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Castração química: crueldade de palanque, fracasso de política pública

2 September 2026 at 16:00

No último domingo, Flávio Bolsonaro se encontrou com Gustavo Villatoro, ministro da Justiça e Segurança Pública do governo de El Salvador. Após a conversa, que aconteceu em um hotel em São Paulo, o candidato elogiou as políticas de Segurança de Nayib Bukele, que, segundo ele, foi responsável por “implementar um dos maiores e mais eficazes resgates de soberania e devolver a segurança pública para o povo deles”.

Bukele, que se autodenomina “o ditador mais cool do mundo” é hoje um dos ícones da extrema direita punitivista, sendo celebrado por seu governo de Estado de exceção permanente, encarceramento em massa que já levou mais de 100 mil pessoas para as prisões, a suspensão de garantias processuais e violações de direitos humanos que têm sido reiteradamente denunciadas por organizações como a Human Rights Watch e a Anistia Internacional.

Essa “bukelização” da segurança pública – tema de encontro da Fiesp esta semana – é bastante presente nos discursos de Flávio Bolsonaro e em seu plano de governo, intitulado “Brasil sem Medo”. Entre as propostas repetidas aos gritos de “vagabundo” isso, “ladrãozinho” aquilo, pelo candidato em seus palanques, uma se destaca por ser ao mesmo tempo tão simbólica do espírito do tempo como ineficaz e inconstitucional: A castração química para estupradores e pedófilos.

Para começar, é necessário fazer uma diferenciação. A violência sexual contra crianças e adolescentes nem sempre é cometida por um “pedófilo”. Nem todo pedófilo é abusador. E nem todo abusador sexual é um pedófilo.

A pedofilia consta na Classificação Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID) e diz respeito aos transtornos de personalidade causados pela preferência sexual por crianças e adolescentes. O pedófilo não necessariamente pratica o ato de abusar sexualmente de meninos ou meninas. O abusador é quem comete a violência sexual – independentemente de qualquer transtorno de personalidade –, geralmente se aproveitando da relação familiar de proximidade social, ou da vantagem etária e econômica. Por isso, ao contrário do que se pensa, fazer essa diferenciação não significa “passar pano” pra pedófilo. Significa que qualquer um, mesmo sem transtornos de personalidade, pode ser um predador.

O Brasil enfrenta uma epidemia de estupros, como mostrou o último Anuário da Segurança Pública. Foram 87.545 vítimas de estupro e estupro de vulnerável contabilizadas, com cerca de 76% a 78% das vítimas menores de 18 anos ou que se enquadram na definição legal de vulnerabilidade (menores de 14 anos ou pessoas que não podem oferecer consentimento). O Mapa Nacional da Violência de Gênero, que foi divulgado no último dia 25, também traz que quase 29 milhões de mulheres foram vítimas de violência doméstica ou familiar no Brasil nos últimos 12 meses. Quando se fala em violência sexual contra crianças e adolescentes, 64% dos casos de estupro de vulneráveis também são cometidos dentro de casa.

Mas a proposta de Flávio, requentada da campanha de seu pai e de projetos de lei que tramitam na Câmara e no Senado, e embalada como resposta “firme” contra estupradores, é, na verdade, uma fraude.

Primeiro porque ela parte da ideia de que a violência sexual nasceria de um impulso masculino descontrolado, de um suposto excesso biológico que poderia ser domesticado por intervenção hormonal.

A castração química nada mais é do que um procedimento que se caracteriza pela manipulação de hormônios que buscam reduzir, temporariamente, o nível de testosterona. Essa redução pode acarretar, entre outros efeitos colaterais, em redução da libido ou da ereção. E, embora adotada em alguns países como pena voluntária ou condicional para liberdade (Como nos Estados Unidos, Coreia do Sul e Polônia) em casos de estupro, a aplicação e eficácia da medida não possui evidência científica comprovada e está longe de ser consenso entre profissionais da saúde e juristas, que consideram a prática uma pena cruel e degradante e que viola a Constituição Federal e a Convenção Americana sobre Direitos Humanos.

