Está a pensar ir comer fora? Veja aqui algumas sugestões de menus a preços económicos.
Se tem um restaurante e pretende colocar aqui – de forma gratuita – o seu menu, envio-o no dia anterior ou, no máximo, até às 10h00 do dia a que se refere para: guiaalgarve@gmail.com.
Aberto de terça a sábado, das 12h00 às 15h00 (almoço); das 15h00 às 17h00 (petiscos/snacks) e das 19h00 às 22h00 (jantar) e ao domingo, das 12h00 às 15h00
Tasca Ibérica (Portimão)
R. Poe. António Aleixo, Portimão
Aberto de 2ª a 6ª feira das 07h30 às 19h00
Friendly Bar Restaurante (Portimão)
Urbanização Vila Rosa Lote 12, Portimão. Contacto telefónico: 917 332 182
Aberto de 2ª a 6ª feira das 08h30 às 20h30
Menu desde 13€
Quarta-feira:
Perca no forno
Entrecosto com batata assada
Frango passarinho
Restaurante Ti Emília (Portimão)
EN 124, nº6. Contacto: 963 795 627
Snack-Bar Raminha (Portimão)
Rua da Raminha, Lote 19, Loja A, Portimão
Contacto: 282 482 522
Quarta-feira:
Sopa do Dia
Cabidela
Peixe Grelhado
Petisqueira Os Moinhos (Portimão)
Rua Projectada À Rua Caldeira Do Moinho Edif. Abicada, Lj. 6, Portimão
Restaurante Prato Cheio (Lagos)
Rua Francisco Sá Carneiro, 23 A, Lagos. Contacto: 282 037 469. E-mail: prato.cheio.lagos@gmail.com
Aberto de quarta-feira a domingo, das 12h00 às 15h00 e das 19h00 às 22h00 e à segunda-feira, das 12h00 às 15h00
Restaurante O Caseiro (Lagos)
Sítio do Arão, EM 539, Sítio do Arão, Odiáxere, Lagos. Contacto: 910 799 846
Aberto de terça-feira a sábado, das 10h00 às 22h00, e ao domingo, das 12h00 às 15h00
Restaurante Mi-Ema (Lagoa)
Rua da Liberdade 58, R/c, fração A, Lagoa. Contacto: 916 535 840
Aberto de 2ª a 6ª feira, para almoços, das 11h30 às 15h30. O serviço de take-away funciona das 11h30 às 17h00
Restaurante O Casinhas (Silves)
Torre e Cercas de Silves. Contactos: 967 677 848 e 282 115 692
Cantinho da Dora (Armação de Pêra)
Av. Beira Mar 1, Armação de Pêra, Portugal, 8365-101. Contacto: 965 791 084. E-mail: cantinhodadora@gmail.com
Recanto do Zé(Armação de Pêra)
Rua D. João II, Armação de Pêra. Contacto: 282 315 533
Aberto de terça-feira a domingo, das 10h00 às 15h00 e das 18h00 às 23h00
Laly Take Away(Pêra)
Rua João de Deus, Lj. 1, Pêra (Traseiras do Mercado Municipal de Pêra)
Aberto das 11h30 às 14h30 e das 18h30 às 21h30, de segunda a sexta-feira
Restaurante Bambu (Quarteira)
Rua da Nora, Quarteira (em frente ao Intermarché). Contacto: 968 557 477
A identidade histórica de São Bartolomeu de Messines, vila do concelho de Silves, está profundamente ligada à sua vasta geografia e ao legado de duas figuras marcantes do século XIX.
Uma delas foi o prestigiado poeta e pedagogo João de Deus. Autor da célebre Cartilha Maternal, um método revolucionário que alfabetizou gerações de portugueses, o escritor deixou uma marca cultural indelével no país, sendo a sua memória hoje celebrada e preservada na Casa-Museu João de Deus, situada na própria vila.
Foi nesta vila algarvia que também emergiu José Joaquim de Sousa Reis, o célebre “Remexido”, um capitão e guerrilheiro absolutista que transformou a região no palco principal das suas incursões e combates durante as violentas lutas entre Liberais e Miguelistas. A sua audácia militar gravou o nome de Messines nas crónicas da história política e militar de Portugal.
Com mais de 254 km², São Bartolomeu de Messines é a maior freguesia do Algarve, caracterizada pelo solo vermelho do “grés de Silves” e pelas bacias hidrográficas do Arade e do Funcho.
A ocupação humana da região remonta ao Paleolítico, com posterior presença romana e islâmica, tendo a freguesia sido integrada em Silves no reinado de D. Afonso III.
Diz-se que a sua localização foi decidida por uma corrida de cavaleiros entre a Amorosa e Messines, ganha por este último através de uma estratégia deliberada de avançar mais devagar.
A riqueza espiritual da vila completa-se ainda com as ermidas de Nossa Senhora da Saúde, Sant’Ana, São Pedro e São Paulo.
Investigamos o que importa para os brasileiros além do que passa na campanha eleitoral. Leia mais reportagens como essa clicando aqui.
Michelle Bolsonaro não compareceu aos atos de 7 de Setembro com a justificativa de que precisava cuidar do marido, Jair Bolsonaro. Mas a ex-primeira dama não ficou fora do clima de “guerra santa” que cercou o palanque do enteado Flávio nas manifestações em São Paulo. No Instagram, prestou uma homenagem ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), o ícone do 7 de setembro na Paulista, a quem chamou de “ungido” e “escolhido por Deus”. Também reproduziu uma mensagem em conjunto com o bispo Robson Rodovalho, da Igreja Sara Nossa Terra, pedindo oração para que “o Brasil experimente um verdadeiro despertamento espiritual”.
As mensagens têm um componente simbólico: representam que ela e seus aliados – como o próprio Mendonça, de quem foi fiadora em 2021 – estão no “lado do bem”, o “lado de Deus”, ao contrário de seus adversários. Pastores e especialistas em religião ouvidos pela Agência Pública dizem que a postura pode ter sido influenciada por pessoas de quem ela se cercou: lideranças evangélicas que acreditam que os cristãos devem participar – se não dominar – todas as esferas da sociedade, incluindo o governo, para subordinar o Estado aos valores bíblicos – a chamada teologia do domínio.
A imagem de Michelle migrou de uma primeira-dama tímida e apagada para uma das lideranças políticas mais influentes do país – mesmo disputando seu primeiro cargo eletivo só agora, aos 44 anos, ao Senado. E isso coincide com sua aproximação cada vez maior com esses grupos, que consideram ser dever do cristão ocupar cargos de poder para “libertar” os espaços da influência do diabo. Vale para política, educação, família, religião, mídia, entretenimento e negócios – considerados os “sete montes de influência”. Esse entendimento alcança várias das lideranças evangélicas mais conhecidas do Brasil hoje. Boa parte delas é do círculo pessoal de Michelle, consideradas por ela seus conselheiros espirituais, e que moldaram a sua maneira de ver o mundo.
De primeira-dama discreta a liderança política: Michelle Bolsonaro se cercou de líderes ligados à teologia do domínio atual
Três episódios ocorridos entre as eleições de 2018 e 2026 ajudam a ilustrar como ela passou a transitar entre esses dois polos – religião e política – e cravar o seu espaço no pólo conservador com apoio dos adeptos mais ferrenhos da teologia do domínio, e que podem ter peso para a candidatura de Flávio Bolsonaro.
Pouco antes das eleições de 2018, o pastor José Wellington Bezerra, um dos principais líderes da Assembleia de Deus no Brasil, visitou a casa de Bolsonaro, então postulante à Presidência. “De todos os candidatos, o único que fala o idioma do evangélico é Bolsonaro”, ele disse, na época. A frase costuma ser lembrada por incutir uma certa contradição: apesar de receber apoio massivo do público evangélico, Bolsonaro se declara católico. Ainda pouco conhecida do público, Michelle não apareceu nas fotos divulgadas do dia.
Na campanha de 2022, a equipe de Bolsonaro percebeu que ela poderia ser uma peça-chave para acessar mulheres evangélicas, um dos públicos mais reticentes com o bolsonarismo. A partir de agosto daquele ano, ela se tornou quase onipresente nos eventos da campanha. Em longas falas parecidas com sermões de igreja, ela declarava que o marido era um “escolhido de Deus” e que a sua reeleição tinha um “propósito de libertação” da nação.
