Menopausa: até 70% das mulheres no climatério relatam sintomas de insônia
As mudanças hormonais do climatério podem afetar a qualidade do sono e provocar dificuldades para adormecer, despertares durante a noite e cansaço ao longo do dia. Estimativas apresentadas pela ginecologista e pesquisadora Helena Hachul, do Instituto do Sono/Afip, indicam que entre 60% e 70% das mulheres nessa fase relatam sintomas de insônia.
A questão ganha importância diante da expectativa de vida feminina. Como a menopausa ocorre, em média, por volta dos 50 anos, e a expectativa de vida das mulheres brasileiras chega a aproximadamente 80 anos, os cuidados com o sono são importantes para a saúde e a qualidade de vida nas décadas seguintes.
“Compreender o que está por trás das noites mal dormidas é fundamental para direcionar o cuidado e evitar que essas dificuldades sejam consideradas uma consequência inevitável do envelhecimento”, afirma a especialista.
Durante o climatério, as oscilações hormonais podem interferir na regulação da temperatura corporal. Os fogachos e os suores noturnos, por exemplo, podem provocar despertares repentinos, acompanhados de transpiração e aceleração dos batimentos cardíacos. Quando esses episódios são frequentes, o sono pode ficar fragmentado e menos reparador, favorecendo o cansaço e a irritabilidade durante o dia.
No entanto, nem toda dificuldade para dormir está relacionada aos fogachos. A insônia também pode estar associada à ansiedade, às alterações de humor, às dores e a outros problemas de saúde que interferem no descanso.
Menopausa e apneia do sono
A menopausa também está associada ao aumento do risco de apneia obstrutiva do sono, distúrbio caracterizado por interrupções ou reduções da respiração durante a noite. Entre os sinais que merecem atenção estão ronco frequente, cansaço persistente, dor de cabeça ao despertar e sensação de não ter descansado, mesmo após várias horas na cama.
“É importante olhar para o sono de forma individualizada. Duas mulheres podem relatar que dormem mal durante a menopausa, mas apresentar causas diferentes para o problema. Identificar o que provoca os despertares é essencial para definir a abordagem mais adequada”, explica Helena Hachul.
Os efeitos das noites mal dormidas não se limitam à disposição no dia seguinte. A privação persistente do sono e a insônia crônica podem prejudicar a regulação emocional, a memória e a saúde cardiometabólica. Além disso, dificuldades para dormir e alterações de humor podem se influenciar mutuamente, o que reforça a importância de avaliar esses fatores em conjunto.
Quais são os tratamentos?
O tratamento depende das causas das alterações do sono e pode combinar diferentes abordagens. Quando os despertares estão relacionados aos fogachos e aos suores noturnos, controlar esses sintomas pode ajudar a melhorar o descanso.
“Entre as opções estão a terapia hormonal, indicada após avaliação individual, e medicamentos não hormonais específicos para os sintomas vasomotores”, explica a médica.
Em junho de 2026, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o fezolinetanto, comercializado com o nome Veoza, para tratar ondas de calor e suores noturnos moderados a intensos associados à menopausa. O medicamento atua nos mecanismos cerebrais envolvidos na regulação da temperatura corporal e pode contribuir para melhorar o sono de mulheres cujo descanso é prejudicado por esses sintomas. Segundo as informações do material divulgado pelo Instituto do Sono/Afip, o medicamento ainda não está disponível nas farmácias brasileiras.
Para casos de insônia crônica, a terapia cognitivo-comportamental específica para o problema é uma das abordagens recomendadas. Quando há suspeita de apneia obstrutiva do sono ou de outro distúrbio, a investigação médica é necessária para definir o tratamento adequado.
A escolha da abordagem deve considerar os sintomas, o histórico de saúde e as necessidades de cada mulher. Por isso, dificuldades persistentes para dormir não devem ser consideradas uma consequência inevitável da menopausa. A avaliação profissional ajuda a identificar as possíveis causas e a orientar os cuidados necessários.
Siga o Jornal do Commercio no Instagram e fique por dentro de tudo


© MAGNIFIC/BANCO DE IMAGENS