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Arcebispo de Braga diz que paz começa na atitude individual

13 October 2026 at 13:10
Arcebispo de Braga salientou, perante milhares de fiéis peregrinos, que é com o coração pacificado que se pode ajudar a promover a paz nas famílias, comunidades paroquiais e locais de trabalho.

© PAULO NOVAIS/LUSA

"A paz pela qual rezamos começa dentro de nós, começa quando deixamos de alimentar conflitos, quando aprendemos a perdoar, a escutar e a procurar o bem comum, começa quando o nosso coração se deixa pacificar por Jesus Cristo", disse o Arcebispo de Braga

“A paz pela qual rezamos começa dentro de nós”, diz arcebispo de Braga em Fátima

13 October 2026 at 12:52

O arcebispo de Braga, José Cordeiro, afirmou hoje, no Santuário de Fátima, que a paz começa na atitude individual, num tempo marcado pela guerra com impactos económicos.

“Nós podemos rezar pela paz e pela conversão dos corações daqueles que propagam a guerra e os interesses a ela associados. Todavia, precisamos de pacificar o nosso coração, rejeitando as lógicas de poder e de procura do bem próprio, rejeitando os conflitos e discussões que tantas vezes se instalam entre nós pelos motivos mais fúteis”, disse José Cordeiro, na missa de encerramento da peregrinação internacional aniversária de 12 e 13 de outubro.

Perante milhares de fiéis, naquela que é a última grande peregrinação do ano ao maior templo mariano do país, o prelado insistiu que a paz começa dentro de cada um.

“A paz pela qual rezamos começa dentro de nós, começa quando deixamos de alimentar conflitos, quando aprendemos a perdoar, a escutar e a procurar o bem comum, começa quando o nosso coração se deixa pacificar por Jesus Cristo”, prosseguiu.

O arcebispo de Braga salientou que é com o coração pacificado que se pode ajudar a promover a paz nas famílias, comunidades paroquiais e locais de trabalho.

“É assim, através de gestos concretos e aparentemente pequenos, que a paz pode começar a ganhar espaço”, referiu José Cardeiro, acrescentando que a paz que se pede “ao mundo começa por aquela pequena, mas decisiva, conversão pessoal que Deus espera de cada um”.

Na homilia, o arcebispo de Braga e também vice-presidente da Conferência Episcopal Portuguesa lembrou os tempos atuais, “marcado pelas guerras e os impactos, nomeadamente económicos, que essas guerras têm”.

“O custo de vida aumentou de forma generalizada, algo que se veio juntar às grandes dificuldades de alojamento e habitação que já se sentiam no nosso país”, reconheceu.

Considerando que, “perante estas realidades, a pergunta sobre quem é Cristo” ganha uma “particular atualidade”, o prelado questionou sobre o que “significa seguir Cristo num mundo ferido pela guerra, pela insegurança e pela divisão”, para responder que “significa não permitir que o medo ou o desânimo tenham a última palavra”.

Na homilia, José Cordeiro lembrou os acontecimentos da Cova da Iria, há 109 anos, onde a “Virgem Santa Maria mostrou a três crianças a importância de uma fé que se constrói a partir de um encontro concreto com Jesus Cristo”, e a beata Alexandrina Maria, de Balasar, concelho de Póvoa do Varzim (Porto), que morreu há 71 anos, em 13 de outubro de 1955, e cuja memória litúrgica se assinala hoje.

No dia em que o Papa vai ser internado no hospital Gemelli, em Roma, para ser submetido a uma cirurgia de remoção de um nódulo pulmonar, o presidente da peregrinação pediu proteção para Leão XIV.

“Aqui em Fátima rezamos sempre pelo Papa. As comunidades cristãs em Portugal e no mundo inteiro são convidadas a rezar mais intensa e profundamente, hoje e nos próximos dias”, pelo Papa, adiantou, desejando que Leão XIV “possa sentir o belo respirar” da oração no santuário.

A missa, com 100 mil peregrinos, está a ser concelebrada por dois cardeais, 15 bispos, 305 padres e 10 diáconos, segundo informação do Santuário de Fátima.