Foi o ponto decisivo para a entrada de Michelle na política, galgando espaço para o seu projeto mais ambicioso: o PL Mulher, ala do partido que promove encontros entre mulheres conservadoras – onde se discute política ao mesmo tempo em que se fala de religião, família, cuidado e outros assuntos considerados femininos (não feministas). Sob a batuta de Michelle, o PL Mulher se espalhou por todos os estados como uma versão brasileira dos encontros de mulheres republicanas dos Estados Unidos.
Desde 2022, Michelle Bolsonaro se tornou uma das principais pontes entre o bolsonarismo e o eleitorado evangélico
Dois dias depois do primeiro turno, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já demonstrava vantagem sobre Bolsonaro, o casal Bolsonaro retribuiu a visita de José Wellington na eleição anterior no megatemplo que ele preside, em São Paulo. O pastor pediu abertamente votos para o capitão. Mas, desta vez, Michelle estava no púlpito, e discursou enquanto o marido chorava. A primeira-dama comparou a disputa eleitoral a uma batalha da “luz contra as trevas” e cobrou a igreja a ter uma posição no segundo turno. “A gente precisa se voltar ao Senhor. A igreja precisa se posicionar, a igreja precisa aprender”, disse ela.
Já em 2026, com Bolsonaro em prisão domiciliar, seu filho Flávio foi o escolhido pelo patriarca para disputar a presidência. Com dificuldades para ter o mesmo apoio recebido pelo pai entre os evangélicos, o filho 01 decidiu fazer um tour por várias denominações – e começou justamente pela igreja do pastor José Wellington, que lhe ofereceu a mesma simpatia. “Que o Senhor o leve para ser presidente da nossa nação” disse na ocasião, enquanto ungia o senador.
Senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) durante encontro com lideranças evangélicas na Assembleia de Deus, Ministério de Belém
Ele não contava, porém, que o estopim de uma das maiores crises de sua pré-campanha viria do núcleo familiar daquele líder religioso. Priscila Costa – deputada federal, sobrinha neta de José Wellington, vice-presidente do PL Mulher e aliada de primeira hora de Michelle – foi preterida por Flávio nas negociações do PL no Ceará.
O episódio foi a gota d’água para que Michelle gravasse um vídeo com críticas diretas ao enteado, divulgado poucas semanas depois do pedido de dinheiro de Flávio para o banqueiro Daniel Vorcaro, do banco Master ter se tornado público. Tanto o áudio da conversa como o vídeo de Michelle impactaram a imagem do candidato, que caiu 10 pontos percentuais entre o eleitorado feminino e oito pontos entre os que se denominam evangélicos, segundo pesquisa AtlasIntel/Bloomberg do final de junho.
Para remediar, Flávio gravou vídeos pedindo desculpas à Michelle e até cogitou indicar Priscila para compor sua vice-presidência – o que não foi concretizado. A ex-primeira-dama respondeu que o perdoava, sem ter abaixado a cabeça. Para muitos, foi uma queda de braço vencida por Michelle, que consolidou sua imagem de influência no campo evangélico, especialmente entre os nomes mais fortes da teologia do domínio.
Uma pesquisa recente do Instituto de Estudos da Religião (Iser) mostra que Michelle é frequentemente associada a valores positivos por mulheres evangélicas – ela é considerada “exemplar”, “cristã virtuosa”, “elegante” e “forte”. “Sua trajetória pessoal, sua forma de se apresentar como mulher, mãe, esposa e cristã e gestos como ajoelhar-se em eventos públicos aproximam sua atuação política de uma linguagem religiosa reconhecível pelas entrevistadas. O testemunho funciona, assim, como uma técnica política: transforma a experiência pessoal em exemplo e torna valores como família e nação legíveis a partir de uma gramática cristã”, diz o relatório.
Teologia do domínio: de Malafaia aos radicais
No Rio de Janeiro, Michelle frequentava a Assembleia de Deus Vitória em Cristo, de Silas Malafaia – que celebrou o casamento dela com Bolsonaro em 2015. Em 2016, após um dos vários desentendimentos entre o pastor e seu marido, ela migrou para a Igreja Batista Atitude, do pastor Josué Valandro Júnior. Ela era a intérprete de libras dos cultos de domingo e a sua casa chegou a abrigar uma célula para crianças surdas – exceto no período em que Bolsonaro se recuperava da facada. Com a mudança de volta a Brasília por causa da posse presidencial, Michelle chegou a levar o pastor a vários eventos oficiais no Palácio do Planalto.
Mas, com a distância geográfica, a proximidade entre os dois diminuiu, e Michelle passou a frequentar outras congregações, como a Comunidade das Nações, do pastor JB Carvalho, e a Sara Nossa Terra, do bispo Robson Rodovalho, que já foi deputado federal. Entre as melhores amigas de Michelle estão a senadora Damares Alves – as duas se conhecem há mais de uma década, quando ainda eram assessoras parlamentares – e a bispa Dirce Carvalho, esposa de JB. Dirce, inclusive, organiza conferências de liderança para mulheres cristãs, sob o mote de “governar todas as áreas da vida”. Os encontros, que já reuniram mais de 15 mil mulheres, também já tiveram a presença de Michelle.
A amizade entre Michelle Bolsonaro e Damares Alves se fortaleceu ainda antes da política e ganhou peso no campo conservador
Michelle e Bolsonaro também são próximos de outros nomes mais radicais do movimento, como os pastores Renê Terra Nova e Valnice Milhomens. Terra Nova, do Ministério Internacional da Restauração, é o líder da filial brasileira da International Coalition of Apostolic Leaders (Ical), fundada em 1999 nos Estados Unidos por John P. Kelly sob a presidência de C. Peter Wagner, os nomes centrais que popularizaram a teologia do domínio entre igrejas neopentecostais no mundo. Milhomens, da Igreja Nacional do Senhor Jesus Cristo, recentemente gravou um vídeo dizendo que os evangélicos devem “tomar o poder no Brasil”.
São esses os nomes dos principais representantes do dominionismo no Brasil hoje, de acordo com os especialistas ouvidos pela Pública. “A convivência da Michelle, onde ela frequenta, como a Igreja Atitude da Barra da Tijuca, são igrejas que migraram para uma radicalização do discurso que incorpora o desejo de assumir poder político. Não sei se o pastor Valandro leu o material da teologia do domínio, mas é o que ele defende”, diz Sérgio Dusilek, pastor batista e doutor em Ciência da Religião. “Quando uma pessoa frequenta esses espaços, ela acaba fazendo parte e incorporando aquele ideário, o que pra mim foi o caso da Michelle. As pessoas com quem ela anda, como a Damares, são propagadoras da teologia.”
“O principal conselheiro de Michelle costumava ser o Silas Malafaia, agora afastado da família Bolsonaro. O bispo Robson Rodovalho tem assumido esse papel e já chegou a defender Michelle como uma ‘grande líder’. Houve também encontros com a coach Obii Pax-Harry, ligada a uma corrente teológica internacional associada à teologia do domínio e à Brazil Apostolic Conference do apóstolo Renê Terra Nova, que difunde conceitos como guerra espiritual, restauração apostólica e atuação ativa de cristãos na esfera pública”, afirma a pesquisadora Pietra Cretella, mestranda da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) que pesquisa a interface entre religião e política.
Nós procuramos todos os citados nesta reportagem, mas, até a sua publicação, apenas Damares Alves e a pastora nigeriana Obii Pax-Harry responderam. A senadora disse que “não defende qualquer forma de domínio religioso sobre o Estado”, mas sim a “participação democrática, proativa e consciente de todos os cidadãos na vida pública, inclusive dos cristãos”. “Sua atuação no Senado parte da defesa da dignidade humana e da construção de leis e políticas públicas que protejam direitos e criem condições para que todas as pessoas possam exercê-los, independentemente de sua religião. A senadora defende o Estado laico, compreendido como garantia da liberdade religiosa e de consciência de todos, e não como exclusão das pessoas de fé da esfera pública”, disse, em nota enviada pela assessoria de imprensa.
Damares também afirmou que Michelle Bolsonaro “conquistou, por sua própria atuação, um espaço relevante no movimento conservador brasileiro, especialmente entre as mulheres” e “vê de forma positiva o surgimento e a consolidação de lideranças femininas que defendam publicamente seus valores e estimulem outras mulheres a participar da vida política.”
A pastora nigeriana Obii Pax-Harry, uma das principais vozes globais da Ical, a organização que reúne denominações dominionistas, também respondeu à Publica. Ela tem vindo ao Brasil com frequência em conferências neopentecostais e passou uma semana ao lado de Michelle, pouco antes da ex-primeira dama publicar o vídeo contra Flávio Bolsonaro. “Eu te amo tanto, minha querida irmã e amiga, melhor primeira-dama do mundo inteiro!”, a pastora postou, em inglês, em uma seleção de fotos abraçadas com Michelle e Dirce Carvalho.
