❌

Normal view

Sabia que Aljezur já foi praticamente uma ilha? Assoreamento alterou a paisagem mas o nome da vila guarda a memória

22 October 2026 at 13:25

Quem visita atualmente Aljezur encontra uma vila de casas brancas, ruas estreitas e um castelo que domina a paisagem. Porém, há cerca de mil anos, a configuração daquele território seria bastante diferente, uma vez que a povoação esteve praticamente rodeada de água e chegou a desempenhar um papel importante na circulação fluvial da região.

A explicação para esta particularidade encontra-se no próprio nome da vila. De acordo com o portal Visit Portugal, durante o século X, Aljezur seria uma espécie de ilha, contornada pela ribeira que atravessa a localidade. Esta configuração está associada à designação árabe al-Yazira, que significa precisamente “a ilha”.

Ribeira de Aljezur já foi utilizada como porto fluvial

A presença da água não se limitava a definir os contornos da povoação. Durante o período de domínio muçulmano, a ribeira de Aljezur teve também importância na circulação de embarcações, tendo a localidade funcionado como porto fluvial. A mesma fonte refere que esta ligação chegou a integrar a atividade portuária do antigo Império Almorávida.

De salientar que Aljezur foi um importante entreposto comercial algarvio durante a época árabe. A ribeira era navegável antes do terramoto de 1755, permitindo a ligação entre a povoação e outros pontos da região através de uma via de transporte que, entretanto, perdeu as suas antigas características.

O assoreamento acabou por transformar a paisagem

Com o passar dos séculos, a acumulação de sedimentos na ribeira contribuiu para modificar as condições de navegação. Este fenómeno, conhecido como assoreamento, ocorre quando materiais transportados pela água se depositam no leito, podendo reduzir a profundidade dos cursos de água e dificultar a passagem de embarcações.

O blog VagaMundos associa a perda da antiga navegabilidade da ribeira a este processo de transformação. Atualmente, a paisagem observada a partir da vila é dominada por terrenos agrícolas e zonas de vegetação, bastante diferentes do cenário que terá caracterizado Aljezur quando a água desempenhava um papel mais relevante nas deslocações e nas atividades comerciais.

Castelo de Aljezur conserva vestígios do passado muçulmano

Um dos principais testemunhos desse período encontra-se no ponto mais elevado da vila. O Castelo de Aljezur terá sido construído pelos muçulmanos no século X, num cerro de xisto que permitia observar a povoação e os terrenos circundantes. A sua localização proporcionava condições de vigilância sobre uma área que tinha uma configuração distinta da atual.

Os vestígios arqueológicos identificados no local revelam uma ocupação humana muito anterior à construção da fortificação, com testemunhos que remontam à Idade do Bronze. Atualmente, permanecem visíveis partes das muralhas e duas torres, uma circular e outra retangular, que integram o conjunto histórico da antiga estrutura defensiva.

A influência árabe continua presente nas ruas da vila

Além do castelo, o centro histórico de Aljezur conserva características associadas ao seu passado islâmico. As ruas estreitas e sinuosas atravessam um conjunto de habitações tradicionais, com fachadas caiadas de branco, platibandas e elementos coloridos nas portas e janelas. O Visit Portugal compara esta disposição urbana à das antigas medinas árabes.

A partir das zonas mais elevadas, nomeadamente do castelo, é possível observar a várzea de Aljezur e o percurso da ribeira, elementos que ajudam a compreender a importância que a água teve na história local. Entre os espaços que preservam a memória da povoação encontram-se ainda o Museu Municipal, instalado nos antigos Paços do Concelho, e a Casa Museu Pintor José Cercas, dedicada ao artista natural de Aljezur.

Leia também: Muitos passam pela Praia da Rocha sem reparar: há uma ermida dedicada a uma santa egípcia ‘escondida’ na fortaleza

Grândola vila obscena | Por Tiago Manuel

22 October 2026 at 12:41

Grândola, vila obscena
Terra da privacidade 
O povo é quem mais serena 
Quem tem pasta é autoridade!

Quem tem pasta é autoridade 
O povo é quem mais serena 
Praia refém da propriedade 
Grândola, vila obscena!

Em cada praia um porteiro 
Em cada rosto vaidade 
Para entrar, conta o dinheiro 
E o capital dá exclusividade!

E o capital dá exclusividade! 
Para entrar, conta o dinheiro 
Em cada rosto vaidade 
Em cada esquina um porteiro!

À sombra duma carteira 
Com robusta capacidade 
Fica a praia atrás da barreira 
E à porta a comunidade!

E à porta a comunidade 
Fica a praia atrás da barreira 
Com robusta capacidade 
À sombra duma carteira!

Leia também: Moncarapacho inaugura Casa do Colecionador com mais de 260 bengalas e obras de arte

Telemóvel em alta-voz ao volante: o que é permitido e quando pode dar multa

22 October 2026 at 12:30

Atender uma chamada em alta-voz enquanto conduz é permitido em Portugal, desde que a utilização não implique manuseamento continuado do equipamento. A forma como o telemóvel é usado determina se existe uma infração, mesmo quando a conversa é ouvida pelo altifalante.

A regra consta do artigo 84.º do Código da Estrada, que proíbe, durante a marcha do veículo, a utilização ou o manuseamento continuado de equipamentos suscetíveis de prejudicar a condução, incluindo telemóveis e auscultadores. A legislação prevê, contudo, algumas exceções.

Em que condições pode utilizar o alta-voz?

A lei permite utilizar “aparelhos dotados de um único auricular ou microfone com sistema de alta voz, cuja utilização não implique manuseamento continuado”.

Assim, uma chamada atendida através dos comandos do volante ou de um sistema de voz, sem necessidade de mexer continuamente no telefone, pode enquadrar-se na exceção prevista no Código da Estrada.

O telemóvel pode estar ligado ao sistema de mãos livres do automóvel ou colocado num suporte adequado. Em qualquer destas situações, o condutor deve evitar interações prolongadas com o aparelho durante a condução.

Segurar no telemóvel pode constituir uma infração

Segundo o Automóvel Club de Portugal, manter o telefone na mão durante uma chamada em alta-voz pode ser interpretado como utilização indevida, mesmo sem o encostar ao ouvido.

Procurar um contacto, escrever uma mensagem, consultar notificações ou mexer repetidamente numa aplicação são exemplos de comportamentos que desviam a atenção da estrada. A ativação do altifalante não afasta as regras relativas ao manuseamento do equipamento.

Coima pode chegar aos 1.250 euros

A utilização indevida do telemóvel durante a condução constitui uma contraordenação grave. De acordo com a Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária, está prevista uma coima entre 250 e 1.250 euros, a perda de três pontos na carta e uma sanção acessória de inibição de conduzir entre um e 12 meses.

A perda de pontos ocorre depois de a decisão sobre a infração se tornar definitiva, conforme esclarece a autoridade.

Mesmo com mãos livres, a atenção pode diminuir

Uma chamada legalmente permitida também pode comprometer a concentração. O ACP alerta que conversar ao telefone, mesmo através de um sistema de mãos livres, pode reduzir a atenção disponível para acompanhar o trânsito.

Antes de arrancar, a recomendação é configurar a ligação ao automóvel, definir o percurso e preparar as funções necessárias. Durante a viagem, devem privilegiar-se os comandos integrados e evitar-se interações prolongadas com o ecrã.

Se for necessário escrever, procurar informação ou alterar definições, a opção mais segura é estacionar num local permitido e só depois utilizar o telefone. Sempre que possível, a chamada deve ficar para mais tarde.

Leia também: Condutor apanhado a circular a 292 km/h na Ponte Vasco da Gama percorreu 8,4 km em menos de 2 minutos

Bensafrim guarda vestígios de escrita com 2.500 anos que projeto quer dar a conhecer

22 October 2026 at 12:20

Vestígios de uma escrita com cerca de 2.500 anos, encontrados em antigas necrópoles da Fonte Velha, em Bensafrim, no concelho de Lagos, estão no centro de um projeto de valorização do património arqueológico e rural. A iniciativa Rotas Rurais pretende dar a conhecer a importância histórica deste território, onde foram descobertas várias estelas com inscrições que continuam por decifrar.

Entre os achados arqueológicos destacam-se uma estela de grandes dimensões e um disco de ouro associado à Idade do Ferro, atualmente conservados no Museu Municipal Santos Rocha, na Figueira da Foz. Os objetos testemunham a presença de comunidades que utilizaram aquele território como espaço funerário durante a Idade do Ferro e a época romana.

