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Por que a agência de inteligência de Lula fez uma acusação formal contra a Rússia em carta dirigida à União Europeia?

By: A A
2 October 2026 at 15:46

Alinhamento do Brasil à Europa em meio às atuais tensões geopolítica cria uma ameaça grave à política tradicional de neutralidade do Brasil.

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No dia 30 de setembro foi publicado em todos os jornais brasileiro uma matéria afirmando que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) teria alertado autoridades europeias sobre uma suposta interferência simultânea dos Estados Unidos e da Rússia nas eleições brasileiras. O caso levanta questões que vão muito além da disputa eleitoral de 2026. O problema central está na acusação contra Moscou, bem como nas circunstâncias políticas e institucionais em que essa acusação foi apresentada.

No sistema brasileiro de inteligência, a Abin é vinculada institucionalmente à Presidência da República – enquanto a Polícia Federal, outro órgão de inteligência do país, tem mais vínculos com o Poder Judiciário. Sua função é produzir informações estratégicas para assessorar o governo brasileiro. Por isso, quando representantes da inteligência brasileira comunicam a autoridades estrangeiras que existe interferência russa no processo eleitoral, é inevitável perguntar em que medida essa avaliação corresponde à posição política do governo que controla a estrutura da agência.

A questão ganha ainda mais importância porque, segundo as informações divulgadas, a delegação europeia recebeu uma acusação sobre interferência russa sem que fossem apresentados publicamente elementos substanciais sobre sua natureza. Não foram identificados, ao menos no material tornado público, agentes, operações, mecanismos de financiamento, estruturas de propaganda ou campanhas específicas atribuídas a Moscou. Existe, portanto, uma acusação, mas seus fundamentos permanecem praticamente desconhecidos.

Isso produz uma situação particularmente conveniente para determinados atores políticos. A Europa, que é hostil à Rússia e a Trump, recebe uma informação segundo a qual tanto Washington quanto Moscou estariam tentando influenciar as eleições brasileiras. Isso permitiria a Bruxelas – e ainda mais especialmente à França e à Alemanha, que são os principais “amigos” de Lula atualmente – eventualmente “apoiar” o Brasil em ações de “contrainteligência” para combater a suposta influência estadunidense e russa. Em outras palavras, a acusação de interferência, mesmo sem provas, pode vir a servir como argumento para justificar uma interferência real (da Europa).

Há ainda uma questão política mais ampla. Uma parcela significativa da esquerda brasileira consolidou nos últimos anos uma interpretação segundo a qual Vladimir Putin pertence a uma espécie de “internacional de extrema direita”, ao lado de Donald Trump e de outros movimentos conservadores ocidentais. Essa leitura transforma Rússia, Trump e a direita brasileira em elementos de um mesmo campo político internacional, apesar das diferenças profundas entre suas respectivas posições e interesses.

Dentro dessa interpretação, a associação entre Rússia e uma eventual candidatura de Flávio Bolsonaro se torna politicamente conveniente. Flávio é identificado com Trump, com o Partido Republicano e com a direita americana. A existência de uma suposta conexão russa permitiria inserir a disputa eleitoral brasileira em uma narrativa internacional mais ampla, na qual diferentes forças conservadoras seriam apresentadas como partes de uma mesma rede de influência.

Contudo, é absolutamente óbvio que a Rússia não tem qualquer interesse em interferir nas eleições brasileiras a favor de qualquer dos lados. Ademais, a maior parte dos ativistas pró-Rússia no Brasil é identificada com a esquerda ou neutra em relação a ambos os lados da política nacional. A acusação parece ser feita com o simples intuito de agradar a União Europeia, já que os europeus preferem Lula a Flávio (por este ser subordinado a Trump). E o fato de não haver detalhes que substanciem as acusações apenas reforça este ponto.

O ponto realmente relevante é outro: por que uma agência de inteligência subordinada à Presidência da República apresentou às autoridades europeias uma acusação contra a Rússia sem que seus fundamentos fossem posteriormente esclarecidos? E por que isso ocorre justamente durante a preparação das eleições brasileiras e em um momento de deterioração extraordinária das relações entre Rússia e Europa?

A resposta a essas perguntas importa porque o Brasil está inserido em um ambiente internacional cada vez mais polarizado. A Rússia ocupa posição central nos BRICS e mantém relações estratégicas com o Brasil, enquanto a Europa atravessa uma fase de crescente confronto com Moscou. Nesse contexto, qualquer informação oficial brasileira que associe a Rússia a uma operação de interferência eleitoral possui consequências diplomáticas graves.

Ademais, as tensões entre Rússia e Europa crescem cada vez mais e há risco real de conflito devido às constantes provocações europeias. É óbvio que em tal contexto não interessa ao Brasil se tornar parte de qualquer lado da crise. Mas não há nada pior para a política de neutralidade brasileira do que reportar à União Europa uma acusação formal contra a Rússia.