Em entrevista à Pública, Obii afirma que tem contato com o Brasil há 15 anos, quando vendeu os direitos de um livro a uma editora brasileira. Desde então, passou a receber “pedidos de assistência de Escolas de Profetas brasileiras que usavam meu livro para treinar seus alunos.” A pastora fundou uma escola de “Governo e Política” em Abuja, capital da Nigéria, e faz treinamentos de líderes cristãos para atuar em igrejas, negócios e governos. No Brasil, Obii tem um “grupo informal” a quem dá mentoria, junto com a pastora Débora Guillen, líder da Action Church, uma dissidência da Igreja Batista da Lagoinha, em Belo Horizonte.
“Conheci Michelle Bolsonaro como uma mulher cristã em uma igreja e fui particularmente atraída pelo coração que ela tem por seus irmãos na fé, independentemente do status social deles — algo que acho raro, vindo do Reino Unido, EUA e Nigéria”, disse.
Mas ela frisa que Michelle não é uma de suas mentoradas, como se cogitou à época da publicação do vídeo. “Não tenho nenhuma relação de trabalho formal com Michelle ou com qualquer outra pessoa no Brasil como mentora, conselheira ou instrutora. Agradeço seu interesse nisso, mas não é o que acontece. Talvez você possa me recomendar para esse trabalho (risos)”, disse.
Gramática de dominação
Para Christina Vital, professora do Programa de Pós-graduação em Sociologia e coordenadora do laboratório de estudos em Política, Arte e Religião da Universidade Federal Fluminense (LePar), a teologia do domínio não é “um conjunto de orientações que os indivíduos seguem de maneira irrefletida e automática”, e nem “a única motivação para a atuação de evangélicos na política”.
“A teologia do domínio não inaugura a noção de evangelização, mas oferece uma gramática e estratégias de ocupação e dominação de espaços públicos. Ela ocupa um lugar importante entre grupos religiosos e econômicos que mobilizam o repertório para fazer valer interesses institucionais – apresentados como interesses sociais e religiosos – e também interesses de conglomerados econômicos”, afirma a pesquisadora, que estuda a participação de mulheres na extrema direita brasileira.
Vital pondera, porém, que é importante considerar outros aspectos para além da teologia do domínio para analisar Michelle – como os seus interesses pessoais, econômicos, políticos e partidários. “Fazer a leitura exclusivamente pelo viés religioso é, de certa maneira, limpar essas outras dimensões, acentuando o valor espiritual das ações e encobrindo motivações que poderiam ser vistas como mundanas pelos próprios segmentos sociais reunidos em torno da fé”, afirma.
Ela acredita que Michelle “não é simplesmente uma porta-voz de outras lideranças”, mas tem força política própria. “Ela costuma dizer que Bolsonaro é ‘um leão em público e um gatinho em casa’. Vamos acompanhar os próximos acontecimentos, mas ela vem se mostrando uma espécie de ‘leoa de direita’, tanto em casa quanto na política, para continuar nas metáforas felinas.”
Pesquisadores ouvidos concordam, porém, que o discurso de Michelle, sua arma mais importante como política, ganha densidade ao se articular com a teologia do domínio, como explica Fábio Py, doutor em Teologia que lidera o Grupo de Estudos Religião e Cidades da PUC de São Paulo. Ela articula textos bíblicos com inserção política atual, e faz isso muito bem, com tranquilidade. É natural para ela. Ela tem uma caminhada religiosa, coisa que muitos outros bolsonaristas não têm. Fez formações, estudou, compreende bem os elementos religiosos”, diz.
A pesquisadora Cretella, que estuda os discursos político-religiosos de Michelle, diz que ela costuma repetir elementos ligados à teologia do domínio, como falar em nome de Deus, da divisão entre o bem e o mal, atribuir-se um caráter divino e se vitimizar, o que também pode ser observado no vídeo contra o enteado. “Ela se colocou como vítima, citou Deus e valores cristãos para reforçar sua autoridade moral, enquanto se apresentava como ‘guardiã do bolsonarismo raiz’”, afirma a pesquisadora.
Os elementos da teologia de domínio, ficam “escondidos” dentro das falas, explica Cretella. A narrativa de Michelle trata em uma primeira camada de lealdade, doação, cuidado, perseguição e retorno do líder. Mas, como mensagem subliminar, haveria um apelo à guerra espiritual, que funciona como um “apito de cachorro” para o núcleo mais fervoroso.
Se antes Jair Bolsonaro era a “voz dos evangélicos”, agora Michelle parece ter se tornado a favorita na política, usando a força do marido a seu favor. “Eu não diria que ela herdou o papel unificador de Bolsonaro, mas ela tem a pretensão de continuar a narrativa de que ele é o salvador, acenando ao público evangélico como um todo”, diz Cretella.
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Se tem um restaurante e pretende colocar aqui – de forma gratuita – o seu menu, envio-o no dia anterior ou, no máximo, até às 10h00 do dia a que se refere para: guiaalgarve@gmail.com.
Aberto de terça a sábado, das 12h00 às 15h00 (almoço); das 15h00 às 17h00 (petiscos/snacks) e das 19h00 às 22h00 (jantar) e ao domingo, das 12h00 às 15h00
Tasca Ibérica (Portimão)
R. Poe. António Aleixo, Portimão
Aberto de 2ª a 6ª feira das 07h30 às 19h00
Friendly Bar Restaurante (Portimão)
Urbanização Vila Rosa Lote 12, Portimão. Contacto telefónico: 917 332 182
Aberto de 2ª a 6ª feira das 08h30 às 20h30
Menu desde 13€
Terça-feira:
Sardinhas grelhadas
Carapaus grelhados
Dourada grelhada
Entremeada + febras grelhadas
Coelho
Restaurante Ti Emília (Portimão)
EN 124, nº6. Contacto: 963 795 627
Snack-Bar Raminha (Portimão)
Rua da Raminha, Lote 19, Loja A, Portimão
Contacto: 282 482 522
Sopa do Dia
Carne de Porco à Portuguesa
Peixe Frito
Petisqueira Os Moinhos (Portimão)
Rua Projectada À Rua Caldeira Do Moinho Edif. Abicada, Lj. 6, Portimão
Restaurante O Caseiro (Lagos)
Sítio do Arão, EM 539, Sítio do Arão, Odiáxere, Lagos. Contacto: 910 799 846
Aberto de terça-feira a sábado, das 10h00 às 22h00, e ao domingo, das 12h00 às 15h00
Restaurante O Casinhas (Silves)
Torre e Cercas de Silves. Contactos: 967 677 848 e 282 115 692
Aberto das 11h00 às 21h30, de segunda a sábado
Cantinho da Dora (Armação de Pêra)
Av. Beira Mar 1, Armação de Pêra, Portugal, 8365-101. Contacto: 965 791 084. E-mail: cantinhodadora@gmail.com
Recanto do Zé(Armação de Pêra)
Rua D. João II, Armação de Pêra. Contacto: 282 315 533
Aberto de terça-feira a domingo, das 10h00 às 15h00 e das 18h00 às 23h00
Laly Take Away(Pêra)
Rua João de Deus, Lj. 1, Pêra (Traseiras do Mercado Municipal de Pêra)
Aberto das 11h30 às 14h30 e das 18h30 às 21h30, de segunda a sexta-feira
Restaurante Bambu (Quarteira)
Rua da Nora, Quarteira (em frente ao Intermarché). Contacto: 968 557 477
// Se já estiver a falar, para o áudio e repõe o botão
if (window.speechSynthesis.speaking) {
window.speechSynthesis.cancel();
botao.innerHTML = "🔊 Ouvir este artigo";
return;
}
// 1. Seleciona o bloco de texto do artigo (lógica original do Guia Algarve)
const artigo = document.querySelector('.entry-content') || document.querySelector('.post-content') || document.body;
// 2. Guarda o texto na memória
let textoFinal = artigo.innerText;
// 3. Remove a frase do botão para ela não ser lida
textoFinal = textoFinal.replace("🔊 Ouvir este artigo", "").replace("Ouvir este artigo", "");
textoFinal = textoFinal.trim();
if (textoFinal.length === 0) return;
// 4. Configura a voz
const mensagem = new SpeechSynthesisUtterance(textoFinal);
mensagem.lang = 'pt-PT';
// 5. Quando o áudio terminar sozinho, o botão volta ao normal
mensagem.onend = function() {
botao.innerHTML = "🔊 Ouvir este artigo";
};
// 6. Muda o texto do botão para indicar que se pode parar
botao.innerHTML = "⏹ Parar Áudio";
// 7. Começa a ler
window.speechSynthesis.speak(mensagem);
}
// Garante que o áudio para se o utilizador fechar ou mudar de página
window.onbeforeunload = function() {
window.speechSynthesis.cancel();
};
Ao longo desta semana têm lugar muitos eventos, espetáculos e concertos na região algarvia.