A estela foi recolhida no final do século XIX, durante escavações arqueológicas realizadas no Algarve sob a direção de António dos Santos Rocha e Estácio da Veiga. Natural da Figueira da Foz e fundador da Sociedade Arqueológica naquela cidade, Santos Rocha levou a peça para a sua terra natal, onde permanece integrada no acervo museológico.

“Há 2.500 anos, nós sabíamos escrever como poucos na Europa. Éramos dos mais inovadores neste território, que abrange o Baixo Alentejo e a Serra do Algarve”, afirma o arqueólogo Pedro Barros, consultor científico do projeto Rotas Rurais, desenvolvido para promover o património arqueológico, rural e agrícola de Bensafrim, Barão de São João e Odiáxere.

Estelas com inscrições continuam a desafiar os investigadores

Só em Bensafrim foram identificadas seis estelas, entre as quais a peça de maiores dimensões, com 1,35 metros de altura, que se encontra exposta na Figueira da Foz.

Os investigadores admitem que estas estruturas de pedra estariam associadas a práticas funerárias e poderiam também funcionar como marcos territoriais. Contudo, o significado das inscrições permanece desconhecido, uma vez que a escrita do Sudoeste ainda não foi decifrada.

“Como tem influência Fenícia, proveniente do Mediterrâneo oriental, escreve-se de forma contrária à nossa, ou seja, de baixo para cima e da direita para a esquerda”, explica Pedro Barros, acrescentando que os caracteres surgem organizados em espiral, sem separação entre palavras ou sinais de pontuação.

Localização da antiga necrópole permanece desconhecida

A necrópole da Idade do Ferro da Fonte Velha é considerada pelo arqueólogo uma das maiores do sul de Portugal, tendo em conta a sua dimensão, o conjunto de estelas descobertas e as características dos enterramentos descritos nos registos antigos.

Apesar das tentativas realizadas no final da década de 1990 e em 2014, a localização exata do sítio arqueológico continua por identificar.

“Apesar deste esforço, não se conseguiu voltar a localizar a necrópole da Fonte Velha de Bensafrim”, reconhece Pedro Barros.

O investigador sublinha também que continuam por identificar os locais onde habitavam as comunidades responsáveis pelos enterramentos: “Das escavações antigas conhecemos os espaços da morte, mas nunca foi identificado o sítio onde as pessoas viviam”.

Os registos arqueológicos do século XIX descrevem enterramentos em cistas, estruturas construídas com lajes de pedra colocadas verticalmente, embora os métodos utilizados na época obriguem a alguma prudência na interpretação dos vestígios.

Rotas Rurais pretende valorizar património arqueológico e agrícola de Lagos

A Vicentina – Associação para o Desenvolvimento do Sudoeste está a desenvolver um trabalho de divulgação deste património, em colaboração com a Associação para a Proteção e Promoção do Património Rural.

Entre as iniciativas encontra-se o Centro de Interpretação do Património Arqueológico Rural de Bensafrim, inaugurado em outubro na sede da Vicentina, que disponibiliza um quiosque multimédia com informações sobre as descobertas e os artefactos identificados.

“O nosso objetivo era criar informação que fosse passível de ser entendida, porque, de facto, o sítio da Fonte Velha não é visitável do ponto de vista arqueológico”, explica Sónia Felicidade, coordenadora-geral do projeto.

O Rotas Rurais integra ainda uma rota arqueológica e cinco quintas agrícolas privadas onde existem menires com cerca de 6.500 anos, testemunhos de uma fase antiga do megalitismo europeu.

Estes espaços procuram organizar a sua atividade para receber visitantes, estabelecendo uma ligação entre o património arqueológico, a paisagem rural e a atividade agrícola.

Segundo Pedro Barros, uma investigação desenvolvida por Marta Diaz-Guardamino, da Universidade de Durham, em colaboração com os municípios de Lagos e Vila do Bispo, aponta para a possibilidade de as populações locais terem reerguido intencionalmente alguns menires no final da Idade do Ferro, depois de estes terem tombado ao longo do tempo.

Leia também: Moncarapacho inaugura Casa do Colecionador com mais de 260 bengalas e obras de arte

Mais de 50 engenheiros visitam futura dessalinizadora do Algarve para conhecer projeto de abastecimento de água

22 October 2026 at 11:30

A futura dessalinizadora do Algarve recebeu, no dia 17 de outubro, uma visita de mais de 50 participantes da Delegação Distrital de Faro da Ordem dos Engenheiros, provenientes de diferentes regiões do país, numa iniciativa destinada a dar a conhecer o projeto de transformação de água do mar em água para consumo humano e o seu contributo para a segurança do abastecimento na região.

A visita à Estação de Dessalinização de Água do Mar (EDAM) do Algarve foi acompanhada por responsáveis da empresa Águas do Algarve, técnicos especializados e representantes do consórcio responsável pela obra, proporcionando aos participantes um contacto direto com uma das soluções previstas para diversificar as origens de abastecimento de água.

De acordo com a Águas do Algarve, a iniciativa permitiu promover a partilha de conhecimentos técnicos e aprofundar a discussão sobre os desafios da gestão dos recursos hídricos numa região particularmente vulnerável à escassez de água.

Engenheiros conheceram projeto destinado a reforçar a segurança hídrica do Algarve

A comitiva foi recebida pela presidente do Conselho de Administração da Águas do Algarve, Helena Lucas, e pelos técnicos especializados Teresa Fernandes, Pedro Ramos e Ricardo Estigarribia.

A visita contou igualmente com a participação de responsáveis do consórcio responsável pela execução da obra, entre os quais Numo Maia, num encontro dedicado à apresentação do projeto e à troca de conhecimentos sobre as soluções técnicas em desenvolvimento.

Segundo a Águas do Algarve, a estação de dessalinização constitui uma das respostas estruturantes previstas para reforçar a segurança do abastecimento de água na região, permitindo diversificar as fontes utilizadas para satisfazer as necessidades de consumo humano.

A empresa considera que o projeto representa uma nova etapa na gestão dos recursos hídricos algarvios, ao introduzir a possibilidade de recorrer à água do mar como origem complementar de abastecimento.

A iniciativa teve também como objetivo aproximar a comunidade técnica das soluções que estão a ser desenvolvidas, promovendo uma maior compreensão dos desafios associados à implementação deste tipo de infraestrutura.

Dessalinização integra estratégia de adaptação às alterações climáticas

A Águas do Algarve enquadra a construção da estação de dessalinização numa estratégia mais abrangente de resposta à escassez hídrica e de adaptação às alterações climáticas.

Num território particularmente exposto à falta de água, a empresa considera que a diversificação das origens de abastecimento constitui uma medida relevante para reforçar a capacidade de resposta da região perante períodos de menor disponibilidade dos recursos hídricos.

A dessalinização surge, contudo, como uma solução complementar a outras medidas consideradas essenciais para uma gestão mais eficiente da água, nomeadamente a redução de perdas nas redes de abastecimento, a promoção da eficiência no consumo e a reutilização de água para utilizações compatíveis.

A empresa destaca igualmente a importância do conhecimento técnico e da participação dos profissionais de engenharia na concretização de projetos destinados a responder aos desafios ambientais e às necessidades futuras do Algarve.

“Não temos dúvidas que a engenharia tem um papel decisivo nesta transformação”, sublinha a Águas do Algarve, defendendo a importância de envolver os profissionais especializados na discussão sobre as soluções de abastecimento.

A entidade considera ainda que dar a conhecer o projeto e promover o contacto entre especialistas contribui para uma reflexão mais informada sobre a gestão da água e as respostas necessárias para aumentar a resiliência hídrica da região.

A visita dos mais de 50 participantes da Ordem dos Engenheiros constituiu, assim, uma oportunidade para aprofundar o conhecimento sobre a futura estação de dessalinização e o papel que esta infraestrutura poderá desempenhar na diversificação das origens de abastecimento de água ao Algarve.

Leia também: Moncarapacho inaugura Casa do Colecionador com mais de 260 bengalas e obras de arte

Banco alega negligência após uma burla? Tribunal europeu esclarece que tem de haver reembolso imediato

22 October 2026 at 11:00

Os bancos não podem recusar o reembolso imediato de operações de pagamento não autorizadas apenas por alegarem negligência grosseira do cliente. O esclarecimento consta de um acórdão de 15 de outubro do Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE), relativo ao processo C-70/25.

Estão em causa pagamentos cuja autorização é contestada pelo titular da conta. Neste enquadramento, a utilização dos dados bancários deve ser distinguida do consentimento para realizar a operação, cabendo ao prestador demonstrar a autorização e a correta autenticação e execução do movimento.

