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Guterres chega ao Egito com mensagem para travar expansão da guerra

24 October 2026 at 12:52

O secretário-geral das Nações Unidas chegou hoje ao Egito para uma visita oficial, durante a qual pretende deixar uma mensagem para travar a expansão da guerra no Médio Oriente abrindo espaço à diplomacia para alcançar a paz.

 

"Acabo de chegar ao Egito. Num contexto de conflitos cada vez mais intensos, trago comigo uma mensagem: precisamos de travar o alastramento da guerra, proteger os civis e criar espaço político para a diplomacia e a paz", escreveu António Guterres numa mensagem publicada na sua conta oficial na rede social X.

Até ao momento, não são conhecidos os detalhes da agenda de Guterres, embora o site oficial das Nações Unidas indique que o secretário-geral regressará a Nova Iorque no dia 27. Prevê-se, no entanto, que se reúna com as principais autoridades do país do Norte de África, que desempenha um papel de mediador na guerra na Faixa de Gaza.

"Temos de enfrentar as desigualdades que dividem as sociedades e pôr fim aos conflitos que multiplicam o sofrimento humano e acentuam ainda mais as divisões num mundo já desigual", acrescentou o responsável máximo da ONU nas redes sociais.

Guterres, cujo mandato à frente da ONU termina no próximo dia 31 de dezembro, chega ao Egito num momento marcado pelo agravamento das tensões decorrentes da guerra desencadeada, no final de fevereiro, pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irão, que provocou uma crise internacional com o bloqueio do estreito de Ormuz.

Além disso, no início de setembro, a guerra no Iémen foi reativada, com os rebeldes Huthis a lançarem uma ofensiva para conquistar a costa sudoeste do mar Vermelho e, simultaneamente, a atacarem diariamente infraestruturas energéticas e alvos civis da Arábia Saudita, que intervém no conflito desde 2015, à frente de uma coligação militar.

Neste contexto, o parlamento egípcio vai votar, na segunda-feira, uma proposta para prestar apoio militar à Arábia Saudita, numa altura em que a monarquia petrolífera procura diversificar as suas alianças e enfrenta dificuldades em intercetar as centenas de projéteis lançados pelos huthis.

Entretanto, o Egito mantém os seus esforços de mediação na Faixa de Gaza, em conjunto com o Qatar, a Turquia e os Estados Unidos, enquanto Israel continua a bombardear o sul do Líbano e a avançar para território sírio. Entretanto, a guerra no Sudão também ameaça agravar a crise humanitária na região.

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Mondlane fala em "quase guerra" com governo local por impedir reunião

24 October 2026 at 12:48

O político moçambicano Venâncio Mondlane disse hoje que o seu partido está em "quase guerra declarada" com a província de Inhambane, após um administrador local rejeitar que a formação reúna os seus quadros provinciais para participar da convenção.

 

"A província de Inhambane e nós estamos quase numa situação de guerra declarada. No dia 10 de setembro, Daniel Chapo fez uma visita a Zavala e no dia 11 foi assassinado Elídio Fassitela. Há dois dias foi torturado quase até a morte o nosso coordenador de Zavala. Hoje estamos a receber esta comunicação", disse Mondlane, durante a abertura da convenção extraordinária do partido, aludindo ao despacho do administrador de Inhassoro, que rejeitou o pedido de proteção policial dos membros do partido que estão na província a acompanhar a convenção em direto.

Em causa está uma comunicação do partido Aliança Nacional para um Moçambique Livre e Autónomo (Anamola), que solicitou ao Governo do distrito de Inhassoro, na província de Inhambane a proteção policial ao local que vai acolher os seus membros para acompanhar a convenção extraordinária do partido nas plataformas digitais.

Segundo Mondlane, o executivo local, além de rejeitar o pedido, também adiantou que não autoriza a realização da reunião dos membros do partido naquela província.

"Estamos quase numa situação de quase guerra declarada em Inhambane, e hoje é uma coisa incrível […] nós comunicamos que temos a realização de uma reunião nas nossas instalações, no espaço privado e o administrador diz que não autoriza", disse Mondlane, indicando que o Governo enviou a força policial para impedir a reunião e acusando órgãos governamentais de promover um retorno ao monopartidarismo.