Destacamos, para esta 3ª feira, 8 de setembro, a atuação de Bárbara Bandeira, no Auditório Carlos do Carmo, em Lagoa, a partir das 22h00. O espetáculo faz parte do cartaz de celebração de Nossa Senhora da Luz e do Feriado Municipal de Lagoa.
Na sexta-feira, dia 11, há dois nomes bem conhecidos do panorama musical com concertos agendados na região algarvia.
Um deles é Tony Carreira, que atua na Festa de Alcoutim, a partir da meia-noite.
Iran Costa, que se tornou conhecido há uns bons anos atrás, graças, sobretudo ao sucesso da música “O Bicho”, anima o primeiro dia do Festival do Berbigão, na aldeia da Figueira, concelho de Portimão. Deverá subir ao palco por volta das 22h30. Confira o programa aqui.
No sábado realiza-se a primeira edição do festival “Há Música na Vila”, em Vila do Bispo, que tem Richie Campbell como cabeça de cartaz. Mais informações aqui.
Por fim, para domingo há três destaques.
Na Festa de Alcoutim, há a atuação de Ivandro, a partir das 23h00.
Em Loulé, ao palco do Cineteatro local, sobem, pelas 17h00, os irmãos Pedro e Hélder Moutinho. Os bilhetes custam 12 euros e estão à venda aqui.
Por fim, na Figueira (concelho de Portimão), o encerramento do Festival do Berbigão fica por conta da popular cantora Rosinha (22h30). Saiba mais aqui.
Mas há muitas outras iniciativas que animam a semana. Confira aqui a agenda completa.
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Não se iluda com a beleza da cidade de Lagos. Ela é também um osso duro de roer. Que o diga quem, em determinada fase da história, a tentou conquistar e falhou redondamente.
Um dos que comprovaram a têmpera dos lacobrigenses e a eficácia das suas estruturas de defesa, em especial, as muralhas, foi o temível corsário britânico Francis Drake.
Em1587, numa altura em que Portugal estava sob o domínio espanhol, vindo de Cádis, onde destruíra mais de duas dezenas de navios inimigos, tentou desembarcar e saquear Lagos.
No entanto, a resistência local foi muito mais feroz do que previra.
Forçado a desistir, o corsário seguiu para Sagres, descarregando a sua frustração ao arrasar quase tudo o que encontrou entre o Porto da Baleeira e o Cabo de São Vicente.
Séculos mais tarde, durante as Guerras Liberais do século XIX, a cidade voltou a ser posta à prova pelo famoso Remexido, um temido guerrilheiro apoiante de D. Miguel.
Decidido a fazer Lagos render-se pela fome e pela sede, o Remexido montou um cerco implacável de um mês.
Posicionou canhões no Monte Moleão e no Cerro das Mós para bombardear a população, queimou os moinhos e destruiu o aqueduto.
Apesar do sofrimento imposto, os seus intentos falharam e, com a iminente derrota miguelista no Alentejo, viu-se obrigado a levantar o cerco, deixando finalmente a cidade em paz.
Investigamos o que importa para os brasileiros além do que passa na campanha eleitoral. Leia mais reportagens como essa clicando aqui.
Após a série de atos que estremeceram o Supremo Tribunal Federal (STF) nesta semana, o ministro André Mendonça foi alçado ao posto de um dos principais ícones dos evangélicos e um pólo de mobilização para a militância bolsonarista nos atos de 7 de Setembro. Pedidos de oração e abaixo-assinados em apoio ao ministro mobilizaram lideranças políticas e religiosas que apoiam o candidato Flávio Bolsonaro nos últimos dias.
Em posts em redes sociais como X e Instagram, Mendonça é colocado como um contraponto ao ministro Alexandre de Moraes e ao governo Lula. Algumas publicações apresentam a disputa como uma escolha entre dois lados: de um, Lula e Moraes; de outro, Mendonça e o combate à corrupção. Há, inclusive, hashtags de apoio ao ministro, como #EuApoioAndréMendonça.
A “igreja evangélica se une em oração” no episódio descrito como “a maior batalha espiritual das últimas décadas”, diz um texto publicado no portal Gospel Mais, que foi replicado em várias outras páginas evangélicas. Um site que coleta assinaturas em apoio ao ministro recebeu mais de 14 mil adesões nas primeiras horas em que esteve no ar.
Pastores e observadores do mundo evangélico relataram à Agência Pública que os pedidos de orações para Mendonça têm sido a forma de adesão mais notável entre grupos cristãos conservadores na véspera de 7 de setembro – o meio costuma ser um dos mais engajados nos atos em apoio ao bolsonarismo.
O pastor presbiteriano e doutor em Sociologia, Valdinei Fernandes, reparou que não tem visto grandes mobilizações de evangélicos para o ato que deve ocorrer no 7 de setembro em São Paulo – programado para ser o maior do dia, com a presença do candidato Flávio Bolsonaro (PL). “O que tem circulado são pedidos de oração pelo ministro André Mendonça”, disse.
O fato de Mendonça ser evangélico ajudou a criar uma aproximação maior com o público – ele é o ministro “terrivelmente evangélico” escolhido por Jair Bolsonaro durante o seu governo. “Mendonça está quase virando um mártir. A extrema direita coloca a situação como se a esquerda estivesse perseguindo um pastor. Não um ministro do Supremo, mas sim um ministro evangélico”, afirma Sérgio Dusilek, pastor batista e teólogo.
No dia em que os novos detalhes do caso Master vieram à tona, 1º de setembro, a dupla sertaneja Zezé di Camargo e Luciano louvou o ministro durante um show em Blumenau, em Santa Catarina. “Vamos pedir uma oração para este homem. Um homem que não tem medo de colocar aquilo que ele crê, aquilo que ele acredita”, disse Luciano, que também relatou que frequenta a Igreja Presbiteriana de Pinheiros, na qual Mendonça é reverendo em São Paulo.
Pastores evangélicos influentes, como o apóstolo Estevam Hernandes, fundador da Igreja Renascer em Cristo e presidente da Marcha para Jesus, e o pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, um dos principais mobilizadores de protestos de rua do bolsonarismo, declararam apoio a Mendonça.
“Neste momento, minha oração é para que Deus continue lhe dando sabedoria, coragem e firmeza para cumprir sua missão”, disse Hernandes. Malafaia publicou uma série de vídeos em defesa de Mendonça e com duras críticas a Moraes, discurso que deve ser reproduzido na manifestação programada para a Avenida Paulista, em São Paulo, quando ele prometeu a sua fala “mais dura” contra Moraes.
Políticos bolsonaristas, como os senadores Magno Malta (PL-ES), Marcos Pontes (PL-SP) e Carlos Viana (PSD-MG), também convocaram correntes de oração ao ministro Mendonça. Magno Malta declarou que o magistrado não deve recuar diante de pressões e convocou aliados a fazerem um “clamor de oração” por ele.
Na biblioteca de anúncios do Meta, que congrega conteúdo patrocinado no Instagram e Facebook, há mais de 20 posts impulsionados com pedidos de oração para Mendonça nos últimos dias. A maioria foi paga pelas campanhas de candidatos bolsonaristas.
“Tem um homem em Brasília precisando da oração da igreja hoje”, diz um post de Davi Sacer, cantor gospel e candidato a deputado federal pelo Republicanos por São Paulo, com 1,5 milhão de seguidores. “O ministro André Mendonça está à frente de um dos casos mais importantes do Brasil. (…) Ore com a gente. E compartilha com a sua igreja e o seu grupo de oração: quanto mais gente intercedendo, mais forte essa corrente pelo Brasil.”
Outro post patrocinado é de Marcos Dias, presidente do Podemos no Rio de Janeiro e candidato ao Senado pelo estado. “Diante deste momento decisivo, faço um chamado à oração pelo ministro André Mendonça. Que Deus o proteja, fortaleça seus passos e lhe dê sabedoria para cumprir sua missão”, ele escreveu. Cada uma das publicações tem alcance estimado em mais de 1 milhão de usuários.