Vale lembrar que a castração química era empregada compulsoriamente contra homossexuais em diversos países da Europa entre os anos de 1940 e 1960, onde a homossexualidade era proibida. Um dos casos mais conhecidos foi o do matemático britânico Alan Turing, responsável por decifrar códigos nazistas na Segunda Guerra Mundial, que foi condenado por “indecência grave” em 1952 e submetido ao procedimento, o que contribuiu para o seu suicídio em 1954.

Durante o regime nazista na Alemanha, experimentos de castração química e cirúrgica também foram realizados em prisioneiros.

A biologização dos desejos, da sexualidade, da orientação sexual, do gênero, da potência e da libido têm sido uma chave para variadas narrativas da extrema direita ao longo da história, mas tem ganhado força atualmente. É o homem que só é homem se tiver um pênis, a mulher que só é mulher se tiver uma vagina, a orientação sexual fixada nas genitálias, os úteros que deveriam estar à disposição da reprodução independente da vontade das pessoas acopladas a eles, as festas de testosterona do Vale do Silício como um culto à masculinidade, o “High-T Department of War” de Trump, o determinismo genético — a lista é longa e perigosa.

Outra característica dessas narrativas é a de oferecer soluções “fáceis”, quase mágicas e imediatas para problemas complexos. Como disse a coordenadora institucional do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Juliana Martins, em entrevista ao Podcast Pauta Pública, os crimes sexuais no Brasil estão ligados mais à cultura que à biologia. “As violências tanto contra as mulheres quanto contra crianças e adolescentes, nesse contexto sexual, são resultado de um processo histórico de naturalização dessas violências, que têm uma construção cultural e social na base de tudo isso” definiu.

Não existe um hormônio que carrega em si códigos de instrução para cometer um crime e diversos estudos psicológicos e mesmo criminológicos apontam que a motivação principal por trás dos crimes sexuais não é a satisfação de um impulso, mas a busca por controle, poder, dominação e humilhação das vítimas. Faz porque pode. Porque é mais forte. Porque acha que tem posse. É preciso evitar a violência antes que ela aconteça e isso pede outros tipos de políticas públicas.

Lacan costumava dizer que “a anatomia não é o destino”. Para ele, o que define a sexualidade humana é como o sujeito se posiciona diante da linguagem. Os hormônios podem ditar a intensidade de um impulso decorrente da libido ou da agressividade física de base, mas é a mente humana, moldada pela cultura, escolhas e valores, que decide como canalizar essa energia. A violência sexual é um ato de dominação, poder e falta de consentimento, legitimada social e culturalmente. Não um mero processo biológico controlável.

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Loulé associa-se ao Mês da Sensibilização para os Cancros do Sangue

2 September 2026 at 11:52

Em setembro assinala-se o Mês da Sensibilização para os Cancros do Sangue. A Câmara Municipal de Loulé junta-se oficialmente à Associação Portuguesa Contra a Leucemia (APCL) como parceiro institucional no relançamento da campanha “O sangue que há em mim”, este ano sob o mote “Se eu mandasse”, e desafia as pessoas a usarem o poder da sua voz.

Com o objetivo de amplificar a consciencialização sobre as doenças hemato-oncológicas, a campanha deste ano foca-se na transição da identificação de problemas para a procura de soluções concretas, partindo da experiência direta de quem vive a doença e dos profissionais do Serviço Nacional de Saúde.

O mote desafia-nos a refletir sobre tudo o que pode contribuir para cuidados mais humanos, mais próximos e mais equitativos. A campanha pretende, assim, promover uma comunicação mais positiva e estimular uma intervenção cívica empática e informada, capaz de transformar a experiência de quem vive com doença hemato-oncológica.

Para estruturar estas propostas, a APCL desafiou 9 profissionais de saúde e 11 doentes a responderem a questões divididas em quatro eixos estratégicos: diagnóstico e acesso aos cuidados, humanização, organização dos serviços do SNS e apoio ao doente durante e após os tratamentos. As respostas revelam uma forte sintonia e serão divulgadas progressivamente ao longo de todo o mês de setembro.

Em Portugal, os cancros do sangue representam cerca de 7,8% de todos os tumores diagnosticados. O Município de Loulé reforça, através deste apoio institucional, o seu compromisso com a promoção da literacia em saúde, a equidade no acesso aos cuidados e a construção de uma comunidade mais informada e empática para com os doentes e cuidadores.