"O que o administrador está a fazer hoje são coisas de 1975, e ainda usar efetivos das forças policiais especiais para impedir uma reunião estatutária no seu espaço privado", acrescentou, acusando o Governo de violar direitos políticos do partido.

O Anamola realiza hoje, em Maputo, a sua primeira Convenção Nacional extraordinária, com a participação de mais de 400 delegados para debater três pontos de agenda, nomeadamente a apresentação e discussão sobre as propostas de revisão dos estatutos do partido, a ideologia partidária e a verificação de como adequar os estatutos à composição da comissão executiva do partido.

Mondlane disse hoje que o seu partido realiza a convenção com uma missão de "fazer história" no país.

"Estamos num período sensível e bom, porque estamos sujeitos a perseguição política, o nível de perseguição que se encontra nunca houve igual na história política deste país […] em um ano temos um saldo de 55 assassinatos" além de detenções "arbitrárias", conforme adiantou.

O político sublinhou que o Anamola foi criado para trazer a verdadeira e genuína independência de Moçambique, afirmando que luta contra as injustiças e pela melhoria do sistema de justiça, um Estado apartidário e com regras imparciais e transversais.

Venâncio Mondlane foi eleito presidente da Anamola em agosto deste ano, na província de Nampula, para um mandato de cinco anos, partido que o próprio, candidato presidencial em 2024, fundou em 2025.

O Tribunal Supremo agendou para 17 de novembro o início do julgamento de Venâncio Mondlane, no âmbito dos protestos que se seguiram às eleições gerais de 09 de outubro de 2024, nas quais o político foi candidato à Presidência da República e não reconheceu os resultados oficiais.

O processo foi movido pelo Ministério Público, que acusa o político dos crimes de apologia pública ao crime, incitamento à desobediência coletiva, instigação pública à prática de crime, instigação ao terrorismo e incitamento ao terrorismo.

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Eleições em Israel: Todas as divisões vão dar à Cidade Velha de Jerusalém

24 October 2026 at 12:40

A Cidade Velha de Jerusalém é um espelho das profundas divisões em Israel antes de uma eleição altamente incerta, entre o apoio à política de força do primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, e a mudança representada pelo opositor Gadi Eisenkot.

 

Quando as últimas sondagens para as legislativas de 27 de outubro continuam sem identificar um vencedor provável, os dois principais candidatos partilham o problema de não reunirem apoios suficientes, através de alianças pós-eleitorais com as forças pró-governamentais ou o chamado bloco da mudança, para controlar os 120 lugares do Knesset (parlamento).

Entre vagas de turistas e fiéis que visitam os lugares sagrados das principais religiões monoteístas, a campanha eleitoral apresenta-se discreta dentro dos muros da Cidade Velha, mas não ausente.

No bairro judeu, partidos ultraortodoxos exibem cartazes nos telhados e nas varandas, reclamando o caráter religioso do Estado como um valor fundamental, um tema que divide os israelitas laicos, tal como o fim da isenção militar para a comunidade Haredim, que representa 14% da população.

Também são visíveis cartazes a pedir que "tornem a Palestina judaica de novo", uma adaptação sem assinatura partidária do movimento MAGA dos Estados Unidos, mas que traduz o pensamento dos partidos de extrema-direita na atual coligação governamental, em particular o Otzma Yehudit, do ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, e o Sionistmo Religioso, do seu colega das Finanças, Bezalel Smotrich.

A 'jogar em casa' em Jerusalém, os apoiantes ultranacionalistas exibem-se nas estações de elétrico junto da Cidade da Velha e de imagens dos seus líderes, dominadas pelas cores da bandeira nacional, mais a sua agenda radical. Um cartaz de Ben-Gvir causou grande controvérsia ao apresentar o político e a frase "Israel é forte", mas também dois prisioneiros palestinianos ajoelhados e algemados.

Os recintos sagrados foram sacudidos pelos ecos das notícias dos territórios ocupados, quando dois soldados israelitas e dois palestinianos foram mortos na sexta-feira, durante uma grande operação em Hebron, no sul da Cisjordânia, incluindo buscas e a demolição de edifícios, justificada para "localizar e desmantelar instalações terroristas" e com a duração de vários dias.