O ministro André Mendonça (esq.) tirou o sigilo das conversas entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do caso Master e Alexandre de Moraes (dir.)
Crise no Supremo
No dia 1º de setembro, Mendonça tirou o sigilo de um relatório que aponta comunicações entre o banqueiro Daniel Vorcaro, do banco Master, e autoridades, como o ministro Moraes (principal alvo do documento), o procurador-geral Paulo Gonet e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.
O relatório mostra que o escritório de Viviane Barci, esposa de Moraes, fechou com o Master um contrato de R$ 131 milhões assinado 12 dias depois de um suposto almoço de Moraes numa propriedade de Vorcaro em Campos do Jordão. Os metadados da versão final do arquivo do contrato indicam um usuário com nome de “Ministro Alexandre de Moraes” como o último a editar o documento.
Dois dias depois, Moraes rebateu: usou relatórios da inteligência da Polícia Federal para acusar Mendonça de, “em tese”, ter cometido improbidade administrativa, crimes de responsabilidade e de abuso de autoridade, com “favorecimento a determinados grupos políticos”. A crise aberta no STF escalou tão rapidamente que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), chegou a cogitar abrir processos de impeachment cruzados contra os dois ministros.
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A neutralidade da Justiça nunca foi uma característica brasileira, como sabem mulheres, pretos e pobres que já enfrentaram um tribunal – como réus ou como vítimas. Interesses econômicos, lealdade de classe ou gênero, preconceitos, e em alguns casos, corrupção, desequilibram a balança que deveria julgar todos os cidadãos com mesmo peso e medida.
Esse é o papel principal do Supremo Tribunal Federal, guardião da Constituição, que pode corrigir erros das instâncias inferiores e declarar inconstitucionais medidas e leis do Legislativo ou do Executivo, como vimos tantas vezes no governo Bolsonaro. O que não significa imunidade contra distorções de juízo, como em qualquer tribunal, nem que os ministros individualmente não tenham seus próprios interesses políticos e econômicos, como foi escancarado nesta semana.
Por isso as decisões coletivas, teoricamente tomadas por técnicos de excelência jurídica, são tão importantes para fazer valer a Constituição e a legalidade dos processos judiciais, prevalecendo as provas e os direitos dos réus, como ocorreu na condenação de Jair Bolsonaro, generais e outros golpistas pela 1a turma do STF por um placar de 4×1 em julgamento com transmissão ao vivo para todo mundo acompanhar.
Por outro lado, os juízes do Supremo são indicados por políticos – os presidentes – e referendados por outros políticos, os senadores. A lealdade esperada pelos que os indicaram supera o critério técnico, e a representatividade social não existe, como prova a minguada presença de mulheres e de negros na história do tribunal.
Alexandre de Moraes, ex-DEM e filiado ao PSDB quando foi indicado por Michel Temer para o STF, era seu amigo há mais de 20 anos e ocupou o cargo de ministro da Justiça em seu governo. Também agradava à base aliada no Congresso (leia-se centrão e extrema-direita), que meses depois de derrubar Dilma Rousseff “com Supremo com tudo”, estava preocupada com as denúncias da Lava Jato – das quais o próprio Temer seria alvo, depois do empresário Joesley Batista ter gravado um diálogo comprometedor com ele na garagem do Palácio Jaburu.
André Mendonça, como todos sabem, foi indicado pelo presidente Jair Bolsonaro, de quem era ministro da Justiça, o que por si só não o compromete, como mostra a atitude de ministros indicados por Lula. Um exemplo gritante é o que ocorreu quando Lula estava preso e o ministro Dias Tóffoli, indicado por ele dez anos antes para o STF, o proibiu de comparecer ao velório do irmão.
O que não se pode esquecer, quando se pensa no motivo, forma e momento que Mendonça escolheu para tornar públicas as relações no mínimo impróprias de Alexandre de Moraes com o banqueiro Daniel Vorcaro, é que Mendonça está longe de ser neutro – ou ingênuo politicamente. Quando era ministro da Justiça de Bolsonaro, pediu à PF a abertura de inquéritos com base na Lei de Segurança Nacional da ditadura contra opositores políticos do presidente e até contra jornalistas. Também sob seu comando, o Ministério da Justiça produziu um dossiê contra 576 servidores e três professores universitários, identificados e monitorados por eles como integrantes do “movimento antifascista”, o que resultou em determinação do STF para suspender qualquer ato do Ministério da Justiça de produção ou compartilhamento de informações. A atuação do MJ foi qualificada como “uma afronta direta ao regime democrático” pela ministra Cármen Lúcia.
Com esse histórico, fica difícil imaginar que Mendonça agiu puramente no interesse da Justiça ao atropelar ritos internos e encomendar um relatório da PF, visando Moraes, Paulo Gonet (PGR) e Andrei Rodrigues (PF), no dia 24 de agosto com prazo de 72 horas para ser concluído, e levantar o sigilo na manhã de 1º de setembro, quando já estava sendo vazado pelo Estadão. O material, esmiuçado pela imprensa, é devastador, e coloca Moraes na posição de informante ou consultor jurídico do banqueiro, com imenso impacto para o STF, o país e para as eleições, que já vinham sofrendo interferência dos Estados Unidos.
Se antes o ódio a Moraes era provocado sobretudo pela prisão dos golpistas, agora o lobby de Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo pode instrumentalizar politicamente as suspeitas de corrupção sobre o ministro, que já havia sido incluído na Lei Magnitsky pelo governo Trump, com o objetivo de se intrometer na nossa política interna.
O contrato de 130 milhões de reais entre Daniel Vorcaro e o escritório da mulher de Alexandre de Moraes, firmado em janeiro de 2024 – com a revisão do ministro como se sabe agora – já havia sido revelado pelo Globo em dezembro de 2025. Em março, a jornalista Malu Gaspar divulgou parte das mensagens obtidas pela PF no celular do banqueiro já muito comprometedoras para o ministro.
Por que Mendonça tomou a decisão de pedir só agora o relatório da PF? Por que tanta pressa em divulgá-lo para a imprensa se Vorcaro está preso desde novembro do ano passado? Por que não disse que ele também teve contato com o banqueiro? Por que as investigações do caso Dark Horse, com documentos e mensagens contra Flávio Bolsonaro anda tão devagar, enquanto o caso Lulinha é alvo de vazamentos constantes e seletivos?
Já as razões de Alexandre de Moraes para atacar Mendonça são auto-explicativas mas nem por isso menos danosas. Ao contrário. Além de tentar desviar-se de responder a fatos que não tem como explicar, o ministro apelou mais uma vez para o inquérito das Fake News, há sete anos sob seu comando e alvo de diversas acusações de abuso de autoridade, e movimentou a PF – sendo ele próprio alvo de investigações – para jogar suspeitas sobre Mendonça apenas para defender seus interesses.
Para nós, cidadãos, sobra um gosto amargo, uma desilusão profunda, que também impacta o clima das eleições. Quando uma instituição tão fundamental para a democracia, como o STF, que livrou o país de um golpe nas eleições passadas, parece afundar na lama e a disputa eleitoral se transforma em guerra de acusações, o risco é esquecer o principal: a diferença entre os projetos de país e de atuação política entre os principais candidatos à presidência e ao Congresso.
Para a noite de hoje, sexta-feira, destacamos as atuações dos The Gift, Ricardo Ribeiro com a Orquestra Jazz do Algarve, Clã e Moonspell, no segundo dia do Festival F, em Faro (saiba mais aqui), e de Carolina Deslandes, na Feira da Dieta Mediterrânica, em Tavira (mais informações aqui).
Para amanhã, sábado, recomendamos uma viagem ao interior algarvio, mais concretamente à povoação de Tôr, no concelho de Loulé, para assistir ao concerto dos alentejanos Bandidos do Cante. Confira o programa completo deste festival aqui.
Outra boa hipótese é voltar ao centro histórico de Faro para, no derradeiro dia do Festival F, assistir aos concertos de Carminho com a Orquestra do Algarve, Slow J e Maninho.
Para domingo, a dificuldade de escolha é grande. Na Praça dos Pescadores de Albufeira atua o famoso cantor e compositor José Cid. Em Tavira, no final da Feira da Dieta Mediterrânica, é Diogo Piçarra que sobe ao palco e, no Festival de Tôr, a música fica por conta dos grandes Xutos & Pontapés.
