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Cerca de 70 elementos da UMinho repudiam receção do embaixador de Israel em Guimarães

15 October 2026 at 13:39

Cerca de 70 docentes, investigadores e trabalhadores da Universidade do Minho (UMinho) assinam um manifesto, hoje divulgado, de repúdio pela receção do embaixador de Israel em Portugal na Câmara de Guimarães, assumindo “perplexidade” perante a iniciativa.

“Um grupo de docentes, investigadores e trabalhadores não docentes e não investigadores da Universidade do Minho, com ligação à vida política, social e cultural do Município de Guimarães, subscreveu um manifesto de repúdio pela receção do Embaixador de Israel em Portugal, Oren Rozenblat, pelo Presidente da Câmara Municipal de Guimarães, Ricardo Araújo, no passado dia 14 de setembro”, lê-se no manifesto, enviado à agência Lusa.

Aquando da receção, o município explicou que o encontro permitiu explorar novas possibilidades de colaboração em áreas estratégicas para o desenvolvimento do território, como a inovação, a tecnologia, a proteção civil, a qualificação de recursos humanos e a atração de investimento.

“Mais tarde, em resposta à contestação cívica que o facto suscitou, o autarca respondeu, invocando a normalidade das relações diplomáticas e rejeitando que a receção do embaixador representasse uma tomada de posição sobre a política internacional daquele país. A nosso ver, porém, o facto é gravíssimo por objetivamente branquear um genocídio de dimensões terríveis que prossegue quotidianamente na Palestina”, frisam os signatários.

Um mês depois, estes 66 elementos da comunidade académica da UMinho, sediada em Braga e com um polo em Guimarães, “manifestam perplexidade” perante a iniciativa e os seus objetivos.

“Consideram que, perante a gravidade da situação vivida na Palestina, este encontro não pode ser entendido como um simples ato de normalidade diplomática, contribuindo, pelo contrário, para a normalização da atuação do Estado de Israel e para o branqueamento das graves violações dos direitos humanos denunciadas no manifesto”, sustentam os subscritores.

Os signatários lembram que “a atuação de Israel como potência ocupante da Palestina é reconhecida pela comunidade internacional, dos seus órgãos multilaterais aos cidadãos comuns, como profundamente criminosa e passível de condenação na justiça”.

“O Sr. Oren Rozenblat, recebido tão galhardamente na Câmara de Guimarães, é o representante desse crime no nosso país. E não por acaso tem assumido, em inúmeras ocasiões, com uma arrogância acintosa e insolente, a defesa dos atos hediondos praticados pelo governo, os militares e os colonos. Além disso, costuma acrescentar ameaças e comentários inaceitáveis em relação aos que no nosso país denunciam o genocídio em curso”, refere o manifesto.

Os signatários dizem não acreditar que o presidente da Câmara de Guimarães “concorde com o governo do estado sionista em que Israel terá adquirido um direito superior e absolutamente ilimitado de se defender, justificando, assim, a matança de dezenas de milhares de civis inocentes, como inevitavelmente o são as crianças, e classificando-os como danos colaterais”.

“Mas terá consciência de que o seu gesto, mesmo que reduzido a um mero ato formal, apenas contribui para obliterar tal situação? Não entenderá que manter uma atitude de ‘business as usual’ significa acatar este nível de violência como algo aceitável que, quer queiramos quer não, levaremos por diante em função dos nossos interesses mútuos? Achará mesmo que um genocídio pode ser apagado por um aperto de mão condescendente?”, questionam.

A receção do presidente da câmara de Guimarães, Ricardo Araújo (PSD/CDS-PP), ao embaixador de Israel em Portugal provocou também contestação política no concelho, com PS, BE, Livre e CDU a questionarem a estratégia seguida pelo município.

Também o compositor César Viana deixou a direção artística do Festival de Música Religiosa de Guimarães, motivada pelo “profundo desacordo com a aproximação institucional e comercial” entre este município e Israel, no atual contexto da situação em Gaza.