Uma página falsa levou à perda de 700 euros

O caso envolve uma cliente de um banco polaco que colocou um artigo à venda na Internet. Um suposto comprador enviou-lhe uma ligação que conduzia a uma página semelhante à do banco.

A mulher introduziu as credenciais, utilizadas pelo burlão para transferir cerca de 700 euros. Comunicou a operação no dia seguinte, mas o banco recusou o reembolso por considerar que tinha agido com negligência grosseira.

Devolução deve ocorrer até ao dia útil seguinte

O Banco de Portugal esclarece que o prestador deve reembolsar, ainda que provisoriamente, o montante de uma operação alegadamente não autorizada até ao final do primeiro dia útil seguinte àquele em que tomou conhecimento dela ou recebeu a comunicação do cliente.

A contagem depende, portanto, do conhecimento da operação pelo prestador. Por isso, a comunicação rápida de um movimento não reconhecido é essencial.

O banco pode exigir o dinheiro posteriormente

O reembolso inicial pode ser seguido de uma discussão sobre a responsabilidade pelas perdas. A instituição pode reclamar os valores se provar que o prejuízo resultou de um incumprimento intencional ou de negligência grosseira dos deveres de segurança do cliente.

“Cabe ao prestador de serviços de pagamento provar que o cliente agiu com negligência grosseira”, salienta o tribunal.

Também o enquadramento legal português exige ao prestador elementos que demonstrem fraude, dolo ou negligência grosseira quando pretende responsabilizar o utilizador por operações não autorizadas. A avaliação deve assentar em provas relativas ao caso concreto.

Existe uma exceção ao reembolso imediato

O banco pode suspender a devolução quando tenha motivos válidos para suspeitar de fraude cometida pelo próprio cliente e comunique esses motivos, por escrito, à autoridade nacional competente.

Por seu lado, o cliente deve comunicar a operação logo que dela tenha conhecimento, sem atraso injustificado. O regime português estabelece, em regra, um limite máximo de 13 meses após o débito para essa comunicação.

Esse limite não permite esperar para denunciar um movimento já identificado: a exigência de comunicar rapidamente e o prazo máximo devem ser cumpridos em conjunto.

Leia também: CGA explica erro em 2.937 pensões e redução média de 93 euros por mês

Raquel Tavares regressa ao fado com concerto no Teatro Municipal de Tavira

22 October 2026 at 10:50

O Teatro Municipal António Pinheiro, em Tavira, recebe a cantora Raquel Tavares no próximo dia 31 de outubro, às 21:30, para um concerto que marca o seu regresso ao fado, após um período de afastamento da carreira musical durante o qual se dedicou a projetos nas áreas da comunicação e da representação.

A fadista, que está atualmente a preparar um novo álbum, apresenta em Tavira o seu mais recente trabalho artístico, dando continuidade ao regresso aos palcos iniciado em 2023 e consolidado com uma nova temporada de concertos em Portugal e no estrangeiro.

O espetáculo assinala uma nova etapa no percurso de uma intérprete distinguida com o Prémio Amália Rodrigues e um Globo de Ouro, cuja carreira inclui vários discos e atuações internacionais.

Regresso ao fado depois de uma pausa na carreira musical

Raquel Tavares começou a cantar aos sete anos e construiu um percurso artístico marcado pela ligação ao fado, género musical que voltou a assumir um papel central na sua atividade.

Em 2006, lançou o álbum de estreia, intitulado Raquel Tavares, que lhe valeu o Prémio Amália Rodrigues na categoria de “Revelação Feminina”.

Dois anos depois, editou Bairro (2008), um trabalho que recebeu uma receção positiva por parte da crítica e do público.

Em 2016, apresentou o álbum Raquel, do qual faz parte o tema “Meu Amor de Longe”, que ultrapassou os 14 milhões de visualizações no YouTube.

No ano seguinte, lançou Roberto Carlos por Raquel Tavares, um disco dedicado ao repertório do cantor brasileiro, que alcançou o galardão de platina poucos meses depois da edição.

Este trabalho valeu-lhe também um Globo de Ouro na categoria de “Melhor Intérprete”, em 2017.

Cantora retomou os palcos internacionais em 2023

Depois de uma pausa na carreira musical, durante a qual explorou novas experiências profissionais na comunicação e na representação, Raquel Tavares decidiu regressar à música.

O reencontro com os palcos aconteceu em 2023, quando aceitou participar no Festival Internacional de Fado, apresentando-se em Madrid, Barcelona e Sevilha.

A intérprete já tinha participado em edições anteriores deste festival, ao lado de nomes como Carlos do Carmo e Camané, entre outros artistas ligados ao fado.

Em 2025, retomou um ritmo mais regular de concertos, realizando espetáculos em Portugal e uma digressão pela América Latina.

Atualmente, a cantora encontra-se a preparar um novo álbum, num regresso à expressão musical que marcou grande parte do seu percurso artístico.

Bilhetes disponíveis para concerto em Tavira

O concerto de Raquel Tavares está marcado para sábado, 31 de outubro, às 21:30, no Teatro Municipal António Pinheiro, em Tavira.

Os bilhetes encontram-se à venda na bilheteira do teatro e através da plataforma BOL.

A programação completa do Teatro Municipal António Pinheiro pode ser consultada aqui.

Leia também: Moncarapacho inaugura Casa do Colecionador com mais de 260 bengalas e obras de arte

Rede Expressos lança 100 mil bilhetes a 2,50 euros para viajar por Portugal

22 October 2026 at 10:10

Viajar de autocarro por Portugal vai custar apenas 2,50 euros com a disponibilização de 100 mil bilhetes promocionais pela Rede Expressos, numa iniciativa lançada esta quinta-feira, 22 de outubro, que pretende incentivar a utilização dos transportes coletivos e oferecer uma alternativa mais económica às deslocações de automóvel. Os bilhetes podem ser adquiridos até 12 de novembro, para viagens a realizar até 30 de novembro de 2026.

Denominada “Poucochinho”, a campanha abrange a rede nacional da transportadora, que assegura ligações a centenas de destinos, procurando responder ao aumento dos custos das deslocações, nomeadamente devido à subida dos preços dos combustíveis.

A iniciativa pretende também incentivar os passageiros a optar pelo autocarro em detrimento do transporte individual, contribuindo para reduzir o impacto ambiental das deslocações.

Bilhetes a 2,50 euros disponíveis no site e na aplicação da Rede Expressos

Os 100 mil bilhetes promocionais já se encontram disponíveis nos canais digitais da transportadora, podendo ser adquiridos através do site oficial da Rede Expressos ou da aplicação para dispositivos móveis.

A campanha contempla compras efetuadas até 12 de novembro de 2026, sendo possível realizar as viagens até 30 de novembro.

A empresa pretende, desta forma, facilitar o acesso ao transporte rodoviário de passageiros numa altura em que os custos associados à utilização do automóvel representam uma preocupação para muitos consumidores.

Segundo a Rede Expressos, a iniciativa procura demonstrar que a subida dos combustíveis não tem necessariamente de se refletir num agravamento dos preços pagos pelos passageiros.

Empresa quer incentivar o transporte coletivo e reforçar ligações ao Interior

A campanha insere-se numa estratégia de promoção da mobilidade coletiva e de reforço das oportunidades de deslocação entre diferentes regiões do país.

Além das ligações entre os principais centros urbanos, a Rede Expressos pretende alargar as possibilidades de mobilidade no Centro e no Interior, procurando adequar a oferta à procura e às necessidades das populações.

A transportadora considera que o aumento da utilização do autocarro pode contribuir para melhorar a eficiência da operação e permitir a manutenção de preços mais competitivos.

“Quando o preço dos combustíveis sobe, a pressão sente-se em toda a cadeia, incluindo na operação dos autocarros. Ainda assim, queremos demonstrar que esse aumento não tem de se traduzir inevitavelmente em viagens mais caras. Ao incentivar mais pessoas a escolher o transporte coletivo, conseguimos ganhar eficiência, reforçar a rede e continuar a oferecer viagens a preços mais competitivos”, afirma Nelson Silva, diretor-geral da Rede Expressos.

A empresa associa ainda a iniciativa ao objetivo de promover uma maior coesão territorial, através de soluções de transporte que facilitem as deslocações entre diferentes localidades.

As compras podem ser realizadas até 12 de novembro, através do site e da aplicação da Rede Expressos, para viagens a efetuar até ao final desse mês.

Leia também: Moncarapacho inaugura Casa do Colecionador com mais de 260 bengalas e obras de arte

Hora muda no domingo: veja como pode afetar o sono e o que fazer para se adaptar

22 October 2026 at 10:00

Portugal regressa ao horário de inverno na madrugada de domingo, 25 de outubro, com os relógios a recuarem uma hora. A alteração permite passar mais tempo na cama, mas também pode interferir com os horários de sono enquanto o organismo se adapta.

