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Um saxofone, uma vida, uma saudade

22 October 2026 at 14:31

VTM

Em tempos, pertencera aos quadros da Banda de Mateus, sendo considerado um dos mais insignes saxofonistas que por ali passaram.

O seu regresso trazia consigo as saudades da terra, as memórias de outros tempos e, sobretudo, aquele talento musical que não conhece fronteiras nem se apaga com a distância. Para quem o conhecia, a sua presença representava o reencontro com um músico de reconhecidos méritos, alguém que deixara a sua marca no seio de uma coletividade que tanto contribuiu para a formação musical e cultural de tantos jovens da região.

Nesse dia, antes da procissão, eu, como Mestre da Banda, fui abordado pelo presidente da centenária coletividade, António Matos, que me perguntou se o António Claustro – como era conhecido – poderia tocar no concerto à noite. Confesso que fiquei surpreendido e hesitante na resposta. Afinal o músico não tinha participado em qualquer ensaio e como seria natural, a sua presença no concerto levantava-me algumas dúvidas.

Foi então que António Claustro olhou para mim. No seu olhar havia determinação, mas também uma emoção difícil de descrever. E, com uma firmeza que ainda hoje guardo na memória, disse-me:

– Não tenhas receio, porque a alma da música da nossa terra sempre me acompanhou.

E como duvidar de alguém que falava assim da música?

A noite chegaria, e com ela o momento de transformar aquelas palavras em arte.

Já no final, incapaz de esconder o que me ia na alma, dirigi-me ao grande músico para lhe agradecer a sua presença naquela noite inesquecível.

E então aconteceu o abraço.

Um abraço forte e apertado, um abraço carregado de sentimentos que dispensavam as palavras. Um abraço de emoção tão profundo que me fez lembrar uma mãe lavada em lágrimas de alegria ao receber um filho que julgava distante e perdido.

Abambres teria oportunidade de escutar um saxofonista cuja ligação à Banda de Mateus ultrapassava os limites de uma simples passagem pelos seus quadros. Era um daqueles músicos que transportava consigo o nome da sua terra, mesmo quando a vida os levava para longe.

Depois daquele concerto, não tive mais dúvidas: António Claudino – o nosso Claustro – era, sem dúvida, um dos mais prestigiados saxofonistas que passaram pela Banda de Mateus.

Aquele enorme artista deixou-nos naquela ocasião uma lição que vai muito para além da música: há paixões que permanecem connosco para toda a vida.

Há músicos que quando tocam, deixam um pouco da sua alma em cada um de nós.

António Claudino – Claustro – foi, para mim, um desses músicos inolvidáveis.

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Falta de funcionários obrigou escolas a suspender atividades letivas

21 October 2026 at 20:47

VTM

Em Vila Real, algumas escolas tiveram que suspender as atividades letivas. A escola de São Pedro foi uma delas. Segundo a diretora, Rita Mendes, a escola não conseguiu iniciar as atividades letivas às 8h00 devido à ausência de funcionários em áreas como a portaria, os diferentes pisos do edifício e o bar. A decisão foi tomada por razões de segurança, uma vez que a falta de pessoal compromete as condições necessárias para assegurar o normal funcionamento das aulas.

A adesão à greve dos trabalhadores não docentes rondou os 30%, de acordo com uma estimativa avançada pela diretora. No entanto, Rita Mendes sublinha que esta percentagem deve ser analisada tendo em conta a falta de pessoal que já se faz sentir na escola. Segundo a diretora, o estabelecimento já funciona com um número reduzido de assistentes operacionais.

Apesar da interrupção das atividades letivas, os serviços administrativos mantiveram-se abertos e os professores continuaram a trabalhar.

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Alves Roçadas resolve jogo nos minutos finais

21 October 2026 at 19:45

VTM

Os academistas entraram bem e inauguraram cedo o marcador, por Renato Lopes. O Montalegre respondeu e chegou ao empate através de João Mendes, mas Nuno Joaquim voltou a colocar a equipa da casa em vantagem. O mesmo jogador bisou ainda na primeira parte, permitindo ao AAR chegar ao intervalo a vencer por 3-1.

Na segunda parte, o AAR procurou gerir o jogo e explorar as transições, mas voltou a desperdiçar várias ocasiões, incluindo uma grande penalidade. O Montalegre manteve-se na discussão e reduziu para 3-2 por Tiago Moura.

A incerteza só terminou a cerca de minuto e meio do final. Com o Montalegre a apostar no cinco para quatro, o Académico Alves Roçadas aproveitou para marcar por duas vezes e fixar o resultado em 5-2, com Mateus Ferreira e Bernardo Melro a assinarem os golos finais, ambos ao minuto 39 da partida.

Nuno Joaquim, autor de dois golos, foi distinguido como homem do jogo.

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Três barracas destruídas após incêndio em Mateus

14 October 2026 at 15:14

VTM

O alerta, de acordo com o comandante dos Bombeiros da Cruz Verde, José Salcedas, aconteceu às 00h50 de sábado, tendo sido mobilizados para o local 32 operacionais e sete veículos de três corporações. Além da Cruz Verde, estiveram presentes bombeiros da Cruz Branca e de Sabrosa.

À chegada dos meios de socorro, explicou José Salcedas à VTM, o fogo já tinha atingido a zona das barracas, com o combate a centrar-se, sobretudo, nessa área. O resultado acabou por ser a total destruição de três barracas, assim como duas viaturas.