Em tese, é possível que o relatório tenha sido entregue à Europa sem comunicação prévia ao presidente brasileiro – embora isso seja muito improvável. Se Lula quiser preservar a neutralidade brasileira, o correto a ser feito é desmentir a Abin publicamente e pedir desculpas pelo incidente. Contudo, resta saber se ele estará realmente disposto a fazer isso, considerando que a União Europeia é o principal “aliado” internacional do governo Lula atual.

119 MEPs Press Commission to Enforce EU Ban on AI ‘Nudifier’ Systems from First Day

2 October 2026 at 09:26

A group of 119 members of the European Parliament is pressing the European Commission and national governments to ensure that a new EU ban on artificial-intelligence  ‘Nudifier’systems used to generate non-consensual sexual images can be enforced as soon as it takes effect.

The prohibition on so-called AI “nudifier” systems becomes applicable on 2 December 2026 following changes to the EU Artificial Intelligence Act approved earlier this year.

The legislation prohibits AI systems designed to create child sexual abuse material or realistic images, video or audio depicting an identifiable person’s intimate parts or sexually explicit activity without that person’s consent.

Providers cannot place systems intended for such use on the EU market. Systems capable of producing the material must have adequate safeguards intended to prevent it, while deployers are prohibited from deliberately using AI systems for that purpose.

The final agreement on the AI Act amendments gave companies until 2 December to bring their systems into compliance.

The latest intervention is intended to ensure that regulators are ready to enforce the prohibition rather than simply having the legislation on the statute book.

The letter supported by 119 MEPs was initiated by Green MEP Lena Schilling and Greens/EFA co-president Terry Reintke.

Its signatories include members from several political groups.

They want the Commission and member states to ensure that national authorities are designated to enforce the ban and that people targeted by non-consensual AI-generated sexual imagery know which authority to contact.

The letter also calls for stronger enforcement of the Digital Services Act against online platforms and search engines carrying or facilitating access to such material.

The initiative follows research cited by the organisers which identified 147 European politicians appearing on websites containing sexualised AI deepfakes.

Of those identified, 138 were women.

Schilling was among those affected and has used her own case to argue that the December prohibition needs an operational enforcement system from its first day.

The prohibition emerged during the EU’s broader revision of its AI legislation.

In March, the European Parliament adopted its negotiating position by 569 votes to 45, with 23 abstentions.

Parliament and Council subsequently reached agreement on the revised text, and the measure completed its formal legislative process in June.

EU Today reported at the time that the Council’s final approval combined delays to some high-risk AI requirements with new restrictions on non-consensual sexual imagery.

The issue is distinct from the wider transparency requirements applying to AI-generated content.

Under Article 50 of the AI Act, transparency obligations have applied since 2 August.

Providers of generative systems must in relevant cases make AI-generated or manipulated material machine-readable and detectable, while deployers face disclosure obligations covering deepfakes and some AI-generated material dealing with matters of public interest.

EU Today examined those changes when chatbot and deepfake disclosure rules entered into application in August.

There is, however, a transitional period for some AI systems that were already on the market before 2 August. Their machine-readable marking obligations take effect on 2 December.

That means the same date will bring both the new nudifier prohibition and the end of the transitional period for certain AI-content marking requirements.

Enforcement is divided between national regulators and EU institutions.

National market-surveillance authorities carry much of the responsibility for enforcing the AI Act. The Commission’s AI Office has direct enforcement responsibilities in more limited areas, including certain systems built on general-purpose AI models and systems integrated into very large online platforms or search engines.

The Commission’s guidance on Article 50 is intended to provide regulators and companies with a common interpretation of those transparency requirements.

The nudifier prohibition raises an additional problem because distribution of non-consensual intimate images also intersects with the Digital Services Act, national criminal and civil laws and EU legislation addressing violence against women.

The 119 MEPs are therefore seeking action beyond the AI Act itself.

Their letter asks for stricter use of the Digital Services Act against platforms and search engines, faster implementation of the EU directive combating violence against women and clearly identifiable national authorities able to respond to complaints.

The legal gap surrounding nudifier systems had previously been acknowledged by the Commission.

Its review of prohibited AI practices concluded that the original AI Act’s provisions on manipulation and exploitation of vulnerabilities did not adequately cover systems producing child sexual abuse material and non-consensual sexually explicit images.

That finding contributed to the explicit prohibition subsequently added during the Digital Omnibus negotiations.

The legislation is now settled. The immediate issue before the 2 December deadline is whether regulators across the 27 member states have the mechanisms in place to identify prohibited systems, investigate providers and respond when people report AI-generated intimate material produced without their consent.

US bans Chinese data center gear as Beijing grounds its AI talent

1 October 2026 at 22:40

The artificial intelligence (AI) race between the United States and China has accelerated in model protection, supply chains and talent controls, even as the two nations’ leaders agreed last week to open a new dialogue on AI safety. A string of moves announced or uncovered this week shows that both sides are now guarding their […]

The post US bans Chinese data center gear as Beijing grounds its AI talent appeared first on Asia Times.

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