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Fátima. Acreditar recebe primeiras receitas de peregrinos

13 October 2026 at 00:22
Credencial custa dois euros e tem "associada uma finalidade sócio caritativa". A Acreditar, associação de pais e amigos de crianças com cancro, é a primeira instituição a beneficiar do contributo.

© PAULO CUNHA/LUSA

A credencial está disponível a partir de terça-feira, quando se assinala o Dia Nacional do Peregrino

Reitor de Fátima mantém otimismo sobre visita de Leão XIV

12 October 2026 at 20:11
Carlos Cabecinhas diz manter "convicção profunda" de visita papal em 2027, apesar de Leão XIV ser internado esta terça-feira para remoção de nódulo pulmonar.

© PAULO NOVAIS/LUSA

Leão XIV anunciou no domingo que iria ser operado a um nódulo "circunscrito ao pulmão", que foi detetado "numa fase muito inicial"

Reitor do Santuário mantém otimismo de que Papa visita Fátima em 2027

12 October 2026 at 19:02

O reitor do Santuário de Fátima, Carlos Cabecinhas, disse hoje manter o otimismo face a uma eventual deslocação ao templo em 2027 do Papa Leão XIV, que será internado na terça-feira para remoção de um nódulo pulmonar.

“Eu começo por dizer que eu não tenho qualquer informação privilegiada (…), trata-se apenas de uma convicção profunda de que o Papa pode vir ou que é muito provável que o Papa venha no próximo ano”, afirmou aos jornalistas Carlos Cabecinhas, na conferência de imprensa que antecede a peregrinação internacional aniversária de outubro, que hoje começa.

O sacerdote adiantou que a notícia do problema de saúde do Papa não o faz esmorecer no seu otimismo.

“Eu mantenho o otimismo”, assegurou, referindo que, recentemente, o núncio apostólico, Andrés Carrascosa Coso, “dizia ‘o Papa, certamente, virá à Fátima quando a sua agenda lho permitir e virá assim que puder’”.

Para o reitor do santuário, aquelas “são declarações prudentes de quem de facto não sabe ainda a data”.

“Mas é este conforto que nos fica, do desejo que o Papa tem, efetivamente, de vir a Portugal e, concretamente, de vir a Fátima. Por isso eu mantenho esse otimismo em relação ao próximo ano, mas se não for possível no próximo ano, então que seja na primeira ocasião em que tal seja possível”, acrescentou Carlos Cabecinhas.

Também na conferência de imprensa, o presidente da peregrinação de 12 e 13 de outubro, o arcebispo de Braga, José Cordeiro, considerou que a atitude do Papa Leão XIV, no domingo, quando anunciou aos fiéis na Praça de São Pedro, no Vaticano, que iria ser submetido a uma intervenção, “foi desarmante”.

“O modo como ele o disse desarmou-nos também a nós e ao mesmo tempo manifesta essa confiança, porque diz que confia nos médicos, confia na ciência, confia nas pessoas que o acompanham”, declarou José Cordeiro.

Destacando que em Fátima se reza sempre pelo chefe da Igreja Católica, o prelado desejou que Leão XIV “sinta esta consolação”.

“Da nossa proximidade, da nossa amizade, da nossa profunda comunhão e confiamos ao coração da Mãe que acompanhe e ilumine os médicos que o vão assistir, que o vão acompanhar, para que tão breve quanto possível ele possa retomar todas as suas atividades”, adiantou, lembrando que Leão XIV tem prevista, no próximo mês, uma deslocação ao Uruguai, Argentina e Peru.

O também vice-presidente da Conferência Episcopal Portuguesa reiterou que “o Papa está sempre presente no Santuário de Fátima e na vida da Igreja”.

“O internamento acontece num 13 de outubro. (…) É uma motivação acrescida de ele também sentir, a partir deste grande santuário, que milhares e milhares de pessoas, também em muitas partes do mundo, unidas a Fátima e não apenas os que aqui estamos, têm este espírito ainda mais intenso e profundo com o sucessor de Pedro e com ele vivemos a saúde e a doença, a alegria e a tristeza, como se diz também no sacramento do matrimónio”, acrescentou.

Leão XIV anunciou no domingo que iria ser operado “nos próximos dias” a um nódulo “circunscrito ao pulmão”, que foi detetado “numa fase muito inicial”.