A nível nacional, a campanha arranca oficialmente no dia 3 de setembro, em Lisboa, e assinalará várias datas específicas ao longo do mês, como o Dia Mundial da Leucemia (4/09) e o Dia Mundial do Linfoma (15/09). Toda a informação e conteúdos serão partilhados nos canais digitais da APCL e das entidades parceiras, entre as quais a Autarquia de Loulé.

Fundada em 2002 por sobreviventes e médicos do IPO de Lisboa, a Associação Portuguesa Contra a Leucemia tem como missão apoiar doentes e famílias, financiar a investigação científica e aumentar a literacia em saúde. Em 2023, inaugurou a Casa Porto Seguro para acolher doentes deslocados em tratamento.

Spertia e Buli: i due Spartani che andarono da Serse

2 September 2026 at 09:29

di Matteo Forlani

Quando entrarono alla corte di Susa, Spertia e Buli non chiesero un’alleanza, denaro o la liberazione di qualche prigioniero. Chiesero di essere uccisi. Le guardie ordinarono loro di gettarsi a terra davanti a Serse, ma i due rimasero in piedi, pronti a subire con la forza l’umiliazione che si rifiutavano di compiere volontariamente. Erano arrivati da Sparta per consegnare le proprie vite al posto di due araldi persiani assassinati anni prima. Il re avrebbe potuto accettare quell’offerta e trasformarla in una vendetta esemplare. Scelse invece di rimandarli a casa.

La vicenda occupa poche pagine del settimo libro delle Storie di Erodoto, fra il passaggio dell’esercito di Serse in Macedonia e l’invasione della Grecia. È rimasta nell’ombra di avvenimenti più celebri, dalle Termopili a Salamina, eppure contiene una delle scene più sorprendenti delle guerre persiane. I due Spartani — indicati anche come Sperthias e Bulis nelle traslitterazioni moderne — sembrano uscire dallo stesso mondo che avrebbe reso celebri i guerrieri di Leonida. Il passaggio più inatteso appartiene però al loro nemico. Serse, il sovrano che si preparava a invadere la Grecia, rifiutò di violare una legge che Sparta aveva già calpestato.

Terra e acqua

Tutto era cominciato intorno al 491 a.C., quando Dario inviò messaggeri in diverse città greche per domandare «terra e acqua». Consegnare quei due elementi significava riconoscere la superiorità del Gran Re e accettare di entrare nel sistema politico dell’Impero achemenide. Gli obblighi concreti potevano essere stabiliti in seguito; il gesto iniziale dichiarava chi occupasse la posizione dominante. Il significato preciso del rituale è ancora discusso dagli studiosi, anche perché lo conosciamo soprattutto attraverso fonti greche, ma Erodoto non lascia dubbi su come venisse percepito dalle comunità alle quali era rivolto: era una richiesta di sottomissione.

Molti accolsero gli araldi e consegnarono ciò che Dario chiedeva. Atene e Sparta reagirono in modo diverso. Gli Ateniesi gettarono i messaggeri persiani nel barathron, la cavità nella quale venivano precipitati alcuni condannati a morte. Gli Spartani spinsero i loro in un pozzo, invitandoli a prendere da lì la terra e l’acqua da portare al re. La risposta aveva l’efficacia brutale di una battuta destinata a essere ricordata. Dei Persiani uccisi non ci sono rimasti neppure i nomi. Nella cultura greca, tuttavia, l’araldo godeva di una protezione che sopravviveva perfino allo stato di guerra. Poteva recare una minaccia, intimare la resa o parlare per conto di un nemico, ma colpirlo significava distruggere il canale attraverso il quale anche i combattimenti potevano essere sospesi, i morti recuperati e una pace negoziata.

Anni dopo, quando Serse rinnovò la richiesta di terra e acqua alle città greche, escluse deliberatamente Atene e Sparta. L’assenza degli araldi ricordava che con quelle due comunità la diplomazia era già fallita nel modo più irreparabile. Per gli Spartani il silenzio persiano non cancellava comunque l’offesa. Il problema non dipendeva soltanto dalla reazione del Gran Re: riguardava gli dèi, i rituali pubblici e la possibilità stessa di prendere decisioni con il loro consenso.