No continente e na Madeira, às 02:00 os relógios passam a marcar 01:00. Nos Açores, à 01:00 voltam a ser 00:00, de acordo com as regras da hora legal explicadas pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera. O anoitecer passará a acontecer uma hora mais cedo pelo relógio.

Porque pode a mudança mexer com o descanso?

O corpo tem um relógio biológico que ajuda a regular os períodos de sono e de maior atenção ao longo de um ciclo próximo das 24 horas. É o chamado ritmo circadiano, influenciado sobretudo pela exposição à luz e à escuridão.

O Instituto Nacional de Segurança e Saúde Ocupacional dos Estados Unidos, integrado nos CDC, explica que a luz funciona como um sinal para esse relógio interno. A melatonina, uma hormona associada ao ciclo de sono, é libertada durante a noite.

Quando o horário muda de forma abrupta, os sinais do ambiente e as rotinas diárias precisam de voltar a ajustar-se.

O recuo de outubro tende a ser mais fácil

A adaptação ao horário de inverno costuma ser menos exigente do que a passagem para a hora de verão, quando se perde uma hora.

Num texto publicado pelo Centro Médico Wexner da Universidade Estadual de Ohio, a médica especialista em sono Aneesa Das explica que “é mais difícil adiantar o nosso relógio do sono” do que atrasá-lo.

O horário de inverno também aproxima a exposição à luz dos ritmos naturais do organismo, com maior luminosidade de manhã e escuridão mais cedo à noite. Ainda assim, quem já tem dificuldades em dormir pode sentir a alteração das rotinas.

Que hábitos ajudam na adaptação?

Manter horários regulares para deitar, levantar e fazer as refeições é uma das recomendações da especialista. Nos dias anteriores ao recuo dos relógios, pode ajudar adiar ligeiramente a hora de deitar.

Depois da adaptação, a orientação é procurar luz natural de manhã e reduzir a luz artificial ao final do dia. O quarto deve ser escuro, silencioso e fresco, evitando utilizar telemóveis, computadores ou televisão na cama. Garantir tempo suficiente de descanso continua a ser essencial.

Porque continua a haver mudança da hora?

A Comissão Europeia apresentou, em 2018, uma proposta para terminar as alterações sazonais. Contudo, o Conselho da União Europeia esclarece que ainda não existe uma decisão final nem um calendário definido para a sua aplicação. O regime atual mantém-se em vigor.

Entretanto, um documento do Conselho confirma que foi lançado, em fevereiro de 2026, um estudo sobre os efeitos do fim da mudança da hora. A análise abrange dez cenários e áreas como a saúde pública, a energia, os transportes e a economia, estando prevista a sua conclusão até ao final deste ano.

Leia também: Alterações no paladar podem estar ligadas à doença renal: os sinais que merecem atenção

Tomás Silva recandidata-se à presidência da Associação Académica da Universidade do Algarve

22 October 2026 at 09:40

O atual presidente da Direção-Geral da Associação Académica da Universidade do Algarve (AAUAlg), Tomás Soares Silva, de 21 anos, anunciou a sua recandidatura ao cargo nas eleições marcadas para 5 de novembro, apresentando como principais prioridades a reorganização interna da estrutura, o reforço da sua intervenção nacional e a defesa dos interesses dos estudantes.

Natural de Faro e estudante de Gestão na Escola Superior de Gestão, Hotelaria e Turismo, Tomás Silva exerce a presidência da Direção-Geral da AAUAlg desde 5 de dezembro de 2025. A decisão de voltar a candidatar-se foi anunciada a 21 de outubro, através das suas redes sociais, depois de um período de reflexão sobre o trabalho desenvolvido e os projetos que pretende concretizar.

O estudante justifica a recandidatura com a existência de iniciativas ainda por concluir, propostas que pretende colocar em prática e compromissos assumidos durante o atual mandato.

Reestruturação interna e representação dos estudantes entre as prioridades

Sob o lema “Acreditar na essência, ser Académica”, a candidatura de Tomás Silva assenta em três eixos fundamentais, centrados no funcionamento da associação e na sua capacidade de intervenção em defesa da comunidade estudantil.

A primeira prioridade é a reestruturação interna da AAUAlg, que o candidato considera necessária para preparar o futuro da organização e melhorar a sua capacidade de resposta.

O segundo objetivo passa por reforçar o posicionamento da Associação Académica da Universidade do Algarve nas discussões nacionais sobre o ensino superior, procurando assegurar uma participação mais ativa nos debates que envolvem os estudantes.

O terceiro eixo pretende recuperar aquilo que Tomás Silva identifica como a missão essencial da estrutura: a representação dos estudantes, tanto no interior da universidade como junto das entidades externas.

Na apresentação da candidatura, o atual presidente defende que “Ser Associação Académica é compreender a dimensão daquilo que representamos, é reconhecer o impacto que podemos ter na vida daqueles que frequentam a nossa academia e é perceber que existe sempre mais por fazer.”

Tomás Silva considera que a experiência adquirida durante o mandato lhe permitiu conhecer melhor o funcionamento da instituição e identificar áreas que necessitam de mudanças.

“Apresento hoje a minha recandidatura, por isso mesmo: por conhecer melhor a casa que represento, por acreditar no seu potencial e por saber que há trabalho pela frente”, afirma o candidato.

Na declaração de candidatura, Tomás Silva sustenta ainda que o último ano permitiu reforçar as bases da organização, restabelecer o equilíbrio institucional e renovar a confiança na estrutura, defendendo agora uma reflexão sobre a forma como a associação se organiza.

Perante as mudanças no ensino superior, considera igualmente necessário reforçar a intervenção da AAUAlg na defesa dos direitos e interesses da comunidade estudantil.

“Caros colegas, acredito numa Associação Académica que tenha orgulho naquilo que é, que tenha confiança naquilo que faz e acima de tudo, que tenha ambição para alcançar mais objetivos”, conclui Tomás Soares Silva.

Eleições para a Associação Académica marcadas para 5 de novembro

O calendário eleitoral para os órgãos sociais da Associação Académica da Universidade do Algarve foi aprovado pelos estudantes em Assembleia Magna, realizada a 16 de outubro.

O prazo para entrega das listas candidatas termina a 23 de outubro, seguindo-se a campanha eleitoral, que decorrerá entre 26 de outubro e 3 de novembro.

O ato eleitoral está marcado para 5 de novembro, estando a divulgação dos resultados prevista para o dia seguinte, 6 de novembro.

A recandidatura de Tomás Silva surge, assim, num processo eleitoral em que o atual presidente procura renovar o mandato à frente da Direção-Geral da AAUAlg, apresentando como objetivos a reorganização da associação, o reforço da sua presença no debate nacional sobre o ensino superior e uma maior capacidade de representação dos estudantes.

Leia também: Moncarapacho inaugura Casa do Colecionador com mais de 260 bengalas e obras de arte

Música e dança indiana juntam três artistas em espetáculo no Ginásio Clube de Faro

22 October 2026 at 09:30

O Ginásio Clube de Faro recebe, no próximo sábado, 24 de outubro, às 18:00, um espetáculo de música e dança indiana, protagonizado pela cantora Medha Basu, pelo percussionista Shreekalyan Chakraborty e pela bailarina Beatriz Crespo, numa iniciativa que pretende dar a conhecer ao público diferentes expressões da tradição artística da Índia.

A apresentação surge na sequência da passagem de Medha Basu por Sevilha, circunstância que o Ginásio Clube de Faro aproveitou para organizar um encontro cultural dedicado às sonoridades e aos ritmos da música indiana.

O espetáculo combina canto, instrumentos tradicionais e dança, proporcionando ao público uma experiência artística centrada na diversidade cultural e na riqueza das tradições indianas.

Canto, tablas e dança dão a conhecer tradições artísticas da Índia

Medha Basu será acompanhada por Shreekalyan Chakraborty, responsável pela interpretação das tablas, instrumentos tradicionais de percussão indianos que desempenham um papel importante na expressão rítmica desta música.

A componente de dança estará a cargo de Beatriz Crespo, completando uma apresentação que procura estabelecer um diálogo entre diferentes linguagens artísticas.

De acordo com o Ginásio Clube de Faro, a iniciativa pretende proporcionar uma oportunidade de contacto com manifestações culturais ligadas à tradição indiana, através de um espetáculo que reúne música, canto e dança.

A apresentação realiza-se no sábado, 24 de outubro, às 18:00, nas instalações do Ginásio Clube de Faro, situadas na Rua Ivens, n.º 12, 2.º andar, em Faro.