Mas estes são apenas alguns dos destaques de um fim de semana recheado de música. Confira aqui a agenda completa.
O Algarve tem muitos passadiços a partir dos quais se pode apreciar a beleza da região, enquanto se aproveita para fazer exercício físico.
Venha daí à descoberta de quatro deles. Vamos caminhar por arribas impressionantes, ver praias de sonho e assistir a um pôr do sol mágico, mas também desafiar os medos, caminhando por uma ponte suspensa na montanha.
Comecemos por um passadiço pequeno, mas que é dos mais impressionantes do Algarve.
Situado em Carvoeiro, no concelho de Lagoa, o percurso liga o Forte de Nossa Senhora da Encarnação — construído por volta de 1670 para proteger a costa dos ataques de piratas — ao icónico Algar Seco.
É lá que se localiza a mais famosa “Boneca” algarvia, uma formação rochosa única que esconde uma gruta com uma janela natural voltada para o mar.
2. Da Praia à Lagoa em Armação de Pêra (Silves/Albufeira)
Cumprida a primeira viagem, seguimos em direção a um trilho ideal para quem procura maior extensão.
Com 4 quilómetros de comprimento, esta caminhada pode ser iniciada junto à praia de Armação de Pêra.
Ao longo do percurso, o trilho atravessa uma ribeira e uma lagoa costeira, conduzindo os visitantes pelos cenários naturais e planos até junto à famosa Praia dos Salgados.
3. As Arribas Icónicas da Ponta da Piedade (Lagos)
A terceira sugestão fica no concelho de Lagos.
Estamos a falar dos Passadiços da Ponta da Piedade, a partir dos quais se consegue vislumbrar algumas das praias mais belas e fotografadas do Algarve, como a da Dona Ana e a do Camilo.
O caminho leva-nos até a um farol centenário, situado exatamente na Ponta da Piedade.
Dali, os mais aventureiros ainda podem seguir em direção à Praia do Porto de Mós, conhecida como um dos melhores locais da região para assistir a um pôr do sol mágico.
4. A Vertigem da Serra no Barranco do Demo (Monchique)
Se prefere o ambiente e o fresco da serra, a opção mais espetacular é o Passadiço do Barranco do Demo, situado bem perto da aldeia do Alferce, no concelho de Monchique.
Afastado do ambiente de praia, este trilho destaca-se pela sua vertente cénica e montanhosa.
O seu principal motivo de atração é uma imponente ponte suspensa com cerca de 50 metros de extensão, que cruza o desfiladeiro e é indicada apenas para os caminhantes mais corajosos.
Uma das mais conhecidas das gentes locais é a do Menino dos Olhos Grandes, que até já ganhou um monumento em sua honra.
A escultura faz, inclusivamente, parte do Caminho das Lendas, um percurso pedonal que liga cinco dos principais largos da zona histórica de Olhão.
Conta essa lenda que, nas noites escuras de Olhão, os pescadores do Bairro da Barreta costumavam encontrar um menino misterioso sentado no Largo do Carolas.
A criança vestia uma camisa simples, usava um gorro vermelho, trazia um cesto de vime no braço e chorava sem parar.
O que mais impressionava eram os seus olhos pretos, gigantes e muito brilhantes. Com pena do miúdo, os pescadores tentavam pegá-lo ao colo para o ajudar, mas levavam um grande susto.
Assim que o levantavam, o menino começava a ficar cada vez mais pesado, como se fosse feito de chumbo. Sem forças para aguentar tanto peso, os homens eram obrigados a largá-lo e, mal tocava no chão, o rapaz desaparecia por encanto.
Com o tempo, o povo ganhou tanto medo que deixou de sair à noite, até que um dia a criatura desapareceu para sempre.
Hoje, quem passeia por Olhão pode ver uma estátua de metal que recorda esta famosa lenda algarvia.
Um deles é o Festival F, que, entre os dias 3 e 5, leva a Faro grandes nomes da música nacional, como D.A.M.A, Bárbara Tinoco, The Gift e Moonspell, entre muitos outros.
Pode conferir aqui o cartaz, com todas as atuações agendadas.
Um outro grande evento que está quase a abrir portas é a Feira da Dieta Mediterrânica, que decorre entre os dias 3 e 6, em Tavira.
Os principais destaques vão para os concertos do grupo Vizinhos (dia 3, quinta-feira), Carolina Deslandes (dia 4, sexta), Marco Rodrigues (sábado) e Diogo Piçarra (domingo).
Mas há muitos outros motivos de interesse para visitar este certame. Pode saber mais sobre a programação aqui.
Outro nome forte da música portuguesa que tem concerto agendado no Algarve é José Cid. O popular cantor e compositor atua no domingo, dia 6, na Praça dos Pescadores, em Albufeira, no encerramento das Festas do Pescador, cujo programa pode consultar aqui.
Outros grandes concertos vão ter lugar em plena serra algarvia. A Festa de Tôr (concelho de Loulé) vai contar com as atuações dos Bandidos do Cante (sexta, dia 5) e Xutos & Pontapés (sábado, 6). Saiba mais aqui.
As Festas de Alcoutim vão contar com espetáculos de Tony Carreira (dia 11), David Antunes (dia 12) e Ivandro (dia 13). Mais informações aqui.
Em Vila do Bispo, no dia 12 realiza-se a primeira edição do festival “Há Música na Vila”, com um concerto de Richie Campbell. Saiba mais aqui.
Os irmãos Pedro e Hélder Moutinho têm um concerto marcado para o dia 13, no Cineteatro Louletano. Os bilhetes custam 12 euros e estão à venda aqui.
No mesmo dia, a popular cantora Rosinha encerra o Festival do Berbigão, na Figueira, concelho de Portimão. Confira aqui todo o programa.
Mas há muitos mais espetáculos musicais que pode ver, ao longo do mês, na região algarvia. Consulte aqui a agenda completa.
When Israeli forces besieged Al-Shifa Hospital in November 2023, eight premature babies in incubators were evacuated to Egypt under fire. One of them was Joud. His mother, Fatima Dakkeh, spent the next two years and eight months searching for him and fighting to bring him home.
Fatima tells the story of giving birth just months before October 7, losing contact with her son during the first Israeli raid on Al-Shifa, learning a year later that he was alive in Egypt, and a bittersweet reunion with a child who no longer recognized her.
According to the International Rescue Committee, at least 17,000 children in Gaza are unaccompanied or separated from their parents. For many families, there will be no reunion.
Credits:
Producers: Belal Awad, Leo Erhardt Videographers: Ruwaida Amer, Mahmoud Al Mashharawi Video Editor: Leo Erhardt
Transcript
Narrator:
Al-Shifa hospital is the largest medical complex in Gaza. Since October 7, it’s been repeatedly raided, occupied and targeted by Israeli forces. Over the course of the Genocide, hundreds were killed in and around the building and the hospital itself was completely destroyed.
In November 2023, under Israeli fire, 8 premature babies in incubators were hurriedly evacuated to Egypt. Joud was one of those babies.
Fatima Dakkeh:
I gave birth to my son, Joud, in July. Joud needed neonatal care at Al-Shifa Hospital. We placed him in the neonatal unit, but then the war started and Joud was there in the hospital. We couldn’t get in touch with Joud because of the shelling and the war.
Narrator:
Fatima Dakkeh and her son Joud have been unable to have a regular mother-son relationship. Joud was born in Gaza just a few months before October 7th 2023 and so, their story has been shaped by war, displacement and separation. Shaped that is, by Israel’s war on Gaza.
Fatima Dakkeh:
When we tried to get to the hospital to get Joud, we weren’t able to get to him and take him out, because of the situation—things had gotten really bad. There was a lot of shelling and there were airstrikes and quadcopters. We planned to go back another day to get Joud, once the situation calms down. But the situation just kept getting worse. The Israelis entered Al-Shifa Hospital and occupied it— that was the first invasion of Al-Shifa Hospital, and my son was inside.
About a year later, I found out my son was in Egypt. I mean, I didn’t give up; I kept going to hospitals, I went to the Red Cross and places like that to search for news about my son, no one could help me. I went to a doctor I know. I told him my story, he said, “I’ll try to get in touch with your son and see where he is.” Thank God, he was the one who discovered my son was in Egypt. After a few days, they sent us pictures of my son, and we found out he was OK. Thank God. They knew he was our son through my name—they had my name on file. We started communicating with him more through my sister-in-law—my sister-in-law in Egypt. We told her the story, and of course she didn’t hesitate; she visited him in hospital, sent us pictures and reassured us about him, thank God.