Na contagem decrescente para as eleições decisivas, em que tenta contrariar sondagens desfavoráveis e conservar o poder, Netanyahu anunciou outra operação em grande escala na Cisjordânia, "como não se vê desde a Guerra dos Seis Dias", em 1967, sem precisar datas mas que "está a caminho", enquanto Smotrich pedia uma campanha militar no território "como em Gaza".

O primeiro-ministro e líder do partido Likud, que tem baseado a sua mensagem na proteção dos israelitas e projeção da força do país no Médio Oriente desde os ataques liderados pelo Hamas em 07 de outubro de 2023, avisou também os seus cidadãos para se prepararem para sanções internacionais, reconhecendo uma pressão crescente do seu principal aliado, Estados Unidos, devido à violência na Cisjordânia.

A oposição, que critica justamente a tensão criada com Washington, dirigiu de imediato uma bateria de críticas ao líder israelita, apesar de, na generalidade, nenhum dos seus principais dirigentes defender uma rutura na política de segurança.

Na quinta-feira, Gadi Eisenkot, um ex-general que em 2025 fundou o partido Yashar! e em menos de um ano saltou para o topo das sondagens, visitou o Muro das Lamentações, sob alta proteção num terreno mais favorável ao seu adversário, e teve uma receção mista, refletindo a profunda divisão do país.

"Salve-nos, estamos à sua espera", gritavam apoiantes na Cidade Velha, enquanto outros cantavam "Bibi, rei de Israel", em referência à alcunha de infância do chefe do Governo e seu longo percurso no poder.

Passeando um dos seus três filhos nas ruas apertadas do bairro judaico num dia de verão tardio, um eleitor gostaria de reunir o melhor dos dois mundos.

"Preferia que houvesse uma mudança de governo e é isso que me parece mais provável. Mas gostaria que fosse o mais sionista possível, que procurasse também a igualdade entre judeus e árabes e a paz e a segurança para todos", comenta o israelita de 37 anos, que se idêntica apenas como Benny à agência Lusa.

Para este residente na região norte, a memória do 07 de Outubro continua bem presente, na medida em que "aconteceu algo muito grave" naquela manhã de 2023, que custou 1.200 mortos e 251 reféns, "e muitas coisas más continuam a acontecer e exigem responsabilidades", aludindo a uma comissão de investigação independente reclamada pela oposição e até agora recusada por Netanyahu.

"Responsabilidade e culpa não são exatamente a mesma coisa. O chefe das Forças de Defesa de Israel já se demitiu. Então, esse é o papel do primeiro-ministro", observa.

Por outro lado, Benny depara-se com o dilema que se coloca a cerca de sete milhões de eleitores, ao reconhecer que a defesa dos israelitas "é a competência principal" do Governo face às ameaças do Hamas na Faixa de Gaza e do grupo xiita Hezbollah no Líbano, ambos apoiados pelo Irão, em oposição aos anseios de paz.

"São organizações militares que juraram dedicar-se a matar a minha família e parece-me razoável continuar a atacá-los até que se desarmem. Rezo sinceramente para que o façam", acrescenta.

Do mesmo modo, não tem "qualquer problema" em aceitar que os partidos árabes integrem um futuro governo, num momento em que as sondagens indicam um bloqueio pós-eleitoral que pode ser desempatado pelas duas forças árabes, Lista Conjunta e Ra'am, em representação de 21% da população.

No entanto, e embora não goste da ideia de partidos exclusivamente árabes ou judeus, Benny destaca "diferenças importantes" entre os dois grupos políticos, referindo que alguns partidos na Lista Conjunta defendem que "Israel não deveria existir e isso é inaceitável", ao passo que vê no Ra'am uma moderação que "não constitui um problema".

Como em tantos lugares do país, a porta de Jaffa da Cidade Velha mantém centenas de imagens de antigos reféns das milícias palestinianas e soldados caídos na Faixa de Gaza.

Há pouco mais de um ano, grandes manifestações preenchiam a praça dos Reféns em Telavive a exigir o resgate dos israelitas cativos no enclave palestiniano e o fim da guerra, tal como junto à residência de Netanyahu, ironicamente situada na rua de Gaza, em Jerusalém.

