaca o comunicado.

A criação do Clube de Leitura insere-se numa estratégia de promoção cultural que tem vindo a aproximar os livros do quotidiano dos trabalhadores, independentemente do contexto em que desempenham as suas funções. No campus da DST, em Braga, existem espaços dedicados à leitura, nomeadamente, duas bibliotecas – a Clarice Lispector e a Bernardo Soares – às quais se juntaram, há cerca de dois anos, as bibliotecas em obra, instaladas nos estaleiros e construídas pelos próprios trabalhadores com recurso a materiais disponíveis no local.
Nascidas de uma sugestão apresentada por um encarregado de obra no âmbito de um concurso interno de qualidade, as bibliotecas em obra tornaram-se uma prática instituída no grupo, garantindo que cada estaleiro dispõe de um espaço de leitura idealizado e construído pelas próprias equipas. Esta iniciativa procura democratizar o acesso aos livros, aproximando a cultura de diferentes profissões e contextos de trabalho e promovendo a aprendizagem contínua.
O novo Clube de Leitura reforça este percurso, acrescentando uma dimensão de participação e reflexão coletiva à disponibilização de livros. Através dos encontros bimestrais, os trabalhadores terão oportunidade de partilhar interpretações, confrontar diferentes perspetivas e desenvolver o pensamento crítico, num ambiente que valoriza a diversidade de opiniões e experiências.
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