Dopo l’uccisione, racconta Erodoto, i sacrifici cessarono di offrire presagi favorevoli. Prima di una decisione pubblica o di una spedizione militare, le vittime sacrificali dovevano mostrare che gli dèi approvavano ciò che la città stava per compiere. Quando i segni continuavano a risultare negativi, l’intera comunità si trovava davanti a un ordine del mondo che sembrava essersi inceppato.

A provocare la sciagura sarebbe stata l’ira di Taltibio, l’araldo di Agamennone nell’Iliade. A Sparta l’eroe possedeva un santuario e i Taltibiadi, che si proclamavano suoi discendenti, conservavano il privilegio ereditario di svolgere le ambascerie della città. Non era quindi una figura remota confinata alla guerra di Troia. Il suo culto proteggeva una funzione ancora viva, indispensabile perfino a una società educata al combattimento. Uccidendo gli inviati di Dario, Sparta aveva offeso insieme una consuetudine condivisa e il custode divino di quella consuetudine.

La devozione sopravvisse a lungo. Nel II secolo d.C. il viaggiatore Pausania ricordò a Sparta un tumulo attribuito a Taltibio e scrisse che gli venivano ancora offerti sacrifici come a un eroe. La tradizione registrata da Erodoto non poggiava quindi sul nome occasionale di un personaggio omerico: richiamava un culto radicato nella memoria della città.

Due vite per due araldi

Le assemblee si susseguirono senza trovare una soluzione. Alla fine fu fatto proclamare un appello: esisteva un Lacedemone disposto a morire per la città? Si offrirono Spertia, figlio di Aneristo, e Buli, figlio di Nicolao. Erodoto ricorda che appartenevano a famiglie nobili ed erano fra gli uomini più ricchi di Sparta. Non è un particolare ornamentale. A offrirsi non furono due uomini senza peso, scelti perché più facili da perdere, ma due membri della ristretta comunità degli Spartiati. Avevano prestigio, ricchezze e figli che sarebbero riapparsi molti anni dopo nella stessa storia.

La loro missione aveva una logica che oggi può apparire estranea. Non partivano come colpevoli materiali dell’assassinio e neppure come negoziatori incaricati di ottenere il perdono. Rappresentavano Sparta anche con il proprio corpo: due morti persiani sarebbero state compensate da due morti spartane. Nel mondo raccontato da Erodoto, la responsabilità poteva oltrepassare l’individuo, aderire a una famiglia o ricadere su una comunità intera. L’offerta di Spertia e Buli cercava di ricomporre un equilibrio, non di dimostrare che la città non aveva sbagliato.

La destinazione era Susa, nell’attuale Iran sud-occidentale, una delle capitali nelle quali il sovrano achemenide riceveva funzionari e delegazioni provenienti dall’impero. Durante il viaggio i due furono accolti da Idarne, un alto comandante persiano responsabile delle coste dell’Asia Minore. Li fece sedere alla propria tavola e provò a mostrare loro i vantaggi del servizio imperiale. Il Gran Re sapeva riconoscere gli uomini valorosi; se gli Spartani avessero accettato la sua amicizia, avrebbero potuto ricevere onori e il governo di terre greche. Idarne poteva fare una simile offerta: apparteneva all’élite di un impero abituato a premiare la lealtà e a servirsi delle aristocrazie locali.

Spertia e Buli gli risposero che il consiglio nasceva da un’esperienza incompleta. Idarne conosceva bene il servizio al re, ma non aveva mai assaggiato la libertà; se l’avesse conosciuta, avrebbe combattuto per difenderla «non soltanto con le lance, ma anche con le scuri». La frase è diventata la parte più famosa dell’episodio. Erodoto scriveva molti decenni dopo, perciò non sappiamo se quelle parole siano state davvero pronunciate a tavola. I discorsi delle Storie servono anche a mostrare il carattere dei protagonisti e le idee che attraversano l’opera. Chiamare Idarne “schiavo”, d’altra parte, non descrive la sua condizione giuridica: era un dignitario potente. La risposta spartana trasforma la dipendenza da un sovrano nel contrario della libertà politica e anticipa il modo in cui i Greci vincitori avrebbero ricordato lo scontro con la Persia.