O cessar-fogo alcançado em 10 de outubro de 2025, que implicou a troca dos últimos reféns (20 vivos e 28 mortos) por quase dois mil prisioneiros palestinianos, não trouxe a fim do conflito e adicionou desde então cerca de 1.400 mortos, segundo as autoridades do território, aos mais de 70 mil nos últimos três anos em ataques israelitas.

A ofensiva israelo-americana contra o Irão, em 28 de fevereiro, reacendeu pelo seu lado a guerra com o Hezbollah, enquanto se acumulavam denúncias de uma vertiginosa escalada de violência na Cisjordânia ocupada e perseguições aos palestinianos em Jerusalém Oriental.

Marwan coleciona numerosos episódios de provocação na sua loja de lembranças no bairro árabe da Cidade Velha, que atingiram um pico máximo num comerciante vizinho atingido a tiro nas pernas depois de ser confrontado com um mapa a apontar a localização da Palestina. Trata-se do mesmo tipo de pessoas que invadem o complexo de al-Aqsa durante as orações islâmicas, incluindo líderes de extrema-direita.

"Isto está perigoso para toda a gente", alerta Marwan, lembrando que "estas coisas não deviam acontecer na Terra Santa", ao contribuir para o desaparecimento dos turistas, na soma dos efeitos da pandemia de covid-19 e o aumento da violência desde 2023.

Das duas lojas que possuía, uma já vendeu e a atual só mantém para alimentar a família de cinco filhos, à custa das poupanças reunidas durante 30 anos, porque agora "só há prejuízos", que levaram a que pelo menos outros 12 negócios tenham fechado na mesma rua.

"Se o Governo do povo de Israel precisar de estabelecer a paz e atrair turistas, nós tratamos disso e todos ficam felizes", apela o comerciante árabe, referindo-se às próximas eleições.

A partir de 27 de outubro, espera pelo menos algo melhor do que os danos em toda a linha dos últimos anos e tornar um pouco mais verdadeira a persuasão que usa para vender os seus camelos de peluche: "Comprem, só gastam o dinheiro uma vez: Depois, já não precisam de água nem comida".

Leia Também: Partido ultraortodoxo desiste das eleições após pressão de Netanyahu

Detida mãe do suspeito de ataque terrorista em França (e não é a única)

24 October 2026 at 12:27

Pelo menos três pessoas próximas do homem que levou a cabo um ataque terrorista nos arredores de Paris, na sexta-feira, foram também detidas. A mãe do atirador, identificado Kevin T., é uma das detidas.

 

A informação é avançada pelas publicações francesas que, citando a Procuradoria Nacional Antiterrorismo, dão conta de que também a prisão preventiva do suspeito foi prorrogada, na manhã deste sábado.

Segundo a publicação Le Monde, o suspeito, identificado como Kevin T., de 39 anos, alegou ter agido na sequência do vandalismo que está a ser cometido no país a lojas e locais de comércio, numa altura em que França é palco de protestos.

Segundo fontes ouvidas pelo mesmo jornal, o homem vangloriou-se de ter "vingado os comerciantes".

O ataque aconteceu em Trappes e Yvelines e, de acordo com o balanço mais recente, houve uma vítima mortal e cinco feridos, entre os quais uma criança de 12 anos.

Na sexta-feira, o presidente francês  disse que este "atentado terrorista racista" representa "um ponto de viragem no país", atribuindo-o ao "ambiente de instabilidade que certos discursos estão a criar".

"É um ponto de viragem, porque é a primeira vez no nosso país que se comete um ato terrorista planeado para matar os nossos compatriotas, as nossas crianças, apenas por causa da cor da sua pele ou da sua suposta religião", sustentou Emmanuel Macron, durante uma visita a Trappes, uma localidade a cerca de 30 quilómetros a sudoeste da capital francesa.

Macron salientou que o caráter racista do atentado, a principal linha de investigação apresentada pela Procuradoria Nacional Antiterrorismo (PNAT), assenta "no que o suspeito disse nas primeiras horas" após a detenção, ao "assumir o seu ato" como motivado pela "cor da pele" das vítimas.

