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PwC alcança receitas globais de 60,2 mil milhões, mas crescimento fica aquém das rivais

19 October 2026 at 12:43

As receitas globais da PwC cresceram 3,5% para 60,2 mil milhões de dólares (cerca de 53,6 mil milhões de euros) no ano terminado a 30 de junho. Um crescimento que, apesar de traduzir uma aceleração face ao período homólogo, fica aquém daquele que foi apresentado por outras big four, nomeadamente a Deloitte e a EY.

“Alcançámos um crescimento robusto, mesmo perante a incerteza económica e geopolítica”, afirma Mohamed Kande, presidente global da PwC, citado pelo Financial Times. O resultado foi influenciado pelo desempenho da PwC na região da Europa, Médio Oriente e África, que cresceu apenas 0,7%, num período que tem sido marcado pelo conflito no Médio Oriente e por um abrandamento na prestação de serviços de consultoria para o governo da Arábia Saudita.

A região da Ásia-Pacífico — a menor da PwC — registou o crescimento mais célere, de 7,7%, à medida que começou a recuperar de escândalos na China e na Austrália que afetaram os seus negócios nesses mercados. Os números para Portugal ainda não são conhecidos.

O desempenho nas várias regiões levou a PwC a alcançar um crescimento das receitas globais de 3,5%, acima do aumento de 2,7% no período homólogo, mas atrás da subida de 3,8% da Deloitte e de 4,7% da EY, refere o Financial Times.

A PwC no Reino Unido já tinha anunciado que as receitas tinham caído pela primeira vez em mais de uma década, penalizadas por um abrandamento do negócio de consultoria no Médio Oriente. A consultora britânica descreveu este período como um “ano desafiante [para o Médio Oriente]” que “reflete o impacto do conflito regional, maior disrupção do mercado e oscilações cambiais”.

Além da incerteza geopolítica, a PwC global está também, assim como as outras big four, a lidar com o impacto da inteligência artificial (IA) no seu negócio, reestruturando as suas operações para usar esta tecnologia e desenvolvendo um conjunto de novos serviços para os seus clientes, nomeadamente consultoria para a implementação de IA.

No entanto, a incerteza sobre como esta tecnologia se integra na infraestrutura tecnológica já existente tem travado o setor de consultoria. O crescimento das receitas de Advisory da PwC — a sua maior divisão — desacelerou para 3% no último ano, face a 4,5% anteriormente, totalizando 25,8 mil milhões de dólares.

Já os segmentos de auditoria e de fiscal registaram crescimentos de 2,6% e de 6,3%, respetivamente, para 20,5 mil milhões e 13,9 mil milhões de dólares.

A PwC adianta ainda que continuou a aumentar a sua equipa, tendo alcançado quase 370 mil colaboradores no final de junho, em comparação com 364 mil no mesmo período anterior.

“É urgente criar a opção de consentimento na Carteira Digital da Empresa”, diz Paula Franco

19 October 2026 at 07:12

Os empresários já conseguem consultar vários documentos oficiais através da Carteira Digital da Empresa, uma ferramenta desenvolvida pelo Governo para eliminar burocracias. Falta, porém, ainda dar um passo que Paula Franco, bastonária da Ordem dos Contabilistas Certificados, considera ser urgente: criar a opção de consentimento para que outros profissionais, nomeadamente os contabilistas certificados, possam aceder a estes documentos.

“A carteira digital é um princípio importantíssimo que vai andar ao lado do Contabilista 3.0, que é a centralização dos dados das empresas”, diz Paula Franco, em entrevista ao ECO/EContas. Uma ferramenta integrada na reforma do Estado levada a cabo pelo ministro da tutela, Gonçalo Matias.

Mas “falta ainda ir mais além” e “criar a opção de consentimento para os empresários, para “permitir que os profissionais que estão a trabalhar na empresa ou em conjunto com a empresa possam também corresponder àquilo que lhes é exigido, precisamente na mesma centralização de documentos”, atirou a responsável.

Para a bastonária da OCC, “é urgente” dar este passo para que funcionários da empresa, advogados ou os contabilistas certificados possam aceder aos mesmos documentos que já podem ser consultados nesta plataforma que a responsável diz ainda ser desconhecida para muitos empresários.

"O que é que eu acho que ainda falta na carteira digital e que é muito importante? Para além de associar muitos outros documentos e muitas outras interligações desta interoperabilidade que está a ser feita, é criar a opção de consentimento para os empresários.”

Paula Franco

Bastonária da Ordem dos Contabilistas Certificados

“A carteira digital é um passo muitíssimo importante”, mas a “maior parte dos empresários não a conhece”, refere, notando que “muitos de nós já temos a aplicação do ID.gov que acedemos com a nossa chave móvel digital, onde já acedemos ao nosso cartão de cidadão e à carta de condição, e hoje já podemos associar, por exemplo, os cartões das ordens e muitos outros cartões”.

“Mas o que muitos empresários não sabem é que podem naquela mesma aplicação associar empresas nas quais estão como gerentes ou administradores e passam a ter acesso a uma série de documentação da empresa”, diz a bastonária da OCC, naquele que é um esforço de centralização de dados das empresas.

A Carteira Digital da Empresa começou a funcionar em janeiro com quatro documentos: o Cartão de Empresa, o Registo Central do Beneficiário Efetivo, o Documento de Não Dívida à Segurança Social e a Situação Tributária.

Desde então, a plataforma tem vindo a ser alargada a novos documentos e funcionalidades, passando a incluir a Certidão de Não Dívida, o cartão para Empresários em Nome Individual (ENI), a Certificação PME, os contratos das empresas com o Estado e alertas relativos à Segurança Social, impostos e concursos públicos. Mais recentemente foram adicionadas outros documentos, nomeadamente o Registo Nacional de Alojamento Local ou as apólices de seguro automóvel.

Paula Franco, bastonária da Ordem dos Contabilistas Certificados (OCC), em entrevista ao ECOHugo Amaral/ECO

Como adiantou o ECO, em setembro, estão registadas na plataforma cerca de 15 mil empresas, que têm associados aproximadamente 60 mil documento. As novas funcionalidades têm vindo a ser comunicadas pela Agência para a Reforma Tecnológica do Estado (ARTE) através dos seus canais nas redes sociais.

O Governo chegou a admitir, no início do ano, a possibilidade de cobrar por funcionalidades mais avançadas da Carteira Digital da Empresa, mas acabou por mudar a estratégia e não introduzir, para já, custos associados ao serviço.

Na entrevista ao ECO/EContas, Paula Franco diz ainda ser “muito defensora das políticas do ministro Adjunto e da Reforma do Estado, Gonçalo Matias”, esperando que “tenham muito sucesso a nível da interoperabilidade, da questão do uma só vez, porque tudo isto é que prejudica imenso o país no seu crescimento, do lado das empresas e do lado do Estado”.

Um esforço de simplificação administrativa e fiscal que a bastonária teme que esbarre nos “pequenos poderes”, nomeadamente da Autoridade Tributária. “Neste momento, naquilo que lidamos mais diretamente, os pequenos poderes da Autoridade Tributária estão a impactar muito nas empresas e na complexidade”, refere, acusando o Fisco de ser “muitíssimo pouco humilde”.

“Mesmo a relação que tem muitas vezes com a Ordem. Temos uma boa relação nalguns pontos e noutra uma relação inexistente, precisamente quando entendem que o caminho é aquele e não querem ouvir ninguém”, conclui.

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