O bilhete tem um custo de cinco euros.

Para informações adicionais, os interessados podem contactar a organização através do endereço eletrónico ginasioclubedefaro@gmail.com.

Leia também: Moncarapacho inaugura Casa do Colecionador com mais de 260 bengalas e obras de arte

Homem com bandeira de Israel é afastado de protesto no Rossio e retirado pela PSP

22 October 2026 at 09:20

Um homem que exibia uma bandeira de Israel foi retirado pela PSP do protesto pela habitação no Rossio, em Lisboa, na noite de quarta-feira, 21 de outubro. Segundo a RTP, dois agentes acompanharam-no até ao interior da estação de Metro do Rossio, depois de se ter envolvido em confrontos com manifestantes.

O episódio ocorreu pouco depois das 22h00, quando estavam a ser instaladas tendas na Praça D. Pedro IV. A concentração reunia algumas centenas de pessoas e decorria de forma pacífica desde o final da tarde, de acordo com o relato da agência Lusa.

Manifestantes afastaram o homem da zona das tendas

O homem entrou no espaço ocupado pelo protesto e acabou por ser afastado pelos próprios manifestantes. Elementos da PSP que acompanhavam a concentração intervieram depois para o retirar do meio dos participantes.

Durante o incidente, ouviram-se palavras de ordem como “pacíficos, pacíficos” e “somos todos antifascistas”. A RTP refere que o homem já tinha estado na manifestação durante a tarde.

A situação aconteceu depois de uma assembleia popular ter aprovado o regresso das tendas ao Rossio. A proposta tinha recebido 190 votos favoráveis e 270 abstenções, numa reunião iniciada pelas 19:30.

Decisão mudou durante a madrugada

Já na madrugada desta quinta-feira, 22 de outubro, os participantes voltaram a votar sobre a permanência na praça.

Pelas 00:45, a organização apresentou três alternativas: desmontar as tendas e desmobilizar, retirar as estruturas mas continuar a dormir na rua de forma organizada, ou manter o acampamento e formar um cordão humano em seu redor.

A opção de desmontar as tendas e pernoitar ao relento venceu com 338 votos. Os participantes decidiram, assim, manter o protesto no Rossio sem as estruturas de campismo que tinham voltado a instalar durante a noite.

Protesto prosseguiu depois da operação de terça-feira

O regresso das tendas ocorreu após a intervenção policial de 20 de outubro, que retirou o anterior acampamento do Rossio.

Num comunicado divulgado nesse dia, a PSP informou que tinham sido detidas 55 pessoas em Lisboa por suspeita de desobediência. A força de segurança registou ainda dois feridos ligeiros e indicou que a Polícia Municipal tinha apreendido 228 estruturas de acampamento. Estes números dizem respeito à operação de terça-feira.

Os detidos foram posteriormente constituídos arguidos e libertados, sujeitos a termo de identidade e residência. As diligências judiciais relativas aos casos foram adiadas para 27 de outubro.

Leia também: Joaquim de Almeida recebe reforma de 8.500€ por mês, mas há outra fortuna por detrás da riqueza do ator português

Professora de Silves lança livro sobre os desafios da maternidade e da adolescência

22 October 2026 at 09:10

A escritora Ana Rita Gamas, residente em Silves, lançou o livro A Mãe Não Vem com Manual – Adolescentes, Estrogénio e Outras Catástrofes Domésticas, uma obra que aborda, com humor e sensibilidade, os desafios da maternidade, as transformações da adolescência e as situações inesperadas que marcam o quotidiano das famílias.

Publicada pela 5 Livros, a obra parte de experiências e episódios familiares para explorar as dificuldades, dúvidas e emoções que acompanham o crescimento dos filhos, numa fase em que as relações entre pais e adolescentes enfrentam novos desafios.

Com uma escrita que procura combinar situações divertidas com reflexões sobre a vida familiar, a autora apresenta uma perspetiva sobre as mudanças que ocorrem quando os filhos começam a conquistar maior autonomia e os pais procuram adaptar-se a essa nova realidade.

Entre a adolescência, as mudanças familiares e o humor

Na apresentação da obra, Ana Rita Gamas descreve algumas das situações que inspiram o livro, recorrendo a episódios do quotidiano para retratar as diferentes etapas do crescimento dos filhos.

“Crescer faz barulho”, começa por assinalar a autora, numa referência às transformações que acompanham a infância e a adolescência.

O texto de apresentação prossegue com uma descrição bem-humorada do ambiente familiar: “Às vezes são portas que batem. Outras vezes são gargalhadas à mesa às 19h53.”

A escritora aborda também as mudanças de comportamento dos adolescentes e as situações inesperadas que podem surgir no relacionamento entre pais e filhos.

“Há um adolescente que responde «já ouvi»… mas raramente aparece”, refere a apresentação da obra, acrescentando: “Há uma criança de seis anos que fala sem vírgulas e acredita que a mãe sabe tudo.”

A narrativa contempla ainda a transformação das relações familiares à medida que os filhos crescem, descrevendo uma fase marcada por novas responsabilidades, emoções e desafios.

“Este livro não é um manual. É uma conversa honesta, divertida e profundamente humana sobre maternidade, adolescência e aquela sensação universal de que ninguém nos explicou verdadeiramente esta fase da vida”, destaca o texto de apresentação.

Uma reflexão sobre a experiência de educar e acompanhar os filhos

A obra procura, assim, proporcionar aos leitores uma reflexão sobre a experiência de educar e acompanhar os filhos, abordando as dificuldades do quotidiano sem perder a dimensão afetiva e humorística.

Natural do Fundão, Ana Rita Gamas é mãe de dois filhos, Carolina e Miguel, e reside em Silves, onde exerce a atividade de professora de História no Agrupamento de Escolas de Silves.

Licenciada em História, variante História da Arte, pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, a autora apresenta nesta publicação uma abordagem à vida familiar marcada pela experiência pessoal, pelo humor e pela observação das relações entre gerações.

A Mãe Não Vem com Manual – Adolescentes, Estrogénio e Outras Catástrofes Domésticas é o seu primeiro livro.

Leia também: Moncarapacho inaugura Casa do Colecionador com mais de 260 bengalas e obras de arte

Mensagem no WhatsApp pede ajuda para a “filha de amigos”? Saiba como funciona esta burla

22 October 2026 at 09:00

Um pedido para ajudar uma criança a ganhar um concurso de dança pode esconder uma tentativa de acesso à sua conta do WhatsApp. O Instituto Nacional de Cibersegurança de Espanha (INCIBE) publicou, nesta quarta-feira, 21 de outubro, um alerta sobre este esquema, que chega através de mensagens de contactos conhecidos.

A confiança entre amigos e familiares é usada para convencer os destinatários a seguir uma ligação. A DECO PROteste já tinha descrito uma fraude semelhante em novembro de 2025, na qual contas comprometidas eram utilizadas para espalhar novos pedidos e solicitar dinheiro.

Uma votação que permite associar outro dispositivo

No exemplo divulgado pelo INCIBE, a mensagem pede votos para Sophie, apresentada como filha de uns amigos. Os nomes, os prémios e as páginas utilizadas podem variar.

Ao abrir a ligação, o destinatário encontra uma página que simula uma votação e pede o número de telefone. Depois, apresenta um código e instruções para o introduzir no WhatsApp, através da opção de associar um dispositivo.

“Esse código não serve para registar um voto”, esclarece o instituto: permite associar um equipamento externo à conta.

A própria Meta, proprietária do WhatsApp, descreve este mecanismo. Os criminosos podem apresentar-se como organizadores de concursos de talentos e pedir um código de associação. Noutras variantes, tentam convencer a pessoa a ler um código QR que liga o equipamento do burlão à conta.

A aplicação pode continuar a funcionar normalmente

A vítima pode continuar a utilizar o WhatsApp enquanto terceiros enviam mensagens através da sessão associada. Manter o acesso à aplicação não significa, portanto, que a conta esteja a ser usada apenas pelo titular.

A Meta anunciou avisos para pedidos de associação considerados suspeitos, destinados a alertar os utilizadores antes de concluírem o processo. A empresa recomenda atenção à origem desses pedidos e às instruções apresentadas no ecrã.

Como proteger a conta

Antes de participar numa votação recebida por mensagem, confirme o pedido com a pessoa através de uma chamada. Nunca partilhe códigos de verificação e ative a verificação em dois passos, recomenda a DECO PROteste.

Se já associou um dispositivo, consulte a lista de equipamentos ligados ao WhatsApp e termine as sessões desconhecidas. Avise os contactos por outro canal e conserve capturas das mensagens. Abrir a ligação ou fornecer o número, por si só, não equivale a autorizar a associação, mas justifica verificar essa lista.