Leia Também: Macron reage a atentado perto de Paris: "É um ponto de viragem"

 

Três mortos num ataque ucraniano em território ocupado pela Rússia

24 October 2026 at 12:22

Pelo menos três pessoas morreram hoje e outra ficou gravemente ferida num ataque ucraniano na zona controlada pela Rússia da região de Kharkiv, no nordeste da Ucrânia, anunciaram as autoridades russas.

 

"Três civis perderam a vida e uma mulher ficou gravemente ferida na sequência de um ataque de um drone ucraniano a um carro na aldeia de Pisky, na região de Kharkiv", indicou no Telegram o governador local nomeado por Moscovo, Vitali Gantchev.

Numa outra mensagem publicada também hoje nas redes sociais, o governador da região russa de Oriol, a cerca de 370 quilómetros a sul de Moscovo, reportou a morte de três outras pessoas, na sexta-feira, num ataque ucraniano com mísseis.

"É com profundo pesar que devo informar que os corpos de três pessoas foram encontrados durante os trabalhos de remoção dos escombros. As minhas mais sinceras condolências às famílias e aos amigos das vítimas", escreveu Andréi Klichkov.

Na quinta-feira, as autoridades tinham informado que oito pessoas ficaram feridas na sequência de um ataque a uma fábrica, que também provocou um incêndio.

Segundo alguns meios de comunicação russos e ucranianos, o alvo deste ataque era uma fábrica que produzia componentes posteriormente utilizados na indústria militar.

Leia Também: Rússia abate mais de 600 drones ucranianos em cerca de 20 regiões

O outono em que a Geração Z saiu à rua também na Europa

24 October 2026 at 12:06
2025 ficou conhecido como o "ano dos protestos", depois de uma onda de descontentamento ter varrido inúmeros países. Entre memes, humor e um desafio às autoridades, jovens europeus seguiram o exemplo.

© Getty Images

"Juventude, levanta-te", lê-se neste cartaz erguido em Marselha

Itália em alerta máximo uma semana após tumultos e pilhagens

24 October 2026 at 11:49

Itália está hoje em alerta máximo, com o reforço da segurança nas principais cidades, uma semana depois de os tumultos e pilhagens no norte do país.

 

As autoridades reforçaram o policiamento, enquanto as lojas de Roma e Milão, sobretudo as que vendem artigos de luxo, protegeram as suas montras com placas de madeira e chapas metálicas, prevendo novos ataques, descreve a agência noticiosa espanhola EFE.

Alguns estabelecimentos, como o centro comercial La Rinascente, em Milão, vão fechar às 15:00, antes das manifestações, previstas para começarem às 15:30 locais (14:30 em Portugal).

As medidas de segurança incluem pontos de controlo policial, aumento da vigilância nas estações ferroviárias e nos centros das cidades e o destacamento de mais 500 militares em Milão.

O presidente da Câmara de Milão, Giuseppe Sala, afastou a "militarização da cidade" e pediu aos comerciantes que mantenham as lojas abertas.

Já Embaixada dos Estados Unido em Itália emitiu também um alerta de segurança devido ao risco de novas manifestações em Milão e noutras grandes cidades italianas.

A embaixada recomendou ainda que os cidadãos acompanhassem as notícias, abandonassem zonas próximas de protestos e evitassem ajuntamentos e multidões.

A pressão policial intensificou-se desde sexta-feira com uma operação coordenada pela polícia italiana, que permitiu identificar cerca de uma centena de pessoas, 51 das quais menores de idade, por estarem alegadamente ligados aos distúrbios e roubos ocorridos no fim de semana anterior.

Durante as operações, os polícias apreenderam facas, tacos de basebol, artigos alegadamente roubados de lojas e garrafões de gasolina.

Os incidentes ocorreram à margem de uma manifestação pacífica contra o aumento do custo de vida, quando grupos de jovens mascarados começaram a vandalizar o centro da cidade e a saquear vários estabelecimentos comerciais.

Hoje, as medidas de segurança foram alargadas a cerca de 20 cidades, com especial atenção para Milão, Como e Monza, no norte do país, devido à possibilidade de novas manifestações.

