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Salas cheias de futuros vazios? | Por José Figueiredo Santos

14 October 2026 at 20:38

Há em Portugal uma curiosa inclinação para reformar aquilo que não se conhece. É um dos nossos mais antigos virtuosismos da nossa administração. A nação, pouco diligente na execução das coisas simples, revela uma energia heroica quando se trata de complicar as difíceis. Assim, a escola, esse lugar onde deveriam crescer as inteligências no cultivo do intelecto e amadurecer os caracteres, tornou-se o campo de eleição dos reformadores, dos doutrinadores e de todos aqueles que, não tendo encontrado utilidade bastante para a própria existência, descobrem subitamente a vocação salvífica dos outros.

A escola nasceu para ensinar, mas a educação é um trabalho de bastidores, lento e sem proveito político fácil. O esforço de duas décadas de um professor para abrir horizontes a um aluno não produz um resultado apresentável numa conferência de imprensa, nem rende títulos de jornal. Já as decisões ministeriais operam na lógica do espetáculo: altera-se o nome de uma matéria, adota-se um novo software e vende-se uma revolução na educação. No fim do dia, a propaganda de uma reforma vistosa costuma render mais dividendos políticos do que manter as escolas a funcionar na normalidade.

Foi assim que começámos a substituir a educação pelo seu aparato, convertendo as escolas em estabelecimentos de produção de competências. A palavra é magnífica: tem um ar moderno, dispensa explicações e permite que até o mais incompetente dos funcionários discorra longamente sobre a competência dos outros.

Nas reuniões, os diretores falam de indicadores, os técnicos de monitorização e os consultores de alinhamento estratégico. Os professores escutam. Alguns ainda se lembram de que a sua profissão consiste em ensinar crianças, mas evitam confessá-lo, por receio de parecerem desatualizados.

A rotina atual dos professores está saturada de burocracia. O professor é hoje obrigado a ensinar, avaliar, registar, preencher formulários, justificar e demonstrar que refletiu. A única atividade que ninguém lhe exige expressamente é a de pensar. Essa continua a ser uma iniciativa pessoal, tolerada desde que não interfira com a agenda das reuniões.

Entretanto, nos gabinetes refrigerados da capital, os especialistas desenham o futuro da educação com régua, esquadro e uma confiança comovente na ignorância alheia. Conhecem gráficos, dominam siglas e falam, com bastante fluência, a linguagem dos relatórios. Só lhes falta, por vezes, conhecer uma criança.

Não procuro a imagem perfeita de uma publicidade escolar, uma criança sorridente à frente do computador, mas sim a autenticidade da infância. Falo de alunos reais: aqueles que demoram o seu próprio tempo a entender um conceito, que surpreendem com perguntas imprevistas e que põem a empatia e a justiça acima de qualquer nota ou disciplina.

Como incluir uma formiga num indicador de desempenho? Em que campo do formulário se regista a descoberta de que o sofrimento do outro também nos diz respeito?

Os nossos especialistas resolveram o problema com elegância: desenharam um mapa para todas as escolas, esquecendo-se apenas de perguntar se todas as crianças queriam chegar ao mesmo destino. Distribuímos o mesmo par de sapatos a pés diferentes e depois admiramo-nos de que alguns caminhem com dificuldade. Aos que não chegam a tempo, oferecemos um relatório sobre a importância da pontualidade.

A política, essa não larga a escola. O sistema escolar continua a ser um campo de batalha ideológico. A esquerda e a direita disputam-na com o ardor de duas famílias que reclamam uma herança antecipada. Cada novo governante anuncia uma era, altera programas e aponta o dedo ao passado. Entretanto, as crianças continuam a crescer. E o futuro, essa criatura sem partido nem direito de voto, não espera que os adultos terminem as suas querelas.

Depois chegam os exames. Os exames que são notícia nacional.

Ao longo do ano, vibra-se com a defesa pública da importância da criatividade, da autonomia e do pensamento crítico. Contudo, com a chegada dos exames, esses valores são postos de lado de forma discreta, como quem esconde as falhas antes de uma auditoria. O docente corre contra o tempo para dar a matéria, o estudante memoriza à pressa, os pais entram em pânico e o mercado das explicações fatura. No final, a estrutura educativa valida a conformidade e a memorização, avaliando os alunos com base num clima de pressão emocional que a própria instituição alimentou.

A curiosidade encolhe e as perguntas emagrecem. O questionamento torna-se superficial. A leitura deixa de ser uma viagem de descoberta para passar a ser uma busca cirúrgica pela resposta que valida os números. À imaginação, habituada a desbravar caminhos novos, impõe-se agora a rota comum. O pensamento crítico, esse antigo viajante que se alimentava da dúvida, é forçado a calar-se para não quebrar a ilusão de avanço e harmonia, não perturbando a ordem e o progresso.