Caso tenha enviado dinheiro, contacte imediatamente o banco. Em Portugal, a GNR recomenda denunciar a burla às autoridades, podendo a participação ser apresentada à Guarda, PSP, Polícia Judiciária ou Ministério Público. Guarde também os comprovativos dos pagamentos.

Leia também: Vai viajar de avião em 2027? Presidente da Ryanair avisa que os bilhetes vão ficar muito mais caros

Faro recebe conferência sobre resíduos e desafios da sustentabilidade no Algarve

22 October 2026 at 08:23

A gestão sustentável de resíduos e os desafios ambientais que se colocam ao Algarve vão estar em debate no próximo dia 13 de novembro, no Auditório Teresa Gamito da Universidade do Algarve, no Campus de Gambelas, em Faro, numa conferência que reunirá representantes de entidades públicas, municípios, universidades, empresas e especialistas do setor.

Intitulada “Resíduos: Um Futuro Urgente”, a iniciativa é promovida pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve (CCDR Algarve), em parceria com o Município de Loulé, e pretende identificar estratégias que contribuam para melhorar a gestão dos resíduos, reduzir o desperdício e promover modelos de desenvolvimento mais sustentáveis.

O encontro procurará também incentivar a partilha de experiências e o diálogo entre diferentes entidades, com o objetivo de encontrar respostas para os desafios ambientais da região e reforçar a aplicação dos princípios da economia circular.

Gestão dos resíduos urbanos e desafios do Algarve em destaque

O programa da conferência está organizado em dois grandes eixos temáticos, dedicados à gestão dos resíduos urbanos e não urbanos.

A primeira parte será centrada nos resíduos urbanos, com a apresentação de boas práticas desenvolvidas a nível nacional e a análise dos desafios específicos que se colocam ao Algarve nesta área.

A iniciativa pretende proporcionar uma reflexão sobre a forma como os municípios e as entidades responsáveis pela gestão dos resíduos podem melhorar os seus procedimentos e adotar soluções mais eficientes e sustentáveis.

O debate contará com a participação de representantes da administração pública, autarquias, universidades, entidades gestoras e empresas, permitindo abordar a problemática dos resíduos a partir de diferentes perspetivas.

Economia circular e valorização dos resíduos integram debate

O segundo eixo temático será dedicado aos resíduos não urbanos, destacando experiências inovadoras relacionadas com a economia circular, a valorização de materiais e a promoção de práticas ambientalmente responsáveis.

A conferência pretende dar a conhecer abordagens que contribuam para aproveitar melhor os recursos disponíveis, reduzir a produção de desperdícios e incentivar soluções que favoreçam a sustentabilidade ambiental.

A CCDR Algarve considera que a cooperação entre instituições e a partilha de conhecimento são importantes para promover uma gestão mais eficiente dos resíduos e incentivar a adoção de modelos de desenvolvimento mais resilientes.

O encontro procurará, por isso, aproximar entidades públicas, investigadores, especialistas e representantes do setor empresarial, criando oportunidades de diálogo sobre os desafios atuais e futuros da gestão de resíduos.

Participação gratuita mediante inscrição prévia

A conferência “Resíduos: Um Futuro Urgente” realiza-se a 13 de novembro, no Auditório Teresa Gamito da Universidade do Algarve, situado no Campus de Gambelas, em Faro.

A participação é gratuita, mas exige inscrição prévia através de um formulário disponibilizado pela organização.

Os interessados podem efetuar a inscrição aqui.

Promovida pela CCDR Algarve e pelo Município de Loulé, a iniciativa pretende contribuir para a identificação de soluções que favoreçam a proteção ambiental, a utilização responsável dos recursos e a valorização dos resíduos, reforçando a cooperação entre as entidades envolvidas na construção de um Algarve mais sustentável.

Leia também: Moncarapacho inaugura Casa do Colecionador com mais de 260 bengalas e obras de arte

Prestação da casa deverá subir nos créditos a taxa variável revistos em novembro: veja o impacto

22 October 2026 at 08:00

Quem tem um crédito à habitação com taxa variável e revisão prevista para novembro deverá enfrentar um aumento da prestação. A previsão mantém-se apesar da estabilização recente das Euribor, porque a comparação relevante é feita com a taxa aplicada na última atualização do contrato.

O alerta foi deixado por Nuno Rico, da DECO PROteste, em declarações à SIC Notícias. Segundo o especialista, haverá diferenças entre empréstimos: “A dimensão é que vai ser diferente consoante o indexante”.

Porque pode subir a prestação mesmo com a Euribor a estabilizar

Uma estabilização das taxas nos últimos dias não significa que a prestação fique igual na próxima revisão. Para isso, é necessário comparar o novo valor de referência com aquele que está a ser aplicado ao empréstimo.

O Banco de Portugal explica que, nos contratos a taxa variável, o juro resulta da soma do indexante, geralmente a Euribor, com o spread acordado com o banco. A revisão acompanha o prazo do indexante: três, seis ou 12 meses, por exemplo.

O valor utilizado resulta da média das cotações diárias do mês anterior à revisão. Assim, a referência para novembro será a média de outubro, que ainda não está fechada.

Taxa mista representou 87% dos novos empréstimos em agosto

Os dados mais recentes do Banco de Portugal mostram que, em agosto, 87% dos novos empréstimos para habitação própria permanente foram contratados a taxa mista.

Nas novas operações desta modalidade, a taxa de juro média ficou em 2,86%, mais 0,02 pontos percentuais do que em julho. Na taxa variável, a média também aumentou 0,02 pontos percentuais, para 3,23%.

Estes valores descrevem as operações realizadas naquele mês. Não correspondem a uma proposta disponível nas mesmas condições para todos os clientes.

Como funciona a proteção durante o período de taxa fixa

Num empréstimo a taxa mista, existe um período inicial com taxa fixa, seguido de outro com taxa variável. Durante a fase fixa, a prestação de capital e juros não acompanha as oscilações da Euribor. Depois, passa a depender das condições previstas para a componente variável do contrato.

A escolha desta modalidade tem ganho peso num contexto de subida dos encargos. Em agosto, a prestação média mensal dos empréstimos à habitação atingiu os 446 euros, mais cinco euros do que em julho e mais 28 euros do que no final de 2025, segundo o regulador.

Como avaliar o impacto no seu empréstimo

Para estimar a nova prestação, é necessário conhecer o capital ainda em dívida, o prazo que falta cumprir, o spread e o indexante do contrato. O simulador do Portal do Cliente Bancário permite testar alterações da taxa de juro e perceber o seu efeito na mensalidade.

Na comparação de propostas, devem também ser considerados os seguros, as comissões e os restantes encargos. A taxa anual de encargos efetiva global, ou TAEG, reúne os custos do crédito e ajuda a comparar ofertas com o mesmo prazo e modalidade de reembolso.

Leia também: Pensões e subsídios em novembro: estas são as datas em que a Segurança Social vai pagar

Moncarapacho inaugura Casa do Colecionador com mais de 260 bengalas e obras de arte

22 October 2026 at 07:45

A vila de Moncarapacho, no concelho de Olhão, ganhou um novo museu com a inauguração da Casa do Colecionador, realizada a 19 de outubro, numa antiga igreja do século XVIII. O espaço, propriedade da Fundação Calçada Correia, reúne coleções de arte sacra, mais de 260 bengalas, pinturas em marfim e esculturas em pedra, refletindo cerca de 50 anos de dedicação ao colecionismo.

O projeto resulta da iniciativa de João Luís Calçada Correia, que decidiu instalar o museu na sua terra natal, recuperando um edifício histórico que pertenceu à Ordem Terceira de São Francisco.

A cerimónia de inauguração contou com a presença da ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, do presidente da Câmara Municipal de Olhão, Ricardo Veia Calé, e de várias personalidades ligadas à cultura, entre as quais a escritora algarvia Lídia Jorge.

Antiga igreja do século XVIII transformada em espaço museológico

A Casa do Colecionador ocupa uma antiga igreja do século XVIII, que foi alvo de um projeto de reabilitação já distinguido com um prémio.

A intervenção procurou preservar a identidade histórica e a espiritualidade do edifício, adaptando-o simultaneamente às exigências de um espaço museológico contemporâneo.

O novo equipamento cultural acolhe coleções reunidas ao longo de aproximadamente cinco décadas por João Luís Calçada Correia, abrangendo diferentes manifestações artísticas e objetos de coleção.

Entre os elementos expostos encontram-se peças de arte sacra, pinturas em marfim, esculturas em pedra e uma coleção de mais de 260 bengalas.