De acordo com a EFE, um dos principais desafios para as forças de segurança é a imprevisibilidade das manifestações, uma vez que o "Movimento 17 de outubro" anunciou na sexta-feira o cancelamento de pontos de encontro previamente divulgados para dificultar a ação policial, através de uma estratégia denominada "seja água".

A estratégia consiste em publicar três pontos de encontro provisórios nas redes sociais apenas 30 minutos antes do início das marchas e depois ir para outro local que não tinha sido divulgado.

Segundo a EFE, as autoridades mantêm a máxima vigilância nas redes sociais e nos canais de mensagens do grupo, uma vez que nenhuma das convocatórias do "Movimento 17 ottobre", que surgiu depois das manifestações no fim de semana, têm uma autorização oficial.

No dia 17 de outubro, Itália viveu um dia de protestos em várias cidades contra o custo de vida e os baixos salários, entre outras reivindicações, que resultaram em confrontos em Milão e no anúncio de uma greve geral para 20 de novembro.

Após os distúrbios, o Governo aprovou esta semana um decreto-lei, com efeitos imediatos, que endurece as sanções para atos violentos, com especial enfoque na delinquência juvenil.

A lei introduz um novo crime relacionado com a participação em grupo em atos violentos, punível com até cinco anos de prisão e multas até 20.000 euros, com agravantes no caso de os envolvidos usarem máscaras ou causarem ferimentos.

Polícia italiana faz centena de buscas a casas de suspeitos de tumultos

Polícia italiana faz centena de buscas a casas de suspeitos de tumultos

A polícia italiana realizou hoje operações de buscas nas residências de cerca de uma centena de pessoas, metade menores, envolvidas nos distúrbios em Milão. A operação envolveu agentes da Digos em 18 cidades, com o objetivo de investigar os eventos que causaram destruição e prejuízos significativos.

Lusa | 12:31 - 23/10/2026

Brasileiro que pesou 310 quilos enfrenta 42 km para cumprir sonho do pai

24 October 2026 at 11:33

O brasileiro Júlio Mamute, que chegou a pesar 310 quilos e mal conseguia sair da cama, vai participar no domingo numa maratona de 42,195 quilómetros na Grande Muralha da China, concretizando um sonho do pai.

 

Natural de Recife, no estado de Pernambuco, Júlio, de 36 anos, perdeu cerca de 120 quilos sem recorrer a cirurgia ou medicamentos. Hoje pesa aproximadamente 190 quilos e participa em provas desportivas pelo mundo, após ter passado anos dominado pela compulsão alimentar.

"Em dois anos e meio, eu engordei algo em torno de 120 quilos", contou à agência Lusa, em Pequim, ao recordar o período da pandemia de covid-19, quando se isolou em casa e chegou a ter dificuldades para realizar tarefas básicas.

"Tomar um banho era uma das coisas mais desafiantes da vida. Porque, quando você é muito grande, você acha que vai cair", recordou. "Eu saía do banho suado. Eu saía do banho já querendo deitar. Isso é vida? Claro que não é".

A transformação começou após um episódio que ainda hoje o emociona.

No dia do seu aniversário, a 13 de novembro, nasceu o sobrinho, precisamente à mesma hora em que Júlio nasceu. Interpretou a coincidência como um sinal divino, numa altura em que já começava a perder a esperança de constituir família.

Dias depois, tentou visitar o recém-nascido para lhe entregar um presente, mas não conseguiu sair do automóvel. "Eu fui dominado por um sentimento de impotência. Eu me senti um lixo", disse.

"De que valeu a pena, então, até aqui, a vida toda? Ter empreendido, ter viajado, ter trabalhado, ter-me esforçado para ter alguma coisinha, de que valeu a pena?", questionou.

Naquele dia, decidiu inscrever-se em aulas de hidroginástica.

A experiência levou-o posteriormente à natação, modalidade que considera decisiva para recuperar a mobilidade e começar a emagrecer.

"A natação salvou a minha vida", afirmou.

Chegou a nadar mais de duas horas por dia, repartidas por duas sessões, uma atividade que lhe permitia também afastar-se das distrações e dos hábitos alimentares que procurava abandonar.

"Ali eu não tinha como pegar o telemóvel. Ali eu não tinha como estar pedindo comida", explicou.