Honestly, I was happy and upset at the same time because my son was in Egypt, if he would have been here in Gaza he would have suffered a lot. We were starved, even nappies were cut off. Most children were using scraps of cloth as nappies. And milk too, was cut off—we had no milk at all in northern Gaza. I said to myself thank God my son is in a better place than Gaza. But at the same time, I was upset that my son was far from me. I would see mothers playing with their kids, dressing them, carrying them—and I would feel these feelings. I would miss my son. I wished my son was with me. At the same time, I’d look at my situation—how we’re living, in tents, in all this difficulty. I’d say to myself, hopefully he will return to us in a better situation, there will be a ceasefire and we will make up for the days we lost.
I had lost hope that he would return. With the crossing closed and the Israelis were not letting people return. When they first told us he was returning, I was shocked. My husband and I both. We were surprised—how could he come back just like that, overnight? He’s just going to come back, all of a sudden, after we’d lost hope all these years. I was overjoyed with the news that I would see my son again, it was the best news. When we went to the hospital to collect him, it took a really long time for them to bring him to us—many hours. With each passing hour, I would get more and more excited: about seeing him and about how I would greet him. I mean it was really hard, but at the same time, the moment when I saw him was really beautiful.
Yeh, honestly, when I first saw my son, he wouldn’t come to me; he’d cry and avoid me. He would go to his dad before me. he didn’t want to come to me, so I was afraid that he’d stay that way uncomfortable around us And afraid of living with us, and afraid of the situation we’re in— that he wouldn’t accept us Thank God, little by little, he started to accept us.
Narrator:
According to estimates by the International Rescue Committee, 20,000 children are still living separated from their parents in Gaza. Fatima was reunited with Joud and though their separation which lasted 2 years and 8 months impacted both mother and child, they are now reunited. As for the thousands of other survivors in Gaza, for many there will be no reunion.
When Israeli forces raided Al-Shifa Hospital, Fatima Dakkeh’s newborn baby was evacuated to Egypt without her — one of thousands of Gaza's children separated from their families by Israel's war.
A Praia da Torralta é muito mais do que um destino de sol e mar, é um ícone que marcou uma era no turismo de Portimão e do Algarve.
Como o próprio nome indica, situa-se junto à zona, onde funcionou o empreendimento turístico com a mesma denominação.
Desde essa altura que aquela praia passou a ser uma das preferidas de quem visita a região algarvia.
O seu cartão de visita é irrecusável: águas cristalinas e tépidas que banham um extenso areal de areias douradas e finas que faz com que no areal nunca haja falta de espaço para mais um banhista.
Localizada estrategicamente entre a Praia de Alvor e a Praia dos Três Irmãos, a Torralta oferece um horizonte a perder de vista sob um mar de vários tons de azul, garantindo as melhores condições de conforto e segurança para dias retemperadores à beira-mar.
A praia beneficia da também da proximidade à típica vila de Alvor e conta com uma boas rede de infraestruturas hoteleiras e de restauração.
Uma das suas maiores mais-valias é o moderno passadiço, que permite longas caminhadas com vista quase infinita para o oceano.
Este percurso pedestre é um convite para caminhar entre monumentos históricos, praças animadas e a brisa do Rio Arade.
1. O Coração Comercial: Da Rua do Comércio à Praça da República
Alameda da Praça da República
Comece a manhã na Rua do Comércio e Rua Vasco da Gama. Este eixo é o pulmão comercial de Portimão, onde o movimento das lojas tradicionais reflete o quotidiano da cidade. No centro, a Praça da República (Alameda) serve de ponto de união, oferecendo um espaço amplo onde se destaca o monumental Colégio dos Jesuítas (1660), um gigante barroco que guarda o túmulo do seu fundador, D. Diogo Gonçalves.
2. Espiritualidade e Nobreza: Da Matriz ao Largo 1º de Dezembro
Suba até à Igreja Matriz, onde o portal tardo-gótico do século XV resiste como a memória mais antiga da fundação da vila. Desça depois para o Largo 1º de Dezembro, um “livro de história a céu aberto”.
A não perder: Os 10 bancos de azulejo de 1930 que narram a história de Portugal e a imponente fachada do Palacete Sárrea Prado (Teatro TEMPO).
3. Memória Política e Literária: Casa Manuel Teixeira Gomes
Siga em direção ao rio para visitar a casa natal do “Presidente-Escritor”. Esta casa oitocentista de traça simples algarvia é um refúgio de cultura. Espreite o pátio central e imagine a vida da família Gomes, que aliava aqui o negócio da exportação de figos à fruição do jardim nas traseiras.
A poucos metros, entre na Praça Teixeira Gomes. Batizada em 1950, esta praça de raiz oitocentista é a sala de visitas da cidade.
O Coreto: Repare na réplica do coreto original (destruído nos anos 60 e reconstruído em 2010), que devolveu à cidade um símbolo dos antigos bailes sociais. É o local ideal para um café com vista para o Arade.
5. Passeio pela Zona Ribeirinha: Arte e Tradição
Inicie a caminhada pela frente ribeirinha, que funciona como uma galeria de arte ao ar livre graças às esculturas feitas em vários simpósios.
Tradição: Passe pela zona onde o Festival da Sardinha acontece e observe as embarcações de recreio junto ao Clube Naval.
Antiga Lota: Quase a chegar à Ponte Velha, descubra este edifício de 1916. Originalmente uma central elétrica, tornou-se o local icónico onde o peixe era descarregado em cabazes. Hoje, após uma reabilitação profunda, acolhe o posto de turismo e espaços culturais, mantendo viva a alma do cais.
Termine o roteiro na antiga Fábrica de Conservas “São Francisco” (Féu Hermanos), atualmente transformada em museu. No exterior, um enorme guindaste recorda o tempo em que o cais fervilhava com a indústria conserveira. No interior, deixe-se envolver pela premiada exposição “Portimão, Território e Identidade”, o remate perfeito para compreender a simbiose entre a cidade e o rio.
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A imprensa continua a desempenhar um papel fundamental nessa campanha eleitoral, por maior que seja a mudança na comunicação, hoje nas mãos das big techs. Não apenas por sua credibilidade em relação à fidelidade dos fatos, mas por trazer à tona as revelações que serão depois reinterpretadas, reembaladas, disseminadas, viralizadas e até ignoradas – um processo, como sabemos, bastante sujeito à distorção para efeito de propaganda eleitoral.
No noticiário, as informações aparecem fragmentadas, às vezes trazendo pequenos detalhes de um caso complexo demais para acompanhar — e o que se grava é o que se destaca no título. Por isso tantas vezes se cunhou apelidos para os casos mais notórios: privataria, mensalão, Lava-Jato, “rachadinhas” e, nesta campanha, “Caso Master”, “Dark Horse”, “escândalo do INSS”, “caso Lulinha”.
Mas é importante deixar claro para o leitor a diferença entre atores, escândalos, e gravidade das acusações em relação ao interesse público. Um exemplo é a confusão entre o escândalo do INSS — que não só ganhou um título, mas um personagem com apelido carismático, o careca do INSS — e a investigação por lobby por fornecimento de canabidiol que atinge o filho do presidente.
Ao investigar o caso do furto do dinheiro dos aposentados por descontos ilegais nas aposentadorias, a PF envolveu Lulinha em acusações que não se comprovaram, a de que teria influenciado ou obtido alguma vantagem no escândalo do INSS. Os policiais partiram então para a investigação do que se havia obtido em relação ao filho do presidente: sua ligação com a lobista Roberta Luchsinger e desta com o careca do INSS.
Pela maneira e o timing em que acusações e investigações foram divulgadas, muita gente ficou com a impressão de que se tratava do mesmo escândalo. Mas, na verdade, o caso Lulinha é referente a outro inquérito, o que investiga o lobby para obter contratos não efetivados com o Ministério da Saúde. Julgue o eleitor se fazer lobby é uma acusação tão grave quanto roubar aposentados, mas a diferenciação é importante como sabem os que exploram politicamente o escândalo.
Até porque, com esse gancho, buscou-se equiparar o suposto crime de Lulinha com outro escândalo — o de investimentos de entidades de previdência de servidores estaduais em papéis fraudados do banco Master. Neste caso, os acusados são governantes e políticos ligados ao campo oposto, como o ex-governador do Rio de Janeiro e pré-candidato ao Senado na chapa de Flávio Bolsonaro, Cláudio Castro (PL), que investiu quase 1 bilhão de reais da Previdência Rio no banco de Daniel Vorcaro.