Durante a inauguração, o responsável pela criação do museu explicou as razões que o levaram a escolher Moncarapacho para concretizar o investimento.

“Escolhi Moncarapacho para concretizar este investimento porque acredito que vale a pena investir nos lugares a que pertencemos, contribuir para a sua localização e criar condições para que a cultura seja, também, um fator de desenvolvimento local”, afirmou João Luís Calçada Correia.

“A minha terra merece uma oferta cultural de qualidade, capaz de atrair visitantes, despertar o interesse dos mais jovens e enriquecer a vida de quem aqui vive”, acrescentou.

Ministra da Cultura destaca importância de abrir coleções privadas à comunidade

A ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, destacou a iniciativa de João Luís Calçada Correia e a importância de disponibilizar ao público um património reunido ao longo de vários anos.

Na sua intervenção, a governante valorizou “a vontade de transformar uma coleção privada num espaço cultural que pode ser usufruído pela comunidade, fazendo de uma iniciativa pessoal um contributo para a vida coletiva”.

Margarida Balseiro Lopes salientou igualmente a ligação que os equipamentos culturais estabelecem com os territórios onde estão inseridos.

“Um espaço cultural nunca existe isolado do lugar onde se encontra. Passa a fazer parte da sua vida e das razões que levam alguém a visitá-lo e das oportunidades que oferece a quem lá vive”, afirmou.

A ministra considerou ainda que “com este museu, Moncarapacho ganha mais um lugar para conhecer, mostrar e partilhar. Um lugar que acrescenta à oferta cultural do concelho de Olhão e convida a descobrir um território que tem muito para oferecer além dos destinos mais conhecidos da região”.

Câmara de Olhão quer reforçar afirmação cultural de Moncarapacho

O presidente da Câmara Municipal de Olhão, Ricardo Veia Calé, considerou que a inauguração da Casa do Colecionador representa mais um passo na valorização cultural da vila.

“Hoje é um dia de referência porque sabemos que demos mais um passo importante para fazer com que o marco cultural esteja presente na terra”, declarou o autarca durante a cerimónia.

Ricardo Veia Calé destacou o contributo dos investimentos públicos, associativos e privados para o desenvolvimento cultural de Moncarapacho, defendendo que a colaboração entre diferentes entidades tem permitido reforçar a oferta existente.

“Nas várias vertentes, conseguimos mostrar que numa vila com a dimensão de Moncarapacho é possível fazer muito mais do que aquilo que é o objetivo de cada um de nós”, afirmou, agradecendo a João Luís Calçada Correia o investimento realizado na sua terra natal.

O presidente da autarquia sublinhou também a importância que atribui à cultura num contexto de crescente transformação tecnológica.

“Num mundo em constante mudança, em que temos a tecnologia e a inteligência artificial a substituir o ser humano, será a cultura que fará a diferença no futuro”, considerou.

“É um orgulho enorme. Olhão valorizou-se muito hoje com a abertura desta Casa do Colecionador”, concluiu Ricardo Veia Calé.

Novo museu pode ser visitado de terça-feira a sábado

A Casa do Colecionador está aberta ao público de terça-feira a sábado, em dois períodos, das 10:00 às 13:00 e das 14:00 às 17:00.

Os bilhetes têm preços entre 2,50 e 5 euros.

Com a abertura deste novo espaço, Moncarapacho passa a dispor de mais um equipamento dedicado à preservação e divulgação do património artístico, acrescentando uma nova oferta cultural ao concelho de Olhão.

Leia também: “O algarvio que construiu a Lisboa moderna”: conheça a história de Duarte Pacheco, ministro de Salazar

Partir tudo para mudar o quê? | Por Ana Alexandra Resende

22 October 2026 at 07:30

Caro leitor, talvez me esteja a escapar alguma inovação no pensamento político, mas ainda não consegui perceber de que forma partir a montra de uma loja melhora o salário de quem lá trabalha. Ou como incendiar o automóvel de outra pessoa contribui para baixar as rendas. Admito que o mecanismo seja complexo. Até agora, porém, ninguém mo explicou de forma convincente.

As notícias sucedem-se. De diferentes países chegam manifestações, palavras de ordem e sinais de descontentamento. As causas variam, mas repetem-se preocupações com a habitação, os salários, a educação e o custo de vida. Há pessoas cansadas de trabalhar sem conseguirem estabilidade e jovens que olham para o futuro com mais apreensão do que esperança.

É preciso ouvir esse descontentamento. Uma sociedade não pode exigir permanentemente paciência a quem vive sem margem para mais um aumento, mais uma despesa ou mais um adiamento.

Manifestar-se é um direito fundamental. A democracia precisa de cidadãos que questionem, contestem e exijam respostas. Muitas conquistas sociais nasceram da coragem de quem saiu à rua e recusou aceitar como inevitável aquilo que era injusto.

Precisamente por isso, preocupa-me ver uma reivindicação perder espaço para o espetáculo da destruição.

Imagens criadas com recurso a inteligência artificial

Em Paris, as notícias sobre a mobilização de 17 de outubro dão conta de lojas saqueadas e comerciantes agredidos na zona da Praça da República e nas ruas próximas. Entre os estabelecimentos atingidos estavam uma farmácia e lojas de bairro. Por detrás de cada montra havia pessoas, trabalho e compromissos que não desapareceram com o vidro partido.

Há uma diferença que importa deixar clara: quem parte a montra não é, em regra, quem trabalhou para abrir aquela loja. Quem incendeia o automóvel não é quem passou anos a pagá-lo. Quem saqueia um estabelecimento leva os bens; deixa a outros o prejuízo, a reparação e a incerteza sobre o dia seguinte.

A revolta pode nascer de dificuldades reais. Mas isso não dá a ninguém o direito de impor novas dificuldades a pessoas que também trabalham, pagam contas e procuram sustentar uma família. O comerciante não deixa de ser trabalhador por ter uma loja. E os funcionários não deixam de precisar do emprego por trabalharem para uma grande empresa.

É particularmente cómodo exercer a indignação à custa do património alheio. Quem destrói pode ir embora; quem sofreu o dano fica com as consequências. Que solidariedade é essa que exige justiça para uns enquanto aceita arruinar a vida de outros?

E depois há o saque. Porque partir uma montra e sair com os produtos debaixo do braço exige uma explicação bastante mais convincente do que a invocação da justiça social. Em que medida levar um telemóvel melhora a escola pública? Que reivindicação fica satisfeita com o conteúdo de uma montra dentro de um saco?

A indignação não confere um direito de apropriação. Uma loja não se torna um alvo legítimo por vender produtos caros, pertencer a uma grande empresa ou representar um mundo ao qual muitos não têm acesso. A dimensão do estabelecimento não transforma os seus bens em mercadoria à disposição de quem os queira levar.

Chamar saque ao saque não diminui o direito à manifestação. Pelo contrário: impede que quem procura uma mudança coletiva seja confundido com quem aproveita a confusão para obter um benefício pessoal.

Essa distinção é indispensável. A cobertura das manifestações em França descreve tanto participantes pacíficos como grupos envolvidos em confrontos, incêndios e pilhagens. Responsabilizar todos pelos atos de alguns seria injusto e apagaria as reivindicações de quem saiu à rua sem destruir nada.

Mas a legitimidade de um protesto também não absolve todos os atos praticados à sua volta. Uma causa justa não transforma automaticamente em justo tudo o que se faz em seu nome.

Há ainda a questão dos rostos tapados. Incomoda-me ver alguém exigir publicamente responsabilidade enquanto procura escapar à responsabilidade pelos próprios atos. Reconheço que pode haver razões legítimas para proteger a identidade, incluindo o receio de represálias. Uma cara tapada, por si só, não prova uma intenção violenta. Porém, quando alguém oculta o rosto para agredir, saquear ou destruir sem ser reconhecido, a questão é bastante concreta: quer agir e evitar responder pelo que fez.

A liberdade de manifestação não inclui uma dispensa de responsabilidade.

Quanto ao património público, talvez convenha recordar uma evidência: pertence à comunidade. Nenhum indivíduo pode decidir destruí-lo em nome da sua própria indignação. Ao fazê-lo, retira aos outros o uso de um bem comum e impõe-lhes o custo da sua reparação.

Uma biblioteca, uma escola, um jardim ou uma paragem de autocarro têm uma função na vida das pessoas. Não são abstrações nem objetos descartáveis. Quando são danificados, as consequências atingem também quem depende deles e não teve qualquer participação nos acontecimentos.