Pouco depois de iniciar a transformação, perdeu o pai e, um mês mais tarde, um tio de quem era próximo.

Com receio de voltar aos antigos hábitos, começou a partilhar o percurso nas redes sociais, onde ganhou notoriedade.

O primeiro vídeo que se tornou viral mostrava as dificuldades que enfrentava durante uma viagem de avião, quando outros passageiros não queriam sentar-se ao seu lado.

"Eu passei a documentar tudo o que acontecesse comigo. Se eu tiver que chorar, eu vou chorar. Se tiver que sorrir, eu vou sorrir", explicou.

A corrida surgiu quase por acaso, depois de uma visita à secretaria municipal dos Desportos de São Paulo, onde foi desafiado a participar na tradicional São Silvestre, realizada no último dia do ano.

Na altura, pesava cerca de 220 quilos e nunca tinha percorrido mais de seis quilómetros num treino.

Ao sétimo quilómetro da prova, esteve prestes a desistir.

"Eu deitei no chão", recordou, explicando que recebeu então, através de uma transmissão em direto nas redes sociais, um vídeo da irmã e do sobrinho a incentivá-lo a continuar.

"Eu posso chegar amanhã. Posso chegar arrastando. Mas essa criança vai ter um exemplo, pelo menos, de que vale a pena começar e terminar", afirmou.

Acabou por completar os cerca de 15 quilómetros da São Silvestre e, desde então, participou em provas em Portugal, Argentina e Uruguai, entre outros países.

A passagem pela China tem, contudo, um significado especial.

O pai, nascido no interior de Pernambuco, era apaixonado por geografia e sonhava conhecer o mundo, sobretudo a China e a Austrália.

"Ele foi esse pai que ensina bandeira, capital, todos os países para a criancinha. Sempre que tinha reportagem na China, assistia, me chamava para assistir", acrescentou.

Júlio chegou a prometer-lhe que um dia fariam uma viagem juntos, mas o pai morreu pouco após o filho iniciar o processo de emagrecimento.

"Para mim, ter escolhido aqui a Muralha da China é uma coisa muito afetiva", afirmou.

"É um momento onde eu vou subir a muralha. Nem sei do tamanho do desafio que me enfrenta. Eu confesso isso. Eu só estou indo", acrescentou.

A transformação tem também uma vertente solidária: Júlio associa a perda de peso à doação de alimentos e afirma já ter distribuído mais de duas toneladas, incluindo em Angola, Cabo Verde e no Brasil.

A próxima etapa será Barcelona, onde pretende participar numa corrida ligada aos bombeiros locais e organizar uma nova doação.

Mas o objetivo final é mais ambicioso: perder cerca de 220 quilos relativamente ao peso máximo e completar a maratona de Atenas, na Grécia, associada às origens históricas da modalidade.

"Eu não vou desistir até chegar, até alcançar isso", garantiu.

Questionado sobre o que diria hoje ao homem que chegou a estar praticamente confinado a um quarto escuro, respondeu: "Vale a pena. Vai doer, mas vale a pena".

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Ninho da Águia de Hitler “completamente em chamas”. Um suspeito foi detido

By: ZAP
24 October 2026 at 11:30
Residência nazi ficou praticamente destruída pelo incêndio, e há sérias dúvidas de que possa ser recuperado. Um suspeito foi detido após um incêndio na residência Kehlsteinhaus de Adolf Hitler, também conhecida como “Ninho da Águia”, na Baviera, no sul da Alemanha, informou a polícia este sábado. Cerca de 200 bombeiros foram mobilizados para combater o incêndio na construção, de acesso muito difícil, situada sobre um promontório rochoso acima da localidade de Berchtesgaden. Ao início da manhã, o fogo ainda consumia o edifício, segundo imagens de uma câmara meteorológica. A polícia bloqueou o acesso à estrada que conduz ao local, enquanto

11h. Brasil. Lula reforça legado de combate à pobreza

24 October 2026 at 11:13
Lula da Silva desvalorizou as acusações de Flávio Bolsonaro sobre querer criar o "maior imposto mundo". Ainda, André Ventura está disponível para ser ouvido na CPI sobre Luís Neves.

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