Hoje, o Vaticano anunciou que o Papa vai ser internado na terça-feira, ao fim da manhã, no hospital Gemelli, em Roma, para ser submetido a uma cirurgia de remoção do nódulo pulmonar.

Em 19 de maio, o Presidente da República, António José Seguro, convidou o chefe de Estado do Vaticano a visitar Portugal em 2027, por ocasião do 110.º aniversário dos acontecimentos de Fátima e quando se assinalam 500 anos da formalização da nunciatura apostólica em Portugal.

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Arcebispo de Braga “defende dignificação do trabalho” e “condições para habitação” mais “amigas da família”

12 October 2026 at 18:08

O arcebispo de Braga defendeu hoje a dignificação do trabalho e condições para a habitação ao abordar o aumento do custo de vida em Portugal, que relacionou com a política global, guerras a “má orientação” do mundo.

“(…) A situação que estamos a viver no nosso país, como consequência daquilo que acontece ao nível global, afeta as famílias que nós conhecemos, as nossas próprias famílias, as famílias das nossas comunidades”, afirmou José Cordeiro, em conferência de imprensa no Santuário de Fátima, onde hoje começa a peregrinação internacional de 12 e 13 de outubro, a que vai presidir.

O também vice-presidente da Conferência Episcopal Portuguesa adiantou que a Igreja Católica acompanha “com a solicitude” que lhe é possível “e também com aquilo que é a própria missão da Igreja, de ser um sinal profético e do que de si depender, junto daqueles que têm a autoridade do Governo, fazer esse apelo permanente para a construção do bem comum, para a dignidade da pessoa humana, para a dignificação do trabalho, da vida em família, das condições para a habitação, das políticas que sejam mais amigas da família e para que seja um desenvolvimento integral e integrado”.

O prelado reconheceu que, “certamente, que muito se fez ao longo destes anos, mas muito mais se pode fazer e deve fazer numa cooperação recíproca” que a Igreja também quer construir.

O arcebispo de Braga recordou o contributo da Igreja Católica na área social “nomeadamente nos acordos com o Estado em relação às IPSS [instituições particulares de solidariedade social], às santas casas da misericórdia”, que têm como alvo crianças, adolescentes, jovens, adultos e, “de um modo especial”, os mais idosos e os mais carenciados.

José Cordeiro referiu ainda o trabalho das cáritas diocesanas e das conferências vicentinas, assim como dos grupos informais nas paróquias nas várias comunidades, tendo apenas “como referência sempre a centralidade da pessoa humana, a dignidade da pessoa humana”.

O arcebispo notou que o aumento do custo de vida, assim como dos combustíveis “são consequências desta política global, das guerras em curso, da má orientação que este mundo” está a seguir.

Já o bispo da Diocese de Leiria-Fátima, José Ornelas, declarou que “não é difícil identificar os motivos fundamentais que levam os portugueses e as portuguesas a estarem preocupados com a situação” económica.

“Eu não vivo amedrontado, mas seria inconsciente se não me preocupasse no sentido de dizer que temos de encontrar soluções para os problemas da habitação e soluções para o problema dos preços que vêm galopantemente a subir e que não dependem simplesmente de nós próprios”, mas de uma “conjuntura internacional que é muito complicada” e que deixa o país “com uma margem de manobra mais limitada”, declarou José Ornelas.

O bispo considerou que os problemas se devem ao facto de não haver entendimento como humanidade.

“Aqui no país, não nos entendermos para encontrarmos as soluções e também os limites de soluções que, forçosamente, a situação comporta”, sustentou, notando que “isto se passa tanto no plano nacional como a nível internacional”.

Neste último aspeto, José Ornelas recordou que “basta ver os entendimentos que em si seriam bons em qualquer tempo, mas que, neste momento, são simplesmente um negociar a partir de uma discussão que é mais de vendilhões do que de buscas sensatas de soluções”, referindo-se às “negociações sobre combustíveis, que é uma coisa que aflige o mundo inteiro e há quem queira privatizar”.

Para o bispo de Leiria-Fátima, a ausência de entendimento deve-se ao facto de cada um se fixar nos “seus próprios interesses”.

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