Como historiadora e arqueóloga, custa-me particularmente a facilidade com que o património pode ser tratado como um alvo disponível. Um edifício histórico guarda marcas de vidas, técnicas, acontecimentos e transformações que ultrapassam largamente o governo do momento. A sua destruição pode eliminar testemunhos que nenhuma verba de reconstrução consegue devolver.

É possível contestar o passado, discutir os seus símbolos e exigir novas formas de o apresentar. Esse debate merece conhecimento e participação. O fogo é um péssimo instrumento de interpretação histórica.

Há quem pergunte se um protesto que não perturba alguma vez é ouvido. É uma pergunta pertinente. Uma manifestação ocupa espaço, interrompe rotinas e pode condicionar a circulação. Não se pode exigir que toda a contestação decorra discretamente, sem causar o menor incómodo a ninguém.

Mas existe uma diferença entre interromper o trânsito e incendiar o carro de quem ficou parado nele. Entre ocupar uma praça e destruir o equipamento que permite a outras pessoas usá-la. Entre contestar uma decisão e agredir alguém que não teve qualquer participação nela.

Essa diferença não desaparece por estarmos indignados.

Também não devemos aceitar que os atos violentos sirvam de pretexto para desvalorizar todas as reivindicações ou justificar respostas indiscriminadas. A responsabilidade deve ser apurada em cada caso, incluindo quando estão em causa abusos de autoridade. Exigir rigor a quem protesta e a quem exerce o poder faz parte da mesma exigência democrática.

O que me inquieta é a facilidade com que a destruição ocupa toda a conversa. Discutem-se os incêndios, os confrontos e os prejuízos. Os salários, a habitação e a escola passam para segundo plano. Quem queria tornar um problema visível acaba representado por imagens que podem nada ter que ver com aquilo que defende.

O estrondo consegue atenção. Nem sempre consegue fazer ouvir uma ideia.

Não espero uma indignação elegante de quem está exausto. Espero, contudo, que a revolta conserve a capacidade de reconhecer o outro. Sobretudo aquele que tem tão pouco poder como nós para mudar as circunstâncias.

Porque, depois de dispersar a multidão, há sempre alguém que fica. Alguém que encontra o negócio destruído, telefona à família, faz contas ao prejuízo ou procura uma maneira de chegar ao trabalho sem o automóvel que lhe incendiaram.

Podemos exigir mudanças profundas, fazer perguntas incómodas e recusar respostas vazias. Devemos fazê-lo. Mas continuo à espera de que me expliquem como se melhora a vida de quem, depois da manifestação, fica a varrer os vidros.

Essa pessoa também fazia parte do povo.

Leia também: Mulheres que transformam o mundo: a força da diferença e o poder de caminhar juntas | Por Ana Alexandra Resende

Quarteto Concordis estreia-se em Olhão com música portuguesa de Carlos Paredes e José Afonso

22 October 2026 at 07:00

O espaço cultural República 14, em Olhão, recebe pela primeira vez o Quarteto Concordis, no próximo sábado, 24 de outubro, para apresentar LUSITANIAS, um espetáculo dedicado à música portuguesa que revisita obras de Carlos Paredes, José Afonso, Luís de Freitas Branco e Cesária Évora, através de arranjos para quatro guitarras clássicas.

O grupo apresenta-se em duas sessões, às 19:00 e às 21:30, proporcionando ao público uma abordagem instrumental a diferentes referências da música nacional, num encontro entre a tradição musical e novas possibilidades de interpretação.

Formado pelos guitarristas portugueses Manuel Toucinho, Pedro Rufino, Jorge Pires e Eudoro Grade, o Quarteto Concordis desenvolve, desde 2005, um trabalho de divulgação do património musical português, com apresentações em Portugal e no estrangeiro.

Carlos Paredes e José Afonso em destaque no espetáculo LUSITANIAS

O programa apresentado em Olhão propõe uma viagem por diferentes expressões da música portuguesa, com especial destaque para as obras de Carlos Paredes e José Afonso, duas figuras marcantes da cultura nacional.

O repertório inclui igualmente composições de Luís de Freitas Branco e Cesária Évora, interpretadas numa formação de quatro guitarras clássicas, que permite explorar novas sonoridades e abordagens a temas conhecidos.

Com este projeto, o Quarteto Concordis procura valorizar o património musical português através de uma interpretação que combina a linguagem da música de câmara com influências de diferentes tradições musicais.

O espetáculo LUSITANIAS constitui também um ponto de partida para um futuro projeto do grupo, intitulado Diáspora Portuguesa, que contará com arranjos de Pedro Louzeiro e Miguel Jesus.

Quarteto português soma atuações em festivais internacionais

Fundado em 2005, o Quarteto Concordis tem desenvolvido uma atividade artística centrada na divulgação da música portuguesa, levando o seu repertório a diferentes palcos internacionais.

Ao longo do seu percurso, o grupo participou em festivais como o London Guitar Festival, em Inglaterra, o Festival Guitarres en Picardie, em França, o Ossola Guitar Festival, em Itália, e o Guitar Art Festival, na Sérvia.

O quarteto apresentou-se igualmente em festivais realizados em Macau, Hong Kong e Ronda, em Espanha, consolidando um percurso internacional assente na interpretação e valorização de obras de compositores portugueses.

Os bilhetes podem ser adquiridos diretamente no local ou através da plataforma BOL.

Leia também: Mercadona continua a crescer no Algarve e está a contratar para a 3.ª loja: salários até 21.000€, contrato efetivo e prémio anual

Chuva chega a Portugal neste dia: saiba quais serão as regiões afetadas

22 October 2026 at 06:30

Uma pequena descida da temperatura e chuva a chegar ao Minho durante a tarde marcam a previsão para quinta-feira, 22 de outubro, no Continente. Segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), a precipitação deverá estender-se gradualmente ao restante litoral a norte do Cabo Mondego.

Nos arquipélagos também se esperam aguaceiros. Nos Açores serão fracos, enquanto na Madeira deverão afetar sobretudo a vertente norte e as terras altas. O Sul do Continente terá mais abertas.

Continente: chuva durante a tarde e manhã mais fresca

Nas regiões Norte e Centro, o céu estará geralmente muito nublado, inicialmente por nuvens altas. A chuva deverá começar no Minho a partir do meio da tarde, chegando ao Grande Porto no final da tarde.

O vento será inicialmente fraco, reforçando a partir do fim da manhã. Nas terras altas poderá atingir os 40 km/h durante a tarde. Há ainda possibilidade de neblina ou nevoeiro matinal em alguns locais do interior.

No Sul, incluindo o Algarve, prevê-se céu pouco nublado ou limpo, com períodos de maior nebulosidade por nuvens altas. A temperatura deverá descer ligeiramente, enquanto no Norte e Centro a descida será sobretudo da mínima.

Na Grande Lisboa esperam-se períodos de céu muito nublado e vento que poderá atingir os 25 km/h durante a tarde. Previsão descritiva

Açores: aguaceiros fracos e máximas de 24 ºC

Os três grupos do arquipélago terão períodos de céu muito nublado com abertas. No grupo Ocidental, os aguaceiros fracos deverão surgir a partir da tarde. No Central serão mais frequentes durante a madrugada, estando também previstos no Oriental.

O vento soprará inicialmente entre os 10 e os 30 km/h, enfraquecendo depois para valores entre os 5 e os 10 km/h. No grupo Ocidental rodará de oeste para sul e, no Central, de sudoeste para noroeste.

As máximas previstas são de 24 ºC em Santa Cruz das Flores, Horta, Angra do Heroísmo e Ponta Delgada. As mínimas serão de 19 ºC nas Flores e de 18 ºC nas restantes localidades.

Madeira: mais chuva na vertente norte e nas terras altas

No arquipélago da Madeira, o céu deverá apresentar-se geralmente muito nublado, com aguaceiros sobretudo na vertente norte e nas zonas mais elevadas da ilha.

O vento soprará de leste ou nordeste, entre os 10 e os 25 km/h. Para o Funchal, o IPMA aponta céu geralmente muito nublado e possibilidade de aguaceiros fracos, com vento do quadrante leste.

Ondas até três metros na costa ocidental

Na costa ocidental do Continente, as ondas de noroeste poderão atingir os três metros a norte do Cabo Raso até ao meio da manhã. Na costa sul serão inferiores a um metro.

Nos Açores, prevê-se ondulação entre um e dois metros e água do mar a 22 ºC.

Na Madeira, as ondas deverão variar entre 1,5 e 2,5 metros na costa norte, ficando por um metro na costa sul. A temperatura da água estará entre os 22 e os 23 ºC.

Leia também: Ar polar em Portugal: estas 10 capitais de distrito podem ficar abaixo dos 8 ºC no dia mais frio da semana

❌