Albino Nascimento é um dos moradores que perdeu os seus pertences no incêndio. Segundo contou à VTM, as chamas propagaram-se rapidamente e várias botijas de gás rebentaram, obrigando os moradores a fugir. No local, diz, estavam três casais, um deles com uma filha, menor de idade.

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Seguro diz que a cultura é motor de desenvolvimento do interior

14 October 2026 at 11:02

VTM

O Presidente da República, António José Seguro, esteve na Casa de Mateus, para presidir à cerimónia de entrega do Prémio D. Diniz 2026, que distinguiu a escritora Djaimilia Pereira de Almeida pela sua obra “Livro da Doença”.

Durante o seu discurso, o chefe de Estado salientou a importância de valorizar o interior como prioridade nacional e alertou para a necessidade de combater as desigualdades territoriais e de criar oportunidades fora dos grandes centros urbanos. “O interior de Portugal não pode ser visto apenas a partir das suas dificuldades”.

António José Seguro salientou a importância de garantir serviços públicos de qualidade, melhores acessibilidades e condições que permitam atrair investimento e fixar a população. Defendeu ainda que o interior deve ser valorizado não apenas pelas suas dificuldades demográficas, mas também pelo seu património, instituições e riqueza cultural.

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Incêndio em Mateus destruiu três barracas e duas viaturas

10 October 2026 at 10:29

VTM

Um incêndio florestal que deflagrou durante a noite em Mateus, no concelho de Vila Real, alastrou a uma zona de barracas, destruindo totalmente três barracas e duas viaturas. O alerta foi dado às 00h50, tendo sido mobilizados para o local 32 operacionais e sete veículos para o combate às chamas.

A informação foi avançada por José Salcedas, comandante dos Bombeiros da Cruz Verde, que explicou que, à chegada dos meios de socorro, o fogo já tinha atingido a zona das barracas.

O combate às chamas centrou-se sobretudo nessa área. Além dos Bombeiros da Cruz Verde, foram mobilizadas as corporações dos Bombeiros da Cruz Branca e de Sabrosa, num total de 32 operacionais e sete veículos.

Segundo o comandante dos Bombeiros da Cruz Branca, Orlando Matos, da Cruz Branca estiveram no local três veículos e nove operacionais.

José Salcedas esclareceu que os bombeiros não transportaram nenhuma pessoa para o hospital pelos seus meios. No entanto, o comandante dos Bombeiros da Cruz Verde revelou à VTM que uma mulher terá sido transportada num veículo particular para o Hospital de Vila Real.

A Polícia Judiciária confirmou à VTM estar a investigar as causas do incêndio.

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José Barrias – a pandeireta que bailava

8 October 2026 at 13:06

VTM

No bombo, ferrinhos ou pandeireta, ele guiava-se pelos sentimentos mais fortes…

Nas procissões, tocava bombo, como solista tocando em catedral…O seu olhar retilíneo, os olhos sem pestanejar, a solenidade do porte, faziam deste músico alguém respeitável e admirado.

Nos arraiais, Zé Barrias, impressionava, sobretudo quando as rapsódias estrondavam na alma do povo. No lugar certo, o homem libertava-se da partitura e era a sua arte que impunha o ritmo exato, aquele bater e aquele olhar que extravasam os sentimentos mais puros…

Não raras vezes, os Mestres olhavam-no e nele se inspiravam para que as rapsódias ganhassem a dimensão da alma. E, assim, o povo se galvanizava até que as emoções rebentassem de contentamento.

Quando tocava a pandeireta, as soalhas bailavam bem no ar e os sons que dela saíam vibravam por todo o recinto. Aqui, Zé Barrias mostrava a todo o povo que o seu instrumento conseguia construir imagens, inebriar, levando a uma felicidade quase incompreensível…

Zé Barrias não era homem para grandes palavras. Raramente uma ideia chegava ao fim, porque facilmente se emocionava e as palavras se entaramelavam…, mas os sorrisos e os olhares diziam tudo. Neles ficava a felicidade dos momentos, a ternura dos encontros.

Era assim, à sua maneira: mais de gestos do que discursos, mais coração do que palavras.

Um dia, Zé Barrias tocava os pratos numa arruada em rua estreita e sinuosa. Um conjunto de pessoas distraídas da música dificultava a passagem dos músicos. O homem resolveu o problema com o estilhaçar vigoroso e seco dos pratos nesse mesmo pedaço de povo insensível. Ao mesmo tempo, ele desenhava no rosto a expressão mais imaculada. Eu, como Mestre, olhei para trás, fitando o pratilheiro numa atitude recriminatória. Na verdade, aquele entrechocar ouvira-se fora de tempo…compreendi depois a atitude astuta do músico…

Zé Barrias morreu no primeiro dia do ano 2000. Mateus perdeu uma figura típica, um amigo de toda a gente. A aldeia ficou mais triste e mais vazia. Partiu alguém que fazia parte da sua paisagem humana, daqueles rostos e presenças que parecem eternos, até ao dia em que deixaram de estar. Os instrumentos de percussão da banda silenciaram-se por algum tempo, em respeito ao músico que tanto deu à filarmonia.

O silêncio que então se fez dizia mais do que qualquer homenagem: era a forma encontrada pelos companheiros para lembrar quem tantas vezes ajudara a dar ritmo, alma e alegria à música da terra.

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