Os exames oferecem aos adultos um alento ilusório, uma tranquilidade metafísica, proporcionando-lhes uma falsa sensação de controlo sobre o intelecto. Reduz-se o pensamento crítico a uma folha de papel e finge-se que a inteligência pode ser pesada, isolada, medida e classificada como um lote de mercadoria. O aluno escreve, o professor corrige, o sistema calcula. No fim, surge um número que, por milagre administrativo, deixa de representar o desempenho numa prova e passa a representar a própria criança.

Nunca vi uma vocação obedecer a uma grelha de classificação. Nunca vi um futuro pedir autorização a uma pauta. Porventura ignorância a minha.

Não se trata de abolir os exames, nem de fingir que o conhecimento dispensa esforço, disciplina e avaliação. Trata-se de reconhecer que uma prova é apenas uma prova, não podendo constituir uma sentença sobre o destino de alguém. A vida é demasiado complexa para caber numa classificação, e a inteligência manifesta-se de formas demasiado diversas para ser reduzida a umas breves horas de escrita vigiada.

Mas os números têm uma virtude política que a realidade não possui: cabem num discurso, alinham-se num gráfico e permitem anunciar vitórias sem visitar o campo de batalha.

Talvez seja este o nosso grande equívoco: confundimos medir com compreender, desempenho com inteligência, aprovação com sabedoria e educação com uma coleção de procedimentos destinados a provar que tudo funciona. Uma nação começa a ficar mais pobre muito antes de lhe faltar dinheiro. Empobrece quando deixa de perguntar às crianças o que sonham e passa a perguntar apenas quanto obtiveram no malfadado teste.

O verdadeiro fracasso de uma escola não será o aluno que reprova num exame. Será a escola que consegue aprovar milhares de alunos e, ainda assim, não desperta neles a vontade de compreender o mundo em que vivem.

E há um sinal de alerta bem mais profundo e inquietante do que qualquer resultado negativo na matemática ou no português: no dia em que uma criança aprender que é mais seguro calar uma pergunta do que arriscar uma resposta errada, a escola terá conseguido uma vitória administrativa e sofrido uma derrota humana. E nenhuma classificação, por mais elevada que seja, poderá reparar inteiramente esse dano.

Não convém, porém, dramatizar. Por certo que a próxima reforma já virá a caminho. Trará um novo nome, uma nova plataforma e, possivelmente, um observatório destinado a acompanhar a implementação dos princípios que a reforma anterior deixou por aplicar.

Os gabinetes continuarão refrigerados. Os especialistas continuarão a reunir-se. Os ministros prosseguirão a descoberta da escola em vésperas de eleições. E as crianças continuarão a crescer sem consultar os regulamentos.

A escola permanecerá de portas abertas, com horários, indicadores, relatórios e plataformas atualizadas. Tudo estará em ordem, menos o essencial.

Porque uma escola não devia ter medo das perguntas. Devia ter medo do dia em que já ninguém se atrevesse a fazê-las. Não deveria ter medo de revisitar o “Clube do Poetas Mortos”.

Não tenho qualquer interesse em tornar-me especialista seja no que for. Já há peritos suficientes por aí para bloquear qualquer progresso. Chamem a esta postura o que quiserem — filosofia barata, pessimismo ou outra coisa qualquer. O rótulo é o que menos me importa.

O que me inquieta não é reprovar numa discussão sobre educação. É ver uma geração inteira aprovada num sistema que talvez nunca tenha aprendido a educá-la.

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Crédito Agrícola distingue mérito escolar de 37 alunos de Albufeira

14 October 2026 at 12:10

Trinta e sete alunos dos três agrupamentos de escolas de Albufeira foram distinguidos pelo mérito escolar na 12.ª edição dos prémios CA Nota 20, promovidos pela Caixa de Crédito Agrícola de Albufeira.

A cerimónia realizou-se a 9 de outubro, no auditório da instituição, em Paderne, e distinguiu estudantes do 7.º ao 12.º ano pelo desempenho alcançado no ano letivo 2025/2026.

No total, foram atribuídos 6.050 euros em prémios, com valores individuais entre 100 e 250 euros, depositados diretamente nas contas poupança dos alunos contemplados.

Programa abrange os três agrupamentos de Albufeira

A iniciativa reuniu alunos, familiares, docentes e entidades oficiais e contou com estudantes dos agrupamentos de escolas de Albufeira, Albufeira Poente e Ferreiras.

David Alves, presidente do Conselho de Administração da Caixa de Crédito Agrícola de Albufeira, destacou durante a cerimónia o papel do programa na motivação dos jovens e salientou que a instituição é a única a promover uma iniciativa deste género no concelho.

O responsável deixou ainda uma palavra de reconhecimento aos pais e encarregados de educação pelo investimento na formação dos jovens e valorizou o trabalho desenvolvido pelos docentes e pelos três agrupamentos, que participam no CA Nota 20 desde a primeira edição.