O que nos leva a outro escândalo com impacto na campanha, esse bem documentado e com envolvimento direto do candidato do PL à presidência, Flávio Bolsonaro, flagrado pedindo dinheiro a Vorcaro — em áudios gravados — para o filme Dark Horse, uma biografia fantasiada do ex-presidente Jair Bolsonaro com fins políticos. Segundo o The Intercept Brasil, pelo menos 10,6 milhões de dólares foram efetivamente pagos por Vorcaro e parte deste valor foi destinada ao fundo Havengate, sediado no Texas, que tem entre seus controladores o advogado de Eduardo Bolsonaro, Paulo Calixto.
Mas, apesar das provas de que Flávio pediu dinheiro ao ex-banqueiro e de que milhões de dólares foram enviados a um fundo no Texas controlado pelo advogado de Eduardo, não se teve mais notícias sobre o caso, que tem por trás o lobby de Eduardo, Paulo Figueiredo e do próprio Flávio por interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras – já em curso, como a Públicanão nos deixa esquecer.
Enquanto isso, multiplicaram-se os vazamentos seletivos sobre o caso de Lulinha, e de Marcola, chefe do gabinete de Lula na presidência, que aceitou dinheiro e presentes da lobista Roberta, ao que se sabe, pelos mesmo lobby por contratos de fornecimento de canabidiol que não foram efetivados pelo Ministério da Saúde. Do lado de lá, a imprensa não tem revelado muita coisa, talvez pela maior dificuldade de investigar.
Nesta terça-feira, o advogado Marco Aurélio de Carvalho, conhecido por participar do grupo Prerrogativas e agora defensor de Lulinha, pediu mais uma vez à PF que investigue o vazamento de informações sigilosas feito de forma “fracionada, recorrente e cronologicamente ajustada ao calendário eleitoral” sobre o filho do presidente, um procedimento que se assemelha ao caso Lava-Jato, em que informações vazadas seletivamente alimentaram o noticiário contra Lula, até que a interferência política no processo fosse desnudada pela Vaza-Jato, e a condenação anulada pelo STF.
Se a imprensa tem que noticiar o que recebe de informação, é preciso ter cautela com falsas equiparações, sobretudo ao lidar com informações provenientes de um lado só. Para complicar, o diretor da PF e o ministro do STF, André Mendonça, protagonistas na investigação de ambos os casos, estão em guerra, e isso em plena campanha eleitoral. Além disso, dados do caso Lulinha foram compartilhados com a CPI do INSS, portanto com parlamentares da oposição, o que aumenta a desconfiança sobre os vazamentos.
Andrei Rodrigues, da PF, acusa Mendonça, indicado para o cargo por Jair Bolsonaro, de dirigir politicamente as investigações e expõe o descompasso entre as revelações sobre o caso Lulinha/Marcola e Dark Horse/Flávio Bolsonaro. Por sua vez, Mendonça acusa Andrei de atrapalhar as investigações sobre o filho do presidente, embora o fato mais comprometedor para o diretor da PF se localize do lado de lá — o do Master, já que Andrei participou de pelo menos uma comemoração luxuosa de Vorcaro, em Londres.
O efeito eleitoral dos escândalos é evidente, com a queda de Flávio entre abril e junho, quando o Dark Horse apareceu na imprensa, seguida de recuperação progressiva a partir de julho, quando a investigação sobre os Bolsonaro, a direita e Vorcaro aparentemente perdeu fôlego. Já Lula perdeu pontos, especialmente nas últimas pesquisas, enquanto o noticiário sobre seu filho ganhava temperatura.
Para impedir que a campanha descambe para acusações oportunistas, desviando dos assuntos importantes para o país, a imprensa tem que cobrar transparência por parte da PF e do STF, denunciar manipulações e transmitir as informações com a cautela e o equilíbrio que os eleitores merecem, principalmente em eleições com ameaças inéditas por parte de um país estrangeiro e com o domínio das redes pela extrema direita.
A Ponta da Piedade, no concelho de Lagos, é um verdadeiro tesouro natural no Algarve, famoso pelas suas falésias deslumbrantes esculpidas pelo tempo.
Uma das formas mais económicas e incríveis de explorar esta costa é através dos seus magníficos passadiços de madeira, que oferecem um dos melhores trilhos pedestres da região.
Ao longo do caminho, o oceano Atlântico serve de cenário para um espetáculo inesquecível de luzes e cores, revelando paisagens deslumbrantes, praias espetaculares e rochedos com formas surpreendentes.
O percurso total estende-se ao longo do topo das arribas e começa com um troço inicial de cerca de um quilómetro e meio a dois quilómetros que liga a Praia de Dona Ana ao Farol, passando por miradouros fantásticos entre a Praia do Pinhão e a icónica Praia do Camilo, com a cidade de Lagos a vislumbrar-se bem lá ao fundo.
Em seguida, o passeio entra no segundo troço, de cerca de dois quilómetros e meio, entre o Farol da Ponta da Piedade e a Praia do Canavial.
Por fim, para quem deseja completar toda a caminhada, existe uma ligação extra de cerca de um quilómetro a partir da Praia do Canavial que leva os visitantes até à Praia de Porto de Mós.
Pelo caminho, pode ir vendo o vai e vem incessante dos barcos de turismo, a levar e trazer os clientes às grutas da Ponta da Piedade.
Essa é, de resto, uma outra forma recomendada de conhecer esta zona. Se o quiser fazer de imediato, perto do farol há uma escadaria que o leva até um pequeno cais onde costumam encontrar-se barcos que o podem levar a dar uma volta.
Juntando tudo, acaba por se percorrer um número considerável de quilómetros (sobretudo se depois tiver de se voltar ao ponto de origem), mas vale bem a pena.
E, se o atraso for grande, até vai ter o bónus de deleitar-se com um magnífico pôr do sol.
Em Lagoa está a decorrer até domingo, dia 30 de agosto, mais uma edição da FATACIL.
Quem se deslocar ao espaço vai poder encontrar centenas de stands de artesanato, comércio e indústria, muitas opções ao nível da restauração e espetáculos equestres.
Mas, o que leva muita gente à FATACIL é a música.
Grandes figuras do panorama nacional têm passado por lá nos primeiros dias e vão continuar até ao último dia.
Para já, o destaque maior vai para os Vizinhos, que atuaram esta segunda-feira e fizeram a melhor ‘casa’, em termos de visitantes.
O grupo alentejano conseguiu levar a Lagoa mais de 24 mil pessoas, o que é – até agora – o recorde deste ano, acima até do que fez o popular cantor romântico Tony Carreira, que atuou no primeiro dia.
No sábado, o palco principal recebeu uma Festa M80 e, no domingo, atuou o grupo Hybrid Theory.
Esta noite, a música fica por conta do rapper Plutónio; amanhã, quarta-feira, vai fazer-se ouvir a voz potente de Sara Correia e na quinta-feira, o humor e as músicas malandrecas de Quim Barreiros vão animar quem aí se deslocar.
Richie Campbell é o senhor que se segue, na sexta-feira, e no sábado vai, de certeza, registar-se mais uma grande enchente, uma vez que para essa noite está agendado um concerto de Nininho Vaz Maia.
A edição deste ano da FATACIL encerra no domingo, com uma atuação do grupo Os Quatro e Meia.
Erguendo-se sobre imponentes falésias, este farol, situado no concelho de Lagoa, guarda histórias fascinantes que vão muito além da sua imponente torre e da luz que guia os navegantes.
Tudo começou a 1 de dezembro de 1920, data em que o Farol de Alfanzina foi oficialmente estabelecido e começou a funcionar.
Naquela época, o seu funcionamento dependia do esforço humano, com a rotação da luz a ser gerada manualmente por uma pesada máquina de relojoaria alimentada a vapor de petróleo.
O progresso tecnológico trouxe grandes mudanças nas décadas seguintes, começando com a eletrificação através de geradores próprios em 1950, seguida pela ligação à rede pública e total automatização no início dos anos 80, até culminar numa remodelação completa com motores e sistemas modernos em 2004.
Hoje em dia, além de continuar a cumprir a sua missão de segurança marítima com alta tecnologia, o monumento tornou-se uma paragem obrigatória e um ponto de referência inesquecível para os amantes da natureza que percorrem o famoso Trilho dos Sete Vales Suspensos, considerado um dos percursos pedestres mais bonitos de toda a Europa.