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Estudantes da UMinho manifestam-se contra aumento dos preços nas residências

15 October 2026 at 10:23

O Resiste – Movimento de Estudantes da Universidade do Minho convocou para o próximo dia 21 de outubro, às 13:00, no campus de Gualtar, em Braga, uma manifestação contra o aumento do preço dos quartos das residências públicas. Contestam ainda o aumento da propina e pedem a sua gratuitidade.

Como O MINHO noticiou, há cerca de duas semanas, um grupo de estudantes da Universidade do Minho avançou com um abaixo-assinado em torno do aumento dos preços nos quartos das residências públicas, com o qual recolheram até agora mais de 500 assinaturas.

Agora, avançam para um protesto. “Esta manifestação é uma direta oposição ao aumento brutal do preço dos quartos das Residências Públicas tanto para estudantes bolseiros como não bolseiros, que o Governo decretou. Como já referido anteriormente, este ano letivo o teto máximo por cama para bolseiros passou de 91,44 para 161,14 euros, destacando-se ainda a prática de valores acima do limite máximo permitido por lei para estudantes bolseiros em quartos individuais nas Residências da Universidade do Minho, podendo atingir os 200 euros. Assim, é ultrapassado o teto máximo estabelecido no Decreto-Lei n.º 148/2026, de 20 de julho”, defendem.

Questionados por O MINHO, os Serviços de Ação Social explicaram que “os preços de alojamento em vigor foram aprovados pelo Conselho de Gestão dos SASUM e pelo Conselho de Ação Social, no qual estão representados os estudantes”.

E acrescentam: “A definição de preços diferenciados para os quartos individuais e duplos justifica-se pela existência de condições de alojamento distintas, nomeadamente ao nível da privacidade e conforto, mas também pela diferente afetação dos recursos disponibilizados. Neste contexto, a aplicação de um preço superior aos quartos individuais, relativamente aos quartos duplos, constitui um mecanismo de diferenciação tarifária fundamentado nas diferentes condições de alojamento oferecidas e na necessidade de assegurar uma gestão equilibrada e sustentável dos recursos da residência, permitindo ainda disponibilizar aos estudantes alternativas de alojamento com diferentes níveis de serviço e diferentes preços, consoante as suas preferências e as vagas disponíveis”.

Para os manifestantes, “considera-se um mau precedente que, numa Residência Estudantil Pública, pelo que se pode retirar das declarações, possa ser considerado aceitável exceder o limite decretado para que os estudantes possam viver em maior ‘privacidade e conforto’. Também a referência ao complemento de alojamento como forma de compensar esses aumentos é por si só errada. A existência do complemento de alojamento (que não seria suficiente para cobrir os aumentos) não permite que seja alterado o teto máximo. Para além disso, o novo Regulamento de Atribuição de Bolsas de Estudo a Estudantes do Ensino Superior (RABEEES) retira este ano letivo esse mesmo complemento de 50 euros a milhares de estudantes deslocados”.

Para os estudantes, “entre as razões que motivam a mobilização encontram-se ainda outras consequências da revisão do RABEEES que resultaria, no próximo ano letivo, numa descida do valor das bolsas para muitos dos estudantes que vêm de meios mais desfavorecidos, a descida do valor da bolsa de referência e a retirada da bolsa mínima a muitos dos estudantes que aos dias de hoje cumpriam os critérios para a receber. Acrescenta-se a estas razões a intenção de aumentar o valor das propinas, avançada pelo governo no âmbito da discussão do Orçamento do Estado para 2027, caminho contrário à gratuitidade do Ensino Superior que é reivindicada”.

“Também a revisão do Regime Jurídico de Graus de Diplomas do Ensino Superior, que excluiria estudantes de acederem a licenciaturas, mestrados e doutoramentos, é motivo de descontentamento”, acrescenta o manifesto.

“Sendo esta uma luta de todos apela-se à mobilização de todos os estudantes da Academia Minhota, inclusive de núcleos, associações, secções, comissões e grupos culturais, destacando-se a Associação Académica da Universidade do Minho que, como representante dos estudantes, deve assumir o papel de estar ao lado dos mesmos quando ataques desta magnitude nos são direcionados”, conclui o movimento estudantil.

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