Il re che rifiutò la vendetta

Idarne li aveva accolti come ospiti e aveva offerto loro una via d’uscita. Alla corte di Susa fu Serse a spostare ancora una volta il significato dell’incontro. Le guardie pretesero la proskynesis, il gesto di deferenza previsto dal cerimoniale achemenide. La sua forma variava secondo il rango e poteva comprendere un inchino o una prosternazione. Per i Persiani esprimeva la gerarchia della corte; agli occhi di molti Greci assomigliava invece a un atto riservato agli dèi. Spertia e Buli rifiutarono di compierlo davanti a un uomo, pur sapendo che quella resistenza poteva anticipare la loro esecuzione di pochi istanti.

Quando furono ammessi alla presenza di Serse, spiegarono la ragione del viaggio. Sparta li aveva inviati affinché pagassero la pena dovuta per gli araldi di Dario. Gli Spartani, rispose il re, avevano infranto una legge riconosciuta da tutti uccidendo dei messaggeri. Lui non avrebbe imitato la condotta che condannava e, mettendo a morte i due volontari, non avrebbe liberato la loro città dalla colpa. Spertia e Buli avevano offerto la propria vita; Serse rifiutò che fossero loro a stabilire il prezzo.

Il rifiuto poteva servire anche alla politica regale. Risparmiare due aristocratici nemici consentiva a Serse di presentarsi come un sovrano capace di dominare la propria ira e di rispettare una norma universale. Nel racconto di Erodoto, però, il valore del gesto non viene ridotto a calcolo. Lo storico parla apertamente di magnanimità. È un dettaglio importante, perché incrina l’immagine di un’opera costruita soltanto per celebrare la superiorità morale dei Greci. Proprio mentre Spertia e Buli pronunciano una fiera difesa della libertà, il Gran Re mostra una forma di autocontrollo che Sparta non aveva saputo esercitare.

Il debito passa ai figli

Spertia e Buli tornarono vivi. Erodoto osserva che l’ira di Taltibio cessò comunque per qualche tempo: il viaggio non aveva prodotto le due morti previste, ma aveva mostrato che Sparta riconosceva la gravità dell’offesa. Lo storico, tuttavia, non chiude qui la storia. Compie un salto di circa mezzo secolo e segue il debito fino alla generazione successiva.

Nel 430 a.C., all’inizio della guerra del Peloponneso, Nicolao figlio di Buli e Aneristo figlio di Spertia partirono a loro volta come ambasciatori. Sparta cercava l’appoggio e il denaro della Persia contro Atene. La delegazione fu intercettata in Tracia, consegnata agli Ateniesi e condotta in città. Tucidide racconta che gli uomini vennero uccisi nello stesso giorno, senza processo, e che i loro corpi furono gettati in una fossa. Per Atene si trattava di impedire a emissari pericolosi di raggiungere il Gran Re e di rispondere alle esecuzioni compiute dagli Spartani ai danni di mercanti e marinai. Erodoto guardò allo stesso avvenimento con occhi diversi: la collera di Taltibio, scrisse, aveva infine raggiunto i figli di coloro che avevano tentato di placarla.

Al di fuori delle Storie non possediamo un racconto indipendente dell’incontro con Serse. Le parole scambiate con Idarne e con il re appartengono alla forma letteraria scelta da Erodoto; anche il legame fra il sacrilegio dei padri e la morte dei figli rivela il suo bisogno di riconoscere un ordine negli avvenimenti. È proprio questo intreccio a rendere la vicenda più interessante di una semplice curiosità sul coraggio spartano. Vi convivono la memoria di un delitto diplomatico, il bisogno collettivo di espiazione, due concezioni della libertà e una riflessione sul limite del potere.

Spertia e Buli erano partiti convinti che Sparta potesse liberarsi dalla colpa soltanto attraverso la loro morte. Serse rifiutò di trasformare due innocenti nella moneta con cui saldare il sangue versato. Quando, molti anni dopo, i loro figli ripresero la strada della Persia e furono uccisi prima di raggiungerla, Erodoto riconobbe nella coincidenza il ritorno di un debito mai estinto. Era il modo antico di chiudere una storia che la clemenza del re aveva lasciato in sospeso.

L'articolo Spertia e Buli: i due Spartani che andarono da Serse su Vanilla Magazine scritto da Matteo Forlani

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