Alunos escolheram professores inspiradores

A edição voltou também a envolver os professores, desafiando cada estudante premiado a escolher o seu “professor inspirador”, como forma de reconhecimento pelo acompanhamento e influência no respetivo percurso escolar.

No encerramento da cerimónia, foram homenageados os três agrupamentos de escolas do concelho, bem como os alunos do curso de Técnico/a de Cozinha e Restauração do Agrupamento de Escolas Albufeira Poente, responsáveis pela confeção e pelo serviço do beberete.

As inscrições para a próxima edição do CA Nota 20 encontram-se abertas até 15 de dezembro e destinam-se aos alunos do 7.º ao 12.º ano das escolas do concelho de Albufeira que sejam titulares de conta no Crédito Agrícola.

Leia também: Dessalinizadora em Albufeira e captação no Pomarão exigem investimento de 305 milhões

Projeto reúne 30 jovens de quatro concelhos algarvios para desenvolver liderança e cidadania

14 October 2026 at 10:59

Albufeira, Loulé, Lagoa e Silves voltam a estar representados no projeto “Líderes do Futuro”, que nesta terceira edição envolve 30 jovens entre os 14 e os 19 anos num percurso gratuito de desenvolvimento pessoal e participação cívica.

Promovida pela Associação Prime Skills em parceria com a Jack Petchey Foundation, a iniciativa decorre ao longo do ano e combina sessões de formação, momentos de mentoria individual, atividades de grupo e experiências de voluntariado.

O objetivo passa por desenvolver competências pessoais e sociais, ao mesmo tempo que se incentiva uma participação mais ativa dos jovens nas comunidades onde vivem, estudam ou integram movimentos cívicos.

Voluntariado e cidadania no centro do projeto

A terceira edição pretende dar continuidade ao trabalho desenvolvido nas anteriores, procurando criar oportunidades para que os participantes adquiram novas competências e se envolvam em ações de voluntariado.

O novo grupo inicia agora o percurso com a intenção de aplicar as aprendizagens não apenas no desenvolvimento pessoal, mas também na participação nas respetivas cidades e comunidades.

A iniciativa procura, assim, associar a formação de competências à cidadania ativa, através de experiências práticas e de contacto com diferentes contextos sociais.

Antigos participantes regressam para criar redes

O arranque desta edição contou também com a presença de antigos participantes do projeto, numa iniciativa destinada a promover a criação de laços e redes entre jovens que passaram pelo programa.

A participação de anteriores integrantes procura reforçar a partilha de experiências e o contacto entre diferentes edições do “Líderes do Futuro”, incentivando a continuidade das ligações criadas ao longo do projeto.

Mais informações sobre a iniciativa estão disponíveis através do website e das redes sociais da Associação Prime Skills ou aqui.

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Docentes de Olhão levam projeto CLARKS a encontro internacional na Finlândia

14 October 2026 at 08:40

Duas docentes do Agrupamento de Escolas João da Rosa, em Olhão, participaram nos dias 6 e 7 de outubro, em Lahti, na Finlândia, no segundo encontro transnacional do projeto europeu Erasmus+ CLARKS.

Anabela Cordeiro e Sandra Patrão representaram o agrupamento algarvio no encontro acolhido pela escola Gaudia, que reuniu os parceiros do projeto para avaliar o trabalho desenvolvido, acompanhar a implementação das atividades e reforçar a cooperação internacional na aproximação à fase final da iniciativa.

Durante as sessões de trabalho foram analisados materiais pedagógicos, estratégias de ensino inovadoras, recursos digitais e atividades já implementadas nos diferentes países envolvidos.

O encontro permitiu ainda debater a avaliação dos resultados, a divulgação do projeto e as possibilidades de continuidade e replicação da metodologia CLARKS.

Projeto aposta na adaptação às alterações climáticas

O CLARKS centra-se na adaptação às alterações climáticas e procura capacitar as escolas para assumirem um papel ativo na resposta aos desafios ambientais.

A iniciativa aposta na promoção do pensamento crítico, da criatividade, da participação democrática e do envolvimento dos alunos e das comunidades, recorrendo ao desenvolvimento de competências e a práticas educativas inovadoras.

O objetivo passa também por contribuir para currículos escolares mais orientados para o futuro e para uma cidadania ambiental mais consciente e participativa.

Encontro reforça cooperação europeia

A participação das docentes do Agrupamento de Escolas João da Rosa permitiu partilhar experiências com os restantes parceiros e consolidar ligações entre as instituições europeias envolvidas.

O encontro serviu igualmente para reforçar o compromisso do agrupamento de Olhão com uma educação assente na inovação, sustentabilidade e participação ativa na construção de respostas às alterações climáticas.

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